Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

28 outubro 2014


"Desci. Sentei-me perto, muito perto da avó Agnette. Ficámos a olhar o verde jardim, as gotas a evaporarem, as lesmas a prepararem os corpos para as novas caminhadas. O recomeçar das coisas.
- Não sei onde as lesmas sempre vão avó.
- Vão para casa, filho.
- Tantas vezes de um lado para outro?
- Uma casa está em muitos lugares - ela respirou devagar, me abraçou – É uma coisa que se encontra."

Ondjaki, in Os da minha rua


[...onde nos encontramos. Onde somos nós.
Às vezes demora-se muito a chegar a casa.]

Coisas boas.... Doces. 
Lembra-me de quando me chamavam doce de amor(a)... E haveria coisa mais doce para se chamar a alguém? Mesmo que seja mentira, adoça a existência e o sorriso, e mesmo depois do silêncio faz-nos açúcar na boca... como beijos por dar.

[sim, parece-me que não são amoras na foto, mas que importa isso se foi de amor(a)s que me lembrei. Que importa a realidade se a nossa verdade fala por cima dos olhos, e dos dias?]

Bom dia!

27 outubro 2014

...hummm 
...seguimos o estômago, sei lá... porque não?
Eu é que estaria tramada, que não cozinho nadinha...
... dava jeito alguém que fosse bom na cozinha... 
e já agora que também soubesse cozinhar!
eheheheh
(e por hoje aqui chega.... bora lá para a cozinha)


(...)
mas su mitad de amor
se negó a ser mitad
y de pronto él sintió
que sin ella sus brazos estaban tan vacíos
que sin ella sus ojos no tenían qué mirar
que sin ella su cuerpo de ningún modo era
la otra copa del brindis

y de nuevo se dijo
qué sencillo
pero ahora
lamentó que el futuro fuera oscura maleza

sólo entonces pensó en ella
eligiéndola
y sin dolor sin desesperaciones
sin angustia y sin miedo
dócilmente empezó
como otras noches
a necesitarla.

Mario Benedetti

[há lá melhor maneira de parar o dia, ou de acordar os olhos para lá do dia para que se acordou, e ler isto?... não acho que haja. Gosto desta doçura, ainda que triste, destes sentires. É disto que quero rechear a minha vida, a vida fora dos dias para que se acorda já feitos, já delineados, quase mecanizados, mas que só estes bocadinhos e alguém que os entenda como nós, fazem ser dias a valer a pena, a valer tudo. Um mundo nosso dentro do mundo de todos; um dia inteiro dentro de pequenos instantes. E perguntam-me: como? porquê? como é possível? E é isto. Assim. Só entende quem não entende, sentindo o que não se entende. Aceitando que é assim e não pode ser doutra maneira. Não é para todos. ]

Bom Dia

25 outubro 2014

Será?... É uma experiência interessante. Seria uma solução, e lá está a química diz que o álcool é uma solução e parece se-lo para tanta gente... É uma questão de uma pessoa testar a teoria e dedicar-se à experiência... Depois logo verei da veracidade da coisa, ou não.
Só custa a primeira vez: desmembrar a pessoa do coração. Desalma-la daquilo que mais é. É certo que sentirá de vez em quando as dores fantasma dos amputados, mas livra-se do fantasma da dor sempre presente. Ou assim espero. Disseram-me que é possível e funciona: fazer sem sentir, viver sem ser. Só custa a primeira vez, é dar-me sem me terem. Até que ninguém me tenha. Nem eu.
Os olhos - o que dizem de mim ser mais meu - não parecem conseguir fechar-se mas também não se abrem, duvido até que vejam, embora olhem para tudo. Apago todas as luzes, baixo todas as perssianas, mas a escuridão não apaga a memória. Sem memória todos seriamos crianças, livros em branco a cada vez que se abrissem, por muito que o repetíssemos. Sem memória nada se aprenderia e seríamos só instinto. Não haveria erros nem lições, haveria um segundo de cada vez e nenhum passado, esse que nasce a cada segundo, a cada respiração, a cada pensamento tido, a cada memória. E fecho os olhos e estou cheia de passados. Abro os olhos e não vejo futuro nas memórias. Vejo passados no futuro. Remexo nos passados e nunca lhes vi futuro. 
Apago todas as luzes, fecho todas as janelas de luz, e na escuridão ainda existo no que fui, ainda sou o que já não é, a memória dum passado que morreu em cada segundo que não deixei morrer. 
Abro os olhos, olho para tudo, mas o futuro não se vê.

