Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

31 dezembro 2013

...e vamos virar o tempo de pernas para o ar. 
O fim de um ano é o começo de outro. 
Um fim será sempre um começo, um não é sempre dizer um sim ao seu contrário. 
Dizem que amanhã temos um ano novo, e que por mudar o ano, as coisas mudam, como se virar o ano, ou uma esquina, nos mudasse a direcção, a vida, o querer, o que somos. Dizem que o ano é novo, é diferente, mas eu vejo tudo igual; a vida não vira porque o ano virou, a vida vira quando tem de virar, e nós temos de virar com ela, só isso. Se não quisermos virar quando ela já mudou, então podem passar os anos, e o tempo que se se quiser, que nada mudará, a não ser termos perdido mais e mais tempo, ou anos, sejam eles novinhos em folha ou gastos prontos a descartar. 
O ano amanhã será tão novo como hoje, se não fizeres do amanhã um dia diferente de hoje. 
Mudar um algarismo não traz nada de novo ou diferente: é só estar a contar, e ou se conta com vontade de chegar a algum lado, alguma meta, algum objectivo, ou andamos só a contar carneirinhos para adormecer... 

...pois...
Bom Dia

30 dezembro 2013

... bom pensamento perto de virar mais um ano...
e para ti, o que é o teu "tigre"?

Boa Noite

28 dezembro 2013


........Uiiiiii........
Boa Noite


"Tens de saber. Tens de me saber. Tens de saber que sou teu e que és minha. Por mais que a vida passe, por mais que cases com outro ou que vivas com outro ou que te entregues a outro. Sou teu e tu és minha. Queiras ou não. És a mulher da minha vida. Literalmente a mulher da minha vida. Tudo o que sei que vivi foi vivido contigo dentro: mesmo dentro. Não ao lado, não comigo: em mim. Dentro de mim. Como um músculo, um osso. Tens de saber. Tens de saber que não adianta fugires. Tens de saber que não há forma de fugir ao que nos somos: ao que nós somos."

Pedro Chagas Freitas, in "Ou é tudo ou não vale nada"

[devias saber. não há forma de fugir ao que é. não há alternativa ao querer. não há maneira de nos apagarmos no outro e voltar ao antes, ao não sermos realmente nós. depois não há forma. devias saber. nós precisamos de nós para ser. tens de saber. mas tens de querer saber.]

Boa Noite

25 dezembro 2013

...uma coisa é certinha, certinha, 2014 vai ser um ano de boas leituras: 
Dostoievski, Marguerite Yourcenar, Stendhal, Alice Munro, Tolstoi, Flaubert, e mais alguns... há uma altura em que já não se lê qualquer coisa, só se lê o que se acha que é bom, o que se quer ler. 
Se calhar como em tudo na vida... mas há coisas que por muito que se queiram, não podemos comprar nem pedir que nos ofereçam... e já não estamos para menos do que queremos. Seria perder tempo... Em leituras 2014 tem tudo para ser um óptimo ano... ao menos isso!!

...dizem que é Natal, que hoje é dia de Natal.
E eu estou aqui na indecisão de voltar para a ronha, na cama ainda quentinha, ou acender a lareira e ficar a ouvir os estalidos da madeira e ver as chamas que chamam por mim. 
A minha preguiça em acender a lareira e a vontade de não me lembrar sozinha e cansada fazem-me pender para a ronha, e mais um passar pelas brasas, de olhos fechados e alma adormecida. 
De olhos fechados, e no meio do sono, esquecemo-nos que também a cama está vazia. 
Que tudo está vazio enquanto outras pessoas se dizem tão azafamadas e num dia feliz, no meio de conversas à lareira e comida todo o dia... Eu não. Sou uma triste, é o que é. 
Uma triste desinfeliz, mas prefiro assumir a verdade das coisas. Estou sozinha, sim, e não estou feliz, não, para quê disfarçar? Para os outros? Mas só se disfarça para aqueles que não nos são próximos, suponho... ou então, se se disfarça para toda a gente estamos tão isolados que já nem próximos temos. Disfarçar para quê, quem me conhece sabe como ando, e quem não me conhece eu quero lá saber o que pensa!!! 
Estou sozinha, na ronha, e só comi umas torradas, conversa aqui nem tenho com quem... cada um tem o que merece, né? Assim seja, que constato, mas não me queixo.

24 dezembro 2013

21 dezembro 2013

...é só de quem não o quer... 
...desperdício?
...quem sabe?

20 dezembro 2013


"Sua vida é a sua vida.
Não deixe que ela seja esmagada na fria submissão.
Esteja atento.
Existem outros caminhos.
E em algum lugar, ainda existe luz.
Pode não ser muita luz, mas ela vence a escuridão.
Esteja atento.
Os deuses vão lhe oferecer oportunidades.
Conheça-as.
Agarre- as.
Você não pode vencer a morte, mas você pode vencer a morte durante a vida, às vezes.
E quanto mais você aprender a fazer isso, mais luz vai existir.
Sua vida é a sua vida.
Conheça-a enquanto ela ainda é sua.
Você é maravilhoso, os deuses esperam para se deliciar em você."

