Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

30 abril 2015

(foto @nolenchristopher)

e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia

Al Berto

[o anoitecer cai-nos devagar na existência com o sentimento pesado da nossa rápida inexistência. A melancolia veste-nos pacientemente cada poro, um manto que não aconchega quando a noite chega e se instala no nosso abandono.]
... Que bela fruta!! Sim senhor!!
Duma fruta destas ao pequeno almoço é que eu precisava... Dizem que faz bem, a fruta logo pela manhã, e eu agora ando muito zelosa do meu bem estar... Tenho de providenciar um pequeno almoço assim... Tudo em nome da vida saudável, claro!!

Bom Dia!!

29 abril 2015


"Erótica é a alma que se diverte, que se perdoa, 
que ri de si mesma 
e faz as pazes com sua história.
 Que usa a espontaneidade para ser sensual, 
que se despe de preconceitos, intolerâncias, desafectos. 
Erótica é a alma que aceita a passagem do tempo com leveza, 
erótica é a alma que não esconde seus defeitos, que não se 
culpa pela passagem do tempo. 
Erótica é a alma que aceita suas dores, atravessa 
seu deserto e ama sem pudores."

Fabiola Simões (a partir da frase de Adélia Prado "Erótica é a alma")

Ámen. 
Erotismo é espontaneidade, é rir com vontade, é chorar quando dói, é sermos nós, com o peso dos dias e a leveza dos sonhos. O genuíno é erótico, é cativante, é sensual. O melhor afrodisíaco é a intimidade duma conversa onde cabe o riso e a falta de siso, o doce do mimo com o sal do desejo, o silêncio que comunica, que não é vazio mas pleno. Porque há pessoas a quem por tudo que se diga, tudo fica, ainda e sempre, por dizer, como se as palavras se tornassem redundantes numa conversa que continua no silêncio, no riso, no mimo, no corpo com alma.
Erótica é a alma, o corpo ecoa. 

Boa Noite

... Já só falta a princesa... 
Brincos já temos...


... Verdade.
Tenho de retornar as minhas resoluções de novo ano (e que maldito ano, senhores...)
E acrescentar outras tantas medidas... Não posso sair de casa sem pequeno almoço de jeito e mantimentos para meio da manhã e tarde; não posso estar muito tempo sem comer porque não me apetece  ter de ir mesmo ao médico (nem os posso ver à frente, aliás...); tenho de ir definitivamente fazer exercitar o esqueleto, e à falta de melhor tem de ser num ginásio ou afins; vou outra vez voltar a arranjar-me um bocadinho de manhã, eyeliner e rimel e o olhar torna-se mais apresentável e a disposição também, temos de ajudar o pouco que temos... Voltei a usar brincos, ao fim de algum tempo, depois de várias tentativas frustradas de os pôr para os voltar a tirar porque não me assentavam no espírito (é engraçado é  a segunda vez na vida que o faço, desta vez mais tempo e não so brincos como tudo o que enfeitasse, mas suponho que é um pormenor  só meu que ninguém repara, e eu gosto disso de ninguém ter reparado e ser só meu, é talvez a minha forma de sentir as coisas que tantas vezes passa ao lado de quase todos, os que notam, poucos, são os que valem a pena), voltei a pô-los, faltam os anéis agora, falta voltar ao normal, ainda me falto, no fundo, mas quero-me inteira e muito eu, ainda que tenha de sangrar como as orelhas ao fim de tanto tempo sem brincos. Sangra-se de muitas maneiras, de algumas também se purga, só não podemos desistir de nós. Ou eu não quero. E agora vou passear que o sol já me espera... Ainda que a cara ainda não tenha melhorado... Um dia melhora. De dentro para fora, como tudo em mim.

Bom Dia

Sim, estamos sempre a tempo de viver e de fazer pela vida que queremos viver. Temos de estar. Ou já estaremos mortos, ainda que a respirar. A única regra é essa: tentar transformar o tempo em vida. Sempre. 

Boa Noite

28 abril 2015



... Do mesmo sítio muitas vezes vemos coisas diferentes. Onde transbordavam cores quentes hoje aqui, neste mesmo sítio, vejo um azul frio. Amanhã, quem sabe, o dia voltará a ser pincelado com a audácia das cores quentes, que mergulham a pele em vontades e quereres apaixonantes. Amanhã é sempre um dia diferente. Até hoje, passado uns minutos de aqui chegar, já é diferente. Ou eu acho. Ou eu quero.


... Exacto. Não é relação por relação, só para dizer que afinal ainda se está junto e isso ser sempre um sinal de caso de sucesso. Não, caso de sucesso é estar junto mas bem, não para não estar sozinho, ou não ter de admitir o falhanço, para não ter o sabor amargo de algo ter corrido mal e sentirmos o tempo passado como gasto em vez de vivido. Custa, eu sei, mas a mim custava-me mais manter uma relação com que já não me relacionava, onde já não se olhava nos olhos, não pegava na mao, não se gastava a boca a beijos e risos. Quero sim romance de longa duração, e isso assegura o resto. O inverso já não...
Bom Dia

Sim, como dizia alguém (penso que Saramago) "não tenhamos pressa, mas não percamos tempo"...
Há que renascer das cinzas a cada golpe de morte, a cada fim, a cada dia. Regressarmos sempre, e cada vez melhor, a nós mesmos, ao que resta de nós, a cada fim, no fim de tudo. O que resiste é o que temos de mais forte e mais nosso. O que nos resta sempre, e mais apurada, é a nossa essência. É bom que seja um perfume doce mas forte, que nos lembre a vida que queremos e não o que perdemos na vida.
(o grande problema da minha essência - ou um dos - é que o que tem a mais em resiliência no manter-se fiel a si própria e à sua teimosia, falta-lhe em contorcionismo. E é uma pena...)

