Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

19 dezembro 2015

... Há quem queira as pernas para correr, ou ir atrás, de alguém, há quem queira as pernas para passear sem destino, há quem as queira para chegar onde pretende... Eu gosto mais delas para abraçar quem eu quero, quem eu quero puxar para mim, a quem quero colar o corpo ao meu, e sentir as almas fugir e fundir, sem espaço entre os dois para razões ou motivos, que não a fome desse nós - esse abraço que nos prende os sentidos no sentir.

Boa noite

18 dezembro 2015


Ahahah... 
Someone, eventually,
 not me, certainly.

Bom dia
Sinto falta das declarações de amor à vida, 
que são declarações de amor ao amor.
Que são declarações não declaradas
Gosto das silenciosas,
Que têm por língua os sentidos 
que as palavras mais sentidas não sabem dizer.
São declarações que se sentem
Que se ouvem
Que se declaram
Que amam

Boa noite
Viram o doodle de hoje?
Ou melhor, de ontem, que celebra o aniversário de Beethoven? Espectacular!!

16 dezembro 2015


[foto de Sebastião Salgado]
"Talvez não haja nada melhor que uma gloriosa derrota porque, por muito grandes que sejamos, acabaremos sempre derrotados. Quevedo disse-o: "serei pó, mas pó apaixonado". Becket tinha razão: errar, errar melhor.

Meu Deus ajuda-me a errar melhor. Goethe sustentava que é o não chegar que faz a nossa grandeza. Morrer à vista da Terra Prometida sem conseguir tocar-lhe. Se Deus, como penso, existe de facto, gostaria de acabar assim. Quase lá, a centímetros do que quereria dizer, olhando a areia em que não chego a tocar. Isso me basta: ficar a centímetros da areia em que não chego a tocar, de boca aberta, sem olhos e, no entanto, vendo."


Antonio Lobo Antunes

"sem olhos e, no entanto, vendo" ... o que nos falta, o quão próximos (ou afastados) estamos, sem nunca chegar, como um horizonte que só não se afasta se não nos mexermos.
A grandeza de cada um, parece-me, é o regressarmo-nos sempre, e de lá, desse sítio onde nos (re)encontramos - onde nos reconhecemos, cheiramos e tocamos, onde somos inteiros, de alma, sonhos e ossos, ainda que partidos - voltarmos a levantar o olhar ao horizonte, desejá-lo, querer alcançá-lo de novo, atrevermo-nos a sair novamente de nós, e, pé ante pé, passo após passo, fazermos o caminho, mesmo sabendo que o horizonte sempre nos foge, mas que é o crer em querê-lo que nos faz andar. De quando em quando forçamo-nos (ou forçam-nos) a parar para, depois, continuarmos inteiros e convictos de que o nosso horizonte é o destino para que queremos caminhar. Que é ali que queremos ir, que aquele caminho somos nós. Que aquele horizonte é, mais que tudo, o nosso olhar de olhos fechados.
Errar, errar melhor, errar com paixão. Desfeitos, mas vivos no horizonte onde nos queremos, mesmo sabendo que não o chegaremos a tocar.
O caminho certo é o nosso quase tocar, quase chegar, visto por dentro dos olhos fechados abertos à alma.

Uma gloriosa derrota pode ser a vitória da paixão.

14 dezembro 2015


Camas que se desfazem toda a noite
Chão do amor  que se fez
Que se desfez em sons, em cheiros,
em toques que desfazem a pele
e mancham o tempo de prazer.
Bocas de comer beijos que querem engolir almas 
Camas desfeitas o dia inteiro
Com chilreio de beijos e gargalhadas tontas de paixão
O veneno da memória
que adoece os dias e corre nas veias 
Indo e vindo do coração.
Um folhado e um sumo, com esta vista quente que não queima, uma música que queima coisas por viver ao som da Garota de Ipanema, e a chuva do outro lado do vidro, à minha frente, sinto-a sem que me molhe mas me encha de conforto bom. 
Engolir qualquer coisa rápida e depois tudo isto travar o tempo, alongá-lo, dar-lhe tempo... Tudo o que é impossível. 

Bom dia
... Mesmo, só isso.

