Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

22 junho 2015

Ando preguiçosa, muito preguiçosa, não me apetece escrever. Tenho vários posts alinhavados na cabeça, mas não me apetece costurar-lhes as letras, pensá-las, pensar-me até. 
Às vezes não me apetece nada, mesmo nada, nadinha, de absolutamente nada.
Mas hoje apetecia-me uma viagem assim, uma viagem destas, da fotografia.
Daqui até casa, ou maior se não chegasse, ou uma viagem com o carro parado. 
Apetecia-me viajar por mim, voltar a sítios de mim de que perdi o mapa, de que não sei o Norte ou Nascente. 
Apetecia-me desbravar sensações, cheiros, cores, lamber com os dedos, tactear com a língua, como se nunca se tivesse feito aquele caminho, como se tudo fosse novo, e, não sendo, fosse. 
Queria uma viagem que me surpreendesse, que me renascesse, que me arrancasse um amanhecer com uma estrela brilhante bem fixa no céu, que não fugisse, que desse o rumo, que me renovasse, que me redesenhasse os sonhos, e toda a viagem dum olhar que já não vê, duns olhos que já não sentem.
Apetecia-me uma viagem destas.

Bom Dia

21 junho 2015


... E pensar que há pouco mais de uma hora estava a suportar uma temperatura com mais dez graus, e agora molho os pezinhos e sabe bem. Muito mais fresquinho aqui. 
Depois duma caminhada à beira mar, parar num sítio de praia quase deserta como eu gosto, um livro e fones. Podia ser pior...
Bom dia.

O sangue que me corre nas veias também me corre daqui, também aqui me pertenço, me sou, e tão pouco me dou. Noite boa, quente, aconchegante, de gargalhadas aconchegada, põe-me a pensar, deitada sob um enorme céu habitado por minúsculas estrelas, que cada vez me acho melhor sozinha, sem a  preocupação de saber do bem de quem me acompanha, sem ter de saber se está bem, à vontade, se se sente bem ali, ao pé de mim, ou se a sua vontade já tem um pé na estrada para qualquer lugar. É uma espécie de conforto, é uma certa liberdade, um certo estar bem. Sem mais nada, só estando, a ouvir o coração bater e a olhar as estrelas, com conversas de fundo salpicadas de risos. Não sei se alguma vez encontrarei alguém com quem consiga estar assim, à vontade, nesta liberdade doce, onde a única amarra escolhida seria um olhar cúmplice, que nos descansa, que nos diz "estamos bem, estamos bem aqui". Um olhar em que cada um segreda ao outro "estamos bem em qualquer lugar em que tu estejas", um olhar que nos faz ponte e nos amarra na liberdade de estar bem. Cada vez acho isto mais impossível, e menos que esse impossível é-me cada vez menos possível.

Boa noite.

20 junho 2015


Mesmo com este calor que se cola à pele, há coisas a que não resistiria colar a boca assim. Metem-me estas coisas à frente e é isto que me dá para pensar... Devem ser os neurónios esturricados...

Bom dia 

19 junho 2015


Egeheheh
... E é isto!
(Temos de nos rir... ao menos isso ainda se pode fazer, só precisamos de sentido de humor, deveria ser em toda a gente um sentido obrigatório...)

Hoje sonhei, no meio duma noite em que não dormi, agarrada a uma insônia como não tinha há muito, sonhei. Sonhei com umas mãos atrevidas e que não eram tuas. Faziam de brisa com vontade de vendaval, percorriam-me a pele das coxas, levantavam a saia solta de vento e vontade, chegavam aquela curva onde as costas mudam de nome e lá o leve toque tornava-se vontade muda, agarravam-me, puxavam-me, e eu sentia um corpo onde me sentia bem no meu. Um corpo que me queria, que me agarrava, que me sabia agarrar. E levar. Atrevido, malandro, e que me fazia rir. Não me lembro do sonho mas lembro-me de o chamar, a rir, de atrevido. Só não sei quem era. Não eras tu. Era um médico (ironia das ironias... Quase tem piada, mas não engravidava para o prender, aliás se fosse dessas, teria engravidado de ti, tive anos de oportunidade e ainda me lembro quando me perguntaste se gostava de ter um filho teu, que nunca o perguntaste a ninguém, e que achavas que um filho nosso seria lindo...) e talvez me curasse de ti, lembro-me de ser a última coisa que pensei, a rir, no sonho, antes de abrir os olhos e dar por mim a pedir o vendaval da vontade daquelas mãos.

Bom dia

Verdade, parece-me.
Será esta, então, uma maneira de perceber qual é a errada? 
... E já agora dar umas luzes sobre a certa?... Hum?
Dava jeito uma receita.
A parte comprovada é que nunca ser suficiente, nunca chegar, é uma valente merd@, 
por isso tenho de experimentar a outra versão. Comprovadamente.

