Eva me chamaste
Fizeste das minhas costas o teu piano
Dos teus desenhos as minhas curvas
Da minha boca a tua maçã
Dos meus olhos o teu mar
Do meu mundo os teus braços
(...)
Fizeste das minhas costas o teu piano
Dos teus desenhos as minhas curvas
Da minha boca a tua maçã
Dos meus olhos o teu mar
Do meu mundo os teus braços
(...)
16 março 2013
15 março 2013
...como se fosse possível vir fechada, confinada numa lata, pesada em gramas... e tão poucas!!...
(mas vai daí e como se pesa a paixão? como se pesa o amor, ou a raiva, ou a amizade, ou a inveja??? pois... não se sabe, nem sequer, em termos relativos, o que pesa mais e menos...)
Há coisas que não têm dose, e não se confinam por natureza, e se lhe alteram a natureza, deixam simplesmente de ser o que são, o nome que têm pelo que são.
A paixão é como a loucura, cada um tem a sua dose própria, e o excesso é só uma opinião: cada um tem a sua medida, mesmo que desmedida... afinal como se mede a loucura? como se consegue doseá-la, cortá-la em porções simpáticas, e usufruir sem perigos em boas doses individuais diárias???
Isso não é loucura, não pode ser paixão: são psicofármacos e vêm em latas ou em embalagens de cartão. Não é loucura, a loucura é boa, e a paixão também, porque tudo o que há de verdadeiro é para viver à nossa medida - e se formos loucos e apaixonados??? e então? e se formos? qual o problema?
Não somos compreendidos, olham-nos de lado e chamam-nos doidos... e então?
novidades?
K'é lá saber!!!!!!
...e sorrir para fora quando o coração chora, porque é suposto sermos fortes...
e estarmos sempre em cima do salto!!
(não concordo com essa do ter de pensar como um homem (e por várias razões, até)...
é que eu tenho mais de dois neurónios, e não me parece boa política estar sempre a dar férias aos milhões restantes... ainda se desabituam, e torno-me demasiado masculina...ahahahahah)
Bom Dia!!
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Bom Dia,
Tonta...
14 março 2013
"Os silêncios tristes fecham janelas dentro das mulheres. Até que se perdem dentro da sua escuridão como numa câmara escura em que se revelam. Perdemos uma mulher quando ela sai de dentro de si por uma porta diferente da que entrou."
João Morgado
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Maçãs alheias
Não digas nada, dá-me só a mão. Palavra de honra que não é preciso dizer nada, a mão chega. Parece-te estranho que a mão chegue, não é, mas chega.
(...)
Gostava tanto que ma apertasses três vezes, depois eu apertava três vezes, depois tu apertavas quatro vezes, depois eu apertava-te quatro vezes e ficávamos que tempos assim, num morse de namorados. Fantasias. Desejos. Se calhar sou uma pessoa carente. Se calhar nem sequer sou carente, sou só parvo.
António Lobo Antunes, in "Migalhas".
[depois de ler isto concluo que sou carente, além de parva. Acumulo, e gosto.
(adoro este homem...mesmo que ainda não tenha conseguido acabar nenhum livro dele - devem ter uma chave que eu ainda não tenho no meu chaveiro... um dia...quando for maior)]
(adoro este homem...mesmo que ainda não tenha conseguido acabar nenhum livro dele - devem ter uma chave que eu ainda não tenho no meu chaveiro... um dia...quando for maior)]
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Maçãs alheias
Sssssooooollll!!!!
Hoje está sol, pah!!!
E finalmente não me esqueci dos óculos sol...
não têm tanto estilo como estes... mas vai daí,
eu também não, por isso tudo bem!!
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Tonta...
Todas as cartas que não me escreveste, guardei-as. Atei-lhes um cordel e perfumei-as com o que me lembra de ti, todas as razões de ti que me fazem sorrir no vazio. Juntei todas as cartas vazias que não escreveste com resmas de cartas que te escrevi e não guardei, nem tu as recebeste. Embrulhei as palavras que guardei para ti sem tas entregar, e as que guardei para me escreveres, para me dizeres, para me entregares - guardo-as, ainda, em papel pardo, daquele antigo, onde se escreviam lindas e ridículas cartas de amor, que nunca cheguei a receber, mas que guardo, como a uma recordação que não vivi.
Bom Dia!!
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Bom Dia
13 março 2013
...só estou indecisa...
...não sei se assado, se cozido, se frito...
ou às postas fininhas não cozinhadas...
