Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

12 dezembro 2014




.... Dizem que é Natal e eu ainda não dei por nada, e acho que vou continuar assim. Dantes gostava da época de Natal, agora não. Parece-me uma coisa cada vez mais pequena apesar de em todo o lado a queiram esticar mais e mais no tempo. Mas a magia parece encolher... Ou a mim parece. Já o café quentinho a aquecer este frio, é bom.

Bom dia 

11 dezembro 2014

Ainda não acendi a lareira este ano, coisa estranha em mim, muito estranha, porque adoro a luz da lareira, da nostalgia que nos aquece, das memórias que ainda queimam. E ainda não é hoje. Não ainda. Hoje são meias grossas até aos joelhos, um camisolao quente e uma manta para me embrulhar. Uma manta que me cobre e tanto me descobre... Os olhos a poisarem no par que me acompanha: um chá e um livro. Um  chá bem doce e morno, embrulhado numa caneca baptizada com uma frase que gostei mal bati os olhos. Por isso a escolhi. E o livro, o livro para ler e parar de ler para pensar no que se lê, e tantas vezes a reler e voltar a ler até me fazer sentido, porque não se entende à primeira, ou eu não. E depois moer e remoer ideias, mastigar e restar algo que me acrescente. É sempre para isso que acordamos: para nos acrescentarmos mais alguma coisa que não apenas um dia.

(Eu até podia dizer "Bom dia", mas é um bocado tarde, né?)

10 dezembro 2014





(...)
el corazón a veces nos despierta a los gritos
y uno se vuelve sordo de ternura
(...)

Mario Benedetti


[a alma a queimar gritos
a pele a derreter sussurros

lábios que não vêem
olhares que não ouvem.

palavras que não falam,
sonos que não dormem

beijos que despertam,
almas que fogem.

tempos que passam,
eternidades que ficam.

onde a saudade se demora
a ausência não mora.

se a distância aparece
de amor não se padece.


( leio duas linhas deste homem e o que não queria sair começa a correr-me pelos dedos...) ]
Porque às vezes as noticias não são tão péssimas como se estava à espera,
ficamos quase felizes. Quando o menos bom nos tira muitos quilos de peso de cima não há nada que esteja bem, mas temos a certeza de que poderia estar pior. Ou vamos acreditar que sim. Não sou uma mulher de fé, nem de esperança, nem de optimismos, acho que sou - ou tento ser - tão realista que me torno pessimista, porque a realidade tem essa coisa de normalmente nos tirar o tapete da pior maneira e nos enfiar um balde de água fria pela cabeça abaixo na pior altura. Depois há quem ache que dá a volta a tudo, que tudo acabará por correr bem e às mil maravilhas, e há quem sucumba perante a falta de chão, andando à procura dos pés durante uns tempos. Eu penso pertencer ao segundo grupo, caio, ando  uns tempos à procura não sei de quê, acho tudo uma valente merda, mas no caminho percebo que estar no chão não melhora nada, e depois de me deixar cair obrigo-me de alguma maneira a levantar. Mas não encaro normalmente as coisas com a ideia de que tudo vai correr pelo melhor, isso não, apenas de que vou fazer o melhor que possa, e depois logo se verá o que a vida me responde. Sendo que raras vezes ela não se tenha mostrado duma educação muito duvidosa... Portanto, não gosto de esperar grande coisa. Desde que me conheço que sou assim, e os anos só me têm reforçado a (des)crença.
Mas hoje estou uns quilos mais leve que ontem, e gostei deste mocinho quando lhe pus os olhos em cima... gosta do ar sério de gaiato traquina, a armar em solene só porque tem um ramo de flores entre os dentes e vontade de parecer grande.... a mim desarma-me. Dá vontade de dar festinhas e brincar com o gaiato e fazê-lo rir naquele ar solene que tenta pôr...Deve ser um grande parvo, é o que é. Normalmente são esses que me desarmam e nem precisam de vir com flores...
Bom Dia!
... E agora era isto. Colo. Estar perto e estar junto.
Voltar a respirar fundo, sem nós na garganta.
A aflição afrouxa e o espírito descansa, contentando-se com o melhor do pior, quando já só esperávamos o pior do pior. E, então, com o fim do dia, o sofá, e a descompressão, a vontade da paz do colo em silêncio aparece inteira. Ter alguém, não para nos aliviar do que não é bom na vida, do que é nossa responsabilidade, mas para nos fazer aproveitar o que é bom e vale a pena, e nos permite equilibrar o peso de aguentar tudo o resto. 
E aproveitar o que é bom também é responsabilidade nossa. 
Se tivermos calor para dar, e paz, e colo. 

Boa Noite

09 dezembro 2014

Hoje de manhã, tal era o frio, enquanto andava perdida em busca de cumprir uma missão, deixei de sentir as mãos, e dei por mim a pensar que não eram só as mãos que deixavam de sentir, de sentir o que tocavam, o que por fora lhes chegava, o que agarravam e deixavam até cair, sair de mim e deixá-las ir. Toda eu parece que deixei de sentir, a alma congelou algures nestes tempos recentes, cristalizou num momento que não recordo, mas que chego a agradecer. Gelaram-me as mãos de afectos, os lábios de sorrisos sentidos, o olhar do que o fazia brilhar quente, cabreirinho ou meigo. Agora o que surge parece não nascer. As mãos perderam os gestos, ou perderam-se dos gestos que escrevem afectos, perderam-se na mecânica dos movimentos que nos sobrevivem. Que não sentem nem fazem sentir. Nada. 
Cheguei a pensar, enquanto navegava o frio, que tinha dúvidas se o frio que me adormecia as mãos vinha de dentro ou de fora. Melhor, se hoje em dia eu tenho ainda um dentro e um fora. A fronteira já não sei onde fica, ou se existe.
 A alma está tão gelada como a pele. 
Dormente duma dor que mente porque se cala.
Gela como se não doesse.

... Nós não controlamos nada, ou quase nada, do que realmente importa.
Saber lidar com essa impotência é aprender a viver.

Boa Noite

07 dezembro 2014


... Sento-me aqui, com o frio a comer-me as mãos e refastelado na alma, e penso que não sei a que horas despontaram os primeiros raios de luz, que fazem o céu alto de azul bebé que para mim não nasceu. É o fim dum dia sem noite, ou com uma noite esburacada, desdentada sem dentes que mordam, mas que me espapaçam os ossos e me tiram o sangue que não dei. Sangue. Pilhas novas para dois ou três dias, ouvi é fiz por não escutar. E dou por mim a lembrar-me que me pus a lavar a loiça, não sei porquê, não é coisa que me dê, mas tinha de fazer alguma coisa, ou parecer-me que estava a fazer alguma coisa, que podia fazer alguma coisa. Lembro-me do que pensei na altura, da associação de ideias, e de pensar como a vida é estúpida. E agora aqui recordo a frase de quem não me lembro de ver chorar, a não ser há praticamente um ano, e passado um ano, eis que o vejo de novo assim, por minutos rendido ao que nos derruba, e diz apenas "há coisas na vida que podemos escolher, outras não temos escolha". E a lua a esconder-se e o sol que não se vê.

