Eva me chamaste
Fizeste das minhas costas o teu piano
Dos teus desenhos as minhas curvas
Da minha boca a tua maçã
Dos meus olhos o teu mar
Do meu mundo os teus braços
(...)
Fizeste das minhas costas o teu piano
Dos teus desenhos as minhas curvas
Da minha boca a tua maçã
Dos meus olhos o teu mar
Do meu mundo os teus braços
(...)
20 julho 2014
"She would never look at me the way she looked at him."
(Do filme Proposta indecente)
E ele deixou-a ir. Não a perdeu porque nunca chegou a ser dele.
[e esta frase trouxe-me logo outra que li, há muito tempo já, mas que como tantas outras que li no mesmo sítio, não consegui esquecer nem nada se esforçaram ou fizeram para que pudesse esquecer, e que dizia qualquer coisa como "gostava de ver aquele teu olhar naquela fotografia mas a olhar para mim" e outra "ou se ama ou não se ama e ponto final".
Quem ama e quer ser amado preocupa-se com os olhares. Quem não aceita menos do que ser amado deixa quem não o ama ir. ]
Boa noite
18 julho 2014
"Aqui, deste lado da barricada, eu amo-te sem te ver. Aqui, deste lado da barricada, eu amo-te sem te tocar. Vou-te amando porque preciso. Vou-te amando porque quero. Vou-te amando porque faz sentido. Sinto-te dispersa pelo ar. Sinto-te a dares-me vida. És tudo o que acontece à minha volta. És a certeza de um metro quadrado de paz neste caos que me rodeia. És o sorriso que me escapa nos dias cinzentos que se multiplicam. Deste lado da barricada espero-te a todas as horas. Deste lado da barricada tento arranjar forças para largar tudo e fugir até ti. Deste lado da barricada só faltas tu. Nestes dias cinzentos, neste mundo triste que me rodeia, nesta falta de amor que se mistura no ar, tu és o sorriso que me faz querer continuar. És tu. És sempre tu. "
[Às vezes parece, parece que amar-te é quase uma necessidade, como uma espécie de instinto selvagem da felicidade, as garras das ganas de viver. Ninguém sobrevive incólume a um Amor que nos faz feliz por dentro e por fora, que cria um ninho num mundo aparte. Depois disto, a sobrevivência passa a morte, e o instinto de sobrevivência é continuar a amar aquele Amor, como se fosse o sol que permite a vida, mesmo a vida mais básica e quotidiana. Sem isso é como se não houvesse nada, nem dia nem noite, nem passado nem futuro, e o presente perdido sem saber onde ir. Amando assim, volta-se àquele ninho, mesmo quando já não há um mundo aparte - o mundo que casou este amor.]
vá.... se insistires muito eu vou dar uma voltinha contigo...
de mota e de cabelos ao veeeeeeeentoooo
eu deixo-te conduzir, vá, é que eu sou uma mocinha muito séria,
e não quero que tu me agarres para não cair...
...agarro-me tá bem??
[ora vamos lá avacalhar isto um bocadinho, mas só um bocadinho, que temos de nos rir e o dia está feio...]
Uma cama que não nos quer, que nos devolve a um sofá conhecido vizinho duma janela por onde entram os candeeiros da rua que fica lá fora. Uma loira numa janela, carros que passam e eu que aqui fico atrás de um cigarro a pensar-me para quê. As sombras na parede, quadrados de luz numa parede vazia. Um sofá vazio cheio de almofadas. Lugares vazios onde só se ocupava um lugar e não era falta de espaço, era espaço a mais entre vontades que se tocavam. Que se tocaram já não sei em que tempo. Tempo que agora tenho nas mãos vazias. E que não se quer esgotar de me esgotar.
Boa noite.
17 julho 2014
Ahahahah... Muito boa!!
(E aqueles que pensam que controlam alguma coisa,
que andam a brincar às proibições e tal,
mas que nunca se impõem em atitudes,
que nunca deixam de mentir aos outros e a si mesmos,
que só conseguem ser homens numa coisa??
e quando deixar de haver essa nem sei que nome terão as criaturas...)
Bom dia!
4 comentários:
Etiquetas:
Tonta...
"Por vezes parece que Platão tinha razão, que há quem nos suplemente de forma ideal, como se de um arquétipo de gente se tratasse. Ao contrário de Platão, ou talvez concordando com ele de uma forma que nem ele previu, esta pessoa arquetípica é alguém que não se procura, só se encontra. Platão reduziu isto à “busca de uma alma gémea”, sobresimplificando, dando-lhe um carácter de odisseia e de procura que na verdade a coisa não tem. É o próprio Platão que explica, sem querer, a verdade, na alegoria da caverna. Antes de encontrar, não sabes o que procuras. Depois de a achar, não sabes nem como viveste tanto ano antes disso, nem consegues sequer explicar a alguém o que encontraste e como é diferente. As palavras saem-te da boca mas não tens a certeza que ninguém te entenda.
