Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

22 abril 2012

In killing mode...
Não me chateiem hoje, sim?
Não, não me apetece um cházinho, e não, nem aqui nem em Barcelona. Apetece-me que me deixem em paz! E que não pensem que todas as gajas se confundem com "garotas de programa" quando se lhes acena com um fim de semana em Lisboa, Barcelona ou Munique.. poupem-me!!
"Diz a data que eu trato do resto???"
hein??? Desculpe??? Sim, separei-me, não, não mudei assim tanto.
As pessoas ainda não perceberam que não é o destino que interessa, que o destino e as férias não me compram, e que não me dá prazer nenhum ir para onde quer que seja passear, conhecer, com uma pessoa que conheço mal e sem qualquer vontade de mudar isso, ou que conheço e não me interessa. Prefiria ficar em casa com quem quero do que um mês a viajar pela europa com quem não gosto, só para poder voltar e encher a boca que estive aqui ali e acolá? Aliás pensarem que seria capaz disso envergonha-me. Não me enche isso. E as pessoas não entendem, porquê?
[e agora vou ali passar os ossos por água para pegar num livro e ir tomar café e talvez arrasar um chocolate quente que se come à colher...hmmm]

21 abril 2012

Aqui onde estou sentada vejo a minha sala pelos olhos da janela, da luz que entra, e dou por mim, sem querer, a ver coisas que não estão cá, que estiveram e deixaram apenas a marca do seu vazio. O sofá, de horas intermináveis, de conversas sem fim, de mimo sem horas e de ânsias a toda hora. Vejo o chão onde se improvisaram camas de almofadas para ver o fogo arder enquanto nos consumíamos, ora a leves tragos, ora com a ganância de nos termos inteiros. Lembro-me de quando nos deitámos no chão e puseste música nas colunas do ipod, lembro-me que conversámos muito e que tu bebias às vezes uma cerveja, lembro-me dos amendoins que descascávamos para o outro comer, até nos rirmos porque parecia que tínhamos trocado de mãos, as minhas eram para ti, as tuas eram para mim, os meus amendoins eram teus, e os teus davas-mos na boca.
Estou aqui a ver isto tudo enquanto como o último chocolate que me deste. Apanhou calor, pu-lo no frigorífico, e tenho-o visto lá, sem lhe tocar, hoje apeteceu-me, e apeteceu-me que a cada trinca que dou, estas recordações fossem engolidas, desaparecessem de onde moram, em mim, nesta sala, não sei, desaparecessem, só. Mas aquilo que eram dois dedos de chocolate é agora um, colaram-se, não despegam, o que passaram de calor tornou-o num só chocolate que vou trincando enquanto aqui escrevo. Pus a tua herança no frigorifico, mas o calor que apanhou, que absorveu, já não lho pude tirar, já não saiu dele, da mesma maneira que quando o acabar, esta sala, este chão, esta lareira, vão continuar a contar-me histórias, ainda que eu não queira. Ainda que as queira pôr no frio, e engolir sem dar conta.
[enquanto isto, nos phones, a banda sonora também é do melhor...Tales of love - Wraygunn, que tem só das melhores letras que tenho ouvido para descrever esta coisa...like a punch, only a hundred times stronger... oiçam, vale a pena.] .

18 abril 2012

Preciso de sair daqui.
Preciso de sair de mim, e encontrar o meu caminho para fora de ti.
Porque vou encontrá-lo, eu sei que vou, estou cansada de ser segunda opção, ou simplesmente não ser opção, estou cansada de ter sido sempre desistida, a fácil de desligar e continuar os amanhãs sem mim.
Quero o meu caminho e alguém lá longe, não agora, mas mais à frente quando já for sozinha, que me queira, que me queira a mim, sem dúvidas, sem hipótese de alternativas, sem comparações. Quero ser a sua inevitabilidade, quero que lutem por mim, que me valorizem, que gostem de mim e que possa retribuir esse gostar. Quero poder amar como sei que consigo e sei amar, sem achar sempre que não há eco, que não tem reflexo esse espelho.
Tenho defeitos e muitos e maus, mas tenho também qualidades, coisas boas, não serei a pior nem a melhor, mas estou farta de me fazerem sentir a pior, a última das mulheres, de ser ignorada, desprezada até, desconsiderada sempre que consideração se exigiria. No minimo, já que amor seria pedir demais.
Estou de partida para outro lugar.
Outro lugar de mim, vou pela tua sombra, até que queira o meu sol, e não te queira mais lembrar.
Não te queira mais em mim. 

17 abril 2012

Com o tempo desaprende-se a viver, a saber e sentir o fundamental.
Baralha-se tudo, passa-se a modo de sobrevivência, para garantir mínimos que não são de sobrevivência mas de estupidez.
 Pensamos que estamos a aprender a viver, mas só desaprendemos.
Viver não se aprende, vive-se. 

