Eva me chamaste
Fizeste das minhas costas o teu piano
Dos teus desenhos as minhas curvas
Da minha boca a tua maçã
Dos meus olhos o teu mar
Do meu mundo os teus braços
(...)
Fizeste das minhas costas o teu piano
Dos teus desenhos as minhas curvas
Da minha boca a tua maçã
Dos meus olhos o teu mar
Do meu mundo os teus braços
(...)
20 dezembro 2015
Café quente num dia que traz o frio agarrado. Gosto deste mês de Dezembro, este ano gosto mais por ser sinal deste ano estar a acabar, como se um número diferente mudasse alguma coisa... Mas quem muda alguma coisa somos nós, haver um novo ano é só para dar uma sensação de recomeço. Apenas sensação, porque não há recomeços apenas continuações.
Bom dia também para os que não andam com a cabeça na lua...
19 dezembro 2015
... Há quem queira as pernas para correr, ou ir atrás, de alguém, há quem queira as pernas para passear sem destino, há quem as queira para chegar onde pretende... Eu gosto mais delas para abraçar quem eu quero, quem eu quero puxar para mim, a quem quero colar o corpo ao meu, e sentir as almas fugir e fundir, sem espaço entre os dois para razões ou motivos, que não a fome desse nós - esse abraço que nos prende os sentidos no sentir.
Boa noite
18 dezembro 2015
16 dezembro 2015
[foto de Sebastião Salgado]
"Talvez não haja nada melhor que uma gloriosa derrota porque, por muito grandes que sejamos, acabaremos sempre derrotados. Quevedo disse-o: "serei pó, mas pó apaixonado". Becket tinha razão: errar, errar melhor.
Meu Deus ajuda-me a errar melhor. Goethe sustentava que é o não chegar que faz a nossa grandeza. Morrer à vista da Terra Prometida sem conseguir tocar-lhe. Se Deus, como penso, existe de facto, gostaria de acabar assim. Quase lá, a centímetros do que quereria dizer, olhando a areia em que não chego a tocar. Isso me basta: ficar a centímetros da areia em que não chego a tocar, de boca aberta, sem olhos e, no entanto, vendo."
Antonio Lobo Antunes
"sem olhos e, no entanto, vendo" ... o que nos falta, o quão próximos (ou afastados) estamos, sem nunca chegar, como um horizonte que só não se afasta se não nos mexermos.
A grandeza de cada um, parece-me, é o regressarmo-nos sempre, e de lá, desse sítio onde nos (re)encontramos - onde nos reconhecemos, cheiramos e tocamos, onde somos inteiros, de alma, sonhos e ossos, ainda que partidos - voltarmos a levantar o olhar ao horizonte, desejá-lo, querer alcançá-lo de novo, atrevermo-nos a sair novamente de nós, e, pé ante pé, passo após passo, fazermos o caminho, mesmo sabendo que o horizonte sempre nos foge, mas que é o crer em querê-lo que nos faz andar. De quando em quando forçamo-nos (ou forçam-nos) a parar para, depois, continuarmos inteiros e convictos de que o nosso horizonte é o destino para que queremos caminhar. Que é ali que queremos ir, que aquele caminho somos nós. Que aquele horizonte é, mais que tudo, o nosso olhar de olhos fechados.
Errar, errar melhor, errar com paixão. Desfeitos, mas vivos no horizonte onde nos queremos, mesmo sabendo que não o chegaremos a tocar.
O caminho certo é o nosso quase tocar, quase chegar, visto por dentro dos olhos fechados abertos à alma.
Uma gloriosa derrota pode ser a vitória da paixão.
"sem olhos e, no entanto, vendo" ... o que nos falta, o quão próximos (ou afastados) estamos, sem nunca chegar, como um horizonte que só não se afasta se não nos mexermos.
A grandeza de cada um, parece-me, é o regressarmo-nos sempre, e de lá, desse sítio onde nos (re)encontramos - onde nos reconhecemos, cheiramos e tocamos, onde somos inteiros, de alma, sonhos e ossos, ainda que partidos - voltarmos a levantar o olhar ao horizonte, desejá-lo, querer alcançá-lo de novo, atrevermo-nos a sair novamente de nós, e, pé ante pé, passo após passo, fazermos o caminho, mesmo sabendo que o horizonte sempre nos foge, mas que é o crer em querê-lo que nos faz andar. De quando em quando forçamo-nos (ou forçam-nos) a parar para, depois, continuarmos inteiros e convictos de que o nosso horizonte é o destino para que queremos caminhar. Que é ali que queremos ir, que aquele caminho somos nós. Que aquele horizonte é, mais que tudo, o nosso olhar de olhos fechados.
