Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

31 outubro 2013

Os beijos falam como se tivessem boca, como se tivessem língua.
Têm idioma próprio. E entendem-se no silêncio.
A falta deles também fala, e nem sempre no silêncio. 
Às vezes a falta deles fala aos gritos, num idioma que eles não falam.
Lembro-me de há muito tempo, nem sei quanto, surgir aqui um comentário que dizia:
 "sabe há quanto tempo não beijo?"
às vezes as pessoas esquecem os gritos quando estão em silêncio, 
esquecem-se como ferem, e como há idiomas que nos faltam, 
e como às vezes, mesmo sem querermos, falam por nós o que tentamos esconder.

Boa Noite

Boa Noite

30 outubro 2013

Não sei porque tanta gente pensa que aguento, que sou forte, que não preciso de ninguém, de nada, que nunca me sinto perdida. Não parecem ver que tantas vezes me falta o chão debaixo dos pés, só porque pareço pisá-lo com tanta convicção. Parece que os outros precisam mais, porque não sabem fazer isto aquilo ou aqueloutro, coisas que se aprendem, coisas mais simples (ou menos), que se têm de aprender a fazer quando não temos quem as faça por nós. Esses são os coitadinhos, têm de ser amparados e ajudados, tudo se desmorona se lhes falta quem lhes faça o que poderiam bem fazer. Eu posso com tudo, pensam. Não posso. Não sei nada tantas vezes, e nas outras tenho tanto medo... mas sei que a algum momento tenho de ir, tenho de dar de caras com esse medo, tenho de o derrubar, ou ele derrubar-me-á. E preciso, preciso tanto, de saber que tenho para onde voltar qualquer que seja o resultado: completamente derrotada e esgotada, ou nem tanto. Preciso de saber, que independentemente de tudo, tenho sempre quem me ampare a alma quando fiz o que tinha de fazer, mesmo que não tenha sido o mais bem feito, mesmo que o resultado não seja o melhor, ou que seja ainda melhor do que eu poderia temer. Preciso que me gostem para além das coisas, dos feitos e dos desfeitos, preciso que me tenham por dentro e que nada entre aí, nada profane esse colo. Que seja um lugar protegido do mundo, onde posso aninhar-me quando o mundo me cansa, me faz cair, ou até se me surpreende alegremente. 
Preciso que me tenham por dentro, sempre e de qualquer maneira. 
Preciso desse dentro para voltar ao que sou, mesmo que sinta que não sou nada, e principalmente, nada do que queria ser. E isso não se aprende a fazer sozinha ou simplesmente, não tem instruções, nem ninguém ensina. Os fortes são aqueles não precisam de se sentir por dentro de ninguém, por estarem tão por dentro e cheios de si mesmos, tão auto-suficientes de si, tanto, que não precisam de sair de si para aprender o que os outros têm de fazer por eles.

29 outubro 2013


(...)
A nudez corria-lhes pelas mãos
e chegava aonde tudo é branco e firme.
Aquele fogo de carne
era a carne do amor,
era o fogo do amor,
o fogo de arder amando-se e por toda a casa,
contra as paredes, no chão.
Se mais não pressentissem bastaria
aquela linguagem de falar tocando-se
como dormem as aves.
E os olhos gastos
por amor de olhar,
por olhar o amor.
E no chão
contra as paredes se amaram e
pela casa andavam como
se dentro das sementeiras respirassem.
Prisioneiros libertados, um
no outro eram livres
e para a vida e para o amor se beijaram
magoando-se mais, até ficarem magoados.
E uma presença rica,
agora nova e mais serena,
avidamente recebeu a música que atravessou de
um corpo a outro corpo
chegando às mãos
onde toda a nudez é branca e firme.
Com uma carne de fogo,
incarnando o amor,
incarnando o fogo,
contra o chão das paredes se amaram
pressentindo que
andando pela casa bastaria tocarem-se
para ficarem dormindo
como acordam as aves.


Joaquim Pessoa


[o Amor cabe em qualquer lado onde caiba a vontade, o desejo e um beijo.]
Boa Noite

... Que belas mãos!!...
...hummmm... 
...tenho um quarto livre lá em casa...
e é um bom e acolhedor lar... desde que não me chateiem muito...
mas o lixo fica à porta: caixotes, papelões e afins não entram...
ehehehehehhehe



Bom Dia!!
(Fora os óculos de sol, pareço eu quando acordo, 
a olhar-me ao espelho!!!... bahhhh)

27 outubro 2013


Sou um mero espectador da vida, que não tenta explicá-la. Não afirmo nem nego. Há muito que fujo de julgar os homens, e, a cada hora que passa, a vida me parece ou muito complicada e misteriosa ou muito simples e profunda. Não aprendo até morrer - desaprendo até morrer. Não sei nada, não sei nada, e saio deste mundo com a convicção de que não é a razão nem a verdade que nos guiam: só a paixão e a quimera nos levam a resoluções definitivas. 

