Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)
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03 janeiro 2016



"Não consigo, nunca vou conseguir. A não ser que tenha amnésia, que consiga não me lembrar. Doutra maneira é impossível". 
Afinal não há mesmo impossíveis, mas pelos vistos há amnésias sob medida, e esquecer é apenas não se lembrar que se esqueceu. Ou que sequer havia alguma coisa para esquecer. Não havia nada, nunca houve... Só para mim não há medida de amnésia possível. Nunca houve. Mas não há impossíveis, ao que parece. Pode ser que um dia me toque também a mim. Eu que sempre disse que quando se quer não há impossíveis, lá me deram razão. Outra vez. 

Republicação de post de  exactamente um ano (3/1/2015)... Passado um ano mais se comprovou que não há impossíveis, mesmo que digam que são impossíveis, quando se quer realmente convertem-se em possíveis. Eu que sempre o disse pareço só experimentar o contrário, os possíveis tornarem-se impossíveis.




21 novembro 2015

tenho um dói-dói no joelho...
e no avesso do cotovelo, porque dor de cotovelo não se confessa
e no pescoço, e na orelha direita que já nem ouve direito
e no avesso da pele, por dentro do coração que já nem sabe bater e está mais que batido
tenho um dói-dói na boca inteira, por guardar tanta coisa e não guardar beijos suficientes
e nas pálpebras, e até no olhar que já não vê
e dói dói muito.
há cura?

[post antigo que gosto tanto e de que adoro a fotografia...
Hoje não tenho dói-dói, não tenho desculpa que desculpe a vontade de beijos no joelho ou em qualquer lado, talvez para as feridas haja cura, para a vontade de beijos não. De beijos assim, como este parece ser: inteiro, cheio, genuíno.
Parece que há beijos e vontade de beijos que o tempo não cura.]

Boa Noite

28 outubro 2015

Estava a ouvir uma entrevista ao Lobo Antunes e aquele homem é extraordinário. Mesmo. É uma delícia de ouvir e bruto sempre que pode. Tive vontade de parar o que estava a fazer para escrever frases que me punham a sorrir atrás dos óculos escuros, onde ninguém vê, mesmo que não os traga. Falava da beleza, do que pode ser para ele, ou para qualquer um, a beleza, o sentir-se atraído, e ele dizia que toda a gente falava de beleza interior, mas e o que era isso de beleza interior? que toda a gente parecia falar e usar, e ele não sabia. Para ele atraente, como uma casa, era aquilo ou quem nos dava vontade de habitar, mais, que sabíamos poder habitar, onde nos sentíamos confortáveis, em casa. Esta foi uma das frases que me ficou "a mulher que eu possa habitar". Houve mais, muitas mais, que ficaram perdidas naquele sítio em que sorrio sem se ver, sem me verem. E eu que não queria escrever nada no silêncio que me habita, o António Lobo Antunes obrigou-me a gravar o que me deu hoje, há pouquinho mesmo. A vida é assim mesmo, sem planos ou só de planos furados, também ele o dizia e lembro-me agora que também ele dizia que uma pessoa apaixona-se verdadeiramente quando verdadeiramente não dá jeito nenhum... A vida não deixa fazer planos, e é isso que assusta, e isso que lhe dá gosto, que a faz valer a pena. Eu acho, mas não dá jeito nenhum.

Post original publicado a 28/10/2012 

Post publicado há três anos neste dia, por curiosidade fui ver o que se publicava aqui por essas alturas, deparei-me com isto e lembro-me perfeitamente do dia em que no carro ouvi esta entrevista, de manhã, num dia em que o sol obrigava a óculos escuros, o que hoje de manhã não aconteceu. O resto continua o mesmo, continuo a gostar do homem, do que diz, da sua doçura que enxota à bruta. Fica aqui e inaugura uma nova etiqueta "REpost". Gostei da recordação, de me lembrar como se fosse hoje. Sem esta publicação isso não seria possível, é também talvez por isso que gosto tanto deste blog, tenho aqui os registos do que fez a minha vida, e do que a vida me fez, nos últimos anos.

Bom Dia