Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)
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04 janeiro 2016

... não, não esperes, vive. 
Vive a tua loucura à tua maneira, 
só assim vale a pena a loucura sã de não depender de ninguém para ser louco.
E de afinal não esperar nada. Ninguém. 
Só assim valerá a pena ser encontrado e encontrar quem também goste de viver essa loucura que nos faz nós mesmos, tão assim: peculiarmente, que é o que nos mantém sãos em todos os dias loucos e loucos em todos os dias sãos... Só valerá a pena alguém que entenda isso, partilhe isso, que nos desafie, e faça rir. Alguém que às vezes, de repente, nos faça parar a respiração, suspender o tempo, falhar uma batida do coração para depois o fazer correr desenfreado. 
Não há freios para os corações surpreendidos, enlouquecidos.
Em todos os bons sentidos. 
Mas as surpresas nunca são esperadas.

Bom Dia!

20 setembro 2015

... Dia de ronha. 
Mas o sol a dar a vontade de sair, vontade dum livro numa esplanada, de aproveitar os últimos cartuchos do verão... De pensar no que a vida ainda pode ser, do que quero de mim e comigo, do que ainda tenho e gosto. Há dias em que parece que ainda não desisti. Como alguém me dizia há dias... Ainda há uma parte dentro de mim que quer a lua num bolso chegado ao corpo e acredita que um dia a conseguirá encontrar lá. Não sei, mas não tendo companhia para a ronha, é ir fazer companhia ao dia lá fora... Pode ser que tropece na lua e a traga para casa, no bolso.

Bom dia!

14 setembro 2015



Hoje de manhã, no caminho, a ouvir Ive Mendes e o seu, tão meu, "mistério" dei por um pedaço de lua no céu, meio perdido, um fiapo quase translúcido, uma lua quase pedaço de nuvem. A mesma lua que às vezes ilumina a noite inteira, que brilha como espelho forte e sólido, parecia apenas uma pequena nuvem prestes a dissipar-se e desaparecer. Mas não, é ainda lua, e isso prova-se, vê-se, logo à noite, quando o dia adormecer, já ninguém poderá confundi-la com uma nuvem frágil a dissipar-se. Será outra vez luminosa e os atentos ao luar levantarão os olhos para vê-la, inteira, mesmo que meia.


Bom Dia!

13 julho 2015

Ora então Bom Dia!!
Para alguns há-de ser, pois... gente atrevida (e com piada, senão não tem graça, claro)...
eheheheh


29 junho 2015

...Ou se está, não faço ideia onde!!
Mas eu ando a tentar ser mais arrumadinha, 
até ando numa de arrumações e tudo:
coisa rara nunca vista...

Bom Dia!
[temos de nos rir, e eu ando a precisar mesmo... disso, e doutras coisas,
 mas para o rir há estas coisas que se apanham por aí e que conseguem o objectivo, há que aproveitar...]

15 junho 2015

eheheheh ... e hoje acordei com isto na cabeça... e pior, a cantarolar por baixo da língua durante a manhã toda... é o que dá andar a recordar coisas muito antigas durante o fim de semana, no meio de risos e brincadeiras na mesa redonda do jantar em família, cada vez mais reduzida, onde já não se ria há tanto tempo... 
Acho que hoje de manhã percebi que apesar de cansativo, ainda assim, o fim de semana foi bom.
Se calhar o que nos deixa verdadeiramente cansados é a tristeza, por isso... 
MAHNA MAHNA... tu ru ru tu... 
...e o que não se sabe vai-se inventando.

Bom Dia

18 fevereiro 2015

ahahahahah...
... temos de rir, temos de rir, senhores..
e eu já me mascarei várias vezes de bruxinha... 
é para variar do docinho que sou ihihiihih
e não, nunca sai de moda, 
quem é bruxa todos os dias é do mais fashion que há, deve ser isso... eheheh

Bom Dia!

13 janeiro 2015


...assim é que eu estava bem. 
Na caminha a arejar as orelhas e as pálpebras...

Bom Dia

12 janeiro 2015

... experiência fornecemos, no problem.
Só é pedida vocação... e muita vontade!!
eheheheh

Bom Dia!