Errar, errar melhor, errar com paixão. Desfeitos, mas vivos no horizonte onde nos queremos, mesmo sabendo que não o chegaremos a tocar.
O caminho certo é o nosso quase tocar, quase chegar, visto por dentro dos olhos fechados abertos à alma.
Uma gloriosa derrota pode ser a vitória da paixão.
14 dezembro 2015
Camas que se desfazem toda a noite
Chão do amor que se fez
Que se desfez em sons, em cheiros,
em toques que desfazem a pele
e mancham o tempo de prazer.
em toques que desfazem a pele
e mancham o tempo de prazer.
Bocas de comer beijos que querem engolir almas
Camas desfeitas o dia inteiro
Com chilreio de beijos e gargalhadas tontas de paixão
O veneno da memória
que adoece os dias e corre nas veias
que adoece os dias e corre nas veias
Indo e vindo do coração.
Um folhado e um sumo, com esta vista quente que não queima, uma música que queima coisas por viver ao som da Garota de Ipanema, e a chuva do outro lado do vidro, à minha frente, sinto-a sem que me molhe mas me encha de conforto bom.
Engolir qualquer coisa rápida e depois tudo isto travar o tempo, alongá-lo, dar-lhe tempo... Tudo o que é impossível.
Bom dia
13 dezembro 2015
... Substituam-se as caminhadas pelo olhar para a lareira e hoje é o programa perfeito...
Finalmente Dezembro a assumir o nome de família, as raízes, a essência do cheiro a lareiras no ar, ao nariz frio debaixo dos agasalhos que aconchegam, das mantas dos dias lentos, da vontade de casa e sofá e mimo e preguiça que se estica e estende pelo dia acompanhada com chá ou café... E um amor puro, doce, quente. Dos que aquecem os invernos e despem os verões.
Bom Dia
12 dezembro 2015
09 dezembro 2015
Ahhhhhh....
... porr@...e só agora é que avisam!!
Uma informação deste calibre, desta clarividência, desta relevância
para quem usa estes termos, e só agora é que avisam o público em geral??
É prenda de Natal, será isso?
Por acaso foi coisa que nunca me chamaram
(acho eu, e por acaso também não acho que seja por acaso...)
mas assim receberia o elogio com outro conhecimento de causa...
bom, bem vistas as coisas isto para mim ainda vem a tempo...
mas acho que isto deveria ser do conhecimento público há mais tempo,
por isso aqui fica, em jeito de serviço público
(escusam de agradecer que estamos cá também para isso, pois claro)
Até apetece aquela coisa do "já alguém a chamou b.i.t.c.h. hoje?"
muito mais original que o habitual "já alguém lhe disse que é linda hoje?"...
b.i.t.c.h. é MUITO mais completo pahh...
Bom Dia
[bem, realmente, acho que já percebi porque nunca me chamaram tal... está tudo explicado....bahhhhh]
08 dezembro 2015
07 dezembro 2015
Há pequenas coisas que fazem grandes diferenças... o que faz toda a diferença.
É nos detalhes, nas pequenas coisas, que se vêem e sentem as grandes coisas.
Porque nos saem naturalmente nos gestos do quotidiano se as tivermos dentro, surgem da espontaneidade do sentir genuíno, aquele que não se pensa nem programa. E sente-se quando é espontâneo, genuíno, ou apenas uma tentativa humilhante em parecê-lo.
Escolhi esta desta série de desenhos, é das que mais gosto. Estive indecisa entre esta e o beijo na testa, que me delicia e derrete, pelo carinho, pela ternura por ser feito (ou eu assim o entender...) de afecto puro. Acabei por optar por esta porque tem o pormenor de ela ter os tomates num frasco, e isso não é irrelevante, ou eu ri-me (muito, diga-se, quando me apercebi desta particularidade) com a ideia, e achei que realmente há grandes coisas coisas ditadas por coisas pequenas...