Boa noite

13 dezembro 2015

... Substituam-se as caminhadas pelo olhar para a lareira e hoje é o programa perfeito... 
Finalmente Dezembro a assumir o nome de família, as raízes, a essência do cheiro a lareiras no ar, ao nariz frio debaixo dos agasalhos que aconchegam, das mantas dos dias lentos, da vontade de casa e sofá e mimo e preguiça que se estica e estende pelo dia acompanhada com chá ou café... E um amor puro, doce, quente. Dos que aquecem os invernos e despem os verões. 

Bom Dia

12 dezembro 2015

... Quase no Natal e a varanda ainda inundada de sol, coberta por um céu azul, imaculado, onde se ouve pássaros que cantam e o café que se bebe devagar, mastigando pensamentos lentos sem acordar a preguiça do corpo...

Bom dia

11 dezembro 2015

... a música que se dá 
depende das cordas que nos tocam 
e como as tocam.
Se tocam...

Bom Dia

09 dezembro 2015

Ahhhhhh....
... porr@...e só agora é que avisam!!
Uma informação deste calibre, desta clarividência, desta relevância
para quem usa estes termos, e só agora é que avisam o público em geral??
É prenda de Natal, será isso?
Por acaso foi coisa que nunca me chamaram 
(acho eu, e por acaso também não acho que seja por acaso...) 
mas assim receberia o elogio com outro conhecimento de causa... 
bom, bem vistas as coisas isto para mim ainda vem a tempo...
mas acho que isto deveria ser do conhecimento público há mais tempo, 
por isso aqui fica, em jeito de serviço público 
(escusam de agradecer que estamos cá também para isso, pois claro)
Até apetece aquela coisa do "já alguém a chamou b.i.t.c.h. hoje?"
 muito mais original que o habitual "já alguém lhe disse que é linda hoje?"...
 b.i.t.c.h. é MUITO mais completo pahh...

Bom Dia
[bem, realmente, acho que já percebi porque nunca me chamaram tal... está tudo explicado....bahhhhh]

... E que entretanto desapareceu da prateleira onde sempre o encontravam quando queriam.

Boa noite

08 dezembro 2015


Ahahahah... 
Típico eu num dia que queira moer cabeças, 
fazer beicinho só porque sim, 
e acabar a rir.

Bom dia

07 dezembro 2015

Há pequenas coisas que fazem grandes diferenças... o que faz toda a diferença.
É nos detalhes, nas pequenas coisas, que se vêem e sentem as grandes coisas.
Porque nos saem naturalmente nos gestos do quotidiano se as tivermos dentro, surgem da espontaneidade do sentir genuíno, aquele que não se pensa nem programa. E sente-se quando é espontâneo, genuíno, ou apenas uma tentativa humilhante em parecê-lo.
Escolhi esta desta série de desenhos, é das que mais gosto. Estive indecisa entre esta e o beijo na testa, que me delicia e derrete, pelo carinho, pela ternura por ser feito (ou eu assim o entender...) de afecto puro. Acabei por optar por esta porque tem o pormenor de ela ter os tomates num frasco, e isso não é irrelevante, ou eu ri-me (muito, diga-se, quando me apercebi desta particularidade) com a ideia, e achei que realmente há grandes coisas coisas ditadas por coisas pequenas...
(mas isto já foi uma associação de ideias que nada tem a ver com a série de desenhos, que na verdade, retratam momentos que me são familiares, doces, próximos)


Bom Dia

06 dezembro 2015

[foto @theselittlesquares]

