Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

31 maio 2013


Não te rendas

Não te rendas, ainda estás a tempo 
De alcançar e começar de novo, 
Aceitar as tuas sombras, 
Enterrar os teus medos, 
Libertar o lastro,
Retomar o voo.

Não te rendas que a vida é isso,
Continuar a viagem
Perseguir os teus sonhos,
Destravar o tempo,
Remover os escombros,
e destapar o céu.

Não te rendas, por favor não cedas,
Mesmo que o frio queime,
Mesmo que o medo morda,
Mesmo que o sol se esconda,
E se cale o vento,
Ainda há fogo na tua alma
Ainda há vida nos teus sonhos.

Porque a vida é tua e teu também o desejo
Porque o quiseste e porque eu te quero
Porque existe o vinho e o amor, é certo.
Porque não há feridas que não cure o tempo.

Abrir as portas,
Tirar os ferrolhos,
Abandonar as muralhas que te protegeram,
Viver a vida e aceitar o repto,
Recuperar o riso,
Ensaiar um canto,
Baixar a guarda e estender as mãos
Abrir as asas
E tentar de novo,
Celebrar a vida e retomar os céus.

Não te rendas, por favor não cedas,
Mesmo que o frio queime,
Mesmo que o medo morda,
Mesmo que o sol se ponha e se cale o vento,
Ainda há fogo na tua alma,
Ainda há vida nos teus sonhos
Porque cada dia é um começo novo,
Porque esta é a hora e o melhor momento.
Porque não estás só, porque eu te amo.


MARIO BENEDETTI 
traduzido por Inês Pedrosa

[gosto deste Mario!! Muito!]
Coisas boas...
(de que já desisti, mesmo...bahhhh)

30 maio 2013

Chove tanto nos meus olhos, mas nada pinga.



não quero mentir mais. estou cansado de mentir.
vejo o teu rosto parado numa fotografia e a memória
que guardo de ti é tão diferente da realidade assustadora das fotografias.
mas não vou mentir. estou cansado de mentir.
a minha vida também és tu, o teu rosto parado na minha memória.
a minha vida és tu e todas as mãos que me seguraram e me quiseram,
todos os lábios que me beijaram, todas as línguas que me desenharam figuras
na pele, todos os dentes que me morderam, todas as vozes que me disseram amo-te
e me fizeram acreditar nisso. não quero mentir mais. estou cansado de mentir.
não és quase nada, mas não quero e não vou fingir que nunca exististe.

José Luís Peixoto



[li isto e por momentos achei a tua voz nas palavras, no que as palavras fazem sentir.;podias ter escrito isto, mas a tua voz na minha cabeça, a dizê-las, subscreve-as na perfeição - és tu, é como se fosses, só não tens o meu rosto emoldurado em fotografias, e não sei se estarás cansado de mentir. ]
"Meu "ANJO"lindo." 
Há uns tempos deixaram este comentário anónimo aqui no blog.
Acho que se enganaram, deve ter sido na porta errada, 
deviam andar à procura duma porta que guardasse um anjo destes da foto...
com asinhas e tudo...

Boa Noite

29 maio 2013

Que queriam fazer de mim?

Uma palavra, um gemido obsceno,
Uma noite sem nenhuma saída,
Um coração que mal pudesse
Defender-se da morte,
Uma vírgula trémula de medo
Num requerimento azul, azul,
Uma noite passada num bordel
Parecido com a vida, resumindo
Brutalmente a vida!

A chave dos sonhos, o segredo
Da felicidade, as mil e uma
Noites de solidão e medo,
A batata cozida do dia-a-dia,
O muscular fim de semana,
As sardinhas dormindo,
Decapitadas, no azeite,
O amor feito e desfeito
Como uma cama
E ao fundo – o mar…
Mas defendi-me e agora escrevo
Furiosamente, agora escrevo
Para alguém:

Lembras-te, meu amor, dos passeios que demos
Pela cidade? Dos dias que passámos
Nos braços da cidade?
Coleccionámos gente, rostos simples, frases
De nenhum valor para além do mistério
Também simples do nosso amor,
Inventámos destinos, cruzámos vidas
Feitas de compacta vontade,
De dura necessidade, rostos frios
Possuídos por uma ausência atroz,
Corpos extenuados mas sem nenhum sono para dormir,
Olhos já sem angústia, sem esperança, sem qualquer
Pobre resto de vida!
Seguimos a alegria das crianças, agressiva
Como o carvão riscando uma parede,
Aprendemos a rir (oh que vergonha!...)
Com a gente «ordinária», e calados
Descemos até ao rio – e ali ficámos
A ver!