06 dezembro 2014

E de repente o chão falta, os olhos não vêem porque só vêem para a frente e tudo nos foge. O que virá por aí? Que tempestade me espera? Que mais me espera? Quantos mais me fugirão? Como me resto? Em que apoio me posso cair? Que força para ser eu o apoio? Onde está o chão?
Hoje o sol pôs-se às quatro e cinquenta e seis minutos na minha varanda, até lá estava-se bem aqui, de pijama e roupão, meias até ao joelho, uma manta e as mãos frias. A preguiça consegue estas coisas, apanhar o exacto minuto em que sombra se instala onde estamos, em que sol se esconde por trás do horizonte das casas. O exacto instante a partir do qual o frio se instala e a única luz que resta é a que tivermos e nos refugiamos onde encontramos calor.
... Ronha quentinha, que lá fora o sol está frio e aqui o calor aconchega-se a mim. 
Depois de trincar alguma coisa que cale a barriga vou calar a cabeça voltando a fechar os olhos.
(bem sei que a foto não é muito convidativa com o frio que se faz sentir, 
mas há pessoas que nos despem o frio com a roupa, sei disso com a certeza de quem o viveu.
Enquanto não encontro outro desses espécimes ando de meias até as orelhas...
 Mas continuo a gostar das fotos. E de despir o frio com vontade.)

Bom Dia


"A felicidade é uma questão de pontaria."
Mia Couto

Mas se não atirarmos nunca saberemos da nossa pontaria.
A minha é péssima. E péssima comprovada. 
Também é certo que quando (me) atiro é sempre de olhos fechados. 
Exupery não dizia que o essencial é invisível aos olhos? Pois parece que à pontaria também. 
... Ou não. Se calhar o alvo certo ainda não apareceu e a pontaria acertou em errar o alvo.

Boa Noite

05 dezembro 2014


"(...)E não são as palavras que apagam as distâncias, e não são as respostas que apagam as perguntas. Gosto do enigma de não saber da infância, do milagre de um beijo. Até o paraíso precisa de morte. Gosto do toque perigoso do teu suor, da respiração de víbora do desejo. A catástrofe é o abraço. E só as catástrofes me fascinam."

António de Deus-Rosto

[...deve ser isso, eu devo ser catastrófica, uma queda para a catástrofe, digamos assim. 
A verdadeira catástrofe, para mim pelo menos, é todos acharem uma catástrofe essa queda, em vez de caírem em mim e eu numa outra catástrofe parecida de alguém. Mas não, eles caem sempre neles, e eu sou obrigada apenas a cair em mim. E uma catástrofe que podia ser uma queda tão boa... uma queda no abraço que se sente casa, no beijo que nos esfuma os dias, no desejo que morde os sorrisos por dentro, no suor de tocar a pele certa. O desejo explodido como uma pequena morte feita paraíso. Uma catástrofe.]

"Eu a amava, em suma.
E era infeliz.
Mas como poderia ela algum dia entender essa minha infelicidade?
Há aqueles que se condenam ao cinzento da vida mais medíocre porque tiveram alguma dor, alguma desgraça; mas há também aqueles que o fazem porque tiveram mais sorte do que poderiam suportar..."

Ítalo Calvino

[Não consigo entender esta lógica, este princípio de vida que me parece mais um fim da vida, lento e em agonia. Cinzento por opção, paz podre por escolha cómoda, zona de conforto infeliz. Não entendo, ainda não entendo, e tenho esperança de nunca, mas nunca, vir a entender. Ainda menos quando o fazem por medo de serem felizes, de não saberem se conseguem, ou sabem, ser felizes. Pelo medo de poderem descobrir que afinal tudo era uma ilusão que um dia nos cai pela cabeça abaixo, feita desilusão que nos arrasta, como se escolher a agonia não fosse já essa certeza, essa desilusão já mais que amargada, medida, testada e assegurada. Essa miséria bem encaixilhada, não mais que uma miséria em que nos habituámos a viver, a lidar, onde já não esperamos perder nada, porque simplesmente já não esperamos nada. De nada. Onde a cobardia de fugir à possível dor da desilusão se torna na coragem mal maquilhada do sacrifício duma vida por viver, em nome de algo que não conhecemos nem pelo nome.

Adquiri dois livros deste senhor, um para oferecer (à espera de o ler na mesma, claro...), e outro para consumo pessoal. Aconselharam-me este senhor, que era bom e eu ia gostar... depois digo. Agora ainda ando aos saltos no Rayuela, que gosto, gosto muito. Anda-me a apetecer outra vez ler, ler muito. É sempre a mesma coisa... mergulhar na vida onde a há, se não na minha na que vivo através das histórias que alguém escreve e que vivemos pela mão de alguém mas na primeira pessoa. Aprende-se na mesma, sofre-se também, e pensa-se, pensa-se muito sobre aquela história e a nossa e as que não chegaram a ser nossas, mas de as pensarmos já o são, um pouco pelo menos. E pensamo-nos e conhecemo-nos, e às vezes somos felizes fora de nós, ainda que por dentro da nossa visão duma história que fazemos nossa pelo olhar, e que nos faz fechar o livro e os olhos tantas vezes para nos imaginarmos, nos pormos na história, sermos a história sem deixarmos de ser quem somos. E eu voltei a isso. Sem vida é que não sei viver. Cada um a arranja onde pode, é o que é!!...]
... uma vez disseram-me:
"virar a mesa é muito diferente de virar apenas um guardanapo. 
E o que tu estás a querer é virar a mesa..."
Há uns tempos voltei a falar com ele sobre esta frase, e disse-me que quando mo tinha dito nunca pensou que eu o fizesse realmente, que o conseguisse, fizesse e assumisse.
Fiz, virei a mesa. 
Virei a vida do avesso. 
Ouvi os conselhos sensatos dos outros e  optei  pelos meus conselhos, ainda que pouco sensatos, de mesas viradas e vidas do avesso e corações de pernas para o ar.
Fiz, fiz o que sentia, e gosto muito da mesa virada e o avesso é talvez o meu direito,
 e o direito de o ser. Permiti-me, não fugir dos conselhos sensatos, não, não foi isso, foi apenas seguir-me, seguir o que sentia, ser eu. Onde estava não era mais eu, não me sentia mais eu.
 Arrisquei a felicidade, não a ganhei, 
mas o que perdi também não foi felicidade. 
E ganhei-me, ainda que para me perder, mas ganhei-me.  Inteira.
Às vezes temos de nos encontrar perdidos para nos descobrirmos inteiros e autênticos.
Vale a pena. Ainda assim, vale a pena tentarmos viver como somos, tentar agarrar a felicidade que nos faz felizes.
E enquanto for assim ainda estamos vivos e acreditamos que podemos viver melhor. E vivemos esse sonho, de arriscar realidades.

Bom Dia


"O amor é – tem de ser – presente com esperança de futuro; preferir e bastar; não é passado."

Preferir e bastar. 
Preferir o presente porque o passado já não se sujeita a preferências. É o que foi, preferência acabada, e basta-se assim. 
Para o futuro ser bastante não basta preferir no presente, mas preferir o presente.
Preferir e bastar, é isso, isso basta. 
Basta-me.
Preferir-me presente.
Fazer-me futuro.
Presente com futuro.
Amor.]

