Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

08 agosto 2015


Era um café destes, se faz favor!
Não tem... assim a pedido?! Não dá para encomendar???
Ohhhh... Traga-me um dos outros, pronto...

07 agosto 2015


Para onde vais tu, Eva?
... Não sei... Estou indecisa... Acho que vou abancar aqui para um café a pensar no destino...

E agora, ao fim do dia feito, ia um banho assim... Não, não é preciso água, um banho de luar em beijos, em que não comparecendo a lua, ficam os beijos pela noite dentro. Banho de imersão. 

04 agosto 2015


Quebrada, mas não presa... Navega-se a esperança, voa-se nas asas do azul adocicado de branco algodão doce.
Quebrada, mas não presa.
Pior de quem está preso, quebrado de desesperança. Não voa, só finge estar no céu.

Bom dia.

31 julho 2015





Nao sei de mim
Não sei de ti

Perdi-me no tempo
Do espaço que nos separa

Encontro-te no espaço
Do tempo que nos junta

Sei que onde tu começas
Eu não acabo

Sei que quando tu começas
Eu não sei acabar.


[só pode ser a lua que me faz fazer estas coisas, porque sei de mim e do resto, mas estes compassos de espera para ir banhar-me de luar fazem as palavras brincar aos pensamentos e os pensamentos às palavras, e numa varanda com a companhia dum cigarro aparecem-me estas coisas... Não liguem, ando com a alma na lua a passar férias...em noites de lua assim dizem-se muitos disparates, alguns, dos melhores que se podem dizer e ouvir...]

29 julho 2015

"A lua é o mais mutável dos corpos do universo visível e o mais regular nos seus complicados hábitos: nunca falta aos seus encontros e pode-se sempre esperá-la no caminho; mas se a deixas num sítio encontra-la noutro e se te lembras da sua cara virada para um lado, ei-la que já mudou de pose, por pouco ou muito que seja. De qualquer forma, se a seguirmos passo a passo, não nos apercebemos de que ela nos vai imperceptivelmente fugindo.(...)
Corre a nuvem, de cinzenta que era passou a ser leitosa e brilhante, o céu atrás dela tornou-se negro, é noite, as estrelas acenderam-se, a lua é um grande espelho resplandecente que voa. Quem reconheceria agora nela a lua de algumas horas atrás? Agora é um lago de luminosidade, que espalha raios de luz à sua volta, entornando no escuro um halo de fria prata e inundando de branca luz o caminho dos noctívagos."

Ítalo Calvino, in Palomar

[eu gostava de ser lua. Será que se eu quiser muito consigo ser lua? Nunca na mesma mas sempre a saberem o que esperar de mim? Quanto mais fechada a noite mais brilhante a minha luz, a minha alma? Irreconhecível comparada com semanas, anos, atrás? Será? ]

28 julho 2015

A luz brinca nas paredes 
O sol fecha-se no horizonte. 
Eu conto-me em janelas por abrir.

26 julho 2015

Toca-me, mas não me faças chorar
a minha música quero que seja outra:
as notas de riso
as lágrimas de felicidade.
a minha música quero que seja a nossa:
a minha dança o teu olhar
o teu tocar as minhas cordas.
...as minhas costas já não são piano.

(Foto @blackandwhiteisworththefight)

Se a pele guarda o sol em cor e calor, dias depois de o ter, por que é que do amor que se teve só fica o frio? E esse frio tão duro às vezes parece que nos aquece enquanto nos magoa... Porquê?
E porque é que continuo a ter perguntas e a escrever, se de nada vale? Se nunca valeu. As palavras para mim hoje nada valem, nem tem a ver com a voz que lhes dá vida, estão apenas completamente desacreditadas, venham de onde vierem... E, ainda assim, as minhas palavras, as que me segredo e desfio sem fio que as conduza, são a minha melhor companhia: a mais solitária, mas a menos só. E as únicas em que acredito. Talvez só se consiga acreditar no que não nos deixa sentir sós. Ainda que nem sempre se deva.

21 julho 2015


A manhã acordou-me com boca de beijo.

Apetecia-me um beijo: aquele beijo lento que devagar se emaranha na alma, que saboreia a ternura quente dos lábios, que cozinha a lume brando o desejo ao ponto de urgência explosiva.

