Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

13 março 2012

E hoje, dia 13, foi o dia em que desistiram de mim.
É estranho ser-se desistido, valer tão pouco, que é tão pouco dificil de se desistir. De dizer não, não quero, não vou. Não vales o esforço.
É talvez melhor sabê-lo. Porem-nos os pés no chão com a violência dum esticão que estatela toda uma ilusão numa parede em que nos reconhecemos desfeitos, desmembrados, irreconhecíveis. Onde nos roubam os amanhãs, onde nos oferecem a crueldade de não termos sido nada, quando ainda agora éramos feitos de sonhos de esperança.
Que todos os ontem que passaram não foram nada, não restou nada, a não ser um enorme vazio sem amanhãs. Que o passado é passado que passou, foi tempo que me cilindrou e me deixou desfeita, desmembrada, irreconhecível, até para mim. Onde é que me vou buscar agora? Se ontem não foi nada e os amanhãs me foram roubados, só resta tempo sem vida que tem de se viver ainda.
O pior é saber que tem de se sobreviver, quando não se percebe para quê.

12 março 2012

"-Desculpa, foi sem querer..."
[se foi sem querer não desculpo,
dar um beijo sem se querer não é coisa que se perdoe a ninguém,
desculpa lá...]

06 março 2012

"Mas se te fiz bem, não foi por querer; calhou ter sido assim. Ainda que não me desagrade a ideia de que alguém me recorde como a um felino pousado nos joelhos, quieto, distraído de tudo, concentrado apenas nos arrepios que certos afagos transmitem à coluna vertebral. Mas devias saber que esse não sou eu; que a sinceridade dos meus sentimentos é uma coisa passageira; que o tempo havia de me levar para longe de ti; que acabaria por te causar dano se continuasses a recordar-me assim (...)"
(...)
Mas não posso já aninhar-me no teu colo e a verdade é que mesmo tu, tenho a certeza, não me recordas já assim. Só se fosses parva e preferisses enganar-te, perseverando em não querer entender quem eu sou. O melhor para ti é que duvides até da sinceridade do meu amor, que tenhas a certeza de que era falso; que não saibas já se eu alguma vez deitei a cabeça nos teus joelhos ou se apenas sonhaste se assim foi. É preferível que não te iludas, que não esperes que tudo venha a ser como então, como se nada houvesse sucedido e eu não fosse o canalha que não quiseste ver em mim. Será melhor assim."
(...)
"Tenho saudades tuas e olho a Lua para saber como estás e penso se ainda te recordarás de mim do mesmo modo; se ainda serei a cabeça pousada nos teus joelhos, quieta, calma, pela qual não te parecia possível passar qualquer maldade. Eu avisei-te: sou um louco. Alguém em quem não se pode confiar, do qual de deve esperar tudo, o pior possível. Tinha-to dito tanta vez, antes disso, com os olhos; disse-o, tenho a certeza, e só não me ouviste porque não e quiseste escutar. talvez precisasses que as minhas palavras confirmassem aquilo que os meus olhos diziam. Foi isso? E nesse caso de quem foi a culpa por termos feito tanto caminho?"
(...)
"Eu amo-te, tu amas-me; logo: separámo-nos. Tu vais e eu fico. Sofres tu e sofro eu também, porque tem mesmo de ser assim e não pode ser doutra maneira. E, se calhar, tinhas razão - o amor é para os parvos. Para os que não sabem apaixonar-se e não têm tempo a perder com sofrimento. Para os que estão sempre se passagem e precisam de um lugar onde encontrem, de vez em quando, um par de cuecas limpas, peúgas lavadas e três camisas engomadas. Um sítio do qual possam dizer: esta é a minha casa, esta é a minha mulher, esta é a minha escova de dentes e estes os meus filhos, a herança que deixo ao mundo (...) "
(...)
"-A minha anatomia enlouqueceu; sou toda coração.
Pois é como me sinto, mais ou menos assim, com a anatomia enlouquecida, sem saber já quais são os meus dentes ou qual a minha boca; como se cada pedaço meu não fosse mais do que saudade de ti: o desejo de te voltar a ver, de te cobrir outra vez de beijos - olhos, boca, rosto, o corpo todo de beijos -, de te abraçar e sentir o teu cheiro, de tomar nas mãos o ramo crespo dos teus cabelos e inalar a fragrância do teu pescoço. Possuo agora, em mim apenas apenas, nos limites da minha topografia, toda a exaltação dos nossos corpos e sinto que não chego para tanto porque a soma de nós dois excedeu sempre a soma física dos nossos corpos. É como se rebentasse por dentro e tivesse de esticar a alma (...)
(...)
"Lembras-te?
O meu cabelo já não é uma escova mole. Não te direi sequer, como então, que a sinceridade dos meus sentimentos é uma coisa passageira. Apenas que ainda me agrada a ideia de ser recordado assim. Que ainda sou, se me quiseres, o teu
- Piú grande amore del mondo.
Lembras-te?
O meu cabelo já não é uma escova mole. Mas eu sou um velho parvo, amor."

