Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

10 maio 2012

Não vou desejar-te que sejas feliz longe, não vou desejar que sejas feliz com outra pessoa.
Não consigo ser tão hipócrita, não quero.
Não vou dizer-te que quero os teus lábios noutra boca, não vou dizer-te que quero a tua pele noutra pele, não vou dizer-te que quero o teu olhar noutros olhos. Não vou, porque não é verdade, porque também não o quero para mim. Quero-te a ti e acho que tu não existes, vejo-te e sinto-te onde não estás. Como sinto os beijos que me deste e que já não me dás. 

08 maio 2012


Devia ir dormir, já devia ter ido, hoje dói-me o corpo, nem sei bem porquê, parece que peso mais do que o peso que tenho, que para andar direita preciso de mais força, não sei, sei que já devia estar na cama, mas vou-me arrastando por aqui, hoje, ontem e tantas vezes, acho que para preencher o tempo, como se dormindo não o preenchesse melhor, mas a esta hora parece-me sempre que não, porque esta hora, como o final da tarde, é sempre pior, dói sempre mais um bocadinho, e se me perguntarem não sei porquê, mas sei que é assim. Ontem, depois de muito enrolar tempo em tempo fui ao mail, ao mail onde tenho guardada a história que não chegou a ser nossa, mas que sinto ainda tão minha, ainda me corre no sangue, e conforme ia desligar sem querer abri um dos mails, e era uma conversa nossa, daquelas intermináveis, que dava para tudo, para rir até doer a barriga, para namorar, para discutir fotografias, para disparatar, para falar de tudo e tantas vezes de nada, mas um nada que era nosso, que nós gostávamos, ou eu gostava, o resto não sei. E essa conversa que acabava perto das seis da manhã, depois de termos rido à gargalhada e percorrido à distância toda a pele que cobria o outro, conversámos como se o futuro fosse amanhã, fosse já ali ao virar da esquina, como  se houvesse futuro afinal, como se outra coisa não pudesse haver, e como seria, o que gostávamos de fazer, o que gostávamos que fossem os nossos pequenos bocadinhos, os jantares sozinhos sempre que desse ao fim de semana ou à semana, o passear a pé, o ir para qualquer lado, cada um munido do seu livro, e ler e namorar nos entretantos, e enroscarmo-nos, o não querermos sair muito à noite e preferirmos ficar em casa à noite enrolados em nós e num filme, ou só com uma garrafa de vinho a meias, a lareira e nós, ou a lua no verão a entrar-nos pela janela aberta. Os jantares na varanda, ou as refeições na cama de que se púdessemos não sairíamos, e na ronha nos deixássemos ficar até fartar, ou até nos fartar a fome. Não sei, sei que dou por mim a ler estas coisas e a não perceber o que não percebi, onde me perdi porque me encontrei, onde fiquei que na curva perdeste-me o futuro, e não chegámos a amanhã, e eu fiquei-me em ontem. Em ontem não, que não me queres saber há tempo, já sei, mas parece-me ontem, há bocado, ou ainda agora. Não há futuro, mas parece que também não há tempo, não o sinto passar e aqui estou eu a enrolar-me nele para ele se ir enovelando e amontoando, mas nunca mais chega amanhã, o meu amanhã.
Até amanhã.

06 maio 2012

Morreste-me.
Eu sabia que tu ias ajudar.
[não, não é que o meu amor tenha acabado, porque o amor sobrevive-te ainda. Não é que vá deixar de escrever o que escrevia até agora, não sei se será diferente, se será igual, o que me for sair pelos dedos, mas tu é que já não existes, tu enquanto minha pessoa. Ficou-me o sentimento por uma pessoa que eu pensava que eras, que te estava dentro e que querias ser, ainda que não meu, diferente do que sempre te deixaste ser, e que não faria certas coisas, não outra vez, que não me desiludiria uma vez mais com as suas estúpidas incoerências e desconsiderações.
O amor preenche-me ainda.
Tu não.
Tu não existes.
Ainda bem, facilita.]

