Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

27 março 2012

Depois queixam-se...
:)
Replace "girl" for "man"...
Às vezes esqueço-me, e dou por mim a lavar a loiça com um sorriso colado à pele, aos gestos, ao tempo. Dou por mim a recordar coisas, a repetir coisas que já foram, que já foram presente e agora são só prenda do passado envenenado de felicidades. Acabo o dia a pensar na razão de tanta alegria, de tão boa disposição, e então percebo que as razões que me desencantam o sorriso encantado são apenas razões para estar triste, que nem a mim enganam, que já tantas vezes me enganei que até de olhos fechados me desengano. Mas tenho de fechar os olhos ao sonho e apagar o sorriso falso por verdadeiro de falta de razões para me pôr feliz. Às vezes ponho-me a pensar como me perco tanto no sítio donde não saio. Porque eu sei onde estou. Já vi, e sei, o filme todo, mas teimo em achar que enquanto não vir as letrinhas a passar, ainda não acabou, ainda tenho de fazer o meu papel, o meu papel de parva de sorriso palerma colado ao ser que faz o meu papel, até as letrinhas começarem a passar e eu ter de voltar ao sítio onde estava antes de ser parva, ou depois de já o ter sido. Eu sei bem onde estou, sou estupidamente lúcida para o papel em que teimo em fazer de conta que as letrinhas ainda não passaram.

26 março 2012

Às vezes fazes-me sentir assim... pequenina, com totós, a precisar de beijinhos quando esfola os joelhos, porque tropeça e cai quando corre para ti. Fazes-me querer colo e mimo, e coisas doces e sorrisos de criança, e a inocência de não se ser adulto, de ainda não termos crescido para os problemas, de a vida ainda não nos ter estragado, de ainda sermos puros de alma e de sorriso, e de gargalhada, e de joelhos esfolados de correr para ti, para o teu colo, que está tão longe, e os meus joelhos tão esfolados...

25 março 2012

Estive a tarde toda na varanda, o sol está óptimo e está-se bem, ou estaria, que nem ler consegui com a cabeça a atrapalhar-se nas palavras, e tu na cabeça. Desisti e deixei-me dormir, acordei há pouco, não posso continuar assim, sempre que estás mal ou alguma coisa te abana, ou parece abanar, resolves preencher o vazio, dizes coisas, dizes que morres de saudades, que queres ficar. Tu ficas melhor, no dia seguinte estás melhor, mais leve, mais bem disposto. Eu fico só mais só, mais cheia de ti, mais cheia de vontade do teu colo e de me perder no mimo. E a única coisa em que me perco é em mim mesma, na varanda, à luz do sol ao som de música. Não pode ser, qualquer coisa tem de mudar, talvez eu.

24 março 2012

Enquanto estava ao telefone à porta de minha casa a tentar não me lembrar de ti, esperava que passasses, sabia que passarias sem saber, e fui ficando. Vi-te passar à minha porta duas vezes, e fiquei-me a pensar que passas à minha porta como pela minha vida, tentando não ser visto e sem nunca entrar.
Vendo e nunca saindo.
E se fosse para escolher à lista, o que é que escolhiam?

23 março 2012

22 março 2012

Quero ir para aqui... preciso de férias, de não fazer nada, de não pensar em nada senão no calorzinho na pele e que bikini vestir... Estou farta de escritório!!!... e desta vida que não anda, não muda de paisagem, não avança no argumento, arrasta-se e a mim com ela... quero ir-me embora, para longe de tudo...

21 março 2012

18 março 2012


(...)
An abyss that laughs at creation,
A circus complete with all fools,
Foundations that lasted the ages,
Then ripped apart at their roots.
Beyond all this good is the terror,
The grip of a mercenary hand,
When savagery turns all good reason,
There's no turning back, no last stand.

Heart and soul, one will burn.
Heart and soul, one will burn.

Existence well what does it matter?
I exist on the best terms I can.
The past is now part of my future,
The present is well out of hand.
The present is well out of hand.
(...)

17 março 2012


O dia quase todo à volta de música, organizar o itunes, eliminar duplicados, descarregar coisas novas, ouvir coisas antigas e agora deparei-me com isto e por muito descrente que se esteja há coisas que nos resgatam do fundo da escuridão para uma réstia de esperança numa qualquer felicidade que esteja por vir e para vir, algures no futuro...


Pus esta música para começar o dia, gosto do ritmo, do que me faz agitar corpo e alma. Gosto disto!!

