Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

14 agosto 2013


"A memória mais forte que tenho dela é o toque dos seus dedos. Foi com ela que aprendi que a compatibilidade entre duas pessoas pode ser o toque, muito mais do que a voz, a semântica ou o cheiro. Ou melhor, os toques todos. Aqueles que acontecem quando se dá a mão na fila do supermercado e se discute o preço dos chocolates, mas também os outros, que nascem e morrem no segredo duma cama.
Por causa desses toques, caminhámos em silêncio durante uma parte importante da nossa vida, unidos pelos dedos. Uma vez parámos num pequeno café em Espanha, a caminho de lugar nenhum. Lembro-me das ruas desertas, do calor intenso e do estranho sabor agridoce na boca, logo pela manhã. Era ali que eu tinha prometido levá-la, para a devolver a casa depois daquele tempo que decidimos ser o nosso. Deu-me um abraço, estendeu-me a palma da mão esquerda no ar e colou a dela à minha. Ao afastá-la, brincámos com as pontas dos nossos dedos, como se todos os toques estivessem ali guardados.
Acho que ainda estão. Eu, pelo menos, ainda os sinto."


[há toques que falam mais que conversas inteiras que ninguém escuta. 
há toques, que mais que tocarem, falam com a alma e com alma. 
Difícil, depois, é calá-los em nós, mesmo muito depois de já não os sentirmos na pele...
Há toques destes, em que um toque acidental, não é um acidente, é um desastre. Fulminante.]

Boa Noite

«Estar nu, nada tem a ver com a pele. A verdadeira nudez é deixar que alguém nos morda os pensamentos; nos veja além da carne e nos leia como um livro. Os homens são fortes por fora, fazem-se fortes por fora, aparentam ser fortes por fora, mas resguardam a sua fragilidade interior, incapazes que são de assumirem o que sentem. Os homens têm medo das mulheres que os lêem, porque assim elas sabem mais deles que eles próprios. E como pode um homem fazer-se forte, quando uma mulher o despiu por dentro?»

João Morgado


[... era por isto que me dizias que tinhas medo de mim?? seria?... nãaaa]


13 agosto 2013

Tenho preso na garganta um choro como um vómito de algo que não comi.
Não vomito e não engulo.
Não choro mas as lágrimas caem.
Sobrevivo mas pareço não respirar.

12 agosto 2013

...cruzei-me com esta delícia, e não resisti...
Boa Noite


"Não andamos à procura do amor da nossa vida.
À procura, não. À espera que aconteça, sim."

José Saramago

[... e quando achamos que já aconteceu, quando o sentimos sem o sentirem, esperamos o quê depois? ]

11 agosto 2013

...boa receita para afastar as nuvens de dentro 
...e passar um dia enevoado 
...ou cheio de sol
... ou encher de calor qualquer altura.
...ou de dizer Olá!!, quando a vida se nos atravessa e nos faz esquecer de desejar
Bom Dia!!



Estou perdido; 
estou perdido.
Se nunca disseste “estou perdido”: então não é amor.

"In Sexus Veritas", de Pedro Chagas Freitas


[já sei que estou perdida há tanto tempo que já desisti de quaisquer bússolas ... não avisto perspectivas de rumo longe de desnorte... 
ainda que não me mexa por presa que estou a tudo o que tenho de ti agarrado aos ossos, na luz do sol, no barulho do vento, no sal do mar que se cola à pele e aos lábios salgados que lambo. 
não me mexo por estar presa a ti, ainda que te livres de mim, ainda que não me prendas, ainda que nem me toques,  fico-me presa nesta perdição de que não me solto, ainda que já te tenhas de mim soltado.]

Boa Noite

10 agosto 2013

Insónias, insónias... Os olhos fecham mas não dormem. Levanto-me, rendo-me ao fumo dum cigarro e uma varanda. Eu e as varandas, eu e o céu, eu e as insónias, eu e os cigarros fumados e por fumar. Não sei como: apareces-me. Estou sentada num parapeito de janela, longe daqui, há muito tempo, que não contei nem sei, mas passou, mas estás aqui. Eu fumo outro cigarro que não este, e a luz dos candeeiros da rua iluminam-te os ombros, as costas. Passo a minha mao pelo alcance das tuas costas sabendo que ha momentos que nao passam, que ficam em nós, e despertam quando querem e, normalmente, quando não queremos. E até agora, aqui - eu aqui, tu em lado nenhum comigo, dentro ou fora - ver-te assim me cega e incendeia. Eu, que abro os olhos para ver onde não estás: eu, que quero abrir os olhos para tudo em que não estás. Aqui, que tudo me esfria, vens tu lembrar-me de fogos que não queres reacender. E eu a querer deixar-me levar para outros fogos, para outras cegueiras feitas bálsamo, e nada encontro em mim solto de ti para deixar que tentem levar. Como a carne mais chegada ao osso, que não se solta, que não larga, que quer ser osso de tão agarrada, colada, pegada, e sempre, sempre, a que sabe melhor. Eu em ti nada: nem carne nem osso: todo tu te deixas levar.