Era a mais matutina de todos, por incrível que possa parecer. Gostava da casa em silêncio, ia para a sala e entretinha-me a ver bonecos na televisão ou pegava nos álbuns de histórias de pessoas que conhecia bem, ou algumas misteriosas que não sabia quem eram. Abria aqueles álbuns recheados de momentos vezes sem conta, vi as mesmas fotografias não sei quantas vezes. Gostava mais dos livros com histórias a preto e branco, eu nunca aparecia. Vi tantas vezes as fotografias do casamento dos meus pais que teimava inocentemente com quem me dissesse que não tinha estado lá. Lembro-me como se à estivesse agora à ver a minha frente, uma fotografia dos meus pais já casados, dentro do carro, o meu pai a dar um beijo na testa da minha mãe de olhos fechados, tímida de tanta ternura, e de sorriso tão feliz como nunca lhe vi sem ser em fotografias antigas.
Gostava daquelas manhãs sozinha, acompanhada da imaginação que voava, do tempo que passava dengoso, até que a casa acordava e seguiam-se aqueles pequenos almoços, que eram verdadeiros almoços, que não sendo pequenos eram diferentes. Enchia-se a mesa de tudo: cerelac, leite, compotas, chocolate para o leite, pão, fiambre, ovos, queijo para quem gostava, fruta. Pedia à minha mãe "pão aos bocadinhos com manteiga", não era o mesmo que pegar num pão e pôr manteiga, comendo à dentada, nso, não era. Não sei porquê, mas não sabia ao mesmo, e ela lá ia arrancando bocadinhos ao pão, punha manteiga e eu ia comendo, a ver aqueles bocadinhos alinharem-se à minha frente quais saídos duma linha de produção do mais tradicional que havia naquela casa.
Agora, aqui, a tomar café ao sol, percebo que me ficaram essas manhãs preguiçosas, sem pressa do dia acordar, entre histórias imaginadas, sabores simples que se gravam na nossa história, carinhos que alimentam uma vida inteira para ainda aqui estarem, depois de almoçar na varanda, com este sol e a minha pequenita, ainda as duas de pijama, sem saber se a ela lhe ficará alguma coisa parecida. Nunca me pediu "pão aos bocadinhos com manteiga".

Bom dia

05 dezembro 2015


Ao sol: cheiro a café quente, sabor a canela que já se adivinha, frases doces que fazem sorrir. O sossego, a paz, o fechar os olhos e deixar o sentir por dentro, fechado, meu. Tão sentido, tão simples, tão meu.
Há poucas coisas na vida como a tranquilidade de ser. Simplesmente ser,e isso ser, para nós, tranquilo. 
Tenho a noção que se lesse isto há uns tempos, escrito por alguém, não ia perceber o alcance das palavras que agora sinto quando o escrevo. 

Bom dia

04 dezembro 2015

...pois.
É pena. 
É o resumo possível da semana. 


Meu amor, meu Amado, vê... repara:
Pousa os teus lindos olhos de oiro em mim,
- Dos meus beijos de amor Deus fez-me avara
Para nunca os contares até ao fim.

Meus olhos têm tons de pedra rara
- É só para teu bem que os tenho assim -
E as minhas mãos são fontes de água clara
A cantar sobre a sede dum jardim.

Sou triste como a folha ao abandono
Num parque solitário, pelo Outono,
Sobre um lago onde vogam nenufares...

Deus fez-me atravessar o teu caminho...
- Que contas dás a Deus indo sozinho,
Passando junto a mim, sem me encontrares?

Florbela Espanca

[...das contas que um dia se farão, desfazendo-se num destino por ser.]

Bom dia

03 dezembro 2015


Intimidade é uma sintonia de almas, uma cumplicidade de humores, uma conversa de olhares, um toque que se sente à distância, uma sinfonia plena dos sentidos quando se alcança a pele com alma. É uma energia que se sente, que alimenta, que se multiplica, que não se dá nem se recebe: vive-se. Intimidade não tem eixo de tempo, não nasce do tempo, não morre com o tempo, acontece num momento que surge num tempo qualquer que nenhum relógio conta, prende ou deixa escapar.

02 dezembro 2015

ahahahahha...
Já sabes, tudo passa, então aproveita e passa lá em casa (com tudo), mas não te passes, sim??
ahahahh
...juro que não ia pôr nada disto, mas cruzei-me com esta pérola e ri-me,
encantou-me digamos - como dizia a minha pequenitates no outro dia quando viu um mocinho fazer "um cavalinho" numa mota tipo aspirador mas com menos velocidades: "mamã... olha!!!.... ele fez aquilo para te encantar!...." ahahah o que eu me ri também, balha-me-deus!!, mas pronto só para dizer que me encantou, fez-me rir, e que os dias andam corridos e cheios e bons, até. 
Finalmente há coisas que começo a ver mexer e a saírem-me das mãos, ou pelo menos a ver-se a possibilidade de haver resultados, coisas boas que me saíram da cabeça e do esforço de as querer - aqui sim, lutar por elas - coisas que se fazem, que se argumentam, que se trabalham, de que convencemos os outros e os trazemos para o nosso lado (às vezes porque temos mau feitio; curiosamente há quem goste disso, há quem veja nisso autenticidade, espontaneidade e uma cabeça por onde se pensa, onde não se diz sempre "sim senhor" e o considerem uma qualidade). E tem sido bom. Às vezes cruzamo-nos com pessoas que também têm ideias e ideais e querem as coisas feitas e contribuir para isso (e até têm mau feitio também, dão murros na mesa e quando é preciso chamam os bois pelos nomes). Às vezes cruzamo-nos com boas pessoas (ou que até ver assim parecem). E isso é bom, é uma esperança, em tanta coisa, mas talvez essencialmente na humanidade e na recompensa do esforço. 

