Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

30 junho 2013

Cheers... darling!!
cheers...
(gosto muito deste Damien Rice, gosto,
esta não é a melhor dele mas tem um espírito, uma sonoridade, que se cola a mim muitas vezes.)

28 junho 2013

27 junho 2013

Sentada num cadeirão aquecida por um manto de estrelas, sem estar de lua, só a gozar o calor das noites quentes... É bom. Ainda há coisas boas. Podia adormecer aqui de tão cansada, embalada pelos barulhos da cidade. Pode-se querer muito mais, eu queria só o que me falta aqui para me enroscar melhor neste silêncio e despir a solidão. Ainda assim, hoje e mundo está mais calmo, ou eu mais calma com ele. Uma leve brisa refresca-me o sorriso solto, e uma janela com luz, mesmo ao lado, traz memórias pela mão. Tento não pensar o quanto sou estúpida e lembrar-me que os estúpidos são sempre tão mais felizes, esses e os que só vêem o que querem. Fecho os olhos. Boa noite.
E com o dia a acabar, resto eu, resto-me eu, e não resta nada. Ou não vejo o que possa restar. Fico-me aqui a pensar em tudo, o que queria, o que gostava, o que nao queria ter de lidar, ao que não consigo escapar e me escapa. Não sei o que dizem os meus olhos, mas acho que deixaram de saber lê-los, de saber ver neles o que eles sempre disseram e dizem, mesmo que debaixo de tanta mágoa, preocupação, e vida embrulhada em nós vários. Aqui onde olho para o lado e ainda te sinto, ainda te vejo, te oiço, te cheiro quase, quase tudo pareceria mais fácil se um dos nós se tivesse desembrulhado e fossemos nós aqui juntos, e eu não estivesse a escrever isto, e tu me estivesses a ler nos olhos o que sempre disseram e dizem e já não lês. Nós, que queria e precisava. Não tenho. Então escrevo.

26 junho 2013

E quando se pensava que havia alguns assuntos chatos resolvidos e encerrados, mesmo que temporariamente... Eis que nos espetam pela cabeça abaixo o belo do balde de água gelada... Que com este calor até podia saber bem, mas não é o caso, não é mesmo, o caso. Que bela vida esta, só vos digo... É também nestas alturas que muito me falta alguém que me ouça ao fim do dia e me dê colo enquanto se conversa da vida. Não resolve, mas ajuda, e isso ajuda a resolver, e a ter forças para o que se resolve. Portanto tudo cada vez mais maravilhoso...

25 junho 2013

Mesmo sem dentinhos... 
assim é o Amor...
desdentado...


Olhámo-nos.
Eu olhei e senti que me olhava.
Dificil de resistir aquele olhar..
Uma delícia difícil de resistir...
Não resisti.
Comemo-nos.
Tinha de ser.
Mas não ali...
O peso da culpa...
não devia, sei que não devia......
Mas mandei partir em três e embrulhar, aquela delícia havia de cair bem com o café a todas as três, e pelo mesmo preço, adoçava três bocas... menos culpa!!
E estava uma delícia!!!!!
Ahhhh se estava!!!!... quem resiste a massa folhada com doces de ovos???
Eu não!!!
Há coisas que, simplesmente, olhamos e (se pudermos) temos mesmo de comer... que fazer?

(ehehehehe)

Bom Dia!!

22 junho 2013

Há dias em que me apetece esconder, esconder de mim mesma, como que para não pensar, para não me ver por dentro, com todas as barbaridades que me roem as estruturas. Hoje apetecia-me enfiar debaixo duma pedra qualquer, onde nao pudesse ver o brilho dos outros, onde não percebesse o brilho que me falta, onde não me fizesse falta o orgulho de alguém em mim, onde não me fizesse falta o não me ver brilho nenhum para se orgulharem. E queria nao saber que para nos orgulharmos de alguém, mais do que o que é realmente feito, o orgulho é só porque se gosta, e por mais nada. Quando se gosta o acto mais vulgar pode ser o orgulho vivo  de quem gosta, como o orgulho que se sente por observar o outro no dia a dia, só e tão simplesmente isto, e gostar do que vê, da maneira como fala e trata os outros, da maneira como faz rir e se safa sorrateiro, cheio de golpes de charme e de sorriso nos lábios, de problemas menores. Queria não pensar, queria não ver, queria não ser, porque penso demais, vejo muito pouco e não sou nada.
(e ainda antes de acabar de escrever isto mais uma noticia triste, enfim, que seja tudo duma vez e depois apanhe outra maré de mais sorte e mais feliz. Aguenta-te)
Leio, releio e volto a ler, para ver se vejo o que não vi. Cada vez dói mais, cada vez vejo mais o que vejo, cada vez me deixa menos espaço para respirar. Esmaga-me o peito por dentro como se toneladas eu tivesse em cima do meu cada vez mais frágil esqueleto. Dói, dói muito, dói demais e já nao sei o que fazer a tanta dor, onde arrumar tanta magoa, como esquecer tanto engano a costurar-me o passado. Quero sossegar. Mas há sossegos que só sossegam na companhia que nos sossega a vida e o olhar sobre a vida. A nossa companhia certa.