09 agosto 2013


Deixa que os meus olhos se fechem 
E confiem um minuto nos teus...
Olha por mim, protege o meu sonho 
Vigia o meu descanso e afasta-me de todas as mágoas 
Com os teus beijos apaga as lágrimas que correm pelo
meu rosto
Envolve-me nos teus braços e, cuida de mim
Preciso do teu apoio, do teu abraço, do teu sentido
Deixa-me descansar e,
Adormecer no teu peito
Deixa que os meus olhos durmam
nos teus...
Deixa-me sonhar
Deixa que sonhe com a tua boca
Com as tuas mãos, com os teu beijos,
Com teu corpo na minha pele
Com o teu calor a queimar-me por dentro
Com tudo o que quero de ti
Deixa que os meus olhos despertem
com o sol a romper nos teus olhos...

Albano Martins


[deixa...]
Boa Noite

07 agosto 2013


Chamaram-me teimosa várias vezes, porque persisto, porque insisto e não desisto. Normalmente, quando me chamam teimosa, têm por resposta, que nunca ninguém teima sozinho, se há teima, há - pelo menos - dois teimosos. Mas disseram-mo várias vezes sem eu me lembrar sequer de tal resposta costumeira, porque, de facto, gostar não é teimar: gostar pode ser apenas de um: o que não desiste (por muito que custe, por muito que - tantas vezes - doa. Muito.). O que sabe o que quer e quanto o quer. O que sabe o que anda a fazer, e porquê.
Não é teimar, é sim: te amar: uma ligeira grande diferença, em tanta coisa.
Para teimar é realmente preciso dois, para gostar não, para te amar não, para ser realmente um grande Amor já é. Senão é um projecto que não se realiza, não se realizará. Apenas não sai duma cabeça, que diziam que teimava...

Gosto!!
Bem dito!!
As explicações vêm depois, primeiro as coisas realmente importantes! 
Eheheh
Bom dia.

06 agosto 2013

É incrível como a tristeza me leva as palavras,
 mas não a vontade da boca conversar em silêncio nem de gritar a alma com os olhos.
Boa noite. 

02 agosto 2013


Ainda antes de ser noite. 
E não, nunca, ninguém me ouve. 
Para quê? 
A dor é minha... 
é só, e apenas, minha porque tudo o resto é só meu também. 
Menos as lágrimas - essas que ninguém ouve - são agora da terra calada. 
Como eu.

Queria apaixonar-me por alguém que se apaixonasse por mim... E viver isso como quem come cerejas doces: até ao caroço. E como as conversas são como as cerejas também fosse uma paixão assim. Em que uma coisa puxa a outra, e nunca acaba.
(pode é dar depois uma grande dor de barriga - é o costume...mas ando a precisar de sentir que sou querida, que precisam de mim, que me querem, que gostam e se importam. Estou mesmo.)
Bom dia!
(desculpem lá a formatação mas não trouxe computador, tem sido tudo pelo telefone...)
E aqui estou eu, sozinha, debaixo deste imenso manto negro que alguém parece ter furado, picado infinitamente com diferentes agulhas. Por trás deste manto, denso de tão negro, escapa uma luz que ofusca de tão brilhante e que passa por buracos de agulha. Alguém coseu o céu todo e depois o descoseu, mas hoje não deixou buraco algum. Ninguém precisou de roubar daqui um retalho para aquecer a sua noite em qualquer lado. 
Boa noite. 

30 julho 2013

 
Apetecia-me fazer festinhas assim...ficava tempos sem tempo só a dedilhar a pele de quem se quer perto. Mas hoje só estrelas por companhia, muitas e tão brilhantes.
Boa noite.

29 julho 2013

Quero fugir e acordar aqui... ou em qualquer lado com esta paz, este sossego.
Quero descanso, mas já percebi que para se ficar descansado temos de nos sentir bem, temos de estar bem, não basta não fazer nada para descansar.
Precisava duns dias, mesmo que poucos, cheios de quem eu quero, sem tempo, sem horários, sem obrigações: assim eu descansava, ficava como nova!!
Bom Dia!!

Boa Noite

28 julho 2013


Imagino que sim... Eu escrevo muita coisa, ainda que não precisamente cartas... Mas não recebo nem cartas nem coisa nenhuma. Não tenho apaixonados... Bahhhhh
Bom dia.