Bom Dia.



"Cada um luta com as armas que tem", oiço às vezes, e eu não tenho nenhumas, ou se tenho não sei quais são nem como usá-las, não sei lutar para que me queiram. Acho que ninguém teve de lutar para que eu o quisesse, para que eu quisesse fazer tudo para poder ficar com quem queria. Simplesmente acontece. Ninguém lutou, ninguém precisou fazer nada, só existir, só ser o meu colo e o meu riso, só ser e deixar-me ser. Como sou. É isso que muda tudo, esse estar sendo, essa sensação de ser estando, de tal forma que deixa de se conseguir conceber a vida sem esse alguém, porque esse alguém é permitirmo-nos ser. Ninguém lutou por isso, não usaram armas nenhumas para isso, porque é que eu teria de usar, teria de lutar? Nem sei como ou o que fazer... nunca soube lutar por quem quis, só sei lutar por um nós que seja feito de dois, por dois, de duas vontades de estar, de um sentimento que une. Sei dar tudo por quem gosto, talvez essa seja a minha forma torpe de lutar. Talvez amar seja uma forma de luta, mas nunca uma arma.

Boa noite

29 novembro 2015




... Conselhos e apetrechos que acompanharam um chocolate quente de fim de tarde, em companhia querida que ouve e aproveita para vetar conselhos natalícios... Sitios para onde corro (tanto que apanho multas... Raios!!) quando quero parar, sem exigências ou cerimónias, onde o calor não precisa de mantas e a doçura se bebe no olhar ternurento das palavras ditas. Sítios que me fazem pensar que casa é um lugar que temos guardado dentro de algumas pessoas, que nos albergam e abrigam, que dão colo e puxões de orelhas. Que nos gostam (ou disfarçam muito bem, pronto). 
E sabe-me tão bem, mas tão bem, dizerem-me "vem" e eu ter a liberdade de ir, assim, sem complicações, sem justificações, sem nada. 

Bom dia.

27 novembro 2015



"Somos os laços… aqueles que nos unem a um mesmo lugar, a um lugar em que a distância termina num abraço, em que a saudade morre… num beijo. Somos esse tempo, esses quilómetros que nos afastam mas que fazem intensificar o amor, que nos dão a certeza do sentimento, que nos revelam a força do nosso querer.

Somos as memórias… as histórias que guardamos dentro de nós, os momentos que foram vividos – repartidos num mesmo coração: que se completou nas nossas imperfeições. São esses laços, esses pedaços que não se vêem e que apenas são sentidos. Que são vividos nos braços que seguram, nas promessas que se cumprem, nos olhares que falam: em silêncio.

Nós somos esse silêncio, aquele das quatro paredes do nosso quarto, aquele em que nos fundimos um no outro, em que o tempo parece tão pouco… para vivermos a paixão. Somos a recordação… aquelas canções que ecoam no nosso peito, que nos elevam para um outro estado que passa o do sonho (que sonhamos deitados).

Somos essa vida, essa vida que nos é tão própria, que se agarra à pele, à carne, ao sangue. Somos os destinos… ou então a nossa forma destemida de encarar o sentimento, sempre que nos damos por inteiros, sempre que nos deitamos sobre um chão seguro. E pode parecer uma loucura amarmo-nos como nos amamos, darmo-nos como nos damos mas… só nós entendemos, só nós nos conhecemos nesta nossa forma de sermos loucos.