04 dezembro 2014

... não, mas se também for é melhor. 
Muito melhor...
É estar perto junto.
Uma sem a outra é ficar a meio caminho de lado nenhum.

Bom Dia!


03 dezembro 2014

Vejo-a chorar à minha frente e apercebo-me de que se me gastaram os abraços. Já não tenho braços para tanto tamanho, para tamanha vida. Quando os braços eram mais pequenos eu ainda achava que lá cabia tudo, talvez eu fosse maior quando era pequena, ou ao contrário do que dizem, o mundo me parecesse mais pequeno e menos avassalador de dor,  e os abraços não se gastavam, nem se cansavam, nem se desistiam, como as lágrimas parecem nunca se cansar. Uma pessoa pensa que a vida nos gasta as lágrimas mas arranja-nos sempre mais. A vida só nos gasta a nós em tantos nós que nos faz engolir. Seca-nos nos intervalos de tantas lágrimas.

02 dezembro 2014

...preciso tanto de me pirar daqui, deixar a estrada pegar-me e segui-la sem pensar no onde ou no porquê. Eu, um bom livro e alguma coisa para escrever. Tenho tantas palavras para me gastar, e ando a guardá-las para me desperdiçar no tempo de nunca as chegar a entender. Tenho coisas para tentar escrever, assim consiga vencer a preguiça da inércia e convencer-me que me despejarei nesse por escrever depois de escrito. 
Preciso de me pirar daqui, só comigo, e trazer um sorriso cheio de palavras por dentro da boca que quebraram o silêncio pelos dedos.... Ahhhh 2015 se te apanho fujo contigo. Contigo, comigo, com um livro na mão e palavras nascidas por nascer. 

... sim, e então o ressabiamento aparece. E bolas, um homem ressabiado é 1000 vezes pior que uma mulher, e uma mulher ressabiada já é insuportável mesmo à distância, imagine-se ter de lidar com um homem ressabiado, que de repente se acha.. se acha tanto, se acha melhor, se acha tanto que nunca chegou a ser, mas tenta atirar para cima dos outros o que pensa que é, em contraposição às grandes falhas que gostaria de ver, ou que acha que vê, nos outros.... e onde estava ele quando tinha medo da própria sombra? onde estava ele quando acreditava mais no Pai Natal do que nele próprio e nas suas capacidades? onde estava ele quando não sabia que a sua cabeça era uma coisa que funcionava autonomamente? Caramba, porque é que me dou ao trabalho de fazer crescer as pessoas, de as tentar fazer ver o que são e o que valem, e valem sempre mais do que pensam, e a paga que tenho numas é umas costas voltadas e indiferença e desprezo, e noutras é o ressabiamento que me quer esfregar na cara que são tão melhores, mais responsáveis, mais zelosos do que eu... eu, a irresponsável que o ajudei a crescer e a chegar donde agora me fala com sobranceria, e eu só tenho pena, na verdade não tenho mais nada senão pena de as pessoas serem assim e não terem vergonha disso. Tenho tantos, tantos defeitos, mas irresponsável não me parece que seja um deles, e que fosse, talvez merecesse que mo fosse apontado com menos ressabiamento e ar de superioridade. Afinal de contas tanto zelo extremoso agora, que só se revelou depois de conhecerem a porta apenas do lado de fora. De eu a ter fechado por dentro, com o que não queria mais a ficar trancado do lado de fora... deve ser difícil de compreender por quem se acha tanto, tendo tanta dificuldade em encontrar alguma coisa (se se desse ao trabalho de procurar) daquelas coisas que não se vendo, fazem toda a diferença no que encontram em nós. Lamento não ajudar, já não me atinges, só me feres de pena de ti e dos teus ares de superioridade tão ocos e bacocos.  És melhor do que isso - ou quero continuar a acreditar que sim-, pena que não o vejas e principalmente que não o pratiques, mas falta-te alguém que te faça ver o que não se vê, mas que faz crescer. Maturidade, equilíbrio, estabilidade, densidade no ser. E a mim, a mim também me falta alguém ao lado para me colmatar os defeitos, me fazer sentir que não serão tão graves assim, que tenho coisas boas, fazer-me rir de mim, alguém que valorize, sem sombra de dúvidas, muito mais as qualidades que eu possa ter (ou ele vê-las), do que as falhas que me falham a cada dia, tanto e tanto, e eu não nego. Alguém que possa ser às vezes o apoio que parece ser o que todos vêem em mim, antes de virar costas, por opção ou obrigados. Alguém que me faça crescer, rir, amadurecer, tranquilizar e equilibrar, que goste de gostar e de ser gostado, e que me dê paciência para aturar meninos ressabiados com ares de adultos ofendidos. Não há pachorra.

01 dezembro 2014

... E assim sem aviso olha-se para o lado a acabar um cigarro e vê-se isto... Coisa mai'linda... Gostar assim de alguém com o mimo a comer letras. E as letras a comerem-me a alma de inveja. É feio, pois é, mas "goto mto de ti" é lindo. E o sorriso guardado nas gavetas da memória também. A minha inveja presente do pretérito perfeito que ainda guardo. E que ainda me guarda de amargar.

Queres cortar o fio, todos os fios, seja. Não quero que te falte nada. Mas quero que saibas que nunca estive presa por fios, não a ti. Que quando se ama não há fios, porque os fios podem-se cortar, podem ser cortados. Não aprendeste isso porque não amaste. Ou se calhar sim, não sei. Mas não a mim. Pois seja, não é coisa que se obrigue, force ou se conquiste (lembro-me de dizeres que não sabias conquistar ninguém, que não sabias, nem fazias ideia, de como isso se poderia fazer. Acho que finalmente te entendi. Há coisas que não se conquistam, ou são ou não são. Ou nascem já sendo, ou não se fabricam - fabricando nunca chegam a ser). Ou acontece ou não acontece. Quando acontece não há fios. Há um ar que nos envolve que se respira, que se alimenta e nos alimenta; um mar em que se mergulha, para onde nos virarmos ele envolve-nos, cerca-nos, e dá, ao mesmo tempo, a liberdade de não ter chão, de tudo ser possível, e isso parecer impossível. E se calhar é, mas respira-se, nada-se sem ar, mergulhadores de profundidade ou não. Quando se ama não há fios, nem tempo, por isso nunca se espera aguardando - aguardar é saber que o tempo passa, senti-lo passar -, mas espera-se sempre sem saber que se espera ou sem querer sequer esperar, vivendo, um dia a seguir ao outro. Ou talvez a espera seja da vida por nós, para que estejamos em condições de a viver, de a receber. Porque os fios não se cortam, não há fios. Mas talvez um dia, sem saber, ou perceber como, nos vejamos mergulhados noutro mar, respiremos outro ar, o chão nos fuja dos pés e das mãos, e o tempo volte a não existir. Os fios foram cortados. Só há fios quando (já) não se ama.
Deixámos a cidade de Novembro atrás de nós, ainda mal se despegou dos calcanhares e já um Dezembro em pontas dos pés nos espera... ansioso de despedidas e de lareiras e de renovações metradas em 365 dias. É sempre em Dezembro que nos despedimos das mesmas coisas, Janeiro fica com os "olás", com as páginas em branco cheias de curiosidade do que o futuro vai escrever, e quem o irá ler, ler com a alma - viver. Em Dezembro acontece-me sempre muita coisa, mesmo que nada aconteça. Nem tudo o que acontece é bom, ou quase nada é bom, e cada vez menos. E passa sempre mais um ano. Sempre. E talvez isso seja uma coisa boa. Os anos passam à frente, que não passem só à minha frente, que os saiba pôr nos lugares certos, o passado atrás, o agora para ser já, e o futuro todo por estrear. E eu também.

