Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

20 novembro 2015

[foto @sesolo_tu]
"A terra pode amolecer por força do amor? 
Só se o amor for uma chuva que nos molha a alma por dentro."

Mia Couto

...que nos acorda a alma, que nos mostra a vida,
que nos ajuda a lavrar os dias, refazer a terra enterrando-lhe dedos feitos amor,
as mãos feitas vontade de amolecer os dias para melhor caminharem os nossos pés.

Bom Dia



19 novembro 2015

Ahahahahah...
Nada como ver uma coisa destas para começar o fim de dia a rir com vontade...
... inglês de praia, é o que é... 
e desde que não corra depressa demais, marcha!!
aahhahahahaha
( e hoje apetece-me rir, e muito, é que vê-se cada coisa, cada estupidez, 
que só rindo à gargalhada, a sério)

Bom Dia!

18 novembro 2015

Dos silêncios com mel
Dos olhares que se declaram
Dos beijos que entregam alma
Das almas que se tocam na pele
Do sossego que se agita
Sem perturbar a paz
Profanar divino
De ser deus e deusa 
Dum nós
Que nunca professámos
Fiel a ti
Fiel a mim
Infieis que somos 
De nós
A nós


Boa noite

16 novembro 2015


[foto @aretizy]

Um chá de menta quente e doce, uma manta com vários anos e tantos calores guardados, retalhada de memórias inteiras, uma noite fresca sem ser fria, uma calma que acalenta, a esperança de hoje dormir bem, sem sonhos ou pesadelos, apenas descanso. 
Um céu tapado de nuvens, como a minha vida (ainda). Vozes alegres ao fundo, uma pessoa que atravessa a estrada, uma rua que desce que foi subida tantas vezes. Tantas como descida, foi ponte que comunicou mas não uniu. Noites inteiras a que perdi a conta sem sequer contar uma por perdida,  passavam tão rápido na lentidão lânguida da pele, na pressa das palavras que se queriam guardar para sempre, no sorriso solto que prendia - que me prendeu. 
O chá bebe-se devagar, o doce passeia-se na boca, as nuvens não parecem mexer-se, o céu olha sem ver. Uma vida que passa sem passar, o passado que não chega, o futuro que nao passa. A solidão morna, agora, aqui sentada no degrau da varanda, sem ser sentida como maldição, mas como paz merecida que nada pede.
O último cigarro negociado ao dia como despedida, já sem palavras, num silêncio tranquilo que não espera eco.

Boa Noite

14 novembro 2015

 
(Foto @melwitharosee)

Que merd@ de notícias, o mundo está louco. Ontem à noite mal vi as notícias, hoje vi que nem tinha visto todas... Caramba, sexta-feira 13 muito negra.
Mais um dia negro no calendário, dia de de luto da humanidade, começam a ser dias demais... E não sei, não faço ideia, como se poderá fazer para mudar este ritmo de desgraças...
Por cá tentemos aproveitar a paz que (ainda) temos banhada por este sol, é o que vou tentar fazer, numa esplanada com um livro e um café, depois de tomar um banho.

Bom Dia

13 novembro 2015

[foto de Don Whitebread]

"Não a enganei com o estafado tudo passa, porque da desilusão e do sofrimento restam sempre cicatrizes. Cicatrizes feias e fundas, as que doem em permanência."

Do grande Rentes de Carvalho no seu Tempo Contado
(Ainda há dias pensava que já tenho saudades de o ler em romance é tenho dois na estante na calha para serem lidos assim acabe os Karamazov... Falta-me aquela sensibilidade lúcida.)

Há quem goste de pensar e convencer-se que com o tempo tudo passa, que quando esse tempo - quanto quer que ele tenha de ser - passar tudo se esquece, tudo se resolve, que tudo fica bem. Que daqui a dez anos seremos todos muitos felizes. Não percebem que quando nos tocam a alma e ela sai ferida, magoada, amachucada, quem a tem guarda-a, mas com cicatrizes. O tempo só torna feridas abertas em cicatrizes que doem como as dores fantasma, de quando em quando de forma permanente. Não passam. Não é pessimismo ou fatalismo, é apenas lucidez, é ver a realidade mesmo que não seja o que gostaríamos de ver, é escolher não fechar os olhos. 
A quem sente a sério e profundamente e se magoa as cicatrizes doem sempre, não desaparecem, mesmo que lhes façamos boas operações estéticas para que ninguém desconfie que ali há cicatrizes fundas, violência profunda, dor latente fria pelo tempo, que não se quer assumir, elas doem. Mas isto é para quem sente. Para quem não sente tudo passa, se arruma, se resolve e se esquece. De olhos fechados.


Nem tudo passa, há coisas que permanecem: umas boas que o tempo, por muito que passe, não consegue estragar; outras que se estragam para sempre, passe o tempo que passar. Há coisas para que o tempo não é dimensao.
                                                  

12 novembro 2015

"Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida.
Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa."