E são tão poucos, tão poucos os que amam na liberdade do seu próprio ser. E nós temos essa sorte. É nós temos tudo, porque temos o Mundo nestas nossas mãos que não deixam morrer o sentimento… por maior que seja a saudade."


"É nós temos tudo"... Tudo... ou tínhamos. Daqui a nada nem saudades, só esquecimento. O bendito, o tão abençoado, esquecimento, o olvido como melhor, como único, futuro. O desapego, a inexistência de tudo, não sendo um nada que se sinta nada, vazio. Porque o vazio é a noção do que falta num espaço, e então, esquecido, não faltará nada, não haverá saudade.  Como nunca alguém se sentirá infeliz se não tiver um dia sido feliz. Que felizes, então, os que nunca foram felizes. Estão livres da infelicidade.

25 novembro 2015


Não sei se a música é o melhor conselho, porque esses raramente gostamos de os ouvir... Agora, que neste momento, é a única coisa que me apetece ouvir, lá isso é. E é o que vou fazer atrás dos óculos de sol a caminho de onde devia estar há muito...

Bom dia!

Sou o resultado combinado
Do que não combina
Sou inteira de razão
e toda coração
Sou de cansaços vários
E a que nunca se cansa
Sou adepta da lógica geométrica
E seguidora da surrealista intuição
Sou o meu querer
E o não querer querê-lo
Sou o que digo calada
E o que calo gritando
Sou o que fui
E fui o que sou
Uma combinação
Do que falta combinar
O meio caminho entre dois opostos
Que não se sabem contrariar

...

Boa noite

24 novembro 2015

[das coisas que gosto de fazer: fazer rir a quem tenho amor. sempre. será que conta?]

"Quantas coisas fizeste esta semana por amor?

Não conta dar presentes no Natal, e nem nos anos, isso faz, para muita gente, parte das regras implícitas do conviver. E também há quem ache que sair juntos de vez em quando, jantar fora, o dia dos namorados, são tudo coisas do plano da convivência de quem vive uma vida partilhada. Até o sexo.

E o amor? Que é feito do amor? Quantas coisas fez alguém por ti esta semana que te fizesse pensar que te amam? Quantas coisas, por pequenas que fossem, fizeste tu, esta semana, por amor?"

Com saudades de roubar coisas ao Menino...

...que regressou, demorado, às palhinhas blogosféricas, mas sempre a tempo de dizer o que deve ser dito. (Oh Menino que saudades pahhh... engraçado, às vezes é nos regressos que sabemos o tamanho da falta que algumas coisas nos fazem...como se só aferíssemos o tamanho do vazio quando o enchemos,..)

E pergunto-me:
Sim, que fizeste tu por amor esta semana? 
E gosto sempre tão mais das perguntas que das respostas...

ahahahah... 
exacto, é tudo uma questão de perspectiva e do com o que nos escolhemos comparar...
macaquinho lindo.... cutchi cutchi
[ando a precisar (e a querer) rir-me, desculpem lá...]
Bom Dia!

22 novembro 2015


(Fernanda Mello)
... Quero, quero, quero. Quero tão pouco, quase nada: domingos de manhã, cama desarrumada, aquele beijo, o olhar que não cansa... E o quase nada é-me tudo, quero tudo demais. Mas querer não chega para fazer aparecer alguém que queira o mesmo tão pouco, quase nada.
E então não quero querer nada, porque os nós desatam e eu demoro a desatar-me, parece que desaprendi a não querer, leio estas coisas e quero quero quero... Como não querer?

Bom dia.

21 novembro 2015

Dias que teimam em não querer sair da cama. Nem o sol que entra pela janela nos dá vontade de passar para o lado de lá da janela. Arrasta-se o tempo assim, entre luzes e sombras, silêncios e barulhos longínquos. A preguiça entranha-se até nos segundos lentos que gravam sem pressas sorrisos que ninguém vê, doçuras que se guardam por dentro da boca, ternuras que escondemos debaixo da pele. Só a luz do sol, os lençóis e as paredes que me velam a ronha e calam os sonhos que não digo, que já não sei sonhar. Uma voz pequenina lembra-me que o resto do mundo já acordou e a preguiça é uma virtude de fim de semana só de alguns.... 
Bom dia.
tenho um dói-dói no joelho...
e no avesso do cotovelo, porque dor de cotovelo não se confessa
e no pescoço, e na orelha direita que já nem ouve direito
e no avesso da pele, por dentro do coração que já nem sabe bater e está mais que batido
tenho um dói-dói na boca inteira, por guardar tanta coisa e não guardar beijos suficientes
e nas pálpebras, e até no olhar que já não vê
e dói dói muito.
há cura?

