Eva me chamaste
Fizeste das minhas costas o teu piano
Dos teus desenhos as minhas curvas
Da minha boca a tua maçã
Dos meus olhos o teu mar
Do meu mundo os teus braços
(...)
Fizeste das minhas costas o teu piano
Dos teus desenhos as minhas curvas
Da minha boca a tua maçã
Dos meus olhos o teu mar
Do meu mundo os teus braços
(...)
10 dezembro 2012
09 dezembro 2012
Queria tanto ir-me embora de mim.
Foi esta frase que me ouvi, de lábios selados e olhos fechados, trancada em mim. O único sítio onde não queria estar. O único sítio donde queria fugir. Oiço-me por dentro enquanto adormeço o mundo de ruídos à minha volta, dum mundo que teima em continuar a dar voltas enquanto eu nao saio de mim.
Queria tanto ir-me embora de mim, sem me despedir, sem aviso, sem saudades. Olhar-me e já não me estar, evadir-me por entre duas respirações do mundo onde não me sinto. Saudades fazem correr lágrimas por dentro, escorrem pelas paredes da alma arranhando o caminho pelo caminho. Por fora o mundo dá voltas e sai estrada fora, enquanto as lágrimas não me saem de dentro, mesmo que as sinta como se pode sentir um rio correr até à nascente, mas não se poderá ver nunca. Eu só queria ser mar. Não quero correr para dentro das saudades.
Queria tanto sair de mim. Para não me sentir, para não te sentir.
Foi esta frase que me ouvi, de lábios selados e olhos fechados, trancada em mim. O único sítio onde não queria estar. O único sítio donde queria fugir. Oiço-me por dentro enquanto adormeço o mundo de ruídos à minha volta, dum mundo que teima em continuar a dar voltas enquanto eu nao saio de mim.
Queria tanto ir-me embora de mim, sem me despedir, sem aviso, sem saudades. Olhar-me e já não me estar, evadir-me por entre duas respirações do mundo onde não me sinto. Saudades fazem correr lágrimas por dentro, escorrem pelas paredes da alma arranhando o caminho pelo caminho. Por fora o mundo dá voltas e sai estrada fora, enquanto as lágrimas não me saem de dentro, mesmo que as sinta como se pode sentir um rio correr até à nascente, mas não se poderá ver nunca. Eu só queria ser mar. Não quero correr para dentro das saudades.
Queria tanto sair de mim. Para não me sentir, para não te sentir.
07 dezembro 2012
06 dezembro 2012
Sou o pássaro que canta
dentro da tua cabeça
que canta na tua garganta
canta onde lhe apeteça
Sou o pássaro que voa
dentro do teu coração
e do de qualquer pessoa
mesmo as que julgas que não
Sou o pássaro da imaginação
que voa até na prisão
e canta por tudo e por nada
mesmo com a boca fechada
E esta é a canção sem razão
que não serve para mais nada
senão para ser cantada
quando os amigos se vão
e ficas de novo sozinho
na solidão que começa
apenas com o passarinho
dentro da tua cabeça.
O pássaro da cabeça
Sou o pássaro que voa
dentro do teu coração
e do de qualquer pessoa
mesmo as que julgas que não
Sou o pássaro da imaginação
que voa até na prisão
e canta por tudo e por nada
mesmo com a boca fechada
E esta é a canção sem razão
que não serve para mais nada
senão para ser cantada
quando os amigos se vão
e ficas de novo sozinho
na solidão que começa
apenas com o passarinho
dentro da tua cabeça.
O pássaro da cabeça
Manuel António Pina
05 dezembro 2012
Era isto.
Mas todos os dias.
Assim.
Boa Noite.
(eu tenho a mania que sou romântica, já tinha reparado, escusam de fazer o reparo...)
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Boa noite,
Tonta...
"- Mas tu não poupas palavras: tu escreves. Todas as noites gastas uma hora a escrever um diário nesse teu caderno...
