Eva me chamaste
Fizeste das minhas costas o teu piano
Dos teus desenhos as minhas curvas
Da minha boca a tua maçã
Dos meus olhos o teu mar
Do meu mundo os teus braços
(...)
Fizeste das minhas costas o teu piano
Dos teus desenhos as minhas curvas
Da minha boca a tua maçã
Dos meus olhos o teu mar
Do meu mundo os teus braços
(...)
01 setembro 2013
30 agosto 2013
(...) os naufrágios são belos
sentimo-nos tão vivos entre as ilhas, acreditas?
E temos saudades desse mar
que derruba primeiro no nosso corpo
tudo o que seremos depois
«Pago-te um café se me contares
o teu amor»
José Tolentino de Mendonça
[...se me contares o teu amor, se me ensinares o que eu já sei e não quero saber que sei. Não contes nada, fala-me em beijos desse amor que tens, explica-me o amor como se eu não o soubesse já, como se eu não soubesse do café amargo que me fica na boca cada vez que me contas do teu amor. Os naufrágios são belos, mas não o que seremos depois deles... Dou-te o resto duma vida, se me beijares o teu amor inteiro e me salvares do teu naufrágio.]
29 agosto 2013
27 agosto 2013
26 agosto 2013
'Bora lá... todos floridos!!!
Isso, queria ir de vespa e flores no coração...
(a vespa não posso ser eu a conduzir, não tenho lá muito jeito...)
Bom Dia
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Bom Dia
25 agosto 2013
23 agosto 2013
Já conhecia cada centímetro cúbico das suas ancas.
“Não é aí”, disse-lhe. “Não é aí que mora a intimidade, homem!”
Os cafés chegaram à mesa, esperei pela saída do empregado para continuar.
“Olha lá, a intimidade de quem ama, ou gosta, ou deseja, só tem os nossos limites, certo?”
Levantou a sobrancelha e encolheu os ombros. Enquanto ele descrevia, subtilmente, o seu universo do “tudo”, recordei-me de um amigo, nas noites quentes do Seixal beira-rio, perdido na insensatez dos seus 19 anos dizer-nos “Pá, sexo oral com a nossa mulher, a mãe dos nossos filhos? Não. Fogo, nem pensar.” Isso seria coisa para “as outras”. Aquelas que desejamos mas com quem nada construímos. Como se houvesse um limite intransponível de intimidade com quem a mesma deveria ser plena. Voltei à mesa do café. Ele parara a descrição suculenta dos detalhes do amor e folheava, agora, os jornais.
“E já dormiram juntos?”
“Já!! Então, não te estou a dizer que fizemos tudo?”
“Está bem… mas dormir. Eu digo dormir. Ressonar. Fechar os olhos! Esse dormir!”
“Ahmmm…”
Ele olhou para mim com a nítida expressão do já me lixaste.
“Ohhh, lá estás tu… e isso é assim tão importante?”
É.
Contei-lhe uma história… uma viagem que fiz, em trabalho, à África do Sul. Em Durban, tive um motorista cuja sensibilidade ia muito além da memória fotográfica para ruas e da avidez para não parar em semáforos. Mtunzi era um homem fora de série. Um dia, em tom de confissão, contou-me… tinha apanhado, no aeroporto, um cliente. Casado, também ali em trabalho, o homem pediu-lhe para seguir para o hotel e, pelo caminho, lá lhe perguntou…
“Where can we find women, here. Beautiful ladies… hum?”
Mtunzi, a cortar a curva com a ternura de um talhante, lá lhe disse:
“What kind of women? The one you pay or the one you may fall in love?”
O cliente riu-se. E percebeu que a coluna afectiva do motorista era inabalável. Não mais abriu a boca durante a viagem.
Há coisas que não fazemos com quem se paga. Ou com quem o “tudo” é outro “tudo”. O meu amigo continuava incauto a mirar-me.
“Como assim?”
Sorri-lhe.
“Já lhe tocaste nos pés?”
Riu-se. Insisti.
O amor não está na juras ou promessas. Nem na liberdade dos teus dedos no corpo dela. Está nos pés. Naquele momento em que os teus tocam nos dela. Frios ou transpirados, sujos ou lavados, de unhas cortadas ou compridas. Quando os pés dela se esfregam nos teus e ali ficam.
É aquele instante tabu, em que a âncora do teu corpo tenta entrelaçar-se no outro. Em que ofereces a tua base. O teu sustento. O teu equilíbrio. Está aqui e é teu.
Não há intimidade maior, nem oferta mais doce. Quando, indiferente ao que aqueles cinco dedos comportam, deixas o teu dedo grande passar-lhe pela palma do pé. Quando sentes a rispidez da pele do calcanhar na barriga da perna e prendes, em pinça, os dedos dela nos teus.
“E, então? Já lhe tocaste nos pés?”