Apetecia-me um beijo de mãos, mãos que percorressem a pele levemente mas sem cerimónias. Mãos que docemente partissem dos tornozelos e fizessem caminho pernas acima, com gosto pela viagem, a parar para apreciar cada recanto, por trás dos joelhos, no interior das coxas, sem pressa de chegadas, apenas tornando tudo num beijo longo, quente, demorado.

Beijos que eriçam ardentemente o desejo, que tornam o devagar em intenso, a pele em alma, o momento prolongado à eternidade.

[Hoje acordei assim, talvez por causa disto que li ontem, não sei, sei que tinha de o despejar em algum sítio... não encontrei uma boca à altura...]

Bom Dia

14 julho 2015


Apetecia-me fechar os olhos e deixar de respirar. No entanto, não são os olhos que respiram, mas sim, talvez, o olhar. É este olhar que respiro, respirando-me. Se fechar os olhos talvez consiga ser outra, e a vida ser-me diferente, eu ser diferente. O mundo mudar.
É o olhar que nos dá o mundo. Não quero este mundo, não quero esta vida. 

Boa noite.

13 julho 2015


"Repara que é daqui que nasce o medo.
E se alguém te faz sentir mais forte?
E se alguém, que já houve, te torna mais forte?
E se alguém, por te tornar mais forte, me torna mais fraco?
Foda-se, e se alguém te faz querer gritar? Como tu me fizeste querer berrar por ti em todos os cantos do mundo."

O miúdo a costurar o medo do medo.

Este é um medo que entendo.
É um medo que tenho se amo.
É um medo que quem sempre disse ter medo de tudo nunca teve. 
Talvez para ter este medo seja preciso querer gritar pelo outro, num grito que nasce bem dentro do peito, onde guardamos quem queremos, quem precisamos sentir perto, quem queremos agarrar no silêncio do berro que calamos por medo, quem abraçamos no vazio que o desespero enche por medo de um dia não mais abraçar, não mais poder gritar, não mais ter medo de perder, por já tudo estar perdido. Por haver naquele peito a vontade do grito por outro alguém que o faça mais e melhor.

apaixonar-me.
afogar-me de paixão na boca que me incendeia,
arder com a poesia dos sentidos
sussurrada quente ao ouvido,
que, devagarinho, nos rosna o prazer 
e com pressa nos morde o desejo 

O beijo que nos engole, 
o toque que nos arrepia, 
a invasão que se recebe como abrigo,
a intrusão que se consente ser casa,
que se quer urgente, 
que se pede com os olhos, com as mãos, 
com as unhas cravadas na pele.

A vontade faminta que nos desperta todas as camadas de ser, de sentir, 
que nos engole em bruto e nos deixa a pingar a essência finamente lapidada 
do amar amar quem se ama com paixão.

[apaixonar-me, era bom poder pedir... quero uma paixão se faz favor! Quente, doce, bem humorada, sem cerimónias, que me desalente e me dê a mão.
Era bom poder pedir... e despedir também. Despedir uma paixão, despedir-se sem paixão, despedir-se, e com o adeus ir tudo, mergulhar tudo numa escuridão onde o oxigénio não respira, e nós, logo de seguida, enchamos o peito vazio de ar puro. Era bom poder pedir, era bom... mas aos bocadinhos o ar puro vai-nos chegando, e a paixão -  quem sabe - há-de chegar de repente e fechar atrás de si, com estrondo, a porta do passado.] 
Ora então Bom Dia!!
Para alguns há-de ser, pois... gente atrevida (e com piada, senão não tem graça, claro)...
eheheheh



O sono não aparece e uma pessoa poe-se a ver fotografias na net. De repente dá-se com isto, e então percebe nitidamente que era ali que lhe apetecia estar, que já se jantava outra vez, que a luz das velas é coisa que gosto e me relaxa, percebo também que o numero de lugares é demais para este lugar, não é coisa para jantares em grupo, ou eu não seria o que escolheria. Por mim seria só eu, alguém que me faça rir, que tenha um brilho no olhar quando o deixa poisar em mim e ficar, alguém, que com um céu enorme e estrelado por cima de nós, procure as estrelas nos meus olhos, alguém que tenha um nervosito miudinho para acabar o jantar para ir comer, alguém que queira adormecer a contar as estrelas comigo enquanto me entrego ao seu colo e à ternura do beijo de boa noite poisado com doçura na testa, quando as estrelas já me venceram na contagem. Alguém que me faça especial. Só alguém que valha muito a pena o conseguirá fazer, e isso resolve tudo.
 Isto sim era uma boa noite. Em que a falta de sono não atrapalhava nada e onde não me dedicaria a ver coisas na net... Bahhh 
(Foto @milad_rahimi.94)

"Não sei o que me aconteceu para ficar tão triste.
Lembro-me de ter percorrido meio mundo à procura de imagens.
Tinham- me dito: é no movimento incessante de quem viaja que encontrarás a imobilidade que desejas.

