Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

18 dezembro 2015


Ahahah... 
Someone, eventually,
 not me, certainly.

Bom dia
Sinto falta das declarações de amor à vida, 
que são declarações de amor ao amor.
Que são declarações não declaradas
Gosto das silenciosas,
Que têm por língua os sentidos 
que as palavras mais sentidas não sabem dizer.
São declarações que se sentem
Que se ouvem
Que se declaram
Que amam

Boa noite
Viram o doodle de hoje?
Ou melhor, de ontem, que celebra o aniversário de Beethoven? Espectacular!!

16 dezembro 2015


[foto de Sebastião Salgado]
"Talvez não haja nada melhor que uma gloriosa derrota porque, por muito grandes que sejamos, acabaremos sempre derrotados. Quevedo disse-o: "serei pó, mas pó apaixonado". Becket tinha razão: errar, errar melhor.

Meu Deus ajuda-me a errar melhor. Goethe sustentava que é o não chegar que faz a nossa grandeza. Morrer à vista da Terra Prometida sem conseguir tocar-lhe. Se Deus, como penso, existe de facto, gostaria de acabar assim. Quase lá, a centímetros do que quereria dizer, olhando a areia em que não chego a tocar. Isso me basta: ficar a centímetros da areia em que não chego a tocar, de boca aberta, sem olhos e, no entanto, vendo."


Antonio Lobo Antunes

"sem olhos e, no entanto, vendo" ... o que nos falta, o quão próximos (ou afastados) estamos, sem nunca chegar, como um horizonte que só não se afasta se não nos mexermos.
A grandeza de cada um, parece-me, é o regressarmo-nos sempre, e de lá, desse sítio onde nos (re)encontramos - onde nos reconhecemos, cheiramos e tocamos, onde somos inteiros, de alma, sonhos e ossos, ainda que partidos - voltarmos a levantar o olhar ao horizonte, desejá-lo, querer alcançá-lo de novo, atrevermo-nos a sair novamente de nós, e, pé ante pé, passo após passo, fazermos o caminho, mesmo sabendo que o horizonte sempre nos foge, mas que é o crer em querê-lo que nos faz andar. De quando em quando forçamo-nos (ou forçam-nos) a parar para, depois, continuarmos inteiros e convictos de que o nosso horizonte é o destino para que queremos caminhar. Que é ali que queremos ir, que aquele caminho somos nós. Que aquele horizonte é, mais que tudo, o nosso olhar de olhos fechados.
Errar, errar melhor, errar com paixão. Desfeitos, mas vivos no horizonte onde nos queremos, mesmo sabendo que não o chegaremos a tocar.
O caminho certo é o nosso quase tocar, quase chegar, visto por dentro dos olhos fechados abertos à alma.

Uma gloriosa derrota pode ser a vitória da paixão.

14 dezembro 2015


Camas que se desfazem toda a noite
Chão do amor  que se fez
Que se desfez em sons, em cheiros,
em toques que desfazem a pele
e mancham o tempo de prazer.
Bocas de comer beijos que querem engolir almas 
Camas desfeitas o dia inteiro
Com chilreio de beijos e gargalhadas tontas de paixão
O veneno da memória
que adoece os dias e corre nas veias 
Indo e vindo do coração.
Um folhado e um sumo, com esta vista quente que não queima, uma música que queima coisas por viver ao som da Garota de Ipanema, e a chuva do outro lado do vidro, à minha frente, sinto-a sem que me molhe mas me encha de conforto bom. 
Engolir qualquer coisa rápida e depois tudo isto travar o tempo, alongá-lo, dar-lhe tempo... Tudo o que é impossível. 

Bom dia
... Mesmo, só isso.

Boa noite

13 dezembro 2015

... Substituam-se as caminhadas pelo olhar para a lareira e hoje é o programa perfeito... 
Finalmente Dezembro a assumir o nome de família, as raízes, a essência do cheiro a lareiras no ar, ao nariz frio debaixo dos agasalhos que aconchegam, das mantas dos dias lentos, da vontade de casa e sofá e mimo e preguiça que se estica e estende pelo dia acompanhada com chá ou café... E um amor puro, doce, quente. Dos que aquecem os invernos e despem os verões. 

Bom Dia

12 dezembro 2015

... Quase no Natal e a varanda ainda inundada de sol, coberta por um céu azul, imaculado, onde se ouve pássaros que cantam e o café que se bebe devagar, mastigando pensamentos lentos sem acordar a preguiça do corpo...

Bom dia

11 dezembro 2015

... a música que se dá 
depende das cordas que nos tocam 
e como as tocam.
Se tocam...

Bom Dia

09 dezembro 2015

Ahhhhhh....
... porr@...e só agora é que avisam!!
Uma informação deste calibre, desta clarividência, desta relevância
para quem usa estes termos, e só agora é que avisam o público em geral??
É prenda de Natal, será isso?
Por acaso foi coisa que nunca me chamaram 
(acho eu, e por acaso também não acho que seja por acaso...) 
mas assim receberia o elogio com outro conhecimento de causa... 
bom, bem vistas as coisas isto para mim ainda vem a tempo...
mas acho que isto deveria ser do conhecimento público há mais tempo, 
por isso aqui fica, em jeito de serviço público 
(escusam de agradecer que estamos cá também para isso, pois claro)
Até apetece aquela coisa do "já alguém a chamou b.i.t.c.h. hoje?"
 muito mais original que o habitual "já alguém lhe disse que é linda hoje?"...
 b.i.t.c.h. é MUITO mais completo pahh...

