Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

20 maio 2013



... As minhas cores...
Adoro estas cores de fogo do dia a despedir-se.
Ohhhhh...pronto 'tá bem, já que insistes...
ahahahhaah

apetece-me o doce que tenho no frigorífico. apetece-me o doce que tenho no frigorífico. apetece-me o doce que tenho no frigorífico. apetece-me o doce que tenho no frigorífico. apetece-me o doce que tenho no frigorífico. apetece-me o doce que tenho no frigorífico. apetece-me o doce que tenho no frigorífico. apetece-me o doce que tenho no frigorífico. apetece-me o doce que tenho no frigorífico. apetece-me o doce que tenho no frigorífico. apetece-me o doce que tenho no frigorífico. apetece-me o doce que tenho no frigorífico. apetece-me o doce que tenho no frigorífico. apetece-me o doce que tenho no frigorífico. apetece-me o doce que tenho no frigorífico. apetece-me o doce que tenho no frigorífico. apetece-me o doce que tenho no frigorífico. apetece-me o doce que tenho no frigorífico...apetece-me o doce que tenho no frigorífico.
(estava a ver se passava a vontade... não resultou!! quando chegar a casa vou-lhe fincar o dentinho como gente grande!! Vou ficar celulitica até dizer chega, mas como diz a minha rica mãezinha "também já não perdes casamento".. e não, já perdi tudo o que tinha perder, não me resta merd@ nenhuma! que s'a fod@ venha o docinho que pelo menos esse não me amarga a boca)
Sou eu em versão com escamas...
uma tristeza... sou logo descoberta: peixinho pequenino e não animal com dentes de tubarão...
bahhhhhh....

Hoje no rádio de manhã... tive mesmo de sucumbir ao sorriso da imaginação...
Há coisas que só se imaginam com quem uma pessoa só consegue ser ela mesma.
Tímida ainda mas doida também, deu-me vontade de brincadeiras destas, de se aproveitar enquanto de pode, nunca se sabe se o homem nos desaparece no dia a seguir...
(e quem não se lembra desta cena no 9 semanas e meia?..)
Bom Dia!!

PS - parece que o senhor faz hoje anos... que voz!!
Há dias em que estou assim esquisita com as entranhas num grande novelo a emaranhar-se ainda mais, a puxar e repuxar ainda mais as pontas mal cosidas à pele. É uma sensação tão estranha e tão ignorante de razoes que às vezes me convenço que não sou eu que estou mal, que és tu e que há uma telepatia qualquer que te passa para mim. Sou doida, eu sei, mas sinto isto muitas vezes; algumas, dantes, vinha a saber que eram verdade, ou então apenas coincidências, não sei. Sei que é estranho e sinto-me estranha e nunca sei o que se passa contigo, nunca sei nada, nem tenho como saber - nao posso, como tu podes, saber o que me vai na alma se quiseres, mas fico com a sensação que és tu e isso mói-me.

19 maio 2013

Esperando boleia para um café com historias que se comem à colher, que eu preciso comer, saber que é possível, que existem, sentir-lhes o cheiro e reconhecer o sorriso que fazem nascer. Não quero perceber que reconheço esse sorriso porque já o tive, porque afinal ainda o tenho quando olho para trás. Em muita coisa reconheço essa pitada extraordinária de felicidade fácil, sem espinhas, das coisas simples - do simplesmente estarmos com quem queremos, com quem gostamos - tanto, que é preciso uma lupa e muita vontade para ver o resto do mundo que foge quando pessoas assim se juntam. E o depois, o sobreviver a essa perda, como se faz? Quando o outro é arrancado de nós sem aviso e sem ser a sua vontade, mas a das coisas, da vida, da morte. E como se faz quando a perda é só nossa por opção do outro?
Boa Noite

(...)
Hoje, aqui, já, neste momento,
Ou nunca mais.
A sombra do alento é o desalento
O desejo o limite dos mortais.