- Escrever não é falar.
- Não? Qual é a diferença?
- É exactamente o oposto. Escrever é usar as palavras que se guardaram: se tu falares de mais, já não escreves, porque não te resta nada para dizer.
Anos mais tarde, já estava doente, voltei a lembrar-me dessa nossa conversa. Tinha acabado de te escrever uma carta - que nunca te cheguei a mandar e que destruí depois.
Miguel Sousa Tavares
in "No Teu Deserto"
E, escrevendo, poupei as coisas que gostaria de te ter dito e que gostaria que tivesses ouvido. Cheguei quase a convencer-me de que bastava escrever-te para tu me ouvires, mesmo que nunca tenha chegado a pôr a carta no correio. Porque era tão sentido e tão magoado, tão distante, o que te dizia nessas cartas, que quase acreditei que tu não podias deixar de me ouvir."
Miguel Sousa Tavares
in "No Teu Deserto"
As palavras não ditas, remoídas no silêncio da vontade de as dizer sem ter de as pronunciar são como sítios de que temos de partir por querermos muito ficar. Mas partimos, deixando no nosso lugar um vazio onde não nos vêem, como não ouvem as palavras que não chegámos a dizer, que guardamos para dizer no silêncio das letras, onde é seguro o nosso lugar vazio. Quem nos vê partir, quem não nos ouve as palavras guardadas, nunca sabe da vontade de que soubessem que as queríamos muito dizer, mais, que as ouvissem sem as dizermos, só pela vontade de as dizer.
Já li este livro. Adorei. Li-o numa noite. É curtinho e devora-se que é uma maravilha. Foi o livro em que mais gostei da escrita do Miguel Sousa Tavares, é intimista, fala-nos um bocadinho ao ouvido da alma, e é doce.
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Maçãs alheias
"Acima de tudo não me plantes no teu coração
Eu cresceria demasiado depressa."
Rainer Maria Rilke
Rainer Maria Rilke
Não me plantaste, mas plantaste-te no meu.
Demasiado.
Tanto, que resta agora pouco coração para tudo o resto.
De mim pouco resta depois de ti.
Pouco restará depois.
Para ti eu sou só o resto de que nada restará.
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Maçãs alheias
Do you come together ever with him?And is he dark enough, enough to see your light?And do you brush your teeth before you kiss?Do you miss my smell?
And is he bold enough to take you on?Do you feel like you belong?And does he drive you wild or just mildly free?What about me?
(...)
And I know I make you cryI know sometimes you wanna dieBut do you really feel alive without me?If so, be free, if not, leave him for meBefore one of us has accidental babiesFor we are in love
(...)
Vim a ouvir isto a caminho do trabalho, gosto das letras deste senhor, chamem-me lamechas, chamem, que talvez não se enganem, e eu não me importo.
Só sei que esta letra me diz muito, me toca muito ("is he dark enough to see your light?). E vim a pensar nestas frases enquanto as ia ouvindo e repetindo ("do you feel like you belong?"), e que tenho saudades do que nunca tive, como dizia Pessoa ("does he drive you wild or just mildly free?). Tenho saudades de me quererem assim ("do you miss my smell?"), de me sentirem de modo especial em vez de me chamarem especial, tenho saudades de me tocarem como se fosse um privilégio ("you held me like a lover, sweaty hands") como se matassem a sobrevivência e deixassem nascer a vida farta com os meus lábios, com a minha pele, comigo ("do you really feel alive without me?"). Tenho saudades que sintam um bocadinho como eu sinto e que me façam sentir isso ("is he bold enough to take you on?"). Tenho saudades do que nunca tive e não tenho esperança de vir a ter ("what about me? what about me?").
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Música
...é assim, é pena, mas sou assim!!
Amo muito pouca gente no mundo,
e simpatizo com outros tantos, não trato mal ninguém,
mas não abusem da minha paciência que é curta e ferve depressa!!!
