Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

30 abril 2013

Ahhhhhh...... pois.
Então se se desiste é porque não é.
Também sempre achei.
Eu nunca desisti, mesmo quando sempre desistiam.
Depois deixou de ser desistir, passou a ser não querer.
Não querer não deixa sequer espaço para dúvidas...
amar não é querer ou não querer, é amar.
Ou se ama, ou não se ama, ponto.
(como alguém um dia escreveu)
Não há espaço para desistências e ainda menos para não querer.


"ficar em silêncio quando o outro espera uma palavras é cobardia" - nunca tinha resumido a coisa assim, mas é mesmo isso, sim. 
Depois há quem diga que o silêncio já é resposta, é a resposta que quisermos, se é o que pensamos, é essa. Se temos um raciocínio lógico, deve estar certo, deve ser isso. 
É fácil, e não tem de se bater de frente com nada, assumir nada, dizer nada, assim nada é difícil. 
Nada é nossa responsabilidade: não dizemos nada, e o silêncio o outro que o entenda como entender, que deve estar certo. Se não estiver, paciência, também não faz mal, não é problema nosso querer dar respostas ao outro, isso é problema do outro, e ele que se dane, o importante somos nós.

29 abril 2013



Fizeram-me duas declarações de Amor na vida, ou que eu assim entendi.
Em nenhuma me disseram amar, nao assim, com esse verbo a sair pela boca, mas antes a ficar dentro de quem me falava.
 Das vezes que me disseram amar, não o senti como senti quando não o disseram, mas me pareceu no que diziam não dizendo o que entendi, porque o senti mais que qualquer coisa. 
Aquela de que me lembro agora veio por mensagem acordar-me o sono para um sonho que nunca chegou a acordar, dizia que a cidade estava em chamas, mas as chamas eram só tu a chamares por mim em chamas; dizias que nada fazia sentido, que sem mim nada mais fazia sentido. 
Parece que agora tudo faz sentido e já nada está em chamas.
E eu reduzida a cinzas dum sonho que nunca acordou.

A lei do desejo
Fala-se muito em justiça, nos tribunais, na Constituição, mas poucos são os que falam da mais elementar das leis: a do desejo. Muito se diz sobre o amor, a paixão, o dinheiro, como se todos fossem uma espécie de equipa que antes de entrar em campo já venceu, mas poucos são os falam sobre esta lei – a do desejo – como se esta não estivesse prevista no código, como se não tivesse regulamentada, como se fosse omissa, tamanho é o embaraço e o incómodo que tantas vezes provoca. Mas não, não há lei que se lhe compare, porque em todas as outras há alíneas várias que adiam os processos e os arrastam pelos tribunais. Na lei do desejo, a arrastar, só se for pelo chão, pelas paredes, pela cama. Enquanto nas outras há letras pequeninas e asteriscos minorcas que safam os bandidos à luz de uma outra suposta interpretação e leitura, na do desejo não há nada a fazer, não há segundas interpretações, encolhe-se os ombros, abana-se a cabeça e começamos a desapertar os botões da camisa como quem se vai entregar à justiça, já com as mãos esticadas e juntas, à espera de algemas. Pobre gente, fala-se tanto da energia nuclear se como fosse a fonte energética mais poderosa do mundo e ainda ninguém percebeu que bastaria conseguir transformar em pó o desejo, para que as duas Coreias se pudessem matar convenientemente. Por isso, o desejo segue os princípios bíblicos e seguindo essa conduta é sempre culpado para que, no fundo, nos inocente. De tal modo que não é primeira vez que chegados a tribunal a juíza pergunta: Foi você que traiu a sua mulher? E outra alternativa não restará ao réu, se não responder-lhe: Não fui eu dr.a juíza, foi o desejo.

Fernando Alvim

[o desejo, o desejo... esse culpado que supostamente inocenta toda a gente que lhe é vítima...]

28 abril 2013


I'm not here
This isn't happening
I'm not here, I'm not here....


[foto de Doisneau]
Há beijos que nos páram no mundo,
 nos apartam do mundo, 
nos páram o mundo.
 Criam um mundo só nosso onde se mergulha como num sonho, 
adormecendo a realidade.
...Pensamos que o mundo pára, mas é o mundo que continua, 
nós só adormecemos até que ele nos acorda.

27 abril 2013

Dormir sem comer é difícil.
Não dormi.
Não comi.
Beber sem comer é fácil.
Bebo.
Não como.
Vamos ver se durmo.
É difícil.
Entretanto fumo.
É fácil.