30 dezembro 2014

[adoro esta música, talvez tenha sido esta música,
 ou os últimos dias do ano, o que fica o que vai, não sei...]

O caminho é o mesmo... faz-se todos os dias mas nenhum dia é o mesmo. 
Hoje não sei porquê, talvez uma parte do caminho, as cores que se assemelharam, qualquer coisa, que não sei o quê, me levou para àquele dia. Fazia este mesmo caminho, cheia de medo e feliz. Tão feliz quanto o medo me deixava, me prendia nas garras que se sentem quando nos sentimos grandes e leves, mas não seguros. Era talvez medo da felicidade que sentia e não queria sentir, por medo. E disse-o - pela primeira vez assumi abertamente a alguém que estava com medo -, não um medo vago, medo de acreditar na pessoa, medo dele e de tudo aquilo: do que me dizia, da certeza que aparentava, do discurso todo diferente, mas seria diferente?...e nem sei o que sinto quando percebo o que fizeram com isso, como pegaram nesse medo, o multiplicaram, o enraizaram em mim, o semearam para sempre (será para sempre ou parece só que é para sempre??), medo das pessoas, de acreditar, de me entregar às pessoas, ao Amor, à esperança na felicidade. Mataram-me o medo, substituíram-no pela certeza de não esperar, não acreditar, de ver mentira onde se devia confiar no sentir, no querer, no abraço que me deram, no meio do nada, dum sítio perto de coisa nenhuma, mas perto um do outro. Onde me disse que se sentiu em casa quando me abraçou, o abraço como um lar que acolhe com doçura,  onde disse que teve a certeza, onde concluiu dizendo que não conseguia estar sem mim, que tinha saudades, que queria ficar comigo... onde me perguntou se eu tinha saudades e se o queria, e brincámos por eu não querer responder, porque fiquei tantas vezes sem resposta a tanta coisa que também ele teria de saber o que era trocar uma pergunta, o querer saber, por silêncio. Por incerteza, por insegurança, por medo de não saber do outro. E falámos de férias e de viver junto, de ele querer um futuro, porque sem mim não conseguia. Sem mim nada fazia sentido. E hoje o caminho fez-se, sem sentido, na confusão de sentidos e sentimentos sentidos que não se desembrulha de mim, dos dias que passam, do caminho igual todos os dias, da música que se percebe que se ouve no meio de tudo isto, de todas as imagens e sons que hoje o caminho me trouxe, tendo-me deixado no meio do nada com os carros parados, há meses atrás, num abraço que foi uma casa que alguém quis muito para abandonar. No meio do nada, com nada.
Chego ao destino e penso no destino de me teres esquecido e de eu por momentos me ter esquecido de te esquecer. Por momentos. Amanhã o caminho será o mesmo, mas será diferente. Não o teu destino, mas o meu.

Bom Dia

18 dezembro 2014

Pois sim...
mas espero que não seja aquele género de olhar 
e desejar que eu desapareça... assim por magia, sei lá...
Se for isso, nunca tive, mas também é uma ignorância que aprecio... e espero manter.
Se for da outra magia, da que dá estrelinhas no estômago, ou no olhar, ou onde quiserem (cada um com as suas estrelinhas, né?), dessa também nunca tive, mas nessa ignorância não quero morrer... aceitam-se candidaturas, portanto... mas não de ilusionistas, ok?

Bom Dia!

[devia haver uma etiqueta de "como estragar boas frases..." esta era etiquetada de certeza...]

16 dezembro 2014

... e eu que ainda não montei a árvore de Natal este ano....
acho que podia ponderar montar esta, mas dispenso as luzinhas, 
ainda fundem, sei lá...
eheheheheh
Bom Dia!!

