Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

14 fevereiro 2014


Eu já sabia o que ia fazer hoje. 
Ia enviar-me fotografada a retalhos... um ombro, a linha do pescoço, a curva da anca, a sobrancelha, aquela curva que segue o contorno onde as costas mudam de nome, as pernas e a boca em beijo... Ia mandar-lhe de quando em quando, pelo telemóvel, pedaços de mim, a preto e branco - sempre a nostalgia melancólica do preto e branco - ia sorrir enquanto o fazia, ia imaginar o momento quando chegasse ao destino e fosse aberto. Ia salpicar o dia assim, de coisas que esperava que gostasses... e que te fizesse esse sorriso lindo e malandro. 
Não fiz, não foi este ano, mas farei ao que for meu próximo namorado. Enviar-me-ei em retalhos fotográficos, a conta gotas, durante o dia, para me dar-lhe inteira ao fim do dia quando lhe cair nos braços à espera que a vontade de me abraçar cada bocadinho daqueles de mim seja tão grande, tão boa e tão doce como aquela que sinto agora por quem nada sente. 
Bem sei que sou tonta, que se calhar não arranjarei um tonto que goste destas tontices, que ache tontices parvas, que diga que não liga ao dia - e eu também não ligo, mas às vezes dá-me desculpa para fazer umas tontices mais tontas (este dia, ou aniversários, ou datas que me marcam por alguma razão, ou só porque me apetece, pronto)... Porque a vontade de abraçar, e querer ser abraçada em cada pormenor, em cada riso e sorriso, ao fim do dia, isso - felizmente, ou não tão felizmente - tenho-a todos os dias. É essa a minha prenda de enamorada todos os dias, o dia do bêbado do cúpido só me dá asas para coisas mais parvas e que não se encontram em lojas.
Dou por mim a pensar, a projectar o fim do dia... quando, finalmente sozinhos, enroscados um no outro em frente à lareira íamos murmurar parvoíces e rir enquanto nos contássemos a tontice do dia na primeira pessoa de cada um. Onde estava quando viu a primeira foto, o que pensou, o que pensei... enfim aquelas coisas parvas que me fazem estar a sorrir feita estúpida agora, antes de fechar a janela do blogger e voltar à vida e à casa vazia, à lareira sem calor junto, aos meus dias e à minha realidade. 
Enfim... um dia a vida acontece. Acontece-me. Um dia. 

P.S. - os telemóveis são um potente aliado do namoro desavergonhado, desde fotos a trocar, a mensagens a trocar para lá de malandras e nos limites da decência de cada um (e cada um tem os seus, e nós tinhamo-los parecidos)...revela-se uma grande invenção se bem aproveitada... foi o que também conclui quando me lembrei de fazer isto... aproveitem!
P.S. 2 - curiosamente nunca penso ou imagino que alguém me pudesse fazer a mim uma tontice deste género, ou doutro, uma brincadeira qualquer... e nunca ninguém (mentira, acho que uma percebeu pelo embrulho brincadeira do meu dia de anos...) percebeu que prendas não me fazem nascer o sorriso de dentro que só me sai pelos olhos. Sou esquisita, ou exigente demais, se calhar.
...eu acho que isto é MESMO assim...
...é lindo, mesmo...
se for assim.


"Houve um ano em que entendi o que é olhares para alguém todos os dias e pensares “eu era capaz de olhar para estes olhos todos os dias da minha vida”. E, ao pensá-lo, isso te preencher de tal forma que a única coisa que te importa é fazer por isso,(...)"

Escrito pelo Menino (bem sei que ando a abusar, sempre a roubar o moço, mas que fazer, quem o manda escrever estas coisas?) e a lembrar-me - a sentir, a reviver - que já me disseram exactamente isto, mas nunca fizeram isso... 
...por isso...
...Só me ocorre dizer asneiras... porra!! $%&@#?&%@#$
...ahhhhh... e mais uma coisinha: QUEM RAIO ANDAR A EMBEBEDAR O MEU CUPIDO HÁ ANOS PARE COM ESSA MERDA SEFAXAVOR!!!, DESINTOXIQUEM O GAJO À FORÇA , AFINEM-LHE A PONTARIA E DÊEM-LHE UNS ÓCULOS, QUE EU 'TOU FARTA DESTA MERDA, SIM??
Agradecida. 
Fico à espera. Sentada para não me cansar, já sei... bahhhhhh

12 fevereiro 2014


"(...) E houve um ano em que entendi que podes levar as pessoas onde quiseres mas não lhes podes pôr amor dentro. Que há, mais que um cansaço, uma atitude existencial por dentro que não consegues tirar com mais mimos ou mais spas que lhe atires contra. Houve um ano em que entendi que há cansaços que não são desculpa para nada e são desculpa para tudo. Houve um ano em que entendi que há cansaços que, no alfabeto de alguém, são anagramas para falta de amor.

