Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

30 setembro 2014


"O consenso é o oposto da submissão, mas não parece.Porque não pode haver consenso com quem é submisso, por mais que te digam “sim”. Nunca sabes, num submisso, de quem é a língua que te fala, se da alma, se da mente, se do medo. E de falsos em falsos consensos se tece a teia em que tramas tudo."


Do Menino,  e eu não podia concordar mais... 

Submissa nunca me conheci e não me parece bom para ninguém. Quando tenho a dizer, digo. Não me calo para manter a paz podre. Acredito que fazer-me submissa ou concordante não resolve problemas, encapota-os. Concordo quando concordo, discordo quando discordo. As duas com respeito e consideração pelos outros. Quando se tem de discutir, descabelar e despejar o saco, é isso que se deve fazer, tendo o cuidado de o tentar fazer com justiça e sem magoar ninguém. Explicar o que se sente e como, o que se gosta e não; só assim pode haver entendimento e felicidade. Submissão e dizer sempre sim, ou ouvir sempre um sim, não pode ser felicidade para ninguém, alguém se anula e alguém abusa, permitindo que o outro se anule, nenhuma das posições é saudável e em nenhuma há respeito. Um mente e o outro deixa que o que mente se anule. Que não seja o que é. É porque não pode gostar do que o outro realmente é. 
Quem diz amar um submisso não o ama porque ele não age como o que verdadeiramente é, apenas concorda em ser o que o outro quer que ele seja. De mim gostam ou não gostam, mas do que sou. Em geral não gostam digo o que penso e reclamo quando me magoam. 
De submissão não sofro, posso é às vezes sofrer por pensar assim, por dizer o que entendo que devo dizer e o que não gosto, ou por mostrar que gosto tanto quando gosto. Sou um bocado transparente, e isso deve ser monótono, não é preciso ser detective ou bruxo para perceber o que sinto ou penso. Eu digo, não deixo espaço a grandes descobertas ou grandes enganos. 

Casava-me já contigo - MEC

"Quando eu era pequenino e vi um cartaz do filme The Seven Year Itch, de Billy Wilder e de 1955, perguntei à minha mãe o que era. Ela respondeu: "Ao fim de sete anos a novidade do casamento começa a passar".

Ao fim de 14 anos, cada vez que eu olho para a minha mulher, cada dia que acordo ao lado dela, o que mais me comove e impressiona é precisamente a novidade de vê-la, poder amá-la, ter a sorte de ser amado por ela.

Cada coisa que fazemos é ao mesmo tempo antiquíssima – como uma cerimónia que construímos juntos só para nós os dois – e novíssima, pelo desejo e pelo entusiasmo de lá estar, naquele lugar que ela abriu para mim e ela no lugar que só é dela, que sou eu.

O casamento é só uma palavra: é verdade. Mas também pode ser a vontade de casarmos e ficarmos casados, todos os dias, com a mesma pessoa que amamos.

Cada vez nos casamos mais. As diferenças dela vão cabendo cada vez melhor nas minhas. Cada vez somos, a Maria João e eu, mais livres de sermos como somos, cada um de nós, e de sermos como somos, nós os dois.

Ela torna-se mais ela; eu torno-me mais eu, ela e eu com menos medo que o outro fuja por causa disso. Mas com medo à mesma. E ganância de viver e curiosidade em saber como é que o décimo quinto ano vai ser melhor do que este.

Mas vai ser."

MEC, aqui


E ler estas coisas ao mesmo tempo que me dá uma tristeza profunda e dura, dá-me esperança por perceber que existe e é possível, e talvez um dia possa voltar a acreditar que isto é possível até para mim. Quem sabe? Talvez um dia oiça "casava-me já contigo" sem ser da boca para fora, e depois de estar casada há anos.
(é capaz de ser difícil, porque não me quero voltar a casar, mas a ideia, a intenção, é que me seduz, me encanta, me adoça, não o papel. Muito menos o contrato reduzido a escrito segundo normas que alguém estipulou. Papel por papel que seja um nosso, com as nossas regras. Isso podia ter a sua piada... eu, por exemplo, de repente já me estou a rir por dentro. Quero alguém que ria por dentro também e comigo nestas coisas parvas, e sem precisar de abrir a boca para explicar o que se sabe. Ele saberia da parvoíce de cada regra mais parva que a outra, e isso é talvez o melhor contrato que pode existir.)

Bom Dia

28 setembro 2014


E hoje foi dia de ronha...
 Dormir e muita ronha até tarde, 
almoçar tarde e sem relógios na varanda, 
perceber que afinal está frio... 
E agora tomar um café.... 
E tentar que o tempo cinzento não se entranhe.
Bom dia!



"Fala-me tu do Amor e dessa coisa esquisita que é o tempo com quatro dedos de distância entre o ardor das línguas e a asfixia dos corpos.

Fala-me tu do Amor e desse desejo que arrasta a proximidade que anula todos os intervalos em pequenas existências que de tão insignificantes desaparecem numa doçura e amargura.

Conta-me do constante faz e refaz, de ressuscitar e morrer, de adormecer e sonhar, do conforto da luz dos dias na realidade que nos mata. Porque do Amor também se morre e também se vive, como alimentação programada às calorias necessárias para respondermos."

Al Berto

[já não tenho as calorias necessárias ao amor, ao faz e refaz, ao morrer e renascer, as que tornam a amargura em doçura e os intervalos em instantes que se perdem no tempo no momento preciso em que tudo se refaz como se nunca desfeito tivesse sido. Já não tenho calor suficiente para aquecer o amor que me restou, ou para arrefecer o que ficou por dar. Já não sei contar a distância em dedos, nem estar a braços com a recordação de abraços que nunca se desfizeram, percebendo que nunca se fizeram como se recorda. e já não sei o sabor dos corpos em asfixia de desejo, ou o ardor das palavras não ditas que guardei debaixo da língua, donde nunca as libertaste, onde nunca chegaste.] 

Boa Noite

27 setembro 2014

...e por falar em beijos cruzei-me com isto, e pelo que sei não estará muito errado...
 ...e fiquei cá a pensar que parece um menu, e assim sendo não sei que "prato" escolheria...
p'roquem'aviadedar!!!...

 
Hoje sonhei. Sonhei que passeava com alguém e conversávamos, e ríamos. E parámos sem saber porquê, continuávamos a falar e de repente os olhos olharam-se e ele dá-me um beijo, e encaixa a minha cara perfeitamente entra as suas duas mãos, como quem pega com cuidado em algo que quer manter. Que quer guardar acarinhando. Acordei e tive muita pena, porque não sei quem era ele, mas principalmente porque me senti mal por pensar há quanto tempo não me sinto bem com alguém. Sentir o carinho, a ternura... E um beijo. Um beijo que pode ser todos os beijos, e tudo de bom lá dentro.
Sinto falta de estar bem entre as mãos de alguém. De entre as mãos de alguém sentir ter tudo.
Bom dia!