Bom Dia
[bem, realmente, acho que já percebi porque nunca me chamaram tal... está tudo explicado....bahhhhh]

... E que entretanto desapareceu da prateleira onde sempre o encontravam quando queriam.

Boa noite

08 dezembro 2015


Ahahahah... 
Típico eu num dia que queira moer cabeças, 
fazer beicinho só porque sim, 
e acabar a rir.

Bom dia

07 dezembro 2015

Há pequenas coisas que fazem grandes diferenças... o que faz toda a diferença.
É nos detalhes, nas pequenas coisas, que se vêem e sentem as grandes coisas.
Porque nos saem naturalmente nos gestos do quotidiano se as tivermos dentro, surgem da espontaneidade do sentir genuíno, aquele que não se pensa nem programa. E sente-se quando é espontâneo, genuíno, ou apenas uma tentativa humilhante em parecê-lo.
Escolhi esta desta série de desenhos, é das que mais gosto. Estive indecisa entre esta e o beijo na testa, que me delicia e derrete, pelo carinho, pela ternura por ser feito (ou eu assim o entender...) de afecto puro. Acabei por optar por esta porque tem o pormenor de ela ter os tomates num frasco, e isso não é irrelevante, ou eu ri-me (muito, diga-se, quando me apercebi desta particularidade) com a ideia, e achei que realmente há grandes coisas coisas ditadas por coisas pequenas...
(mas isto já foi uma associação de ideias que nada tem a ver com a série de desenhos, que na verdade, retratam momentos que me são familiares, doces, próximos)


Bom Dia

06 dezembro 2015

[foto @theselittlesquares]

Era a mais matutina de todos, por incrível que possa parecer. Gostava da casa em silêncio, ia para a sala e entretinha-me a ver bonecos na televisão ou pegava nos álbuns de histórias de pessoas que conhecia bem, ou algumas misteriosas que não sabia quem eram. Abria aqueles álbuns recheados de momentos vezes sem conta, vi as mesmas fotografias não sei quantas vezes. Gostava mais dos livros com histórias a preto e branco, eu nunca aparecia. Vi tantas vezes as fotografias do casamento dos meus pais que teimava inocentemente com quem me dissesse que não tinha estado lá. Lembro-me como se à estivesse agora à ver a minha frente, uma fotografia dos meus pais já casados, dentro do carro, o meu pai a dar um beijo na testa da minha mãe de olhos fechados, tímida de tanta ternura, e de sorriso tão feliz como nunca lhe vi sem ser em fotografias antigas.
Gostava daquelas manhãs sozinha, acompanhada da imaginação que voava, do tempo que passava dengoso, até que a casa acordava e seguiam-se aqueles pequenos almoços, que eram verdadeiros almoços, que não sendo pequenos eram diferentes. Enchia-se a mesa de tudo: cerelac, leite, compotas, chocolate para o leite, pão, fiambre, ovos, queijo para quem gostava, fruta. Pedia à minha mãe "pão aos bocadinhos com manteiga", não era o mesmo que pegar num pão e pôr manteiga, comendo à dentada, nso, não era. Não sei porquê, mas não sabia ao mesmo, e ela lá ia arrancando bocadinhos ao pão, punha manteiga e eu ia comendo, a ver aqueles bocadinhos alinharem-se à minha frente quais saídos duma linha de produção do mais tradicional que havia naquela casa.
Agora, aqui, a tomar café ao sol, percebo que me ficaram essas manhãs preguiçosas, sem pressa do dia acordar, entre histórias imaginadas, sabores simples que se gravam na nossa história, carinhos que alimentam uma vida inteira para ainda aqui estarem, depois de almoçar na varanda, com este sol e a minha pequenita, ainda as duas de pijama, sem saber se a ela lhe ficará alguma coisa parecida. Nunca me pediu "pão aos bocadinhos com manteiga".

Bom dia

05 dezembro 2015


Ao sol: cheiro a café quente, sabor a canela que já se adivinha, frases doces que fazem sorrir. O sossego, a paz, o fechar os olhos e deixar o sentir por dentro, fechado, meu. Tão sentido, tão simples, tão meu.
Há poucas coisas na vida como a tranquilidade de ser. Simplesmente ser,e isso ser, para nós, tranquilo. 
Tenho a noção que se lesse isto há uns tempos, escrito por alguém, não ia perceber o alcance das palavras que agora sinto quando o escrevo. 

Bom dia

04 dezembro 2015

...pois.
É pena. 
É o resumo possível da semana. 


Meu amor, meu Amado, vê... repara:
Pousa os teus lindos olhos de oiro em mim,
- Dos meus beijos de amor Deus fez-me avara
Para nunca os contares até ao fim.

Meus olhos têm tons de pedra rara
- É só para teu bem que os tenho assim -
E as minhas mãos são fontes de água clara
A cantar sobre a sede dum jardim.

Sou triste como a folha ao abandono
Num parque solitário, pelo Outono,
Sobre um lago onde vogam nenufares...

Deus fez-me atravessar o teu caminho...
- Que contas dás a Deus indo sozinho,
Passando junto a mim, sem me encontrares?

Florbela Espanca

[...das contas que um dia se farão, desfazendo-se num destino por ser.]

Bom dia

03 dezembro 2015


Intimidade é uma sintonia de almas, uma cumplicidade de humores, uma conversa de olhares, um toque que se sente à distância, uma sinfonia plena dos sentidos quando se alcança a pele com alma. É uma energia que se sente, que alimenta, que se multiplica, que não se dá nem se recebe: vive-se. Intimidade não tem eixo de tempo, não nasce do tempo, não morre com o tempo, acontece num momento que surge num tempo qualquer que nenhum relógio conta, prende ou deixa escapar.