Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

31 janeiro 2013

adormecer assim
seria dormir descansada,
dormir quente, mimada e aconchegada.
precisava.
Boa Noite


...sobre o "meu" nós...
o único que existe...

poisssss..
 e é disso que preciso, de paz, muita pazzzzz...
bahhhh

[foto de Harry Benson]
Apetecia-me esta urgência,
esta vontade quase violenta,
esta proximidade que ferve na distância apagada.
 ...apetecia-me, mas o que me apetece não interessa nada...

29 janeiro 2013

Boa Noite

[porque só no silêncio duas almas falam, só no silêncio se dão e respiram fora do mundo, 
para se encaixarem juntas nele]


"O que é pra ser, acha caminho.
Pula o muro.
Atravessa a cidade.
Telefona.
Sai da nuvem, da imaginação.
Cola no chão, no rosto, nas mãos.
O que é pra ser não angustia, porque sabe que vai ser, porque sabe que é vontade que faz acontecer.
O que é pra ser, constrói vias.
Propõem trilhas, escapadas.
Encontra a coragem, despistas as reticências e vai.
Destemido, vai.
Vai ser.
Vai ser, porque tem que ser.
Vai ser porque verdadeiramente é."

Ludi


(não conheço este autor mas adorei este poema)

Bom Dia!!! 

27 janeiro 2013

Hoje de manhã, na ronha, peguei no livro que andava a ler e acabei-o. Este livro custou-me entrar nele, ao início não foi fácil, depois, não sei quando, nem como, ganhou-me. Tanto que passagens que gostei, que me fizeram pensar por momentos, para logo depois me embrenhar de novo nas palavras, não foram marcadas como costume, de modo que andei agora para trás e para a frente à procura de algumas que me lembrava. É um livro sombrio que nos revela também o lado sombrio do ser humano, e que vemos em tanto lado disfarçado, não assumido, até sinceramente mentido porque não é aceitável, mas no meio do fim mundo, onde tudo é selvagem, também os seres se tornam menos humanos, ou menos diplomaticamente humanos, como os queremos. Por muito bem que falem, por muito eloquentes que sejam, o seu lado sombrio revela-se quando ninguém, daqueles que se consideram seres humanos evoluídos, está a ver. É isto, é mergulhar no ser humano com tudo de putrefacto e até violento (ainda que não haja violência física alguma no livro) todos temos e não assumimos. O instinto talvez? no seu lado mais puro, mais em bruto? Talvez...

"A terra parecia não ser deste mundo. Estamos habituados a ver a forma agrilhoada de um monstro vencido, mas ali... ali víamos uma coisa monstruosa e livre. Era sobrenatural, e os homens eram... Não, não eram inumanos. Compreendem, isso era o pior de tudo, essa suspeita de que eles não eram inumanos. Tomávamos lentamente consciência dela. Eles urravam e saltavam e giravam, e faziam caretas horrorosas; mas o que nos emocionava era precisamente o pensamento da sua humanidade - como a nossa -, o pensamento do nosso remoto parentesco com aquele tumulto selvagem e desenfreado. Hediondo. Sim, era de facto hediondo; mas quem é suficientemente homem não pode deixar de admitir, para consigo mesmo, uma leva reacção, ainda que muito ténue, à terrível franqueza daquele ruído, uma vaga suspeita da existência nele, de um significado que nós - nós, tão distantes da noite dos primeiros tempos - podíamos compreender. E porque não? A mente do homem é capaz de tudo: porque ela contém tudo, todo o passado, assim como todo o futuro. O que havia ali, afinal? Alegria, medo, mágoa, afecto, valentia, raiva - quem poderia sabê-lo?-, mas havia certamente verdade, sim, havia verdade despida do manto do tempo."

Joseph Conrad, in O Coração das Trevas

(afinal é só um trecho, que estou preguiçosa...)
...que isto tem estado difícil...
muito difícil...


Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura.

Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa.

Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.

Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.

(...)

José Carlos Ary dos Santos
Boa Noite



26 janeiro 2013


Perdi as palavras, perdi-as de mim, perdidas que andam em mim, às voltas, sem saber como, ou por onde, ou por que, sair donde não as encontro. Perdi o rumo das palavras, o rumo a dar-lhes, e a tomar. Parece-me que perdi tudo. De repente, é o que sinto. Que nada resta. E igualmente de repente, nada mudou, tudo está igual, no mesmo sítio, onde nunca houve nada.
"Não era raiva. Era marca de dor."
Adélia Prado
Há dias em que sinto cada osso do esqueleto da minha solidão. Nestes dias não quero ninguém a não ser eu e esses ossos num sítio em que todos possamos respirar e vir melhor. E eu ia a caminho, mas palavras amargas meteram-se no caminho, e a vontade fugiu, refugiando-se na desculpa para mim mesma que a gasolina está cara, que o mar continuará lá para me deixar respirar e encher de força noutro dia. Perdi a vontade de ter força, mais vale cair. Dá menos trabalho.

25 janeiro 2013



"O tempo não cura tudo. 
Aliás, o tempo não cura nada, 
o tempo apenas tira o incurável do centro das atenções."