Bom Dia!!
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Bom Dia,
Tonta...
04 dezembro 2012
...adoro as costas deste vestido...
é muito difícil bater os olhos em alguma coisa e dizer "é mesmo isto",
mas agora aconteceu,
é simples, é ousado e não deixa de ter classe... muita classe!!...
(não vi a frente do vestido, mas a parte de trás está aprovadíssima, pena que eu não tenha corpo para ele, nem ocasião para me vestir para alguma ocasião...))
Aquela mãozinha é do George Clooney, e o traseiro em que tão bem repousa é o da sua namorada...há gente com sorte (pelo vestido, claro, what else???)
[deve ser o segundo post sobre trapos aqui no estaminé, devo estar a ficar doida, e foi visto aqui]
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Tonta...
03 dezembro 2012
Na escolinha,
a menina,
... propícia a equívocos, disse:
- masculino de noiva é navio.
Repreenderam, riscaram, descontaram.
Mas ela estava certa.
Noivados são mares
de barcos pares.
[Mia Couto]
Mas ela estava certa.
Noivados são mares
de barcos pares.
[Mia Couto]
...que delícia!!!!!
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Maçãs alheias
Quanto, quanto me queres? – perguntaste
Numa voz de lamento diluída;
E quando nos meus olhos demoraste
A luz dos teus senti a luz da vida.
Nas tuas mãos as minhas apertaste;
Lá fora da luz do Sol já combalida
Era um sorriso aberto num contraste
Com a sombra da posse proibida…
Beijámo-nos então, a latejar
No infinito e pálido vaivém
Dos corpos que se entregam sem pensar…
Não perguntes, não sei – não sei dizer:
Um grande amor só se avalia bem
Depois de se perder.
António Botto
Com a sombra da posse proibida…
Beijámo-nos então, a latejar
No infinito e pálido vaivém
Dos corpos que se entregam sem pensar…
Não perguntes, não sei – não sei dizer:
Um grande amor só se avalia bem
Depois de se perder.
António Botto
[... e depois, depois, é tarde. estamos perdidos.]
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Maçãs alheias
Estou fanhosa, dói-me a garganta, os olhos, quando tusso, que é de dois em dois minutos...
dói-me quase tudo, pronto...
Queria um chá bem quente uma manta e pôr-me em frente à lareira com alguém a cuidar de mim um bocadinho... não podendo ser vim trabalhar, não ficava a fazer nada em casa....
Um Bom Dia muito fanhoso....
bahhh
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Bom Dia
02 dezembro 2012
E depois de beber o meu chá, vou dormir.
Era bom sonhar que estava a dormir assim, porque a realidade é mais sozinha. Mais fria. Mais só.
Vou tentar fechar os olhos e lembrar-me da tua cara enquanto me dizias que era linda, que eu nem fazia ideia. E a única ideia que me passava pela cabeça era dar graças a deus para só estarmos nós ali, por só me veres a mim, por só estar eu, para poderes dizer isso com tanta verdade nos olhos. Ainda bem que não estavam ali à mão de semear do teu olhar todas as mulheres bonitas, interessantes, que todos os dias vejo e que tu, em boa verdade, terias de admitir muito melhores para se perder tempo a olhar.
A única ideia que tenho nessas alturas é esta. Dar graças a deus.
Boa Noite.
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Boa noite
01 dezembro 2012
"O contacto do corpo dele - disse Constance.
- É isso mesmo. O contacto do corpo dele. Ainda hoje não esqueci, e nunca esquecerei. Se há um céu, ele estará lá, e deitar-se-á a meu lado para eu poder dormir. (...) O contacto do corpo dele. Porque os laços do amor são difíceis de desatar.
(...) - Mas pode durar assim tanto tempo a recordação de um contacto? - perguntou Constance - A ponto de perdurar ainda?
