Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

21 novembro 2013

ehehehheheh
Um dia .... vai haver fogo de artifício!!
Bom Dia!!

Lembro-me de me dizeres que me amaste, ao longo do tempo, de muitas maneiras diferentes. Ponho-me a pensar que então nunca me amaste da maneira certa: da maneira certa para ti, que tornasse tudo certo. Nunca me amaste escolhendo amar-me, então foram todas maneiras erradas de amar, e até de não amar. Talvez de certa maneira me tenhas amado: não da maneira certa: certo de que me amavas. 
Eu sempre estive certa: amo duma única maneira: amando, mesmo quando quero escolher não te amar.
Errado é eu estar tão certa.

Boa Noite

19 novembro 2013

É isto. Só, e tudo, isto.
Boa Noite

...pois!!
bem precisava...
mas com menos malas!!

... ontem estava frio, muito frio, e vai daí eu resolvi acender a lareira pela primeira vez este ano...
e lá fui eu, de mini-saia, botas de salto alto e lanterna na mão, à lenha... um mimo!!
Ora então, quando estou a pôr a lenha no cesto para levar para casa lembro-me duma amiga que refila como marido porque - vejam lá bem isto!! - ele traz a lenha suja para casa!!!! Por muito que eu lhe tente fazer ver que ter um mocinho que até traz a lenha para casa, e acende a lareira, é uma benção e um miminho bom... nada!!! É irredutível, aquilo só traz lixo e bicharocos para casa!!!... Inadmissível,deviam sacudir a lenha antes de entrar!!!...ehehehhe (é certo que ela reconhece que é um exagero, mas ainda assim refila...mulheres) ora vai daí, eu lembrei-me disto e comecei a rir-me sozinha, porque a lenha estava cheia de teias de aranha e afins... pega no telemóvel e mando a seguinte sms: "lembrei-me de ti, fui à lenha e está cheia de teias de aranha... achas que aspire???" ahahahhaha e por causa desta brincadeira toda, hoje a B manda-me este mocinho lenhador - com ar de quem racha lenha muito bem, e depois a transporta cheio de carinho para nos aquecer...- e diz-me que já resolveu o meu problema!! Espero que sim... que não se tenha enganado e dado a morada dela em vez da minha...
ehehehhehe
Bom Dia!!

18 novembro 2013


"(...) Por isso realmente não sei se consigo dar a volta, porque cada vez que o tento ou me aproximo levo com isto ou outra treta do género pelas trombas.

Beijo para ti entregue por aqui já que parece que pelo meio normal está cada vez mais difícil de acontecer e com muita pena minha acredita."
16/12/2012

...acredito sim senhor!! Realmente acredito mais nisso que noutras coisas que gostaria de acreditar... Foi esta frase, ou a ideia desta frase, que me veio à cabeça enquanto tentava que a água me lavasse dos pesadelos da manhã... quando finalmente consegui dormir, depois de acordar sem razão aparente, e sem razão alguma não conseguir dormir... antes não tivesse conseguido. Os pesadelos que se seguiram deixaram-me exausta, sem forças, descorçoada de todo... e depois, depois, no banho isto, lembrar-me desta frase, da grande pena de ser cada vez mais difícil entregar o beijo - tão desejado, tão querido, tão cheio de vontade- pelas vias normais... e depois ver a data disto, e o tempo que passou, e o tanto que falta para tudo isto passar, para me passar... e dou por mim a prender-me naquele penúltimo parágrafo... cada vez que tento dar a volta, levo com qualquer coisa pelas trombinhas abaixo... como ir à procura precisamente desta frase, esta frase que me assaltou a alma enquanto a água me escorria pela pele, e dar-me de caras, outra vez, com isto, com mais isto:  

"(...)mas preferia um beijo bem assente e agarrares-me com força, Preferia um olhar em que te conseguisse ver a alma, preferia um olá terno, preferia poder chegar ao pé de ti e aconchegar-te em mim e beijar-te os olhos e a testa com todo o mimo e ternura que tenho por ti, mostrar-ta e sentir que era isso que tu querias. O tempo que tenho à frente já é curto e acho que se não for agora já não será mais. Não quero perder os últimos anos da minha vida enquanto vida nesta amargura que tem sido os últimos anos, sempre a perder-te(...) Adoro-te, sempre te adorei , foste e és a mulher da minha vida e, não posso viver mais assim,(...). Do não saber de ti. Não sei o que fazer."