Boa Noite

27 abril 2015

(foto de © Alfred Eisenstaedt roubado no voluptama)
...sair ainda com luz, ter esperança de ainda ter de pôr os óculos de sol a caminho. Ir deixar o carro a casa e depois ir beber um copo antes de um jantar que nos avisaram ser para conversar "daquelas conversas" que gostam de ter comigo... a vida podia ser pior caraças!!... podia, e sei que pode (demasiado bem, aliás). Também sei que pode ser tão, mas tão melhor, mas nos entretantos há que aproveitar o melhor que podemos, o que conseguimos ir tendo. Tentar esquecer o que se não tem e pronto: não é o que fazem todos? Talvez eu também consiga. 
Este fim de semana alguém me dizia que ao mesmo tempo que me achava uma idealista, uma sonhadora romântica, das que têm de pôr os pés mais no chão, por outro lado admirava essa minha faceta de não me contentar com menos do que aquilo que sabia que queria... Mas eu acho que ainda não (me) perceberam, eu não consigo explicar que "depois de se saborear um fillet mignon não é qualquer bifana que nos satisfaz" - ainda que possa matar a fome, é certo, acrescento eu - esta frase não é minha, foi ouvida duma prima que sabe do que fala. Eu ouvi-a e soube exactamente do que estava a falar... e não, não era de "comer" ninguém (embora essa parte também corresponda quando o resto é bom, ou eu acho que é assim, e recuso-me a conceber estar numa relação em que ao final da noite só se "esvaziam os tomates"), era da relação que existindo não nos mata só a fome, mas faz -nos apreciar e agradecer cada refeição como uma bênção, um luxo, uma sorte dos diabos, na verdade... Por isso, não, nem tudo me chega ou enche as medidas, e não tenho medo de ficar sozinha, ou melhor tenho, mas tenho um pavor muito maior de ficar com alguém ao lado que não me arranca a solidão dos ossos e do olhar, e não me faz a pele saber a mel. Não,. não me chega, quero uma coisa que me preencha, que me contente, que me faça querer acordar, que me faça querer começar o dia com um "Bom Dia" e um beijo, um abraço malandro de pernas antes de sair da cama, pelo menos de vez em quando, e uma risada sempre que dê ou for preciso... Não, para menos que isso estou bem sozinha; sozinha e a ouvir pessoas amigas dizer que se sentem bem comigo - não sei, não percebo porquê, mas agora oiço isto muitas vezes, de pessoas diferentes - que as pessoas se sentem bem comigo - sei-as ouvir, se calhar é isso, gosto de ouvir as pessoas, conhecê-las, ajudá-las no que posso, coisa que faço normalmente tentando escolher as perguntas certas para que pensem nas respostas. Talvez por isso gostem de conversar comigo e queiram uma conversa daquelas ao jantar em que se fala de tudo e de nada e se está bem... e sim, está-se bem. 
... Não está mas devia!!!... Se devia!!
Quando será que ganho o Euromilhões?? (Se calhar ajudava jogar de vez em quando...) ou então tenho de arranjar  daqueles amigos maravilha que têm uns milhões para dispensar e dar aos amigos e apartamentos e coiso... Não tenho amigos desses pahhh, o que é uma pena e está mal, muito mal mesmo!!... até estou um bocado desiludida, vocês não sabem seguir os bons exemplos de amizade forte e pura e conveniente, humm?... podia estar agora tão bem na caminha a ouvir a chuva cair sem ter de andar à chuva... Bahhhh 

Bom dia!
Lembro-me de ser miúda e ouvir alguém dizer que dantes, à noite, não havia luz como agora, mas havia a luz da consciência, que se acendia ao final de cada dia. Não percebi aquela coisa e perguntei... "A luz da consciência??", lembro-me de me responderem que a luz da consciência seria uma reflexão sobre o dia, sobre o que se havia feito de bem, e que se tinha feito de mal... (deve ter sido conversa a seguir a uma qualquer asneira minha, pois claro...) e na verdade não entendi na altura e continuo sem perceber muito bem, e pela mesma razão: quando se faz algo de mal sabe-se logo, não é preciso chegar o final do dia para aguardar julgamento da consciência... Talvez por isso os meus finais de dia, de despedida de um dia antes de abrir os olhos para um novo dia, se dedique antes a pensar ou naquilo que me soube bem até hoje - e por isso ir ao caixote de memórias remexer e remoer - ou, em querendo fugir do que se quer fechado e em caixotes arrumado, nos planos para o dia seguinte, a semana seguinte, a vida que teremos de ver cumprida. E é isso que hoje, aqui sentada, na companhia do último cigarro, me dedico a pensar - no caminho que se quer feito, nas tarefas que se querem arrumadas e despachadas. Mais uma semana à porta e tantas coisas por terminar, entretenho-me neste planeamento para fugir ao que não se consegue organizar, para fugir do vazio do futuro que já está terminado, num passado a encerrar todos os dias, a cada dia, enquanto se planeiam as tarefas de amanhã, na tentativa de que mãos ocupadas não se lembrem da falta dos gestos que lhe pesam por fazer.

Boa noite.

26 abril 2015

Se precisas do recado para te lembrares, esquece... O mais importante nem é dizê-lo (mas também é importante, nada de confusões), o mais importante é fazê-lo sentir no que se faz e no que se diz, sem precisar de recados, e nunca, mas mesmo nunca, por condescendência. Só por vontade. Como dizer que se ama.
Como é que é possível matar sede de infinito bebendo a água dum oásis, no meio da travessia árida do deserto, que afinal era uma miragem? 
Ninguém acredita, a quem eu conto, a quem tudo explico, ninguém entende... Repetem-me que era uma miragem, porque afinal, não era água, não era vida em estado líquido, não era sequer vida, era só mais um pedaço seco de areia no deserto... Não vês que estás seca e nada restou? Nada sequer chegaste a ter... É  claro e evidente que eu é que me enganei, e simplesmente não quero ver. Não era água... Então como é que eu sinto que a bebi, e como me matou essa sede de infinito que ninguém percebe? 
Porque não entendem?... se o infinito é meu, só eu sei como o sacio, talvez para mim a miragem tenha sido o verdadeiro oásis, porque me matou a sede, porque me mostrou o infinito. Não me interessa se era ilusão, a realidade é que por momentos bebi o infinito. E isso é realidade, a minha realidade - eu senti. Se era areia disfarçada de água fresca, miragem ou ilusão, não me interessa. Conheci o meu infinito, e conheci-me, já sei do que tinha sede. E agora, agora, não é qualquer finito, real ou mera miragem, que me sacia. E isso, isso, é que infelizmente não é miragem, é um real e longo deserto de travessia. Mas é possível, depois de se beber uma água que não existe para matar uma sede que nos agoniza, percebemos que é possível. Imaginem se não fosse miragem... eu imagino.