(mas isto já foi uma associação de ideias que nada tem a ver com a série de desenhos, que na verdade, retratam momentos que me são familiares, doces, próximos)
Bom Dia
06 dezembro 2015
Era a mais matutina de todos, por incrível que possa parecer. Gostava da casa em silêncio, ia para a sala e entretinha-me a ver bonecos na televisão ou pegava nos álbuns de histórias de pessoas que conhecia bem, ou algumas misteriosas que não sabia quem eram. Abria aqueles álbuns recheados de momentos vezes sem conta, vi as mesmas fotografias não sei quantas vezes. Gostava mais dos livros com histórias a preto e branco, eu nunca aparecia. Vi tantas vezes as fotografias do casamento dos meus pais que teimava inocentemente com quem me dissesse que não tinha estado lá. Lembro-me como se à estivesse agora à ver a minha frente, uma fotografia dos meus pais já casados, dentro do carro, o meu pai a dar um beijo na testa da minha mãe de olhos fechados, tímida de tanta ternura, e de sorriso tão feliz como nunca lhe vi sem ser em fotografias antigas.
Gostava daquelas manhãs sozinha, acompanhada da imaginação que voava, do tempo que passava dengoso, até que a casa acordava e seguiam-se aqueles pequenos almoços, que eram verdadeiros almoços, que não sendo pequenos eram diferentes. Enchia-se a mesa de tudo: cerelac, leite, compotas, chocolate para o leite, pão, fiambre, ovos, queijo para quem gostava, fruta. Pedia à minha mãe "pão aos bocadinhos com manteiga", não era o mesmo que pegar num pão e pôr manteiga, comendo à dentada, nso, não era. Não sei porquê, mas não sabia ao mesmo, e ela lá ia arrancando bocadinhos ao pão, punha manteiga e eu ia comendo, a ver aqueles bocadinhos alinharem-se à minha frente quais saídos duma linha de produção do mais tradicional que havia naquela casa.
Agora, aqui, a tomar café ao sol, percebo que me ficaram essas manhãs preguiçosas, sem pressa do dia acordar, entre histórias imaginadas, sabores simples que se gravam na nossa história, carinhos que alimentam uma vida inteira para ainda aqui estarem, depois de almoçar na varanda, com este sol e a minha pequenita, ainda as duas de pijama, sem saber se a ela lhe ficará alguma coisa parecida. Nunca me pediu "pão aos bocadinhos com manteiga".
Bom dia
Gostava daquelas manhãs sozinha, acompanhada da imaginação que voava, do tempo que passava dengoso, até que a casa acordava e seguiam-se aqueles pequenos almoços, que eram verdadeiros almoços, que não sendo pequenos eram diferentes. Enchia-se a mesa de tudo: cerelac, leite, compotas, chocolate para o leite, pão, fiambre, ovos, queijo para quem gostava, fruta. Pedia à minha mãe "pão aos bocadinhos com manteiga", não era o mesmo que pegar num pão e pôr manteiga, comendo à dentada, nso, não era. Não sei porquê, mas não sabia ao mesmo, e ela lá ia arrancando bocadinhos ao pão, punha manteiga e eu ia comendo, a ver aqueles bocadinhos alinharem-se à minha frente quais saídos duma linha de produção do mais tradicional que havia naquela casa.
Agora, aqui, a tomar café ao sol, percebo que me ficaram essas manhãs preguiçosas, sem pressa do dia acordar, entre histórias imaginadas, sabores simples que se gravam na nossa história, carinhos que alimentam uma vida inteira para ainda aqui estarem, depois de almoçar na varanda, com este sol e a minha pequenita, ainda as duas de pijama, sem saber se a ela lhe ficará alguma coisa parecida. Nunca me pediu "pão aos bocadinhos com manteiga".
Bom dia
05 dezembro 2015
Ao sol: cheiro a café quente, sabor a canela que já se adivinha, frases doces que fazem sorrir. O sossego, a paz, o fechar os olhos e deixar o sentir por dentro, fechado, meu. Tão sentido, tão simples, tão meu.
Há poucas coisas na vida como a tranquilidade de ser. Simplesmente ser,e isso ser, para nós, tranquilo.
Tenho a noção que se lesse isto há uns tempos, escrito por alguém, não ia perceber o alcance das palavras que agora sinto quando o escrevo.
Bom dia
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