24 outubro 2014

Mario Benedetti.... Coisa mais boa, palavras tão minhas que as sei por dentro, ainda que não as cite de cor. Sei-as mas não as decoro, antes as devoro de tanto as sentir e me fazerem parte, ainda que não saiba escrever assim, falar assim... Mas penso que sinto assim ou sinto que penso assim, confunde-se-me tantas vezes o pensar com o sentir, dançam juntos e só as vezes se atropelam e se pisam, são tantas vezes um par que não descola, que não me sei separar, ou penso que não sei...
Mais um dia de carrossel, mais uma voltinha.
...mais um dia de loucos, mais um dia de corrida até à hora de jantar;
mais um dia cheio de nada, a acabar no vazio dum fim de tarde sem coisa nenhuma 
além de todo o peso dos dias por vir. 
Voltas e voltas sem sair do lugar.
Ao menos mexo-me, obrigo-me a fazer e a fazer o melhor que posso e sei para não me ser, 
para não me saber, para não me restar, pelo menos até ao fim do dia, altura de todos os cansaços, altura de todos os fins que me restam.

Bom Dia

Os livros. Volto sempre aos livros, ponho-me a ler como quem mergulha noutras vidas, viver a vida que não é minha. A minha parece tão pouco minha... Trocar os sonhos às voltas em mim, trocar as voltas aos meus sonhos, trocar os meus sonhos por outros, sonhar outros sonhos que fazem outras vidas. Sonhar-me diferente.
Sonhar-me porque ninguém me sonha.
E eu só sonho que alguém me viva.

Boa noite

23 outubro 2014





entre a saliva e os sonhos há sempre
uma ferida de que não conseguimos
regressar

e uma noite a vida
começa a doer muito
e os espelhos donde as almas partiram
agarram-nos pelos ombros e murmuram
como são terríveis os olhos do amor
quando acordam vazios

Alice Vieira


[os meus hoje dormiram até tarde depois de me levantar, mas quando acordaram, acordaram verdes de esperança, de coisas que se querem boas, de vontade de viver, de viver a vida como pode ser vivida, de me dar e de ter quem me acolha.
só me faltam as mãos nos ombros, e a cabeça a inclinar-se para essas mãos, os lábios quentes a beijar essa pele que se torna minha porque a minha deixa de o ser. há sempre uma maneira de regressar duma ferida, é alguém nos curar dela, não nos arrancam a ferida mas arrancam-nos dela. ]
... Sim, hoje era isto que apetecia...
Ronha, descanso e cama...

Bon Giorno!!

Cãibras que me fumam os músculos
E me prendem as insónias.
Noites que o sossego não conhece.
Larvas que me roem a espinha,
e que  me corroem por dentro da pele que não dispo, 
que espremo desesperada e me saem pelos poros em desespero.
Que não acabam de nascer,
continuamente.
Mato-as e nascem.
Nascem e mato-as
Comigo
Sonho-as em sonos que não acordam.
Espremo-as, esgoto-as, e não acabam.
Gente que me suga as entranhas como se a alma não me fizesse falta,
Só porque as larvas não têm alma
E não morrem se eu não acordar.

22 outubro 2014

... Coisas que me soam verdade...
Mas nem sempre a realidade as diz...
... ou várias vezes.
O melhor beijo do mundo.
E depois parecer acabar o mundo.



Um braço. Às vezes bastava-me um braço, para poder agarrar e agarrar-me a dormir, para dormir o sono que a vida me roubou, para me entreter em festinhas que me consolam a alma, para me perder em cada milímetro de pele onde caibo inteira, desmedida.  Um braço para tocar e sentir pele com pele, mão entrelaçada nos dedos em que me perco e me acho em desvario. 
Um braço. Às vezes bastava-me um braço. Agora. 

21 outubro 2014


"Eu quero mais. Mais paz. Mais saúde. Mais dinheiro. Mais poesia. Mais verdade. Mais harmonia. Mais noites bem dormidas. Mais noites em claro. 
Mais eu. Mais você. 
Mais sorrisos, beijos e aquela rima grudada na boca. 
Eu quero nós. Mais nós. 
Grudados. Enrolados. Amarrados. Jogados no tapete da sala. 
Nós que não atam nem desatam. 
Eu quero pouco e quero mais. 
Quero você. Quero eu. 
Quero domingos de manhã. Quero cama desarrumada, lençol, café e travesseiro. 
Quero seu beijo. Quero seu cheiro. 
Quero aquele olhar que não cansa, o desejo que escorre pela boca e o minuto no segundo seguinte: nada é muito quando é demais."