05 maio 2012

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill

[li isto e fez-me lembrar o que me acontece ainda, de vir-me o teu nome à boca, de eu não o deixar sair, não deixo que o som te deixe levar, prendo-o por dentro, cerro os lábios, ficas-me dentro da boca, onde guardo os nossos  beijos, na esperança de um dia conseguir engolir tudo e o teu nome deixar de me vir parar à boca sem o chamar, à cabeça, ao corpo, à pele, sempre vindo de dentro, nunca o consigo parar. Não consigo travar as palavras, as imagens, os sons, os cheiros antes de os ver ouvir, sentir, estão-me dentro e assaltam-me. Não é justo, é cruel. Tenho de calar-te primeiro em mim. Pareço impermeável, ninguém entra e ninguém sai.  E devia ser ao contrário devia deixar-te sair, expulsar-te, e convidar alguém a entrar, ou gozar só o teu espaço vazio sem saudade, sem frio]

04 maio 2012



Lido no Fogo Posto, Mia Couto pela mão desta menina , menina esta que qualquer dia tem de ter quota aqui no estaminé, tais são os roubos descarados aos seus escritos... mas tem uma maneira muito particular de me pôr a pensar...e quando há um lugar em nós que é amarmos alguém? 

03 maio 2012


Esta coisa de saber que nem de me saber queres, sabe-me mal.
Sabe-me muito mal, mas nem disso queres saber.

02 maio 2012

Sem desculpas.
Não há que esperar a melhor altura, ou melhores condições, ou o que for,
quando se quer faz-se, com o que se tem, faz-se o que se pode daquilo que se quer.
Humm...pois...
Quer dizer que por lá vou encontrar muita gente...

Beijo os teus seios
e a tarde comove-se como se tocassem sinos.
Levanto a tua cabeça entre os meus dedos
e abro contra o dia os teus cabelos,
e logo as aves do silêncio levantam voo
e dançam loucas em volta dos teus olhos,
e a tua boca aperta-se,
morde
a minha boca
enquanto as minhas mãos vão procurando
nenhum deus à flor da tua pele
por esse caminho branco onde agonizam éguas
vestidas de primavera.
Joaquim Pessoa

01 maio 2012

Estava para acabar o blog ontem, porque nasceu numa altura em que a vida se me baralhou no coração, ou talvez o coração me tenha baralhado a vida, e quando me falta o chão preciso de escrever, de traçar um caminho de letras que me sirva de mapa para fora de mim. Passado pouco tempo percebi que estavas definitivamente em mim, e passou a servir para falar-me de ti, ou contigo sem ti, depois passou a ser uma comunicação à distância com o pano de fundo do silêncio, que tantas vezes me ensurdeceu, e depois, depois não sei, foi uma espécie de diálogo sob um véu com que me cobria.
Agora não sei.
Sei que falo sozinha ainda e sempre, contigo e sem ti.
Como quando me disseste que eu passava noites a escrever sem ti contigo, ou contigo sem ti.
Aqui, só eu e a Lua,
a romper-me pela janela
a corromper-me a pele de luar
a interromper-me o ar fechado

Esta tua Lua
Rompe-me as memórias,
corrompe-me a alma,
interrompe-me a tua ausência.

Aqui onde estou sentada,
Só ela e  eu,
de alma rota
por ti corrompida
na respiração interrompida
de quando aqui,

só eu, tu e a Lua.

Boa noite
[agora posso dizer tudo o que tu não vês]

30 abril 2012


O mapa do meu coração tem sítios a que não quero voltar. Ontem transportou-me a um desses sítios, tirei o pin que o marcava, arranquei uma parte dum sonho, enterrei vontades a que quero perder o rasto. Não quero peregrinações a lugares onde não posso estar, onde não caibo, onde não posso viver, nem de visita. Há muito que o dia de ontem estava marcado como uma porta, em que se passa ou se fecha. Nnguém bateu a essa porta, ninguém entrou. Nem de visita.