Se tiveres sorte, encontrarás quem te faz sentir que voltaste a casa – a uma casa que nem sabias que tinhas. O melhor amor é feito de momentos “eureka”, e amar assim é uma sucessão de descobertas científicas, de “afinal a vida é isto e ninguém me tinha dito?”. Dás por ti a descobrir coisas em que nunca tinhas pensado, a descobrir ângulos diferentes para ver coisas que achavas que conhecias.
(...)
Penso por vezes (não o pensamos todos?) “porque dei tantas voltas para chegar onde estou?”, “porque passei tanto tempo a fazer coisas distintas destas, das que me fazem feliz?”; e depois lembro-me que Ulisses levou dez anos, depois de Tróia, a voltar a casa, a voltar a Penélope.
(...)
As nossas vidas são, como a Odisseia, uma história sobre o voltar a casa, cheia de aventuras mais ou menos dignas, de enganos, de tentações e de tempo aparentemente perdido. E por vezes lamentamos, há quem lamente, esse tempo que se passou a fazer outras coisas – há quem ache que o destino é um lugar onde se pode chegar mais cedo, onde se pode chegar antes da hora marcada.
Mas não pode.
Provavelmente faz falta passar por uma Circe, por um voluntariado nas mãos de alguém que não é quem procuras, embora te saiba bem.
Provavelmente há que passar por uma Calypso, pela prisão, pelo ser subjugado e controlado, por te fazerem sentir impotente e sem saída, pela esquizofrenia de quem te quer mas não te ama, apenas te quer controlar.
(...)
A casa de Ulisses é Penélope, e evolui e cresce e muda, dia a dia, até ela ser a casa que ele encontra quando volta a casa, quando procurando quatro paredes encontra dois braços, melhores e mais seus do que alguma vez esperara, braços e uma mulher inteira que ele nem sabia que existia, uma mulher das que não se procuram, só se encontram.
Estava escrito."
Escrito pelo Menino para mim, só pode, é que se não foi passa a ser.
Esta ideia de que as coisas têm de acontecer como acontecem é coisa que me diz muito, mesmo que às vezes me irrite muito o percurso, me magoe muito tudo, olho para trás e sinto que para estar onde estou tinha de estar a olhar precisamente para este passado; talvez por isso tenha sempre compreendido tanta coisa incompreensível, talvez por isso não tenha a tentação de querer mudar o passado ou arrepender-me dele, mas sim de saber que cheguei onde cheguei porque vim pelo caminho que vim. Isso dá-me talvez a noção de para onde quero ir, onde quero ir agora, mesmo que lá atrás não o tenha feito, ou tenha feito doutra maneira, ou tenha percebido que aquele não era o caminho, se não o tivesse feito não saberia.
O passado é passado para podermos ter futuro.
O passado é para aprender, não é para impedir o futuro que quisemos ter no passado e não tivemos, ou estaríamos noutro ponto de vida, é para pegar no ponto em que estamos e fazermos o que percebemos que já devíamos ter feito e não fizemos, ou para não fazer mais o que percebemos que não queremos.
O futuro é sempre voltar a (nossa) casa. Está escrito.
( e isto, ironicamente, estamos fartinhos de saber, demais, até à exaustão. depois lembro-me duma frase de há não muito tempo "aquele abraço fez-me sentir em casa, regressado a casa".... giro, muito giro, ser não fosse tão tragicamente ridículo eu me lembrar disso. mas sei que tem de ser para eu chegar onde vou chegar. um dia. um dia a vida encontra-me, entretanto vai acontecendo-me.)
2 comentários:
Etiquetas:
Maçãs alheias
16 julho 2014
"Sentia-se bastante desorientado com a situação quase irremediável a que levara as suas aventuras. E, contudo, nada o teria embaraçado mais do que o triunfo."
Stendhal, in Vermelho e Negro.
E esta? Pois, quando se acha que se quer alguma coisa, sem se saber sequer bem porquê, e se anda desorientado, às vezes o pior que nos pode acontecer é conseguirmos o que supostamente queremos. Como diz o outro: "cuidado com o que desejas porque podes consegui-lo". Convém saber realmente o que se deseja, ou o triunfo torna-se na pior derrota.
