Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

04 maio 2015

Sussurra-me quem és 
todas as noites,
Apaixonar-me-ei, de novo, 
todos os dias.

Boa Noite

03 maio 2015



E hoje disseram-me "só me rio quando vens cá", e eu ouvi isto e pensei que sirvo para pouco, mas que esse pouco, às vezes, pode ser muito. E a mim tantas vezes me basta, me bastou, saber ou sentir isto, porque sim, das coisas que gosto é de fazer rir quem gosto de ver rir, de pôr bem disposto quem gosto. Põe-me bem disposta, cheira-me um pouco a felicidade, mesmo que só levemente. E as vezes estou chateada, outras até magoada, mas se sinto que não estão bem, só penso em virar-lhes a disposição, dizer disparates e ouvi-los rir. Há vezes em que não ouço nem vejo, mas desconfio (primeira versão é de longe muito melhor...)

02 maio 2015

Estava no banho e pensava que o segredo talvez seja estar-se bem sozinho no meio de quem for. Estar-se bem connosco, sozinho ou com verdadeira companhia, ou com companhia que é só soma de corpos. Estarmos bem connosco não importa onde estivermos. E eu estou bem comigo, estou cada vez mais em paz com quem sou, mas ainda tenho saudades de mim, como se houvesse uma parte da minha alma que tenha partido e ainda não encontrou regresso. Talvez tenha atravessado uma ponte que se teve de queimar. Talvez fique para sempre órfã dessa parte de mim, era precisa essa ponte para me regressar ao que era. Talvez regresse por outros lados  talvez deixe de ter saudades de mim como agora, mas nunca mais serei a mesma. Mesmo que me seja inteira de novo, será por outras pontes que não serão queimadas. Das grandes questões da vida é saber que pontes atravessar e que pontes queimar. 

You... May!!
Podes e deves, seu danadinho... 
eheheh

Bom Dia!

01 maio 2015


... Deve estar farta de andar, irra!! Vejam lá se acaba a maratona... E a chuva!! 
Já me apetece sol e primavera e no corpo o andar leve do tempo claro...
Bom dia!

30 abril 2015

(foto @nolenchristopher)

e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia

Al Berto

[o anoitecer cai-nos devagar na existência com o sentimento pesado da nossa rápida inexistência. A melancolia veste-nos pacientemente cada poro, um manto que não aconchega quando a noite chega e se instala no nosso abandono.]
... Que bela fruta!! Sim senhor!!
Duma fruta destas ao pequeno almoço é que eu precisava... Dizem que faz bem, a fruta logo pela manhã, e eu agora ando muito zelosa do meu bem estar... Tenho de providenciar um pequeno almoço assim... Tudo em nome da vida saudável, claro!!

Bom Dia!!

29 abril 2015


"Erótica é a alma que se diverte, que se perdoa, 
que ri de si mesma 
e faz as pazes com sua história.
 Que usa a espontaneidade para ser sensual, 
que se despe de preconceitos, intolerâncias, desafectos. 
Erótica é a alma que aceita a passagem do tempo com leveza, 
erótica é a alma que não esconde seus defeitos, que não se 
culpa pela passagem do tempo. 
Erótica é a alma que aceita suas dores, atravessa 
seu deserto e ama sem pudores."

Fabiola Simões (a partir da frase de Adélia Prado "Erótica é a alma")

Ámen. 
Erotismo é espontaneidade, é rir com vontade, é chorar quando dói, é sermos nós, com o peso dos dias e a leveza dos sonhos. O genuíno é erótico, é cativante, é sensual. O melhor afrodisíaco é a intimidade duma conversa onde cabe o riso e a falta de siso, o doce do mimo com o sal do desejo, o silêncio que comunica, que não é vazio mas pleno. Porque há pessoas a quem por tudo que se diga, tudo fica, ainda e sempre, por dizer, como se as palavras se tornassem redundantes numa conversa que continua no silêncio, no riso, no mimo, no corpo com alma.
Erótica é a alma, o corpo ecoa. 

Boa Noite

... Já só falta a princesa... 
Brincos já temos...


... Verdade.
Tenho de retornar as minhas resoluções de novo ano (e que maldito ano, senhores...)
E acrescentar outras tantas medidas... Não posso sair de casa sem pequeno almoço de jeito e mantimentos para meio da manhã e tarde; não posso estar muito tempo sem comer porque não me apetece  ter de ir mesmo ao médico (nem os posso ver à frente, aliás...); tenho de ir definitivamente fazer exercitar o esqueleto, e à falta de melhor tem de ser num ginásio ou afins; vou outra vez voltar a arranjar-me um bocadinho de manhã, eyeliner e rimel e o olhar torna-se mais apresentável e a disposição também, temos de ajudar o pouco que temos... Voltei a usar brincos, ao fim de algum tempo, depois de várias tentativas frustradas de os pôr para os voltar a tirar porque não me assentavam no espírito (é engraçado é  a segunda vez na vida que o faço, desta vez mais tempo e não so brincos como tudo o que enfeitasse, mas suponho que é um pormenor  só meu que ninguém repara, e eu gosto disso de ninguém ter reparado e ser só meu, é talvez a minha forma de sentir as coisas que tantas vezes passa ao lado de quase todos, os que notam, poucos, são os que valem a pena), voltei a pô-los, faltam os anéis agora, falta voltar ao normal, ainda me falto, no fundo, mas quero-me inteira e muito eu, ainda que tenha de sangrar como as orelhas ao fim de tanto tempo sem brincos. Sangra-se de muitas maneiras, de algumas também se purga, só não podemos desistir de nós. Ou eu não quero. E agora vou passear que o sol já me espera... Ainda que a cara ainda não tenha melhorado... Um dia melhora. De dentro para fora, como tudo em mim.

