Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

14 fevereiro 2013

...C'a Porra!!!... 
então tenho de andar de olhos fechados!!!????
ohhh meu deuzzzzz....


...não que me valha de alguma coisa...
...que não vale...
nem hoje nem no resto dos dias!!
bahhhhh



"... o meu sonambulismo é de longas distâncias - acordo em línguas diferentes ... "

vasco gato, «omertà»



[eu vivo sempre a curtas distâncias 
e pareço acordar e adormecer sempre a falar uma mesma língua que ninguém entende...
outras vezes parece que nunca cheguei a adormecer, ou a acordar, 
mas ninguém me entende na mesma...às vezes nem eu]
(...)
Tu ainda me amas?
Eu te pergunto lívida
Na manhã de tintas
Amarelo e ocre
Pulsando no meu sangue.
E te levantas, me olhas
E te fazes cansado
De perguntas antigas.


Hilda Hilst, Júbilo Memória Noviciado Da Paixão 

[estás cansado de perguntas antigas, e eu de velhas respostas, sempre as mesmas, de novo. eu já não pergunto, já sei as resposta, sempre as mesmas, já sei de cor o que as respostas não dizem, mesmo mudas continuam a não dizer, o que não diziam, as respostas quando elas ainda falavam, e quando eu ainda as tentava escutar e perscrutar, agora só tento não chorar, agarrar-me ao ar e esquecer-me que já nem de perguntar estou cansada, estou cansada das respostas mudas que não mudas.]

13 fevereiro 2013

Boa Noite



vai ter uma festa
que eu vou dançar
até o sapato pedir pra parar.
aí eu paro, tiro o sapato
e danço o resto da vida
Chacal
... realmente!!!
E eu que DETESTO esperar!!


...acordo todos os dias com esta vontade...
porque será que a altura em que me sabe melhor dormir, em que consigo dormir melhor, é quando o estúpido do despertador corta o meu barato?????
Bahhhhhh
Bom Dia

12 fevereiro 2013

ahahahahha
engraçadinhos...boa introdução (salvo seja...)



"deviam chover lágrimas quando o coração pesa muito e há momentos, palavra de honra, não se compreende o motivo, mas pesa, sente-se dentro o

(ia escrever o incómodo e não incómodo conforme não tristeza, não dor, como traduzir isto, não sei)

Deviam chover lágrimas quando o coração pesa muito e há momentos palavra de honra que pesa

(para já fica assim)…"


António Lobo Antunes



[deviam chover lágrimas, e às vezes choram, outras amarfanham-se por dentro, para dentro, para regar a dor do coração. chorar é fácil, chorar é deixar que se solte o que temos dentro, normalmente liberta, ajuda, cansa e depois descansa. eu choro mais para dentro que para fora, e por isso o cansaço, às vezes, pesa-me mais que o corpo. A vida, que às vezes pareço ter, afoga-se por dentro nas próprias lágrimas que me recuso a chorar.]
"Amor nunca morre de morte natural. Morre de cegueira, dos erros e das traições. Morre de exaustão, das doenças, da falta de brilho."
Anais Nin

[ou então mata-nos de exaustão, insónias e mágoas. Um de nós morre. Aí pelo menos vou conseguir dormir, duma maneira, ou doutra...]

11 fevereiro 2013

...os gestos. 
Os pequenos, minúsculos, gestos são os que me prendem, os que ninguém nota, ninguém vê, mas que mais sinto, são esses os que arrastam o peso do mundo num fio de cabelo.
O carinho e a ternura são a arma mais mortífera contra o esquecimento desejado.


"Que pena não haver uma marca branca para o amor, como agora se faz para alguns produtos de supermercado. Tão bom seria se, precisados de amor, simplesmente o adquiríssemos junto de quem estivesse disposto a dar-nos. O problema é que nós precisamos de estar prontos para recebê-lo. Senão, era muito fácil: ia-se à prateleira, tirávamos a quantidade de amor necessário para nos alimentarmos e, findo o stock, regressaríamos ao mesmo local para nos reabastecermos. Há quem faça isto com o sexo – e com o sexo dá e é muitíssimo bom – mas, com o amor, não se metam nisso. O amor não tem one night stand. Amar alguém não se pode fazer quando nos apetece, exige militância, acordar cedo para estar esticadinho na formatura.


Amar é estar nos quadros de uma empresa em lugar ministeriável, ter sexo é ser colaborador a recibo verde. Por isso é que há mais gente a ter sexo do que a amar – e reparem que não estou a adoptar nenhum dos lados –, mas quem ama pode ter sexo e quem tem sexo pode nunca conseguir amar."


Fernando Alvim
hummm?
acho que vou pensar nisto enquanto bebo um café...
Bom Dia!!