Carlos Drummond de Andrade

Boa Noite

11 novembro 2015

...quase...
 estou a tentar que deixe as pernas a salvo... para poder fugir!!
... o louco ocupa quase o corpo todo e não conhece limites... 
é um perigo preso dentro do peito, 
e já invadiu quase o corpo todo...
fogem-lhe as pernas para eu fugir da loucura.
O ponto forte do meu signo em termos físicos dizem ser pernas e quadris, da cintura para baixo é o nosso território, o problema é que li há dias que o dom que calhou a este signo de fogo (vai daí uma pessoa andar sempre a queimar-se, deve ser isso..) é Amar... com tanta coisa boa... inteligência, abundância, carinho, autonomia, eu sei lá... não, havia de me calhar Amar!! mas isso serve para quê? humm? para querer fugir a sete pés, né? E não sei quem raio ganhará, se a força das pernas que querem fugir, se esse dom que mais parece maldição de Amar assim, sem limites, a ocupar quase a vida toda...

Bom Dia!! 


10 novembro 2015


Música de hoje de manhã a caminho daqui, música que vou repetir de noite, sem sol, com o volume alto e um cigarro no caminho. Adoro o tom da música, ainda que nem sempre tranquila, gosto da ideia doce de poder encostar a cabeça no fim do dia, e isso soa-me mais ou menos assim, hoje pelo menos.
Eheheh
... Exactamente...
Porque será que de manhã se dorme muito melhor, hum? Nunca percebi...

Bom dia.

09 novembro 2015


 


"(...) subimos o morro do desconhecido
onde o beijo encerra o dia
pra fazer nascer a dúvida."

Apanhado aqui: Letras Mofadas...Mais um para seguir de perto...

[há beijos que fazem nascer a dúvida se depois será possível duvidar deles, da vida, da existência. Depois de nos tremer o chão ou a pernas, depois de sentir o paladar da alma nos lábios, depois de nos faltar o ar para melhor respirar um ar que não se conhecia.
Esses beijos estão sempre no cimo escondido do desconhecido improvável.
Há beijos que dividem a vida em antes de "o beijo" e depois de "o beijo".
Espero que haja mais do que um.
Quero outro depois de "o beijo", que fique e não duvide. ]

Bom Dia.

"Uma voz de homem disse: «O Senhor Santomé? Oiça está a falar com o tio de Laura. Uma má noticia, senhor. Uma noticia verdadeiramente má. A Laura faleceu esta manhã.».
No primeiro momento, não quis entender. Laura não era ninguém, não era Avellaneda. «Faleceu», algo tão insuportavelmente fácil como isso. Estaria certamente a encolher os ombros. E isso também era um nojo. Foi por isso que cometi um acto tão horrível. (...) «Porque é que não vai à merda?». Nessa altura, tiraram-me o telefone e falaram com o tio.
(...)
Não se preocupe menina, o seu papá está perfeitamente. Sabe o que aconteceu? Faleceu uma colega e ele impressionou-se muito. E com razão, porque era uma rapariga extraordinária». Também ele disse: «Faleceu». Bom, talvez o tio, o Muñoz, e os outros façam bem ao dizer «faleceu», porque isso soa tão ridiculo, tão frio, tão distante de Avelleneda, que não a pode ferir, não a pode destruir.
(...) mexi os lábiosn para dizer: «Morreu, a Avellaneda morreu», porque a palavra é morreu, morreu é a derrocada da vida, morreu vem de dentro, traz a verdadeira respiração da dor, morreu é o desespero, o nada frigido e total, o simples abismo, o abismo. "

"Então, quando mexi os lábios para dizer: «Morreu», então vi a minha imunda solidão, aquilo que havia ficado em mim, que era bem pouco.  (...) Ela começara a entrar em mim, a transformar-se em mim, como um rio que se mistura demasiado com o mar e por fim se torna salgado como o mar. Por isso, quando mexia os lábios e dizia «Morreu», sentia-me atravessado, despojado, vazio, sem mérito. Agora alguém chegara e decretara: «Despojem este tipo de quatro quintos do seu ser». E haviam-me despojado. O pior de tudo é que esse saldo que agora sou, essa quinta parte de mim mesmo em que me converti, continua, no entanto, a ter consciência da sua exiguidade, da sua insignificância. Comigo ficou uma quinta parte dos meus bons propósitos, dos meus bons projectos,, das minhas boas intenções, mas a quinta parte da minha lucidez que ficou comigo chega para me dar conta de que isso não serve. A coisa acabou, simplesmente."