Bom Dia

Sim, estamos sempre a tempo de viver e de fazer pela vida que queremos viver. Temos de estar. Ou já estaremos mortos, ainda que a respirar. A única regra é essa: tentar transformar o tempo em vida. Sempre. 

Boa Noite

28 abril 2015



... Do mesmo sítio muitas vezes vemos coisas diferentes. Onde transbordavam cores quentes hoje aqui, neste mesmo sítio, vejo um azul frio. Amanhã, quem sabe, o dia voltará a ser pincelado com a audácia das cores quentes, que mergulham a pele em vontades e quereres apaixonantes. Amanhã é sempre um dia diferente. Até hoje, passado uns minutos de aqui chegar, já é diferente. Ou eu acho. Ou eu quero.


... Exacto. Não é relação por relação, só para dizer que afinal ainda se está junto e isso ser sempre um sinal de caso de sucesso. Não, caso de sucesso é estar junto mas bem, não para não estar sozinho, ou não ter de admitir o falhanço, para não ter o sabor amargo de algo ter corrido mal e sentirmos o tempo passado como gasto em vez de vivido. Custa, eu sei, mas a mim custava-me mais manter uma relação com que já não me relacionava, onde já não se olhava nos olhos, não pegava na mao, não se gastava a boca a beijos e risos. Quero sim romance de longa duração, e isso assegura o resto. O inverso já não...
Bom Dia

Sim, como dizia alguém (penso que Saramago) "não tenhamos pressa, mas não percamos tempo"...
Há que renascer das cinzas a cada golpe de morte, a cada fim, a cada dia. Regressarmos sempre, e cada vez melhor, a nós mesmos, ao que resta de nós, a cada fim, no fim de tudo. O que resiste é o que temos de mais forte e mais nosso. O que nos resta sempre, e mais apurada, é a nossa essência. É bom que seja um perfume doce mas forte, que nos lembre a vida que queremos e não o que perdemos na vida.
(o grande problema da minha essência - ou um dos - é que o que tem a mais em resiliência no manter-se fiel a si própria e à sua teimosia, falta-lhe em contorcionismo. E é uma pena...)

Boa Noite

27 abril 2015

(foto de © Alfred Eisenstaedt roubado no voluptama)
...sair ainda com luz, ter esperança de ainda ter de pôr os óculos de sol a caminho. Ir deixar o carro a casa e depois ir beber um copo antes de um jantar que nos avisaram ser para conversar "daquelas conversas" que gostam de ter comigo... a vida podia ser pior caraças!!... podia, e sei que pode (demasiado bem, aliás). Também sei que pode ser tão, mas tão melhor, mas nos entretantos há que aproveitar o melhor que podemos, o que conseguimos ir tendo. Tentar esquecer o que se não tem e pronto: não é o que fazem todos? Talvez eu também consiga. 
Este fim de semana alguém me dizia que ao mesmo tempo que me achava uma idealista, uma sonhadora romântica, das que têm de pôr os pés mais no chão, por outro lado admirava essa minha faceta de não me contentar com menos do que aquilo que sabia que queria... Mas eu acho que ainda não (me) perceberam, eu não consigo explicar que "depois de se saborear um fillet mignon não é qualquer bifana que nos satisfaz" - ainda que possa matar a fome, é certo, acrescento eu - esta frase não é minha, foi ouvida duma prima que sabe do que fala. Eu ouvi-a e soube exactamente do que estava a falar... e não, não era de "comer" ninguém (embora essa parte também corresponda quando o resto é bom, ou eu acho que é assim, e recuso-me a conceber estar numa relação em que ao final da noite só se "esvaziam os tomates"), era da relação que existindo não nos mata só a fome, mas faz -nos apreciar e agradecer cada refeição como uma bênção, um luxo, uma sorte dos diabos, na verdade... Por isso, não, nem tudo me chega ou enche as medidas, e não tenho medo de ficar sozinha, ou melhor tenho, mas tenho um pavor muito maior de ficar com alguém ao lado que não me arranca a solidão dos ossos e do olhar, e não me faz a pele saber a mel. Não,. não me chega, quero uma coisa que me preencha, que me contente, que me faça querer acordar, que me faça querer começar o dia com um "Bom Dia" e um beijo, um abraço malandro de pernas antes de sair da cama, pelo menos de vez em quando, e uma risada sempre que dê ou for preciso... Não, para menos que isso estou bem sozinha; sozinha e a ouvir pessoas amigas dizer que se sentem bem comigo - não sei, não percebo porquê, mas agora oiço isto muitas vezes, de pessoas diferentes - que as pessoas se sentem bem comigo - sei-as ouvir, se calhar é isso, gosto de ouvir as pessoas, conhecê-las, ajudá-las no que posso, coisa que faço normalmente tentando escolher as perguntas certas para que pensem nas respostas. Talvez por isso gostem de conversar comigo e queiram uma conversa daquelas ao jantar em que se fala de tudo e de nada e se está bem... e sim, está-se bem. 
... Não está mas devia!!!... Se devia!!
Quando será que ganho o Euromilhões?? (Se calhar ajudava jogar de vez em quando...) ou então tenho de arranjar  daqueles amigos maravilha que têm uns milhões para dispensar e dar aos amigos e apartamentos e coiso... Não tenho amigos desses pahhh, o que é uma pena e está mal, muito mal mesmo!!... até estou um bocado desiludida, vocês não sabem seguir os bons exemplos de amizade forte e pura e conveniente, humm?... podia estar agora tão bem na caminha a ouvir a chuva cair sem ter de andar à chuva... Bahhhh 