Boa Noite

25 abril 2015


Acabar de almoçar a esta hora. 
Não saber as horas até esta hora. 
Haver tempo sem horas. Isto sim é liberdade das boas... Eu gosto.

E, é isto.... Só há que renegociar aquela parte de repararem  noutros cus... Essa parte no me gusta... No no, nem mesmo para dizerem que é para  concluir que gostam é daquele em que podem mexer.... (até porque só gostam provavelmente por essa razão.... Uma desgraça)
Resumindo há que manter um bom traseiro... É isso.

Bom Dia!!

24 abril 2015

... e é isto.
Até o focinho está com esta expressão... bahhhh
Oh São Pedro, ide &#%$+%$&#,... sim?
Na segunda, para trabalhar, deve vir sol, né?
Deves pensar que tens um sentido de humor retorcido, só pode...

Sentido na pele da alma, 
vivido na alma da pele.
Paixão, amor, desejo 
Alma e pele.
Um sentir.
O único sentido.

[às vezes ainda me lembro, esqueço-me que vou esquecer, e que um dia espero voltar a sentir que as coisas fazem sentido sentidas - aliás só sentidas. assim, alma e pele, a par num par que faça, um dia, um nós verdadeiro na minha vida e em duas bocas.]

Boa noite

23 abril 2015

Entro com esta minha cara que os meus paizinhos me deram e a vida tem tirado, com ar de cansaço, de calças de ganga e camisola, sem adornos nem enfeites que componham a figurinha que trago ultimamente, e peço meio frango. À minha frente uma boca meio sorriso, meio malícia, responde-me "tanto??" E eu em tom de ironia, digo "acha?"... E ele " não me diga que é só para si!?" "Pois... Parece que sim", respondo eu, e ele responde, já entretido com o frango... "Ahh... jantar sozinha, que pecado..." E eu tiro um pacote de batatas fritas enquanto calo o que me está debaixo da língua... não me diga que há tanto tempo a virar frangos e é o melhor que lhe sai... Depois fico a pensar, vai daí o problema deve ser de só virar franguinhas... 
Tssss tssss... uma pessoa ouve cada uma e em cada tom, que balhamedeus...  

"Fecho os meus olhos para os abrir dentro dos teus olhos."

[...frase que me deixa sem palavras, 
frase que resume tudo o que cabia no meu silêncio, 
onde me desocupava para te ocupar sem saberes. 
para ver pelos teus olhos, para te ver por dentro. 
para ser tu, e eu, e nós.
para ser silêncio.]

Boa Noite

22 abril 2015

...Tá!
'tou indo amô...
já, já, estou aí...
ehehehhehehe

Bom Dia!!!

(foto @ksenyeah)

(...)

Há noites que nos levam para onde
o fantasma de nós fica mais perto:
e é sempre a nossa voz que nos responde
e só o nosso nome estava certo.

Natália Correia

[fecho tudo antes de fechar os olhos, abro a escuridão, deixo-me vaguear nela, navegar a sua presença densa que me acaricia o momento. Olho para dentro e descubro que quero escrever mas não quero falar, não quero dizer do que vejo. Fecho-me em gavetas desarrumadas, abro-me em luzes que procuro. Não quero falar de dentro das gavetas; penso em tudo o que tenho de fazer, tudo o que trago por fazer, penso em toda a correria que não pára e que me apetece até acelerar. Penso numa coisa a seguir à outra à espera de ser feita, o tempo ocupado a voar - este mês, o próximo, e depois a vontade de sair daqui, de me deixar descansar sozinha onde possa respirar, respirar-me, onde sinta vida contagiar-me de fora para dentro. Parar, depois da azáfama, do cansaço que inunda o corpo e quase o afoga, mas em que se respira fundo e com vontade. Penso que nesta maré turbulenta e tão violenta, ainda assim, entre o ir e vir duma onda e outra, há aquela pausa, aquele momento vazio, entre o inspirar e o expirar, em que num instante milímetrico, cabe a eternidade do que não se viveu. E estranhamente, aparece conjugada no passado, finito e terminado, em memórias do que vivemos. Quase como projectar numa tela em branco um filme queimado.]

21 abril 2015


Aiiiiiii quero, quero, quero!!
Areia quente, sal na pele fresca de mar, sol que se respira, doçura que mata a sede.... Preciso disto, dum paraíso durante uns dias.... Deve ser do nome, volta e meia quero voltar ao paraíso...
Tenho é de trabalhar para o pagar.... O que não dá jeito nenhum, podia arranjar um banana que me bancasse, saía-me mais barato... Que mania a minha de só ir onde o que eu ganho pode pagar, e sempre foi assim, nunca deixei que fosse doutra maneira.... Raios, banana e parva, sou eu, é o que é!!.... Não há quem aprecie? Sem ser em batido, hum?