Há coisas que conseguem ser mais pesadelos que os já pesados pesadelos que me assolam as noites seguidas de insónia... há coisas que vão para lá de tudo o que pensei, do que pensei poder sentir, há coisas que me pergunto... e continuarei a perguntar, sem ter resposta. Sem sentir a resposta. E banhos que me sujam a alma sem aviso. Como hoje.

Bom Dia... 


17 novembro 2013

... e eu que não pesco nada disto...
Boa Noite


A boca diz o lume.
A língua, a chama.

Albano Martins

[...incendeie-se o silêncio de beijos.]

Boa Noite

14 novembro 2013



"O preço de qualquer coisa é a quantidade de vida que você troca por isso".

Henry David Thoreau

[quanta vida se está disposto a trocar pela paz? pelo Amor? pelo respeito, pela harmonia?
tudo se pesa, mesmo que não se dê conta.
 todas as decisões, por pequenas que sejam ou pareçam, têm um custo, 
e esse custo é sempre de vida. oportunidade de vida.
 em cada sim há um não que o contrabalança. 
em cada não há um sim de que prescindimos.]

13 novembro 2013



O Homem acredita mais com os olhos do que com os ouvidos. 
Por isso longo é o caminho através de regras e normas,

curto e eficaz através do exemplo. 


Séneca

[há homens peludos, mas a foto não é uma provocação... 
é só porque era uma ternura, e está a tapar os olhos... a antítese do escrito... 
ou então é um céptico, não quer acreditar em nada!!.... eheheh]


eheheheh...
pois, tudo bem explicadinho!!, não há cá "nims",
 ou dizer só penso muito em ti... ou penso sempre em ti.... 
há que especificar horários!!... e os sins têm de ser directos e os nãos inteirinhos!!!
Vamos lá a ver!!!!.... hum.
Bom Dia!!


"...Por isso fecho os olhos
E convido a noite para a minha cama
...E sob a forma desejada
A noite deita-se comigo
E é a tua ausência
Nua nos meus braços"

Alexandre O´Neill


Boa Noite

10 novembro 2013

Boa Noite


.... Verdade!!
Bom dia!
...às vezes é saudade nem se sabe de quê. 
É uma falta que se sente e não tem nome, mas que parece ter cheiro, calor e rosto, de tão familiar e íntima. 
Uma sensação de plenitude que falta, uma saudade que arrepia a alma de inquietação.
Que nunca sei apaziguar.

Boa Noite 

09 novembro 2013


... A melhor coisa para passar um dia destes... Em frente à lareira ou no sofá enrolados numa manta... Bem me apetecia... Um programa destes e um certo e determinado mocinho destes...
Bom dia!
Boa Noite

07 novembro 2013


(...)
Tu não me pertenceste - e, se uma vez acreditei que
acontecias dentro do meu corpo, das outras vi-te abraçar a
solidão com tanto ardor que concluí ser a memória quem
te mantinha vivo. O meu coração, contudo, sempre

te pertenceu - e a mão desesperada que o procura não
sente bater longe do teu peito. E mesmo os poemas todos
que escrevi não me pertenceram, porque essa vida
que pulsava no papel levaste-a tu contigo na hora
em que te foste - e a que tenho agora é mais
branca e vazia do que a morte, não é vida nem nada

que eu queira alguma vez que me pertença.

Maria do Rosário Pedreira


[não tenho nada do que queria que me pertencesse.
 a mim pertence-me a solidão e a vida que não tenho escolha viver, é a que acorda comigo todos os dias, cada dia que nasce quando os olhos se me abrem, e pareço andar com eles fechados o dia todo, a vida toda. Abri-os uns momentos, vivi, mas depois vieram as tuas mãos e fecharam-mos. 
O que vejo hoje são meros reflexos do que se passa à minha frente. Nada parece chegar cá dentro. Por dentro os olhos fecharam-se. Por dentro já nem pareço respirar. Por dentro, parece que são apenas palavras conjugadas - por dentro de mim é um sítio que já não existe. Morreu. Morreu em ti.]
[mais um descapotável, mais uma viagem que não viajo...]

