Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

20 dezembro 2014


Uma pessoa fica na ronha até esta hora e agora percebe que o sol na varanda está bom, que o frio aqui também não se sente. E continua-se uma espécie de ronha no cadeirão da varanda, de pijama e roupão, e os olhos piscos da luz. E a vontade de mundo: a mesma: nenhuma. 
Mas daqui a nada terá de ser, por enquanto aproveita-se. Como tudo na vida, quando se pode aproveita-se.

Bom Dia!
Não ter morada
habitar
como um beijo
entre os lábios
fingir-se ausente
e suspirar
( o meu corpo
não se reconhece na espera)
percorrer com um só gesto
o teu corpo
e beber toda a ternura
para refazer
o rosto em que desapareces
o abraço em que desobedeces.

Mia Couto

[bebi todas as palavras, 
embriago-me 
na ternura que não digo, 
petrifico 
no gesto que prendo 
e que me tem presa, embriagada e muda. 
Ausente de mim 
tenho domicílio entre uns lábios sem morada
Líquida duma doçura salgada.]

Boa noite