Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

25 fevereiro 2013

Sim...isto podia resultar...
saber assim que gostam de nós, sem dúvidas, sem espinhas, sem nada,
acalmava-me de certeza...
quer dizer, em parte, 
outra parte ficava, assim... com cócegas, digamos...ehehheh

24 fevereiro 2013

"E as suas conversas não saíam dali. Nem sequer já falavam da terra. Quando lhes surgia uma recordação, compreendiam-se com uma palavra e riam-se para dentro toda a tarde. Bastava-lhes isto. Quando Rosália punha Zeferino na rua, ambos se tinham divertido muito."

in Uma pagina de Amor, Emile Zola

23 fevereiro 2013

"Aquele casamento ainda a maravilhava. Carlos adorava-a, ajoelhava no chão, à noite quando ela se deitava, para lhe beijar os pés nus. Ela sorria, cheia de amizade, censurando-o por ser tão criança. Então recomeçara uma vida sem sobressaltos. Durante doze anos, não se recordava de um abalo. Vivia muito calma e muito feliz, sem uma febre na carne nem no coração (...) 
E ela viu bruscamente o quarto do hotel do Var, o marido morto, o vestido de viúva estendido nas costas de uma cadeira. Chorara como na noite de Inverno em que a mãe morrera. Em seguida, os dias tinham voltado a correr. Havia dois meses que ela se sentia muito feliz e muito calma com a sua filha. Meu Deus! E aquilo era tudo? E que dizia então aquele livro, quando falava daqueles grandes amores que iluminavam toda uma existência?" - realmente toda a gente parece achar que a felicidade é assim uma coisa morna, uma vida sem sobressaltos, uma ausência de febres; e deve ser, de certeza que é, para quem não conseguir adivinhar o resto, porque se o adivinhar, nem que seja através dum livro, toda essa felicidade se torna num marasmo pesado, uma sede constante, uma irritação sem motivo, uma fome sem tréguas.

"Joana, contudo, às vezes teimava.
-Ah! Tu agora vais-me dizer! - perguntou ela - Aquelas vidraças muito brancas?...É uma coisa muito grande, deves saber.
E designava o Palácio da Justiça. Helena hesitava:
- É uma estação de caminhos de ferro... Não, parece-me que é um teatro...
Teve um sorriso, beijou os cabelos de Joana, repetindo a sua resposta habitual:
- Não sei, minha filha.
Então continuaram a olhar para Paris, sem pensarem mais em conhecê-lo. Era uma coisa muito suave, tê-lo ali e ignorá-lo. Continuava a ser o infinito e o desconhecido. Era como se tivessem parado no limiar de um mundo do qual presenciassem o espectáculo eterno, recusando descer a ele." - deve ser suave ter a vida ao alcance da mão, da pele, dum olhar, e ignorá-lo, preferir não o conhecer, dá-lo por infinito e inconsequente; olhar o espectáculo de fora e não querer fazer parte... mas então nunca compreenderão o espectáculo, toda a sua dimensão, nunca o sentirão por dentro. O medo, ou a covardia (que é a concretização imobilizante do medo) é uma defesa, procura preservar-nos, mas preserva-nos até, ou principalmente, da vida, daquela que se sente.

"Então, lágrimas de enternecimento subiram aos olhos de Rosália, e para testemunhar a alegria de o tornar a ver, o que achou de melhor foi fazer troça dele." - conheço alguém assim, quando não sabe o que dizer, e lhe apetecem dizer outras coisas que não pode, e tem de disfarçar a alegria da surpresa, desata a disparatar, a gozar a vítima que a vitimou e destabilizou...

"E calaram-se. Entreolharam-se com os olhos a luzir, os lábios apertados e mexendo lentamente numa careta de ternura. Devia ser a sua maneira de se beijarem, porque eles nem sequer se tinham estendido a mão."

in Uma Página de Amor, Émile Zola

(os comentários parvos são meus mesmo)
Parece-me que há coisas para eu ouvir,
e podes dizer, eu sou toda (ou quase) ouvidos, aliás orelhas.
Estou quase tão orelhuda como as coisas cabeludas que tenho de ouvir...
Bom Dia

22 fevereiro 2013


(...)
A nudez corria-lhes pelas mãos
e chegava aonde tudo é branco e firme.
Aquele fogo de carne
era a carne do amor,
era o fogo do amor,
o fogo de arder amando-se e por toda a casa,
contra as paredes, no chão.
Se mais não pressentissem bastaria
aquela linguagem de falar tocando-se
como dormem as aves.
E os olhos gastos
por amor de olhar,
por olhar o amor.
E no chão
contra as paredes se amaram e
pela casa andavam como
se dentro das sementeiras respirassem.
Prisioneiros libertados, um
no outro eram livres
e para a vida e para o amor se beijaram
magoando-se mais, até ficarem magoados.
E uma presença rica,
agora nova e mais serena,
avidamente recebeu a música que atravessou de
um corpo a outro corpo
chegando às mãos
onde toda a nudez é branca e firme.
Com uma carne de fogo,
incarnando o amor,
incarnando o fogo,
contra o chão das paredes se amaram
pressentindo que
andando pela casa bastaria tocarem-se
para ficarem dormindo
como acordam as aves. 