Bom Dia

... então, será coisa de pombos?
(... as coisas de que me lembro... não há explicação... )
Mas tenho saudades, muitas, de tantas coisas. Saudades de momentos, de dias, de noites, de jantares, de conversas sem fim, de olhares indizíveis, de mãos atrevidas, de copos de vinho à lareira, de  almofadas no chão e estrelas no tecto de fora, de mil folhas divididos,  de fins de tarde bem conversados, dos colos pedidos e dos colos dados em recebê-los, dos beijos demorados, dos "olá" que eram recomeços a meio das conversas não essenciais, das gargalhadas bem partilhadas, da paz - tantas saudades da paz. E do que eu sentia, dessa mistura incalculável e imprópria de ternura, desejo, intensidade, carinho, tesão, e a leveza de tudo isso na paz dum aconchego quente.  Dum beijo na testa, das mãos dadas,  dum colo mudo, do olhar que nos entra e sussurra todas as coisas que as palavras não aprenderam a dizer. 
Tenho saudades de sentir o que não se calcula, não se espera,  não se finge, não se mede, não se conquista, não se procura, mas se teve. Tudo. 
Tenho saudades desse lugar que éramos. E os lugares não se apagam com o tempo. Talvez as saudades se apaguem do lugar.

Boa noite

30 novembro 2014

A tentar absorver o sol com a pele. Tentar despir-me o mundo fechando os olhos. Vestir-me de mais um dia que não me assenta. Pinto o céu de azul à volta das nuvens, apago as estrelas e escondo a lua, atrevidamente fora de horas, com o sol.
Aqui sentada numas escadas que não sobem nem descem, que não levam a lado nenhum, o sol parece não saber nada, e o dia mudo. Percebo que a pele não me chega dentro. E que não me chega. Apenas existo, como o dia que não fala e o sol que não passa além da epiderme. É uma forma de respirar, que não sabe inspirar e não sente expirar.

29 novembro 2014


... True.
E hoje é dia para deixar algumas fechadas, 
aproveitar o frio do dia disfarçado de sol da maneira mais quente que se encontrar. 
Dizem que rir faz bem e gente que goste de nós também...
Bom Dia

28 novembro 2014



- Que procuras? – Tudo.
- Que desejas? – Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.

Cecília Meireles

[Viajo sozinha. Como sempre. E gosto... às vezes não gosto, mas sei que sozinha é a minha escolha de não estar com quem não me arranca a solidão de dentro. E, sendo assim, prefiro sozinha: já que não arranco a solidão de ninguém que eu queira, e de ninguém que eu queira sou escolha. Sozinha então, que sozinha vai-se bem. E estou a precisar de ir sozinha, de novo, um dia destes qualquer que o mundo me largue e eu possa fugir para longe, para mais um dia de tempestade quem sabe. As tempestades andam atrás de mim, perseguem-me porque não lhes fujo, ainda que cheia de medo, às vezes a vociferar entredentes, não lhes fujo. Também não as procuro, apenas sigo o meu caminho, aquele que eu escolher. E vou. Se alguma tempestade me seguir, ela que me apanhe, não é difícil. 
Não ando perdida, não procuro nada, ainda que deseje o tudo do meu todo (que é tão pouco). Não ando perdida, mas não serei fácil de encontrar, poucos calçam estes caminhos desencontrados de não procurar nada de tudo que mais se deseja. Porque o que mais se deseja não se pode procurar, e nem sequer se sabe que se deseja, surpreende-nos, encontra-nos nos desencontros da vida. Se me encontrarem, apanhar-me é o mais simples, então se for tempestade, é o raio mais certeiro. ]

Bom Dia

27 novembro 2014


"É tão fácil não gostar. Não querer. Não correr. Permanecer naquilo que já conhecemos. Que não nos surpreende. Saber de cor os dias. e ter as noites controladas. Ter o passo seguinte traçado e o caminho meio rabiscado. É tão simples prescindir e não lutar. É tão fácil querer viver no vazio. É simples esquecer sentir. Optar não tentar.
É tão parvo não gostar quando se gosta. É idiota não querer quando se quer. É estúpido não arriscar. É triste o medo ganhar.
É pequenino não querer ser grande."

Rita Leston

[será tudo isso tão simples? não a essas coisas todas? não sei. 
Será tão mau assim preferir o cómodo e não arriscar? não sei. 
...não arriscam a pele, não arriscam perdê-la por deixar de senti-la, ainda que ela continue no seu lugar, intacta; não hipotecam a alma sem saber quando a recuperarão, ainda que a saibam sua. Nunca são verdadeiramente infelizes nessa comodidade acomodada, nem nunca saberão o que é poder perder a felicidade que se tem, que se sente, que nos mostra como a vida pode correr nas veias e o coração saltar obstáculos. Mas também quem é que quer isso? Essa aposta alta de vida? Essa roleta russa contra as probabilidades?...é tão melhor um seguro da vida que não se chega a viver e uns chinelos amarfanhados, de quem anda na guerra, ainda que pouco gastos onde chamam casa, e onde nunca sentimos estar com os dois pés. 
Não sei o que é melhor. Não fiz o seguro, e a minha guerra é procurar os chinelos para os dois pés quando não quero andar descalça.
Talvez um dia. Depois saberei. ]

Aceitar o dia. O que vier.
Atravessar mais ruas do que casas,
mais gente do que ruas. Atravessar
a pele até ao outro lado. Enquanto
faço e desfaço o dia. O teu coração
dorme comigo. Agasalha-me as noites
e as manhãs são frias quando me levanto.
E pergunto sempre onde estás e porque
as ruas deixaram de ser rios. Às vezes
uma gota de água cai ao chão
como se fosse uma lágrima. Às vezes
não há chão que baste para a enxugar.

Rosa Alice Branco
[Aceitar o que vier, e o que não vier também. 
Atravessarmo-nos até ao outro lado de nós, onde já estamos e nos esperamos sem saber o que esperar de nós, mas sabendo que lá chegaremos, que não nos faltaremos no que de nós sempre resta. Que nos chegaremos, que nos bastaremos, e que isso chega para respirarmos dia a dia, o dia que vem e tudo o que vai. Respirar até um dia - e pode ser mesmo só um dia - o dia nos respirar e a vida nos encher os pulmões da alma que sabemos que sente, que foi feita para sentir, e isso nada nos tira, pode adormecer, pode até adoecer, mas o que é verdadeiramente nosso não se perde, nem nos podem roubar. Mesmo que nos roubem o chão que nos enxuga as lágrimas, as lágrimas são nossas, o sorriso que as seca também, como a alma que nos habita e não nos morre. A alma é o que somos, é o nosso último reduto, a nossa essência, o que fica quando tudo o que pode ir vai, quando nada mais nos acresce além de nós. E há dias em que nos basta para aceitar o dia e agasalhar as noites. Sabermos quem somos. Mesmo que nos pareça pouco, nos pareça pequeno, nos pareça frágil. Mesmo que não consigamos ver em nós o que nos vêem. 
Nos dias em que não se acredita, aceitar. O que vier, e o que não vier também.]