O amor continua muito alto,
Muito acima, muito fora
Da vida, muito raro
E difícil: maravilhoso
Quando devia ser fiel,
Fiel em cada dia,
Paciente e natural em cada dia,
Profundo e ao mesmo tempo aéreo,
Verde e simples,
Como uma árvore!

Ganhámos juntos o que perdemos separados:
A luz incomparável, esta luz quase louca
Da primavera, esta gaivota
Caída dos ombros da luz,
E a leve, saborosa tristeza do entardecer,
Como uma carta por abrir,
Uma palavra por dizer…


(...)

agora escrevo, Alexandre O'neill


[lembras-te?... de alguma coisa?  lembras-te do que éramos juntos, do que ainda somos se estamos? lembras-te que me ensinaste a rir sem vergonha de rir? não? não te disse que foste tu que me alargaste o riso? se calhar não... lembras-te que me ensinaste que o amor é quieto e calado, mas revoluciona qualquer tempestade, para poder continuar a ser quieto e calado, ou malandro quando lhe dá para isso - que faz tudo para apenas continuar a ser, é um sobrevivente, acima de tudo, é um selvagem sobrevivente. lembras-te? lembras-te quando dizias que me adoravas e não fugias? lembras-te quando as coisas ainda faziam sentido, e tu não eras em mim nem eu em ti? lembras-te de dizer que tudo tinha deixado de ter sentido depois? de que te lembras tu? eu lembro-me que dizias que quando se ama não há como ir dormir sem saber se o outro está bem, sem se assegurar que está, quando dizias que por muito cansaço que o corpo trouxesse do dia, enquanto houver paixão, não há cansaço que não abrace, que não beije com vontade - lembras-te? eu agora lembro, e percebo,  porque é que nunca consigo adormecer tranquila. e tu, como consegues ir dormir?... não te lembras?]


Há muito tempo disseram-me que tinham ganho a lotaria, eu disse que então convinha reclamar o prémio. Há pouco tempo disseram-me que se ganhassem o Euromilhões compravam uma companhia de aviação e se tornavam excêntricos, eu não disse nada. Hoje calhou-me este pacote de açúcar, e achei tudo excêntrico e sem prémio. E disse de mim para mim: merd@!
PROCURA-SE!!
...Kéo café cum cafuné....
Bom Dia!!

28 maio 2013

O tempo não cabe entre nós, passa, mas não fica.
A linha do tempo enfia-se na agulha que nos cose de volta as almas que nunca se descoseram,
junta o tempo que passou com o que falta passar, 
cose-nos com a linha do tempo, e o tempo perde-se. 
Passa, mas não entre nós, cosidos por ele.
Boa Noite
(há dias que gosto de pensar assim:  que ainda não nos descosemos, que há uma linha embrulhada que nos junta)


Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Clarice Lispector


[e depois? como se faz depois do abraço para a repôr nos sonhos, se na realidade não tem lugar para nós? ]
True.


(...)
- Sei que existem duas hipóteses. Sei que vão existir sempre duas hipóteses. 
- Quais são?
- Com ela ou sem ela. 
- ...
- E sei que, se formos fazer uma análise profunda, só existe mesmo uma hipótese.
- Como assim?
- Só existe com ela.
- ...
- Se decidir estar sem ela não vou deixar de estar com ela. 

(...)

"In Sexus Veritas", de Pedro Chagas Freitas

[...por isso mais vale estar...mesmo]
Sim!
Sim!!
Sim!!!!
'Bora.... vamos lá!
Bom Dia

...se calhar entornou-se o café, e ele é poupadinho...
sim, senhor! nada de desperdícios...
ehehehhe
Boa Noite 

27 maio 2013

Tu dizes que eu não te sair da cabeça é uma coisa má (jnmabs...). Eu digo que seres, e continuares a ser, o meu pesadelo é o mesmo. Só que tu até nos sonhos me invades sem licença. Não entras nem sais - estás sempre.
...porque o mundo é frio.