Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

21 fevereiro 2015

A noite tem uma pestana que lhe enche o olhar de melancolia.
(é o que dá dar voltas na cidade sem destino debaixo deste céu, aparecem-me frases que tenho de deixar nalgum lado... talvez seja essa a minha chegada ao destino)
Já se respira. O friozinho até sabe bem a acompanhar o cigarro. Percebo que tenho fome e ponho-me a pensar nas pessoas que têm uma vida normal, entraram no ano sem chamar para dentro nomes a ninguem, que celebraram a esperança dum novo ano, dum recomeço, e depois outras comemorações, o dia destinado aos apaixonados e os jantares apinhados de normalidade corrente, o carnaval e os risos, o aproveitar cada coisa e todas as coisas. As pessoas que não chegam ao fim do dia a tentar fazer sentido dum ano que começou sem coisa nenhuma ter acabado, um ano que por mim acabaria já, e tarde. A normalidade essa coisa de toque diário e corrente ou o que seja esse conceito redondo que rebola para onde o mandarmos, ou quase, essa não se aproxima desta Eva, que acende mais um cigarro depois do descafeinado bebido, esperando que a cafeína acorde o ano que dizem que é novo, ou era. Não sei quando é que a normalidade dirá que o ano já não é novo...
Aqui o ar é pesado, dum quente ressequido, saturado, e eu saturada de o respirar. Quase a acabar o turno. Quase. Apetecia-me tratar de mim, um bocadinho que fosse. Ando a sonhar com uma tarde de ficar de papo para o ar a tratarem de mim: cara, mãos, pés, se puderem tratar da alma também agradeço, mas isso duvido... Mas no fim uma massagem. Isso sim era uma tarde. Depois ir para casa, para a lareira com uma garrafa de tinto, boa música e um livro que nos afunde nele, sem deixar levantar cabeça. Precisava disto tudo, à falta de tudo o resto, isto agora servia-me. Está quase a acabar o meu turno, preciso de pelo menos espairecer, fumar um cigarro, dar voltas na cidade, qualquer coisa que pareça assemelhar-se com descanso ou da família... Também vinha a calhar um jantar bem disposto com quem gosta de nos usufruir a companhia com uma conversa pós repasto e uma garrafa de vinho, ou duas, na loucura. Enfim sonhar ainda não paga imposto. E eu ando mesmo a precisar duns dias longe daqui, e nem sonhar consigo de quando o poderei fazer... Enfim, o turno deve estar quase a acabar. Preciso dum cigarro e de ar. De respirar e sentir ar...

... Ronha....
E o resto da vida à espera. E eu espero até à última para ignorá-la... E agora chega, não pode ser mais. E hoje, hoje, vendo bem as coisas nem é fim de semana, ou quase não é. Acabou agora.

Bom dia!
... Terá sido isso?
Também isso?