Bom Dia
Hoje foi um dia coooommmmmpridoooo, estou cansada e moída, mas não foi um dia mau, pelo contrário parece-me. Anda-me a deixar mais leve esta sensação de me parecer que finalmente começo a encaixar-me no meu papel, a assumir o papel que me deram, a não me duvidar tanto a toda a hora. Tenho medo, muito, mas sei guardá-lo, e parecer certa de que estou certíssima. Começo talvez a ver um pouco daquela mulher que alguns viam e outros ainda vêem, com qualidades que sempre duvidei, sentindo que os enganava não sei como, que viam o que não existia, como uma miragem no deserto, uma ilusão da vontade, e nada mais. E ficava triste e desconsolada porque, não sendo verdade, iria desiludi-los. O meu pior medo, o mais pesado fantasma, que me rói os calcanhares dos passos: desiludir quem vê em mim, quem me adivinha, mais e melhor daquilo que me faz, que eu sou. Que eles acham que eu sou. E agora, a olhar para trás para o dia e últimos tempos, talvez comece a antever um pouco do que me falavam - pouco e quase insignificante -, mas que  me parece que tem crescido, amadurecido, quiçá... e acho que só hoje me dei conta. Hoje acreditaram que ia ceder, que precisava ceder. Não cedi, estava certa e segura do que dizia. Até ao último momento esperaram a minha insegurança, não a viram, disseram que iam pensar... Talvez cedessem, eles.
Eu posso ser mulher, parecer que ando nisto há pouco tempo, até me podem tomar por tontinha, mas sou-o muito menos vezes do que o pensam. E isso, hoje, também me soube bem. 

20 abril 2015


Como é que não me lembrei disto antes???...
Claro, é isso!!!!....  Nem todos aguentam tanta felicidade de me ter ao lado....
Eheheheh 
(muito bem pensada, até estou um bocado chateada comigo por nunca me ter ocorrido.... Humm.)

Bom Dia!!

19 abril 2015

"Eu cá sou bom, sou muito bom, sou sempre a abrir..."

Acabei de ouvir na rádio. Os cabrões dos sorrisos deviam ser disciplinados, nem que fosse à reguada... Ouvi isto e pus-me a sorrir. Os pensamentos, em uníssono, passaram a envolver uns certos boxers e outros tantos risos e muita parvoeira... Dêem-me uma régua que eu preciso de educar esta cabeça e os cabrões dos sorrisos selvagens... Ainda me pairam nos lábios e já não há nada da música, nem sequer da indumentária... Há urgência de outros novos sorrisos, parvoeiras, músicas e de esculpir na pele e no seu avesso outras memórias. 

Café e uma réstia de sol...
Acordei durante a noite, umas duas ou três vezes, a chorar com um sonho que não me largava. Até a dormir a morte não me larga nem morre, não se enterra de vez. E era isso mesmo: enterrar a morte. Deixá-la num sítio, longe, onde se possa não ir. Caixão aberto há dias, a cor da morte, marmórea, a envelhecer, a desbotar, apodrecida. E eu só dizia que temos de fechar o caixão e enterrar, deixar a morte morrer, e não definhar-nos. E chorava, e acordava, e adormecia e tudo na mesma. Finalmente resolvi não dormir mais e fiquei a pensar no sonho. Temos de deixar a morte morrer, enterrá-la num sítio onde possamos escolher não ir; senão a morte, todas as mortes, acabam por apodrecer-nos, de dentro para fora. Fiquei a pensar que há mortes que não consigo enterrar longe, enterraram-se-me por baixo da pele, das unhas que esgravatam a vida, e mortas, definham lentamente toda a vida. A que ainda há, a que houve, e a que posso ainda vir a ter e viver. Tenho de matar estas mortes e enterrá-las longe de mim, deixar ficar a vida que tiveram, que a morte pode levar, mas assim, com cores, com vida, não definhando em agonia os dias e as noites, e tudo o que podia brilhar no olhar posto no horizonte. Há mortes que tenho de enterrar de vez e desenterrar da pele. 

Será??
Não me parece...
(até porque seria um desperdício ser só um... 
com uma desculpa tão boa para gastar a boca a beijos...)

Boa Noite 

18 abril 2015

Sim.
Às vezes é difícil voltar a ser o que se é, 
mesmo que nunca deixemos de o ser.
Bom dia.

17 abril 2015

Vê-la dormir é das únicas coisas que agora me adoça o olhar. Das únicas, não, a única.
Velo-lhe o sono e os sonhos, e tento acordar-me dos últimos tempos. 
Olho-a e sei que é poesia, a única poesia que agora consigo trincar com a alma. O resto são palavras que hoje nao passam da porta, que alma não vê nem come. Talvez a alma não seja mais que a poesia do nosso olhar, enquanto a vida não lhe fecha os olhos e arranca os dentes.
Guardo-lhe o sono e os sonhos, e tenho medo que sonhe demais, porque sonhar demais, tarde ou cedo tranca portas que tarde ou nunca nos libertam.
Neste olhar doce sobre a sua doçura encerro amarguras e medos. 
A fuga nao me cabe noutro olhar. 


beijos do paraíso...
Há os românticos disfarçados e os disfarçados de românticos.
gosto dos primeiros.
Dos beijos, gosto de todos os que sabem a vontade a par
e nos levam ao paraíso de mãos dadas.

Boa Noite

16 abril 2015

Não encontro texto ou fotografia que hoje fale por mim, que diga o que teria para dizer, talvez também não o queira dizer, não me apetece dizer nada. Às vezes agora acontece-me isto, entupo-me de coisas que não quero que saiam, que guardo, talvez para concentrar, talvez para diluir, não sei. Talvez para ver se me esqueço que as guardo, ou onde as guardo... se perco tudo, porque não perder o que dizer??, perder as perguntas e as vontades de respostas... porque não?
Perde-se tanta coisa, e não se perde o que daria jeito deixar cair em qualquer canto sem chão... porquê?
porque é que tudo tem chão menos os muros por onde escorregamos sem fim?
porque é que tudo tem chão menos a queda?
porque é que tudo tem chão,
e eu não encontro onde fincar os pés para parar de cair?
ou uns ombros que me adormeçam o sono
ou uns braços que me envolvam a alma
ou um olhar em que repousar o sorriso que não se vê
não é sempre preciso um apoio para subir?
se calhar, dos outros, fui chão vezes demais,
se calhar ao chão, às vezes, falta-lhe apoio.