28 abril 2012

Por longe que estejas: posso ainda te ver,
Por longe que estejas: tu permanecerás
Qual presença que não pode empalidecer,
Qual paisagem, a mim sempre contornarás.
Se tuas margens eu jamais tivesse tocado,


Mesmo assim saberia tua imensidão:
Ondas de meus sonhos me teriam levado
À beira de tua infindável solidão 


Rainier Maria Rilke
Estou farta.
Mesmo.
Cansada. Não vejo futuro. Acho que estou nesta fase da vida há demasiado tempo em que não consigo ver o futuro à minha frente, porque não tem luz, está tudo numa escuridão fechada. Não sei o que ela encerra, e não tenho qualquer vontade de saber. 
Os hoje são desprovidos de amanhãs. 
Viver assim, não é bem viver, é morrer a cada amanhã que nos parece faltar, a vontade que nos parece faltar hoje para tudo e não queremos repetir amanhã, não queremos que ele chegue a chegar...
E quando pensamos que só nós somos atingidas por este marasmo, esta tristeza estranha, dá-nos vontade de virar a mesa, de usar um sorriso postiço, um homem postiço, uma vida postiça e uma raiva muito genuína disfarçada em tanto postiço. 
Até a vingança genuína será postiça. 
Mas sentir-se-á na pele.
Frase da noite:
"O Amor é cego mas a amizade não."
(portanto oiçam os amigos quando estão estupidificados de Amor).
Outra frase que ouvi e não repliquei porque não me apetecia sair do meu mundo foi:
"se o meu sonho fosse casar e ter filhos nunca poderia estar com este homem, teria de estar com outro"
Eu percebo a ideia, mas não concordo. Porque a razão para se estar com alguém não é medido em alíneas de satisfação, de objectivos definidos, como uma check list com resultado percentual. Gosta-se ou não se gosta, e gostar é que é a razão para escolher quem se tem ao lado. Claro que os objectivos de vida pesam, e muito, claro que os projectos comuns ajudam, ou podem complicar muito, caso não sejam coincidentes, mas ou se gosta ou não se gosta, o resto é contexto. Temos de trabalhá-lo. Porque não há sonho maior para a vida do que o Amor ( com "a" maíusculo), os outros ao pé dele são mais terrenos, menos mágicos e podem ser trabalhados, acordados, resolvidos, o que não há é amar mais ou menos, amar assim assim. Ou se ama, ou não se ama.
(e são estas coisas em que me ponho a pensar quando oiço algumas frases e fico calada como se mergulhasse para dentro de mim, eu não percebo porque sou assim, eu acho que estou certa, mas estaria de certeza muito melhor se pensasse doutra maneira, se tivesse uma check list meia aprovada, ou assim. E não soubesse que isso não é nada, que listas é para o supermercado e pouco mais. Agora vou ali só descabelar-me um bocadinho mais...)

27 abril 2012

(...)
-O campeonato é internacional?
- Não sei, é europeu ou mundial.
-Então deve ser internacional, não??

(quase tão boa como uma que me disseram uma vez: "amanhã vai estar sol durante o dia", ao que respondi, "pelo menos durante o dia... porque à noite é que era!!!")
Está quase!!!
E não fosse a minha malfadada conta bancária a chatear-me, e a pôr-me dilemas como ou ir jantar, ou ir para a noite, ou pintar o cabelo (porque estou farta de mim e apetece-me mudar), e eu poderia experimentar este ar descansado e prazenteiro...
Acho que vou prescindir do jantar... e vou levar mesmo a minha cabeleira para a noite, para quem não a conhecer é como nova!!
I don't (I didn´t), but I could... And then WHAT???