(...)


Raul Brandão, in "Se Tivesse de Recomeçar a Vida"

Boa Noite
ehehhehe
A paixão é a vida a dar-nos tanga.
O Amor é a vida a deixar-nos de tanga...
e a acharmos que não precisamos de mais nada...

26 outubro 2013


O amor não tem partes. Não negoceia. É um risco. Vale tudo. O amor é obsessivo, tenaz, caprichoso. Arrasa casas, incendeia tudo por onde passa, não mostra qualquer compaixão. Nada perdoa. Não faz concessões. É demente de uma exigência total, monstruosa. O amor é monstruoso. Mostra quem somos frente a frente sem espelhos nem máscaras.

Pedro Paixão
in Fica um pouco mais, O mundo é tudo o que acontece


[o amor.... o amor é um estúpido!]
Ora isto (com um bocadinho e de jeito e boa vontade) até podia ser encarado assim, 
é que caótica é primo do que eu sou, 
e uma total confusão também anda lá muito perto....
Concluo portanto que há quem não goste de aventuras...
Bom Dia!!

25 outubro 2013

Isto é a minha cara...
e podia ser aqui o header do tasco... porque é para isso que ele serve,
para albergar o que só me sai assim, por escrito.

Não dormi nadinha de jeito... deitei-me cedo e enrolei-me toda a noite com pesadelos.
queroooooo dormiiiiiirrrrr!!!!
Tenho de arranjar uma casa portátil - tipo esta - só que não dá para pendurar nas árvores... 
deve ser bom ser pássaro... 
será que sonham? 
ou que têm pesadelos? 
ou que sofrem de frustrações todos os dias? 
que têm medo de desiludir os outros e encararem-se a si mesmos no que não são, no que não têm e lhes falta irremediavelmente? 
será que têm medo do futuro, e se lembram do passado a cantar? 
será que cantam de felicidade, ou é a sua maneira de respirar o mundo que não vivem?
será que me lembrei disto tudo porque tu adoras o cantar dos pássaros?
será que eu queria ser pássaro?
Bom Dia.

23 outubro 2013

Boa Noite


"Sabes, dei por mim a pensar na importância dos factos passados - não do passado como um todo, mas de cada facto, de cada episódio, de cada período.

A verdade é que à medida que vais vivendo vais acumulando experiências e sensações, e o universo do que sabes, do que sentes e do que sentiste torna-se a cada dia maior.

E com isso, o peso, a relevância de cada episódio das tuas memórias diminui, proporcionalmente, de tamanho. A memória de um dia tem mais peso, se vista no contexto de uma semana, que no contexto de uma vida.

Mas os dias não são iguais e as memórias não são iguais. Há dias que recordarás sempre, que serão sempre enormes, por maior que seja o contexto. Há pessoas que recordarás sempre, e lugares, e cheiros, e sabores. Lembrar-te-ás sempre de momentos da tua infância, da tua adolescência, das aventuras com os amigos e as amigas e de achar, como acha cada nova geração, que tinham inventado a pólvora, a liberdade, o amor.

Há beijos que recordarás sempre. E corpos. E pessoas inteiras, ou partes delas, e sorrisos. Há sorrisos cuja memória dura uma vida.

Mas quanto mais vives e quanto maior é o que tens por dentro, menos pesa cada parte. O que cresce dentro de ti, o que continua a crescer dentro de ti, é o presente, é quem és hoje, é com quem estás, é o que fazes, é o que és, não o que foste.

Apenas isto cresce todos os dias - o resto vai progressivamente minguando, pontilhado aqui e ali pelas memórias que não fogem. Mas as memórias tornam-se estrelas no céu da noite - sempre visíveis, mas incapazes de te alumiar os passos.

No entanto ninguém apaga a memória. Podes cobri-la de nuvens, mas ela permanece, à espera de outros dias. Não a queiras reprimir. E se abrires os olhos verás de quem não a precisas de esconder.