20 fevereiro 2015


"Preciso de alguém, e é tão urgente o que digo. Perdoem excessivas, obscenas carências, pieguices, subjetivismos, mas preciso tanto e tanto. Perdoem a bandeira desfraldada, mas é assim que as coisas são-estão dentro-fora de mim: secas. Tão só nesta hora tardia - eu, patético detrito pós-moderno com resquícios de Werther e farrapos de versos de Jim Morrison, Abaporu heavy-metal -, só sei falar dessas ausências que ressecam as palmas das mãos de carícias não dadas.
Preciso de alguém que tenha ouvidos para ouvir, porque são tantas histórias a contar. Que tenha boca para, porque são tantas histórias para ouvir, meu amor. E um grande silêncio desnecessário de palavras. Para ficar ao lado, cúmplice, dividindo o astral, o ritmo, a over, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver. Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como - eu estou aqui, eu te toco também. Sou o bicho humano que habita a concha ao lado da conha que você habita, e da qual te salvo, meu amor, apenas porque te estendo a minha mão.
No meio da fome, do comício, da crise, no meio do vírus, da noite e do deserto - preciso de alguém para dividir comigo esta sede. Para olhar seus olhos que não adivinho castanhos nem verdes nem azuis e dizer assim: que longa e áspera sede, meu amor. Que vontade, que vontade enorme de dizer outra vez meu amor, depois de tanto tempo e tanto medo. Que vontade escapista e burra de encontrar noutro olhar que não o meu próprio - tão cansado, tão causado - qualquer coisa vasta e abstrata quanto, digamos assim, um Caminho. Esse, simples mas proibido agora: o de tocar no outro. Querer um futuro só porque você estará lá, meu amor. O caminho de encontrar num outro humano o mais humilde de nós. Então direi da boca luminosa de ilusão: te amo tanto. E te beijarei fundo molhado, em puro engano de instantes enganosos transitórios - que importa?
Mas finjo de adulto, digo coisas falsamente sábias, faço caras sérias, responsáveis. Engano, mistifico. Disfarço esta sede de ti, meu amor que nunca veio - viria? virá? - e minto não, já não preciso.)
Preciso sim, preciso tanto. Alguém que aceite tanto meus sonos demorados quanto minhas insônias insuportáveis. Tanto meu ciclo ascético Francisco de Assis quanto meu ciclo etílico bukovskiano. Que me desperte com um beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra. Tanto faz, e sem dizer nada me diga o tempo inteiro alguma coisa como eu sou o outro ser conjunto ao teu, mas não sou tu, e quero adoçar tua vida. Preciso do teu beijo de mel na minha boca de areia seca, preciso da tua mão de seda no couro da minha mão crispada de solidão. Preciso dessa emoção que os antigos chamavam de amor, quando sexo não era morte e as pessoas não tinham medo disso que fazia a gente dissolver o próprio ego no ego do outro e misturar coxas e espíritos no fundo do outro-você, outro-espelho, outro-igual-sedento-de-não-solidão, bicho-carente, tigre e lótus. Preciso de você que eu tanto amo e nunca encontrei. Para continuar vivendo, preciso da parte de mim que não está em mim, mas guardada em você que eu não conheço.
Tenho urgência de ti, meu amor. Para me salvar da lama movediça de mim mesmo. Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar. Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura. Ah, imenso amor desconhecido. Para não morrer de sede, preciso de você agora, antes destas palavras todas cairem no abismo dos jornais não lidos ou jogados sem piedade no lixo. Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do embuste: preciso de você para dizer eu te amo outra e outra vez. Como se fosse possível, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã.
Meu nome é Caio F.
Moro no segundo andar, 
mas nunca encontrei você na escada. " 

Caio F. Abreu

[preciso, e talvez precise porque conheço. Ou talvez tenha conhecido porque precisava. E nem sabia... Agora sei e conheço e preciso. E podia ser assim - um colo, mas no sofá com a chuva lá fora e a lareira cá dentro. Sei que podia.]





Paradoxo da pele : precisar tanto de ser tocada e não suportar a ideia de alguém me tocar.

Li algures que a pele tem memória, e é verdade, só pode ser verdade - ainda que nem para todos, ou cada um terá a sua memória selectiva, talvez. Tenho esperado a amnésia da pele, o perder o norte dos caminhos que a ponta dos meus dedos percorria de olhos fechados, o desbotar dos trilhos que me sulcaram a memória, que por tantas vezes terem sido percorridos na pele ficaram lá, ainda os sei e quase os sinto. Não fui abençoada com essa amnésia, bem com muitas outras, ao contrário de tanta gente que tão facilmente, tão rapidamente, muda a pele que toca, que nem a ponta dos dedos chega a notar diferença, como se já nada sentissem, ou como se tudo fosse o mesmo - todas as peles, todos os corpos, o mesmo corpo indistinto, que não lhes mergulha na memória, no ser, não invade a casa e a torna sua. Como deve ser triste não ter um rosto de que sentir saudades, como deve ser pobre, em tanta pele não sentir nenhuma como casa. Deve ser uma solidão cheia de gente sem rosto, sem pele com alma, sem ternura para beber na ponta dos dedos. Prefiro a minha solidão cheia de saudades, o meu corpo esculpido de memórias, ainda que anseie pela amnésia que me deixará, pé ante pé, sair da solidão e permitir conhecer novos caminhos, que não fujam de mim e me deixem na saudade da minha pele - de a sentir-, e da pele que não é minha. Que não me levem aquele recanto no meio do peito que reclamei para mim, onde os meus dedos se perdiam na inconsciência de terem chegado a casa, bocadinho que elegi universalmente para mim, e que declararam meu, mas que terá sido tão meu como de toda a gente que não deixou saudades. Que não deixou nada. Bendita amnésia do que não precisa de ser esquecido.

Boa Noite



19 fevereiro 2015

(... Não viro princesa mas quem sabe insistindo...)