Martha Medeiros

Vivi em ti durante todo este tempo – agora, que eu 
parto, com quem te pareces tu, verdadeiramente? Será que 
existes, ou inventei-te dos pés à cabeça?

Virginia Wolf

(faria hoje anos)
Bom Dia!!
...que fofinha!!!...
eehheheheh

Boa Noite

24 janeiro 2013



‎"Sou mestre na arte de falar em silêncio.
Toda a minha vida falei calando-me e vivi em mim mesmo tragédias inteiras sem pronunciar uma palavra..."
Fiódor Dostoiévski

[e quando a alma se presta a quebrar, o meu falar quebra o silêncio em busca de respostas, mas cala-se a resposta na tragédia do silêncio que me oferecem. as almas que não quebram, que nunca quebraram, não entendem que uma alma a quebrar faz muito barulho, ainda que não oiça quem nunca sentiu esse estrondo rebentar por dentro e forçar todas as nossas costuras com o mundo.]

Boa Noite

23 janeiro 2013


Não entendo os silêncios
que tu fazes
nem aquilo que espreitas
só comigo

Se escondes a imagem
e a palavra
e adivinhas aquilo
que não digo

Se te calas
eu oiço e eu invento
Se tu foges
eu sei não te persigo

Estendo-te as mãos
dou-te a minha alma
e continuo a querer
ficar contigo


Maria Teresa Horta

[é isto... é tão isto...]
...acabei de ter uma boa reunião com um mocinho de olhos azuis-acinzentados... 
vá lá, vá láç.. para o que tenho visto, a reunião até que não foi desagradável de todo...
pena que eu goste muito mais de olhos escuros... aiiiiiiii 
(mas não nego à partida uma ciência que desconheço ihihihihi...
isto hoje está assim, não se aproveita nadinha do que publico aqui no estaminé...eheheh)

Esta moça anda-me a dar nos nervos...anda, anda!!
Tanto que é raríssimo vir com trapos aqui para o estaminé, mas como me deparei com isto, e ainda por cima com a protagonista reincidente agarrada aquele charme que dá nervos... não resisti.
É a segunda vez que a vejo com um vestido que adoro, e eu sou esquisita... não vale qualquer coisa. É simples, detesto árvores de natal e exuberâncias, tem um corte perfeito, justo e cheio de classe.
Ainda por cima usa-o como acho bonito e eu usaria, sem pulseiras, e como se quer num cai-cai: de colo nu, sem colares, sem nada, só pele, é como gosto. 
Para acabar comigo ainda anda sempre atrelada àquele acessório que a abraça pela cintura... esta moça anda-me a dar nos nervos, anda, anda... não sei se já disse isto... mas pronto!

...a chuva não pára!!
...então, dança-se à chuva!!
Bom Dia.

19 janeiro 2013

(a distância medida será a mesma de ti a mim, de mim a ti, mas o que custa a mim e a ti não usa a mesma medida. Está longe de ser o mesmo o peso da tua distância da minha.) 

...atrevido, hein???
(e estes é que têm piada, para mal dos nossos pecados...)
Boa Noite

16 janeiro 2013



"A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa.

E é na não-escuta que ele termina.
Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção."

Rubem Alves



[há muito pouca gente a prestar atenção hoje em dia, a ouvir o outro ainda menos. vim a pensar numa série de coisas a caminho do trabalho e cheguei a uma ideia que nunca me tinha ocorrido, acho que a relação que eu gostava de ter era com alguém cuja sinceridade na resposta a qualquer pergunta nunca me conseguiria magoar. Foi o que me lembrei, porque há tempos hesitei numa resposta e parece-me que pensaste que era porque não te queria magoar, mas não é verdade. Percebi que deve haver muito poucas perguntas a que eu respondendo com a sinceridade mais pura, te dê motivos de mágoa, e era isso que queria para mim. A hesitação era mesmo porque a pergunta era difícil, porque a resposta é ambígua, algo antagónica e nem eu percebo muito bem. Eu gosto de gostar assim, não queria outra pessoa ao pé de mim, não queria outro colo, porque gosto, e quero, o que sinto, só quero é mais. Adorava poder contar com alguém ao pé de mim, alguém que me escutasse quando preciso falar, alguém que me obrigasse a falar quando calar magoa, alguém que me quisesse, e que fosse menos complicado. Alguém que mesmo quando, sem querer, me tratasse menos bem, não me magoasse tanto. Alguém que gostasse de mim... assim, podendo responder a qualquer coisa com a verdade rasa e isso não me regasse as mágoas que tenho em mim. Era isto. Não devia ser difícil.]
Quentes e reconfortantes, que despertem para fazer aproveitar o dia....
não que escaldem...isso dispenso, obrigado.
Bom Dia

14 janeiro 2013

Precisava duma limpeza de pele, de fazer as mãos e os pés, de arranjar as sobrancelhas, precisava duma massagem de corpo inteiro, e dum bom corte de cabelo...resumindo, precisava dum spa... mas a única coisa que vou ter é um "spé na bunda"...que também é bom, não faz bem à pele, que não faz, dá olheiras e afins, mas não faz mal à carteira, e sempre dá impulso para a frente. 
Há que aproveitar, com a crise é o que temos...
aproveita-se tudo...
bahhhh