- Oh, Lady Chaterley, mas que outra coisa é que pode perdurar? Os filhos crescem e vão-se embora. Mas o homem é diferente! E até isso os outros querem matar dentro de nós, a lembrança desse contacto. Até os filhos. Se ele não tivesse morrido, talvez até nos separássemos um dia, quem pode saber! Mas o sentimento é diferente. O melhor é não nos prendermos. Mas quando vejo uma mulher que nunca foi aquecida por um homem, tenho pena dela, por melhor que se vista e melhor vida que tenha, parece-me um pobre mocho. Não, nada me fará mudar de opinião. Não me importo nada com o que pensem as outras pessoas.
D. H. Lawrence in O amante de Lady Chaterley
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Livros,
Maçãs alheias
30 novembro 2012
Carris que vão a todo lado sem comboio.
O comboio parado, sem carris para deslizar até ao fim do mundo.
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Tonta...
...e já agora eu também!!
Que sono é coisa que não falta aqui, e dizem que miminhos fazem bem às constipações, gripes e desconsolos no geral.
Eu preciso muito...
Bahhh
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Tonta...
29 novembro 2012
Aiiiiiiii Jezuzzzz.......
com esses braços, e ombros, e isso tudo, prontossss, a gente até perdoa o cabelo...
mal olhamos para ele aliás...
mas rapaz, mocinho, atentai, tu não és o Sansão, podeis cortar a trunfa que só ficais a ganhar, sim???
(este não tem colarinhos, nem é engravatado, nem tem ar de não sei o quê, espero que agrade mais aos mais exigentes...)
ehehehhehhe
28 novembro 2012
A minha maneira de amar-te é simples:
aperto-te a mim
como se tivesse um pouco de justiça no coração
e ta pudesse dar com o corpo
Quando te revolvo os cabelos
algo de lindo nasce das minhas mãos
E não sei quase mais nada. Aspiro apenas
a estar contigo em paz e a estar em paz
com um dever desconhecido
que às vezes me pesa também no coração
Antonio Gamoneda
algo de lindo nasce das minhas mãos
E não sei quase mais nada. Aspiro apenas
a estar contigo em paz e a estar em paz
com um dever desconhecido
que às vezes me pesa também no coração
Antonio Gamoneda
[uma das razões que me levam a gostar de algumas redes sociais e muito da internert é poder ler coisas de autores que nunca tinha ouvido falar, e gostar e depois poder ir à procura. é uma das vantagens deste blog, fica registado muito do que eu gosto e não conhecia...como este que acabei de postar]
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Maçãs alheias
OS TEUS OMBROS
Junto ao mar os teus ombros
Brilham mais que o claro olhar.
Onde é lícito e urgente, poisar,
Os lábios, ao de leve, sobre a fina luz.
O mar deve ser, isso mesmo:
Uns longos ombros de mulher
Reflectidos no vidro das aves
Que pousam docemente sobre as águas.
Onde é lícito e urgente, poisar,
Os lábios, ao de leve, sobre a fina luz.
O mar deve ser, isso mesmo:
Uns longos ombros de mulher
Reflectidos no vidro das aves
Que pousam docemente sobre as águas.
Joaquim Pessoa
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Maçãs alheias
Têm a certeza que me querem começar a lembrar do Natal???
A falar do Natal já?
Luzes de Natal espalhadas e árvores de Natal ainda nem chegámos a Dezembro!!!
A sério??
Têm a certeza???
Grrrrrrrrrr
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Tonta...
(...)
por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.
por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.
os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.
foste eterna até ao fim.