Bom Dia

"-Vou guardar as tuas mãos na paixão que tenho por ti,
mas não te posso revelar o meu nome, nem precisas de o saber.
Chama-me o que quiseres, dá-me um nome para que possamos amarmo-nos.
Aquele que tinha perdi-o no caminho até aqui.
Pertencia a outra paixão, e já a esqueci.
Dá-me tu um nome para eu poder ficar contigo..."

Al berto

[dá-me um nome,
um que seja meu,
que sinta meu,
que seja eu,
eu pelos teus olhos
e que seja eu.
Que sejam os meus olhos,
o meu olhar,
a minha pele
e a tua sede de vida.
Chama-me com paixão,
sussurra-me de ternura,
berra o teu grito por mim, por ti.
Agarra-me pelo nome,
chama-me pelas mãos.
Chama-me como me queres.
Chama-me o que quiseres,
mas chama-me tua,
a tua vontade,
o teu desejo,
o teu sonho,
o teu amor.
Chama-me.]

Boa Noite

26 novembro 2014

.. a sério isto hoje está de partir dentes ao murro!!
Por que é que as pessoas são tão medíocres e tão pouco gente?
Por que é que não têm tomates para dizer o que pensam... ahhh espera... já sei, é porque não conhecem essa actividade, quanto mais praticá-la, mas depois seguem a manada... 
a sério, hoje estou capaz de emigrar e ver se encontro gente decente e que fuja da mediocridade como eu hoje fujo desta gente para não ter de decentemente lhes partir os dentinhos todos...
haja pachorra para tanto palerma!!
...E para tanto burrice, hipocrisia e falta de tomates.
Irrrrrraaaa!!


As horas voam quando a languidez não se apressa. 
Os beijos alongam-se onde o amor se demora.

Boa Noite

25 novembro 2014


Só por existir
Só por duvidar
Tenho duas almas em guerra
E sei que nenhuma vai ganhar

Só por ter dois sóis
Só por hesitar
Fiz a cama na encruzilhada
E chamei casa a esse lugar

E anda sempre alguém por lá
Junto à tempestade
Onde os pés não têm chão
E as mãos perdem a razão

Só por inventar
Só por destruir
Tenho as chaves do céu e do inferno
E deixo o tempo decidir

E anda sempre alguém por lá
Junto à tempestade
Onde os pés não têm chão
E as mãos perdem a razão

Só por existir
Só por duvidar
Tenho duas almas em guerra
E sei que nenhuma vai ganhar
Eu sei que nenhuma vai ganhar


[Entrei no carro quase a acabar uma música. Por instinto, para me calar os pensamentos, para me afogar os olhos de claridade, para a poesia me aquecer a alma e fazer nascer o dia em mim, aumentei o volume. Apareceu-me esta música. Esta que não é nada minha a não ser quando atravesso a ponte para a outra margem de mim, onde encontro outros sapatos que tantas vezes calcei para lhes sentir a forma, as partes gastas, onde doía e onde serviam, onde aquecia e onde a água entrava quando chovia, para tentar perceber como às vezes chovia lá dentro quando chovia pouco, e chovia o mesmo quando choviam tempestades. Habituei-me a fazer essa travessia como quem visita outro lado duma casa minha, em que moro sem habitar todas as divisões, portas que abro para ser visita da casa, para perceber o todo, para perceber o nós. Talvez como uma parte de mim  por empréstimo, por afinidade, mas que nunca fui eu, e que nunca foi meu. Lugar que conheço bem, acho que sim, mas que não me habita.
Há uma música para tudo, para cada situação, para cada estado de espírito, para cada falha da alma, e cada fala da alma, e esta faz-me sentido há tanto tempo... alguém fazer a cama na encruzilhada e fazer casa desse lugar, no meio de nada e na encruzilhada de tudo, deixar o tempo decidir que não decide. O tempo nunca decide nada é a sua única decisão, só nós decidimos, algures no tempo, depois dizemos que o tempo decidiu, porque as mãos perderam a razão e o chão perdeu-nos os pés. E almas em guerra não dão paz a ninguém. E esta música não me dá paz, mas não me faz guerra. Entendo-a. Entendo-te. Mas há olhares que me dão paz que não entendo.
(E sim ainda ando a ouvir Jorge Palma. Por enquanto.) ]

Bom Dia


24 novembro 2014

... o acaso e o destino...
Um não se procura o outro nunca se perde...

(e ando com um projecto pensado, que me anda a moer os espaços vazios da consciência, uma coisa inesperada, nunca programada, nunca prometida, talvez fruto do acaso, talvez parte dum destino que não adivinhava. Mas nasceu, de repente a ideia estava acabada sem a notar embrionária, como se já nascesse completa, de corpo inteiro e alma à medida do corpo. Há alturas em que a vida nos larga da mão os sonhos ( será possível largar mão dos sonhos? os sonhos não se agarram e não são para agarrar, são a luz que se persegue, nunca se agarra, é a luz que orienta, que nos ilumina na escuridão dos dias iguais e tão pouco nossos... será que podemos abrir mão deles?) para podermos agarrar de mãos vazias, mas sedentas, projectos de encher as mãos de coisas que se transformam em vida, na nossa vida, em nós. E eu ando a pensar nisso. E talvez agarre com as duas mãos, só tenho medo de perceber que as minhas mãos não chegam para segurar e concretizar tudo o que gostaria. O medo, o medo de nós e do que pensamos não ser capazes é o maior obstáculo que inventamos para nos atrapalhar, para nos protegermos do fracasso. 
Mas medo é sempre medo, só se assusta se o enfrentarmos.)

Bom Dia

21 novembro 2014



"Dias Bons:

o despertador toca, olho para as horas, espreguiço-me e levanto-me. no duche, cantarolo músicas cujas letras desconheço. olho-me ao espelho e “converso-me”: are you talking to me? you are so stupid! e sorrio. qualquer roupa me fica bem e ao pequeno almoço oiço na TV que está trânsito e que o tempo vai piorar e por isso escolho ir de metro e sem guarda-chuva, porque há beleza na chuva e ainda vai dar para ler o jornal durante a viagem.
chego um pouco atrasado ao trabalho e o chefe diz “isto são horas?”, respondo com um sorriso “horas e minutos” e o chefe sorri dizendo entre dentes “que engraçado que ele está.”
ao almoço, a sopa vem fria, peço educadamente “oh Sr. Manel eu sei que lá fora está frio, mas a sopa está de simpatia com o tempo?”, o Sr. Manel oferece-me a sopa no fim. de tarde, um colega de trabalho pede-me “oh pá, preciso que faças este trabalho até às 17h” e eu respondo “não te preocupes, eu dou conta do recado como de costume”.
depois do trabalho vou para o metro e oiço música que me inspira a escrever. Chego a casa e a namorada diz “vamos jantar fora”, ao que respondo no imediato “onde?”. de volta a casa, é a minha vez de levar o cão à rua, voltar à chuva e à inspiração. ligamos a TV e vemos um filme. a meio do filme fazemos amor e dormimos agarrados um ao outro.