26 setembro 2014

...procura-se um destes lá para casa...
e não, não é um avental....nem do fogão...
E hoje, para dia, já chega, já me disseram ficam nervosos quando falam comigo
 e não raciocinam direito...
 'tá certo, ainda bem que não é a pilotar um fogão, senão seria perigoso...
 já ouvi desculpas mais bem amanhadas... 
mas esta de eu meter medo, não é simpática, digamos... bahhhh...
...agora vou descansar a mioleira e os ossos, não sei qual estará pior....
e depois, provave3lmente, chegar a casa e cozinhar... bahhhhh


Sugestão (compulsiva...) para bilhete a  deixar em qualquer lado,
 desde que no meu caminho...
 a caminho das minhas mãos, olhos e coração...
 por alguém que substitua o "creo" por " "irremediavelmente", por "sei", por "sinto até aos ossos", qualquer coisa menos incertezas, dúvidas e balelas... 
alguém sincero, doce e cheio de mimo, de vontade de o dar e receber,
 que saiba o que quer e me queira. 
Se for alto e giro e com piada convém ver mal ... muito mal, pronto, e correr pouco. 
De resto tudo bem...
Acabamos essa crise que é um instantinho meu querido...

Bom Dia!!

25 setembro 2014

... a única coisa madura nisto é mesmo a estupidez.
Estou cansada de ser estúpida.
Há que começar a magoar quem me magoa, 
há pessoas que se calhar só entendem na pele
 e não mergulhando na alma dos outros tentando entende-los. 
Seja.
Na pele, na lata.
Para que sintam o que fazem sentir.
Assim eu consiga fazê-lo e vou andar ocupada por uns tempos.

Ahhhh.... Bom Dia

24 setembro 2014

É isto!.....
....Socorro!!!!
Tirem-me deste filme!!!

 Hoje até a porra do gps funciona!!! Deve ter tomado os comprimidos... Hoje que está um sol radiante e não havia problemas de não ir direitinha o gajo está bom... A sério um pano encharcado no focinho é o que apetece... Isto é só sorte irra!!!! Parece que alguém lá em cima se diverte as minhas custas... É só gozar aqui com a palerma... Caminhos há muitos sua palerma e kms ainda mais!!...Como é para ir direitinha trabalhar tudo funciona, até a porra do clima...

E hoje o tempo está assim... É a minha sorte de despedida... Vim tomar o pequeno almoço cá fora. Mais uns dias e arranjava um amigo para a vida, anda sempre atrás de mim, só não entra em casa, é um gajo de muito respeito, se me sento dentro de casa deita-se à porta, quando estou cá fora que é quase sempre vem para ao pé de mim, e não não é de comida que vem à procura, porque à excepção de hoje que dividi a torrada com ele, nunca lhe dei comida, mas sempre que se chegava fazia-lhe festas. Ontem quando à noite a ver as estrelas deixei de lhe fazer festas começou a esfregar o focinho nas minhas pernas e depois a chamar-me com a patita... Os cães normalmente gostam de mim, simpatizam, não sei com que defeito vêm os humanos que não é a mesma coisa. Hoje quando lhe dei comida abanou o rabo mas o que ele veio sempre à procura foi de mimo, e isso eu tenho mesmo para dar e voltar a dar. Chamo-lhe Tôni mas disseram-me que se chamava Bobi, eu é que acho que tem cara de Tôni e nunca lhe consegui chamar Bobi, saía-me sempre Tôni! Foi o meu companheirao, não chateia e só quer mimo, nem preciso de lhe dar almoço e jantar... Perfeito!!
Bom Dia!!

 
(da página do facebook poeme-se)
Boa noite

23 setembro 2014


... Mais um fim de dia, despedirmo-nos dos dias às vezes custa, mas quando as despedidas custam é porque o que as antecede é bom e deixa saudades. O mau é isso ficar atrás, no passado, e termos de continuar para a frente com esse peso das saudades que aumenta com o tempo que passa. Tenho tido nos últimos tempos demasiadas despedidas, mas não tenho como evitá-las. Tenho só que saber como fazer para as saudades não pesarem, aprender a lidar com as recordações sem o peso de se conjugarem no passado, mas apenas sinal de que se viveu e foi bom. Não as deixar morrer, as que valem a pena viverem em nós, mas não nos pesarem. Serem uma luz para o futuro, como a beleza desta luz que vejo agora neste céu a espreitar por entre as nuvens negras com uma luz quente e doce.

Eu e o Cortazar a meus pés enquanto fumo um cigarro e oiço chover. De volta ao cadeirão e à manta. No outro dia a experimentar umas aplicações novas de fotografia dei por mim a brincar com fotos minhas que ia tirando sem luz que não das velas que estavam acesas, e ponho-me a olhar e a pensar que raio de esquizofrenia será a minha de olhar as fotos e não me reconhecer, a sensação estranha de ver por fora o que os outros vêem, e chegar à conclusão que nao me reconheço muito na minha cara, à excepção dos olhos que me parecem familiares do que sinto por dentro do que forra o que por fora me parece estrangeiro. E isso é estranho. E hoje duma dessas fotos diziam-me "olhar doce, profundo e tranquilo". E eu fiquei a pensar nisso. Qual é a parte estrangeira de mim? O que se vê e não se vê. Como se vê o que não se vê? Quem aqui me lê, sem se me ver mas sabendo-me mais do que qualquer fotografia do meu focinho pode dar a saber, como me verá? E eu como me vejo, que quando me vejo não me pareço eu mas também não sei como deveria parecer para me parecer eu? Se calhar assim? O olhar sim, é a ligação de vários mundos que me fazem, que me habitam, ou eu a eles, isso reconheço como meu, o resto não sei, é estranho. Será uma esquizofrenia como outra qualquer.
E agora chove. Bem





"Vejo aquilo que não sou. Por exemplo (isto volto à explicá-lo, mas vem da mesma ideia): existem zonas enormes às quais jamais cheguei, e aquilo que não se conheceu é aquilo que não se é.

(...)

Toco a tua boca.
Com um dedo, toco a borda da tua boca, desenhando-a como se saísse da minha mão, como se a tua boca se entreabrisse pela primeira vez, e basta-me fechar os olhos para tudo desfazer e começar de novo, faço nascer outra vez a boca que desejo, a boca que a minha mão define e desenha na tua cara, uma boca escolhida entre todas as bocas, escolhida por mim com soberana liberdade para desenhá-la com a minha mão na tua cara e que, por um acaso que não procuro compreender, coincide exactamente com a tua boca, que sorri por baixo da que a minha mão te desenha.(...) Então as minhas mãos tentam fundir-se no teu cabelo, acariciar lentamente as profundezas do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de uma fragrância obscura. E se nos mordemos a dor é doce, e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo do fôlego, essa morte instantânea é bela. E há apenas uma saliva e apenas um sabor a fruta madura, e eu sinto-te tremer em mim como a lua na água."

