Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

22 Maio 2012

Este post é para ti

Não preciso falar muito porque sei que entendes, sempre nos entendemos nos silêncios, nas pequenas coisas, e nas grandes que suportam os pilares de quem somos. Custa-me muito tudo o que estou e vou fazer, mas é porque sempre me disseste que seria o melhor. O melhor para ti e por isso para nós. Afasto-me, recolho-me, deixo-te o espaço deserto que precisas para que o atravesses e chegues aonde queres. Estou deste lado como sempre, ao teu lado ainda, ainda que não me vejas, contigo na tua ausência para que chegues com a tua presença e possamos repetir todas as brincadeiras, sorrisos, beijos, gargalhadas, festas, mimos, olhares sem fundo e toda uma vida em que sempre encaixámos sem a ter. Fico à espera do teu calor, das tuas mãos, da tua pele colada à minha, do teu carinho e de te poder encher de mimo, de beijos e do amor que me deixares.
Enquanto na memória ficam gravados estes nossos momentos para reviver e sorrir sem saber, cá dentro aperta e desespera a vontade dum abraço assim, de reencontro, de felicidade, de vontade de chegar e ficar.
beijo

Vou de férias, não sei para onde, vou vaguear por aí, não sei se volto.
Este blog serviu de muita coisa para mim, foi o meu muro de lamentações, o sítio onde confessava o que nem sussurrava, e também uma ponte. Não poderá mais ser assim, as pontes servem para quem quer chegar ao outro lado, até haver certeza de que de que se quer atravessar, as pontes de nada servem. Por isso vou hibernar durante um tempo, não sei quanto, nem se voltarei. Mas a surpresa de chegar a este ponto com uma média de visitas que nunca pensei foi já uma surpresa, e das boas. Entretanto vemo-nos por aí, vou continuar a ler quem gosto de ler. A todos os que me liam só posso agradecer o interesse, e tantas vezes as palavras simpáticas.
Inté.

Dizem que a esperança é a última a morrer. Não concordo, nunca concordei. Sobrevive-se à esperança, com muita amargura e muita mágoa, tudo cozinhado com muita angústia e tristeza. Mas já perdemos a esperança quando afinal percebemos que sobrevivemos - sobrevivemos- o que é diferente de andar para a frente, de ir ver o que a vida tem para nós lá à frente, ainda que acabemos por ver, quando perdemos a esperança continuamos a respirar, mas já não acreditamos no caminho e desconfiamos que haja um qualquer destino a que é suposto chegarmos. Eu tenho por hábito tentar cirurgicamente remover de mim a esperança, mentalizar-me que nada há a esperar, que esperança é só outra palavra para ilusão, e por isso um substituto doce de desilusão. Sem anestesia, ou esperança de escapar à dor, é um exercicio que tenho nos últimos anos praticado amiúde. E sim reduz a desilusão, porque se reduz a ilusão, não se reduz a dor, a mágoa ou até a humilhação de se achar que já se foi além do que qualquer razão permitiria. Mas há razões que não têm razão nenhuma a não sera a razão de existirem coisas mais fortes que a razão.
Também sem razão aparente, ou com muitas que não consigo nomear ou explicar, vou desta vez esperar alguma coisa, vou confiar que a vida me vai acontecer bem, que por uma vez não vou ter medo da desilusão ou da dor do depois, porque não me livro dela, só a mudo de tempo verbal. Vou confiar em ti e acreditar que queres tanto como eu, e então, não só há esperança, como sei que a vida um pouco mais à frente vai compensar tudo e dar razão às razões que nunca se encontraram, vai-nos dar razões para acreditar nas coisas que não têm mais nenhuma razão que não a que se encontra no fundo dum olhar em que mergulhamos, até quando não queremos. Até quando queremos fugir. Porque há coisas que não tendo sentido têm mais força que tudo a que queremos impingir sentido, e o único sentido de tudo é dar sentido ao que tem força, que tem força própria, como a luz das estrelas, vem de dentro e não se apaga.
ehheheh um dia ainda vou dizer isto....
 mas depois vou-me escangalhar a rir e corta o efeito todo!!!
Assim o espero, porque vou precisar.

21 Maio 2012

É absurdo de tão estranho quando se tenta agarrar no ar a imagem de alguém que Já nos fugiu.
Estou com a estranha sensação de que não estou bem, é como uma falta de não sei o quê, que me deixa meio sem reacção, sem vontade de nada, sem saber o que na verdade tenho ou não tenho, é uma tristeza estranha, sem nome e sem rosto... depois falam-me em carinho, e percebo que é disso, disto que tenho vontade, e é disto que sinto falta, uma sensação doce, de segurança, de se estar bem, sem a ansiedade e o medo, o não saber o que fazer ou pensar a corroer-me. E há muito tempo que não estou bem assim, são apenas instantes, pequenos hiatos de mundo, e aí parece que o vejo de topo, em que estou feliz e completa. Depois volta tudo, como uma janela que se abre sem pedirmos, sem querermos, é um vento cruel que irrompe e a escancara, de onde vem um frio que nos gela e nos anseia nas entranhas, porque afinal sabemos que nada há a esperar, e apenas esperamos que nos digam que já morremos e não queremos ver. Porque já sabemos.
E eu fico-me aqui a pensar que não vale a pena a ansiedade, não vale a pena a insegurança ou a incerteza, quando a certeza nos corre no sangue que nos passeia nas veias, apenas decidimos aproveitar enquanto não nos sangram, ou purgamos nós essa certeza com um golpe fatal e definitivo, e fazemos o sangue correr aos nossos olhos. 
E então temos de admitir que acabou. Sem incertezas.
...e às vezes tenho a certeza que a pior também.
Mas não trocava o não ter o pior pelo não ter vivido o melhor.
... a história da minha vida, só nunca consigo ser eu a aproveitar o resultado da melhoria...
é uma especie de serviço público ou coisa que o valha...


