Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

11 fevereiro 2015


... E quem paga sou eu, o que não melhora nadinha...
Irra que dia...
A viagem de manhã não é a mesma se não for no nosso carrinho, as coisas que são nossas fazem-nos falta, é verdade. Até entendo isso. Não entendo que se sobreponha a coisas mais importantes, eu não teria de pensar muito no assunto. Mas hoje à noite já a música será minha e o motor aquele que já me conhece os pés. E isso, parecendo que não, é uma coisa boa, não fosse a parte de ter ficado com a carteira tão mais leve... Enfim é a minha sorte...
 E se nós pensarmos o dia inteiro em alguém?
e sorrismos e tudo, também... 
(às vezes também lhe partimos os dentinhos todos, 
mas talvez não interesse muito referir essa parte... digo eu)...
... essa pessoa é nossa?
Não??... 
pois também me parecia...
e sorrir, até devem sorrir, e muito, 
só não por se lembrarem que eu existo, quanto mais pensarem em mim...
Bahhhh...

Bom Dia
... Que nem uma lapa.
Parece-me bem, tão bem.
Ahhhh... coisa boa.

Boa Noite

10 fevereiro 2015


Sim, agora era um colinho. 
Antes de fazer o jantar. 
Podia ser na cozinha, podia ser em qualquer lado,
 desde que fosse um colo que desse colo. Doce. Tranquilo. Cheio de mimo.
...e agora ganhar coragem para mais uma viagem. 
Mais um regresso. 
Não me apetece ir onde tenho de ir, 
não me apetece voltar de lá como sempre volto.
Não me apetece, pronto.
Mas tem de ser, eu sei. 
Do vazio brota sempre uma escuridão nova.
Seja.

hum hum...
... é isto.
Bom Dia!


Boa Noite

09 fevereiro 2015

E não sei porquê, lembrei-me agora daquele fim de noite, já pintado com as cores frias da manhã, em que te vi ao longe... vi a cena toda de longe, não querias ir, não querias entrar no carro. Eu a ver-te, e de repente saíam-me da boca para dentro as palavras "não vás. se me amas, não vás". Palavras que nunca te disse, palavras que nunca te diria, que confessei surdas apenas a mim. E as palavras seguiam-se, as mesmas, desenfreadas, tanto quanto seria possível a repetição acelerada sem comer letras, nem futuro. E tu insistias que não querias, não querias entrar no carro, não querias ir, mas foste, mas entraste; vencido pelo cansaço, como sempre, ou pela vontade do mesmo que não muda. Nunca saberei. 
Entraste, eu calei-me para dentro e para fora, engoliste-me o futuro.
Deixaste-me o presente de não me amares para o futuro.
Ou de nunca me teres amado em tempo algum.

“Eu quase consegui abraçar alguém semana passada. Por um milésimo de segundo eu fechei os olhos e senti meu peito esvaziado de você. Foi realmente quase. Acho que estou andando pra frente. Ontem ri tanto no jantar, tanto que quase fui feliz de novo. Ouvi uma história muito engraçada sobre uma diretora de criação maluca que fez os funcionários irem trabalhar de pijama. Mas aí lembrei, no meio da minha gargalhada, como eu queria contar essa história para você. E fiquei triste de novo. Hoje uma pessoa disse que está apaixonada por mim. Quem diria? Alguém gosta de mim. E o mais louco de tudo nem é isso. O mais louco de tudo é que eu também acho que gosto dele. Quase consigo me animar com essa história, mas me animar ou gostar de alguém me lembra você. E fico triste novamente. Eu achei que quando passasse o tempo, eu achei que quando eu finalmente te visse tão livre, tão forte e tão indiferente, eu achei que quando eu sentisse o fim, eu achei que passaria. Não passa nunca, mas quase passa todos os dias. "

Tati Bernardi

[quase. 
quase sempre quase. 
um dia o quase completa-se. e um completo e acabado quase, acaba-se, extingue-se, deixa de ser quase, passa a ser qualquer coisa que ainda vou descobrir. sem "quases". não gosto de "quases". estou farta, não quase farta. farta mesmo. de quases, de quase tudo. de tudo o que é quase. de tudo que quase foi e nunca foi nada. mesmo nada, e não quase nada. mas um nada completo, ainda que não extinto, em mim, só em mim, ou não estaria vazia, quase a abarrotar de espaço ocupado por quem não está.]

... E não é tarefa fácil, essa...
E hoje comecei mesmo, mesmo, bem o dia. Tão bem que me vai custar bem caro... 
E logo este mês...irra!!
Canta, canta, minha linda, que tens muitos males para espantar...
Olhem, para vocês que seja um bom dia...

... Pois. Pois sim.
A ordem não é importante...
...o facto se ser uma ordem já é...
E devia estar acrescido de "right now!"
Bahhhh
(um dia vou arranjar um mocinho obediente para estas ordens, a sério que vou. Um dia)

Boa noite.

08 fevereiro 2015


(Ou acaso... )

"Diz Mallarmé: "o acaso deve ser fixado". Dizer: "amo-te", explicitamente, ou seja, enunciar o amor é, por isso, crucial: porque fixa um acaso, que é o encontro dos dois, num caminho, uma continuação, uma persistência, um destino. É a declaração do amor que transforma o que é potencial, talvez efémero, no que é construído, ou mais ainda, no que é eterno."