Estas tardes assim dão-me tempo para divagar de pensamento em pensamento. E dou por mim a achar que certas coisas não terem dado me livra de preocupações, preocupações estúpidas, mas ainda assim preocupações (ciumeira, pronto). Sempre que vejo alguma mocinha interessante dou logo por mim a mentalmente chamar nomes a alguém, e não, não é a elas. Há dias estive com uma dessas criaturas e dá-me para pensar que, realmente, entre uma e outra não haveria dúvidas. Eu não teria. O que me chateia, porque assim nao dá para criticar condignamente (mas dá para chamar nomes, muitos). É que há mulherões do caraças (em todos os sentidos) e depois há uns caraças de mulherzinhas (peço desculpa pela terminologia, mas não me apetece pensar noutra maneira de dizer o que se diz assim). E perceber que isso é fácil de perceber por quem não nos apetece que o perceba, dá para dar largas ao vocabulário cabeludo português... Que até tem enriquecido nos últimos dias, nesses termos tão finos e lisonjeadores, tais são as coisas que oiço a uma distância de metros... Hoje  a meio da tarde, ouvi de tudo, o que vale é que entre o espanto e o nojo dá-me para rir... E para chamar muitos nomes nos entretantos...

Há dias em que se consegue fechar os olhos à  vida. Fechar os olhos e não ver o que nos rodeia, onde estamos. Fechar os olhos, e ver só o que por dentro temos de mundo, como se fosse a realidade, para fugir à realidade. Há dias em que se fechar os olhos me consigo rir, e ver luz, e achar que as coisas não estão tão más assim. Nunca dura muito, nunca fecho os olhos muito tempo, a realidade tem uma maneira de nos acordar. Ou nós uma maneira de não nos deixarmos adormecer profundamente. Umas vezes mais cruel, outras menos. Nem sempre sabemos como, ou por que, nos acorda, mas de repente já o riso nos escapou e a luz se esfumou. Como agora, ao pensar em amanhã, e nos dias que se seguirão, e não me apetece; não apetece ser invadida e acordada por dentro por este mundo, onde a luz apagada faz abrir mais os olhos para melhor discernir a nossa escuridão.

Boa Noite 

18 fevereiro 2015


... E isto lembra-me uma pergunta que eu costumava fazer, e a resposta que dava quando me diziam que não... Sinto falta dessas brincadeiras, dessas, e doutras, de todas... E daquelas mãos, e daquela cara a olhar para mim com olhos a sorrir, enquanto a ponta dos meus dedos, vagarosamente, faziam o reconhecimento daquele território, daquela pele. Decoraram o mapa todo, tenho na ponta dos dedos todos os caminhos onde me perdi, e donde ainda não voltei inteira. Talvez ainda ecoe em mim aquela outra pergunta, parecida com esta, que me faziam, e que nunca deixava de me fazer rir. E não, há tanto tempo que não me dizem nada disso. Tenho saudades, também, de me rir com essa pergunta, mesmo quando era feita para distrair as atenções doutras coisas nada lindas... Ou principalmente nessas alturas.
ahahahahah...
... temos de rir, temos de rir, senhores..
e eu já me mascarei várias vezes de bruxinha... 
é para variar do docinho que sou ihihiihih
e não, nunca sai de moda, 
quem é bruxa todos os dias é do mais fashion que há, deve ser isso... eheheh

Bom Dia!

What about??
Hummmm??...
Nummm  hááá!!....
....buáááaaaaa...
Snif Snif
(depois dos últimos dias, só tentando brincar mesmo é que se aguenta... para aliviar... E agora o último cigarro da praxe, sem luz, a ver se o cansaço dos ossos e dos olhos fraqueja e me dá uma trégua...)

Boa noite

17 fevereiro 2015

Pode ser que dê jeito para quem tiver dúvidas... Ou não queira ver, se está, ou não, apaixonado, essa coisa maluca que acontece para nos fazer felizes (ou não, ou não...)

"Saber se está realmente apaixonado não é tarefa fácil. É uma questão que pode influenciar muitas pessoas e relacionamentos, para a qual obter uma resposta é complicado.

Muitos não sabem ‘ler os sinais’ interiores e, para ajudar, a psicóloga e professora universitária Theresa E. DiDonato fez uma lista de mudanças que ocorrem quando se está apaixonado:

1. Está “viciado” nessa pessoa

Nem toda a gente sabe, mas o amor influencia o cérebro. A euforia que as pessoas costumam sentir, no início de uma relação, é visível através do aumento da actividade neurológica em áreas ricas em dopamina e ligadas ao sistema de recompensas. Segundo o estudo de Aron, Fisher, Mashek, Strong, & Brown (2005), outra das áreas que é afectada é o giro cingular, por norma ligada ao pensamento obsessivo.
À medida que o tempo passa e o relacionamento se vai tornando mais sério, pensar no seu parceiro activa os centros de recompensa e áreas cerebrais relativas às ligações, e não tanto ao pensamento obsessivo.