Depois de dizer que não estou virada para esse lado, depois de dizer que abracinhos e beijos de "amigo" são coisas que não me encaixam na situação... Depois de me explicar - porra, 'tou farta de me explicar!!...em tudo e de tudo, ninguém entende uma linha do meu silêncio nem um parágrafo inteiro do meu discurso...- agora vem um convite para ir a qualquer lado, um fim de semana, Sevilha talvez, eu que escolha que tanto faz, o que interessa é a companhia... 
Sevilha, porra, Sevilha: o pronunciar desta palavra na minha cabeça reme-te para um mail de há muito tempo onde me descreviam um fim de semana para passar a dois. Pegar no carro e ir. Odeceixe, Odiaxere, Tavira, Sevilha.... as noites de Sevilha, coisa muito gira, diziam-me. Eu ia gostar, de certeza. Era a minha cara... 
E eu dou comigo a gargalhar sozinha de puro desespero!!!!... de tudo, por tudo. Desespero do mais puro, por tudo me ser tão duro por dentro: os dias, os últimos dias, todas as noites, algumas em particular particularmente excruciantes, os últimos meses, o último ano. Tudo e tanta coisa que não devia ser tudo, mas que me é tudo.
Depois, por momentos, no meio da minha extrema carência, dou por mim a agradecer - talvez até roçar o gostar -, que alguém me queira, o mostre e o diga, para passar uns dias, um fim de semana, um concerto que seja: qualquer coisa. Porque lhe apetece estar comigo, porque parece-lhe que valho a pena, que está disposto a fazer kms por mim, para um jantar e uns copos, conversa, companhia... Que tenho uma energia boa, que lhe faz bem, que se sente bem ao pé de mim... 
E eu... eu dou por mim realmente, e verdadeiramente, a agradecer, mas a não conseguir deixar de dispensar... 
Por que raio está tudo ao contrário? Quando é que eu volto a aprender a gostar de quem gosta de mim?? e ganho amor próprio? Tenho de vender a alma? Se ao menos tivesse como e a quem... Acho que já me tinha livrado dela... Porque ela já se desfez de mim há muito tempo, está numas mãos que não me pertencem, e que me desfizeram em coisa nenhuma.

Have a nice day...
Vim com a cabeça cheia de coisas, tanta coisa para dizer, tantas perguntas sem resposta, tanta vida por viver, tanta tristeza por purgar... mas não me apetece, estou farta de me explicar, e explicar como vejo as coisas, como elas não deveriam ser. Estou cansada de me magoar, de tentar desfiar a mágoa para a fazer desaparecer, e de tentar explicar o que me magoa e porquê, como se isso servisse de alguma coisa, como se isso importasse a alguém, como se isso fizesse com que evitassem magoar-me. Não, nada. Mas não obrigo ninguém a nada, por princípio, e depois até por hábito. Não acho que alguém fazer o que eu gostaria que fizesse porque eu obrigo, ou porque o faço sentir-se obrigado a isso, valha de alguma coisa, tenha em si alguma valor que me acalente, não me agrada, não me satisfaz: ou se faz o que se faz por vontade, ou então sou eu que fico sem vontade alguma de trazer alguém atrás obrigado... não, obrigado, não me serve. 
Deixo que decidam, que tomem as suas opções, que tenham as atitudes que em entendem em consciência dever ter, mas depois terão de perceber que se magoam os outros - ainda para mais conscientemente-, há que assumir as consequências e a mudança eventual das atitudes dos outros. É a vida, desejo-lhes a todos um óptimo dia e melhores noites, passadas e futuras... mas francamente, às vezes só me apetece mandar tudo e todos.... para bem longe...para não dizer outra coisa...

06 novembro 2013

Boa Noite

Quero pirar-me desta vida, correr para outra, parar, gostar e ficar.
E quero ir de descapotável. Mesmo se chover. Quero o sol e quero a chuva.
E quero rir com gargalhadas genuínas, e chorar quando me doer forte. 
Quero que o meu olhar dispute com o meu falar quem mais diz do que sinto.
 Quero ser eu, quero uma vida em que eu consiga ser eu, e possa ser eu.
 Quero a minha vida. Não quero a minha vida de volta, quero a vida que encontrei em mim, novinha em folha, mas quero vivê-la à vontade e com vontade, com um sorriso nos olhos e uma mão na minha,
 feita de olhares cúmplices, beijos, ternuras, brincadeiras, conversas, paixão e um caminho todo para percorrer lado a lado.
Apetece-me ligar o carro e arrancar uma vida nova.