21 junho 2013

c u r i o s i t y:  innocence killed - check
o v e r t h i n k i n g:  happiness killed - check
i n s e c u r i t i e s :  self esteem killed - check check check!!
l i e s:  trust killed - CHECK!!
stereotypes - not yet
judgements : in construction...



...exactamente...
-...Próximo, se faz favor!!!
ehehehheh

Bom Dia!

19 junho 2013


Como hoje...
O tempo não cura nada: pode anestesiar a dor por habituação, 
pode tirar essa for do centro da nossa vida, mas não cura nada. 
Nada. 

18 junho 2013



Desejei-te ontem, de mais, e hoje também. Todos os dias são o mesmo dia quando te desejo assim. Só penso em ti. És inigualável. De olhos fechados consigo encontrar-te noutros corpos, mas só o teu amo de olhos abertos. Quando te escrevo tu não foges das minhas páginas. Quando te escrevo tu ressuscitas a minha alma. Acompanho o teu sorriso de longe e de perto, meu príncipe das trevas, lindo. Guardo comigo o teu olhar e sei que te recordas do meu corpo a tentar convencer-te que o meu amor é inteiro, embora nunca o seja bastante. É bom desconfiar do amor porque ele às vezes é traiçoeiro, metamorfoseia-se em reles sentimentos, eras tu que mo dizias. 

Eu não concordo.

via Pedro Paixão
in Príncipe, Asfixia


[será que se pode mentir desejo? o desejo será só uma espécie de fome indiscriminada de algo e não de alguém? como é que se sabe que o desejo é de nós, e que não servimos apenas para encontrarem outros corpos no nosso? como? onde está a prova dos nove do desejo, e já agora do amor?]

17 junho 2013


"Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:

Iludindo-se menos e vivendo mais!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional..."

Carlos Drummond de Andrade

[isto faz-me tanto, mas tanto, sentido hoje em dia... mas sei que arriscar é-me cada vez mais dificil, mais custoso, mais arriscado... a dor é inevitável e traz pela mão o medo de mais dor. talvez o sofrimento opcional de não se lutar pela felicidade seja menos gravemente profundo nas consequências para a alma. ]
Finalmente parece que o dia acaba, com restos de vidros nos pés e alguns piropos à mistura para melhorar o dia. Agora falta a noite... O que será que ainda hoje está reservado para mim? Agora um bocadinho de música e carro até casa. Vai-me saber bem se o telefone não tocar... Se tocar nao será coisa boa, agora quando toca nunca é coisa boa... E agora penso em todas estas peripécias e ninguém com quem partilha-las, só aqui, a falar sozinha. E ninguém para gostar de eu ser como sou; às vezes sinto falta daquela vaidade que se tem no outro, por ele ser como é, exactamente como é, como aqueles olhares que se apanham a olhar para nós por acidente e em que se sente isso por dentro do olhar, e depois na cumplicidade do olhar de resposta, e se gostar disso, uma espécie de orgulho de aquela pessoa ser nossa, nem que seja só um bocadinho. Sinto falta disso.... E de tantas outras coisas!! Bom, aqui vou eu...

14 junho 2013

...e a lua continua a cair na minha janela, 
e eu, aqui sentada, sozinha com ela do outro lado do vidro,
 também continuo a cair.

07 junho 2013


"Conheceram-se. Ele conhecera-a e conhecera-se, pois na verdade nunca se tinha conhecido. E ela conhecera-o e conhecera-se, porque, apesar de sempre se ter conhecido, nunca antes se havia reconhecido assim."

Italo Calvino, Il Barone Rampante (O Barão Trepador)


"(...) Um dia encontrarás alguém que te dará uma visão de ti que ao mesmo tempo te surpreenderá e te parecerá certa, sem saberes porquê. Não se trata do que te dirão - trata-se de como te sentirás, exposto e em diálogo com o outro. Não será necessariamente uma visão elogiosa. Um dia encontrarás alguém que te fará ver-te a ti mesmo com outros olhos. Alguém que ao te permitir ver-te te permitirá mudar-te, ou ficar na mesma, mas daí em diante até a imobilidade será diferente.