Desmancha prazeres!! Será que o gajo não percebeu???
Helloooo???

20 Maio 2012

Hoje o dia deixou-me assim.
Uma sensação estranha, de não saber onde estou ou para onde vou.
E agora café, que bem estou a precisar.
(o tempo está uma porcaria, não dá vontade de fazer nadinha... bahhhh)

Quando será que acaba a minha crise? ou se acabará sequer... hoje era daqueles dias em que o que precisava era de ter acordado devagar, tomado um bom banho e enfiar-me num sitio onde só tratassem de mim, uma limpeza de pele (que bem ando a precisar), umas massagens, fazer as unhas, os pés, cortar o cabelo, esticar ou pôr daqueles rolos que no meu cabelo o efeito dura uma hora, mas sempre é uma hora em que pareço diferente... enfim, fazer tudo e mais umas botas. Mas nada disto, não há dinheiro. Mas pintei as unhas, pus uma máscara verde na cara muito divertida se por acaso alguém tivesse visto...e bom, até tomei banho (vejam lá!!), mas preferia que mo tivessem dado...são as crises!!
Era uma manhã de domingo destas que seria a minha cara...
Em vez disso vou trincar alguma coisa, pôr música, calar-me, cuidar um bocadinho de mim, enganar-me por fora e ver ver se cola por dentro.
Ontem foi um dia mau, vamos tentar que hoje não seja tão mau. Tentar, tentar já não é mau.
Tentar sentir que valemos por nós ainda que nada se valha para os outros.
era bom, não era?..
que fosse assim, e disséssemos isto a quem quisessemos...não é, mas dá para nos pôr a sorrir
(escusam de tentar, não dá para lamber o próprio cotovelo, é impossível...)
Ontem o telefone apitou à meia noite e depois às cinco da manhã, das duas vezes pensei que poderias ser tu, que por alguma razão louca, te tivesses lembrado de mim (bem sei que a louca sou eu, que pensar isto é loucura), que de repente não conseguisses não me falar, que houvesse uma vontade louca de alguma coisa, mas não, de nenhuma das duas eras tu. Provavelmente ainda bem, porque nada muda nunca e é melhor habituar-me a que quanto mais preciso de ti mais tu não estás, me ignoras ou desprezas, porque um dia deixo de precisar e o telemóvel há-de dar sinal de alguém que precise de mim.


Já não chove lá fora, a chuva calou-se. De repente chove cá dentro, mas eu calo a chuva, amordaço-a na humilhação que as palavras teriam se as soltasse. Não quero soltar-me as rédeas que as prendem, que me deixam perceber o buraco em que estou, em que me deixo cair, sem fazer ideia de como sair. Fico aqui a pensar o que pensar de tudo isto, de descobir a mentira na verdade, de perceber a minha verdade, de a definir e assumir, de quebrar laços feitos por nós cegos que me enrolam a alma sobre si própria, enquanto o enrolam em mim e eu nele, e ele não está aqui, nunca está. Guardo dentro de mim uma boca fechada, calada para não dizer o que mais me humilha, o que mais me magoa, o que me destroça e desespera, e enquanto penso que amordaço a humilhação por calá-la, deixo-a correr livre dentro de mim, a amargar-me e apodrecer-me, a matar-me aos poucos na esperança que o mate a ele primeiro dentro de mim, e que com o que restar ainda consiga gritar vida de dentro de mim, um dia. Por enquanto esvazio o copo ao meu lado, acendo mais cigarro, dou imagens de beber à mente para que me minta, para que não me oiça. Enquanto isto há vestidos que se despem, peles que se tocam, beijos que se vivem e noites que se sobrevivem, enquanto eu sonho com as minhas e procuro recusar os convites que mas oferecem sem música, sem calor, sem mim nelas, mas onde encontraria companhia apenas para a minha solidão continuar só.

