Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

07 maio 2015


... Isto sim, era um bom programa para amanhã... Bom tempo, praia, o marulhar a entreter os ouvidos, o entardecer salgado... E pronto, o resto, a trinquinha marota, é só um pequeno grande pormenor. Daqueles que fazem a vida respirar a alma pelos poros da pele, que tiram da ribalta o lugar, ou o clima, porque esses pormenores fazem o lugar, e a companhia permite esse pormenor de nos deixar existir assim, a pairar entre pormenores com vida dentro. Infelizmente o lugar - que esse eu poderia arranjar - não faz esses pormenores, e o resto ainda não arranjei, e não é um pormenor. É tudo, o resto é paisagem. 
Eu por enquanto vejo a paisagem sozinha, e gosto, é a melhor coisa, logo a seguir à paisagem não interessar nada.

Boa Noite

06 maio 2015

Só me quero ir embora daqui. Quero estar sozinha, ficar sozinha, não quero nada à minha volta, não quero sentir que existe nada à minha volta, que nada chegue a mim, que nada me toque, que nada me seja. Estou exausta do mundo, estou farta dos dias, fujo das noites. Durante o dia varro a memória para baixo do tapete do trabalho, dos problemas que se agigantam de dia para dia, à noite invade-me o passado que devia ter passado para me esquecer do presente que não vai trazer futuro, de tudo o que à minha volta se desmorona numa lenta angústia e rastejante crueldade, como a pele que nos arrancam devagar e a frio nas quentes extremidades nervosas, que gritam em modo mudo, e nada muda, só a frequência da dor, só a cadência do choro que não se chora, não se soluça, mas nos rola disfarçadamente rosto abaixo, para ir cair onde não se vê. De noite sonho com quem me atormenta e de quem fujo entre as minhas próprias sombras durante o dia, nem a dormir tenho descanso. Estou cansada e não aguento mais, nem quero aguentar mais, quero estar sozinha, ficar sozinha, onde nada mais exista, ou se calhar, onde eu não exista. Onde feche os olhos e simplesmente não seja, nada me seja, nada me falte, em que possa ser nada sem o sentir. Estou farta.

[e para cereja no topo do bolo acabo de me aperceber que há gente mesmo parva, enfim, vou-me mesmo embora, que se foda, também não estou cá a fazer nada mesmo. siga.]

O que desfoca não é o movimento, é tentar pará-lo onde o tempo não é variável.
Como a memória, como a fotografia. 
Como o passado.
Onde o tempo não é movimento.
Não mexe, não passa, desfoca.

Boa Noite


05 maio 2015


Eu não. Eu adoro olhar as estrelas; olhar as estrelas é perto, todas as noites está à distância de uma janela. Gostar só do que está longe quando está longe, não é gostar, é imaginação (ou mentira).
...era o que me apetecia...
esta paisagem, a banda sonora que ocupa tão bem o silêncio. 
O contar, medir e pesar cada onda que lambe a areia e dela se despede sem um beijo, sem nada, só com a espuma do ondular que vai e vem. E eu ali, sentada, a ver o vai e vem sem me faltar um beijo, sem dar pela falta de nada, a ouvir a música do mar sempre apaixonado que me apaixona.
E eu, com um sorriso salgado de mar nos lábios, de quem já não mede o horizonte, apenas se prende ao chapéu para não voar na espuma dos dias que ondulam, no vai e vem, sem um beijo sequer.
Era isto. ser isto, assim, sendo eu, porque não sei ser mais ninguém. Nem quero.

Bom Dia

04 maio 2015


Hoje estou com aquilo a que chamavam vontades assassinas, parece-me que também as raivas são como as cerejas... umas puxam as outras, ou parece... até achei por bem pensar em coisas boas que me acalmassem as raivas... eu estava a tentar, assim com estas coisas, com este ar de paz e tranquilidade, cores claras e leves... e parar de ouvir ecoar  na minha cabeça, alguém transformar tudo em defeito, alguém repetir vezes e vezes, ao longo dos anos, que era mulher demais para ele... Hoje apetece-me concordar, se calhar tinha razão, se calhar sou mesmo, terei esse defeito, ainda bem que nem toda a gente o tem. 
Agora só me falta alguém que não me veja esse defeito, mas ache que sou uma mulher à (sua) altura, quem queira alguém ao lado para que possam crescer juntos, sem um se sentir melhor ou pior que o outro, acima ou abaixo do outro, mas ao lado. Se não entenderam isto se calhar têm razão... É melhor não terem ao lado quem acham ser mulher demais para eles. Devem ter razão.