Disse-me que não, cabisbaixo. Mandei-o para casa. Fazer “tudo”. "
Roubado daqui., escrito pela mão da Rita Marrafa de Carvalho.
DELICIOSO... as pessoas não fazem ideia do "tudo" que podem ter... e às vezes eu gostava de também não ter, torna muito reduzido o que nos pode preencher depois do "tudo" tido e perdido. Há coisas de que raramente e dificilmente uma pessoa se refaz.
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Maçãs alheias
Uma terrível nostalgia e melancolia por aqui hoje.
Tristeza e saudade.
Uma vontade enorme que outros sítios me puxem, me magnetizem, me façam querer alguma coisa de novo, alguma coisa tornada minha, tornada eu. Um eu diferente mas tão eu como eu agora.
Cada vez mais sozinha, cada vez maior a vontade de ficar sozinha.
Mas longe. E podia ser aqui, porque é a minha cara - ou a cara, infelizmente, talvez não, mas o meu por dentro...
Bom Dia!
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Bom Dia
22 agosto 2013
e tu,
sempre tu
num prodígio de luz
a enlouquecer-me
as sombras
gil t. sousa
[eu, que me verti toda em sombras,
em sombras de mim,
do que fui, do que vivi, do que senti e lutei de olhos fechados ao mundo
ilumino-me, trémula, como se houvesse sol nos teus olhos.
e há.
é o sol que me faz sombras.
sem luz nunca haverá sombra.
e a minha sombra enlouquece-se à tua luz
baralha-se
esquece-se de ser
nunca deixando de ser
a sombra da tua luz ensandecida]
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Maçãs alheias
Adoro amores-perfeitos.
Deve ser do nome.
E da perfeição.
E de não se poderem arrancar, só apreciar, só gostar.
Como as papoilas de ar selvagem e silvestre.
Os amores perfeitos não têm ar selvagem, nem despreocupado,
mas parecem doces e perfeitos, e eu gosto.
Como gosto de pessoas de ar organizado e bonitinho que eu nunca terei.
Provavelmente se eu fosse uma flor seria algo parecido com uma papoila.
(é preciso alguém com uma certa sensibilidade e diferença natural para espontaneamente reparar numa papoila, e depois não se vendem, não são comerciais - já repararam-, e eu gosto disso tudo. Muito.)
Mas a minha flor preferida acho que são as margaridas... giro né?
Bom Dia
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Bom Dia,
Papoilas
21 agosto 2013
(...) Toca-me, conjuga um verbo que conheças
no presente do indicativo, soletra-o na segunda pessoa
do singular ao meu ouvido, dá-me qualquer coisa
que me pareça eterno.
Basta-me que o teu olhar me encontre.
José Rui Teixeira
[«...és-me.» - mas é uma sugestão que de tão irreal apenas poderia ser sonhada, se eu ainda sonhasse no tempo que me escorre pelas mãos e me deixa a vida como morta. Era o que eu soletraria se o teu ouvido fosse meu. era qualquer coisa de eterno que é, e que o meu olhar traz sempre, ainda que nem sempre o encontres.]
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Maçãs alheias
Bom Dia!!!
(não que eu comece o dia a beber - não que me falte vontade, atenção - mas posso começar o dia a piscar o olho, né?? há que tentar esquecer as tristezas que nos servem todos os dias fresquinhas, fresquinhas...)
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Bom Dia
20 agosto 2013
Bem sei que não é ano novo, mas há que decidir duma vez fazer qualquer coisa, isto é, voltar para o ginásio, ou fazer qualquer coisinha do corpo... que não implique saltar muito que isso cansa um bocado...
Vou colar esta foto na porta do frigorífico para motivação... sou tão preguiçosa!!!!...
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Tonta...
18 agosto 2013
Por isso o amor é uma espiral, quanto mais se recebe, mais se dá, e o inverso.
Cada vez mais sinto isto. Na pele, no olhar, na alma, no silêncio.
Infelizmente estou a aprender pelo inverso.
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Maçãs alheias
15 agosto 2013
Sinto-me terreno abandonado, árido, ao sol: nada brota, nada nasce, nem sequer morre. Nada semeia, nada colhe. O corpo parece morto, ressequido, esquecido, inerte, como um deserto seco de sombras. E é encharcada da escuridão das sombras que estou: falta-me a luz do olhar das tuas mãos, o toque quente do teu olhar; falta-me o sol dos teus lábios para me aquecer a pele, para beber a vida que me plantas, e que só tu sabes colher: faltas-me. E é este deserto que atravesso, e este deserto sou só eu, e onde os pés se cravam a fazer caminho - e que tantas vezes me engole -, é o que sinto.
Quando às vezes me acho menos só: quando acho que a distância me traz sozinha, mas não me leva na volta a tua ausência, descubro que é miragem: a realidade é o deserto.
O deserto sou eu com os pés cravados na areia que me escalda.
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