Julio Cortazar, in O Jogo do Mundo (Rayuela)

[sim, há coisas que se pudéssemos imaginar antes de as sabermos as imaginaríamos exactamente como viriam a ser. Ou assim achamos. Como tentar imaginar a perfeição. Tentar agora imaginar a perfeição é reproduzir com retoques o melhor de tudo o que se conhece. Quando a vida nos surpreende a imaginação explode, conquista territórios desconhecidos que não sabíamos existir, e todo um novo mundo se abre. Novas imaginações, perfeições mais perfeitas. Novos limites e novas dimensões de felicidade. E novas dimensões de infelicidade, por perdê-las, por desperdiçá-las, o que for. Aquilo que não se conhece é aquilo que não se é, mas aquilo que passamos a conhecer passa a ser parte do que somos, e de como descodificamos a loucura do mundo. Renegar isso não é não andar para a frente é andar para trás. Nada volta ao que era. Passamos a ser pessoas diferentes quando os nossos limites de imaginação, felicidade e infelicidade se movem. O mundo altera-se, nunca mais o vemos da mesma forma mesmo que nada tenha mudado, a essência alterou-se, a essência do nosso olhar sobre as coisas. E as coisas não são coisas são a maneira como as vemos. Um parafuso pode ser um deus (esta é de outra passagem do livro, mas estou preguiçosa), tudo depende do que vemos. E eu pergunto-me vezes sem conta o que verão quando me olham? ]

(É sacrilégio estar a escrever estas coisas com um texto com a beleza deste, duma boca perfeita que afinal existe. )

Boa noite


...Ouvem-se só as cigarras e o vento a inquietar as folhas, um chocalhar ao longe e a conversa dos cães no fundo, corre uma brisa do lado de fora da manta. O silêncio aqui traz paz, ainda que esteja cheio de ausências. No céu não há estrelas que os olhos alcancem, só um tapete de nuvens que as estrelas pisam lá em cima. Fico-me aqui parada à espera das respostas que estão em mim, são as únicas que podemos ter, são as únicas que são resposta. Por muito que se procurem respostas nos livros, em tudo o que vemos e ouvimos, as únicas respostas para nós estão encerradas dentro de nós. Só às vezes não as queremos, só as vezes nos duvidamos, e isso também são respostas. De que estamos sempre inacabados. Que o tempo corre e ninguém fica imóvel e inalterado. Que  o tempo nos traz incertezas e perguntas, porque estamos sempre a crescer, porque há sempre o desconhecido amanhã, daqui a bocado, agora. Só podemos continuar a crescer enquanto houver desconhecido e perguntas e a tentativa de buscar respostas. 
E eu tenho tantas perguntas... É vários medos para cada uma.

21 setembro 2014



É isso... Eu hoje já tenho uma!!! Eheh
Mas saltar da cama nunca é fácil....
Ainda aqui estou. Mas vou levantar-me, que hoje o dia vai ser bom...
 Pelo menos espero eu....
Bom dia!


Último cigarro numa janela antiga, com estrelas que se vêem no céu que serão novas e eu que sou a mesma. Cada vez mais na mesma. Sem outra sombra que não eu. Na mesma.
Boa noite.

20 setembro 2014


Pre-aquecimento do dolce fare niente.......
:)))
Este clima tropical está do melhor!! Em dois minutos começou a chover torrencialmente. Agora só nos falta- ou a mim pronto - o espírito tropical!! Venha ele, alma quente de chuvadas rápidas. Lavam tudo.
(Ainda bem que não vim de t-shirt branca, senão o espectáculo seria outro... Ou melhor espectáculo talvez não fosse a palavra indicada, era mais vergonhaça...)
Sim, tentar que pensem pela própria cabeça, 
se cada um vem com uma não é para usarmos a dos outros...
... Coisa que nunca fui habituada a fazer,
mas parece-me tantas vezes hoje em dia
que nem pela minha ando a pensar...
Mas isso vai mudar. Os próximos tempos vão-me ser muito exigentes.
Vamos ver afinal de que sou feita...
E há muito medo nesta pergunta, nesta expectativa...
A resposta é uma espécie de auto sentença.
Temos de nos ver como somos é para isso temos de o descobrir.
E há descobertas muito dolorosas. Tenho tido muitas...


... Assim parece-me justo.
Não estando, não estás.
Boa noite.

19 setembro 2014

... Pois, depois desencanto, e desencano quando? Porque a parte do desencanto já percebi. Muito bem até... Bahhh

... Vou ficar uma artista com a esquerda então, de tão canhota!
Mas sempre se fica mais polivalente. 
Principalmente poli... Porque valente ando muito pouco...

Bom Dia!!
Verdade.  Muito verdade, mas o que nos dá vontade de continuarmos sempre a entender-nos, 
quando não concordamos, quando as vezes não entendemos, quando nos magoam, ou nos chateamos, é gostar do outro e ter consciência que se gosta e quer, e então sabe-se que tudo tem de se resolver e arranjam-se sempre soluções que sirvam aos dois.
Quando há amor tenta-se sempre, tenta-se tudo.
 E essa vontade de resolver, e continuar, só amando. E só resolvendo e as pessoas dando-se bem é que o amor se sustenta. 
 É a chamada pescadinha de rabo na boca... A tonta, sempre à volta de si mesma.
Boa noite.

18 setembro 2014



...É isto. Aqui.
Antídoto para certos dias do ano. Para hoje.
Para onde fugimos do mundo em que não encaixamos,
que não entendemos,
em nos voltamos para dentro em busca do que há-de restar de nós.
Preciso desta paisagem, preciso de horizonte, preciso de ar.
Preciso-me com urgência...
...mas ainda vai ter de esperar uns dias. 
E hoje eu devia já estar longe, daqui e deste coração teimoso que guarda estrelas como quem colhe conchinhas da praia e traz no bolso. 
Chocalham e cheiram a mar. 
As estrelas soam só a distância que brilha.

Bom Dia!!

Boa Noite

...às vezes penso, sorrio e sonho uma vida que não tive, e depois obrigo-me a lembrar por que apenas sonho e não vivo, e lembro - obrigo-me a lembrar e a repetir até à exaustão - a resposta à minha própria pergunta; e pergunto-me quando deixarei de ma perguntar e de sorrir quando dou por mim a sonhar acordada esse sonho, que de tão meu, tão apenas meu, nunca chegará a vida. Lembro-me que não estás porque não (me) queres... e então penso que não te quero, nunca quereria alguém na minha cama que não me quisesse. Isso não pode fazer ninguém feliz. E infeliz por infeliz, antes sozinha, porque a solidão sozinha pode um dia deixar de ser solidão, a solidão acompanhada nunca deixará de ser solidão.

17 setembro 2014

...Sim!!
Isto, era mesmo isto, agora, ao chegar a casa!!
Um bom vinho tinto e um sofá suspenso...
... não sei é se aquilo será de confiança... 
ainda assim há sempre o chão...eheheh
Bom Dia!!

(eu sei que é tarde, quase noite, mas que importa? o meu dia, verdadeiramente, ainda não começou... e na realidade nem me parece que vá começar tão cedo, por isso tanto faz!! )

Boa Noite


"Pensar é difícil. Fazer é fácil. Quando fazes já pensaste o que vais fazer. Não existe fazer sem pensar. E o que dói, o que custa, é sempre o momento em que pensas. E nunca o momento em que fazes. Quando fazes já estás no instante em que já viveste, por dentro do pensamento, tudo o que estás a fazer. O mais difícil de suportar é pensar o que vais fazer: aquele momento em que vives, por dentro, o que sabes que vais viver por fora. E sentes cada espasmo, cada corte, cada rasgão. Lá por dentro. Onde os actos não conseguem tocar. Onde fazer não consegue fazer nada. Fazer é fácil. Coisa de meninos. Brincadeira de crianças. Fazer é fácil. Qualquer um resiste ao fazer. Muito poucos resistem ao pensar."

in In Sexus Veritas de Pedro Chagas Freitas

[de alguma forma é verdade, há coisas que me custa mesmo pensar, porque antes de fazer (quando se é uma pessoa normal) pensa-se, pondera-se, confronta-se com a realidade antes da realidade. E é isso que é dificil, resistir a isso, levar os pensamentos até ao fim quando se quer fazer alguma coisa até ao fim. E para quê fazer se não for para fazer até ao fim? e eu tenho de pensar mesmo até ao fim muita coisa que tenho de fazer. até ao fim.]