Afinal o teu céu será sempre o teu céu e terá sempre as tuas estrelas, como o meu céu será sempre o meu céu e as estrelas dele serão as minhas. 
E havemos de construir memórias juntos, e algumas delas serão estrelas no teu céu, e no meu céu, e teremos em conjunto uma constelação pequena, ou uma galáxia, ou um universo de trazer por casa.

Mas galáxia alguma apaga o que já há - pode tirar-lhe o brilho, mas nem por haver lua cheia o céu se apaga de estrelas. Tu sabe-lo, e eu sei-o. E nas estrelas há memórias, e às vezes há lá sorrisos.

E se te falar, a ti que és a minha lua e tantas das minhas estrelas, se te falar de estrelas minhas quando nadarmos à noite, sabe que o faço pelos sorrisos e não só. Faço-o para que saibas, pelo mapa das minhas estrelas, os lugares onde estive. Não é o lugar onde estou - esse é ao teu lado, e no mar em que nadamos navega-se ao tacto e à vista, porque na verdade interessa menos onde estamos e onde vamos do que o facto de irmos juntos."


A falta e a saudade que eu tinha de falar por palavras, que não minhas, mas que dizem o que gostaria de dizer. Assim.

22 outubro 2013

...há ramos de margaridas tão difíceis de arranjar...
em vez disso dão-nos rosas, que ainda que lindas por cliché, 
não são as "minhas" flores, que têm alguma coisa de selvagem na força e doce no olhar.
Bom Dia!

21 outubro 2013

E depois não durmo, de tanto cansaço de não querer estar acordada. Cansada de tanto sentir, só sinto que não quero sentir nada. E para hoje só sonho não sonhar, dormir só. Descansar desta vida estúpida de sentir estupidamente.

20 outubro 2013

Está sol!! 
O dia começou-me com uma frase boa que ouvi da boca dum amigo que me é querido, que se afastou por eu me ter afastado de quem lhe é querido. Perguntei numa de brincadeira se ele também achava que eu tinha mau feitio... e a resposta parou-me o instante da realidade só um bocadinho: não tens bom feitio, mas tem outra coisa, tens muita dignidade.
E eu fiquei concerteza com cara de parva e a pensar naquilo, não sei porque o diz, mas apeteceu-me muito abraça-lo e dar beijinhos, mas fiquei só contente por dentro e a saber que quando me viu a primeira coisa que me disse era que sentia falta das nossas conversas, do debate de ideias, que tinha saudades, eu fiquei a sentir que o dizia sinceramente, a sentir mesmo emcima de todo aquele alcool que lhe saltava no corpo...
Está sol!!!
Bom Dia!



 
.......
Boa noite

18 outubro 2013

...verdade!!!
e sem qualquer sentido de humor, e sempre prontos a provocar, e depois fazerem-se de vítimas...
jazuzzzz... ando a ficar farta de certa e determinada pessoa, por muito que o ache boa pessoa - que acho - começo a ficar sem pachorra para tanta estupidez... a sério!!!

tenho um dói-dói no joelho...
e no avesso do cotovelo, porque dor de cotovelo não se confessa
e no pescoço, e na orelha direita que já nem ouve direito
e no avesso da pele, por dentro do coração que já nem sabe bater e está mais que batido
tenho um dói-dói na boca inteira, por guardar tanta coisa e não guardar beijos suficientes
e nas pálpebras, e até no olhar que já não vê
e dói dói muito.
há cura?

17 outubro 2013

A melhor língua é a dos beijos.
É a língua que gosto de falar, é nessa língua que gosto de dizer que gosto, 
e a única língua em que oiço que me gostas.

Boa Noite


Estava abraçada ao chão. 
Acreditei que tinha morrido 
e que a morte era dizer um nome sem parar.

Alejandra Pizarnik

[um nome feito de quatro letras que se chama com cinco.]
 Finalmente encontrei a música, aquela que acho que é tão, mas tão, a minha música, e talvez hoje seja bem mais minha do que quando a ouvin pela primeira vez. O ritmo, a sonoridade, a letra, a voz. Tudo. 
Sempre adorei a música, hoje é mais eu ainda, hoje...

is it alright to breath now??
is it alright for me to breath now??
'Cause I can't hold it back much longer...
........
holding back the thought that you actually could be my eternity
......
Boa Noite

16 outubro 2013

...e porque há muito tempo que não havia disto aqui no tasco, aqui fica.
...e porque é preciso animar o dia e alegrar as vistas, aqui fica.
...porque gosto do sorriso, da barba e do cabelo, aqui fica.
...porque estou chateada e triste e desmotivada e desesperançada de tudo,
 e preciso de acreditar em coisas boas e bonitas e doces, como este moço parece na foto, aqui fica.
Porque a vida não é justa fica, aqui fica em vez de ao meu lado, ou à frente vá, para não ganhar torcicolo...
ehehehehhe
Bom Dia!!