Nem toda a gente encontra alguém assim. Nem toda a gente reconhece alguém assim. Nem toda a gente aceita o facto de ter encontrado alguém assim.

Mas se encontrares, pensa, e se o entenderes, reconhece, aceita. Às vezes mudar não é ceder, é evoluir. Às vezes é ser feliz."

Escrito pelo Menino e roubado indecentemente... mas tinha de ser...
AHAHAHAHAHAHH....
Muito boa!!
Bom Dia!!

06 junho 2013


... nope, só eu mesmo!
Por isso não vale.
Nunca estamos juntos.
Nem existe "nós", nem nunca existiu.
São precisos dois, e quando um não quer, dois não brincam...


Quero apenas cinco coisas
Primeiro é o amor sem fim 
A segunda é ver o outono 
A terceira é o grave inverno 
Em quarto lugar o verão 
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.

Pablo Neruda


[não quero tantas coisas, quero convencer-me que sou feliz sem o que quero.
Que só precisamos do que temos. O resto é bónus a que nem todos têm direito, e eu não sou das contempladas. Só quero uma coisa: não querer mais do que tenho, e querer tudo o que tenho. Era só isto. E assim tu não estarias contemplado. E eu poderia ser feliz, como se nunca me tivessem tocado.] 
Vim almoçar com o oceano banhado de cheiro a mar. Apetecia-me despejar nesta acalmia o mar revolto que trago dentro. Despejar-me do sal e das ondas que vão, vêm e me levam sem nunca ficarem comigo, mas que sempre ficam em mim. Gosto de tudo no mar, da cor, da luz reflectida, da força, do seu respirar em ondas, da vastidão em alcance e profundidade. Até do medo que me dá tanto horizonte e força. Vou ficar aqui a rouba-lo um bocadinho e a tentar afogar o meu mar nele.

...estamos quando viermos, não estamos quando formos.
Se vieres quando fui, não coincidimos.
A vida é um constate encontro de desencontros.
Só a felicidade duma coincidência faz os encontros falharem o desencontro.

Bom Dia!!

05 junho 2013

ahahahhahaha
conheço alguém que deve ter ouvido isto muitas vezes!!!...
e ficou sempre no mesmo lugar... só não sei se apanhou mais ou menos por isso!!!
eheheheh


Quando te vi amei-te já muito antes: 
Tornei a achar-te quando te encontrei. 
Nasci pra ti antes de haver o mundo. 
Não há cousa feliz ou hora alegre 
Que eu tenha tido pela vida fora, 
Que o não fosse porque te previa,
Porque dormias nela tu futuro.
(...)

Fernando Pessoa


[quando achei que te vi, reconheci-te a alma.
 quando te encontrei achei que me tinha encontrado, 
nasci para o futuro contigo, em ti, 
tudo te previra menos eu, de tudo andava prevenida menos de ti, 
da vida que me trazias, que era minha antes de eu saber que era a vida que queria,
 e agora, agora tenho de adormecer o futuro e anestesiar a alma. 
sinto no futuro um abismo, 
 ou caio no abismo, ou ficou petrificada onde estou,
 fechada, calada, quieta e sem futuro, 
mas sem abismo.]
Se eu fosse assim será que seria mais feliz???
Às vezes acho que sim, outras acho que não... 
de certeza que de quem eu gostasse teria mau gosto e gostaria duma outra gaja qualquer a quem eu não conseguiria achar piadinha nenhuma... haveria de ter outras coisas quaisquer muito melhores do que eu...
acho que isto da vida é mais uma questão de sorte... ou de azar!!


(...)

E vem aqui pra cá
Porque eu quero te beijar na sua boca
Que coisa louca
Vem aqui pra cá
Porque eu quero te beijar na sua boca
Oh, que boca gostosa
(...)