13 março 2012

E hoje, dia 13, foi o dia em que desistiram de mim.
É estranho ser-se desistido, valer tão pouco, que é tão pouco dificil de se desistir. De dizer não, não quero, não vou. Não vales o esforço.
É talvez melhor sabê-lo. Porem-nos os pés no chão com a violência dum esticão que estatela toda uma ilusão numa parede em que nos reconhecemos desfeitos, desmembrados, irreconhecíveis. Onde nos roubam os amanhãs, onde nos oferecem a crueldade de não termos sido nada, quando ainda agora éramos feitos de sonhos de esperança.
Que todos os ontem que passaram não foram nada, não restou nada, a não ser um enorme vazio sem amanhãs. Que o passado é passado que passou, foi tempo que me cilindrou e me deixou desfeita, desmembrada, irreconhecível, até para mim. Onde é que me vou buscar agora? Se ontem não foi nada e os amanhãs me foram roubados, só resta tempo sem vida que tem de se viver ainda.
O pior é saber que tem de se sobreviver, quando não se percebe para quê.

12 março 2012

"-Desculpa, foi sem querer..."
[se foi sem querer não desculpo,
dar um beijo sem se querer não é coisa que se perdoe a ninguém,
desculpa lá...]

06 março 2012

"Mas se te fiz bem, não foi por querer; calhou ter sido assim. Ainda que não me desagrade a ideia de que alguém me recorde como a um felino pousado nos joelhos, quieto, distraído de tudo, concentrado apenas nos arrepios que certos afagos transmitem à coluna vertebral. Mas devias saber que esse não sou eu; que a sinceridade dos meus sentimentos é uma coisa passageira; que o tempo havia de me levar para longe de ti; que acabaria por te causar dano se continuasses a recordar-me assim (...)"
(...)
Mas não posso já aninhar-me no teu colo e a verdade é que mesmo tu, tenho a certeza, não me recordas já assim. Só se fosses parva e preferisses enganar-te, perseverando em não querer entender quem eu sou. O melhor para ti é que duvides até da sinceridade do meu amor, que tenhas a certeza de que era falso; que não saibas já se eu alguma vez deitei a cabeça nos teus joelhos ou se apenas sonhaste se assim foi. É preferível que não te iludas, que não esperes que tudo venha a ser como então, como se nada houvesse sucedido e eu não fosse o canalha que não quiseste ver em mim. Será melhor assim."
(...)
"Tenho saudades tuas e olho a Lua para saber como estás e penso se ainda te recordarás de mim do mesmo modo; se ainda serei a cabeça pousada nos teus joelhos, quieta, calma, pela qual não te parecia possível passar qualquer maldade. Eu avisei-te: sou um louco. Alguém em quem não se pode confiar, do qual de deve esperar tudo, o pior possível. Tinha-to dito tanta vez, antes disso, com os olhos; disse-o, tenho a certeza, e só não me ouviste porque não e quiseste escutar. talvez precisasses que as minhas palavras confirmassem aquilo que os meus olhos diziam. Foi isso? E nesse caso de quem foi a culpa por termos feito tanto caminho?"
(...)
"Eu amo-te, tu amas-me; logo: separámo-nos. Tu vais e eu fico. Sofres tu e sofro eu também, porque tem mesmo de ser assim e não pode ser doutra maneira. E, se calhar, tinhas razão - o amor é para os parvos. Para os que não sabem apaixonar-se e não têm tempo a perder com sofrimento. Para os que estão sempre se passagem e precisam de um lugar onde encontrem, de vez em quando, um par de cuecas limpas, peúgas lavadas e três camisas engomadas. Um sítio do qual possam dizer: esta é a minha casa, esta é a minha mulher, esta é a minha escova de dentes e estes os meus filhos, a herança que deixo ao mundo (...) "
(...)
"-A minha anatomia enlouqueceu; sou toda coração.
Pois é como me sinto, mais ou menos assim, com a anatomia enlouquecida, sem saber já quais são os meus dentes ou qual a minha boca; como se cada pedaço meu não fosse mais do que saudade de ti: o desejo de te voltar a ver, de te cobrir outra vez de beijos - olhos, boca, rosto, o corpo todo de beijos -, de te abraçar e sentir o teu cheiro, de tomar nas mãos o ramo crespo dos teus cabelos e inalar a fragrância do teu pescoço. Possuo agora, em mim apenas apenas, nos limites da minha topografia, toda a exaltação dos nossos corpos e sinto que não chego para tanto porque a soma de nós dois excedeu sempre a soma física dos nossos corpos. É como se rebentasse por dentro e tivesse de esticar a alma (...)
(...)
"Lembras-te?
O meu cabelo já não é uma escova mole. Não te direi sequer, como então, que a sinceridade dos meus sentimentos é uma coisa passageira. Apenas que ainda me agrada a ideia de ser recordado assim. Que ainda sou, se me quiseres, o teu
- Piú grande amore del mondo.
Lembras-te?
O meu cabelo já não é uma escova mole. Mas eu sou um velho parvo, amor."