Hoje estou demasiado preguiçosa para tentar desembrulhar-me do que me enovela, para tentar fazer sentido do que não tem sentido ou direcção. Estou demasiado cansada para me obrigar a pôr palavras em linhas do que me desalinha as costuras que me fecham por dentro. Vou pegar num livro para me esquecer de mim, ou tentar. Para fechar os olhos e descansar.
Boa Noite.

09 fevereiro 2013

Eu vou acabar sozinha... Já sei. Já estou. E assim vou ficar.
Ao menos tenho onde sentar a solidão. 
A cadeira ao lado está invariavelmente verdadeiramente vazia. 
As outras mesas estão cheias de gente, de vida, de mentira, ou talvez não. 

08 fevereiro 2013

Às vezes apetecia-me isto... sentir-me ao colo e conduzida..
dá sensação de descanso, protecção, segurança e carinho.
E agora apetecia-me isto tudo.
Boa Noite

...TRUE!!!
Grrrrrrrr
...in the face, or anywhere else... 
as long as I can shoot them, or you, 
probably shooting you would solve the whole problem at once!!!...
Bahhhhh

...portas com chaves especiais...
que dão vontade de abrir e vasculhar tudo dentro...
e encontrarmo-nos por lá sem darmos conta que lá estávamos, 
no meio da bagunça, por trás de portas fechadas...
Bom Dia!
Irrita-me. Irrita-me eu preocupar-me, irrita-me eu querer saber. Irrita-me eu saber que amo alguém pelo melhor que tem, mais ainda, que esse melhor esteja fechado numa gaveta e nunca respire o ar do mundo. Irrita-me eu estar fechada com essa gaveta. Irrita-me saber que o melhor de nada serve fechado. Irrita-me saber que se ama alguém mais pelo que esse alguém deseja ser e sonha, do que pelo concretiza. Irrita-me saber que as pessoas são, verdadeiramente, muito mais os seus desejos e sonhos, do que o caminho que falta andar para que os fazer chegar à luz do mundo. Irrita-me saber que é isso que as identifica e não o que fazem com isso. Irrita-me que se escolha um fato cheio de mundo para esconder o que guardamos na nossa melhor gaveta, por medo de ser quem realmente somos, e desperdiçarmo-nos a ser quem não somos, nem queremos ser, com medo de quem nos podemos tornar sendo nós mesmos.
Irrita-me. Irrita-me que tenha de me levantar para escrever isto tudo que me aparece na cabeça com vontade própria de sair pelos dedos em letras. Irrita-me que ninguém o entenda. Irrita-me que este fato, com que visto a alma de mundo, não sirva a ninguém. Irrita-me tudo isto me irritar. Estou irritada, pronto.

(isto não deve fazer sentido nenhum, mas às escuras e a esta hora fica assim mesmo, não é para entender mesmo...)

07 fevereiro 2013

[é por estas e por outras que se calhar pareço uma doidona, 
mas o meu sentido de humor suporta muito bem estas piadas, 
não vejo mal nenhum nisso... e esta está DEMAIS!!)
ahahahahhahahah

Boa Noite

06 fevereiro 2013

...e um "c", que cá em casa não há cá desacordos ortográficos... 
(a não ser por gralha ou ignorância mesmo...)

É um trabalho duro, difícil, mas alguém tinha de o fazer...
paciência!!
Não chego para ninguém, ninguém me quer chegar, é assim, é virar-nos do avesso e aprender a estar bem sem ninguém. Ir endurecendo, ir vivendo e sabendo que não precisamos de ninguém para (sobre)viver. Irmo-nos fechando aos poucos, e agradecermos que ninguém nos incomode a tentar abrir a concha em que nos queremos fechar, precisamente para os deixar de fora, para deixar tudo o que possa doer, de fora. 
Os dias vão passando e o mundo vai-se fechando sobre nós. Uma carapaça sobre os ossos vai nascendo, argamassa de lágrimas, mágoas e desilusões. 
Um dia achamos que estamos bem sozinhos, que já nada nos chega pela concha fechada, nosso refúgio e segurança. E é assim que tem de ser, não vale a pena estar com quem não nos quer verdadeiramente. Se não chego, nem vale a pena partir.
Parto-me em retalhos para me refazer de novo, e para não voltar a tentar, para fechar o mundo para mim, e o meu mundo em mim. Esquecer-me que há uma diferença entre viver e sobreviver.
ooops!!...
qualquer dia é bom para aconchegar o sofá!!!
Bom Dia!!