Boa noite




18 junho 2015

"Talvez eu seja um maníaco da equidistância. Em cada problema que se me apresenta, nunca me sinto atraído pelas soluções extremistas. É possível que essa seja a raiz da minha frustração. (...) Em geral é preciso bastante coragem (uma espécie muito especial de coragem) para nos mantermos em equilíbrio, mas não se consegue evitar que aos demais isso pareça uma demonstração de cobardia.(...)
A que propósito vinha tudo isto?Ah, sim. A equidistância que agora procuro tem que ver (o que é que não tem que ver com ela na minha vida actual?)  com Avellaneda. Não quero prejudicá-la nem quero prejudicar-me (primeira equidistância); não quero que o nosso vínculo arraste consigo a absurda situação de um namoro a puxar para o casamento, e também não quero que adquira o matiz de um programa vulgar e silvestre (segunda equidistância); não quero que o futuro me condene a ser um velho desprezado por uma mulher na plenitude dos seus sentidos, e também não quero por temor a esse futuro, ficar à margem de um presente como este, tão atraente e insubstituível (terceira equidistância); não quero (quarta e última equidistância) que andemos a rodar de casa mobilada em casa mobilada, e também não quero que fundemos um Lar com maiúscula."

Mario Benedetti, in A Trégua

[não, não é uma espécie especial de coragem, é uma especial  falta de coragem. Não é por se arranjarem supostas justificações para a cobardia, que deixa de ser cobardia. Os apelidados equilíbrios são apenas uma equidistante cobardia para duas alternativas que se pretendem continuar alternativas, porque só na equidistância as soluções continuam alternativas, mantêm-se alternativas. A opção obriga a uma solução, perdendo a alternativa. O resto são razões que se procuram e que se querem que justifique a confortável inércia de um horizonte por desbravar, sem nunca dar um passo em direcção alguma. As razões preferidas são as que se dizem ter a pensar nos outros, quase à laia de altruístas e nobres (nas que, mais das vezes, não beneficiam realmente ninguém), mas na verdade é sempre pensamento de - e a pensar em - quem as pensa. Há uma altura no livro em que esta conversa é desmascarada e onde um amigo, sem papas na língua (há quem lhe chame mau feitio, mas às vezes acorda-se muita gente...) diz exactamente isso, são apenas desculpas para não avançar e enfrentar o medo. Sempre o medo, do próprio, claro, vir a sofrer, vir a perder alguma coisa. Estas supostas equidistâncias, que se presume manterem equilíbrios, não são coragem alguma, são apenas o assumir do esforço (que pode ser grande, não digo que não) que tem de se fazer - às vezes até há quem as apelide de estoicismo -, que tem de se enfrentar e aguentar para evitar o medo de uma opção, e uma opção é sempre uma perda. Um sim é sempre um não a alguma outra coisa.]
Final de dia, a luz a lamber o horizonte devagar, a deixar-se ir, 
quente e lânguida, pela escuridão da noite que a abraçará. 
Uma mesa de café, uma brisa que refresca, uma companhia que arrepia a espinha e o sorriso malandro. É disso que ainda sinto falta, dessa sintonia, do rir no mesmo tom, do tocar nas mesmas cores, do olhar com o mesmo querer, de ler a mesma música sem haver pauta. Ou parecer. 
O que me faz falta, também, é a pele, como que me esqueço que me veste, esqueço-me que existe, 
não se arrepia a não ser de frio, não aquece a não ser por fora. 
Preciso de alguém que volte a fazer-me sentir,
 voltar a vestir a alma na minha pele, anda há demasiado tempo nua e perdida. 
A alma precisa de pele e a pele precisa sentir a alma. 
Ainda não sei dividir-me e ainda me falto inteira. 
E faltam-me fins de tarde assim. 
E começos de dia. 
E noites.
Inteiras.
Inteiros.

Bom Dia

17 junho 2015

Que maravilha de noite. Só falta a lua comparecer, aqui onde estou sentada não a consigo ver, mas sei que anda por aí a passear no céu. Também me apetecia passear, andar sem destino traçado com a certeza de chegar onde me quero.

"Há uma desproporção enorme entre a minha urgência e a lentidão de tudo."

Vergílio Ferreira

...assim como, tantas vezes, entre a minha lentidão e a urgência do mundo.
Estou sempre fora de tempo, e o tempo fora de mim.
Longe do perto, perto do longe.
Tantas - tantas! - vezes com pressa da lentidão que nos acalma.
A urgência de nada ser urgente,
de tudo poder ser saboreado ao sabor dos nossos lábios, 
da nossa boca, do nosso silêncio falado, 
dum sorriso lento que se arrasta pela noite,
 e mergulha, urgente, no dia por nascer.
... e pronto, é isto.
Eu podia dizer que sim, mas não digo; até podes dizer que fazes o documento assim há anos, não me interessa, o que me interessa é que isso não quer dizer que não pode ser melhorado, como te disse. Tu riste-te, porque deves ter percebido na pele aquilo que no outro dia dizias, que sou meia destravada, que digo o que penso e me apetece, assim, a seco e raramente com cerimónia. Perguntaste-me em jeito de brincadeira se estava a ralhar contigo, e se aquilo era o meu afamado mau feitio... achei estranho não se ter percebido logo que te estava, sim, "a puxar as orelhas", e que não apreciei o argumento da autonomia profissional, porque essa autonomia pode mexer com uma autonomia financeira que é responsabilidade minha... deves pensar que lá porque no outro dia me deixaste sem jeito por dizer que era bom ver-me rir porque a minha gargalhada é pura e espontânea, isso me faz não dizer o que tenho de dizer quando tenho de o dizer... hum... não funciona, nem penses... homessa!! Já a parte de gostares das discussões com "arte" argumentativa, essa parte já gostei de ouvir. Mas é bom que te habitues que aqui Amén não é o que se costuma dizer no fim de ouvir alguém falar.
Pronto era só isto.
Descarregar um bocadinho o mau feitio. 
Estava a precisar.