Bom dia!
Lembro-me de ser miúda e ouvir alguém dizer que dantes, à noite, não havia luz como agora, mas havia a luz da consciência, que se acendia ao final de cada dia. Não percebi aquela coisa e perguntei... "A luz da consciência??", lembro-me de me responderem que a luz da consciência seria uma reflexão sobre o dia, sobre o que se havia feito de bem, e que se tinha feito de mal... (deve ter sido conversa a seguir a uma qualquer asneira minha, pois claro...) e na verdade não entendi na altura e continuo sem perceber muito bem, e pela mesma razão: quando se faz algo de mal sabe-se logo, não é preciso chegar o final do dia para aguardar julgamento da consciência... Talvez por isso os meus finais de dia, de despedida de um dia antes de abrir os olhos para um novo dia, se dedique antes a pensar ou naquilo que me soube bem até hoje - e por isso ir ao caixote de memórias remexer e remoer - ou, em querendo fugir do que se quer fechado e em caixotes arrumado, nos planos para o dia seguinte, a semana seguinte, a vida que teremos de ver cumprida. E é isso que hoje, aqui sentada, na companhia do último cigarro, me dedico a pensar - no caminho que se quer feito, nas tarefas que se querem arrumadas e despachadas. Mais uma semana à porta e tantas coisas por terminar, entretenho-me neste planeamento para fugir ao que não se consegue organizar, para fugir do vazio do futuro que já está terminado, num passado a encerrar todos os dias, a cada dia, enquanto se planeiam as tarefas de amanhã, na tentativa de que mãos ocupadas não se lembrem da falta dos gestos que lhe pesam por fazer.

Boa noite.

26 abril 2015

Se precisas do recado para te lembrares, esquece... O mais importante nem é dizê-lo (mas também é importante, nada de confusões), o mais importante é fazê-lo sentir no que se faz e no que se diz, sem precisar de recados, e nunca, mas mesmo nunca, por condescendência. Só por vontade. Como dizer que se ama.

Domingos quase perfeitos: 
quando a luz entra sem pressa pela janela
e o dia entra devagar no corpo.

Bom Dia.
Como é que é possível matar sede de infinito bebendo a água dum oásis, no meio da travessia árida do deserto, que afinal era uma miragem? 
Ninguém acredita, a quem eu conto, a quem tudo explico, ninguém entende... Repetem-me que era uma miragem, porque afinal, não era água, não era vida em estado líquido, não era sequer vida, era só mais um pedaço seco de areia no deserto... Não vês que estás seca e nada restou? Nada sequer chegaste a ter... É  claro e evidente que eu é que me enganei, e simplesmente não quero ver. Não era água... Então como é que eu sinto que a bebi, e como me matou essa sede de infinito que ninguém percebe? 
Porque não entendem?... se o infinito é meu, só eu sei como o sacio, talvez para mim a miragem tenha sido o verdadeiro oásis, porque me matou a sede, porque me mostrou o infinito. Não me interessa se era ilusão, a realidade é que por momentos bebi o infinito. E isso é realidade, a minha realidade - eu senti. Se era areia disfarçada de água fresca, miragem ou ilusão, não me interessa. Conheci o meu infinito, e conheci-me, já sei do que tinha sede. E agora, agora, não é qualquer finito, real ou mera miragem, que me sacia. E isso, isso, é que infelizmente não é miragem, é um real e longo deserto de travessia. Mas é possível, depois de se beber uma água que não existe para matar uma sede que nos agoniza, percebemos que é possível. Imaginem se não fosse miragem... eu imagino.

Boa Noite