16 setembro 2014

Quando é que a capacidade de sofrer se torna em incapacidade de sentir?

... Parece a entrada em arco para o paraíso quente no meio da neblina espessa do limbo... Será? Dá para entrar? É só ir entrando sem pedir licença? É preciso merecer ou pode-se fugir para lá e escapar aos dias que não passam e todos os dias se repetem? 
... que dia!!
A parte boa foi que não tive tempo para ter sono 
ou para pensar, ou para o que fosse!!
Estou cansada e com mais vontade do trabalho... mas precisava duns dias para tentar assentar ideias, para fugir um bocadinho dos dias e dar-me tempo. Mas eu precisava de tanta coisa... e não é por isso que tenho nada do que preciso...
Enfim, agora rumo a casa, debaixo de chuva e ao som das músicas cheias de poesia do Nick Cave, que adoro. E combina com fins de tarde chuvosos e melancólicos e cheios de saudades não se sabe bem de quê, mas dá a sensação que é de mim mesma... e da poesia que eu tinha e sentia.
Enfim... 




....isso vai mesmo bem com uma chuvada!!...
... mas isso vai bem com qualquer coisa!!
quando é a boca certa, vai sempre, sempre, bem!!
E eu tenho saudades disso:
 de abraçar em beijos 
e de beijar em abraços.
De baralhar tudo e nada conseguir ser mais simples...
... ou melhor.
A simplicidade é a coisa mais complicada de atingir.
Como abraçar em beijos 
e beijar em abraços.

Bom Dia!!



"Fazer dois barcos seguir juntos implica, a cada momento, que se decida o que é importante: se ir para onde queremos, se ir com quem queremos. Quem não decide acaba por ir na corrente, não vai parar onde quer, e quando olha para trás está sozinho.

O amor, como os caminhos no mar, não está escrito – escreve-se todos os dias."
Do Menino 

Boa Noite
...outra versão do "este vestido é mesmo bom para fazer assim"...
as coisas com que eu me cruzo... enfim, um dia deixo de me lembrar...

15 setembro 2014


“Estou perdido; e já não sei o que querias para mim com isto; se querias mostrar-me o que tinha de fazer ou se querias mostrar-me o que não tinha de fazer; se querias mostrar-me o amor conseguiste; agora sei o que é o amor; sei que é esta coisa que não sei dizer; este aperto que não consigo desapertar; esta precisão que não consigo saciar; esta saudade maior do que nunca tive; este abraço maior do que todos os que apertei; se querias mostrar-me o que era o amor conseguiste.”

"In Sexus Veritas", de Pedro Chagas Freitas

[...e agora faz-se o quê com isto?]


...Claro!!!
... mas que é que estavam a pensar?? 
Não gosto de intimidar ninguém é o que é!!
eheheh
Bom Dia

Só mais esta frase porque esta é também uma definição de amor (por causa daquele post delicioso das definições de amor das crianças de que não me esqueço) que me toca e me anima e me faz sonhar, e com que me identifico, e um dia quero para mim:

"- Gosta muito dela?
Nesse momento ele levantou os olhos e o seu rosto feio e pequenino tinha o ar maroto de um colegial."
Somerset Maugham, in O Véu Pintado

E isto é um doce, uma ternura, porque o homem era careca e atarracado e nada bonito, mas o amor que sente ilumina-o de dentro para fora e fica agradável a quem vê.
O amor faz-nos mais bonitos, da luz interior que se reflecte na aparência, naquela que se vê à superfície. E era do que eu andava a precisar!!...
Na verdade tive de andar aqui à procura duma coisa que me tinha esquecido de pôr aqui e que me tem ocupado os pensamentos durante o dia, e que vem daqui:

"Ela sabia que nunca mais veria nos seus olhos aquele olhar de afecto a que dantes estava tão acostumada e que achava simplesmente exasperante. Percebia agora quão imensa era a sua capacidade de amar. Estranhamente, ele derramava agora esse amor sobre aqueles pobres enfermos que apenas o tinham a ele. Ela não sentia ciumes, sentia sim uma sensação de vazio. Era como se um amparo, ao qual estava de tal maneira acostumada que nem se apercebia da sua presença, que lhe tivesse sido retirado de repente, deixando-a a balançar para cá e para lá como um sempre-em-pé.
Só sentia desprezo por si própria, porque um dia tinha sentido desprezo por Walter. Ele devia ter percebido como ela o olhava e aceitado o seu juízo sem amargura. Ela era uma pateta e ele sabia-o, mas, porque a amava, esse facto não fizera qualquer diferença para ele. Agora ela já não o odiava nem sentia por ele qualquer ressentimento, mas sim medo e perplexidade. Não podia admitir outra coisa senão ele que ele tinha qualidades notáveis e por vezes considerava até que ele possuía uma grandeza de alma estranha e pouco atractiva; era curioso que ela não conseguisse amá-lo e continuasse a amar um homem cuja ausência de valor se lhe afigurava agora tão  óbvia.(...) Ela fora a única que não enxergara o seu mérito Mas porquê? Porque ele a amava e ela não o amava. O que se passa no coração humano que faz uma mulher desprezar um homem que a ama?
(...)
A conversa dela, que outrora o entretinha, porque a amava, agora, que já não a amava, nada mais era para ele do que entediante? Kitty ficava mortificada só de pensar nisso.
(...)
Reconhecia que Walter tinha qualidades admiráveis; mas acontecia que não gostava dele; ele sempre a tinha entediado."

Somerset Maugham, in O Véu Pintado

E é isto, esta coisa dos ciumes que não são ciumes é uma especie de vazio que se sente onde dantes se sentia algo com que contar, um apoio, ou pior que isso alguém que nos fizesse as vontadses e adulasse. E depois essa coisa extraordinária que nunca tinha pensado, as pessoas que não amamos entediam-nos. Como Walter quando supostamente deixou de amar Kitty deixou de ter interesse nas suas conversas, aliás nunca terá tido, mas tinha vontade de ter e esforçava-se para a agradar porque ela de alguma forma o agradava, porque ele a amava e procurava reciprocidade. Quando percebeu que essa reciprocidade era impossível, deixou de ser o amor que lhe tinha como o tinha, como o sentia, e então ela passou a entediá-lo. Vingança por ela o ter desprezado tanto e valorizar um homem sem qualquer caracter que a abandonou ao primeiro embate? Essa vingança fá-lo desprezá-la porque ela apesar de fútil e superficial não o conseguiu ver e valorizar? 
Andei com isto às voltas durante o dia. Pois aqui fica para a posteridade. Sem respostas. Mas hoje em dia até já me desabituei de respostas, já das perguntas não me consigo, nem quero, desabituar.

14 setembro 2014

Só mais esta frase porque esta é também uma definição de amor (por causa daquele post delicioso das definições de amor das crianças de que não me esqueço) que me toca e me anima e me faz sonhar, e com que me identifico, e um dia quero para mim:

"- Gosta muito dela?
Nesse momento ele levantou os olhos e o seu rosto feio e pequenino tinha o ar maroto de um colegial."
Somerset Maugham, in O Véu Pintado

E isto é um doce, uma ternura, porque o homem era careca e atarracado e nada bonito, mas o amor que sente ilumina-o de dentro para fora e fica agradável a quem vê.
O amor faz-nos mais bonitos, da luz interior que se reflecte na aparência, naquela que se vê à superfície. E era do que eu andava a precisar!!...