Sem comentários:
Etiquetas:
Livros
15 julho 2014
Intimidad
Soñamos juntos
juntos despertamos
el tiempo hace o deshace
mientras tanto
no le importan tu sueño
ni mi sueño
somos torpes
o demasiado cautos
pensamos que no cae
esa gaviota
creemos que es eterno
este conjuro
que la batalla es nuestra
o de ninguno
juntos vivimos
sucumbimos juntos
pero esa destrucción
es una broma
un detalle una ráfaga
un vestigio
y un abrirse y cerrarse
el paraíso
ya nuestra intimidades tan inmensa
que la muerte la esconde
en su vacío
quiero que me relates
el duelo que te callas
por mi parte te ofrezco
mi última confianza
estás sola
estoy solo
pero a veces
puede la soledad
ser
una llama.
Mario Benedetti
[hoje as palavras não me saem, ou eu não quero que saiam. quero trancá-las por baixo do sonho que deixaste do lado de fora da porta que trancaste à saída. a solidão conjunta pode ser uma chama que inflama, pode, nem sabia, mas pode, só que há pessoas para quem dura um fósforo e outras para quem é o lento queimar duma vela teimosa. como a saudade. a saudade ditosa, ditadora das noites, que aumenta quando devia ir morrendo ao longo dos dias, quando a intimidade se devia ir apagando, quando a memória amarelece e o toque já não se toca, quando os cheiros nos fogem debaixo do nosso nariz, quando já ninguém ouve golfinhos antes de eu adormecer, quando já não tenho uma almofada que tem um coração dentro. O meu.]
Boa Noite, a minha varanda espera pelo meu ultimo cigarro.
Um beijo
Foste o beijo melhor da minha vida,
ou talvez o pior...Glória e tormento,
contigo à luz subi do firmamento,
contigo fui pela infernal descida!
Morreste, e o meu desejo não te olvida:
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,
e do teu gosto amargo me alimento,
e rolo-te na boca malferida.
Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,
batismo e extrema-unção, naquele instante
por que, feliz, eu não morri contigo?
Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,
beijo divino! e anseio delirante,
na perpétua saudade de um minuto...
Olavo Bilac
[beijo: a forma mais perfeita do silêncio falar. haverá beijos mudos? ou mentirosos? em todas as línguas se mente, talvrz também nesta haja quem sabe mentir não pronunciando uma única palavra, basta não sentir. ]
14 julho 2014
(...)
Bastava-nos ficar. E não bastava
o mar a querer doer em cada ideia.
Já não bastava olhar. Urgente: amar.
E ficar. E fazermos uma teia.
Respirar. Respirar. Até que o mar
pudesse ser amor em maré cheia.
E bastava. Bastava respirar
a tua pele molhada de sereia.
Bastava, sim, encher o peito de ar.
Fazer amor contigo sobre a areia.
Joaquim Pessoa.
[... e hoje apetecia-me mar. apetecia-me saber a mar. ]
Sento-me no degrau da varanda enrolada na manta que ontem me enrolou, trago um Porto de que ontem bebi mais de três copos, acendo um cigarro e penso que perdi conta aos que ontem durante toda a noite acendi. Sento-me e penso que dizem que o tempo cura tudo, que volta a pôr tudo no lugar, e eu cada vez mais acho que o tempo não cura nada, e a pôr no lugar não é nunca no lugar antigo porque o que o tempo faz é mudar tudo de lugar. O lugar antigo, depois do tempo correr por ele, corre com ele, deixa de existir, porque uma coisa não fazemos, não podemos fazer, é apagar o tempo que passou, que nos mudou e que mudou tudo de sítio. E o tempo em cima do tempo que correu é corre traz-nos sempre à tona, faz-nos sempre emergir quando nós nos queremos submergir nos dias, na vida, em que não nos somos verdadeiramente. E fá-lo à força se o queremos contrariar, quanto mais o contrariarmos maior a violência com que nos força. O que o tempo também faz é ensinar, mas não é por ensinar que todos aprendem. Tanto não aprendem que tentam voltar a lugares que o tempo apagou em nós. Não há maneira de apagar o tempo, de parar o tempo, não há maneira de negar o que o tempo trouxe, só há aprender com tudo o que fizemos e nos mudou com o tempo. O tempo não cura nada e encontra-nos sempre. Só nos surpreendemos com isso quando não queremos aprender o que ele nos ensinou. E eu aqui pergunto-me o que é que ele me ensinou. O que eu sei. Sei-te. E tu?
13 julho 2014
..hum hum
a minha deve ser daquela arte moderna que ninguém entende, só o autor e mesmo assim... por muito que explique o significado escondido, obscuro, e profundo, a reacção natural de alguém normal é cara de parvo. muito parvo mesmo.
Que é a minha todos os dias da minha vida quando penso nela, na vida.
Sem comentários:
Etiquetas:
Tonta...
Subscrever:
Mensagens (Atom)