(e eu não queria dizer nada, depois não dizendo nada, perco-me em disparates... é assim, agora vou, que já fiz tempo de não fazer nada )

15 abril 2015

Dia D'  "o beijo"
[foto que me foi enviada por comentário em Junho de 2011 (daqui), comentários que hoje tem alguma piada ler, mas que não me fazem rir... ou talvez sim, de facto talvez sim... 
Perceber tudo mentira, a começar pela foto, pelo que ela quer dizer, pelo que me disseram acerca dela... tudo mentira até na altura em que ma enviaram em que me disseram tanta coisa, ou o beijo não teria rasgado, e ainda que tivesse rasgado, seriam duas bocas desfeitas. Não haveria uma desfeita e outra feita de lábios de outros beijos. Mas por aí, nada desfeito. Também para ser desfeito é preciso um dia ter havido algo verdadeiro para desfazer, nem que fosse uma ideia, um ideal, algo que nos consome e aquece por dentro, e que a mentira gela - mas queima e gela, faz e desfaz. 
Não faço parte dos mortos vivos que nunca conheceram vida. Ainda que só para mim tenha sido verdade, vida - para mim foi. E os outros cada vez me interessam menos. Cada vez me são menos. ]


14 abril 2015


Perto de mim há sempre um lugar vazio que me lembra o vazio do lugar. Lembra-me o que lhe falta, o que me falta, e que a mim sobra-me sempre um lugar vazio. E eu a ocupar uma cadeira, mas não há lugar para mim. Curioso.
(foto @blackandwhiteisworththefight)

... Na varanda, com a manta a enrolar-me ainda. A ponta ardente do cigarro arranha escuridão, e eu penso em tudo o que tem acontecido e no que não pára de acontecer; em tudo o que se cruza comigo, tudo o que vejo partir e todo o medo que me parte. No entanto, e paradoxalmente, tenho cada vez menos a perder.
... O cigarro acaba, mas as palavras não acabam de falar-me, ainda que eu não as saiba dizer para as despejar aqui. De repente parece que não me sei, que tudo me foge das mãos, quando se calhar o que me foge são as mãos para agarrar alguma vida. O chá ao meu lado ainda está morno, eu estou fria de tantas mortes, em mim e fora de mim que me chegam dentro. Em mim tão adiadas, fora de mim tão antecipadas. Todas me gelam, por dentro e por fora.

13 abril 2015



Não consigo dormir. 

Tenho uma mulher atravessada entre minhas pálpebras. 

Se pudesse, diria a ela que fosse embora;

 mas tenho uma mulher atravessada em minha garganta.



Eduardo Galeano



[eu tenho um homem, que não tenho, para quem queria ser essa mulher, que não sou.]

(post originalmente publicado a 25/01/2013)


[mais um dos bons, ou, pelo menos, dos que eu gosto, que não escreverá mais. qualquer dia não haverá mais homens destes, dos que admiro através das letras, que me apaixonam e me falam. 
às vezes acho que errei a geração, provavelmente errei mais, muito mais que a geração... Suponho que errei em tanta coisa que agora acho que certas coisas só existem escritas; mas enquanto houver quem as escreva ao pé da letra do que o meu coração (ainda) sussurra e eu ainda consigo sentir, ao menos em palavras gozo-as, e vivo-as, e saboreio-as, com travo a verdade. À minha verdade, que eles escrevem. E que eu perco cada vez mais: a eles e à verdade, parece-me.]

12 abril 2015

As expressões são curiosas... Dizemos pôr-do-sol, como se o sol tivesse alguma coisa com isso, como se se mexesse, como se fosse embora. Mas não, na verdade o sol não se mexe, somos nós que nos mexemos, mesmo que estejamos parados... Porque estar parado em cima de algo que mexe, é mexer também. Em conjunto. A culpa não é do sol, é nossa, mas até as expressões mostram erro de perspectiva, só porque a uma primeira vista somos nós que deixamos de ver o sol que parece esconder-se atrás do horizonte. Há tantos erros cómodos de perspectiva por aí, e tantos passam da primeira, segunda e terceiras vistas... Mas ver o cómodo é mais fácil que pensar no que se vê, ou no que não se quer ver...

11 abril 2015

Oiço a água correr, continuamente, a uns metros donde me poiso. O livro que trouxe para ler também poisa, emudece. O sol lambe até a pele que não vê, mas eu sinto-o.
Dizem que o som da água a jorrar acalma, a mim fala-me enquanto me cala. Põe-me os pensamentos a correr dentro das emoções, ou talvez ao contrário - sim, definitivamente, ao contrário -, põe-me as emoções amordaçadas a correr dentro dos pensamentos que as querem calar. Como as fontes que, paradas no espaço, contêm em si, no tempo que corre, o cair, o correr, o falar, sempre da mesma água.
Som contínuo, mas feito sempre de gotas diferentes duma mesma água que nunca cai da mesma maneira. Há quem não oiça a diferença. Eu oiço, e sabê-lo inquieta-me a calma.
A água nunca corre impune, como o tempo. Nem sempre se ouve.

07 abril 2015


Não, nem sequer se perde tempo a pensar-me, a lembrar-me, a saber-me, quanto mais perder a cabeca a tentar entender-me... Também sempre fui tão simples e transparente, se calhar tão fácil de entender... Nunca valeu a pena sair da perspectiva do próprio umbigo para ver a minha. Perceber o que, e como, eu sentia, era perda de tempo, como o seria agora pensar-me, lembrar-me, saber de mim... e eu anos a perder a cabeça a tentar entender quem nunca me quis ver realmente. Talvez esses anos tenham servido para chegar aqui e perceber isso sem perder a cabeça. Talvez até por perceber que quem perde é quem tinha quem perdesse a cabeça a tentar entender, sem nunca pedir nada, e sem nunca ter nada, só o que lhe dava. Perde sempre mais quem dá, ou deu, menos.