[post antigo que gosto tanto e de que adoro a fotografia...
Hoje não tenho dói-dói, não tenho desculpa que desculpe a vontade de beijos no joelho ou em qualquer lado, talvez para as feridas haja cura, para a vontade de beijos não. De beijos assim, como este parece ser: inteiro, cheio, genuíno.
Parece que há beijos e vontade de beijos que o tempo não cura.]

Boa Noite

20 novembro 2015

[foto @sesolo_tu]
"A terra pode amolecer por força do amor? 
Só se o amor for uma chuva que nos molha a alma por dentro."

Mia Couto

...que nos acorda a alma, que nos mostra a vida,
que nos ajuda a lavrar os dias, refazer a terra enterrando-lhe dedos feitos amor,
as mãos feitas vontade de amolecer os dias para melhor caminharem os nossos pés.

Bom Dia



19 novembro 2015

Ahahahahah...
Nada como ver uma coisa destas para começar o fim de dia a rir com vontade...
... inglês de praia, é o que é... 
e desde que não corra depressa demais, marcha!!
aahhahahahaha
( e hoje apetece-me rir, e muito, é que vê-se cada coisa, cada estupidez, 
que só rindo à gargalhada, a sério)

Bom Dia!

18 novembro 2015

Dos silêncios com mel
Dos olhares que se declaram
Dos beijos que entregam alma
Das almas que se tocam na pele
Do sossego que se agita
Sem perturbar a paz
Profanar divino
De ser deus e deusa 
Dum nós
Que nunca professámos
Fiel a ti
Fiel a mim
Infieis que somos 
De nós
A nós


Boa noite

16 novembro 2015


[foto @aretizy]

Um chá de menta quente e doce, uma manta com vários anos e tantos calores guardados, retalhada de memórias inteiras, uma noite fresca sem ser fria, uma calma que acalenta, a esperança de hoje dormir bem, sem sonhos ou pesadelos, apenas descanso. 
Um céu tapado de nuvens, como a minha vida (ainda). Vozes alegres ao fundo, uma pessoa que atravessa a estrada, uma rua que desce que foi subida tantas vezes. Tantas como descida, foi ponte que comunicou mas não uniu. Noites inteiras a que perdi a conta sem sequer contar uma por perdida,  passavam tão rápido na lentidão lânguida da pele, na pressa das palavras que se queriam guardar para sempre, no sorriso solto que prendia - que me prendeu. 
O chá bebe-se devagar, o doce passeia-se na boca, as nuvens não parecem mexer-se, o céu olha sem ver. Uma vida que passa sem passar, o passado que não chega, o futuro que nao passa. A solidão morna, agora, aqui sentada no degrau da varanda, sem ser sentida como maldição, mas como paz merecida que nada pede.
O último cigarro negociado ao dia como despedida, já sem palavras, num silêncio tranquilo que não espera eco.

Boa Noite

14 novembro 2015

 
(Foto @melwitharosee)

Que merd@ de notícias, o mundo está louco. Ontem à noite mal vi as notícias, hoje vi que nem tinha visto todas... Caramba, sexta-feira 13 muito negra.
Mais um dia negro no calendário, dia de de luto da humanidade, começam a ser dias demais... E não sei, não faço ideia, como se poderá fazer para mudar este ritmo de desgraças...
Por cá tentemos aproveitar a paz que (ainda) temos banhada por este sol, é o que vou tentar fazer, numa esplanada com um livro e um café, depois de tomar um banho.

Bom Dia

13 novembro 2015

[foto de Don Whitebread]

"Não a enganei com o estafado tudo passa, porque da desilusão e do sofrimento restam sempre cicatrizes. Cicatrizes feias e fundas, as que doem em permanência."

Do grande Rentes de Carvalho no seu Tempo Contado
(Ainda há dias pensava que já tenho saudades de o ler em romance é tenho dois na estante na calha para serem lidos assim acabe os Karamazov... Falta-me aquela sensibilidade lúcida.)