Joaquim Pessoa 


[queria a minha nudez a correr devagar nas tuas mãos, a minha pele a falar ao ouvido da tua, os nossos fogos a consumirem-se num doce calor até arder a urgência ávida do desejo, e voarmos livres presos um no outro.]
Lição: mesmo de trombas se oferecem flores...

yeahh...
that's the difference...
big difference!!


Se as coisas fossem perfeitas...
Não existiria lições de vida
Não haveria arrependimentos
E nem descobertas...
Se tudo fosse perfeito
Mãos não se uniriam
E sonhos não seriam valorizados.
Se tudo fosse perfeito
Olhares não se completariam
E gestos passariam despercebidos.
Se tudo fosse perfeito
As lágrimas não existiriam
As palavras seriam perfeitas...
Se tudo fosse perfeito
Eu atravessaria o oceano
Sem medo de ser levada pelas ondas
Sem receios de me perder em suas profundezas.
Se tudo fosse perfeito
Dores não existiriam
E a cura não seria procurada...
Se tudo fosse perfeito
Não haveria a busca pela perfeição...
Nada é por acaso. Pois nem o destino... é Perfeito.


Mario Quintana

[ se tudo fosse perfeito eu não teria conhecido a felicidade. se tudo fosse perfeito o desejo de amar, e amar com desejo, não existiria. se tudo fosse perfeito, o imperfeito-quase-perfeito não sabia, na perfeição, a felicidade, e nós não nos enganaríamos tão perfeitamente. se tudo fosse perfeito eu não conheceria tão bem o sabor amargo que a despedida, depois de um beijo perfeitamente feliz, deixa na boca ávida.
 se tudo fosse perfeito eu não existiria. e todos andamos atrás da perfeição. ]

21 fevereiro 2013

Boa Noite
(gosto destas mãos...)

....WTF!!!
...então e quem é que nos abre as portas???

Sol....Yeahhhhh
(claro que no fim de semana vai estar um frio de rachar, um barbeiro de cortar à faca, mas pronto, pela janela do escritório, agora, o sol dá um ar da sua graça, e da minha desgraça.....
 bahhhhh estar aqui fechada...)

Bom Dia!!!...

20 fevereiro 2013

Boa Noite

AHAHAHAHHA...
Que é que pensaram logo????
(ahhhhh sorte, sorte é preciso sempre e em tudo.... até para ter uma boa.... vida, vida, claro!!)


tenho os olhos feitos à medida da tua cara
e só tenho olhos para ti
quando não estás sou invisível e quase invisual
a visão não me serve de nada
vejo mas sem cor e é pior que a preto e branco
é desfocado
é esbatido
e sem chama
e sem cheiro
contigo cheira bem
sabe bem.

João Negreiros


[olhos feitos defeito. 
vêem sem cor, 
esbatido, morno, distante, 
não sabe a nada, não adivinham cheiros, 
olhos feitos defeito, 
feitos de falta de vontade,
feitos de falta de ti.
olhos desfeitos, feitos de ti.]

Ainda que mal pergunte,
ainda que mal respondas;
ainda que mal te entenda,
ainda que mal repitas;
ainda que mal insista,
ainda que mal desculpes;
ainda que mal me exprima,
ainda que mal me julgues;
ainda que mal me mostre,
ainda que mal me vejas;
ainda que mal te encare,
ainda que mal te furtes;
ainda que mal te siga,
ainda que mal te voltes;
ainda que mal te ame,
ainda que mal o saibas;
ainda que mal te agarre,
ainda que mal te mates;
ainda assim te pergunto
e me queimando em teu seio,
me salvo e me dano: amor.

Carlos Drummond de Andrade


[ainda... mas por quanto tempo mais me salvo e me dano? por quanto tempo ainda?]


Amanheci em cólera. 
Não, não, o mundo não me agrada. A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece.

Clarice Lispector

[é isto, é muito isto do que tenho dentro, o mundo não me agrada.]
Pois.....ahahahha
(se ao menos os meus sonhos fossem assim, eu até percebia a raiva de ter de acordar, mas nem isso...bahhhhh)

19 fevereiro 2013



"Possua um coração que nunca endurece, um temperamento que nunca pressiona,
 e um toque que nunca magoa".
Charles Dickens

[..será possível???]

Leio o amor no livro
da tua pele; demoro-me em cada
sílaba, no sulco macio
das vogais, num breve obstáculo
de consoantes, em que os meus dedos
penetram, até chegarem
ao fundo dos sentidos. Desfolho
as páginas que o teu desejo me abre,
ouvindo o murmúrio de um roçar
de palavras que se
juntam, como corpos, no abraço
de cada frase. E chego ao fim
para voltar ao princípio, decorando
o que já sei, e é sempre novo
quando o leio na tua pele.

Nuno Júdice


[Chego ao fim, para voltar ao princípio. Ao princípio de mim, quando nós fomos princípio. Agora somos sempre princípio e fim, ou princípio ou fim, como eu, que chego ao fim e vejo-me de volta ao início, que nada começa nem acaba.]