José Luís Peixoto
27 novembro 2012
Há dias em que só nos achamos ao fim do dia
naquele resto do dia em que restamos nós
E nesse resto de nós encontramo-nos de alma cheia
Plena de nós
De alma cheia do outro
Que não temos, mas que trazemos
Como nosso
Guardado onde os dias não chegam
Onde as noites não bastam
Onde sorri o olhar que não se vê
Mas que sentimos transbordar
Para depois se apagar
a luz ao sorriso,
encolher-se a alma
com frio,
esvaziarmo-nos
no vazio de nós
que encontramos no outro
em que não há sequer restos de nós
para apagar
"-Quantos beijos queres?
- Todos, eu quero os beijos todos."
(passa para cá, que isto é um assalto à alma desarmada, TODOS!!)
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Flashes,
Tonta...
Gosto e preciso de ti,
Mas quero logo explicar,
Não gosto porque preciso.
Preciso sim, por gostar.
[Mário Lago]
Bom Dia!
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Maçãs alheias
26 novembro 2012
...tenho a máquina de lavar avariada.
Soubesse eu da qualidade dos técnicos que mandam a casa, e era capaz de arriscar pedir uma visita ao domicílio, mas com a crise que está devia ficar muito caro sem garantia de sucesso ( nem de que me apareça realmente um técnico que valha a pena...), paciência.
Lava-se a loiça à moda antiga mesmo.
Bahhhhh
(e tenho lá uma pilha dela para lavar quando chegar a casa.
A preguiça raptou-me durante o fim de semana...)
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Tonta...
Não sei quantas almas tenho
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
FERNANDO PESSOA
[Este anda a fazer-me muito sentido, não sentia assim desde a altura da adolescência, da primeira paixão que nos desnorteia, que nos questiona, que nos faz baralhar o norte, que nos descobre a cada dia. Cada dia diferente nos faz diferente, e sentimo-nos, sempre e cada vez mais, nós mesmos, ainda que conquistando partes de nós que nos eram até aqui desconhecidas.E são, sempre nós, já erámos e seremos, ainda que amanhã sejamos diferentes. Há que mudar para nos mantermos nós mesmos na essência. São sempre os outros que nos descobrem, que nos obrigam a vermo-nos, que nos mudam, por nos fazerem questionar o que somos, o que temos por dentro, a massa de que somos feitos. "Continuamente me estranho/ Nunca me vi nem me acabei/ De tanto ser, só tenho alma" - é isto. Sou isto.]
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
FERNANDO PESSOA
[Este anda a fazer-me muito sentido, não sentia assim desde a altura da adolescência, da primeira paixão que nos desnorteia, que nos questiona, que nos faz baralhar o norte, que nos descobre a cada dia. Cada dia diferente nos faz diferente, e sentimo-nos, sempre e cada vez mais, nós mesmos, ainda que conquistando partes de nós que nos eram até aqui desconhecidas.E são, sempre nós, já erámos e seremos, ainda que amanhã sejamos diferentes. Há que mudar para nos mantermos nós mesmos na essência. São sempre os outros que nos descobrem, que nos obrigam a vermo-nos, que nos mudam, por nos fazerem questionar o que somos, o que temos por dentro, a massa de que somos feitos. "Continuamente me estranho/ Nunca me vi nem me acabei/ De tanto ser, só tenho alma" - é isto. Sou isto.]
![]() |
| [Foto de Inge Morath] |
Think outside the box
[principalmente quando não cabes lá dentro...e não devia ser uma questão de tamanho, mas de tamanho do que se quer, do que se sonha. Os sonhos não ocupam lugar nem espaço, cabem em todo lado, menos nos caixotes em que nos ensinaram a viver, pensar e ver a vida, e donde não queremos sair. Dizem que é cómodo, eu não acho, eu ponho a cabeça de fora, mas não sou tão engraçada (nem enfeitada, penso eu!!!)]
Bom Dia!!
8 comentários:
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Bom Dia,
Tonta...
