Eva me chamaste
Fizeste das minhas costas o teu piano
Dos teus desenhos as minhas curvas
Da minha boca a tua maçã
Dos meus olhos o teu mar
Do meu mundo os teus braços
(...)
Fizeste das minhas costas o teu piano
Dos teus desenhos as minhas curvas
Da minha boca a tua maçã
Dos meus olhos o teu mar
Do meu mundo os teus braços
(...)
13 outubro 2013
- Já alguém lhe disse hoje que é linda??
....
(porque é que eu me lembro destas coisas sem aviso nem razão???)
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Flashes,
Tonta...
12 outubro 2013
Temos a mesma pele,
descobri anos depois.
É isso que nos impele
a sermos um, sendo dois.
Amar é ter a mesma pele,
o resto vem depois.
(...)
Torquato da Luz
[não sei se temos a mesma pele, sei que sinto a minha pele na sua, que é no seu calor que me aqueço, que é naquele colo que sossego e nos seus braços que vivo. sei que amar é sermos dois e sentirmo-nos bem nessa unidade de pertença. sei que quando se ama não há depois da pele, nem antes da pele, há sentirmo-nos únicos e bem na nossa pele, com alguém com quem nos sentimos no mesmo mundo e que fala a mesma língua, mesmo que muda, principalmente se muda. sei que é amor, e tudo o resto vem depois.]
Boa Noite
11 outubro 2013
Há dias em que me apetecia ter idade para poder fazer isto.
Ter idade para fazer isto e sentir-me segura, mimada, querida, completa.
Como se todos os males fossem a boneca que deixei em casa e que quero agora para brincar, o balão que me escapou da mão e voou para as nuvens que não alcanço, ou só o beijo que saí de casa sem dar e que me dá saudades.
Quero agarrar-me e ser parte, e o choro calar-se por si e esquecer-se de mim.
Queria tanto ter idade para ser pequenina e de alguém.
Não se pode ser pequenino sem tamanho???
Bom Dia
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Bom Dia
10 outubro 2013
"Estavas de costas e eu toquei-te num ombro.
Demoraste três anos a voltar-te."
Joaquim Manuel Magalhães
Não sei quem é que tocou quem no ombro, talvez fosses tu quem me tocou,
mas és tu que demoras mais de três anos a voltar-te,
ou a ver que me voltei para ti, ou simplesmente a ver-me.
Sim, acho que é isso: tu tocaste-me sem me ver, nem quando me voltei inteira para ti me viste.
... porque me tocaste tu no ombro se nem agora me vês?
.... Tenho de começar a abrir janelas em vez de andar sempre a fechar portas.
Fechá-las na cara de quem demonstra que me quer ver.
Por mim ninguém fecha nem abre coisa nenhuma,
e passeiam-se entre portas e janelas, sem sequer memória que eu existo.
É triste.
E eu estou derreada, há dias em que o desespero, e o peso do passado, se concentra de tal forma que bastam fracções de segundo para durar todo um dia, toda uma noite e ainda o dia seguinte.
Porra... também quero ir passear e ver janelas ou uma porra qualquer...
09 outubro 2013
08 outubro 2013
perdermo-nos nos olhos um do outro.
Pedro Paixão
[coisa que se faz às vezes de olhos fechados...]
Boa Noite
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Boa noite
É isto.
É mesmo isto.
..às vezes uma pessoa está um dia inteiro, ou uma noite inteira,
para tentar dizer isto, tentar explicar, e mesmo assim, assim está muito mais bem dito.
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Tonta...
Quero isto.
Quero isto para a minha vida.
Uma carruagem cheia de gente, num mundo cheio de gente,
Eu quero ser aquele casal.
Quero ser aquele beijo.
Quero, pelo menos, ser o fotógrafo - o que vê no meio dos cinzentos, e que não é cinzento.
Ver é já fazer parte do beijo, da vida, é sair dos cinzentos sentados à margem das cores da vida.
Não quero ser uma daquelas criaturas sentadas e desconexas com a vida que não parecem tocar,
nem parecem ver, mesmo ali à frente dos olhos e ao alcance, pelo menos, dos sonhos.
Quero isto para a minha vida.
Bom Dia!!
07 outubro 2013
"Afinal a palavra Amor existe."