Mas eu não sabia para onde ir.
Deambulei anos a fio, e nunca encontrei as imagens
que queria. Gastei as parcas forças que tinha neste trabalho,
até que um dia me perdi junto ao mar.

Resolvi construir, ali mesmo, uma casa.
(...)
Algum tempo depois, a casa transformou-se subitamente em prisão.

E talvez tenha sido isso que me pôs, assim, triste para sempre.
Custava-me a crer que aquilo que eu próprio construíra acabasse de me atraiçoar."
(...)

Al Berto, "O Esconderijo do Homem Triste"

[Somos nós que construímos as nossas próprias prisões. E só nós podemos desconstrui-las, libertar-nos delas, para voltarmos a ser nós. 
Às vezes temos de mudar para continuarmos a ser nós, para sermos fiéis ao que somos, à nossa essência.]

Boa Noite

12 julho 2015


Escorres-me pela pele
Em memórias líquidas
O tempo as tornará sal
Que alguma língua,
Sedenta de mim, 
Lamberá
Esquecendo que o sal
se torna sede sem fim
E a minha pele,
Com sede, água fresca.


É isto!... Uma desgraça... Bahhhh 

Bom Dia


"por muito que pareçam similares, "estar só", e "estar sozinho", são quase opostos.
quando se está só, sente-se uma tristeza imensa, uma falta de alguém que seja a nossa procura, o nosso objectivo de vida: uma amizade, um amor, ou uma família. quando se está só, pode-se viver o mais bonito dos momentos e continuamos a sentir o vazio de não ter alguém que, longe ou perto, presente ou ausente, seja a pessoa que gostávamos de partilhar aquele bocado de vida.
estar sozinho é diferente - porque é um estado de alma transitório. é quando se passam aqueles momentos apenas connosco, entre o jantar de amigos de ontem e o beijo de amor de amanhã. quando se está sozinho, especialmente quando é por opção própria, sente-se um alivio imenso de poder fazer o que se quer, como se quer, quando se quer, porque haverá sempre alguém que nos acompanha. para quem "está - apenas temporariamente - sozinho", mesmo no meio do vazio, sentimo-nos completos, realizados na forma como vivemos, como partilhamos, mesmo no silêncio.
na correria dos dias e das agendas cheias, pode-se disfarçar a falta do que queremos: entre risos e abraços amigos, tudo parece menos menos urgente. mas também é aí que realmente damos valor ao que precisamos. porque não é de um abraço, é daquele abraço. porque não é de quem nos faça rir, é daquele riso que é igual ao nosso. não é de um beijo de carinho, é daquele beijo em que se sente o ar a fugir. a certeza de uma paixão maior, é quando nos sentimos sozinhos, mesmo no meio dos nossos. é aí, que percebemos que a vida só faz sentido ao lado de quem amamos. que cada alegria vivida com os outros, é sempre incompleta, pela falta de partilha da nossa outra metade. confusa esta coisa de viver: quando se está longe de quem queremos, sentimo-nos sozinhos no meio dos amigos, mas completos nos momentos de solidão.."

Escritos destes momentos

Tão verdade, pelo menos para mim.
Estar sozinho é muitas vezes uma opção, é preferir a nossa companhia ao ter alguém ao lado que pouco nos diz e nada, ou quase, nos acrescenta - alguém que na verdade não queremos. Grande parte das vezes que estou sozinha é opção minha, sempre, e de cada vez, que me sinto só não. A solidão não é opção, é um estado de alma que nos lembra que sentimos falta de uma parte de nós. Nso conseguimos escolher não o sentir, não é opção faltar-nos, se nos falta é porque não sabemos onde reencontrar essa parte que nos fugiu, ou sabendo, nao a podemos alcançar. Curioso é que quando a alma está nesse estado, estamos menos mal sozinhos, parece que os outros nos atrapalham a solidão mas não a afastam de nós. Então afastamo-nos, escondemo-nos na nossa solidão, onde encontramos o sítio do que nos falta, onde estamos à vontade com as nossas vontades, onde estamos sozinhos. Por opção.

Boa Noite