... e hoje, a caminho do trabalho, a rádio deu-me esta de presente. Aumentei o volume e lá fui eu a fazer figura de parva para quem quisesse ver (como de costume, aliás, em tudo)...
...mas meninas, não se enganem, não está nada no beijo, está sim no beijo, no olhar, no toque, em como nos tratam e nos querem... está nas atitudes... o resto, o resto, é só música para abanar o esqueleto com vontade.
Se bem que um bom beijo carregado do que se sente, ou parece que sentem, parece baralhar tudo, mas há que manter os pés no chão e tentar pôr as ideias no sítio, e isto é, arrumadas...
...não nos enganemos...
Bom Dia!!

11 janeiro 2013

hummmmmm???



O Amor é...O amor é o início. O amor é o meio. O amor é o fim. O amor faz-te pensar, faz-te sofrer, faz-te agarrar o tempo, faz-te esquecer o tempo. O amor obriga-te a escolher, a separar, a rejeitar. O amor castiga-te. O amor compensa-te. O amor é um prémio e um castigo. O amor fere-te, o amor salva-te, o amor é um farol e um naufrágio. O amor é alegria. O amor é tristeza. É ciúme, orgasmo, êxtase. O nós, o outro, a ciência da vida. 
O amor é um pássaro. Uma armadilha. Uma fraqueza e uma força. 
O amor é uma inquietação, uma esperança, uma certeza, uma dúvida. O amor dá-te asas, o amor derruba-te, o amor assusta-te, o amor promete-te, o amor vinga-te, o amor faz-te feliz. 
O amor é um caos, o amor é uma ordem. O amor é um mágico. E um palhaço. E uma criança. O amor é um prisioneiro. E um guarda. 
Uma sentença. O amor é um guerrilheiro. O amor comanda-te. O amor ordena-te. O amor rouba-te. O amor mata-te. 
O amor lembra-te. O amor esquece-te. O amor respira-te. O amor sufoca-te. O amor é um sucesso. E um fracasso. Uma obsessão. Uma doença. O rasto de um cometa. Um buraco negro. Uma estrela. Um dia azul. Um dia de paz. 
O amor é um pobre. Um pedinte. O amor é um rico. Um hipócrita, um santo. Um herói e um débil. O amor é um nome. É um corpo. Uma luz. Uma cruz. Uma dor. Uma cor. É a pele de um sorriso. 

Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum' 
[o amor é tudo o que virmos nele, por causa dele, é o que fizermos com ele, o que fizermos dele. se não fizermos nada, não é nada. se fizermos tudo o que pudermos, o amor é tudo. ]
Boa Noite

10 janeiro 2013

...nem mais!!


Éramos uma invenção tão boa

Eles amputaram 
As tuas coxas das minhas ancas. 
Tanto quanto sei 

São todos cirurgiões. Todos eles.

Eles desmantelaram-nos
Um ao outro
Tanto quanto sei
São todos engenheiros. Todos eles.

Que pena. Éramos uma invenção
Tão boa e tão amável.
Um aeroplano feito de um homem e de uma mulher.
Com asas e tudo.
Pairávamos ligeiramente por cima da terra.

Até voávamos um pouco.

Yehuda Amichai


[uma invenção tão boa... até voávamos um pouco. num mundo tão rasteirinho os nossos vôos sabiam a nuvens doces. As nossas asas, as minhas coxas nas tuas ancas, agora ando apenas coxa, tão coxa de ti.]
oh jezuzzz
oh jezzzuzzzz
ohhhhh JAZZUZZZZZ!!!!
vou só ali acalmar os olhos, e já volto!!!
Bom dia!!
eheheheh

09 janeiro 2013

Boa Noite


"Dai-nos, meu Deus, um pequeno absurdo quotidiano que seja,
que o absurdo, mesmo em curtas doses,
defende da melancolia e nós somos tão propensos a ela!

(...)
Garanti-nos, meu Deus, um pequeno absurdo cada dia.
Um pequeno absurdo às vezes chega para salvar."

Alexandre O’Neill

08 janeiro 2013

Boa Noite



Ouço-te ciciar amo-te pela primeira vez, e na ténue luminosidade que se recolhe ao horizonte acaba o corpo.
Recolho o mel, guardo a alegria, e digo baixinho: Apaga as estrelas, vem dormir comigo no esplendor da noite do mundo que nos foge.

Al Berto


[anda, vem dormir comigo, deixa-me aninhar o meu corpo no horizonte longínquo do teu, mas deixa acesas as estrelas para que sempre saibas o caminho de volta aos meus olhos depois de fugires com o mundo que cala o amo-te da tua boca, e que o enterra nas estrelas que te devolvem ao sonho]
Aaaaiiiiiiiiii...
até com esse ar de intelectual, Clive, querido, eu te despenteava as ideias...
a mim podias-me despentear à vontade...
ahhhhhh... onde é que andam as prateleiras destes artigos???
alguém me diz???