2. Quer muito que os seus amigos e familiares o conheçam

Estudos recentes demonstram que muitas pessoas precisam do apoio/aprovação das pessoas com quem estão. Outras investigações já demonstraram que o círculo social de uma pessoa tem um papel muito importante no sucesso de um relacionamento.
Precisar da opinião ou aprovação dos seus amigos ou familiares não é algo negativo, quer antes dizer que está cada vez mais ligado ao seu companheiro.

3. Fica contente com as vitórias dessa pessoa (mesmo que você tenha falhado)

Segundo o estudo Lockwood & Pinkus (2014), quando se está apaixonado, a ligação amorosa que existe entre os dois faz com que fique feliz com o êxito da pessoa que está ao seu lado, mesmo que você não tenha conseguido alcançar o mesmo grau de sucesso.
O orgulho no seu companheiro ultrapassa sentimentos negativos ou de inferioridade.

4. Sente muito a sua falta quando estão longe um do outro.

As saudades que sente de alguém reflectem o tipo de relação e de dependência que tem relativamente a essa pessoa. Se tem dúvidas se estará efectivamente apaixonado por alguém, questione-se se sente a sua falta quando não estão juntos.
Estudos referem que a intensidade da saudade está directamente relacionada com o grau de compromisso numa dada relação.

5. Mudou desde que conheceu essa pessoa

Muitas vezes quando estamos apaixonados, temos a sensação que mudámos. Isto é, já não somos a mesma pessoa que éramos. Consciente ou inconscientemente, as coisas pelas quais tínhamos interesse, os nossos hábitos, a forma como ocupamos o nosso tempo mudaram desde que essa pessoa entrou na nossa vida."

Apanhado aqui.

(realmente, não há dúvidas, desapaixonada não estou. Ainda. Ao contrário de tanta gente... E realmente olha pode ser que dê jeito para comprovar o que já se sabe. Confere.)

(o artigo original em inglês tem mais uns pozinhos engraçados... Aqui)


(...) Nem sempre me incendeiam o acordar das ervas e a estrela
despenhada de sua órbita viva.
- Porém, tu sempre me incendeias. (...)

Herberto Helder

[acordas-me do mundo, incendeias-me de vida, quando tudo que me habita são cinzas. Agora não acordo do mundo e uma brisa espalha-me pelo ar, desfaço-me a cada respiração. Já não espero acordar, já não espero que me incendeies. E eu sou feita de fogo, ou de memórias dele. Ou de memórias de nós, onde faltas tu.]


Apago as luzes pego num cigarro, o último do dia, espero.
Sento-me à janela donde vem luz e movimento, na varanda está demasiado frio para o cansaço que trago nos ombros, para o frio que tenho dentro. Penso nas pessoas que têm um amor tão grande que não lhes cabe nas mãos, que nem sabem dizê-lo, mas sabem estar sempre que é preciso, sabem apoiar, dar e sofrer quando as horas apertam (porque amar é muito - tanto - feito desse estar, dando; desse cuidar, estando; dizê-lo é fácil - é só preciso pronunciar palavras, juntando letras, sons). Pessoas que são muito doces por dentro e endurecidas por fora. A vida, as desilusões, as dores que cicatrizaram em carapaça impenetrável. Mas que guardam amores ternos, verdadeiros, duma generosidade imensa que escaparia aos olhos mais incautos. E é também nestas alturas que me sinto orgulhosa, e agradecida, e tão aquém de quem me está tão próximo, quem me é. E um peso doloroso de culpa imensa por não conseguir ser assim, por não ter em mim tamanha generosidade, para lhe poder aliviar o peso das obrigações que também são minhas, e de que ele não quer partilhar o peso. Poupa todos menos a ele. Hoje em dia é o único homem que me protege. E tenho orgulho nisso, ainda que nunca lho tenha dito. Mas acho que ele sabe.
Agora vou fechar a tela branca e fumar o último cigarro numa paz cansada, e esperar que amanhã seja um dia melhor, mais calmo, menos dorido, mais normal, menos avassaladoramente assustador. Mas se for, acordaremos amanhã para ele. Seja. Até que deixe de ser.

Boa noite.

16 fevereiro 2015

Quatro horas em pé sem cadeiras por perto, sete horas sem comer, e agora dor de pés, pernas e estômago, às voltas na cidade à procura dum sossego que não existe. Paro o carro porque não me apetece casa, não me apetece nada. As mãos vazias sem outras com que se entrelaçarem, sem um ombro que oiça, ou que apenas nos deixe encostar. O silêncio de tudo o que grita por dentro e ensurdece. A vontade de adormecer, só. E as mãos vazias, cheias de tudo o que não podem fazer.