Dias Maus:

o despertador toca, apetece-me atira-lo contra a parede. no banho, deixo a água escorrer-me pelo corpo enquanto fico de cabeça baixa a tentar acordar. olho-me ao espelho e não penso, desligo a luz. qualquer roupa me fica mal e de tanto escolher, escolho a pior. ao pequeno almoço oiço na TV que está trânsito e que o tempo vai piorar, penso em voltar para a cama.
chego um pouco atrasado ao trabalho e o chefe diz “isto são horas?”, respondo de forma rabugenta “horas passei eu enfiado no carro a aturar gente maluca. anda tudo a dormir na estrada. vou trabalhar!”
ao almoço, a sopa vem fria, resmungo “oh Sr. Manel o raio da sopa está gelada! espero que o resto da comida não venha assim!“ o Sr. Manel pede desculpa e vai-se embora. de tarde, um colega de trabalho pede-me “oh pá, preciso que faças este trabalho até às 17h” e eu respondo “é sempre a mesma coisa, tudo em cima do joelho, depois queixam-se! não faço milagres, não prometo nada, mas sim, faço isso até às 17h.”
depois do trabalho vou para o carro e oiço na rádio que está trânsito. o tipo do carro da frente demora uns segundos a arrancar do sinal vermelho e eu já estou a apitar. chego a casa e a namorada diz “vamos jantar fora”, ao que respondo no imediato “acabei de chegar! não me apetece sair”. jantamos qualquer coisa aquecida no micro-ondas. ela diz que é a minha vez de levar o cão à rua e eu digo-lhe que estou de pantufas e que não vou para a chuva. ligamos a TV e vemos um filme. a meio do filme adormeço e duas horas depois vou para a cama sozinho. dormimos separados um do outro."

daniel camacho

[...há quanto tempo não tenho um dia, um dia inteiro bom, não um bocado, não um instante, não uma eternidade bem encaixada entre horários, mas um dia, do acordar ao adormecer, que possa dizer que foi um dia bom? 
Penso, e sei que tive dias bons, dias que gostei, que me assentaram bem, ou em que eu consegui assentar bem neles, vesti-os como eles me vestiram, foi uma boa troca, dias de sorrir para dentro, de me fartar do de fora, de me cansar de tudo que não me é, com a plenitude de sentir o que tenho em mim, só do que tenho e é meu. Porque o que é nosso são só coisas que não nos podem tirar, roubar ou pilhar, o que não perdemos. O que podemos perder não é nosso. 
Sim, tive dias assim. Sozinha. Dias em que gostei de estar sozinha, em mim, comigo. Tive alguns dias bons, onde me senti bem, ainda que não plena, não completa; dias em que os dias são bons porque lidamos melhor com a saudade, porque nos esquecemos do desamor, das dúvidas do que nos querem ou até do que temos. Dias em que optamos por querer estar sozinhos porque desistimos de não nos sentirmos sozinhos com alguém ao lado, de estarmos com alguém e isso nos arrancar da solidão e não aumentar apenas o número de presenças (ou ausências assistidas?). Desistimos - naquele dia -, de querer mais do que se tem, desistimos de querer a plenitude e optamos pelo dia bom, quando ele nos deixa e nós o deixamos deixar... Mas os momentos felizes - não os bons, os felizes -, esses foram instantes, janelas de luz paradas no tempo, carimbadas de eternidade, coisas acontecidas no meio de outras, no meio dos dias compridos corridos, nas noites curtas estancadas no tempo de várias horas e tantas conversas. E um dia assim já não me lembro de ter, em que me sinto eu comigo, sem estar sozinha, em que me sinto plena na outra parte de mim que alguém me traz na extensão do que sou mas não tenho (sou mas não tenho - será meu??...) Tenho em ti, tenho-me plena em ti comigo, e às vezes parece-me que sem ti não me tenho senão amputada do que sendo (m)eu, eu não tenho.
E tu? Há quanto tempo não tens um dia bom? Um dia desde que acordas até que adormeces? Quando foi o último dia? E um dia feliz? E um momento pleno? Lembras-te, sabes? Quando foi? Estavas sozinho em numero ou acompanhado de solidão? 
(lembro-me de um dia me responderes a isto sem to ter perguntado; pergunto-me se o que me disseste era verdade, se era mentira, ou se nem tu sabes, e se a tua resposta ainda é a mesma... perguntas, sempre perguntas, é o que é!!)

Bom Dia

20 novembro 2014



Não sei o que faço aqui, é um facto. Não sei. Mas paro aqui e fico-me comigo. Ponho-me a pensar, a remoer vontades e verdades. Penso que a única coisa que não se controla é a vontade. Nem o próprio controla a vontade que sente, sente e pronto; como tudo o que é sentido, realmente sentido, em modo selvagem e sem filtros da razão, que atrapalha atitudes mas não afasta as vontades. Por muito que se julgue que se controla alguma coisa, a vontade de alguém é incontrolavel, é o instinto mais íntimo a dizer, a gritar-nos, o que quer. Mesmo que tentemos não ouvir, mesmo que tentemos assobiar para o lado a cada dia, os dias não parecem levá-la e não conseguem calá-la. E arranja sempre maneira de respirar por nós e calar-nos os assobios.

.... Que tal este milagre? Vê-se bem?
Começar o dia assim, B
Ou acabá-lo?... Ao dia, pahhh tu não acabes o moço que senão é milagre de pouca dura...
(este nosso português só te digo... é preciso ter muito cuidado com ele ahahahah)

Bom Dia
(Está melhor assim? Menina B?, vamos a animar, sim?)
(...)
Brandamente, por vezes, te desvio
de mim, para melhor, depois, sentir
que és bem tu que eu agarro, acaricio,
bem tu que eu pude, em mim, fundir.
(...)

José Régio

[...agarrar como se a vida me escapasse das mãos, tão bem como guardo as palavras que não digo.]

Boa Noite

19 novembro 2014

(da página Poeme-se, aqui)

..." falar contigo é uma tentação demasiado grande."
Há frases que fecham bem o dia.
Ainda há coisas boas como conversar, ouvir coisas destas e sorrir.
Sentirmo-nos bem.
Só porque sim.

Boa Noite 

18 novembro 2014

... e nem sempre é fácil distingui-los, só vos digo.
(mas a frase é unisexo, sejamos justos)

Bom Dia


"... Este vestido é mesmo bom para fazer assim..."

... E tanto que haveria a dizer sobre isto e sobre tanta, tanta coisa...
Mas o silêncio é uma coisa boa.
Não se ouve e nem se vê, mas às vezes apalpa-se.
Calemo-nos então e fechemos os os olhos...