Bom Dia

05 novembro 2013

Boa Noite

AHAHAHAHAHHAH
Ainda está quentinho!!!...

... Mas não para ti, que não me sais da cabeça, tu veste-te que ainda te constipas!!!!
ahahahhah muito, muito boa!!



...que meninos tão prestáveis!!!
Que cavalheiros!!!
ehehhehe
há coisas que não mudam...
(e ainda bem!!)

Bom Dia!!

04 novembro 2013

...ahhhhhhhh....
já se comia, já!!!
... e massa e tudo.... ui ui que bom!!

..eu devo ser mesmo estranha.
Há dias em que este vestido é a minha cara (sem o cinto, ou fita, ou lá o que é...)
...há outros em que não.
Em que não chega nem perto...
Como é que eu consigo ser tantas pessoas sem nunca deixar de ser ninguém?
nunca chegar a ser gente para algumas pessoas?


tu boca que es tuya y mía
tu boca no se equivoca
te quiero porque tu boca
sabe gritar rebeldía
si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos


Mario Benedetti
"Talvez também lhe houvesse entrado na cabeça pela primeira vez que a posse não significa nada quando não nos podemos entregar."

Henry Miller, in Sexus

01 novembro 2013


descalço-me de sombras para chegar a ti
as linhas do meu rosto são claríssimas
nelas não vês o velho, a criança, o adulto
vês apenas o traço comum
que é onde eu procuro a tua mão
na transparência da minha palavra inteira.

Vasco Gato


Boa Noite

- Está a falar a sério? – perguntou-lhe.
– Desde que nasci – disse Florentino Ariza – não disse uma única coisa que não fosse a sério.
O comandante olhou Fermina Daza e viu em suas pestanas os primeiros pingos de um orvalho de inverno. Depois olhou para Florentino Ariza, o seu domínio invencível, o seu amor impávido, e se assustou pela suspeita tardia de que é a vida, mais que a morte, que não tem limites.
– E até quando acredita o senhor que podemos continuar nesse ir e vir do caralho? – perguntou-lhe.
Florentino Ariza tinha a resposta preparada havia cinquenta e três anos, sete meses e onze dias com todas as suas noites.
– Toda a vida – disse.

Gabriel Garcia Márquez
in «O Amor Nos Tempos de Cólera»


[as últimas linhas do livro. li-o num ápice. 
não há amores assim; e se não for assim, não é amor. ambivalências. ]
...Às vezes sinto que o meu dia começa assim: 
com um café tomado sobre os escombros duma guerra, 
mas esta não mundial 
(como esta foto tirada nos escombros dos bombardeamentos em Inglaterra na IIGM),
apenas minha, interna, que só eu sei, vejo, e sinto.
Mas se os outros vissem, acho que seria isto que viam e sentiam.
Não é bonito 
(...até porque não me favorece o lenço na cabeça...)

Bom Dia

31 outubro 2013

Os beijos falam como se tivessem boca, como se tivessem língua.
Têm idioma próprio. E entendem-se no silêncio.
A falta deles também fala, e nem sempre no silêncio. 
Às vezes a falta deles fala aos gritos, num idioma que eles não falam.
Lembro-me de há muito tempo, nem sei quanto, surgir aqui um comentário que dizia:
 "sabe há quanto tempo não beijo?"
às vezes as pessoas esquecem os gritos quando estão em silêncio, 
esquecem-se como ferem, e como há idiomas que nos faltam, 
e como às vezes, mesmo sem querermos, falam por nós o que tentamos esconder.

