Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)
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08 julho 2015



- Posso falar consigo?
- Vem nu?
- Ahahah... sua taradona!
- Não é esse nu, é o outro, aquele que me prometeu um dia... E se há aqui alguém tarado não sou eu, seu taradão!
- Tarado por si, só por si, já lhe disse mil vezes.
- ..... Pois sim.

[as coisas que me aparecem na cabeça não têm explicação... Mas mais realista era difícil, seria facilmente exactamente assim... O rir, as perguntas em aberto, as frases recorrentes, as brincadeiras de parte a parte... Enfim rio-me sozinha com estes assaltos de coisas parvas e tontas à cabeça... E com isto quase oiço chamarem-me tonta (entre outras coisas igualmente tontas...), e isso ser carinhoso, ser bom, eu gostar e ser tratamento recíproco, sempre bem disposto... Será que o próximo me vai chamar tonta?... Ou será que vou deixar de ser tonta? Naaaa não acredito... Nem quero.]

02 fevereiro 2015


Como quase desconhecidos de todos os restantes, olharam-se no silêncio conhecedor do outro. Ela encurta a distância entre eles, inclinando-se para ele como quem vai sussurrar. Ele sente-lhe a respiração quente no pescoço e uma mordiscadela na orelha. Ela olha-o, mergulhando no olhar quase surpreso dele, habituado aquelas brincadeiras mas sempre surpreso com elas, e diz "estava aqui mesmo 'al dente' ". Ri-se com ar de menina endiabrada, cabreirinha. Ele, a aproveitar o canto afastado onde estavam e ela estar de costas para a parede, começa a rir-se por dentro em antecipação; inclina-se para lhe sussurar a resposta silenciosa, que ela sente, com uma mão naquele sítio onde as costas mudam de nome a agarrá-la com vontade firme, enquanto ouve em tom quente, quase ronronado, "estava aqui mesmo à mão". Riem-se no olhar atrevido que trocam, denso de urgência. Entendem-se nos olhares como nas pontas dos dedos, dos dentes, da pele. Entendimento só possível quando tudo o resto está entendido. 
Estão fartos de desconhecidos cansados de conhecer. Não se fartam de se reconhecerem, e a urgência rosna selvagem no olhar quase quieto. Quase.

[...bem sei que não são horas destas coisas, mas aparecem-me sem aviso de relógio, ou geografia de bons modos, a qualquer hora. Perseguem-me os momentos e fervilham-me também nos dedos, deixo-os aqui à falta de mais onde os despejar com vontade.]

Bom Dia

03 outubro 2014


 - Quando é que foges comigo??

- Quando me quiseres.
Quando quiseres ir comigo e vir comigo, quando quiseres regressar a casa comigo, quando quiseres adormecer comigo e ver-me descabelada a acordar, quando tiveres a certeza que me queres, quando não me vieres com desculpas e números esfarrapados, quando quiseres namorar comigo, rir comigo, barafustar comigo e fazer as pazes comigo, quando quiseres ser teimoso comigo mas saberes que eu tenho razão sempre e reconheceres que eu não sou teimosa, quando quiseres dizer parvoeiras e ouvir as minhas frases tão acertadas e ajuizadas em resposta, quando achares que não te cansas de mim, e quando te cansares de me dizer que me vou cansar de ti, quando arranjares um bocadinho para escaparmos ao mundo e ficarmos só nós dois para depois voltarmos e nos misturarmos no mundo os dois, fazendo ainda assim um mundo dentro doutro.
Quando o teu dia começar com um beijo de bom dia que te arranco e acabar com um beijo de boa noite que me dás...... Vê lá na tua agenda para quando é....depois avisa que eu confiro a minha!!

22 abril 2014


- Preciso de ti. E agora, o que é que eu faço? 
- Querer-me sem ser preciso. 

[...surgem-me diálogos destes na cabeça, sem aviso, normalmente ao acordar. Estas duas frases perseguiram-me o dia todo. Largo-as aqui para que me larguem.]