"A alma dele estava completamente dilacerada. Ele vivia num mundo de fingimento e, quando a verdade destruiu esse mundo, achou que a própria realidade tinha sido destruída. A verdade é que ele nunca lhe perdoaria porque não conseguia perdoar-se a si próprio.
(...)
O rio, porém, apesar de fluir tão devagar, dava ainda assim a sensação de movimento e transmitia-lhes a melancolia da fugacidade das coisas. Tudo passava, mas onde estavam os vestigios dessa passagem? Para Kitty parecia que todos os que compunham a raça humana eram como gotas de água naquele rio e que continuavam a fluir, cada um tão perto dos outros e, ao mesmo tempo, tão longe, num fluxo sem nome, rumo ao mar. Quando tudo durava tão pouco e nada tinha grande importância, era uma pena que as pessoas, dando um valor absurdo a objectos triviais, se fizessem a si próprias tão infelizes.
(...)
-Ando à procura duma coisa e não sei exactamente de quê. Mas sei que é muito importante para mim conhecer essa coisa e sei que se a conhecesse tudo seria diferente. Talvez as freiras saibam o que é; quando estou com elas sinto que escondem um segredo que não querem partilhar comigo. Não sei por que razão me passou pela cabeça que se visse a mulher manchu teria um indicio do que procuro. Talvez ela mo dissesse se pudesse.
-O que a leva a pensar que ela sabe o que é?
Kitty olhou-o longamente de viés, mas não respondeu. Em contrapartida fez-lhe uma pergunta:
-Você sabe?
Ele sorriu e encolheu os ombros.
-O Tao. Alguns de nós procuram o Caminho no ópio, outros em Deus, outros no Whisky e outros ainda no  amor. Mas é sempre o mesmo caminho e não leva a lado nenhum.
(...)
-É o Caminho e o Caminhante. é a estrada da eternidade, percorrida por todos os seres, mas nenhum ser a fez, pois ela própria é ser. É tudo e é nada. Dela brotam todas as coisas, todas as coisas estão em conformidade com ela, e, no fim, todas as coisas a ela tornam, é um quadrado sem ângulos, um som que os ouvidos não podem captar, uma imagem sem forma. É uma vasta rede que apesar de ter as malhas tão grandes como o mar, não deixa passar nada. É o santuário onde todas as coisas encontram refúgio. O lugar não existe, mas conseguimos vê.lo sem ir à janela. Deseja não desejares, é o que o Tao nos ensina, e deixa que todas as coisas sigam o seu curso. Aquele que se humilha será preservado. Aquele que se curva será levantado. O fracasso é a base do sucesso e o sucesso o preâmbulo do fracasso; mas quem poderá dizer quando se dá a viragem?
(...)
O passado estava acabado; os mortos que enterrassem os seus mortos. Seria isto ser terrivelmente insensível? Ela esperava de todo o coração ter aprendido a compaixão e a caridade. Não sabia o que o futuro lhe reservava, mas sentia-se com forças para aceitar o que quer que viesse de espirito leve e optimista. E então, subitamente e por qualquer razão desconhecida, das profundezas do seu inconsciente emergiu uma reminiscência da viagem que tinha feito, ela e o malogrado Walter, até à cidade empestada onde ele tinha encontrado a morte: uma manhã partiram nas liteiras quando ainda estava escuro e, à medida que o dia clareava, ela imaginou, mais do que realmente viu, uma cena de tão arrebatadora beleza que por breves instantes suavizou a angústia que lhe invadiu o coração, reduzindo à insignificância todo o sofrimento humano. O sol ergueu-se, dissipando a neblina e ela viu, serpenteando pelo meio dos arrozais até onde a vista alcançava, atravessando um riacho e continuando por terrenos acidentados, o caminho que deveriam seguir: talvez os seus erros e loucuras, a infelicidade que sofrera, não fossem inteiramente em vão se ela fosse capaz de trilhar o caminho que agora vagamente discernia à sua frente, não o caminho de que o pândego do Waddington falara e que não levava a lado nenhum, mas o caminho tão humildemente trilhado por aquelas queridas freiras do convento, o caminho que levava à paz."

Somerset Maugham, in O Véu Pintado

[mais um que chegou ao fim. Estava à espera de melhor, francamente. A personagem feminina não me parece consistente, ou eu não acredito que as pessoas mudem tanto, acho que a vida muda as pessoas, sim, o sofrimento altera-nos as perspectivas e faz-nos crescer, mas a descrição da personagem no início do livro fá-la demasiado fútil, tonta e ôca para ganhar esta dimensão espiritual; principalmente o ôca, quem é ôco não tem substracto, não é estar enganado no substracto, é ele não existir; não se preocupar com nada, é não ver além de si próprio, e até em si próprio não ver além do que querem que se pense e veja de si mesmo. E é uma coisa inata, não muda para passar a perceber uma dimensão diferente das coisas, das pessoas e da vida, se nunca esteve nela nenhuma dimensão, nenhuma profundidade, senão as aparências. Mas gostei do livro, só não simpatizei com nenhuma das personagens a não ser o Waddington, esse sim uma figura curiosa.]
Que preguicaaaa... Que maravilha de ronha... Acordar comer qualquer coisa voltar a enfiar-me nos lençóis, esperar um bocadinho entre pensamentos que os olhos se tornem pesados e deixar-me ir nessa dolência boa da preguiça, do sono que repousa. E depois voltar a acordar com a chuva, com uma chuvada monumental e sinfônica! Adoro o barulho da chuva ouvido na cama, no quentinho. Acho que este fim de semana foi o primeiro em que consegui dormir, em que me senti repousar. Não sei porquê, mas finalmente tive a minha cura de sono, o primeiro capítulo só, porque vai haver mais, ando muito cansada. E preciso de dormir e de ronha e também precisava aqui de alguém para estar na brincadeira e com conversas parvas, beijos, mimos pequeninos e gargalhadas grandes. Mas pronto, pelo dormir já consegui, já não falta tudo!!
Bom Dia!
(Ainda não sei se me vou levantar já, não sei não.)

Pronto, acabou. Tenho sempre uma sensação estranha quando acabo um livro de que gostei. Como se não gostasse que tivesse acabado, mas quando começamos um livro é para ler até ao fim. Sabemos que tem um fim. Já na vida há coisas que começamos que não sabemos se terão fim, ou quando, ou como. Talvez por isso a sensação seja diferente, só mais à frente na vida é que acho que percebemos que fechámos o livro depois da última página. Na vida só é difícil saber quando foi a última página. Quando percebemos finalmente vemos que já fechámos o livro, mas não sei se conseguimos precisar exactamente quando.

Há fins que só se reconhecem muito depois do fim, - mas até aí temos de os querer ver, temos de assumi-los, temos de saber e sentir que acabou, que fizemos tudo - como há começos que começaram muito antes de termos consciência do seu início. É por isso que só se entende a vida quando se olha para trás, para o caminho já feito e nao quando, a caminho, olhamos para os pés.

Boa noite.

[depois hei-de pôr aqui as ultimas passagens que marquei no livro para guardar para a posteridade.]

13 setembro 2014

"Havia uma barreira a separá-la delas. Falavam uma língua diferente, não só com a voz, mas também com o coração."