(agradecida à B pela ideia ;) ... é bom saber que me rodeio de pessoas tão tontas como eu, sempre rimos juntas, enquanto as árvores não aparecem... )

15 dezembro 2014

eheheheheh
... é uma maneira de ver as coisas!!
torna o cônjuge/respectivo uma espécie de meia de lã que aquece os pés...
...e hoje isto está demais de frio!!
está, está!!
...dava jeito assim uma meia quentinha... dava, dava

Bom Dia


13 dezembro 2014


"Engana-te de propósito a fazer as contas. Falha o golo em frente à baliza. Despenteia-te. Escreve “sapo” com cê de cedilha: çapo. E também “sopa”: çopa. Inventa combinações de números quando o multibanco te pedir o código. Contraria o GPS. Põe sal no café. Telefona à tua mãe e diz que querias ligar para as finanças. Despede-te quando chegares e diz olá quando partires. Senta-te no chão. Veste a camisola ao contrário. E, por favor, calça o sapato do pé esquerdo no pé direito e calça o sapato do pé direito no pé esquerdo. Verás que não é assim tão desconfortável, que o calçado ortopédico é um exagero e que há muito mais do que aquilo que esperas naquilo que não esperas."

José Luís Peixoto

[...çerá?? ]

Bom Dia!!

10 dezembro 2014

Porque às vezes as noticias não são tão péssimas como se estava à espera,
ficamos quase felizes. Quando o menos bom nos tira muitos quilos de peso de cima não há nada que esteja bem, mas temos a certeza de que poderia estar pior. Ou vamos acreditar que sim. Não sou uma mulher de fé, nem de esperança, nem de optimismos, acho que sou - ou tento ser - tão realista que me torno pessimista, porque a realidade tem essa coisa de normalmente nos tirar o tapete da pior maneira e nos enfiar um balde de água fria pela cabeça abaixo na pior altura. Depois há quem ache que dá a volta a tudo, que tudo acabará por correr bem e às mil maravilhas, e há quem sucumba perante a falta de chão, andando à procura dos pés durante uns tempos. Eu penso pertencer ao segundo grupo, caio, ando  uns tempos à procura não sei de quê, acho tudo uma valente merda, mas no caminho percebo que estar no chão não melhora nada, e depois de me deixar cair obrigo-me de alguma maneira a levantar. Mas não encaro normalmente as coisas com a ideia de que tudo vai correr pelo melhor, isso não, apenas de que vou fazer o melhor que possa, e depois logo se verá o que a vida me responde. Sendo que raras vezes ela não se tenha mostrado duma educação muito duvidosa... Portanto, não gosto de esperar grande coisa. Desde que me conheço que sou assim, e os anos só me têm reforçado a (des)crença.
Mas hoje estou uns quilos mais leve que ontem, e gostei deste mocinho quando lhe pus os olhos em cima... gosta do ar sério de gaiato traquina, a armar em solene só porque tem um ramo de flores entre os dentes e vontade de parecer grande.... a mim desarma-me. Dá vontade de dar festinhas e brincar com o gaiato e fazê-lo rir naquele ar solene que tenta pôr...Deve ser um grande parvo, é o que é. Normalmente são esses que me desarmam e nem precisam de vir com flores...
Bom Dia!

05 dezembro 2014

... uma vez disseram-me:
"virar a mesa é muito diferente de virar apenas um guardanapo. 
E o que tu estás a querer é virar a mesa..."
Há uns tempos voltei a falar com ele sobre esta frase, e disse-me que quando mo tinha dito nunca pensou que eu o fizesse realmente, que o conseguisse, fizesse e assumisse.
Fiz, virei a mesa. 
Virei a vida do avesso. 
Ouvi os conselhos sensatos dos outros e  optei  pelos meus conselhos, ainda que pouco sensatos, de mesas viradas e vidas do avesso e corações de pernas para o ar.
Fiz, fiz o que sentia, e gosto muito da mesa virada e o avesso é talvez o meu direito,
 e o direito de o ser. Permiti-me, não fugir dos conselhos sensatos, não, não foi isso, foi apenas seguir-me, seguir o que sentia, ser eu. Onde estava não era mais eu, não me sentia mais eu.
 Arrisquei a felicidade, não a ganhei, 
mas o que perdi também não foi felicidade. 
E ganhei-me, ainda que para me perder, mas ganhei-me.  Inteira.
Às vezes temos de nos encontrar perdidos para nos descobrirmos inteiros e autênticos.
Vale a pena. Ainda assim, vale a pena tentarmos viver como somos, tentar agarrar a felicidade que nos faz felizes.
E enquanto for assim ainda estamos vivos e acreditamos que podemos viver melhor. E vivemos esse sonho, de arriscar realidades.

