Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)
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04 maio 2012



Lido no Fogo Posto, Mia Couto pela mão desta menina , menina esta que qualquer dia tem de ter quota aqui no estaminé, tais são os roubos descarados aos seus escritos... mas tem uma maneira muito particular de me pôr a pensar...e quando há um lugar em nós que é amarmos alguém? 

18 abril 2012

Preciso de sair daqui.
Preciso de sair de mim, e encontrar o meu caminho para fora de ti.
Porque vou encontrá-lo, eu sei que vou, estou cansada de ser segunda opção, ou simplesmente não ser opção, estou cansada de ter sido sempre desistida, a fácil de desligar e continuar os amanhãs sem mim.
Quero o meu caminho e alguém lá longe, não agora, mas mais à frente quando já for sozinha, que me queira, que me queira a mim, sem dúvidas, sem hipótese de alternativas, sem comparações. Quero ser a sua inevitabilidade, quero que lutem por mim, que me valorizem, que gostem de mim e que possa retribuir esse gostar. Quero poder amar como sei que consigo e sei amar, sem achar sempre que não há eco, que não tem reflexo esse espelho.
Tenho defeitos e muitos e maus, mas tenho também qualidades, coisas boas, não serei a pior nem a melhor, mas estou farta de me fazerem sentir a pior, a última das mulheres, de ser ignorada, desprezada até, desconsiderada sempre que consideração se exigiria. No minimo, já que amor seria pedir demais.
Estou de partida para outro lugar.
Outro lugar de mim, vou pela tua sombra, até que queira o meu sol, e não te queira mais lembrar.
Não te queira mais em mim. 

03 julho 2010

devagar, o tempo transforma tudo em tempo. o ódio transforma-se em tempo, o amor transforma-se em tempo, a dor transforma-se em tempo. os assuntos que julgámos mais profundos, mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis, transformam-se devagar em tempo. por si só, o tempo não é nada. a idade de nada é nada. a eternidade não existe. no entanto, a eternidade existe. os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos. os instantes do teu sorriso eram eternos. os instantes do teu corpo de luz eram eternos. foste eterna até ao fim.

José Luís Peixoto, in "A Casa, A Escuridão"

31 maio 2010

"Mais triste do que amar um homem que não nos quer, é amar um cobarde que nos quer, mas não luta para nos ter." ...Infelizmente verdade... encontrada por acaso, e como que encaixou exactamente no espacinho certo para esta conclusão, como uma peça dum puzzle imaginário, que por vezes não queremos ver, porque não gostamos da imagem das peças que o puzzle vai juntando...

18 abril 2010

"The brick walls are not there to keep us out. The brick walls are there to give us a chance to show how badly we want something. Because the brick walls are there to stop the people who don’t want it badly enough" Randy Pausch

23 março 2010

E se a atravessarmos e depois a queimarmos? Se a atravessarmos e depois chegarmos è conclusão que se calhar não a devíamos ter atravessado? Na verdade acho que todas as pontes atravessadas deviam, ou são de qualquer forma, sempre queimadas. Não se consegue apagar a vida tentando percorrer o mesmo caminho em sentido inverso. Um passo dado, vivido é uma distância percorrida que em nós jamais é apagada. Podemos até voltar ao mesmo sítio, mas nunca apagando o caminho, sempre aprendendo com ele. Na vida nunca se percorre o mesmo caminho duas vezes, porque se o repetimos já não retiramos dele o que já retirámos, já não olharemos as coisas com os mesmos olhos, já não nos surpreenderemos com a paisagem, com os sons, com os cheiros, como da primeira vez. Atentaremos agora a outras coisas, não melhores, não piores, outras, outras que não vimos da última vez que percorremos esse mesmo trilho, por isso verdadeiramente nunca um caminho se repete, porque cada passo dado é um passo vivido, que passa a ser parte de nós, não pode ser apagado de nós, tal como a amarga palavra dita nunca poderá ser recolhida depois de dita. Poderá ser perdoada, mas não negada.