Somerset Maugham, in Véu Pintado

[dito duma maneira tão simples o que às vezes é tão difícil de explicar...]
"De um momento para o outro, agigantando-se no meio da neblina e tocado aqui e ali por um raio de sol, surgiu um aglomerado de telhados verdes e amarelos. Pareciam enormes e era impossivel divisar-lhes um padrão; a ordem, se é que ordem havia, escapava aos sentidos; eram irregulares e extravagantes, mas de inimaginável riqueza. Não se tratava de nenhuma fortaleza nem de um templo, mas sim de um palácio mágico de algum imperador dos deuses onde nenhum homem podia entrar. Era demasiadp grácil, fantástico e imaterial para ser u trabalho executado por mãos humanas; era uma construção retirada de um sonho. (...) A Beleza estava ali e ela guardou-a como o crente guarda na boca a hóstia que é Deus.
(...)
A luz intensa do meio dia roubara todo o mistério ao palácio mágico, que agora não passava de um templo na muralha da cidade, aparatoso, mas decadente. No entanto, e porque o tinha visto uma vez em tal extase, nunca mais poderia ser para ela apenas trivial; e muitas vezes, de madrugada ou ao crepusculo ou de novo à noite, sentia-se capaz de reassimilar alguma dessa beleza."

Somerset Maugham, in O Véu Pintado

[Realmente se calhar há coisas que uma vez vistas e entendidas com tal beleza nunca mais podem ser olhadas completamente desprovidas desse encanto que nos tocou. Por muito, e mais repetidas vezes, que depois vejamos as mesmas coisas de outra maneira, como o que são de facto, e não como parte de um qualquer sonho que nos roubou de nós, que nos extasiou e prendeu, há sempre algo em nós que faz reluzir a antiga luz que brilhou em nós ou que nós fizemos brilhar. Há sempre alguma coisa extraordinária que fica do que nós apreendemos como a Beleza. Sejam palácios mágicos ou pessoas que nos fizeram sentir a magia da vida.]


" Não faz nem um mês eu disse aqui que a melhor desculpa de uma mulher que está sozinha é que não tem homem no mercado. É muito boa. Mas tem uma que disputa à faca o primeiro lugar: estou sozinha porque os homens têm medo de mulheres independentes.
Uma ova.
E posso afirmar: a cada minuto que você reclama, tem outra mulher também independente e bem sucedida – mas muito mais esperta do que você – sendo bem sucedida na dança do acasalamento. E você aí, sozinha no bar com as suas amigas independentes, com suas bolsas caras, indo dormir sozinhas, reclamando da morte da bezerra e dos homens. Aqueles ingratos.
Não sei de onde tiraram essa ideia de que a vida só mudou para as mulheres. Não é possível que a gente acredite mesmo que fomos criadas para ganhar o mundo, estudar, disputar vagas de trabalho, fazer o imposto de renda, encarar hora extra, sair sozinha com as amigas, e que ninguém contou nada aos homens. Enquanto isso, os pobres empacaram no tempo e, portanto, hoje temos que conviver com trogloditas que ainda esperam casar com a dona Baratinha.
Tenho um irmão 11 meses mais novo do que eu. Crescemos na mesma casa, com os mesmos pais. Nós dois vimos minha mãe trabalhar a vida inteira, chegar em casa muitas vezes depois de todo mundo, dividir as contas da família no papel, fazer uma comida mais ou menos, viajar sozinha no Carnaval porque meu pai sempre detestou os dois.
Saídos da mesma fôrma, eu ganhei o mundo. Meu irmão casou antes dos 20 anos. Não estou contando nenhuma história que não seja a mesma de quase todo mundo que eu conheço. Esse discurso de que os homens não estão preparados para essa nova mulher seria revolucionário na época da minha avó, que se separou aos 50 anos, decidiu aprender a dirigir, fez vestibular para educação física e foi procurar emprego – porque, até então, o único duro da vida da dona Dorah tinha sido criar quatro filhos. Talvez tenha ficado mal falada na cidade. Mas era a minha avó, no tempo da minha avó.
Essa ladainha em 2014 não dá.
Quando é que a gente vai cansar de se fazer de vítima e parar de encarar os homens como incapazes? Se a gente se adaptou aos novos tempos, eles também. Ainda precisamos de ajustes aqui e ali, mas está tudo bem.
Eu não convivo com homens despreparados para essa nova mulher que sou eu, você e quase todo mundo. Tenho amigos homens, e eles querem, sim, mulheres parceiras e não dependentes. Choram no meu ombro por causa de pé na bunda. Reclamam de mulher que não vale nada. Ficam perdidos sem saber como agradar essa fulana que, na verdade, não sabe o que quer porque cresceu acreditando que pode querer tudo. E pode. Só deveria parar de encher o saco.
Fizemos as nossas escolhas, eles fizeram as deles. Nenhuma mulher é igual. Assim como qualquer cara pode vir com mil variações do que a gente aprendeu a conhecer por macho. Tem todo tipo por aí. Mas com todos os requisitos que a tal nova mulher – que de nova não tem nada – quer, não sobra um na face da terra que baste.
Inteligente. Óbvio. Antenado. Com certeza. Remediado. Tem remédio? Fodão. O tempo todo. Bem humorado. É o mínimo. Frágil. Nem pensar. Imaturo. Socorro. Machista. Deus me livre. Glúten free. Pra quê? Fiel. Possível. Rico. Com a graça de deus. Comprometido. Por que não?
Esqueça.
Eu agradeço por nunca ter tido um único namorado que não me quisesse da forma como eu fui criada. Ganho o meu dinheiro, bebo uísque, gosto de futebol, dirijo super bem, cuido do meu imposto de renda sozinha. Sei pregar botão, ainda que torto, não sei nem por onde começa a receita de suflê de cenoura, só vou ao supermercado pra comprar vinho e no dia em que tive que aprender a diferença de alvejante e água sanitária, dei um Google.
Compro bolsas caras, saio sozinha com as minhas amigas e nunca fui cobrada por ter que trabalhar domingo ou terça à noite. Neste momento em que escrevo e tomo vinho tem um cara lá na cozinha preparando o jantar. Um cara que me escolheu do jeito que eu sou, que vibra com as minhas vitórias e me salvou de jantar miojo ou cerveja pelo resto da vida.
Meus pais nunca perguntaram quando eu iria casar ou quando lhes daria netos. Mas sempre torceram que eu encontrasse um companheiro para dividir a vida. Eles se orgulham muito do caminho que eu quis seguir e nunca me fizeram pensar que escolher ser bem sucedida significaria ser mal amada. Conheço uma penca de gente que tem os dois porque isso aqui não é uma competição. Todo mundo quer a mesma coisa. Eu, você, o Arthur, o Marco, o Fernando, o Rodrigo, o João, a Cris, a Camila.
Todo mundo quer um chinelo velho pro seu pé cansado. Quer sossegar o rabo num relacionamento feliz e cheio de cumplicidade, de parceria, de mãos dadas no cinema, de silêncios que signifiquem enfim sós.
Chega desse discurso de ser mal compreendida pelo mundo e pelo homens. Tem muita gente avulsa por aí. Dos dois lados, por inúmeras razões. Se você acredita mesmo que ninguém te quer porque é independente e porque os homens não sabem lidar com isso, só quero lhe dizer uma coisa: você está sozinha porque é chata.
Vou jantar, porque depois tem uma pia de louça me esperando. Justo."
Mariliz Pereira - roubado daqui