Bom Dia.

... Muitas até. 
Demais mesmo.

Boa Noite

16 junho 2015





"aqui, não há ninguém, nem sequer eu estou cá, nestas ruínas de saudades. Quem assiste de fora, vê tudo à beira mar e as ondas levarem para longe tudo o que foi meu, tudo o que fui eu. Aqui, já não sou nada, nem sequer o vazio absurdo em que me quis, nem a estrada que me leva para o fim..."

Daniel Camacho
(da sua página de facebook)

Leio isto e, mesmo que não queira, lembro-me :"já nada à minha volta faz sentido" ou "tudo à minha volta já pouco me interessa... acordo, vivo, adormeço diariamente consigo"...  como se dizer isto, e repeti-lo das mais variadas formas, fizesse algum sentido, ou, se fosse sequer sentido, de tantas vezes já mo terem dito, já um qualquer sentido se teria composto. Provavelmente foi o que aconteceu. Talvez agora já tudo o resto seja o que realmente interessa, talvez já tudo faça sentido... até o na altura nada ter sido sentido verdadeiramente como falta de sentido. Não sei, se calhar o problema foi sempre ter sido consentido ser dito e repetido, para ser apenas isso:dito e repetido. O problema se calhar foi meu, que sempre soube o sentido que tinha tudo o que eu tinha sentido, e dito.
Cheguei, não estava a perceber nada. Falo contigo sempre num pressuposto, nem me passava pela ideia que fosse diferente. Viro-me para a janela, de costas para ti, abres a janela e atiras uma coisa que trazias lá para fora, para se perder no tempo e no espaço. Abraças-me por trás, de alma nua, enches-me o pescoço de beijos, viro-me para ti com cara de parva, incrédula, cheia de perguntas nos olhos, nas palavras que não me saíam, tu riste-te como já não te oiço rir há muito - com a calma da confiança de que não se duvida. Abraças-me mais do que me beijas, em "beijos pequeninos mas fatais", pelo pescoço, ombros, cara, o que te aparecia à frente, e sempre a sorrir dizes "eu gosto muito da pessoa com quem escolhi ficar". E eu acordo. E não sei que raio perceber desta frase... Mas estávamos felizes. Estranho, muito estranho. Agora convém ir tratar da vida que este sonho já está arrumado, escrito e engavetado. Até porque o que sempre me ocorria quando diziam que gostavam muito, é que gostar muito, eu gosto do meu cão...


Boa Noite

15 junho 2015

Li isto e fiquei-me na última frase. Alguém me costumava dizer que eu lhe andava sempre alojada na nuca, que nunca lhe saía da cabeça, que parecia feitiço... E eu agora pergunto-me quanto tempo é que demorará a minha cabeça a vagar esse espaço, esse sítio onde está o que temos sempre presente, por muito que estejamos ausentes com mil e uma distracções...
E intimidade não penso que seja dar atenção quando dez outros a estão a pedir, é com um olhar sentimo-nos ligados, haver uma sintonia, como toda a atenção não consegue ligar ou ter... É um tocar diferente, é uma extensão da pele que se sente e conhece por dentro, onde guardamos todos os essenciais que nunca se ausentam de nós. Mesmo que nos queiramos distrair.
eheheheh ... e hoje acordei com isto na cabeça... e pior, a cantarolar por baixo da língua durante a manhã toda... é o que dá andar a recordar coisas muito antigas durante o fim de semana, no meio de risos e brincadeiras na mesa redonda do jantar em família, cada vez mais reduzida, onde já não se ria há tanto tempo... 
Acho que hoje de manhã percebi que apesar de cansativo, ainda assim, o fim de semana foi bom.
Se calhar o que nos deixa verdadeiramente cansados é a tristeza, por isso... 
MAHNA MAHNA... tu ru ru tu... 
...e o que não se sabe vai-se inventando.

Bom Dia




Verdade. Uma pessoa pensa que quer alguém que a queira, que a cuide, que faça por a saber e conhecer - alguém que a veja realmente para que possa abrir os olhos, acordar. E quer para que possa sonhar que ainda lhe podem abrir os olhos, para não ver que já os tem abertos há muito tempo, que o difícil mesmo é fechá-los.
Tramado é perceber que queremos alguém que nos queira mas que o que precisamos é de querer alguém... E que isso é dificílimo.

14 junho 2015


... Nunca consigo cumprir o calendário!!... Irra, nem este!! 
( e este não me importava... Bahhh)