[há quem faça de dizer "amo-te" um acaso, há quem o diga sem fazer caso, há quem faça disso um caso bicudo e há até quem não o faça. Parece-me certo que quem o sente realmente está predestinado a dizê-lo, a enunciá-lo, a fazer disso não um acaso, mas uma declaração natural, porque quando se sente o "amo-te", guardá-lo, calá-lo, rebenta-nos pelas costuras. É rebenta todas as costuras, sai, acaba por romper-nos a boca, ou os gestos, ou os dias.  Dizê-lo é não só natural, mas uma necessidade, uma consequência, e até o alívio de mostrar o que se guarda, uma partilha, um destino. Difícil é saber distinguir qual o caso quando se ouve: se foi um acaso, se foi dito sem fazer caso disso, ou se se trata do sério caso de ser sentido. E aí o acidente fixa-se no que nos é eterno.]

Estavam os dois a ouvir a mesma música que o rádio ia debitando na noite, nas salas contíguas onde os dois se sentavam: ela no sofá à volta de palavras num livro, ele à volta de papéis de trabalho. Não era assim sempre, era assim quando calhava, quando tinha de ser, ou quando os dois queriam. A música que começava no rádio fechou-lhe o livro e o espaço para palavras, acordou-lhe o sangue da alma e a dança no corpo. Começa a deixar o corpo falar da música, invadi-la, conquistá-la até a sentir por dentro da pele, a comandar o corpo que deixava de ser seu, e ao mesmo tempo nunca falava tanto por ela, e dela, como quando se deixava dançar assim. Só ela e a música. Havia alturas em que parecia tornar-se uma necessidade, libertar o corpo, soltar a alma; e tudo isso fazer uma música que se sente por dentro, e que somos nós numa forma pura e estranha: essencial. Desfaz-se do casacao e das meias sem medo do frio, espanta o frio no calor dos movimentos que lhe cresciam no corpo, que a música vai roubando ao corpo sem licença de pudor. Tira as meias que se agarravam ao tapete, solta os cabelos quando já tudo corre solto e o sorriso lhe desenha as feições. De olhos fechados entrega a alma à música, deixa-se levar. Nada é tão reconfortante como deixarmo-nos levar sem medos, sem rédeas, sem muros. Abre os olhos e vê, em sobressalto, os dele. À porta, a olhá-la como se a visse pela primeira vez, a apaixonar-se tudo de novo, a querê-la com a urgência dos inícios. Ela reconheceu-lhe o olhar, era o mesmo que ela tinha quando o via a andar na rua, quando o via a trabalhar, de cigarro por acender na boca, a apontar aquele dedo não se sabe para onde quando se queria lembrar dalguma coisa que lhe parecia fugir, depois lembrar-se e "Ahh..." enquanto recolhe o dedo à normalidade absurda de não apontar para nada, quando o via a arrumar a cozinha ou atrás de fios teimosos, quando o via falar com o miúdo do bar quando ia pedir uma bebida - de cada vez, ela olhava-o assim, como agora reconhecia no olhar perdido dele, a meio caminho entre o sorriso e a perdição. Ela só disse "anda"... e estendeu a mão para lhe dar o corpo todo. Ele não sabia, mas ele era a música dela desde que tinha cometido o erro de lhe roubar um beijo, sem ela nunca aceitar que ele o devolvesse. Era ele que dançava nela a cada música que lhe chamava a alma.

Bom dia
(acordei com esta cena, tenham paciência, isto passa)
"O amor deseja, o medo evita. Por causa disso não podemos ser amados e reverenciados pela mesma pessoa, não no mesmo período de tempo, pelo menos. Pois quem reverencia reconhece o poder, isto é, o teme: seu estado é de medo-respeito. Mas o amor não reconhece nenhum poder, nada que separe, distinga, sobreponha ou submeta. E, como ele não reverencia, pessoas ávidas de reverência resistem aberta ou secretamente a serem amadas.”

Friedrich Nietzsche

[amar é, talvez, também entregar as defesas sem recear qualquer ataque, o que será diferente de por não esperar ser atacado baixar as defesas. A diferença está na entrega. Na entrega sem razão, entrega no reconhecimento de outro igual, entrega a quem nos pode tirar tudo sem nos subtrair nada, e, ao mesmo tempo, que nos pode dar tudo o que temos. Mas o único que nos dá a ponte para o que temos de melhor.]

Boa Noite

07 fevereiro 2015


( foto @sandrovbs)

... Café sentada no degrau da varanda. 
Com sol, mas frio. E agora banho, já são horas... 
Há coisas para serem feitas e vontade nenhuma de as fazer...
... Ronha... que coisa boa. Preguiçar devagar no quentinho, sem ter de apressar o dia entrar em nós, deixarmo-nos amanhecer ao ritmo do nosso sol.
Melhor só com alguém com um sol igualmente preguiçoso de uma preguiça doce. 
Bom dia.
... E isto é  tudo.
Quando é verdadeiro, basta.

06 fevereiro 2015

Ainda me lembro tantas vezes quando aqui passo, neste bocado de estrada com a berma enfeitada de árvores magrinhas, quando fazíamos o caminho entre mensagens, e uma vez me ameaçaste que se encostasse o carro me espetavas um beijo. Ora, claro que não admito ameaças. Encostei, e tu,  atrás de mi, encostaste. Saiste do carro, e pela janela, cumpriste. Eu reclamei "só um???... Pan#%*~£$!!!!"
... As coisas que devia esquecer de que me lembro... #%+£$#%!!