15 outubro 2013

Toda a escolha tem um avesso, quer dizer, uma renúncia, 
não existe diferença entre o acto de escolher e o acto de renunciar.


Italo Calvino

[e eu há tanto tempo que digo isto... ]
... é só para me desorientar, né?
para me fazer sair do sério...
não há direito...
bahhhhh



Amo-te tanto que te não sei amar, amo tanto o teu corpo e o que em ti não é o teu corpo que não compreendo porque nos perdemos se a cada passo te encontro, se sempre ao beijar-te beijei mais do que a carne de que és feita, se o nosso casamento definhou de mocidade como outros de velhice, se depois de ti a minha solidão incha do teu cheiro, do entusiasmo dos teus projectos e do redondo das tuas nádegas, se sufoco da ternura de que não consigo falar, aqui neste momento, amor, me despeço e te chamo sabendo que não virás e desejando que venhas do mesmo modo que, como diz Molero, um cego espera os olhos que encomendou pelo correio.

António Lobo Antunes

Boa Noite

14 outubro 2013

..noite má, muito má.
...pesadelos que se nos prendem no corpo e por muito que se esperneie não saem.
nem com a música no caminho os conseguimos expulsar... não percebo porque não basta a realidade martirizar-nos ainda têm os sonhos de nos torturar... 
só ocupar a cabeça nos leva um pouco para longe de nós, isso e um sorriso doce de manhã, que ainda a dormir nos passa o bracito à volta do pescoço... 
por que é que a vida não pode ser maioritariamente assim? 
porque tem de ser ao contrário, ou melhor, por que é que a minha é??....
porque eu sei que não tem de ser, eu sei...

Bom Dia

13 outubro 2013


Uma fogueira é sempre uma celebração 
Entre o ar e outra matéria.

Vem. Vamos arder nos braços um do outro. 

Depois, as cinzas hão-de espalhar-se
Pela memória desta noite.

Joaquim Pessoa



[...vem. vem arder em mim comigo.]
Boa Noite

- Já alguém lhe disse hoje que é linda??
....
(porque é que eu me lembro destas coisas sem aviso nem razão???)

12 outubro 2013

Boa Noite


Temos a mesma pele,
descobri anos depois.
É isso que nos impele
a sermos um, sendo dois.
Amar é ter a mesma pele,

o resto vem depois.
(...)

Torquato da Luz


[não sei se temos a mesma pele, sei que sinto a minha pele na sua, que é no seu calor que me aqueço, que é naquele colo que sossego e nos seus braços que vivo. sei que amar é sermos dois e sentirmo-nos bem nessa unidade de pertença. sei que quando se ama não há depois da pele, nem antes da pele, há sentirmo-nos únicos e bem na nossa pele, com alguém com quem nos sentimos no mesmo mundo e que fala a mesma língua, mesmo que muda, principalmente se muda. sei que é amor, e tudo o resto vem depois.]

Boa Noite

11 outubro 2013

Há dias em que me apetecia ter idade para poder fazer isto.
Ter idade para fazer isto e sentir-me segura, mimada, querida, completa.
Como se todos os males fossem a boneca que deixei em casa e que quero agora para brincar, o balão que me escapou da mão e voou para as nuvens que não alcanço, ou só o beijo que saí de casa sem dar e que me dá saudades.
Quero agarrar-me e ser parte, e o choro calar-se por si e esquecer-se de mim.
Queria tanto ter idade para ser pequenina e de alguém.
Não se pode ser pequenino sem tamanho???

Bom Dia

10 outubro 2013

...depois dum dia destes
precisava dum banho destes.

Boa Noite

"Estavas de costas e eu toquei-te num ombro.

Demoraste três anos a voltar-te."

Joaquim Manuel Magalhães 



Não sei quem é que tocou quem no ombro, talvez fosses tu quem me tocou,
 mas és tu que demoras mais de três anos a voltar-te, 
ou a ver que me voltei para ti, ou simplesmente a ver-me.
Sim, acho que é isso: tu tocaste-me sem me ver, nem quando me voltei inteira para ti me viste. 
... porque me tocaste tu no ombro se nem agora me vês?