Houve um ano em que compreendi pela negativa que o resultado pode ser ortogonal ao esforço. Por mais que faças, não consegues que entendam ou apreciem porque o fazes, ou, mesmo que entendam isso, não interessa nada, porque não te correspondem, acham que não precisam de te corresponder.

Houve um ano em que entendi que as palavras não significam nada. Quem há quem diga amor e ache que isso quer dizer conforto, ou estabilidade, ou acomodamento. Houve um ano em que entendi que um bilhete de avião para ir a Londres on Valentine’s Day ter com alguém não significa nada senão uma oportunidade de passear, e que é possível chegar ao fim do dia cansada e a querer dormir porque no dia seguinte te vais querer levantar cedo para ir às compras. (...)"


Coisas do Menino...

Quanto a mim, houve um ano em que percebi o que é ter-me enganado tantos anos acerca do que é ser amada, porque nunca fui. Um ano em que o dia de S. Valentim me lembra que todos se empolgam por assinalar um dia com grandes coisas, que eu só queria comemorar todos os dias com pequenas coisas, mas que nem vontade para isso agora tenho. Não quero nada. E que, na verdade, é o que tenho: nada. 
É o ano em que recuo à minha adolescência para me lembrar dum beijo a meio dumas escadas enquanto chovia, para depois correr de mão dada e sorriso aberto até ao abrigo mais próximo e aí, acabar  a seco, o beijo molhado e prolongado e colado como todos os primeiros beijos devem ser. Lembro-me dessa paixão que me queimou e me doeu e me matou e me refez, sem nunca se calhar me ter completamente refeito, e que não me deu nada - nem de perto-, do que o amor que dei e senti nos últimos anos, que era Amor, mas era um Amor apaixonado muito doce, muito bom e muito completo, que me fazia sentir inteira e completa.  Lembro-me duma surpresa que fiz, dumas fotografias que tirei para à distância dizer que estava aqui, e que era ainda tua, como sempre. Lembro-me de saber que tudo isso deitaste ao lixo, sem complacência. Lembro-me de pensar há algum tempo que tolice iria eu fazer este ano para te pôr um sorriso nos lábios, que apesar de tudo, quero sempre provocar e regalar-me só a imaginá-lo. Lembro-me como sou triste na minha estupidez tão alegre... lembro-me que tudo é, invariavelmente, um desperdício de vontade e tempo. E que desisti. Lembro-me que desisti e tenho de mo relembrar de tempos a tempos. Desisti.
Lembro-me este ano - principalmente este ano - que tudo acaba e que os dias não são nada. E que não gosto deste dia que aí vem de S. Valentim, lembra-me que as minhas paixões acabam mal e que o Amor não é para mim. 

09 fevereiro 2014

Sabedoria de filme de Domingo (muito) chuvoso à tarde: 
"nunca saberás o que é o amor se não te renderes completamente a ele."
...e esta da banda sonora ficou-me no ouvido...
mais esta (a última do filme):


...can't...

Boa noite...

07 fevereiro 2014

fico só, sabendo
que todos os objectos têm a
forma do teu corpo, e
todos os sons se reconduzem
à tua voz. não deambulo
pela casa – excessiva de ti – fujo-lhe
na ausência de movimento e
no desejo de ficar absolutamente
só. lembro-me de como não gostas
de me ver chorar.

valter hugo mãe

Boa Noite
...hum hum...
...e de que maneira!!!

06 fevereiro 2014


Iupiiii!!!! Ye ye ye!!!!
Consegui!!!
Lá lá lá...
(as vezes não sou tao burra como pareço... Estou contente eh eh)
... Já tenho signo!!
Sou Sagitário, está visto!!
Só pode!!