Bom Dia

01 dezembro 2014

Deixámos a cidade de Novembro atrás de nós, ainda mal se despegou dos calcanhares e já um Dezembro em pontas dos pés nos espera... ansioso de despedidas e de lareiras e de renovações metradas em 365 dias. É sempre em Dezembro que nos despedimos das mesmas coisas, Janeiro fica com os "olás", com as páginas em branco cheias de curiosidade do que o futuro vai escrever, e quem o irá ler, ler com a alma - viver. Em Dezembro acontece-me sempre muita coisa, mesmo que nada aconteça. Nem tudo o que acontece é bom, ou quase nada é bom, e cada vez menos. E passa sempre mais um ano. Sempre. E talvez isso seja uma coisa boa. Os anos passam à frente, que não passem só à minha frente, que os saiba pôr nos lugares certos, o passado atrás, o agora para ser já, e o futuro todo por estrear. E eu também.

Bom Dia

13 novembro 2014


(...)
É que enquanto o criminoso tem uma certa tendência natural p´ra ser vitimado
Jeremias nunca encontrou razões p´ra se culpar
(...)
Como um poeta ele desarranja o pesadelo p´ra lá dos limites legais
Foragido por amor ao que é belo e por vocação
(...)
Gosta de tesouros e mapas sobretudo daqueles que o tempo mais mal tratou
Gosta de brincar com o destino e nem o próprio inferno o apavora
Não estando disposto a esperar que a humanidade venha alguma vez a ser melhor

Jeremias escolheu o seu lugar do lado de fora

Jorge Palma

[Ando há dias, muitos dias, a ouvir Jorge Palma. Assento arraiais logo de manhã na poesia deste homem, que gosto, de quem aprecio a loucura meia mágica, e talvez esta noção "do lado de fora" - do inferno que não teme e, por isso, do destino que desafia dia a dia, de peito aberto munido apenas do amor ao que é belo, sem culpas por lhe faltarem ambições. Tem leis próprias e a consciência que o mundo é um mundo para viver do lado de fora, e às vezes - tantas - esse é o lado certo, assumido, sofrido, mas tornado poesia. Sempre o belo: a poesia, a música a magia de certa loucura. A beleza para quem tem coragem de a ver e a perseguir: para quem tem coragem, ou vários copos atestados de litros de ilusão que a noção da realidade já não nos deixa ter... 
...beleza... será a beleza apenas ilusão?, será a ilusão bela?, ou toda a beleza apenas uma ilusão que pode ser até eterna em tanta coisa? e uma ilusão eterna não é uma realidade?... o amor será dessas?... eu e as perguntas... adiante... 
Tenho ouvido este senhor, e gosto deste personagem fora da lei, sorrio com ele quando olho o mundo, sorrio quando os semáforos todos, numa brincadeira de criança me fazem parar e assim dizer-me que não te falto, que não te lembras, que não te estou... e rio-me, rio-me da parvoíce destas perguntas, destes jogos de criança que já não devia ser.  rio-me dos semáforos sempre tão corados para mim, rio-me deles, rio-me de mim, rio-me de ti e rio-me de cada vez mais querer não querer saber. Não querer saber se me queres, se te quero, se há sequer querer aqui. Não querer saber nada. Não querer saber de nada, mas de ainda fazer perguntas parvas a semáforos demasiado corados e tímidos com a vida... ou então é só comigo. ]

Bom Dia

10 novembro 2014


"Não sonhas. Morres um pouco de manhã e ao meio do dia quando o sol mais queima. Tens de continuar. Tens de esquecer. Não aguentas mais. Tens de acabar, matar, recomeçar a viver. Só que ela está presa por dentro e tu agarrado a ela por um nó da garganta e não sabes o que deves deitar fora, arrancar, vomitar para que ela te saia de dentro. Sais à noite com definitivos propósitos de não voltares sozinho. Compões dentro da cabeça uma mulher com um bocadinho disto e um bocadinho daquilo e esperas que bata certo. Levas um bocado do tecido rasgado e queres encontrar o todo. Mas não encontras ninguém. Pior, encontras alguém que te vem provar sem remissão que não a vais poder substituir tão facilmente porque não há mais nada no mundo inteiro depois dela senão um deserto de tempo que se estende à tua frente onde tudo se torna insignificante e pequenino. Começas a beber, a fazeres-te mal, porque estás triste e não acreditas em nada senão na dor."