Boa Noite

17 novembro 2014




"Já dizia Clarice: A vida não é de se brincar porque um belo dia se morre. E concordo com o velho Buk, se parássemos para pensar nisso, quem sabe podíamos amenizar um pouco dessa agonia toda? Todo momento de nossaodia é uma escolha, e como disse o Jô Soares em entrevista recente: Escolher é perder sempre. Mas cabe a nós decidirmos o que vale a pena perder, já que não temos todo o tempo do mundo. Que diabos, nem ao menos sabemos quanto tempo nos resta!

Se cada escolha significa uma renúncia, não está em tempo de pensarmos melhor sobre nossas perdas? Em pensar menos no volume, na quantidade, e mais na qualidade daquilo que estamos escolhendo? Vários colegas ou um bom amigo? Várias risadas forçadas em uma festa ou uma noite com risadas sinceras de doer a barriga? Muitas transas vazias ou poucas transas com possibilidades do aconchego do depois? Que tal menos ‘doer’ e mais ‘doar’?

Não estou dizendo que devemos deixar de fazer outras coisas triviais. Não devemos ser sérios sempre, nem filosóficos sempre, nem ser altruísta sempre – mas aprendi que a vida nos da dois caminhos de aprendizagem: o da dor e o do amor. E enquanto eu puder escolher, fico com o segundo, ainda que pareça que ele dói às vezes, o caminho do amor é sempre a melhor opção. E já que não temos escolha sobre a morte, que ao menos a gente possa escolher as possibilidades que deixam a vida mais leve. Daqui a gente não leva muita coisa mesmo."

Apanhado aqui.

[Tema já recorrente aqui no tasco... as escolhas, o cada sim ter o seu não equivalente, o cada não ser um outro sim noutro sentido. No fundo o que diz Jô Soares: "escolher é perder sempre." É isso, para escolher o que queremos ter, o que queremos agarrar e viver, temos de escolher o que perder, a alternativa de que abdicamos. Ver o que mais valorizamos, o que mais nos poderá fazer felizes. Que felicidade escolhemos, afinal. Mas é sempre uma escolha, sempre. Escolham bem. Nunca se sabe quanto tempo temos para corrigir os erros que poderíamos não ter feito. O mundo gira, às vezes até pode girar na nossa mão, ou parecer, mas não volta atrás, nem pára de girar.]

16 novembro 2014


"- Vais deixar de gostar de mim, e não te censuro quando deixares.
-Poderei vir a odiar-te mais, mas nunca te amarei menos"

(... Grande frase. Ouvido num filme.)

"(...)

(Até que passem muitos anos
sairás de dia à rua
em busca de quem esperam que tu sejas –
e acharás que não o achar
é falha tua

E depois passarão anos
até que entendas:

Que te querem para o que não és, pelo que não tens
Que te querem mas não é a ti –
Querem o outro que acham que devias ser

E tu deixaste que te quisessem assim
e tu aceitaste que te quisessem mudado
como se alguém estar com alguém
fosse um favor e não uma oferta

E no que não mudaste,
no que não conseguiste,
ainda sentiste culpa)


Até que passem muitos anos
submetes-te ao teu captor: dás-lhe razão

Até que passem muitos anos
e a alma mude
e o corpo mude

Ou até que acordes um dia
do sono acordado, do rapto do ego,
e compreendas
a independência dos corpos
a independência das almas

E entendas
que a vida é um jardim de inverno
onde poucos te plantam algo
onde outros vêm colher, sem ter plantado,
e afinal ainda se queixam da escassez"
Roubado do Menino 
(a pilhagem continua, e continuará, enquanto escrever assim e a dizer o que também penso e sinto...)
Bom Dia

15 novembro 2014

Há coisas que quanto mais se tenta aprender menos se sabe. 
A espontaneidade, as coisas que se fazem com alma e da alma. Podem ler enciclopédias, citá-las de cor, ir a todas as cidades e melhores museus, nada disso ensina a deixar escapar uma gargalhada de dentro, livre. Ou a roubar um beijo no incerto momento certo nunca esperado, mas que acontece espontaneamente quando temos a alma nos lábios. Quando temos alma. Viva. Espontânea.

O vento corre fora da janela, vai com pressa e alarido. Assusta, assusta-me. Nunca gostei de vento, quando enfurecido leva tudo à frente. Refugio-me no quentinho da cama, faço ronha até não poder mais, até o dia me obrigar a levantar e a acordar. Mas não me apetece. O calor aqui é doce e tranquilo. Só me falta aqui um abraço de quatro braços e pernas e uma só vida. Falta-me. 
Faltas-me. Ainda.

(E acho que agora já são mesmo horas de levantar...)
"Não me dá tesão a espera. não sou dos que acredita que o prazer é tanto maior quanto é mais antecipado. gosto das coisas longas, sim, não sempre lentas, mas longas (excepto aquelas que são momentos roubados no carro, na rua, num elevador ou no escritório de alguém, na casa de banho dos bares – e as outras em que o desejo mútuo é fogo que não admite preliminares). mas alongo-me contigo, não sem ti. não me alongo na espera. tolero-a, como se tolera a vida e os seus factos. mas por minha vontade, estavas aqui e era agora. neste chão."


Do Menino, a falar por mim.

Boa Noite

14 novembro 2014

... Eu sabia que afinal devia haver alguma coisa que eu podia fazer bem na cozinha!!!
Está combinado, parece-me um bom programa para hoje. 
Eu levo o vinho..E até trato da sobremesa, e pode ser na cozinha... Enquanto tentas fazer o jantar...
Eheheheh

Bom dia!!

                                                                [foto de yusuke sakai]

"a sombra das coisas que tu vês sou eu."

Joaquim Manuel Magalhães

[... nunca me viste,
será que agora me vês onde não estou?
nas sombras claras
a que falta o sol para fazer sombra?
nos passos que me roubaste
dum caminho que não sentiste?
nas nuvens espessas que cobrem o sol
mas deixam passar uma luz dorida
e cansada?
será que me vês agora?
onde nunca me sentiste?
e sempre me soubeste?
e agora que não sabes nada,
agora que sabes o que é não saber nada,
sentes? vês?
ainda respiras?
ou só brincas com o ar indeciso?
...entra, sai...
enquanto olhas para as sombras,
onde me vês e eu não estou? ]

Boa Noite

13 novembro 2014


(...)
É que enquanto o criminoso tem uma certa tendência natural p´ra ser vitimado
Jeremias nunca encontrou razões p´ra se culpar
(...)
Como um poeta ele desarranja o pesadelo p´ra lá dos limites legais
Foragido por amor ao que é belo e por vocação
(...)
Gosta de tesouros e mapas sobretudo daqueles que o tempo mais mal tratou
Gosta de brincar com o destino e nem o próprio inferno o apavora
Não estando disposto a esperar que a humanidade venha alguma vez a ser melhor