...com raiva, sim.
Talvez...
Nunca experimentei.
Talvez experimente um dia destes, 
com raiva de ti, mas não contigo...
(sim, irritou-me, deu-me raiva, nunca é comigo. nada.)

Boa Noite


04 fevereiro 2014

"(...) Aqui, a olhar para ti, os teus ombros, os teus pés, as tuas mãos.
A ti que te amo porque me olhas nos olhos e és da minha altura. A ti que te amo porque quando damos as mãos é como iguais e a tua mão busca a minha tantas vezes como procuro a tua. A ti que te amo por milhares de razões minúsculas que somadas são maiores que o mundo. 
A ti, que sei que te amo por este facto tão simples que é saber que me apetece ser velho ao teu lado.
E quando te olho adormecida és ao mesmo tempo tudo o que és, princesa e loba, demónio e anjo, senhora dos meus castelos, guerreira indomável e sempre menina em meus braços.
(Murmuro em silêncio palavras antigas que nunca me ouviste, e falo a coisas antigas dos meus braços à tua volta, meu coração atado ao teu, amar-te, honrar-te, proteger-te do mal.) 
É aqui, a olhar para ti, que percebo que a minha respiração se acertou pela tua.
E dou por mim a pensar que nunca ergueria por ti um Taj Mahal. O meu amor, não quero que o recordem, mas sim que o sintas e que o saibas. Noite a noite, dia a dia, beijo a beijo, mão na mão."

Perfeito para dizer o que penso, o que sinto, o que gostaria de saber dizer assim. Como amo e como gostava que me amassem.

Boa Noite

01 fevereiro 2014


"Não é preciso mais desculpas. Há que encarar os factos. Chega o dia em que o amor acaba. Finito. The end. E essa sim, é a verdadeira razão para o término das relações. Não é por surgir alguém mais interessante, por irmos viver para outra cidade a km de distância, nem tão pouco por querermos estar sozinhos nesta nova etapa da vida. Todas estas desculpas que damos a nós próprios - estejamos nós em que papel estivermos na relação que agora finda - são apenas uma, ou várias, das muitas desculpas para a verdadeira realidade - a morte do amor. Talvez porque o amor seja um saldo que se esgote, talvez porque as relações necessitem de um esforço mútuo contínuo, talvez porque as pessoas por quem nos apaixonamos - ou a imagem que construímos delas - acabam um dia por morrer. E com elas, o amor. 
Não ocorre de um dia para o outro, não. Também ninguém se apaixona de um momento para o outro. O desejo sim, nem sempre; a mim excitam-me as pessoas inteligentes, por isso talvez goste de pessoas caladas. E com óculos, mas isso talvez seja por querer que me vejam melhor. Também o amor quando morre vai desfalecendo, um sufoco imperceptível, sou eu que não quero perceber os sinais - já não me olha nos olhos quando diz que me ama, agora já nem diz, o sexo tornou-se numa actividade mecânica, marcada pelo compasso do relógio à espera que algo aconteça como que por milagre, a cumplicidade deixa de existir nos pequenos gestos, há quanto tempo não me deixas escrito um bilhete dentro da minha pasta?
O amor morre. Não tenhamos medo, não arranjemos mais desculpas para o nosso fracasso, o excesso de trabalho, o nascimento dos filhos, a boazona do decote pronunciado, o colega carente e mal fodido.
Foram precisos... dez? dez anos para meter na cabeça que o amor acaba. Finalmente posso terminar aquele dia de Setembro (ou foi Agosto?) - talvez antes até, eu estava de manga curta, sem mangas, sem roupa, sem ti, o meu mundo tinha acabado e eu tinha tido o meu primeiro grande desgosto de amor. Hoje, volto a casa, a outra casa, nunca conhecerás esta casa. Deito-me na cama, sei que me deixaste de amar. Apago a luz e sei que já nada disso me importa."


Pergunto-me como se recuperam dez anos que se demoram a perceber o que não quisemos perceber logo, mas estava já percebido. Há tempo demais na constatação das coisas mais óbvias - aliás acho que, quando doem, quanto mais óbvias mais se demora, para tentar adiar o que na verdade já foi. Tentar ver um futuro  diferente no que já é passado. Só o recomeço se adia, mais nada.