Miguel Torga
[nem hoje nem amanhã, nem aqui nem noutro lugar, é sempre o nunca. sempre o desalento do nunca mais. o nunca mais que queres sempre para sempre]

18 maio 2013



Aparentemente uma espécie em vias de extinção...
Coitadinhas, será que o greenpeace ou assim dava uma mãozinha?
E agora fumar um cigarro e depois ganhar coragem para fazer piscinas carregada de sacos. Não há dinheiro para ginásio por isso umas piscinas com sacos sempre fazem fazer exercício... Bahhhh


E não há maneira de ressuscitar...
Bom dia

17 maio 2013


Na véspera de não partir nunca
Ao menos não há que arrumar malas
Nem que fazer planos em papel,
Com acompanhamento involuntário de esquecimentos,
Para a parte ainda livre do dia seguinte.

Não há que fazer nada
Na véspera de não partir nunca.

Grande sossego de já não haver sequer
De que ter sossego!
Grande tranquilidade a que nem sabe encolher ombros
Por, por tédio, ter passado o tédio
E ter chegado deliberadamente a nada.

(...)

Álvaro de Campos

[chegamos a nada quando não partimos nunca. não precisamos de malas, desarrumamos tudo cá dentro, mas temos tanto peso na alma que sobra nos ossos. É sempre véspera, nunca é véspera, porque nunca nada acontece. nunca se começa a viagem, apenas se encolhem os ombros, já nada se espera, já nada se faz na véspera de não partir nunca.]
Eu bem queria, queria, mas não tenho sorte nenhuma...



...fucking asshole!!!
 ASSHOLE!!!


(...)
E logo ela é só flama, inteiramente.

Com um olhar põe fogo nos cabelos
e com a arte sutil dos tornozelos
incendeia também os seus vestidos
de onde, serpentes doidas, a rompê-los,
saltam os braços nus com estalidos.

Então, como se fosse um feixe aceso,
colhe o fogo num gesto de desprezo,
atira-o bruscamente no tablado
e o contempla. Ei-lo ao rés do chão, irado,
a sustentar ainda a chama viva.
Mas ela, do alto, num leve sorriso
de saudação, erguendo a fronte altiva,
pisa-o com seu pequeno pé preciso. 


Rainier Maria Rilke


[há quem dance Tango apenas a andar, há quem tenha salero no olhar, há quem saiba  rodar a baiana só quando a ocasião o exige. Tudo na vida tem um ritmo a que temos de responder, mas nunca sem o sentir - de dentro para fora. Só assim tem alma que se vê nos gestos mesmo calados, só assim mostramos alma, só assim temos alma. A minha anda apagada, muito apagada, tenho de voltar a pisar o chão com sal, olhar com chama, dançar cheia de Tango dentro. Falta-me qualquer coisa. Qualquer coisa que não é uma coisa...]
Verdade...
os dias passam, as semanas passam, os anos passam
e uma pessoa parada, a querer uma vida que não chega, mas que não depende apenas de si mudar...
e para mudar de vida é preciso querer - querer mesmo - senão ficamos parados.
Eu ainda não quis, na verdade, ainda ninguém quis mudar de vida, e aí é que está o problema.
Estou, continuo,  presa mesmo que sem fios, sem nós, sem nada. 
 Há fios de forças invisíveis que me prendem, que me fazem não querer mudar, e por isso me vou ficando. 
A cismar na vida que queria, na vida que quero, e não chega.
 Não sei até quando.
Qualquer dia é Natal.
Tenho de querer mudar.
(Mudar implica, também,  fechar aqui o tasco, tenho andado a pensar nisso, e só de pensar custa.)




"A vida me deu mais do que pedi e mereci. Não me falta nada. Tenho Zélia e isso me basta."
Jorge Amado