Há quem goste de pensar e convencer-se que com o tempo tudo passa, que quando esse tempo - quanto quer que ele tenha de ser - passar tudo se esquece, tudo se resolve, que tudo fica bem. Que daqui a dez anos seremos todos muitos felizes. Não percebem que quando nos tocam a alma e ela sai ferida, magoada, amachucada, quem a tem guarda-a, mas com cicatrizes. O tempo só torna feridas abertas em cicatrizes que doem como as dores fantasma, de quando em quando de forma permanente. Não passam. Não é pessimismo ou fatalismo, é apenas lucidez, é ver a realidade mesmo que não seja o que gostaríamos de ver, é escolher não fechar os olhos. 
A quem sente a sério e profundamente e se magoa as cicatrizes doem sempre, não desaparecem, mesmo que lhes façamos boas operações estéticas para que ninguém desconfie que ali há cicatrizes fundas, violência profunda, dor latente fria pelo tempo, que não se quer assumir, elas doem. Mas isto é para quem sente. Para quem não sente tudo passa, se arruma, se resolve e se esquece. De olhos fechados.


Nem tudo passa, há coisas que permanecem: umas boas que o tempo, por muito que passe, não consegue estragar; outras que se estragam para sempre, passe o tempo que passar. Há coisas para que o tempo não é dimensao.
                                                  

12 novembro 2015

"Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida.
Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa."

Carlos Drummond de Andrade

Boa Noite

11 novembro 2015

...quase...
 estou a tentar que deixe as pernas a salvo... para poder fugir!!
... o louco ocupa quase o corpo todo e não conhece limites... 
é um perigo preso dentro do peito, 
e já invadiu quase o corpo todo...
fogem-lhe as pernas para eu fugir da loucura.
O ponto forte do meu signo em termos físicos dizem ser pernas e quadris, da cintura para baixo é o nosso território, o problema é que li há dias que o dom que calhou a este signo de fogo (vai daí uma pessoa andar sempre a queimar-se, deve ser isso..) é Amar... com tanta coisa boa... inteligência, abundância, carinho, autonomia, eu sei lá... não, havia de me calhar Amar!! mas isso serve para quê? humm? para querer fugir a sete pés, né? E não sei quem raio ganhará, se a força das pernas que querem fugir, se esse dom que mais parece maldição de Amar assim, sem limites, a ocupar quase a vida toda...

Bom Dia!! 


10 novembro 2015


Música de hoje de manhã a caminho daqui, música que vou repetir de noite, sem sol, com o volume alto e um cigarro no caminho. Adoro o tom da música, ainda que nem sempre tranquila, gosto da ideia doce de poder encostar a cabeça no fim do dia, e isso soa-me mais ou menos assim, hoje pelo menos.
Eheheh
... Exactamente...
Porque será que de manhã se dorme muito melhor, hum? Nunca percebi...

Bom dia.

09 novembro 2015


 


"(...) subimos o morro do desconhecido
onde o beijo encerra o dia
pra fazer nascer a dúvida."

Apanhado aqui: Letras Mofadas...Mais um para seguir de perto...

[há beijos que fazem nascer a dúvida se depois será possível duvidar deles, da vida, da existência. Depois de nos tremer o chão ou a pernas, depois de sentir o paladar da alma nos lábios, depois de nos faltar o ar para melhor respirar um ar que não se conhecia.
Esses beijos estão sempre no cimo escondido do desconhecido improvável.
Há beijos que dividem a vida em antes de "o beijo" e depois de "o beijo".
Espero que haja mais do que um.
Quero outro depois de "o beijo", que fique e não duvide. ]

Bom Dia.