Jeremias escolheu o seu lugar do lado de fora

Jorge Palma

[Ando há dias, muitos dias, a ouvir Jorge Palma. Assento arraiais logo de manhã na poesia deste homem, que gosto, de quem aprecio a loucura meia mágica, e talvez esta noção "do lado de fora" - do inferno que não teme e, por isso, do destino que desafia dia a dia, de peito aberto munido apenas do amor ao que é belo, sem culpas por lhe faltarem ambições. Tem leis próprias e a consciência que o mundo é um mundo para viver do lado de fora, e às vezes - tantas - esse é o lado certo, assumido, sofrido, mas tornado poesia. Sempre o belo: a poesia, a música a magia de certa loucura. A beleza para quem tem coragem de a ver e a perseguir: para quem tem coragem, ou vários copos atestados de litros de ilusão que a noção da realidade já não nos deixa ter... 
...beleza... será a beleza apenas ilusão?, será a ilusão bela?, ou toda a beleza apenas uma ilusão que pode ser até eterna em tanta coisa? e uma ilusão eterna não é uma realidade?... o amor será dessas?... eu e as perguntas... adiante... 
Tenho ouvido este senhor, e gosto deste personagem fora da lei, sorrio com ele quando olho o mundo, sorrio quando os semáforos todos, numa brincadeira de criança me fazem parar e assim dizer-me que não te falto, que não te lembras, que não te estou... e rio-me, rio-me da parvoíce destas perguntas, destes jogos de criança que já não devia ser.  rio-me dos semáforos sempre tão corados para mim, rio-me deles, rio-me de mim, rio-me de ti e rio-me de cada vez mais querer não querer saber. Não querer saber se me queres, se te quero, se há sequer querer aqui. Não querer saber nada. Não querer saber de nada, mas de ainda fazer perguntas parvas a semáforos demasiado corados e tímidos com a vida... ou então é só comigo. ]

Bom Dia

11 novembro 2014

Beijos que falam
Com palavras que não faltam
No silêncio que se ouve 
Por dentro dum beijo que diz tudo

Boa Noite.

10 novembro 2014


"Não sonhas. Morres um pouco de manhã e ao meio do dia quando o sol mais queima. Tens de continuar. Tens de esquecer. Não aguentas mais. Tens de acabar, matar, recomeçar a viver. Só que ela está presa por dentro e tu agarrado a ela por um nó da garganta e não sabes o que deves deitar fora, arrancar, vomitar para que ela te saia de dentro. Sais à noite com definitivos propósitos de não voltares sozinho. Compões dentro da cabeça uma mulher com um bocadinho disto e um bocadinho daquilo e esperas que bata certo. Levas um bocado do tecido rasgado e queres encontrar o todo. Mas não encontras ninguém. Pior, encontras alguém que te vem provar sem remissão que não a vais poder substituir tão facilmente porque não há mais nada no mundo inteiro depois dela senão um deserto de tempo que se estende à tua frente onde tudo se torna insignificante e pequenino. Começas a beber, a fazeres-te mal, porque estás triste e não acreditas em nada senão na dor."

Pedro Paixão, in Nos teus braços morreríamos

[há dias em que estou assim, não acredito em nada senão na dor, não bebo, ou nesses não bebo especialmente, nem para isso me dá, porque a consciência da dor não me deixa distrair. Agarra-me por todas as consciências que queria caladas e paralisadas, apagadas e inofensivas. Nesses dias fecho-me, calo-me, apago-me. às vezes tento falar sozinha, para dentro, às vezes consigo e escrevo - que é como falo comigo tantas vezes, e tantas vezes me explico a mim mesma, como se eu fosses tu e tu fosses eu, ou fosse tudo a mesma coisa, sei lá, porque às vezes parece que é. Outras não. Mas "explico-me-nos" - e esta palavra faz-me lembrar do nosso dicionário próprio e duma viagem cheia de palavras novas que tenho aqui num rascunho guardado neste blog, e lembro-me de tantas coisas parvas que não me são nada parvas, mas que podem parecer a quem não tem esse dicionário nascido debaixo daquela prega do coração que faz cócegas e nos faz sorrir aqueles sorrisos tontos que ninguém entende, nem eu entendo, nem quero, prefiro sorrir só (mas adiante) - explico, ou tento, em diálogos imaginários e explanações teóricas quase praticamente provadas no imaginário que somos nós, ou nso... porque não somos nada, nem isso, mas prova-se tudo na mesma. Aliás normalmente acabamos a provar-nos, mas é tudo imaginário, ou não, sei lá. Tu sabes?...  e eu que já nem sei o que comecei a querer dizer que já me perdi, os dedos seguem o rumo da cabeça e a cabeça vai para lá duma eternidade que não tem rumo, mas tem sonhos, ou sonho, e a cabeça atrás da alma anda sempre para aquelas bandas, perde-se por lá como se não conhecesse aquele território melhor que as mãos, melhor que as palavras que me saem sem as pensar enquanto aqui estou e olho só as letras e nem penso... pensar o quê? O que há para pensar? Não sei pensar, não nisto, pensei o dia todo, esgotei pensamentos, esgotei-me em pensamentos, agora dou-me em palavras que me saem como quem respira e nem sabe por quê....só sei que saem palavras porque os beijos estão longe e só tenho as palavras à mão, tão vazia das tuas mãos, que não me lembro já o que queria dizer, sei que li este texto e  na última frase lembrei-me de ti, mas para o esquecer quis-me lembrar de mim, porque há dias em que só a dor me encolhe em mim, e fujo de mim e dos dias e de tudo, porque nem as palavras me falam, nem elas me acodem às vezes, e procuro as palavras dos outros para me dizerem o que quero dizer, o que quero dizer-te, e então começam a sair como quem responde a um chamamento que ninguém chama - como quando dizes que me chamas, ou chamavas -, é como apanhar inesperadamente a ponta da linha duma baínha desesperada que não sabíamos ter, começar a puxar e de repente temos um novelo que já não tem ponta, não tem ponta por onde se lhe pegue, como este texto. Que veio daquele ali de cima, porque me lembrou de ti a última frase, porque te vi na última frase, como se viesse com a morada do teu olhar nalgumas noites que te vejo mas mal te olho, mas o resto, o resto do texto, infelizmente, lembra-me só o que sinto na minha dor que se cala quando a quero gritar. Cala-se, mas não morre. a sacana. Mas passo-a para aqui pelo passador das palavras e pesa-me menos. Muito menos.]

Bom Dia
(pois é estranho, mas é assim)
"Porque havia uma data de coisas para as quais eu tinha os olhos fechados. E porque procuramos a porta nas paredes em que sabemos que não há porta, quase nos sentimos culpados de ser felizes, se é que isso existe..."

"Lembro O Diário de Tolstoi, quando ele escreve: lutei para ser melhor que o Shakespeare. E sou e depois? E para ser que o Molière e sou e depois? O que é ganho com isto? O Mozart com cinco anos tocou para a Maria Antonieta e acabou o concerto com toda a gente a aplaudir. Ele correu, sentou-se ao colo dela e disse: âimez-moi."

"A minha memória é terrível. Tenho uma memória péssima, lembro-me de tudo."


António Lobo Antunes, nesta entrevista (leiam, vale a pena)

Gosto tanto deste homem... Alguém que pensa e sente assim toca-me, gosto... Mas ele é tão difícil de ler... À excepção das cartas publicadas, que são lindas de doce ternura, não consegui acabar nenhum livro dele. Ainda, porque não desisti. Gosto do homem, que fazer!

E agora é que é: boa noite.