Fernanda Mello

[quero, quero isto tudo que são pequenos nadas, coisas simples, coisas sentidas, genuínas, com a densidade do gostar que queremos na vida, onde nos sentimos completos, inteiros e bem. Quero ronha e mimo e beijos e conversas e meiguice no toque e desejo no olhar. Quero enroscar-me e não saber onde o nós começa e eu não acabo. Quero chegar a casa e começar-me num nós que nao acaba e que se começa de cada vez que um olhar é a nossa casa e a vida toda.
É isto é só isto tudo. É isto que quero. E existe. E eu sei. ]

Boa noite


"Mas não dizíamos que todo o blogger escreve para ser lido?
(...)
Sabendo de antemão tudo isto, o blog do Menino De Sua Mãe posiciona-se desde o seu início num terreno “difícil”: falar de forma séria e desassombrada sobre sexo, sobre a vida, sobre amor, sobre literatura, ser, portanto, um blog “de autor” porque o fio condutor, o que une os textos, é a visão do autor sobre o mundo. Ao mesmo tempo, o autor não dá a cara, esconde-se atrás de um personagem, do Menino, sem idade, sem rosto, sem profissão definida, sem amores assumidos nem lugares a que chama seus. 
(...)
Mas, ao mesmo tempo, é um blog cheio de imagens de gente nua, mesmo quando se fala de poesia, um blog com palavrões, um blog que não se pode recomendar aos amigos, um blog que não se pode partilhar no Facebook.
(...)
Se calhar, o Facebook tem razão: se calhar o Menino é um blog perigoso, neste mundo onde é cada vez mais perigoso ser a ovelha fora do rebanho, neste mundo onde é cada vez mais perigoso ter ideias, cada vez mais mal visto pensar pela própria cabeça."


E só agora é que eu vi isto!!!!!!

Ohhhhh Menino e eu a pensar que tu não escrevias para ser lido, e que pedias para caridosamente ocultarem a autoria dos teus textos, do personagem que criaste para poder escrever, para poder ter um blog de autor, ainda que sob anonimato da verdadeira pessoa por trás do Menino... sabes, como pessoa inteligente que sou e que és, e que tanta gente - mesmo que não muito dotada dessa coisa chamada inteligência -, percebe é que se se cria um personagem é para proteger a pessoa real que lhe veste a pele, não prejudicando o feedback e o poder ser reconhecido como autor do que escreve (bom ou mau, opiniões cada um tem a sua)... afinal como dizes tens um blog de autor. E eu sabia disto, até de já o termos comentado em conversas casuais das desonestidades intelectuais que por aí pairam... e agora que vejo este teu post relembro-me do que uma certa vez me ri pela soberba presunção de certas pessoas da estupidez alheia (e valente lata, para não dizer uma coisa mais feia..) de dizer que, depois de copiar (não partilhando da fonte, como é suposto ou normal numa situação destas, e numa plataforma global como o facebook pretende ser...) omitiu a autoria "a vontade do próprio", não por falha ou esquecimento ... o que eu me ri quando me contaram isso, a sério... ri-me do ridículo da coisa, mas todos os casos semelhantes me irritam, acho muito feio, mesmo. E já me aconteceu a mim - uma página do facebook que sigo, de repente, começar a pôr trechos de textos aqui do blog sem a respectiva autoria ou link... passei-me... outra vez houve que reconheci outros textos de outros blogs, e na caixa de comentários pus o link para a origem; e doutra vez ainda vi numa dessas páginas textos  duma blogger que adoro ler e avisei-a, e hoje até falamos e trocamos mensagens, conhecemo-nos por causa desse episódio. Detesto realmente estas cenas tristes... No teu caso, soube-o mas nada fiz, nem podia, mas no que eu puder evitar, ou repôr a justiça das autorias, farei.  Bem sei que não mudo o mundo, mas pronto... apedrejem-me.

Acerca disto devo ainda dizer  que eu (quem é de facto a Eva da vida real) também não partilho links do teu blog no facebook sítio onde tenho contactos desde profissionais a pessoais, mas também não copio ( mas copio aqui no blog - e muito - e sempre com a autoria e respectivo link, tudo o que não tem autoria é meu mesmo), e já recomendei a viva voz o teu blog a vários amig@s, aqueles que me conhecem e sei que podem apreciar a extraordinária escrita e reflexões várias que me fazem ler-te amiúde.

(adoro estas rosinhas, são lindas e cheiram tão bem!!.. 
vamos lá animar o dia depois deste interregno silencioso...)

Bom Dia!