30 março 2012

Gosto de papoilas.
Havia um canteiro de papoilas em casa do meu avô, e eu gostava de passar por ele, sempre que ia e vinha de casa dele, de brincar com ele e com as papoilas. Papoilas vermelhas, e sempre tão estranhas, não sei se bonitas, mas eu gostava delas, têm aquele aspecto selvagem, de quem não precisa de muitos cuidados, porque o seu maior cuidado é ter ganas de sobreviver, e sobrevivem. Sozinhas vão-se sustentando dia a dia, têm a sua força nessa vontade selvagem de ser, de nascer e aguentar-se de pé. Nem bonitas nem feias, mas com uma graça frágil, simples, natural e ao mesmo tempo que cheia de força quase sobrenatural.
Gosto de papoilas.

27 março 2012

Depois queixam-se...
:)
Replace "girl" for "man"...
Às vezes esqueço-me, e dou por mim a lavar a loiça com um sorriso colado à pele, aos gestos, ao tempo. Dou por mim a recordar coisas, a repetir coisas que já foram, que já foram presente e agora são só prenda do passado envenenado de felicidades. Acabo o dia a pensar na razão de tanta alegria, de tão boa disposição, e então percebo que as razões que me desencantam o sorriso encantado são apenas razões para estar triste, que nem a mim enganam, que já tantas vezes me enganei que até de olhos fechados me desengano. Mas tenho de fechar os olhos ao sonho e apagar o sorriso falso por verdadeiro de falta de razões para me pôr feliz. Às vezes ponho-me a pensar como me perco tanto no sítio donde não saio. Porque eu sei onde estou. Já vi, e sei, o filme todo, mas teimo em achar que enquanto não vir as letrinhas a passar, ainda não acabou, ainda tenho de fazer o meu papel, o meu papel de parva de sorriso palerma colado ao ser que faz o meu papel, até as letrinhas começarem a passar e eu ter de voltar ao sítio onde estava antes de ser parva, ou depois de já o ter sido. Eu sei bem onde estou, sou estupidamente lúcida para o papel em que teimo em fazer de conta que as letrinhas ainda não passaram.

26 março 2012

Às vezes fazes-me sentir assim... pequenina, com totós, a precisar de beijinhos quando esfola os joelhos, porque tropeça e cai quando corre para ti. Fazes-me querer colo e mimo, e coisas doces e sorrisos de criança, e a inocência de não se ser adulto, de ainda não termos crescido para os problemas, de a vida ainda não nos ter estragado, de ainda sermos puros de alma e de sorriso, e de gargalhada, e de joelhos esfolados de correr para ti, para o teu colo, que está tão longe, e os meus joelhos tão esfolados...

25 março 2012

Estive a tarde toda na varanda, o sol está óptimo e está-se bem, ou estaria, que nem ler consegui com a cabeça a atrapalhar-se nas palavras, e tu na cabeça. Desisti e deixei-me dormir, acordei há pouco, não posso continuar assim, sempre que estás mal ou alguma coisa te abana, ou parece abanar, resolves preencher o vazio, dizes coisas, dizes que morres de saudades, que queres ficar. Tu ficas melhor, no dia seguinte estás melhor, mais leve, mais bem disposto. Eu fico só mais só, mais cheia de ti, mais cheia de vontade do teu colo e de me perder no mimo. E a única coisa em que me perco é em mim mesma, na varanda, à luz do sol ao som de música. Não pode ser, qualquer coisa tem de mudar, talvez eu.

24 março 2012

Enquanto estava ao telefone à porta de minha casa a tentar não me lembrar de ti, esperava que passasses, sabia que passarias sem saber, e fui ficando. Vi-te passar à minha porta duas vezes, e fiquei-me a pensar que passas à minha porta como pela minha vida, tentando não ser visto e sem nunca entrar.
Vendo e nunca saindo.
E se fosse para escolher à lista, o que é que escolhiam?

23 março 2012

A paixão é a adolescência em qualquer idade, só não sei se em qualquer sexo.

22 março 2012

Quero ir para aqui... preciso de férias, de não fazer nada, de não pensar em nada senão no calorzinho na pele e que bikini vestir... Estou farta de escritório!!!... e desta vida que não anda, não muda de paisagem, não avança no argumento, arrasta-se e a mim com ela... quero ir-me embora, para longe de tudo...

21 março 2012

A cozinha num caos... tudo desarrumado... não nenhuma fada do lar, é uma tristeza...

18 março 2012


(...)
An abyss that laughs at creation,
A circus complete with all fools,
Foundations that lasted the ages,
Then ripped apart at their roots.
Beyond all this good is the terror,
The grip of a mercenary hand,
When savagery turns all good reason,
There's no turning back, no last stand.

Heart and soul, one will burn.
Heart and soul, one will burn.

Existence well what does it matter?
I exist on the best terms I can.
The past is now part of my future,
The present is well out of hand.
The present is well out of hand.
(...)

17 março 2012


O dia quase todo à volta de música, organizar o itunes, eliminar duplicados, descarregar coisas novas, ouvir coisas antigas e agora deparei-me com isto e por muito descrente que se esteja há coisas que nos resgatam do fundo da escuridão para uma réstia de esperança numa qualquer felicidade que esteja por vir e para vir, algures no futuro...