Às vezes olho para estas fotos que vou apanhando e pergunto-me quando será que vou voltar a deixar-me cair num sono tranquilo, depois de um, ou vários, beijos de boa noite. 
Quando é que voltarei a adormecer a sentir as minhas costas aquecidas pelo peito que dentro guarda a minha vontade de acordar. 
A vontade do amanhã, de acordar e poder dar um beijo de bom dia que faz logo um dia bom.
Às vezes olho e pergunto-me muitas coisas assim. Deve ser por estas e por outras que me dizem que tenho perguntas a mais... 

Boa noite
Olha olha deve ser um dia de sorte... Outro filme com o Kevin e agora a moça até  é pouco mais velha que eu (acho eu)...Eheh... E ele acabou de fazer uma pergunta que me pôs a rir... Este é daqueles românticos light fast food... Deve ser do que estou a precisar é não deixa pensar, além de contribuir para estupidificar... Só coisas boas, portanto...

15 fevereiro 2015

"Mais triste que estar só, 
é ter alguém ao nosso lado a impedir que a solidão nos abandone,
 que alguém nos resgate."

João Morgado


[...encontrei esta frase e resume uma parte da minha vida, e a justificação de decisões que tomei. Eu não o diria melhor*. Não queria, não podia, ter ninguém ao lado a impedir-me de poder vir a não estar só. A impedir que alguém me resgatasse da solidão e me fizesse usar de tudo o que me faz, e que sou, na essência. Alguns recantos de mim precisam de alguém que os faça respirar. Descobri que são talvez o melhor de mim, e com que me sinto melhor. Talvez não se trate de ser inteira (ainda que se sintam certas ausências como amputações, do que sendo nosso, de repente deixamos de poder  chegar-lhes) apenas quando se tem alguém ao lado que nos acrescenta em tanta coisa, mas de sentirmos a plenitude de nós, do que podemos ser. E isto talvez seja uma coisa que tenho vindo a aprender e a compreender - sozinha, sem estar só, sou inteira, mas não plena. E a diferença, depois de a conhecer, é tremenda. Dá saudades de nós, como dum quarto fechado à chave na casa que habitamos, que é nossa, mas a chave está num bolso que não está em nossa casa, que não temos. Essa chave abre-se em gargalhadas que já não ouvimos, em olhares que falam coisas impronunciaveis, em toques que chegam à alma, em brincadeiras que são a coisa mais séria da vida: vivê-la respirando a nossa essência.]

*há também uma frase de Nietzsche que nunca me esqueci "Detesto quem me rouba a solidão, sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia."

"Ainda bem que quando me olham só podem ver quanto te amo, e não o quanto te desejo; podem ver como me encantas e te admiro como és e por quem és, só não sabem a tesão que tenho ao ver o teu olhar e o teu sorriso. E mesmo que intuam a empatia, que pressintam quão grande é a cumplicidade, ainda bem que não imaginam que penso na tua cona quarenta vezes por dia, que sonho acordado com a tua boca, os teus lábios, a tua língua.
(...)
( (...) Sim, por vezes creio que possam duvidar: que achem que isto que lhes digo, de o amor ser mais por dentro, é coisa fácil de afirmar quando se ama a mais bonita. Se o disserem, não o desminto; apenas penso que ainda bem que o coração não tem janelas, que não podem ver por elas o quanto penso em ti despida, que não sabem que ao reunir-me nas longas mesas polidas só penso em foder-te nelas. Atrai-me o teu feitio, tua perspicácia, inteligência. E deve haver quem não entenda isto – há quem diga “personalidade” e isso queira dizer “mamas”, mas em ti excitam-me as duas, as duas mamas e as duas coisas, todas as coisas em ti, todas as coisas de que és feita.)
(...)
E o sangue das minhas veias, que é finito e limitado, foge-me do cérebro, vai-me para o caralho. E a culpa é tua."

O S. Valentim do Menino... Muito bom, como sempre.

E eu, de todas as culpas que poderia ter, aquela última não me importava nada, nada, de ter 
(desde que o destino do sangue for pertença da pessoa que eu quero, entenda-se, e que tivesse por mim uma coisa, pelo menos parecida, com aquilo que o menino descreve - do querer tudo, de não saber distinguir onde começa o de fora e acaba o de dentro, qual apaixona mais. Porque tudo é aquela pessoa, a nossa pessoa.)
Bom, e agora vou ao banho, parece-me que são horas do dia começar com obrigações, chatices e tristezas, além das outras que já temos cosidas por dentro... Mas um banho ajuda sempre, dizem (pelo menos à limpeza e ao cheirinho bom, ajuda, vá...)