Mario Benedetti, in A Trégua 

Sempre pensei assim sobre a notícia da morte, nunca o tinha visto escrito, mas li e disse para mim: finalmente alguém me entende!
A mim as pessoas não me falecem, as pessoas morrem-me. Falecer soa-me a um amenizar diplomático para a morte, um suavizar para não ferir, um termo mais domesticado, menos agreste, menos duro.  Como se a morte pudesse não ser dura, como se pudesse não ferir, como se pudesse aparecer sem nos arrancar uma parte, sem cerimónias, à dentada de carne quente. As mortes, as nossas mortes, aquelas que nos gritam e nos roubam por dentro, que desarrumam tudo, que deitam tudo abaixo, são duras, são violentas, fazem nascer outras tantas mortes a seguir de que não desconfiávamos, com que nunca contámos. A vida tem ligações tão estranhamente diversas, intrincadas e delicadamente discretas que algumas só se notam quando acabam, quando são rompidas, e então percebemos que as havia e o que as sustentava - o que nos sustentava.  Falecimento não é morte que nos morra, é morte de que tomamos ou damos conhecimento, é morte que nao nos toca, não está tão próximo que apunhale, que fira, que mate, que morra. É um tiro limpo, rápido, duma vida acabada hermeticamente. Morrer, morrer-nos alguém, dura para sempre, entranha-se o vazio por baixo da pele, habita-nos o olhar tempos sem fim: o tempo que a morte dura. Morrer-nos alguém que gostamos, que nos faz, é arrancarem-nos um bocado que não sabíamos que não era nosso, mas o vazio que fica torna-se nosso para sempre. Enchemo-lo de saudades e de passado que queremos presente, sempre, e não deixa - nunca - de ser vazio. 

07 novembro 2015

Ronhaaaaa... 
Doce, sem pressas, feita de risos e olhares que sorriem, de pele e de alma, de calor que aconchega, de cama desfeita e sonhos perfeitos. 
Queria uma ronha destas... a minha é quase só preguiça... Bahhhhh

Bom Dia

04 novembro 2015

...humm, está visto que a minha é uma caloteira, uma agarrada...
fica com tudo e não me devolve coisa nenhuma... 
hum. 
Será que dá para cobrar juros depois?
Ou passamos logo para processo executivo?... 
se calhar o processo executivo não era mal pensado... 
sempre dá ideia de execução de alguma coisa, de se fazer alguma coisa...
vou ponderar...

Bom Dia

29 outubro 2015


" (...) talvez um dia quem sabe o destino
volte a ter novos contornos e nos olhe de frente
e ainda sobre tempo para reaprender a soletrar correctamente
todas as palavras que admitiam ter nascido
do teu corpo da tua voz do sabor da tua boca
tempo para povoar de novos sons os velhos discos de vinil
e sonhar com mundos à espera de serem salvos
pelas nossas palavras

tempo para nos olharmos e encontrarmos
sem remorsos
a maneira de nos perdermos de novo nos caminhos
que levam ao coração absoluto da terra

talvez um dia quem sabe eu volte
a faltar às aulas para esperar por ti"

Alice Vieira

O que está perdido, tempo nenhum devolve. O que está perdido não se recupera. Uma mesma curva não se curva de forma igual nem por duas vezes, à segunda vez já a conhecemos.
O meu olhar de hoje não olha como olhava ontem. O meu olhar de hoje viu coisas que ontem ainda não tinha visto.
Hoje não sou igual a ontem,mas sou a mesma.Continuo a mesma -a faltar a umas coisas para não perder as que realmente me fazem falta. Hoje, como ontem, como amanhã são sempre frutos de escolhas, que são prioridades, as nossas prioridades.
O tempo não se perde, mas perdem-se para sempre as coisas que deixámos de fazer, trocadas por outras, que feitas nesse mesmo tempo, não se perderam.
O que deixámos de fazer, está perdido, tempo nenhum devolve. Fazer ontem não é o mesmo que fazer hoje. Fazer hoje e não ontem é uma escolha,  já não podemos fazer hoje, da mesma maneira, o que poderíamos ter feito ontem. O nosso olhar não é o mesmo, já viu que ontem a escolha foi não fazer, foi trocar por fazer uma outra coisa. 
Hoje já não seria como ontem, amanhã já não será como hoje
No entanto nada muda. Tudo na mesma, ainda que nada igual.




A esta hora já estou exausta, cansada. Discussões a mais para problemas que não vejo. Coisas que dificilmente consigo entender. A única coisa que entendo, hoje e agora, é a minha falta de capacidades para estar onde estou, como estou, a fazer o que faço. Não tenho perfil, não tenho jeito, só pode ser isso, mas resta saber para o que terei jeito. Deve ser um talento tão escondido, sobre alguma coisa tão desconhecid, que ou nunca existiu ou morreu asfixiada... à nascença. E fazer o quê da vida? Pois, não sei...
E acordei tão bem disposta, mas, a esta hora, já parece que o dia inteiro, pesado, aflito, me desabou pela cabeça abaixo.
Preciso realmente de me formatar, só pode.