Pedro Paixão, in Nos teus braços morreríamos

[há dias em que estou assim, não acredito em nada senão na dor, não bebo, ou nesses não bebo especialmente, nem para isso me dá, porque a consciência da dor não me deixa distrair. Agarra-me por todas as consciências que queria caladas e paralisadas, apagadas e inofensivas. Nesses dias fecho-me, calo-me, apago-me. às vezes tento falar sozinha, para dentro, às vezes consigo e escrevo - que é como falo comigo tantas vezes, e tantas vezes me explico a mim mesma, como se eu fosses tu e tu fosses eu, ou fosse tudo a mesma coisa, sei lá, porque às vezes parece que é. Outras não. Mas "explico-me-nos" - e esta palavra faz-me lembrar do nosso dicionário próprio e duma viagem cheia de palavras novas que tenho aqui num rascunho guardado neste blog, e lembro-me de tantas coisas parvas que não me são nada parvas, mas que podem parecer a quem não tem esse dicionário nascido debaixo daquela prega do coração que faz cócegas e nos faz sorrir aqueles sorrisos tontos que ninguém entende, nem eu entendo, nem quero, prefiro sorrir só (mas adiante) - explico, ou tento, em diálogos imaginários e explanações teóricas quase praticamente provadas no imaginário que somos nós, ou nso... porque não somos nada, nem isso, mas prova-se tudo na mesma. Aliás normalmente acabamos a provar-nos, mas é tudo imaginário, ou não, sei lá. Tu sabes?...  e eu que já nem sei o que comecei a querer dizer que já me perdi, os dedos seguem o rumo da cabeça e a cabeça vai para lá duma eternidade que não tem rumo, mas tem sonhos, ou sonho, e a cabeça atrás da alma anda sempre para aquelas bandas, perde-se por lá como se não conhecesse aquele território melhor que as mãos, melhor que as palavras que me saem sem as pensar enquanto aqui estou e olho só as letras e nem penso... pensar o quê? O que há para pensar? Não sei pensar, não nisto, pensei o dia todo, esgotei pensamentos, esgotei-me em pensamentos, agora dou-me em palavras que me saem como quem respira e nem sabe por quê....só sei que saem palavras porque os beijos estão longe e só tenho as palavras à mão, tão vazia das tuas mãos, que não me lembro já o que queria dizer, sei que li este texto e  na última frase lembrei-me de ti, mas para o esquecer quis-me lembrar de mim, porque há dias em que só a dor me encolhe em mim, e fujo de mim e dos dias e de tudo, porque nem as palavras me falam, nem elas me acodem às vezes, e procuro as palavras dos outros para me dizerem o que quero dizer, o que quero dizer-te, e então começam a sair como quem responde a um chamamento que ninguém chama - como quando dizes que me chamas, ou chamavas -, é como apanhar inesperadamente a ponta da linha duma baínha desesperada que não sabíamos ter, começar a puxar e de repente temos um novelo que já não tem ponta, não tem ponta por onde se lhe pegue, como este texto. Que veio daquele ali de cima, porque me lembrou de ti a última frase, porque te vi na última frase, como se viesse com a morada do teu olhar nalgumas noites que te vejo mas mal te olho, mas o resto, o resto do texto, infelizmente, lembra-me só o que sinto na minha dor que se cala quando a quero gritar. Cala-se, mas não morre. a sacana. Mas passo-a para aqui pelo passador das palavras e pesa-me menos. Muito menos.]

Bom Dia
(pois é estranho, mas é assim)