Boa noite
(e acabo de escrever isto e as palavras que me desaguam no pensamento são a dizeres-me que precisas de descanso, descansar comigo, que doutra maneira não descansas. Ou esta mais antiga: "Pelo menos uma semana que nem uma lapa.". Não sei onde estarão perdidas estas e outras palavras que passo a vida a encontrar, mas que tu não sabes onde as deixaste, nunca mais te lembraste delas. Talvez as tenhas perdido da boca para fora, ou talvez tu nunca percas nada, apenas esqueces.)

06 abril 2015

Dia de loucos depois duma noite em que não se notou ter-se chegado a dormir. O sono não vinha sem eu saber porquê, não tinha mais que me preocupar que nos dias anteriores... mas era um raio duma agitação interior que não me largava o bater do coração, a ansiedade de não sei o quê... estranho e não percebi o porquê... mas nem tudo tem porquê, ou se calhar tem, nós só não o sabemos.
Depois, o dia a atropelar-nos a levar-nos à frente, a fazer-nos a vida e nós a termos de pelo menos tentar acompanhar. No meio do dia conversas salpicadas de frases que depois me ficam na cabeça, umas efectivamente ditas, outras só meias ditas, "a minha pele deve ser alérgica a quem não me conhece a alma, a pele para mim não é fronteira, não é onde começa o corpo e acaba a alma, é onde ela brinca, ri e aproveita no corpo o que alma tem para dar e receber - não é o fim da alma e começo do corpo, é o começo da vida que se vive"... 
E agora o final do dia, o repouso que devia cair nos ombros não se chega a sentir, só o peso, o peso do final do dia. Na pele e na alma. Pode ser que o jantar aligeire com um bom vinho estas duas que não se sabem descoser, saber onde uma começa e acaba a outra. Ainda são o mesmo - eu.


"Eu não sou como muita gente: entusiasmada até à loucura no princípio das afeições e depois, passado um mês, completamente desinteressada delas. Eu sou ao contrário: o tempo passa e a afeição vai crescendo, morrendo apenas quando a ingratidão e a maldade a fizerem morrer."

Florbela Espanca

[bom resumo para o último cigarro da noite. Parece-me que eu sou ao contrário em muita coisa. Não sei se isso é bom, e mesmo não sendo mais fácil assim, há muitas coisas em que não quero mudar.]

Boa noite

05 abril 2015


... A dama da noite, sob um fino véu diáfano, espera (talvez) o seu cavaleiro negro, camuflado de noite na escuridão, que a luz que irradia nos caminhos lhe  trará...
(Para quem ainda acredita em histórias de encantar... Eu cá ando só de passeio e (de)parei-me com este espectáculo... As palavras só apareceram assim, sob encantamento desencantado...)

Este mocinho faz hoje 50 anos, ao que parece, e eu gosto, gosto do mocinho. Muito.
Era-me relativamente indiferente até há uns anos, agora olho para ele e só vejo aquela boca, e eu gosto, gosto daquela boca. Lembra-me boca de beijos e risos malandros, e eu gosto, gosto dessa malandrice. 
Realmente, e agora aqui sentada a pensar uma série de coisas, que gosto, umas que sempre soube que gostava outras que fui descobrindo, Lembro-me de um dia aqui estar nesta mesma posição a escrever outras coisas, coisas que tinham a ver com a admiração e o orgulho que sentimos em alguém, que isso é imprescindível a quem ama, que é uma expressão do amar - é talvez o seu respirar. Dou por mim a pensar nisto por uma frase que li algures que dizia  "só se ama o que se admira". E dessa admiração vem também o orgulho de fazer parte, de alguma forma ser parte desse alguém, tanto, que tomamos para nós a satisfação de ver quem amamos satisfeito, realizado. E estou aqui sentada a pensar que nunca senti que por mim sentissem esse orgulho quase que em espelho, isso que torna o reflexo e o que é reflectido, não a mesma carne, mas a mesma alma que habita o amor de duas pessoas.
(juro que isto era para não ser nada disto, era para acabar ali no mocinho, mas a cabeça voa-me...)


Hoje sonhei. Ando com as noites agitadas por sonhos, a dormir mal, ainda que as vezes a sonhar bem, a acordar com um sorriso nos lábios, mas com a cabeça a pôr-se logo a trabalhar: que não, que não pode ser, que não é assim que funciona, e que nem vale a pena sonhar com isso - funciona quase como publicidade enganosa. Acordei a pensar isto, ainda que com um sorriso de quase esperança nos lábios. Deixei-me ficar na ronha, enrolada em mim no meio dos lençóis, à espera que o sonho acordasse de mim, porque eu há muito que acordei dos sonhos.

Bom dia.
É isto.

Boa noite
Em conversa disseram-me:
-...ao fim de vinte anos juntos um gajo já nem paciência tem para comer a mulher.
E eu respondi:
- não exageres, para isso vocês arranjam sempre paciência...
- olha que nao, pelo que vejo e ouço, é mesmo assim, o que acontece é que tem de se esvaziar os tomates... Mas é uma coisa mecânica, sem aquela vontade, e isso não é "comer"... É só mesmo vontade de esvaziar os tomates...
E aquilo caiu-me cá dentro como um eco do que já tinha ouvido, aquela mesma expressão tão dura, tão crua, tão feia.. Ouvi-a pela segunda vez na vida e a dizer exactamente o mesmo, precisamente a mesma mensagem. Fiquei a pensar que realmente há quem veja certas coisas como uma compensação, um aproveitar quem está ali à mão, um alívio, um aliviar de vontade meramente física,  por, no fundo, condescender estar com alguém que já não lhe interessa. Mas enfim, não têm razão para dizer que não, e precisam de esvaziar os tomates. E é triste, muito triste. Tudo. No dia em que a pessoa com quem eu esteja não tiver vontade de me comer, eu agradeço que não condescenda continuar comigo. Quando já não gostar de mim, que mo diga, não condescenda ficar comigo por quaisquer outras razões, e entretanto ir esvaziando os tomates. Não, eu mereço mais que isso, valho muito além de condescender ser uma condescendência para alguém.
Sou mulher de ter muito mais medo de ficar com quem não me quer do que de ficar sozinha.
Sou esquisita, paciência, e isso podem condescender à vontade.