Não sei porque me lembrei disto hoje, ou agora, mas talvez tenha a ver com o ter barafustado com toda a gente hoje, de ter sido um dia mau, e me lembrar que me chamavam fera e outras coisas - entre elas que assustava os homens, e, claro, esta pérola, de ser mulher demais para ele... enfim é um defeito tramado este de ser mulher demais é que nem posso cortar os tomates para ser menos... não faço ideia como se pode minorar este defeito...

E pronto, hoje chega senão ainda bato mesmo em alguém!!!... que o caminho e o vendaval me esfriem as raivas...

... isto hoje está mesmo bera.... a sério!!
estou fartinha: FAR-TI-NHA!!!
esta gente só com os dentinhos todos para dentro, a sério.... gajos imbecis, cobardes, dizem o que desdizem, desdizem o que disseram, não assinam para poder desdizer (ou então não sabem, sei lá... tal é o grau de inteligência já desaprenderam a ler e escrever...) e uma pessoa que os ature.... mas eu tenho de aturar esta gente? a sério, tenho?? hummm? não posso mandar tudo à real merd@?... e não me chatear mais, comprar um cantinho na costa alentejana e fugir desta gente doida que me põe maluca???.... a sério, há muita falta de tomates nos homens que vejo por aí, e é daquelas coisas que realmente só quando a falta é muito notória, que  até sem grande conhecimento de carácter se dá por ela... homens com fruta à altura conheço poucos, muito poucos mesmo!!  é uma tristeza... mas parece que é moda... irra!!!

Pois... E tu S. Pedro estás a pedi-las... Não sei como foste parar a esse departamento, mas estou em crer que não será a tua vocação...Já nem a desculpa do Abril, águas mil, tens, já estamos em Maio, meu caro, por isso vê lá se deixas de te armar em rebelde e providencias um clima para estrear umas roupinhas, e estender a preguiça ao sol, que uma rapariga tem de ter algumas alegrias na vida, né? 

Bom Dia
Sussurra-me quem és 
todas as noites,
Apaixonar-me-ei, de novo, 
todos os dias.

Boa Noite

03 maio 2015



E hoje disseram-me "só me rio quando vens cá", e eu ouvi isto e pensei que sirvo para pouco, mas que esse pouco, às vezes, pode ser muito. E a mim tantas vezes me basta, me bastou, saber ou sentir isto, porque sim, das coisas que gosto é de fazer rir quem gosto de ver rir, de pôr bem disposto quem gosto. Põe-me bem disposta, cheira-me um pouco a felicidade, mesmo que só levemente. E as vezes estou chateada, outras até magoada, mas se sinto que não estão bem, só penso em virar-lhes a disposição, dizer disparates e ouvi-los rir. Há vezes em que não ouço nem vejo, mas desconfio (primeira versão é de longe muito melhor...)

02 maio 2015

Estava no banho e pensava que o segredo talvez seja estar-se bem sozinho no meio de quem for. Estar-se bem connosco, sozinho ou com verdadeira companhia, ou com companhia que é só soma de corpos. Estarmos bem connosco não importa onde estivermos. E eu estou bem comigo, estou cada vez mais em paz com quem sou, mas ainda tenho saudades de mim, como se houvesse uma parte da minha alma que tenha partido e ainda não encontrou regresso. Talvez tenha atravessado uma ponte que se teve de queimar. Talvez fique para sempre órfã dessa parte de mim, era precisa essa ponte para me regressar ao que era. Talvez regresse por outros lados  talvez deixe de ter saudades de mim como agora, mas nunca mais serei a mesma. Mesmo que me seja inteira de novo, será por outras pontes que não serão queimadas. Das grandes questões da vida é saber que pontes atravessar e que pontes queimar. 

You... May!!
Podes e deves, seu danadinho... 
eheheh

Bom Dia!

01 maio 2015


... Deve estar farta de andar, irra!! Vejam lá se acaba a maratona... E a chuva!! 
Já me apetece sol e primavera e no corpo o andar leve do tempo claro...
Bom dia!