Boa Noite

Boa Noite

30 outubro 2013

Não sei porque tanta gente pensa que aguento, que sou forte, que não preciso de ninguém, de nada, que nunca me sinto perdida. Não parecem ver que tantas vezes me falta o chão debaixo dos pés, só porque pareço pisá-lo com tanta convicção. Parece que os outros precisam mais, porque não sabem fazer isto aquilo ou aqueloutro, coisas que se aprendem, coisas mais simples (ou menos), que se têm de aprender a fazer quando não temos quem as faça por nós. Esses são os coitadinhos, têm de ser amparados e ajudados, tudo se desmorona se lhes falta quem lhes faça o que poderiam bem fazer. Eu posso com tudo, pensam. Não posso. Não sei nada tantas vezes, e nas outras tenho tanto medo... mas sei que a algum momento tenho de ir, tenho de dar de caras com esse medo, tenho de o derrubar, ou ele derrubar-me-á. E preciso, preciso tanto, de saber que tenho para onde voltar qualquer que seja o resultado: completamente derrotada e esgotada, ou nem tanto. Preciso de saber, que independentemente de tudo, tenho sempre quem me ampare a alma quando fiz o que tinha de fazer, mesmo que não tenha sido o mais bem feito, mesmo que o resultado não seja o melhor, ou que seja ainda melhor do que eu poderia temer. Preciso que me gostem para além das coisas, dos feitos e dos desfeitos, preciso que me tenham por dentro e que nada entre aí, nada profane esse colo. Que seja um lugar protegido do mundo, onde posso aninhar-me quando o mundo me cansa, me faz cair, ou até se me surpreende alegremente. 
Preciso que me tenham por dentro, sempre e de qualquer maneira. 
Preciso desse dentro para voltar ao que sou, mesmo que sinta que não sou nada, e principalmente, nada do que queria ser. E isso não se aprende a fazer sozinha ou simplesmente, não tem instruções, nem ninguém ensina. Os fortes são aqueles não precisam de se sentir por dentro de ninguém, por estarem tão por dentro e cheios de si mesmos, tão auto-suficientes de si, tanto, que não precisam de sair de si para aprender o que os outros têm de fazer por eles.

29 outubro 2013


(...)
A nudez corria-lhes pelas mãos
e chegava aonde tudo é branco e firme.
Aquele fogo de carne
era a carne do amor,
era o fogo do amor,
o fogo de arder amando-se e por toda a casa,
contra as paredes, no chão.
Se mais não pressentissem bastaria
aquela linguagem de falar tocando-se
como dormem as aves.
E os olhos gastos
por amor de olhar,
por olhar o amor.
E no chão
contra as paredes se amaram e
pela casa andavam como
se dentro das sementeiras respirassem.
Prisioneiros libertados, um
no outro eram livres
e para a vida e para o amor se beijaram
magoando-se mais, até ficarem magoados.
E uma presença rica,
agora nova e mais serena,
avidamente recebeu a música que atravessou de
um corpo a outro corpo
chegando às mãos
onde toda a nudez é branca e firme.
Com uma carne de fogo,
incarnando o amor,
incarnando o fogo,
contra o chão das paredes se amaram
pressentindo que
andando pela casa bastaria tocarem-se
para ficarem dormindo
como acordam as aves.


Joaquim Pessoa


[o Amor cabe em qualquer lado onde caiba a vontade, o desejo e um beijo.]
Boa Noite

... Que belas mãos!!...
...hummmm... 
...tenho um quarto livre lá em casa...
e é um bom e acolhedor lar... desde que não me chateiem muito...
mas o lixo fica à porta: caixotes, papelões e afins não entram...
ehehehehehhehe



Bom Dia!!
(Fora os óculos de sol, pareço eu quando acordo, 
a olhar-me ao espelho!!!... bahhhh)

27 outubro 2013


Sou um mero espectador da vida, que não tenta explicá-la. Não afirmo nem nego. Há muito que fujo de julgar os homens, e, a cada hora que passa, a vida me parece ou muito complicada e misteriosa ou muito simples e profunda. Não aprendo até morrer - desaprendo até morrer. Não sei nada, não sei nada, e saio deste mundo com a convicção de que não é a razão nem a verdade que nos guiam: só a paixão e a quimera nos levam a resoluções definitivas. 

(...)


Raul Brandão, in "Se Tivesse de Recomeçar a Vida"

Boa Noite
ehehhehe
A paixão é a vida a dar-nos tanga.
O Amor é a vida a deixar-nos de tanga...
e a acharmos que não precisamos de mais nada...

26 outubro 2013


O amor não tem partes. Não negoceia. É um risco. Vale tudo. O amor é obsessivo, tenaz, caprichoso. Arrasa casas, incendeia tudo por onde passa, não mostra qualquer compaixão. Nada perdoa. Não faz concessões. É demente de uma exigência total, monstruosa. O amor é monstruoso. Mostra quem somos frente a frente sem espelhos nem máscaras.