.... Tenho de começar a abrir janelas em vez de andar sempre a fechar portas. 
Fechá-las na cara de quem demonstra que me quer ver.
Por mim ninguém fecha nem abre coisa nenhuma, 
e passeiam-se entre portas e janelas, sem sequer memória que eu existo. 
É triste. 
E eu estou derreada, há dias em que o desespero, e o peso do passado, se concentra de tal forma que bastam fracções de segundo para durar todo um dia, toda uma noite e ainda o dia seguinte. 
Porra... também quero ir passear e ver janelas ou uma porra qualquer...

08 outubro 2013

Naquela noite fizemos o que mais gostávamos:
 perdermo-nos nos olhos um do outro.

Pedro Paixão

[coisa que se faz às vezes de olhos fechados...]
Boa Noite
É isto. 
É mesmo isto.
..às vezes uma pessoa está um dia inteiro, ou uma noite inteira, 
para tentar dizer isto, tentar explicar, e mesmo assim, assim está muito mais bem dito.



Quero isto.
Quero isto para a minha vida.
Uma carruagem cheia de gente, num mundo cheio de gente,
Eu quero ser aquele casal. 
Quero ser aquele beijo.
Quero, pelo menos, ser o fotógrafo - o que vê no meio dos cinzentos, e que não é cinzento. 
Ver é já fazer parte do beijo, da vida, é sair dos cinzentos sentados à margem das cores da vida.
Não quero ser uma daquelas criaturas sentadas e desconexas com a vida que não parecem tocar, 
nem parecem ver, mesmo ali à frente dos olhos e ao alcance, pelo menos, dos sonhos.
Quero isto para a minha vida.

Bom Dia!!

07 outubro 2013

"Afinal a palavra Amor existe."
Marguerite Duras
(que estou a citar de memória dum livro que li nas férias, e esta frase, ou uma muito parecida com este sentido, ficou-me. Peço desculpa se não for exactamente assim, mas agora não me apetece ir procurar, porque senão foge-me o resto)

Lembrei-me desta frase enquanto fui ao café engolir alguma coisa a fazer de almoço. Pensava no que escrevo, porque escrevo, porque não escrevo metade do que escrevo a pensar, escrevo no ar e no ar se desfaz, e algumas coisas giras, que gostaria de guardar, mas que o ar leva sem devolver. Escrevo tanto, e no entanto, escrevo nada ou quase nada, mas escrevo porquê? Escrevo porque há vezes em que tem de me sair de rajada o que doutra maneira não sai, fica preso na garganta, amarfanhado em lágrimas que não digo ou em mágoas que não engulo. Outras vezes escrevo porque sinto demais e gota a gota me transbordo. Vou-me revezando de capacidades volumétricas escrevendo e reescrevendo-me. Sou assim. Os que me têm amizade suficiente para me saber o que escrevo dizem-me que escrevo bem, eu corrijo, digo que gostam do que escrevo, que não escrevo bem, quanto muito ( e olhe lá), sinto bem: e não, não é porque sinta da maneira mais acertada - haverá??, não sei... suponhpo que não, seria uma tristeza haver uma maneira certa de se sentir o que quer que seja, não gosto de regras no que não tem fronteiras, nem horários no que não tem tempo que meça -, mas digo que sinto bem, porque sinto de maneira intensa, o que sinto sinto de dentro, por dentro, transbordante de mim para mim e depois para os outros, quando chego a eles, e quando lhes consigo chegar. Alguém que não me conhece as palavras - as minhas palavras, estas -, disse-me uma vez, que eu era uma mulher intensa, de sorriso espontâneo de gargalhada forte de olhar intenso, de intensidades sentidas. Acho que o que me quis dizer era que eu era intensa no intervalo das palavras, porque nunca me viu estas, se calhar... é aqui que me deixo e me despejo, escondida dos olhos que pensam que me vêem.. Haverá quem escreva coisas mais eruditas, há quem use palavras mais intelectuais, mais complexas e de categoria superior na hierarquia do dicionário, mas para mim, as minhas palavras são aquelas que eu sinto, que eu já comi o significado com as entranhas, já as mastiguei e até a alma já as cuspiu. O significado, não são letras que conjugadas fica bonitinho, não, são palavras que têm peso, têm densidade, têm uma vida e uma personalidade que se mistura connosco, que têm alma e sentir. Quando aprendemos as palavras aprendemos antes da sua composição de letras, e complexidades, o seu significado: o quente, o frio, o pequeno, o grande, o bom, o mau, o gostar e o não gostar... as palavras são sentires, são pensares, são memórias. E é por isso que eu também já posso dizer que a palavra Amor existe. Não são quatro letras duma palavra que tem mais definições que dicionários, é o que nunca ninguém entende até ela existir para cada um. E para mim existe. Afinal.