04 abril 2015



Noite de conversa boa, uns tantos vodkas e mais sorrisos. Há pessoas que apreciamos, e que gostamos de perceber que nos apreciam. Pessoas com espinha, com carácter, com princípios fora de moda que honram sem gáudio de plateia. Pessoas que tentamos olhar com outros olhos, com outra vontade, vontade talvez, de futuro. Pessoas que nos poderiam mimar e compreender e preocuparem-se connosco, com os nossos dias e noites, quererem querer-nos e estar perto, querer partilhar as vivências e dar vida - dar e receber o que ela precisa para ter esse nome. Isso tudo. Depois só não sei se não falta o essencial, o gostar de tudo mesmo que não se queira, o gostar e nada mais importar. Porque às vezes parece que se pode gostar por tudo isto importar, e isso é fazer tudo ao contrário, estar tudo ao contrário. Arranjar o que não se pode escolher, escolhendo o que se pode e gostava de arranjar. Porque eu sei - e tão, mas tão, bem - que gostar a sério não é o mesmo que gostar de estar, que gostar das qualidades que se vê no outro, nem sequer do carácter dele, nem se pode confundir com gostar que gostem de nós duma maneira que nos faz sentir bem. Não, gostar realmente de alguém, adorar alguém, amar alguém com paixão não é isto - é também isto, mas não só. São talvez condições necessárias, mas não suficientes. Falta o inexplicável, o que não se avalia. Então, sabendo tudo isto pelo lado de dentro da pele, e do olhar que lançamos à vida, fico-me aqui, quieta, sem dar um passo, neste impasse que me embrulha e me prende. Mas com a sensação que a noite foi boa, que me senti bem, ainda que impasses que combatem cá dentro me travem os passos e me encolham as vontades. Porque receitas são coisas para cozinhar e não para viver, e normalmente é sem receita que as melhores coisas acontecem. Sem se saber como ou porquê, ou qual o ingrediente não programado que lhe dá aquele toque inesquecível que vicia, que não se procura, mas que, quando encontrado, nos engole e consome por dentro em vida, com vida - e que torna tudo o resto nada. Aquilo que nos arranca do chão e nos apresenta às nuvens como programa diário. Que nos faz gente da casa na lua. Esta lua que agora me sorri, malandra ou traiçoeira, por trás dum véu que quer ser despido.

Boa noite

03 abril 2015


( foto @souk_and_pix)
... Mentiram. Disseram que ia estar sol hoje e, embora esteja um quentinho bom, sol nicles, e eu gosto de sol, hoje apetecia-me sol. Valha-me a vasta experiência de me dizerem uma coisa e acontecer outra. Não sei se já não me faz grande mossa porque já não acredito no que dizem, ou por realmente já andar a desenvolver há muito uma carapaça à prova de desilusão... Ou a tentar, pelo menos. De qualquer maneira, mentindo-me ou não, com sol ou não, cá vim, ainda indecentemente de pijama, tomar o meu almoço pequeno na varanda - ovos mexidos, torradas, quase metade duma alheira (eheh pois), um grande copo de sumo de laranja acabado de fazer e um iogurte. Ora, almoço pequeno porque não poderá ser apelidado de pequeno-almoço, já que de pequeno não tinha muito, nem de almoço com real propriedade, vai daí baptizamos a coisa de almoço pequeno, porque brunch é coisa de estrangeiro. Bem sei que toda a gente acha os anglicanismos o máximo para demonstrar actualidade, estar na moda, e até parecer que somos pessoas cheias de mundo. Eu cá uso alguns mas sou tímida, gosto muito do português, deve ser mesmo das coisas mais ricas que temos (alguém devia suicidar quem terá tido o primeiro pensamento de estragar a língua que temos esfaqueando-a com um miserável (des)acordo ortográfico, que eu não adopto, nem adoptarei) e não posso mostrar o mundo que não tenho, a ter são muitos mundos, meus, o que é diferente, não dá para impressionar ninguém, e não é para mostrar assim. 
Bom, mas dizia eu, agora, depois do almoço pequeno falta o centro ali da foto... Mas a preguiça é tanta que fiquei pela varanda a escrever estes disparates só para não levantar o traseiro daqui e ir buscar o abensonhado (esta roubei ao Mia Couto) café. Entretanto parece que o  sol está a aparecer, porque o sinto nas pernas, é que já não acredito muito no que vejo, e cada vez acho mais que a pele é o sentido que menos engana.... 
Bem, vou buscar o café, depois banho e depois sair de casa com um livro para qualquer lado e ler - hoje apetece-me um jardim mais do que uma esplanada, logo se verá, não tenho nada marcado, nem programado, nem planeado, e isso é tão bom...

Bom dia

... Malvada.
..."You put a spell on me"...
Há uma fotografia tua aqui à minha frente e apetecia-me falar contigo. As nossas conversas pseudo filosófico-profundas que mais não eram que falarmos do que somos e do que nos faz e da vida, como a vemos e entendemos... Lembro-me de me falares do "closure", que eu tinha de fechar certas portas se não queria fechar, desperdiçar, partes de mim. De me dizeres que certas pessoas nem em bicos dos pés me chegariam aos calcanhares, e eu de sorrir quando disseste isso, prque era o sangue a falar-te mais alto, era o teu abraço longe que eu sentia perto, rente às palavras. Faltam-me as nossas conversas, as tuas reflexões, a rua resposta pronta e carinho  sempre perto. Sinto-te a falta e tantos que agora me faltam, parece que tudo me é arrancado cru. 