18 Maio 2012

“ Nada do que hoje sei saberia se não tivesse feito exactamente o que fiz. Porque é preciso vivermos as coisas para saber, na verdade, o que elas são”


António Alçada Baptista- “Peregrinação Interior –I

[é por pensar precisamente assim que me é dificil sentir arrependimento do que seja, o que faço, e fiz, faço por razões que o justificam na altura, se o tempo vem a comprovar que foi uma decisão errada, só o tempo que passou o deixou perceber. Não tivesse o tempo passado ou a decisão não tivesse sido tomada, não seria errada, mas não seria certa, porque não seria nada, seria outra decisão alternativa, também ela certa, ou errada. Para sabermos temos de viver, e vamos tirando as nossas conclusões, vamos aprendendo acerca de nós principalmente... e é por isto que nunca entendi aquela célebre frase do " se eu soubesse o que sei hoje há 20 anos..." nunca me disse nada, porque tiveram de passar 20 anos para chegar ao ponto em que estamos, e viver esses vinte anos para aprender o que afinal já queríamos saber antes de os viver. Não tem lógica, é a vantagem dos anos, do tempo, o que se aprende ou o que se percebe afinal ter desaprendido...]
Um beijo fechado a sete chaves...
ternura...paixão...carinho...desejo...doçura...avidez...meiguice
Inacreditavelmente consegue-se juntar tudo, desfazer todas as fechaduras.
Deixamos de conseguir trancar o que seja, há beijos em que estamos inteiros, entregamo-nos completamente e preenchemo-nos nessa entrega que nos encontra no outro.

Ponho-me aqui a olhar para ti em fotografias para ver se a raiva me acalma, me esclarece. Se vejo nas fotos o que procuro, e acho que vejo, e a raiva entranha-se, mas não me acalma, não me esclarece os porquês, ou os comos. O que vejo não combina com o que oiço, e o que oiço é apenas isso, o som que sai de ti sem eu saber se é o que te mora dentro, porque nada mais sai de ti. As tuas mãos agarram-me ao mesmo tempo que me afastam, afastam-me ao mesmo tempo que me puxam. A pequenos compassos às vezes mais longos, num raio dum bailado que não sei dançar e de que não percebo a música, a música a que te moves e a que me arrastas. E eu não me nego, não fico quando não me querem por perto, mas não me vou se me puxam e eu quero ficar. E as fotos a olhar para mim, tu nas fotos e não te vejo. Não olhas para mim. Mas sei que é lá que estás e eu não estou. E a raiva entranha-se e já nem se estranha.
Por acaso seria bom, mas não...
nada faz sentido.
Pelo menos para mim, haverá decerto para quem faça.

17 Maio 2012

Ora aqui está um post cheio de moral, como convém...
Uma dúvida que me persegue...
...é assim tão fácil?
...reduzir alguém a nada?
depois de tanta coisa, tanta coisa boa que se teve, que se disse, que se riu, que se viveu...
e de repente... nada!!!
E nunca percebo esse malabarismo, essa reviravolta aparente, nunca percebo onde exactamente perco o fio à meada, ou se apenas será assim tão fácil enganar-me há tanto tempo...
são dúvidas que me perseguem...
 
Porque é que quando uma mulher está chateada e com autoestima rasteirinha só lhe apetece comprar coisas?? E põe-se a ver ( e a chamar nomes às gajas das fotos, mas vá, adiante)


...e depois fica ainda pior porque percebe que não pode comprar nada porque o orçamento está restringido???
Bolas!!!!
(os das bolas são giros, mas eu acho que ficava mesmo pelo primeiro... e este foi seguramente o primeiro post de trapos aqui do estaminé, e provavelmente dos únicos...)
A mais pura das verdades.
O que não sei é será bem perdoar, acho que tentamos esquecer, porque não conseguimos esquecer que precisamos deles para estar bem. Então para nossa própria sanidade mental, e outras, perdoamos, ou convencemo-nos que sim, que perdoámos.
[e tudo nas devidas proporções, há coisas que não se perdoam, ou não nos conseguimos convencer de que perdoamos, essas são aquelas em que percebemos que ficamos melhor sem essas pessoas, e melhor connosco se nem tentarmos perdoar, porque não nos merecem isso, e o que nos fizeram é demasiado pesado para pormos para trás das costas...)
Não preciso de grandes gestos, daqueles que trazem o mundo para dentro do amor que deve ser de duas pessoas, não quero alardes e grandes fitas, prefiro-as no cinema, onde todos vêem e suspiram. Quero suspirar só eu, quero só os nossos olhos depois. Quero os grandes gestos que fazem o amor, sim, aqueles que são pequenos mas que significam tudo, ou aqueles que são importantes pelo que representam, que são grandes pela vontade que revelam, pelo sentimento que os move. Quero o amor na intimidade que faz o nosso mundo, onde se pode tudo e onde quero tudo, até grandes fitas e gestos largos.
Quero o amor no mundo, mas não o mundo, que não o nosso, no amor. Não há, nem quero, espaço entre nós onde caiba mais que o nosso amor, o nosso calor, e o mundo que fazemos para nós, que começa no olhar em que nos bebemos, e acaba nos corpos com que nos comemos. O resto fica lá fora, é mundo por empréstimo, onde nos movemos, trabalhamos, onde estamos e voltamos depois, para nós.
Como disseste uma vez, entre nós não quero nem a travessa.