in O Amor é para os parvos, Manuel Jorge Marmelo


Leiam. Vale a pena. 
E pensem. Pensem afinal quem é parvo. Se será achar que o amor é pouca coisa e que tudo desagua na indiferença, no passageiro, ou depois passar a vida inteira a recordar o que se teve e se deixou escapar, porque afinal, não era passageiro, afinal os olhos falavam mais e melhor. Afinal não devíamos ter convencido o outro do contrário. O que uns vêem  e pressentem em instantes, outros levam a vida inteira de sofrimento para concluir. O pior é que não sofrem sozinhos.
Leiam, (e) não sejam parvos...

05 março 2012

Vim o caminho a ouvir Jorge Palma. Gosto das músicas pelo que elas dizem, e as letras daquelas músicas são poemas que me tocam, quase todos. Mas não há nada que me afaste da cabeça as ideias que não quero lá. E as comparações, as malditas comparações, que nascem não sei de onde, até de músicas que nada têm a ver com comparações, mas dou-me comigo a comparar muitas coisa que não devia, e que doem, porque não me sou meiga, porque não me poupo. Nem os outros.
Chego aqui à porta com a ideia que não vale a pena pensar mais, e que já não tenho lugar para sentir, desde que me desalojaste de mim, de ti; desde que já não me sentes e que tenho de te anestesiar em mim, que criar uma dormência com o teu nome. Tenho de passar por ti sem te ver, sem te sentir cá dentro a remexer o que em ti não existe. Não vale a pena comparar-me, perco de todas as vezes, resposta que me serves sempre fria e sem dores tuas, as pontas dos teus dedos têm outros nomes e escolhem outra pele, mas então porquê? O que andámos a fazer tanto tempo? Quem andámos a enganar tanto tempo? Afinal, eu fui o quê em ti? Tempo que passou? Dias que se consumiram num fogop mais vivo para melhor se viver a própria vida? E eu? E a minha vida que é a que vivia contigo?
e a música do Palma a latejar-me na cabeça, a vibrar no coração quase parado:
"Tira a mão do queixo não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas pra dar"
Será? Acho que desisto, que desisti.
Depois de ti não acredito em mais nada.
Não acredito em nada do que se sente.
Nem em palavras que os olhos dizem com a mesma clareza que as palavras que nunca proferiste.
Porque no silêncio cabe tudo o que nós quisermos, e o tamanho do erro não cabe em nós depois de descoberto.

04 março 2012

"Isto foi o que vi em ti. E tu? O que viste tu em mim? Que magia fez com que nos amássemos? Que poderosa vibração nos atirou para a temerária fronteira onde descansam os deportados da terra onde se não pode amar demais, onde se não crê na possibilidade de amar excessiva, insanamente. Lembras-te? Lembras-te de te ter dito que não há outro modo de gostar que não seja este, desabrido, e que não acredito que ao resto se possa chamar amor? Que só ama quem gosta à maneira antiga, fora de moda; os que escrevem cartas, os que cultivam olheiras, os que sofrem loucamente e são capazes de morrer de amor. Tu sorrias."

(...)

"E o teu braço puxou-me para ti e o beijo que estendias não era já só um beijo, mas um corpo uno - os nossos dois corpos enovelados."

in O Amor é para os parvos, Manuel Jorge Marmelo

03 março 2012

"Dois corpos não carecem de mais do que da fugidia linguagem dos sussurros, dos beijos que eriçam a pele, dos arquejos que preparam a doce deflagração de um amplexo. O idioma topográfico da epiderme transpirada é o único que importa - o único que é preciso dominar quando não se trafica mais do que o amor."

in O amor é para os parvos, Manuel Jorge Marmelo

Este livro é definitivamente para mim, se eu escrevesse bem dizia as coisas assim. Vou para a caminha aninhar-me no livro, e deixar-me ser parva.

29 fevereiro 2012

- Quantas vezes é que queres repetir isto??
-Quantas tu quiseres e puderes, e eu aguentar...

[era mesmo de passar noites em claro, directas de muita conversa, brincadeira e mimo, que se estava a falar...]

25 fevereiro 2012

Estou na sala, os livros à minha frente, e a luz que me entra pelas janelas pinta o ambiente duma cor linda, que me leva sempre até às saudades de ti. Das paredes alaranjadas de final de tarde, da melancolia do dia que se começa a despedir. Sempre as despedidas. As despedidas que não sei despedir, as vontades que não consigo apagar em mim, calar de ti. Apetecia-me que esta pausa que faço fosse para me ir enroscar em ti uns minutos partilhando luz e calor, um lanche a meias, e regresso aos afazeres depois. Esta é a única maneira que tenho de o fazer, pelos ecrãs das máquinas, e não me chega, que eu não sou máquina e não funciona em zeros e uns. Falta-me colo, mimo, pele. Tu perto. O teu pescoço para me pendurar. Mas por muito que queira fico sempre pendurada na solidão de ti.
[E não, está visto que a telepatia não funciona. Nada.]