in O Amor é para os parvos, Manuel Jorge Marmelo


Leiam. Vale a pena. 
E pensem. Pensem afinal quem é parvo. Se será achar que o amor é pouca coisa e que tudo desagua na indiferença, no passageiro, ou depois passar a vida inteira a recordar o que se teve e se deixou escapar, porque afinal, não era passageiro, afinal os olhos falavam mais e melhor. Afinal não devíamos ter convencido o outro do contrário. O que uns vêem  e pressentem em instantes, outros levam a vida inteira de sofrimento para concluir. O pior é que não sofrem sozinhos.
Leiam, (e) não sejam parvos...

05 março 2012

Vim o caminho a ouvir Jorge Palma. Gosto das músicas pelo que elas dizem, e as letras daquelas músicas são poemas que me tocam, quase todos. Mas não há nada que me afaste da cabeça as ideias que não quero lá. E as comparações, as malditas comparações, que nascem não sei de onde, até de músicas que nada têm a ver com comparações, mas dou-me comigo a comparar muitas coisa que não devia, e que doem, porque não me sou meiga, porque não me poupo. Nem os outros.
Chego aqui à porta com a ideia que não vale a pena pensar mais, e que já não tenho lugar para sentir, desde que me desalojaste de mim, de ti; desde que já não me sentes e que tenho de te anestesiar em mim, que criar uma dormência com o teu nome. Tenho de passar por ti sem te ver, sem te sentir cá dentro a remexer o que em ti não existe. Não vale a pena comparar-me, perco de todas as vezes, resposta que me serves sempre fria e sem dores tuas, as pontas dos teus dedos têm outros nomes e escolhem outra pele, mas então porquê? O que andámos a fazer tanto tempo? Quem andámos a enganar tanto tempo? Afinal, eu fui o quê em ti? Tempo que passou? Dias que se consumiram num fogop mais vivo para melhor se viver a própria vida? E eu? E a minha vida que é a que vivia contigo?
e a música do Palma a latejar-me na cabeça, a vibrar no coração quase parado:
"Tira a mão do queixo não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas pra dar"
Será? Acho que desisto, que desisti.
Depois de ti não acredito em mais nada.
Não acredito em nada do que se sente.
Nem em palavras que os olhos dizem com a mesma clareza que as palavras que nunca proferiste.
Porque no silêncio cabe tudo o que nós quisermos, e o tamanho do erro não cabe em nós depois de descoberto.

04 março 2012

"Isto foi o que vi em ti. E tu? O que viste tu em mim? Que magia fez com que nos amássemos? Que poderosa vibração nos atirou para a temerária fronteira onde descansam os deportados da terra onde se não pode amar demais, onde se não crê na possibilidade de amar excessiva, insanamente. Lembras-te? Lembras-te de te ter dito que não há outro modo de gostar que não seja este, desabrido, e que não acredito que ao resto se possa chamar amor? Que só ama quem gosta à maneira antiga, fora de moda; os que escrevem cartas, os que cultivam olheiras, os que sofrem loucamente e são capazes de morrer de amor. Tu sorrias."

(...)

"E o teu braço puxou-me para ti e o beijo que estendias não era já só um beijo, mas um corpo uno - os nossos dois corpos enovelados."

in O Amor é para os parvos, Manuel Jorge Marmelo

03 março 2012

"Dois corpos não carecem de mais do que da fugidia linguagem dos sussurros, dos beijos que eriçam a pele, dos arquejos que preparam a doce deflagração de um amplexo. O idioma topográfico da epiderme transpirada é o único que importa - o único que é preciso dominar quando não se trafica mais do que o amor."

in O amor é para os parvos, Manuel Jorge Marmelo

Este livro é definitivamente para mim, se eu escrevesse bem dizia as coisas assim. Vou para a caminha aninhar-me no livro, e deixar-me ser parva.