Vinha com uma série de palavras na ponta dos dedos, uma quantidade de pensamentos a chover-me na alma como nos campos, depois li isto, e achei que isto sim é algo a que devemos dar ouvidos, esperar e fazer por encontrar. Conheci há pouco tempo uma mulher que também me fez acreditar que isto é possível, ela viveu-o, ela fala no marido que já não tem como o "meu homem". Quando ela o disse, eu de alguma forma liguei-me a ela como alguém quer agarrar a primavera, houve um pequeno click que encaixou, porque eu já disse para dentro, para mim, aquela mesma expressão, com aquele mesmo sentido e não outro, em frente ao espelho enquanto me penteava e o via no espelho atrás de mim a olhar-me. Era isso não havia outra maneira de o dizer - é o meu homem. Acho que pouca gente poderá entender o alcance, e a profundidade, e a doçura, dessa expressão "o meu homem" - não é posse, ele pode nem ser nada, em nada, nosso, mas é o único que nos tem, mesmo que não tenha, é o único que temos por nosso porque o único que nos tem, de quem queremos, e sentimos, ser. É só isto, é simples mas é tão, mas tão, raro. É uma expressão com conotação pouco bonita, pouco elegante, mas quando a disse, não havia, nem há, outra maneira de a dizer. E é bonito, é o mais bonito que se pode dizer e ter; assim como esta frase do Jorge Amado "Tenho Zélia e isso me basta" - ninguém pode almejar mais, eu pelo menos não, era só o que queria, dizer uma coisa assim: e eu só digo o que sinto, não me saem as coisas da boca, ou dos dedos, levianamente; deve ser por isso que, também há pouco tempo, me disseram intensa. Não sei o que é isso de ser intensa, mas se é pensar e sentir além da superfície, que a chuva lava e molha, devo sofrer desse mal, sim. E ainda bem.
Bom Dia!!

16 maio 2013




Hoje acordei com um pensamento a martelar-me a cabeça, a amarfanhar-me o ser, a fazer-me torcer o nariz à vida. Estranho, não sei porquê, sei que sonhei durante a noite, e deve ter sido o sonho que me abriu os olhos quando abri os olhos de manhã. Já sei porque me respondes que não interessa como estás, já sei porque o silêncio é a tua resposta a tanta coisa: porque a resposta é chata de dar, é incómoda de dar, porque é chato ser sincero, honesto, verdadeiro, porque às vezes magoam-se as pessoas com a verdade; não porque as queiramos magoar, mas porque muitas vezes a verdade magoa, e as pessoas preferem ocultar a verdade atrás do silêncio, continuarem a fazer-se de bonzinhos, a insinuar por meios silêncios, que sim, que gostam, para não magoar ninguém e provavelmente não gostam mesmo é de ninguém. As verdades duras implicam coragem também para quem as diz, por isso os cobardes as calam; por isso, quando te perguntei como andas, como anda a tua vida, não respondeste - tentando uma vez mais queixares-te estoicamente que não te queixas - refugiares-te no silêncio que diz o que se quiser ouvir, porque custa-te dizer que andas bem, que andas muito melhor: que a tua vida sem eu nela é muito melhor, mais calma, mais tranquila, mais pacifica: que tudo voltou ao mesmo na tua vida, mas para melhor - que apenas te faço diferença para melhor com a minha ausência - que é o que tu queres e tens, e foi o que percebi no teu tom de voz ao telefone há dias. Não mo queres dizer porque não queres ser chato, não me queres magoar, e não percebes que quem pergunta, o que quer que seja, tem direito a uma resposta honesta, sincera, verdadeira, pelo menos quando as pessoas em questão já tenham sido (no mínimo)  próximas, acho que merecem esse respeito, merecem essa verdade ainda que dura, porque ninguém pediu para ser poupado à verdade, apenas poupado à mentira. 
Estou chateada, danada, sou uma estúpida, uma burra chapada, uma mulherzinha sem jeito nenhum, sem ponta por onde se pegue. Estou chateada hoje - muito. Porque só percebi tanta coisa agora? porque não quis ver antes, quando mais uma vez me deram silêncio por resposta, quando já me disseram que silêncio é oferecido quando a resposta é dura para quem ouve? Já mo disseram e eu continuo a não ouvir a resposta que o silêncio grita. Porquê?
A culpa é só minha, e talvez por isso, esteja ainda mais chateada, mais danada comigo - desiludida. Sou muito estúpida.

[mirtilos?? amoras?
(são? nem sei...sou muito ignorante)
doce delas... é preciso esmagá-las para o ter,
para o comer.]
Bom Dia