25 novembro 2012
![]() |
| [Foto de Joan Murray] |
Dizem que a paixão o conheceu
dizem que a paixão o conheceu
mas hoje vive escondido nuns óculos escuros
senta-se no estremecer da noite enumera
o que lhe sobejou do adolescente rosto
turvo pela ligeira náusea da velhice
conhece a solidão de quem permanece acordado
quase sempre estendido ao lado do sono
pressente o suave esvoaçar da idade
ergue-se para o espelho
que lhe devolve um sorriso tamanho do medo
dizem que vive na transparência do sonho
à beira-mar envelheceu vagarosamente
sem que nenhuma ternura nenhuma alegria
nunhum ofício cantante
o tenha convencido a permanecer entre os vivos
Al Berto
estou triste e nem sei porquê.
a tristeza entra-me pelos poros por onde deverias entrar tu, o teu cheiro, a tua presença no meu corpo.
não me vejo livre dela e se quisesse saber o porquê não o saberia, mas não quero, basta-me saber que a sinto e que não vai embora quando lhe peço, se pedisse.
Não peço.
E ponho-me a pensar, agora mesmo, no porquê,
e percebo que esta tristeza, ainda assim, acabas por ser tu, que na tua ausência, estás presente.
E nem aqui te mando embora.
Deve ser isso.
Boa Noite
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Boa noite
24 novembro 2012
O tempo está bom é para isto.
Ronha, mimo, muitas festinhas com carinho, com ternura... o dolce fare niente...
acompanhado de um bom som de fundo e umas sonecas enroscadas pelo meio.
A vida poderia ser tão boa tão facilmente, mas toda a gente complica tudo.
Eu também... e tenho de descomplicar, é por isso que acho que vou fazer um chá, pegar num livro, enroscar-me na manta e tentar perceber, interiorizar, que sentimos as coisas como as vemos. É tudo uma questão de perspectiva, e a perspectiva da minha janela, mesmo num dia feio, é bonita. Eu gosto. Mais logo sair de casa para ver gente, para sorrir a quem não se conhece, para respirar o ar do mundo e um chocolate quente com que já se anda a sonhar desde que acordámos.
Bom Dia.
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Bom Dia,
Ronha...
22 novembro 2012
(...)
E vem aqui pra cá
Porque eu quero te beijar na sua boca
Que coisa louca
Vem aqui pra cá
Porque eu quero te beijar na sua boca
Ai que boca gostosa
(...)
Acordei com isto na cabeça, ou apareceu-me pouco depois, não sei de onde, não sei porquê. Não percebo. Nem percebo como certas coisas são possíveis, ou compreensíveis. Como é que coisas destas nos dão vontade de partilhar com certas pessoas, ou porquê. Ou donde veio, ou vem, essa vontade, ou se sempre existiu, mesmo que gastemos as nossas energias a contrariá-lo, só porque sim, porque estamos magoados e não queremos por fora, mas por dentro queremos, e de vez em quando traímo-nos e fazemos coisas que não entendemos. É nesse trairmo-nos que às vezes nos conseguimos, afinal, ser mais fieis a nós mesmos, mais próximos da verdade que queremos negar.
Há coisas que nunca entenderei, e não sei quando deixarão de me assaltar os dias para me deixar na penúria do que fica depois de mim depois de ti. Não sei mesmo.
Que coisa louca.
Ahhhhhhh.... Bom dia! (pelo menos que seja para vocês...)