Pedro Paixão
in Fica um pouco mais, O mundo é tudo o que acontece


[o amor.... o amor é um estúpido!]
Ora isto (com um bocadinho e de jeito e boa vontade) até podia ser encarado assim, 
é que caótica é primo do que eu sou, 
e uma total confusão também anda lá muito perto....
Concluo portanto que há quem não goste de aventuras...
Bom Dia!!

25 outubro 2013

Isto é a minha cara...
e podia ser aqui o header do tasco... porque é para isso que ele serve,
para albergar o que só me sai assim, por escrito.

Não dormi nadinha de jeito... deitei-me cedo e enrolei-me toda a noite com pesadelos.
queroooooo dormiiiiiirrrrr!!!!
Tenho de arranjar uma casa portátil - tipo esta - só que não dá para pendurar nas árvores... 
deve ser bom ser pássaro... 
será que sonham? 
ou que têm pesadelos? 
ou que sofrem de frustrações todos os dias? 
que têm medo de desiludir os outros e encararem-se a si mesmos no que não são, no que não têm e lhes falta irremediavelmente? 
será que têm medo do futuro, e se lembram do passado a cantar? 
será que cantam de felicidade, ou é a sua maneira de respirar o mundo que não vivem?
será que me lembrei disto tudo porque tu adoras o cantar dos pássaros?
será que eu queria ser pássaro?
Bom Dia.

23 outubro 2013

Boa Noite


"Sabes, dei por mim a pensar na importância dos factos passados - não do passado como um todo, mas de cada facto, de cada episódio, de cada período.

A verdade é que à medida que vais vivendo vais acumulando experiências e sensações, e o universo do que sabes, do que sentes e do que sentiste torna-se a cada dia maior.

E com isso, o peso, a relevância de cada episódio das tuas memórias diminui, proporcionalmente, de tamanho. A memória de um dia tem mais peso, se vista no contexto de uma semana, que no contexto de uma vida.

Mas os dias não são iguais e as memórias não são iguais. Há dias que recordarás sempre, que serão sempre enormes, por maior que seja o contexto. Há pessoas que recordarás sempre, e lugares, e cheiros, e sabores. Lembrar-te-ás sempre de momentos da tua infância, da tua adolescência, das aventuras com os amigos e as amigas e de achar, como acha cada nova geração, que tinham inventado a pólvora, a liberdade, o amor.

Há beijos que recordarás sempre. E corpos. E pessoas inteiras, ou partes delas, e sorrisos. Há sorrisos cuja memória dura uma vida.

Mas quanto mais vives e quanto maior é o que tens por dentro, menos pesa cada parte. O que cresce dentro de ti, o que continua a crescer dentro de ti, é o presente, é quem és hoje, é com quem estás, é o que fazes, é o que és, não o que foste.

Apenas isto cresce todos os dias - o resto vai progressivamente minguando, pontilhado aqui e ali pelas memórias que não fogem. Mas as memórias tornam-se estrelas no céu da noite - sempre visíveis, mas incapazes de te alumiar os passos.

No entanto ninguém apaga a memória. Podes cobri-la de nuvens, mas ela permanece, à espera de outros dias. Não a queiras reprimir. E se abrires os olhos verás de quem não a precisas de esconder.

Afinal o teu céu será sempre o teu céu e terá sempre as tuas estrelas, como o meu céu será sempre o meu céu e as estrelas dele serão as minhas. 
E havemos de construir memórias juntos, e algumas delas serão estrelas no teu céu, e no meu céu, e teremos em conjunto uma constelação pequena, ou uma galáxia, ou um universo de trazer por casa.

Mas galáxia alguma apaga o que já há - pode tirar-lhe o brilho, mas nem por haver lua cheia o céu se apaga de estrelas. Tu sabe-lo, e eu sei-o. E nas estrelas há memórias, e às vezes há lá sorrisos.

E se te falar, a ti que és a minha lua e tantas das minhas estrelas, se te falar de estrelas minhas quando nadarmos à noite, sabe que o faço pelos sorrisos e não só. Faço-o para que saibas, pelo mapa das minhas estrelas, os lugares onde estive. Não é o lugar onde estou - esse é ao teu lado, e no mar em que nadamos navega-se ao tacto e à vista, porque na verdade interessa menos onde estamos e onde vamos do que o facto de irmos juntos."


A falta e a saudade que eu tinha de falar por palavras, que não minhas, mas que dizem o que gostaria de dizer. Assim.