(e esta frase também fez parte dum mail que foi enviado e talvez tambem por isso nunca me esqueci dela, e de como a li, a vi e a senti...)
Boa Noite

06 outubro 2013


...pequenas grandes revoluções... 
Quando as paixões são grandes
E os dias pequenos.
Ou as paixões são pequenas e os dias tornam-se grandes...

05 outubro 2013

...estou preguiçosa.
Não me apetece coisa nenhuma...
...coisa nenhuma que possa fazer.
...porque apetecia-me ir para a cama e enroscar-me, prender com os meus pés outras pernas, sentir pele com pele, riso com riso, beijo com beijo, carinho com carinho, ternura com ternura: amor com amor. 
Apetecia-me sentir beijos nos ombros entre risos de conversas parvas, mimo por todo o lado, um corpo encostado ao meu - e nisso sentir, não o outro, mas nós.
Estou tão preguiçosa, que nem escrever me apetece.

Boa Noite

04 outubro 2013

03 outubro 2013

Gosto!!
Gosto muito!!
Perfeito para acompanhar o anúncio seguinte:
"dá-se coração para adopção."
Coração simples que gosta de coisas simples, como flores silvestres, sem exuberâncias ou grandes exigências, como beijos dados na espontaneidade do querer, como abraços sem aviso, e gargalhadas sem autorizações. Coisas simples, coisas boas, por nos fazerem sentir bem connosco e com o mundo.
Está em mau estado (provavelmente péssimo, mesmo, ainda ninguém conseguiu aferir o real estado do bicho), rasgado, partido, seco, só indicado para seres muito doces e pacientes, que com a persistência do carinho, muito cuidado e ainda mais amor o consigam remendar aos poucos. 
É um coração que dizem grande, e quando restabelecido, se dá inteiro sem reservas de propriedade da dona (que obviamente, e não se engana aqui ninguém, não bate bem da bola...). Quando em bom estado aguenta muito bem o sentimentfitness ( o cardiofitness aguenta menos bem, avisam-se os interessados que é preguiçosa), a alternância de arrebatamento e paixão, com a calma e paz do mimo, do carinho doce, e do silêncio partilhado sem solidão. 
Já lhe chamaram anjo-demónio, e já a apelidaram de Eva porque cheira a tentação na pureza da concepção de todas as origens (acho eu, mas posso estar enganada, pode ser só porque soa bem, sabe-se lá...). Dizem que conjuga bem a dicotomia doce/salgado. Dizem , não há provas - que aqui não se engana ninguém.
Avisa-se que está ainda ocupado, aliás ainda transborda outro ser por todos os lados,
 mas cansado e com vontade de ser bem tratado e mimado.
Promete-se processo sem grandes burocracias mas bastante demorado...

Bom Dia!!

E agora a B mandou-me esta foto, que é perfeita para este post, e então vou acrescentá-la aqui.... um coração feito de duas metades de maçãs de especies diferentes que encaixam dolorosamente na perfeição:
Este sim, verdadeiramente perfeito e exemplificativo, para acompanhar o anúncio:
"dá-se coração para adopção"


02 outubro 2013


Dói-me qualquer sentimento que desconheço; 
falta-me qualquer argumento não sei sobre o quê; 
não tenho vontade nos nervos. 
Estou triste abaixo da consciência.

Bernardo Soares


[a modos que é mais ou menos isto... ou muito isto.]
Boa Noite
" Irei directo a casa dela, tocarei à campainha e entrarei. Aqui estou, aceita-me ou mata-me à punhalada. Apunhala o coração, apunhala o cérebro, apunhala os pulmões, os rins, as vísceras, os olhos, os ouvidos... Se um só órgão ficar vivo estás condenada - condenada a ser minha, minha para sempre neste mundo e no seguinte e em todos os mundos futuros. Sou um bandido do amor, um escalpador, um assassino. Sou insaciável."
Henry Miller, in Sexus

[ o punhal dos dias, do mundo, da realidade que corta, já me apunhalou tudo o que de mim conheço. nada ficou intacto, a não ser, talvez, este amor selvagem. ainda assim nada te condenou a ser meu, é uma pena que não cumpres por falta do crime de amar-me, neste, ou em qualquer mundo - nem no nosso, parece-me agora tantas vezes.]