Charles Bukowski

[Nem parece Bukowski. É positivo, mas é dele. Incrivelmente... pelos vistos até os mais cépticos têm momentos bons, momentos de acreditar, de ter esperança. Há coisas boas para toda a gente. É aproveitar, ou desperdiça-se a única vida que se tem e todas as que poderiam fazer sentido com a nossa.]
...Pronto Pai Natal... eu sei que não me portei muito bem este ano...
mas eu prometo que com um destes no sapatinho 
(ou bota - desde que não seja de elástico-, ou debaixo da árvore, ou em cima, ou o que quiseres e onde...) 
eu prometo que ainda me vou portar pior, e depois nunca mais me dás nada, 
riscas-me da lista... ok????
Combinados?
Agradecida!
Fico à espera...


J.L. Pio Abreu, in Quem nos faz como somos.

19 dezembro 2013

Não ando com vontade de escrever. Estou farta. Não de escrever, que sempre gostei e é o meu sistema de purga; estou farta é do que escrevo, do que penso, do que sinto há tanto tempo, sem ter tempo de sequer respirar esse sentimento. Tempo, não, condições. Não me deixam respirar, sinto-me confinada a um espaço exíguo, onde tantas vezes só pareço caber eu e o que sinto, e é pouco, e é talvez por isso que não respire, nem cresça. Falta alguém que sinta comigo e que tenha vontade de crescer comigo. Estou farta. Farta disto, de pensar sempre isto, escrever isto e sentir sempre isto, como se o tempo não passasse. Como se o tempo tivesse parado nesse espaço exíguo onde me encaixo e sobrevivo há anos. E agora lembro-me: hoje tive um sonho estranho. Estava na praia, o dia estava cinzento e frio, de repente o mar foge, recua muito, tanto que quase deixo de ver a beira mar. Percebi que se esperava um maremoto, olhei o horizonte e vi uma espécie de neblina por cima do mar, meio desfocado. Percebi que tinha razão e tinha pouco tempo para me salvar, dei por mim a pensar: salvar-te? E tu queres? E dei por mim a ter a certeza que pelo menos é minha obrigação tentar, comecei a correr, a subir por onde pudesse, apanho um carro velho- muito velho - e arranquei, dei graças a deus por não ter a criança comigo porque não saberia se a conseguiria salvar - e a ela eu tinha de salvar, sempre e de qualquer maneira. A mim, para mim, bastava-me saber que tentei. Acelerei sempre até que cheguei ao ponto mais alto: um farol, antigo pelo aspecto. Tentei abrir a porta pesada e não consegui. Desespero. Acordo. Não sei se me salvei.

17 dezembro 2013


Tudo fora perfeito.
Belo e perfeito!
Talvez por isso,
Esta noite
Não merecesse amanhecer.

Paulo Eduardo Campos

[...e sempre amanhece. e sempre acaba.]

Boa Noite

16 dezembro 2013



"... o "sucumbir" é das melhores e mais tristes palavras que já li de ti.
Fazes-me imaginar um vulcão que se deixa arrefecer pela água do mar.
Que se deixa quase afogar num frio sem prazo...
E tu tens tanto, Eva...
Tens tanto calor... Tens tanto poder dentro de ti...
Fizeste-me querer ir para aí dar-te um abraço agora."


A quem me mandou estas frases - que me fizeram lágrimas guardadas por dentro dos olhos, teimosas em cair como tudo em mim, enquanto um sorriso se me escapava no meio da tristeza que guardo e não mostro -, um beijo grande e um abraço apertado, como se mo tivesses dado, porque o senti. E nesta vida só o que se sente importa, e só importa o que se sente. Ou eu sinto assim.

14 dezembro 2013


... Por muito que às vezes até a mim me custe a acreditar...

.... há dias em que faço esta careta à vida.
Ninguém vê, mas ultimamente tem acontecido muito.
Demais.
Quero mimo, quero que a vida me mime, e ela não me faz a vontade.
Também não me dá razões adultas e plausíveis para me queixar com verdadeira propriedade.. bem sei.
Apetece-me amuar, mas esqueci-me dos totós algures, há anos atrás. às vezes sinto-lhes a falta.
O beicinho ainda faço.
De nada me vale. Não traz, nem chama, os teus beijos.

Boa Noite

13 dezembro 2013


(...)
De ti só quero o eco do teu nome
e um gosto que não sei de mar e mel
De ti só quero o pão da minha fome
mendiga que já sou da tua pele.

Rosa Lobato Faria

[de ti só quero tudo,
mar e rio, tudo.
de ti sou mendiga, mas não te mendigarei nada.]

Boa Noite

11 dezembro 2013



Jose Tolentino Mendonça, 

revista do expresso, 16/11/2013

Esperemos as nossas nuvens passar então, 
e ir aproveitando o girassolar noutros sorrisos, de outros sóis.

Boa Noite