Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

22 julho 2013


Tu tens um medo:
Acabar.

Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.



Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.



Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.

Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.
Cecília Meireles 


[A eternidade, em cada um, sente-se quando se deixa de ter medo do tempo:  quando não tivermos medo de acabar, de nos morrermos, renascemos. Quando não tivermos medo do depois ele chega. O amanhã chega sempre, porque este dia morre e nasce outro, temos de tentar que um qualquer amanhã seja o nosso depois, para renascer. Ou continuaremos a morrer na mesma, todos os dias, sem saber, e sem nada de novo nascer.]


Docinho... 
para sobremesa, 
ou aperitivo, 
ou entre refeições, 
ou só porque apetece, 
ou só porque sim, que é a melhor razão de todas...

A lua comeu estrelas e é por isso que engordou, 
ficou enorme e brilha mais no céu.
Vamos pendurar umas estrelas e fazer um céu de qualquer sítio.
Não é difícil, basta enfiar umas estrelas na algibeira. 
Há pessoas que andam sempre com estrelas na algibeira, 
que as mergulham no olhar, 
que as espalham com as ponta dos dedos em carícias, 
é descobri-las.
Não é fácil, mas a lua comeu estrelas.
Boa Noite.


...hummm 'tá bem.
Então e quando desistem de nós?

21 julho 2013


Isto é que era um acordar bom de sorna... Acompanhado de um bocadinho de ronha...
Bom dia 

"Ela não falava alto senão com os olhos. Mas esses eu ouvia-os até me doer a cabeça."
Vergilio Ferreira, in Aparição

[eu não, há alturas em que só não falo alto com os olhos. Muitas vezes dizem o contrario do que eu me convenço que quero dizer. Eles sabem sempre o que eu realmente quero e dizem-no, mesmo que eu não.]

20 julho 2013

E agora fazer qualquer coisa para trincar, depois, fumar um cigarro no frio que já se sente à janela. 
Voltar para dentro, abrir o livro e encher um copo de Porto: boa companhia para quem não a tem.
Tenho de começar, ou de voltar, a ser racional - também eu, pois. 
Procurar seguir a razão cheia de racionais razões, e não seguir arrastada pela razão de sentir sem razão alguma, senão essa: sentir: muito e desenfreadamente: estupidamente. 
Se temos de decidir racionalmente, que seja... estou destreinada, mas talvez seja só mais uma razão para perceber que deixar-me viver para sentir coisas sem razão é só coisa de gente romanticamente sonhadora. Coisas de livros e filmes. Como aqueles amores, e o que fazem sentir e fazer. 
São só coisas da grande tela e romances que se fecham no fim da última página.
 A vida não é assim porque temos de decidir racionalmente, e tudo o resto tem mais razão. 
(só me pergunto: se assim não fosse não poderia ser melhor? e saltarem histórias da tela para os dias)
E agora cozinha!!


... Está muito bem feito...
Mas ainda não cheguei à ultima fase, ainda é no caos que vou vivendo.
À volta, destroços: meus, de pessoas próximas que têm cada vez menos delas próprias, e muitos destroços de relações: minhas e não só. As pessoas juntam-se pelas razões mais razoáveis e racionais, mas não são essas que aguentam as dificuldades maiores, só o gostar sem razão tem esse poder mágico. 
Bom dia


When the night comes
And you lay your weary head to rest
No more trials, no tests
When the night comes
When the night comes
You dont have to be afraid
Of any choice you made
When the night comes

Dont be afraid
Youre only dreaming…

When the night comes
The headlines read
Whatevers in your dreams
When the night comes

When the night comes
And you lay by the one you love
The one who knows you and the things you do
When the night comes


Dont be afraid

19 julho 2013

Boa noite

Vamos, pois vamos... mas para onde??
ahhhh...já sei dar uma volta ao bilhar grande!!

'Bora, vamos??


Um dia gostava de ter uma parede cheia de fotografias, só de momentos felizes, não fotografias onde estou bem, ou onde os outros estão bonitos - não, fotografias onde há felicidade e não onde parece tudo perfeito e lindo e feliz. 
Fotografias bonitas por serem retratos de coisas que me foram felizes. 
Bonitas por dentro do momento que ficou no papel.
Para me lembrar, para melhor recordar cada momento, para fazer um mapa da vida e cada marco uma coisa feliz. Pode não ser fotogénica, mas tem de ser bonita de sentir e fazer sorrir com retroactivos.
Bom Dia!!

18 julho 2013


Afogar-se
às vezes é morrer
em líquidas palavras
que nunca dizemos.

Silvia Chueire



[é raro afogar-me no que não digo, às vezes acontece é que as lágrimas se me prendem na garganta e calam-me as palavras. se me permito abrir a boca sai-me o choro e não o que haveria a dizer, por isso afogo-me no choro que não chega a nascer e que mata o som de qualquer palavra que quisesse dizer, se conseguisse. é preciso muita mágoa, e muito tempo, para isto me acontecer; mas acontece, raramente, mas acontece. calo-me e afogo-me em silêncios vários, de compassos de espera, em que espero por mim. não gosto de partilhar lágrimas com quem mas provoca, posso partilhá-las com quem gosto e gosta de mim, mesmo que me magoe, mesmo que me entristeça e a tristeza me faça lamber lágrimas; mas com quem conscientemente me quer magoar, não. não dou esse troféu, por norma, a ninguém, só quando já não sou eu, mas uns restos do que normalmente seria.]
Alguém tem que me possa dispensar??
Estou precisada, mas do bom, ok??
...Senão o mau humor agrava-se...
Bom Dia!!