[eu sei que sou chata, não acho que esteja sozinha por ser independente, eu estou sozinha porque sou um bocadinho chata é verdade... não gosto de gajos que dizem/ escrevem "lol", ya, ou dizem 5 palavrões em cada 10 palavras (e olhem que eu também digo os meus, mas caramba...), ou que me dizem "eu preciso mesmo de arranjar uma namorada" ... hein??? WTF?? precisa? é para preencher cargo e não estar e aparecer sozinho?.... para mim não serve prefiro sozinha mesmo... sou chata é isso. sou chata e tenho essa noção de que não há homem no mercado, como diz a outra os homens são como os lugares de estacionamento, os bons estão ocupados e os livres que restam são para deficientes ou pessoas de mobilidade reduzida... que heiu-de fazer? e depois além disso souo chata e tenho a mania que para estar com alguém tenho de gostar da criatura, e mais dificil ainda ele tem de gostar de mim... para aquela coisa: "Todo mundo quer um chinelo velho pro seu pé cansado. Quer sossegar o rabo num relacionamento feliz e cheio de cumplicidade, de parceria, de mãos dadas no cinema, de silêncios que signifiquem enfim sós." - quero o "enfim sós" e almejar por isso durante o dia, e não fazer frete quando acontece... sou chata e esquisita, pronto.]
Hoje foi dia de ronha. De acordar, ficar na cama, acender a luz e ler um bocado, de fechar a luz e voltar a dormir. Assim sem horas nem pressas nem programas. Coisa boa, coisa muito boa. 
Agora estou aqui neste sítio em que me lembro de ter tido dos últimos momentos em que me senti quase namorada, de namoro bom, de cumplicidade brincada mesmo às nove da manhã, hora em que nesse dia vim aqui apanhar uma coisa para levar, e depois me disseram que tiveram vontade que entrasse e ficasse a namorar e a devorar essa coisa boa que se sente quando se está bem: o tempo. Agora o tempo parece não ter medida, mas também não tem pressa. Agora não há pressa de nada porque não queremos chegar a lado nenhum. Nem vontade de ter um lugar a que chegar. 
Vou tomar um café e ler mais um bocado na esplanada, afinal dizem-me rata de biblioteca, mas se calhar sou mais livro de esplanada, isso sim. E faço-o muito naturalmente (só não sei o quê... )
"Não era possível que desejasse mesmo a morte dela depois de a ter amado tão desesperadamente. Agora que ela sabia o que era o amor, recordava mil sinais de adoração que ele tinha por ela. Para ele, como na expressão francesa, ela comandava a chuva e o bom tempo. Era impossível que já não a amasse. Será que se deixa de amar um pessoa só porque se foi tratado de forma cruel?
(...)
A princípio pensava que tinha apenas de dar tempo ao tempo e que, mais cedo ou mais tarde, Walter lhe perdoaria. Confiara demais no poder que sobre ele exercia para acreditar que pudesse ter acabado para sempre. Nem todas as águas conseguiriam extinguir o fogo do amor. Ele seria fraco se a amasse e ela sentia que ele deveria amá-la. Mas agora já não tinha tanta certeza."

Somerset Maugham, in Véu Pintado

[...pois realmente acho que não há água que apague o fogo do amor, mas o que dá essa temperatura invencível ao amor é a consciência dele e a sua reciprocidade. É amar, saber que se ama realmente e muito (se é que pode haver isso de amar pouco, como se amar fosse relativo, quando afinal é um verbo tão absoluto... Mas a consciência desse absoluto é talvez isso que tento dizer aqui: a consciência dá até outra dimensão a essa ausência de relatividade, de mais ou menos, de talvez, de alternativa) e sentirmo-nos amados. E aqui digo sentirmo-nos e não sermos. Porque a realidade não é absoluta mas relativa a cada um. Se me sinto amada, na minha realidade sou amada. E se amo também o amor é pleno e forte e nenhuma água apaga esse fogo, como toda a escuridão do mundo não apaga a luz duma pequena vela (já aprendi esta...). Quando não há reciprocidade, ou quando ela não é a nossa realidade por não ser sentida, não há o poder que o amor exerce nas pessoas, e que tanta gente confunde como o poder de uma pessoa sobre a outra. Não, não é a pessoa, não é o outro, é o amor que se sente, é o que o outro nos faz sentir que nos deixa reféns, e que nos prende e tem poder sobre nós. Porque sim, o amor é egoísta, existe apenas para nos fazer sentir bem e plenos e felizes. A única particularidade do amor é fazer-nos sentir bem e plenos e felizes, através do outro, dele se sentir bem, pleno e feliz. É uma coisa egoísta que  nunca se consegue sozinho, e que  passa pelo bem estar de outro, como uma espécie de corpo condutor da nossa felicidade. Eu acho isto e penso isto assim, mas acho que ninguém entende isto. Ou muito poucos. Acham que alguém amá-los lhes dá poder sobre eles, e se não amam acho que chegam a "endeusar-se". Se amam, normalmente não percebem como são correspondidos, porque tornam o outro uma espécie de deus torto, de carne e osso, e defeitos vários, mas a quem dedicamos todas as preces não religiosas, como as atenções, os sorrisos, os beijos pequeninos e grandes, os carinhos, e as coisas que fazem a vida valer a pena. ]

"(...)
Sai dos teus sentidos, vai
até ao limite da saudade;
sê o meu corpo.

E por trás de cada coisa, arde em chamas
e que as sombras que se alastram
sejam a minha roupa.

Permite que tudo te atinja: a beleza e o terror.
Apenas tens de ir:
nada do que sintas será demasiado longe.
Não te deixes nunca separar de mim."
(...)

Rainier Maria Rilke

12 setembro 2014


"Parece estranho que alguém possa ter medo de ser feliz, que queira mudar sua vida em busca do novo, queira sucesso e alegria, mas só consiga fracasso e frustração nessa busca. Inconscientemente temos outro "eu" que não quer esse nosso sucesso. E assim, nós mesmos nos boicotamos sem saber.

São condicionamentos nossos que nos acompanham pela vida, fruto de nossa educação, do medo de fazermos algo que não é o que esperam de nós. E esses condicionamentos podem ser uma pesada herança emocional que carregamos e que nos impede de gozar a vida plenamente.

Ao buscarmos felicidade e satisfação de nossos desejos, entramos em um conflito sem nem mesmo imaginarmos que ele exista, muito menos o porquê. E criamos um verdadeiro monólogo interno que questiona nossas mudanças... "E se eu gostar? E se eu for feliz? E se der certo? Que medo!"

Em nossa zona de conforto, sentimo-nos seguros. Está tudo certo. Nossas vidas estão tranquilas, em ordem, estamos sem problemas. Mudanças trazem consigo riscos. E isso tudo nos causa angústia e ansiedade.

E se não conseguirmos vencer esse embate inconsciente, no sentido de satisfazer nossos desejos, podemos fazer com que esse medo nos paralise.

Viver é correr riscos, assumir responsabilidades e ter consciência de que não temos o controle sobre nossa vida - o que é a grande angústia do ser humano.

Todos nós temos nas mãos todas as condições para aproveitar a vida ao máximo, mas talvez prefiramos não fazê-lo, por uma espécie de medo de ser feliz. Freud já falava sobre isso, em 1916, em um artigo intitulado "Os que fracassam ao triunfar". Uma parte de nós quer mudar, quer satisfazer desejos, quer ser feliz; outra quer manter-se segura como está.

O que precisamos é descobrir esse conflito interno para modificar nossas atitudes. Somos seres com a tendência a repetir, confirmar e concretizar todas as crenças que adquirimos em família, sem questionarmos se fazer exatamente o que nossos pais e avós também fizeram é o que queremos para nós.