02 abril 2015

Dia corrido, cansativo por um lado, benéfico por outro.
 Não há tempo para pensar o que não quero pensar.
Quando os dias têm pouco tempo a cabeça guarda-se para o que as mãos têm de fazer, deixam de contemplá-las vazias e famintas. Os olhos não procuram o céu embrulham-se nas coisas que lhes têm de sair dos dedos. Não pensam, apenas fazem, vão fazendo, ou fazendo que fazem, olham sem verem.
Agora vem a hora do cansaço, da viagem, da música, do anoitecer que se aninha nos ossos e prende o sorriso. Ontem a lua estava linda pendurada no céu limpo, hoje a esta hora deve estar a preparar-se para sair e iluminar quem lhe lança o olhar e o bebe de dentro dos olhos que vêem. 
Vou tentar não vê-la, esquivar-me, fazer que não a conheço, que nunca passei noites a olhá-la, a conversá-la ou mesmo a ignorá-la, quando estava tão bem que nem a lua me faltava para ver o luar mais límpido a iluminar-me a pele. Coisas que já não existem, e que não me quero lembrar. Julgo que nem aconteceram. Mas a viagem, e a música, e o cigarro do caminho, isso sim, vai acontecer. E agora, que hoje já chega.

... I'm not a cat person,
...que não sou, mesmo!
Mas pronto, uma pessoa tem de abrir algumas excepções, evitar regras quadradas e analisar caso a caso... e neste caso acho que conseguia fugir à regra... e adoptava um gato destes, bichinho (não animal, por favor, que de animais estou fartinha...) de estimação para tratar bem e dar mimos em troca duns ronronares quentes e enrolarem-se nas nossas pernas e afins... 

Bom Dia!

Hoje a noite não está fria e está calada; ouve-se aqui e ali um carro que passa, umas vozes ao longe, às vezes umas folhas secas que dançam na estrada. Houve alturas, há anos, em que eu sentava-me aqui e sentia-me estranha, estrangeira desta vida (como dizia Alejandra Pizarnik), como que imaginava, abandonando o corpo que me prende os olhos, a vista da cidade, de cima, de quem vê o conjunto, e imaginava cada casa, cada apartamento, cada luz ligada a iluminar os lares, várias pessoas, famílias, amigos, namorados, amantes, espalhados pela cidade em sítios habitados de vida. Depois via-me a mim, aqui, a pensar no conjunto e tão aparte do conjunto, sem sair dele. Dava-me uma sensação de triste estranheza, de angústia, mas nunca pensei em mudar que não fosse para melhor; para estar com alguém, com quem estando ao lado eu não me sentisse assim, a divagar pela cidade que imagino: habitada de gente que troca afectos, que conversa pensamentos ou tolices, que partilha vivências e vida. Sentada aqui penso que há muito não me ocorre o mesmo, não tenho a mesma sensação, e percebo que não foi a minha solidão que diminuiu, mas a deles que aos meus olhos aumentou. Já não vejo o mesmo imaginário que se abatia sobre mim. Parece-me haver gente a mais junta para tão pouca partilha, pouca distância medida a separar o que os afectos (ou a falta deles) não juntam. Só não sei se fui eu que deixei de acreditar nas pessoas, ou no que as pode ligar, ou se apenas agora a minha ideia - o meu imaginário do que seria a realidade - do que iluminavam as luzinhas da cidade, que se vêem nas casas que agora olho, desligou a luz da ilusão romântica. As pessoas estão juntas, tão lado a lado que se tocam, mas não estão perto vezes demais. A minha distância é sempre a mesma, e perto de mim não está ninguém. E eu sinto-me perto do que não está, nem toco. Não me sinto menos só mas, parece-me agora, que nisso não estou sozinha. Eu só o vejo e não o nego.

Boa noite

01 abril 2015


... Eheheh... Pois há aí muito macaco, mas a Eva não tem nada a ver com isso, é outro galho da família, e cada um no seu...
(Temos de nos rir, ou eu tenho...)

Bom Dia
Da minha janela vejo uma linha viscosa onde deveria ver-se a linha do horizonte, há um nevoeiro pastoso que encobre o fim da terra que (não) se vê. Acima dela um negro fechado, sem estrelas. Se calhar há alturas na vida em que os horizontes, ou o sitio onde os esperamos encontrar com o olhar, se perdem numa estranha pasta viscosa, quase como areias movediças, onde nada é  certo e a tendência é esbracejar. Provavelmente estou num desses dias, dessas fases, e se calhar também por isso, atentei hoje à estranha aparência que me entra pela janela de todos os dias. Desde que me sentei aqui à janela a ver a rua e a pensar nisto, a vista foi clarificando, tornou-se mais límpida a imagem, ou talvez o olhar, quem sabe. Agora olho e já não vejo deformada a linha em que o olhar se despede, o rendilhado dos telhados, dos edifícios, das luzes por dentro da vida que os habita, já se distingue. O horizonte já se desenha de lápis bem aparado. As nuvens, por espessas que sejam, dissipam-se, a vista despe o véu, talvez também a vida assim seja. O tempo dissipa-nos, talvez para vermos melhor, ou apenas para realmente vermos - além do véu, além do engano, para lá do desengano. Os meus horizontes ainda não os consigo desenhar a fino traço, nem sequer borrões cheios de intenções, ainda caminho pelo nevoeiro denso, que se cola à pele pelo avesso e turva por dentro o olhar. Parece que não sinto, que não vejo. Presa, ainda que não perdida, faltam-me sentidos, e pior, o sentido. De tudo.
E agora espreito um canto do céu e vejo a lua: límpida, clara, luminosa, despida de qualquer véu. Houve noites em que eu fui lua. Será que alguém viu?

Boa noite