25 abril 2013

Hoje dei por mim às voltas na cidade, de repente lembro-me deste dia há precisamente um ano - eu sentada à beira da janela a fumar um cigarro e tu a passares de carro na rua em frente a minha casa. Há um ano eras tu que andavas às voltas na cidade e me passavas à porta e me mandavas mensagens em que dizias que "hoje é dia para uma revolução." Lembrei-me. Engraçado, não é?

24 abril 2013

Não é por teres crista que podes cantar de galo, ou sequer parecer ser um.
Não é por teres piercings que és moderno, ou tolerante, ou menos preconceituoso, podes ser ainda mais quadrado que muito betinho... 
Um carneiro é um carneiro, o tipo de carneiro que se é não se vê - nunca -  por fora... 
Bom Dia!!

21 abril 2013


Apanhei isto na net por aí, e o título é: 10 sinais que mostram que não está interessado... as coisas que uma pessoa aprende..... xiiiiiiii
( Isto faz-me tudo lembrar o quão estúpida sou, e o que é pior: em consciência, porque não é preciso ver escrito para saber, mas tem de certeza piada ver escrito quando não se quer ver o que se sabe...)



  • Ele não liga, não responde as mensagens, não se preocupa em manter contato. Só entra em contato quando quer te ver e na hora em que ele quer. E vem sempre com aquele papo de saudades para te amolecer. É da boca pra fora. - hummm pois... responder a mensagens, ligar, manter contacto é bicho mau...uiiii
  • Ele não faz a menor questão de te apresentar pros amigos (e família é um sonho distante de conto de fadas então).(...) - apresentar???? ahahahhaah...piadinha...
  • Caso você tenha a sorte de ser apresentada a algum amigo dele, o tratamento dele é aquele de “essa é minha amiga fulana”. Ele não te categoriza como namorada porque não é o que você é. E você ainda tem esperanças de que isso mude daqui a algum tempo. Boa sorte com isso. - Obrigada, mas acho que com sorte não chega lá
  • Ele sempre fala sobre ele mesmo e todo aquele papo egocêntrico de quem não tem o menor interesse sobre a sua vida e nem espera que você diga algo que o interesse. Ele te usa como ombro amigo nas horas vagas entre o futebol e o churrasco para desabafar e ser ouvido. - não, aqui por acaso acho que não, mas nunca  liga ao que eu digo, às vezes nem sei se ouve realmente...
  • Ele diz que te ama, que não vive sem você, mas não vê necessidade nessa pressa de oficializar as coisas. - não, não diz, mas a parte do oficializar confere.
  • Ele passa muito tempo longe e você acompanha a rotina de badalações e loiras gostosas com ele nas fotos das redes sociais. Depois ele volta, carente e com cara de cachorro pidão pro seu lado e diz que você é a mulher da vida dele. É sim, a mulher standby da vida dele. - não são loiras, mas a palavra gostosa não é inócua.
  • Ele não se dedica no pseudo-relacionamento e nunca está disponível afetivamente para tratar de assuntos como DRs e afins. Ele diz que não gosta desse papo e que prefere o sexo e fim. Ele não gosta mesmo é de você. - não faço ideia do que sejam DRs...
  • Se o cara tiver namorada e te der mole, prometendo largar a namorada por você e porque se encantou: ele não vai largar. Ele só quer uma diversãozinha de vez em quando pra sair da rotina. - pois, a rotina é tramada...
  • Ele não sente ciúmes, mas é possessivo com você. Ele não faz por onde, mas exige sua companhia quando bem entende. - não sente ciúmes, nem exige a companhia, não precisa chegar a exigir.
  • Ele fica contigo em festas, boates e afins. Mas nada de manhã ou de tarde em cinemas, parques, museus. Afinal de contas, esse tipo de coisa é programa de namorado. - óbvio!! 

  • Acordei.
    Afinal acordei - outra vez hoje, outra vez ontem. Abri os olhos para o mesmo vazio de sempre, a tentar estancar os soluços que os pesadelos não me deixam abandonar, quando os sonhos já me abandonaram há tanto, com a cabeça a estalar e nos ouvidos sempre a estalar "amei-te sempre muito", e então tudo estala, estilhaça em pequenos cacos que nem queremos remendar: queremos só fechar os olhos e deixar de existir para nós como não existimos para os outros.
    Afinal acordei, um dia não acordarei, um dia não acordarei outra vez ontem, outra vez hoje, um dia as coisas farão sentido, um dia já terá tudo sido sentido, e eu não acordarei.