Vamos buscando os mesmos modelos de vida, buscando os mesmos tipos de relacionamentos por acharmos que são os certos para nós. E caímos em nossas próprias armadilhas. Não fazemos o que realmente desejamos por sentirmos culpa ou medo de certo tipo de rejeição.

Quanto antes tivermos consciência disso, maiores as possibilidades de mudar nosso rumo, assumindo o que queremos para nós, indo em busca do que nosso "eu" realmente quer para si.

Vivemos num mundo em que se dá valor a determinados "modelos" de felicidade que vemos ao nosso redor e, muitas vezes, desejamos uma tal felicidade que não é a que temos e que não está em nós.

Buscamos ser interessantes, ricos, bonitos e inteligentes como outros - um modelo que enxergamos - e esquecemos quem realmente somos e todas as nossas possibilidades.

Portanto, repensar nossas próprias posturas pode nos ajudar a interromper esse verdadeiro ciclo de autossabotagem, pois felicidade é ter coragem de viver sem medo e sem culpa."


...eis um bom exemplo do porquê de eu gostar de provérbios...
pelos vistos até os espanhóis.
Há coisas que não há maneira de nos tirarem, 
por pequenas que sejam face a outras tantas grandiosidades.
Gosto desta ideia.

...até onde posso.
Boa Noite

11 setembro 2014

[na verdade, as pontes não são para unir as margens e o tempo viu-me partir num dia de sol, pela berma fora, descalço, sem procurar mais espaço neste lugar. parti, destinado à ideia de estar só, metamorfoseei-me da invenção do amor. respirei fundo até ao fundo de mim e cuspi fogo. escrevi uma curta crónica sobre o meu corpo e apaguei-a depois. talvez por medo, talvez por estar em branco como as insónias que me dizem o que não quero ler. torna-se tudo tão nítido de noite. as sombras, o vento, o choro. não quero que a memória me traia, mas penso que me demorei nos gestos e agora já não sou daqui. sou um outro animal desconhecido e conto o agora através dos dedos dos pés, à espera que a luz se apague de vez. não quero reconhecer a escravidão dos dias, já não trato o tempo por tu. era preciso uma ilha. trinta de junho. era preciso não saber nadar. respirei fundo e cuspi uma onda de mar. o silêncio está a meio da vida e pouco resta do meu nome. deixei a porta aberta. no fim do azul a chuva cairá.]

Eu devo ser mesmo uma gaja todo-o-terreno, com saltos de quinze cms a subir a montes de entulho das obras... devo ser isso e meia maluca, mas isso não é novidade, e o certo é que nunca os saltos me impediram de fazer nada. Nem andar no meio do mato, nem no meio de calhaus. Em última instância descalça-se se se puder. E vai daí olhei para aquilo e disse, bom, não vou ficar aqui e não ver  que tenho para ver, né? e pronto, calças de ganga e saltos de 15 cms passearam pelo entulho e transpuseram o obstáculo. Missão cumprida. Gosto disso nas mulheres - gosto disso em mim, porque tenho coisas em mim de que gosto, certo é que mais ninguém as aprecia, mas paciência, nem tudo em mim é mau, e isso eu sei, por muito que às vezes não o valorize - de saberem andar de saltos onde não seria suposto, e de saberem andar de sabrinas em qualquer lado. E não é o que se veste, é o espírito que se incorpora, porque o que está por fora tem de combinar com o que se traz vestido por dentro, de alguma maneira tem de estar afinado, ou soará a falso. Gosto da simplicidade de um fim de semana que combina com calças de ganga e t-shirt, com umas sabrinas, óculos de sol e cabelo revolto; e - pode até ser no mesmo dia- gosto de vestidos de jantar justos e femininos, principalmente se nao for para sermos nós a despi-los... Até gosto daqueles vestidos de executiva, que dão a algumas mulheres aquele ar meio distante e inalcançável, mas algo apetecível, e eu gosto de ver embora eu nunca tenha esse ar. Até tenho especial apreço pelas mulheres, senhoras de saltos bem usados, que sabem descer do salto e retomá-lo com elegância, e isso é raro de ver, muito raro. De saberem sentar-se numa tasca ou num restaurante premiado com estrelas michelin. De saberem dizer não com inteligência e graça, e de saberem encostar alguém à parede com toda a vontade de sim e sem falsos pudores.
Eu tenho muito poucas destas qualidades que gosto, mas sei reconhecê-las quando as vejo.
Gosto de gente que sente e sabe sentir, e estar.
Porque saber estar é também saber respeitar os outros, essencialmente isso, tal como se atentarmos bem ao principio básico que fundamenta as regras de educação - respeito e consideração pelos outros, e isso tem a ver com como se sente os outros e nós em relação aos outros.

Bom Dia
...hoje estou assim, mesmo que não se veja.
Acho que nem os totós me faltam...

Boa Noite
Quando se gosta, gosta-se, mesmo que haja muita coisa de que não se gosta no outro. Nunca há alternativa quando se gosta. Tenta-se tudo sempre. Como já disse e escrevi várias vezes, gostar do que alguém tem, das suas qualidades e como nos faz sentir, não é gostar dessa pessoa. Mas pode-se gostar estupidamente de quem não tenha o que gostamos, o que queríamos, o que nos faz sentir confortáveis, simplesmente gostamos, sem razão alguma. Estupidamente, mesmo sem conseguir fechar os olhos ao que não gostamos. Aliás, só assim se gosta verdadeiramente: com os olhos abertos para o pior do outro e ainda assim o amor ser maior que isso. A este gostar não há alternativa, não se consegue escolher desistir, a não ser - e só para algumas pessoas, não todas - quando percebemos a certeza de que esse alguém não gosta de nós, de que não somos amados, e que o amor vive de reciprocidade e aquece-se do que sentimos através do outro acerca de nós, do mundo, da vida, e dele mesmo. 
E eu quero amar e ser amada. Ainda que ame menos do que o amei. Quero sentir-me amada e fazer alguém sentir-se amado, devolvendo-lhe o melhor de mim que me dá, que me dá o amor que é dos dois. Só assim. Não quero quem não me queira. Duvido que se possa ser feliz sem se sentir amado, ainda que ame. Aliás, olho para algumas pessoas e tenho essa certeza, não são felizes como gostariam, como poderiam ser, porque amam mas não são amados por quem amam. Eu não quero isso para mim. O amor assim só sobrevive e forçado, não vive nem respira profundamente. Sem "nós" não há amor, há amar alguém até que alguém nos ame. 

10 setembro 2014

    Han han... Já nem peço um gajo tão bonzinho (e tonto, vá) basta um que ache que não é assim tão mau e que as coisas boas são mesmo boas... (Pois tem de ser mesmo muito tonto, pronto, 'tá bem. Seja)
sim... há coisas que não têm solução...
não têm conserto, é andar para a frente...
...há tanta fila que anda, um dia a minha também há-de andar!!
E alguém ver brilho em mim, e calor, e essas coisas e ajudar à festa, ter vontade de melhorar a luz, o calor, por-me uma gargalhada no riso, a mão na minha, deixar-me encostar e descansar, dar-me mimo e deixar-me dar todo o que trago em atraso... e já é tanto...
Estou tão desconsolada hoje... nem sei porquê, será do tempo, ou do pouco que entendo das pessoas, da vida, e pior, da minha vida... 
queria trocá-la por outra.

Bom Dia