Hoje a caminho do trabalho de manhã, a tentar começar o dia sem o fio dos dias anteriores, a tentar começar o mais que pudesse numa folha em branco, depois da noite extenuante que tive, de pesadelos seguidos, de acordar durante a noite ofegante, de sonhar que estava num hospital psiquiátrico e sentir-me pela primeira vez, em sonho, mas como se fosse real (acho que é mesmo esse o objectivo dos sonhos fazer-nos sentir o que não deixamos quando estamos conscientes), completamente fora de controlo, completamente fora de mim, a ter ataques de não sei o quê, que não consigo explicar, que nunca tive na realidade, mas que guardo agora na memória sentida ainda que não vivida, é uma sensação estranhíssima, uma coisa de doidos mesmo... ainda que ainda não o esteja oficialmente; mas dizia eu, tentava começar o dia como pessoa normal a tentar esquecer os últimos dias, e começa a tocar esta música na rádio... comecei-me a rir, a sério, comecei a rir como uma louca que finalmente reconhece na vida outra louca, com um requinte de malvadez em forma de ironia sarcástica!! A put@ da vida não pára de me surpreender, pena que seja quase sempre para o mal, porque já cansa. Quero paz. Mas sim, a put@ da vida tem coincidências, ironias, o que quiserem chamar, que para o bem e para o mal é o que a fazem valer a pena, e fazem perguntar o que virá a seguir... já dei comigo a pensar que se não fosse tão grande a minha curiosidade face à capacidade que a vida tem de dar voltas e voltas, e surpreender, e massacrar, e fazer rir quando menos espero, e já estaria de certeza no fundo dum rio, ou desistido da vida e a ter ataques num hospital psiquiátrico, onde todos devem ser mais sãos do que eu estou neste momento.
Pois bem... aqui fica (para ti meu querido) essa bela passagem da boca gostosa que tanto gostas... aproveita. Eu que até gostava da música, e bastante, tem uma sonoridade que combina comigo, já não a posso ouvir sem me achar uma merd@, mas também, hoje em dia quase tudo tem esse efeito, mais música, menos música, é indiferente.

E para todos os que são loucos pela loucura da vida e conseguem não perceber nada do que aqui escrevi, um BOM DIA!!
(ainda há esperança para vocês...)

04 junho 2013


(...)
O meu sol vem de dentro do teu corpo,
a tua voz respira a minha voz.
De quem são os ídolos, as culpas, as vírgulas
dos beijos? Discuto esta noite
apenas o pudor de preferir-te
entre as coisas vivas.

Joaquim Pessoa, in "Os Dias da Serpente".


[é por o meu sol me faltar, que todos os meus dias são cinzentos; por muito luminosos e quentes que sejam os dias de toda a gente, o frio entranhou-se-me nos ossos, este frio que é teu, que verteste em mim, e que trago sombria por dentro do sol que não me dás.]
Gooooooooto deste moço... é que gosto mesmo!!
Despenteadinho então, ainda melhor... 
só lhe tirava aquela coisa das mãos, com tanta coisa para ter entre mãos... ai ai, está mal...

...quanto mais não seja para exercitar a capacidade de sonhar...
(coisa que não me anda a ser possível... agora só pesadelos e realidade, que anda a ser, também, um pesadelo, que se tenta enganar com risos e gente que gosta de nós)
Bom Dia.

03 junho 2013

Deve ser da família do meu... 
são tão parecidos!!!... que só pode!!

eheheheheh...
realmente há alturas na vida duma mulher em que temos que nos virar para os gatos...
M(iii)aaaaauuuuuu!!

....Xiiiiiiiiii....
reparei agora, já passámos as 100.000 visitas!!
Inacreditável - este tasco, montado que foi para servir de muro de lamentações, muito privado e anónimo, e ao mesmo tempo de ponte do não dito para uma única pessoa, chega a este número de visitas!!... nunca pensei, nem nunca achei que alguém (além dessa pessoa destino único das palavras que aqui escrevo e de mim) tivesse interesse em ler o que aqui escarrapacho... é uma surpresa, principalmente nesta altura em que penso seriamente fechar o tasco, e penso não ser sequer para balanço, mas por falência do negócio, mesmo.
 A vida tem destas coisas....Ironias!!

Vinha a ouvir isto no carro. 
Sempre adorei esta letra. Lamechas, sim, podem dizer isso e muito mais, mas gosto. 
E acho que é porque gostava muito que me amassem assim...
...tenho tantas saudades de me sentir amada, amada a sério não ao engano. Tenho muitas saudades e agora só quero deixar de ter saudades, evaporar tudo isto de mim para que nem saudades restem... porque tudo o que sinto é verdadeiro, não sei fingir que gosto, que sinto, que tenho saudades, quando tenho, tenho mesmo. E não quero. Quero só que tudo desapareça. 
Até eu.
(o que é que eu fiz de tão errado, de tão mal a alguém que mereça tanta merd@?)
Verdade, grande erro em que caio sempre.
Não esperem dos outros aquilo que lhes dão, esperem que se aproveitem sempre que possam, e que enganem sempre que julguem não ser descobertos. É a lei da selva, o remédio é ser selvagem também!!!
Viver e aprender, é um facto!!
Bom Dia!!