04 fevereiro 2013

Aqui não há gatinhos fofinhos e doces...
... eu cá sou má, sou muito má...
eu cá sou má má má má má...
ehehehhe

Oi...
E a vossa segunda-feira também é orelhuda???
Com penachos?
eheheheh

02 fevereiro 2013

...não terei muito para oferecer, mas a lareira ainda aquece se mantivermos o fogo; vinho também tenho, do que me trouxeste, que só poderá ser bebido por nós (esperará, como eu, até que assim seja). Não tenho muito mais a oferecer, mas era precisamente isto que me apetecia, e  gostaria de oferecer, porque vem recheado de conversas com os olhos, sussurros ao ouvido, calor, mimo, e tudo o que agora me completava e me presenteava uma...
...Boa Noite.

ahahhahah


Boa Noite

01 fevereiro 2013

...e sai um destes p'ra mesa cinco!!
...ou seis ou sete...digam o número que eu sento-me lá, já já!!
(ainda por cima em Veneza....aiiiiiiiiiiii)

...eu prometo uma aterragem segura e suave...
...em território teu...
em casa.

31 janeiro 2013

adormecer assim
seria dormir descansada,
dormir quente, mimada e aconchegada.
precisava.
Boa Noite


...sobre o "meu" nós...
o único que existe...

poisssss..
 e é disso que preciso, de paz, muita pazzzzz...
bahhhh

[foto de Harry Benson]
Apetecia-me esta urgência,
esta vontade quase violenta,
esta proximidade que ferve na distância apagada.
 ...apetecia-me, mas o que me apetece não interessa nada...

29 janeiro 2013

Boa Noite

[porque só no silêncio duas almas falam, só no silêncio se dão e respiram fora do mundo, 
para se encaixarem juntas nele]


"O que é pra ser, acha caminho.
Pula o muro.
Atravessa a cidade.
Telefona.
Sai da nuvem, da imaginação.
Cola no chão, no rosto, nas mãos.
O que é pra ser não angustia, porque sabe que vai ser, porque sabe que é vontade que faz acontecer.
O que é pra ser, constrói vias.
Propõem trilhas, escapadas.
Encontra a coragem, despistas as reticências e vai.
Destemido, vai.
Vai ser.
Vai ser, porque tem que ser.
Vai ser porque verdadeiramente é."

Ludi


(não conheço este autor mas adorei este poema)

Bom Dia!!! 

27 janeiro 2013

Hoje de manhã, na ronha, peguei no livro que andava a ler e acabei-o. Este livro custou-me entrar nele, ao início não foi fácil, depois, não sei quando, nem como, ganhou-me. Tanto que passagens que gostei, que me fizeram pensar por momentos, para logo depois me embrenhar de novo nas palavras, não foram marcadas como costume, de modo que andei agora para trás e para a frente à procura de algumas que me lembrava. É um livro sombrio que nos revela também o lado sombrio do ser humano, e que vemos em tanto lado disfarçado, não assumido, até sinceramente mentido porque não é aceitável, mas no meio do fim mundo, onde tudo é selvagem, também os seres se tornam menos humanos, ou menos diplomaticamente humanos, como os queremos. Por muito bem que falem, por muito eloquentes que sejam, o seu lado sombrio revela-se quando ninguém, daqueles que se consideram seres humanos evoluídos, está a ver. É isto, é mergulhar no ser humano com tudo de putrefacto e até violento (ainda que não haja violência física alguma no livro) todos temos e não assumimos. O instinto talvez? no seu lado mais puro, mais em bruto? Talvez...

"A terra parecia não ser deste mundo. Estamos habituados a ver a forma agrilhoada de um monstro vencido, mas ali... ali víamos uma coisa monstruosa e livre. Era sobrenatural, e os homens eram... Não, não eram inumanos. Compreendem, isso era o pior de tudo, essa suspeita de que eles não eram inumanos. Tomávamos lentamente consciência dela. Eles urravam e saltavam e giravam, e faziam caretas horrorosas; mas o que nos emocionava era precisamente o pensamento da sua humanidade - como a nossa -, o pensamento do nosso remoto parentesco com aquele tumulto selvagem e desenfreado. Hediondo. Sim, era de facto hediondo; mas quem é suficientemente homem não pode deixar de admitir, para consigo mesmo, uma leva reacção, ainda que muito ténue, à terrível franqueza daquele ruído, uma vaga suspeita da existência nele, de um significado que nós - nós, tão distantes da noite dos primeiros tempos - podíamos compreender. E porque não? A mente do homem é capaz de tudo: porque ela contém tudo, todo o passado, assim como todo o futuro. O que havia ali, afinal? Alegria, medo, mágoa, afecto, valentia, raiva - quem poderia sabê-lo?-, mas havia certamente verdade, sim, havia verdade despida do manto do tempo."

Joseph Conrad, in O Coração das Trevas

(afinal é só um trecho, que estou preguiçosa...)
...que isto tem estado difícil...
muito difícil...


Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura.

Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa.

Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.

Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.

(...)

José Carlos Ary dos Santos
Boa Noite