Boa Noite

17 julho 2013

Hoje a mariquinhas sou eu!!
Não me chateiem, mão me mostrem nada, não me digam nada...
Gastei as palavras todas no caminho de não as dizer, nem querer dizer.
 Gastei os olhos a chorar pelo que não quero ver e a fechar os olhos ao que há para ver.
Gastei-me  de alma a ouvir o que não quero, nem mereço ouvir.
Quero distância de mim, sou um perigo auto imposto, uma dor auto infligida.
Dizem que a minha auto estima está nas lonas, é verdade, ando há muitos anos a deixar que me arrasem de todas as maneiras e feitios. 
Estou cada vez mais perto do abismo dos erros conhecidos, ou seja, estou a poucos passos de seguir uma burrice conhecida, mas às vezes a necessidade de sentir que gostam de nós é avassaladora. 
Às vezes precisamos que nos façam sentir bem.
 Às vezes precisamos de sentir que gostam, não apenas porque nós gostamos, mas porque não conseguem deixar de nos querer e nos gostar: mesmo assim, sem nós gostarmos. 
Às vezes precisamos de ver no outro o olhar raso de admiração, de gostar sentido e de vontade de se dar a nós, e sentir o nosso olhar só de embevecimento, desse gostar que nos preenche o vazio, e não o contrário. 
Às vezes queremos sentir que recebemos, sem ser apenas em retribuição. 
Às vezes precisamos mesmo que gostem de nós. 
Eu hoje preciso. 
A minha auto-estima precisa.
Disso, e de educar o corpo, porque não sei fazer isso: fazê-lo obedecer à cabeça, criar-lhe vontades na razão. 
Não sei fazer isso. Ainda. 
Mas, às vezes, há coisas que se aprendem, e eu tenho tempo, se esperarem um pouco pode ser que aprenda.
Entretanto, hoje, não me chateiem, não me mostrem nada, não me digam nada.

Já percebi.
Tenho de o resolver.
Aqui o problema é mesmo só meu.
Boa Noite

15 julho 2013


(...)
Uma relação sem ciúme é uma ralação. Uma tremenda seca. Alguém que é capaz de se entregar a outro sem temer, nem por um segundo, que esse outro não o retribua só a si é alguém que não ama; é alguém, isso sim, que grama. Que grama estar acompanhado, que grama saber que tem alguém ao lado, que grama o conforto de uma relação. Mas quem grama não ama. Gramar é o exacto oposto de amar. Amar é ser do amor. Ser só do amor. Ser aquilo que o amor é. Ser aquilo que o amor manda. Ser amor. Ser só amor. Amar não pode ser gramar porque gramar suporta. E amar importa. E importa-se. Importa-se com tudo que possa criar obstáculo ao amar. Ao só amar. Quem ama não grama. E acima de tudo não grama quem grama. Quem ama não é gramável. Nem sequer é amável. Quem ama ama. Simplesmente isso: quem ama ama. E está-se nas tintas para quem não o grama.

Quero defender o ciúme. Defendê-lo até à exaustão. Defender o ciúme que não se deixa pisar pelo politicamente correcto, o ciúme que não se esconde na capa de um sorriso, o ciúme que se mostra com orgulho em toda a sua pujança, o ciúme que não se apaga só porque leu numa revista no consultório dentário que ter ciúmes não se faz. Mas faz-se. Ter ciúmes faz-se. E faz-te. Faz de ti mais amor, mais realidade, mais verdade. Ter ciúme é ser inseguro. E só quem é inseguro oferece segurança. Quem é inseguro sabe que acaba, sabe que um dia acorda e não consegue acordar, sabe que um dia quer e já não pode (até com “f”), sabe que um dia sonha ir e já não dá para ir. Quem é inseguro sabe que o que existe vai deixar de existir. E existe. Quem é inseguro existe. Existe em pleno. Existe no que é. E luta pelo que é e quer manter como é. Quem é inseguro ama com urgência. E só se ama com urgência. Só se ama como se numa ambulância, como se no último respiro, como se no último afago. Só se ama com urgência. Só se ama como se acabasse no segundo seguinte. E por isso o segundo, este, exactamente este, é o segundo final. E amar só é, só tem de ser, uma sequência de segundos finais, uma interminável (mesmo que terminável) sucessão de segundos finais entre quem se ama. Amar é inseguro, amar é ciúme, amar é urgente. Amar – quando é amar - é-te tudo. E é tudo. (...) 

Pedro Chagas Freitas


[não entendo as pessoas que dizem que não têm ciúme, não entendo a falta de medo de que alguém veja na pessoa de quem gostam o mesmo que eles viram, e que não tenham insegurança nenhuma no poder perder o que supostamente gostam. não entendo, mas isto sou eu que sou estúpida, e que gosto das pessoas e acho que facilmente outras pessoas podem gostar...]

Não, obrigado.
Eu apanho o próximo.

Boa Noite.