Sem comentários:
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Música
16 novembro 2012
12 novembro 2012
Aprendi cedo a não me render ao choro, mas cedo aprendi que não me rendendo ao choro, sempre me rendi às lágrimas que me sulcam a pele e caem algures no mundo onde não caibo. Cedo aprendi que há uma grande diferença entre chorar e as lágrimas nos caírem sem querermos, sem soluçarmos, sem os ombros balançarem ou a boca expressar o choro que nos sai de dentro, que queremos que saia, que choramos. Que queremos tirar de dentro de nós, que queremos libertar e que nos liberte. Lembro-me da primeira vez que pensei precisamente isto, estava no liceu sentada no parapeito duma janela, à frente tinha uma escada que não dava para lado nenhum, apenas uma pequena sala vazia. Do lado de lá do vidro estava um pátio, vazio também. Não havia gente, não havia ninguém, nunca houve. Eu agarrada aos joelhos, como ainda hoje faço. Lembro-me de nessa altura pensar que era assim, que chorar e render-me às lágrimas que me escapavam não era o mesmo, que o sofrimento pode ser activo ou passivo, reactivo ou só resignado, as lágrimas essas é que são iguais. Suponho. Só que há coisas por que não vale a pena chorar, porque não está nas nossas mãos mudar, então não se chora, mas as lágrimas choram por nós. Foi nessa altura que comecei a escrever, foi nessa altura que achei que o meu mundo, aquele que me amparava quando não havia ninguém, nunca houve, não cabia neste outro mundo em que caí sem me perguntarem se queria. Sempre quis fugir-me, achar casa nesse mundo emprestado que queria meu, mas se o queria, não o queria também. As raízes são de onde se fincam, na terra que lhes calhou, não na que queriam abraçar. Nem sempre será ao sol e abrigada, é onde é, e convém sabermos onde é para não nos perdermos e ficarmos sem chão, sem terra nenhuma onde ficar os pés, os pensamentos e os sentires. Onde sermos nós. Verdadeiramente nós. Acho que por isso nunca consegui sair desse mundo solitário, cheio de conversas que nunca existiram, de pensamentos, de sentires, de sucessivos porquês e repetidas respostas diversas. Nessa minha casa o lema é perceber. Perceber-me nesse mundo que não é meu, perceber esse mundo que não é meu, as pessoas que lá encontro, os factos, as causas as consequências, os porquês. E os porquês do que é meu e da maneira de olhar o que não é. Nessa casa dos porquês onde ainda hoje, e sempre, vagueio, percebi que nem tudo tem porquês, mas tudo tem consequências. Que a causa e a consequência nem sempre comem à mesa da razão. Aprendi que há coisas sem razão, e que a única razão de existirem, é não terem razão nenhuma. E perceber que essa é, às vezes, a melhor razão de todas. E é essa a razão porque volto sempre a esta casa, que é a minha, onde não há ninguém, nunca houve, quando volto está sempre vazia, onde não se chora, mas as lágrimas caem sem me render ao choro. E se um dia a penso não vazia, se um dia a penso como um lar, onde viver sem ser à noite e só, em que se fala a mesma língua, onde as conversas têm resposta, mesmo que não tenham razão ou porquês, e os pés se parecem fincar em terras gémeas, então, então percebo que me esqueço às vezes de que sou ainda aquela miúda sentada no parapeito da janela a olhar para o pátio vazio e para as escadas que dão para uma pequena sala vazia, onde não há ninguém, nem nunca houve. O mundo é lá fora. As lágrimas são cá dentro. A terra é onde é. As raízes são minhas. Não há porquês e esses são os porquês. É assim. Só.
[houve alturas em que te lembravas a meio dos jantares, ou do que fosse, e me mandavas um mail, uma mensagem, uma palavra sem som mas de presença, da minha presença em ti. agora lembro-me disso, em flashes de memória que arranham, e depois visita-me o que me dizias há não tanto tempo assim, que há uma altura certa para tudo, que tudo tem um prazo para acontecer, e eu não sei onde me perdi nesse prazo, nessa validade que não vi passar, nesse prazo que não senti passar-me, que não sinto, não sinto ainda nada errado, fora de prazo válido. deve haver algo de errado em mim, porque já não estou presente em ti na ausência... já não não há gestos, devem ter passado a validade sem eu saber, porque os meus devem ter falta disso, de prazo, continuam como se o tempo não os gastasse, como se o vento não os arrastasse para o passado de nós. para o meu passado de nós, que não passou, que não me passou.]
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