...há decisões dificeis na vida!!...
Bolas!!
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Tonta...
12 março 2013
A casa doía-lhe no corpo, nos cotovelos, nos joelhos, nas juntas que não juntavam, que separavam. Mexia-se e lá vinha a casa doer-lhe nas entranhas das peças que não ligavam. Às vezes dançava como quem respira, em harmonia com a vida, outras lembrava-se da vida, desabava-lhe a respiração, e tudo se desarticulava, parecia um boneco articulado desengonçado nas mãos desarticuladas dos dias que não perdoavam. A vida nunca lhe perdoava, e ela muitas vezes desistia de ouvir música, era um desperdício de ouvidos, mexer-se um chamamento arriscado, porque a casa estava em cada esquina de que fugia, mas em que sempre esbarrava, e o corpo queixava-se - doíam-lhe os cotovelos, os joelhos, às vezes até os olhos em protesto do que viam, os ouvidos que não queriam os barulhos da casa por visita; e a música cada vez mais bonita e mais rara, e a harmonia no dançar um êxtase secreto perfeito de duração duvidosa. Às vezes a casa acordava-a a meio da noite e dizia que tinha de ir pôr o cão lá fora, tinha de educar o cão, ensiná-lo a tratar bem da casa, e do jardim, que a casa era tudo o que importava... e ela às vezes interrogava-se se ela também não deveria importar, mas interrompia-se ao ouvir um eco vindo de longe que dizia "amei-te sempre muito" e outro que a cercava tantas vezes a gritar implorando a gostosa da boca que queria, e a boca dela sêca, a acordar a amargura da vida que nunca perdoa, e o passado que não fica no passado porque é um fio que trazemos na algibeira e de que nunca largamos a ponta, parece estar tudo ligado... menos as juntas que não ligam, a casa que lhe dói por dentro. Pensa, remexe-se e ouve a porta a fechar-se por fora, é a casa que é tudo e que lhe dói por dentro e fica-se a olhar para o fio que traz na algibeira da sua nudez, não sabe para onde vai, mas sabe sempre donde vem. Um dia corta o fio, e a casa, e deixa de esbarrar nas esquinas, e bate a porta por dentro e deixa cair a maçã, que sempre traz na nudez que vestes antes de partir, e tu não queres.
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Ficções
Conta-me outra vez, é tão bonita
que não me canso nunca de a ouvir.
Repete-me de novo, os dois da história
foram felizes até à morte,
ela não foi infiel, ele nem
se lembrou de a enganar. E não te esqueças,
apesar do tempo e dos problemas,
continuavam a beijar-se cada noite.
Conta-me mil vezes, por favor:
é a história mais linda que conheço.
Amalia Bautista
[conta-me mil vezes para eu não esquecer.
conta-me mil vezes para não me lembrar de todas as outras histórias
conta-me mil vezes para eu esquecer
que há coisas diferentes daquelas que quero ouvir-te repetir mil vezes,
e outras mil, e mais mil depois dessas.
e depois de tudo conta-me outra vez,
para não me esquecer de esquecer tudo o resto.]
11 março 2013
É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada
(...)
Pablo Neruda
[era bom, era, mas não. O que eu visto, como me arranjo, não é como seria apreciado, mas sou eu, sou assim, e continuarei a ser eu, só sei ser eu, ainda que não te sirva, que não seja à tua medida... mas deve ser bom sentir que nos querem assim, que gostam assim, como somos e nos vêem, nos arranjamos e vestimos, mesmo que seja a coisa mais normal do mundo, sem estilo particular ou diferente, ou uma qualquer espécie de afirmação muda que grita aos olhos dos outros. Eu sou calada de boca e de aparência, só me ouve quem atenta nos detalhes sussurrados, quem vai à procura, quem aprecia o que eu aprecio, no fundo. Não me imponho nem ao olhar dos outros. Não gosto que reparem em mim, muito menos de forma gritante, por isso escondo-me na normalidade de que não prescindo, que me veste, que sou. Não sou, nem quero ser, nem parecer, diferente.]
...é tão bom, ADORO!!
Bom Dia
(o dia está feio, eu não estou melhor, mas vamos pelo menos fazer de conta que está tudo bem, e que o sol brilha nas nossas vidas, e no nosso olhar, e no nosso sorriso inexistente... vamos fingir, há tanta gente a fazê-lo... por que não? pode ser que nos consigamos enganar a nós mesmos...)
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Bom Dia
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