"Uma voz de homem disse: «O Senhor Santomé? Oiça está a falar com o tio de Laura. Uma má noticia, senhor. Uma noticia verdadeiramente má. A Laura faleceu esta manhã.».
No primeiro momento, não quis entender. Laura não era ninguém, não era Avellaneda. «Faleceu», algo tão insuportavelmente fácil como isso. Estaria certamente a encolher os ombros. E isso também era um nojo. Foi por isso que cometi um acto tão horrível. (...) «Porque é que não vai à merda?». Nessa altura, tiraram-me o telefone e falaram com o tio.
(...)
Não se preocupe menina, o seu papá está perfeitamente. Sabe o que aconteceu? Faleceu uma colega e ele impressionou-se muito. E com razão, porque era uma rapariga extraordinária». Também ele disse: «Faleceu». Bom, talvez o tio, o Muñoz, e os outros façam bem ao dizer «faleceu», porque isso soa tão ridiculo, tão frio, tão distante de Avelleneda, que não a pode ferir, não a pode destruir.
(...) mexi os lábiosn para dizer: «Morreu, a Avellaneda morreu», porque a palavra é morreu, morreu é a derrocada da vida, morreu vem de dentro, traz a verdadeira respiração da dor, morreu é o desespero, o nada frigido e total, o simples abismo, o abismo. "

"Então, quando mexi os lábios para dizer: «Morreu», então vi a minha imunda solidão, aquilo que havia ficado em mim, que era bem pouco.  (...) Ela começara a entrar em mim, a transformar-se em mim, como um rio que se mistura demasiado com o mar e por fim se torna salgado como o mar. Por isso, quando mexia os lábios e dizia «Morreu», sentia-me atravessado, despojado, vazio, sem mérito. Agora alguém chegara e decretara: «Despojem este tipo de quatro quintos do seu ser». E haviam-me despojado. O pior de tudo é que esse saldo que agora sou, essa quinta parte de mim mesmo em que me converti, continua, no entanto, a ter consciência da sua exiguidade, da sua insignificância. Comigo ficou uma quinta parte dos meus bons propósitos, dos meus bons projectos,, das minhas boas intenções, mas a quinta parte da minha lucidez que ficou comigo chega para me dar conta de que isso não serve. A coisa acabou, simplesmente."

Mario Benedetti, in A Trégua 

Sempre pensei assim sobre a notícia da morte, nunca o tinha visto escrito, mas li e disse para mim: finalmente alguém me entende!
A mim as pessoas não me falecem, as pessoas morrem-me. Falecer soa-me a um amenizar diplomático para a morte, um suavizar para não ferir, um termo mais domesticado, menos agreste, menos duro.  Como se a morte pudesse não ser dura, como se pudesse não ferir, como se pudesse aparecer sem nos arrancar uma parte, sem cerimónias, à dentada de carne quente. As mortes, as nossas mortes, aquelas que nos gritam e nos roubam por dentro, que desarrumam tudo, que deitam tudo abaixo, são duras, são violentas, fazem nascer outras tantas mortes a seguir de que não desconfiávamos, com que nunca contámos. A vida tem ligações tão estranhamente diversas, intrincadas e delicadamente discretas que algumas só se notam quando acabam, quando são rompidas, e então percebemos que as havia e o que as sustentava - o que nos sustentava.  Falecimento não é morte que nos morra, é morte de que tomamos ou damos conhecimento, é morte que nao nos toca, não está tão próximo que apunhale, que fira, que mate, que morra. É um tiro limpo, rápido, duma vida acabada hermeticamente. Morrer, morrer-nos alguém, dura para sempre, entranha-se o vazio por baixo da pele, habita-nos o olhar tempos sem fim: o tempo que a morte dura. Morrer-nos alguém que gostamos, que nos faz, é arrancarem-nos um bocado que não sabíamos que não era nosso, mas o vazio que fica torna-se nosso para sempre. Enchemo-lo de saudades e de passado que queremos presente, sempre, e não deixa - nunca - de ser vazio. 

07 novembro 2015

Ronhaaaaa... 
Doce, sem pressas, feita de risos e olhares que sorriem, de pele e de alma, de calor que aconchega, de cama desfeita e sonhos perfeitos. 
Queria uma ronha destas... a minha é quase só preguiça... Bahhhhh

Bom Dia

04 novembro 2015

...humm, está visto que a minha é uma caloteira, uma agarrada...
fica com tudo e não me devolve coisa nenhuma... 
hum. 
Será que dá para cobrar juros depois?
Ou passamos logo para processo executivo?... 
se calhar o processo executivo não era mal pensado... 
sempre dá ideia de execução de alguma coisa, de se fazer alguma coisa...
vou ponderar...

Bom Dia