24 fevereiro 2012

Ahhhhhh...era tão bom ficar na ronha. Quentinha. Aconchegada.
O mundo é muito injusto, só vos digo.
Fechei o livro agora mesmo, depois dele se fechar para mim numa passagem que me levou aquela noite, em que pela única vez estive contigo e não senti nada. Naquele momento em que o corpo foi vencido pelo espírito e não me deixou acabar a frase que eu não queria dizer, não me deixou fazer o que não queria fazer, venceu-me, deixando-me vencer afinal. Uma onda estranhamente fria percorreu-me a cara e foi morrer à força que me faltou, que me apagou o corpo, eu agarrei-me a ti e deixei-me ir, deixei-me mergulhar naquela escuridão confortável sem dar conta, sabendo que estava bem nos teus braços. Não sei quanto tempo submergi, quanto tempo me libertei dos sentidos, da realidade de tudo, não sentia nada e era bom. Foi o que senti quando, sem saber como, comecei a lentamente entrar na realidade desfocada de uma cara que me chamava, sem saber onde estava, quem eu era, ou quem me chamava. Quando a nitidez da visão me ofereceu o teu rosto, tão perto de mim, só me lembro de sorrir, e de pensar que estava bem, estava tão bem sem sentir nada, sem pensar no teu ou no meu futuro, sem pensar que sentia ou o que queria. Estava bem, mergulhada naquele vazio confortável, donde saí para os teus olhos e me pendurei no teu pescoço, e na tua preocupação por mim. Eu estava tão bem!!... e agora apetecia-me isso, deixar-me cair nos teus braços e esquecer-me da minha existência, confiar-me a ti, e fechar os olhos ao mundo, enquanto velasses por mim e pudesse acordar no teu olhar.

23 fevereiro 2012

Não faço ideia por onde andas, ou a fazer o quê, o que te passa pela cabeça, se te lembras, se não te lembras. Se me procuras nas multidões, ou só nos recantos das memórias, se as tiveres e se as procurares, que nem isso sei. Não sei nada. Enquanto não sei nada penso muito, porque acho que tu também não sabes nada. Não de mim, de ti. E então sinto raiva, muitas vezes ódio, por não perceber nada, por nada fazer sentido. Por não querer sentir e não querer perceber nada, mas cá dentro alguma coisa não me deixar não querer nada, e sentir tudo. E então o caminho torna-se mais longo, o horizonte mais longe, a solidão mais escura, a vida mais fria. E não saber, não saber a que dia, a que horas, o meu horizonte me entrará de rompante ouvidos dentro e me levará com ele, avassalador, para um sítio onde ainda estás menos, onde te riscas definitivamente de mim, mas onde já sei o que pensas. Como agora, sinto que sei, mas ainda não me notificaste. Dizem que tenho pouca esperança. É verdade, não tenho, já não acredito em nada, em ninguém, muito menos no pouco a que me poderia agarrar para acreditar. Os sonhos não se agarram, as palavras, poucas, a que me poderia agarrar são tão fáceis de enganar como eu no teu colo, e os gestos jogam em todas as equipas, não têm dono, nem intenção. E eu não sei, não sei nada da falta que não sentes, ou do que sentes falta.
Ai ai.... hummmm
Gosto tanto de pescoços!!!
(sim sim devo ser vampira e está na moda...pois)
Try not to jump to conclusions, ok?? eheheh
[é como nos contratos, têm de ler as letrinhas pequeninas...]

18 fevereiro 2012


Luz de fim de tarde, o sol no horizonte em cores quentes, a brisa a ondular os cabelos, um cigarro e isto nos phones. Tudo bem enroladinho numa manta e a cabeça cheia de coisas sem lugar para arrumar, tudo baralhado e um sorriso teimoso que surpreende entre passas do cigarro. E não se entende eu não me entender, eu não entender nada, e achar que isso é entender tudo o que não pode ser entendido. E entretanto o sol esconde-se, como é que uma coisa tão grande, tão boa, tão quente se esconde atrás do horizonte tão depressa??

13 fevereiro 2012

Açucar do café de sábado, que ontem tomei-o ao sol na minha esplanada privada, com os phones nos ouvidos, também é muito bom, mas não somos presenteados com estas coisas, que vão já migrar para o ecrã do meu pc: "Uma noite faço o teu chão tremer".... e agora acrescento eu, e espero que eu seja o epicentro...

12 fevereiro 2012

Um sítio calmo. O frio a abanar lá fora, cá dentro o calor a dançar dentro da lareira mesmo ao meu lado. O chocolate quente que se come em vez de se beber a arrefecer à espera para me aquecer. Ainda há coisas boas, mesmo para gozar sozinho..

10 fevereiro 2012