Marguerite Duras
(que estou a citar de memória dum livro que li nas férias, e esta frase, ou uma muito parecida com este sentido, ficou-me. Peço desculpa se não for exactamente assim, mas agora não me apetece ir procurar, porque senão foge-me o resto)
Lembrei-me desta frase enquanto fui ao café engolir alguma coisa a fazer de almoço. Pensava no que escrevo, porque escrevo, porque não escrevo metade do que escrevo a pensar, escrevo no ar e no ar se desfaz, e algumas coisas giras, que gostaria de guardar, mas que o ar leva sem devolver. Escrevo tanto, e no entanto, escrevo nada ou quase nada, mas escrevo porquê? Escrevo porque há vezes em que tem de me sair de rajada o que doutra maneira não sai, fica preso na garganta, amarfanhado em lágrimas que não digo ou em mágoas que não engulo. Outras vezes escrevo porque sinto demais e gota a gota me transbordo. Vou-me revezando de capacidades volumétricas escrevendo e reescrevendo-me. Sou assim. Os que me têm amizade suficiente para me saber o que escrevo dizem-me que escrevo bem, eu corrijo, digo que gostam do que escrevo, que não escrevo bem, quanto muito ( e olhe lá), sinto bem: e não, não é porque sinta da maneira mais acertada - haverá??, não sei... suponhpo que não, seria uma tristeza haver uma maneira certa de se sentir o que quer que seja, não gosto de regras no que não tem fronteiras, nem horários no que não tem tempo que meça -, mas digo que sinto bem, porque sinto de maneira intensa, o que sinto sinto de dentro, por dentro, transbordante de mim para mim e depois para os outros, quando chego a eles, e quando lhes consigo chegar. Alguém que não me conhece as palavras - as minhas palavras, estas -, disse-me uma vez, que eu era uma mulher intensa, de sorriso espontâneo de gargalhada forte de olhar intenso, de intensidades sentidas. Acho que o que me quis dizer era que eu era intensa no intervalo das palavras, porque nunca me viu estas, se calhar... é aqui que me deixo e me despejo, escondida dos olhos que pensam que me vêem.. Haverá quem escreva coisas mais eruditas, há quem use palavras mais intelectuais, mais complexas e de categoria superior na hierarquia do dicionário, mas para mim, as minhas palavras são aquelas que eu sinto, que eu já comi o significado com as entranhas, já as mastiguei e até a alma já as cuspiu. O significado, não são letras que conjugadas fica bonitinho, não, são palavras que têm peso, têm densidade, têm uma vida e uma personalidade que se mistura connosco, que têm alma e sentir. Quando aprendemos as palavras aprendemos antes da sua composição de letras, e complexidades, o seu significado: o quente, o frio, o pequeno, o grande, o bom, o mau, o gostar e o não gostar... as palavras são sentires, são pensares, são memórias. E é por isso que eu também já posso dizer que a palavra Amor existe. Não são quatro letras duma palavra que tem mais definições que dicionários, é o que nunca ninguém entende até ela existir para cada um. E para mim existe. Afinal.
(e esta frase também fez parte dum mail que foi enviado e talvez tambem por isso nunca me esqueci dela, e de como a li, a vi e a senti...)
(e esta frase também fez parte dum mail que foi enviado e talvez tambem por isso nunca me esqueci dela, e de como a li, a vi e a senti...)
06 outubro 2013
05 outubro 2013
...estou preguiçosa.
Não me apetece coisa nenhuma...
...coisa nenhuma que possa fazer.
...porque apetecia-me ir para a cama e enroscar-me, prender com os meus pés outras pernas, sentir pele com pele, riso com riso, beijo com beijo, carinho com carinho, ternura com ternura: amor com amor.
Apetecia-me sentir beijos nos ombros entre risos de conversas parvas, mimo por todo o lado, um corpo encostado ao meu - e nisso sentir, não o outro, mas nós.
Estou tão preguiçosa, que nem escrever me apetece.
Boa Noite
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Boa noite
03 outubro 2013
Gosto!!
Gosto muito!!
Perfeito para acompanhar o anúncio seguinte:
"dá-se coração para adopção."
Coração simples que gosta de coisas simples, como flores silvestres, sem exuberâncias ou grandes exigências, como beijos dados na espontaneidade do querer, como abraços sem aviso, e gargalhadas sem autorizações. Coisas simples, coisas boas, por nos fazerem sentir bem connosco e com o mundo.
Está em mau estado (provavelmente péssimo, mesmo, ainda ninguém conseguiu aferir o real estado do bicho), rasgado, partido, seco, só indicado para seres muito doces e pacientes, que com a persistência do carinho, muito cuidado e ainda mais amor o consigam remendar aos poucos.
É um coração que dizem grande, e quando restabelecido, se dá inteiro sem reservas de propriedade da dona (que obviamente, e não se engana aqui ninguém, não bate bem da bola...). Quando em bom estado aguenta muito bem o sentimentfitness ( o cardiofitness aguenta menos bem, avisam-se os interessados que é preguiçosa), a alternância de arrebatamento e paixão, com a calma e paz do mimo, do carinho doce, e do silêncio partilhado sem solidão.
Já lhe chamaram anjo-demónio, e já a apelidaram de Eva porque cheira a tentação na pureza da concepção de todas as origens (acho eu, mas posso estar enganada, pode ser só porque soa bem, sabe-se lá...). Dizem que conjuga bem a dicotomia doce/salgado. Dizem , não há provas - que aqui não se engana ninguém.
Avisa-se que está ainda ocupado, aliás ainda transborda outro ser por todos os lados,
mas cansado e com vontade de ser bem tratado e mimado.
Promete-se processo sem grandes burocracias mas bastante demorado...
Bom Dia!!
E agora a B mandou-me esta foto, que é perfeita para este post, e então vou acrescentá-la aqui.... um coração feito de duas metades de maçãs de especies diferentes que encaixam dolorosamente na perfeição:
Este sim, verdadeiramente perfeito e exemplificativo, para acompanhar o anúncio:
"dá-se coração para adopção"
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Bom Dia,
Tonta...
02 outubro 2013
" Irei directo a casa dela, tocarei à campainha e entrarei. Aqui estou, aceita-me ou mata-me à punhalada. Apunhala o coração, apunhala o cérebro, apunhala os pulmões, os rins, as vísceras, os olhos, os ouvidos... Se um só órgão ficar vivo estás condenada - condenada a ser minha, minha para sempre neste mundo e no seguinte e em todos os mundos futuros. Sou um bandido do amor, um escalpador, um assassino. Sou insaciável."
Henry Miller, in Sexus
[ o punhal dos dias, do mundo, da realidade que corta, já me apunhalou tudo o que de mim conheço. nada ficou intacto, a não ser, talvez, este amor selvagem. ainda assim nada te condenou a ser meu, é uma pena que não cumpres por falta do crime de amar-me, neste, ou em qualquer mundo - nem no nosso, parece-me agora tantas vezes.]
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