30 abril 2015

(foto @nolenchristopher)

e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia

Al Berto

[o anoitecer cai-nos devagar na existência com o sentimento pesado da nossa rápida inexistência. A melancolia veste-nos pacientemente cada poro, um manto que não aconchega quando a noite chega e se instala no nosso abandono.]
... Que bela fruta!! Sim senhor!!
Duma fruta destas ao pequeno almoço é que eu precisava... Dizem que faz bem, a fruta logo pela manhã, e eu agora ando muito zelosa do meu bem estar... Tenho de providenciar um pequeno almoço assim... Tudo em nome da vida saudável, claro!!

Bom Dia!!

29 abril 2015


"Erótica é a alma que se diverte, que se perdoa, 
que ri de si mesma 
e faz as pazes com sua história.
 Que usa a espontaneidade para ser sensual, 
que se despe de preconceitos, intolerâncias, desafectos. 
Erótica é a alma que aceita a passagem do tempo com leveza, 
erótica é a alma que não esconde seus defeitos, que não se 
culpa pela passagem do tempo. 
Erótica é a alma que aceita suas dores, atravessa 
seu deserto e ama sem pudores."

Fabiola Simões (a partir da frase de Adélia Prado "Erótica é a alma")

Ámen. 
Erotismo é espontaneidade, é rir com vontade, é chorar quando dói, é sermos nós, com o peso dos dias e a leveza dos sonhos. O genuíno é erótico, é cativante, é sensual. O melhor afrodisíaco é a intimidade duma conversa onde cabe o riso e a falta de siso, o doce do mimo com o sal do desejo, o silêncio que comunica, que não é vazio mas pleno. Porque há pessoas a quem por tudo que se diga, tudo fica, ainda e sempre, por dizer, como se as palavras se tornassem redundantes numa conversa que continua no silêncio, no riso, no mimo, no corpo com alma.
Erótica é a alma, o corpo ecoa. 

Boa Noite

... Já só falta a princesa... 
Brincos já temos...


... Verdade.
Tenho de retornar as minhas resoluções de novo ano (e que maldito ano, senhores...)
E acrescentar outras tantas medidas... Não posso sair de casa sem pequeno almoço de jeito e mantimentos para meio da manhã e tarde; não posso estar muito tempo sem comer porque não me apetece  ter de ir mesmo ao médico (nem os posso ver à frente, aliás...); tenho de ir definitivamente fazer exercitar o esqueleto, e à falta de melhor tem de ser num ginásio ou afins; vou outra vez voltar a arranjar-me um bocadinho de manhã, eyeliner e rimel e o olhar torna-se mais apresentável e a disposição também, temos de ajudar o pouco que temos... Voltei a usar brincos, ao fim de algum tempo, depois de várias tentativas frustradas de os pôr para os voltar a tirar porque não me assentavam no espírito (é engraçado é  a segunda vez na vida que o faço, desta vez mais tempo e não so brincos como tudo o que enfeitasse, mas suponho que é um pormenor  só meu que ninguém repara, e eu gosto disso de ninguém ter reparado e ser só meu, é talvez a minha forma de sentir as coisas que tantas vezes passa ao lado de quase todos, os que notam, poucos, são os que valem a pena), voltei a pô-los, faltam os anéis agora, falta voltar ao normal, ainda me falto, no fundo, mas quero-me inteira e muito eu, ainda que tenha de sangrar como as orelhas ao fim de tanto tempo sem brincos. Sangra-se de muitas maneiras, de algumas também se purga, só não podemos desistir de nós. Ou eu não quero. E agora vou passear que o sol já me espera... Ainda que a cara ainda não tenha melhorado... Um dia melhora. De dentro para fora, como tudo em mim.

Bom Dia

Sim, estamos sempre a tempo de viver e de fazer pela vida que queremos viver. Temos de estar. Ou já estaremos mortos, ainda que a respirar. A única regra é essa: tentar transformar o tempo em vida. Sempre. 

Boa Noite

28 abril 2015



... Do mesmo sítio muitas vezes vemos coisas diferentes. Onde transbordavam cores quentes hoje aqui, neste mesmo sítio, vejo um azul frio. Amanhã, quem sabe, o dia voltará a ser pincelado com a audácia das cores quentes, que mergulham a pele em vontades e quereres apaixonantes. Amanhã é sempre um dia diferente. Até hoje, passado uns minutos de aqui chegar, já é diferente. Ou eu acho. Ou eu quero.