    Bom Dia

    20 abril 2013



    Aqui, sentada às escuras à beira da janela, vejo a lua lá fora e a ti aqui dentro. 
    Vejo-te na sombra do luar na parede onde tu vias um grão de café, uns pulmões... Vícios, disse eu, que vi uma boca deitada e dois velhotes inclinados um para o outro - vícios, cada um com os seus, pensei eu...
    E penso agora que tu estás sempre onde eu estou, mas eu nunca estou onde tu estás; 
    nem sequer a minha ausência está presente.
    Boa noite

    19 abril 2013

    Brutal, cru e verdade.

    ..quero fugir.
    quero fugir-me.
    quero fugir-te.
    quero ir sem regresso
    e vir regressada de mim
    vazia de ti
    despojada de mim
    esgotada do que esgotaste.


    (...) Pedem tanto a quem ama: pedem
    o amor. Ainda pedem
    a solidão e a loucura.
    Dizem: dá-nos a tua canção que sai da sombra fria.
    E eles querem dizer: tu darás a tua existência
    ardida, a pura mortalidade.


    Herberto Helder
    ...boa pergunta...
    talvez um dia eu consiga a resposta a isso...

    18 abril 2013


    Sei que darei ao meu corpo os prazeres que ele me exigir. Vou usá-lo, desgastá-lo até ao limite suportável, para que a morte nada encontre de mim quando vier.


    Al Berto 


    [aproveitar tudo a que temos direito, sugar a vida até ao tutano, quando a morte nos apanhar já tudo de bom foi gasto em nós, usado até quase perder a cor, até ficar puído de tanto uso, até nos cansarmos e querermos afinal o descanso de ter vivido em pleno: ter sentido até aos ossos, que  nos sobreviverão, o bom e o mau.]





    Fica, enquanto não fores, será sempre tempo de partires,
    Por que queres tu que eu fique,
    Porque é preciso,
    Não é razão que me convença,
    Se não quiseres ficar, vai-te embora, não te posso obrigar,
    Não tenho forças que me levem daqui, deitaste-me um encanto,
    Não deitei tal, não disse uma palavra, não te toquei,
    Olhaste-me por dentro.

    José Saramago, in "Memorial do Convento".


    [o encanto é olhar alguém por dentro, e esse alguém sentir-se, por dentro, olhado, tocado, amado]
    Bom Dia!!

    17 abril 2013



    No meu olhar perdi tudo.
    É tão longe pedir. Tão perto saber que não há.

    Alejandra Pizarnik

    [tão perto que queima, 
    tão perto que corta, 
    tão perto que morre por dentro o pedir,
    tão perto que alagando-o seca o olhar.
    tão perto que sentir de longe o longe é esperança]

    16 abril 2013

    Aiiiiiii.... o Verão....
    Que bom!!!

    ..tenho sonoooooo!!!
    Estava tão quentinha, tão bem na cama, que raio tinha de me levantar??
    Quero ronha e levantar-me só quando chegar de ronha e apetecer comer ao sol...
    Bom Dia

    15 abril 2013

    Seguias de carro atrás de mim, ligaste-me para me dizer que estavas a pensar com os teus botões 
    "com esta mulher eu ia para qualquer lado... pensava eu nisto e começa a fazer a curva  a direito..." - eu respondi que pronto, assim já tinha desculpa para não ir comigo a lado nenhum... E é isso, há sempre uma desculpa, sempre houve uma desculpa, para não ir comigo para lado nenhum, há sempre uma desculpa em todo lado para ti.

    12 abril 2013


    (...)
    Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
    Esse eterno levantar-se depois de cada queda
    Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
    Essa terrível coragem diante do grande medo, 
    e esse medo infantil de ter pequenas coragens.

    Vinicius de Moraes



    [a coragem face a grandes terrores,que aparece sem avisar, invade-nos, toma-nos as atitudes e acordamos depois como se tivessemos hibernado num canto de nós enquanto alguma alma superior tomou conta de nós e das ocorrências. Nunca sabemos como tivemos coragem. E o medo que nos afugenta as pequenas coragens que nos mudam as miudezas da vida, ou que não nos deixam mudar nada, tal o medo das pequenas mudanças que podemos contornar e acomodar como se não mudássemos nada: e quando vamos a ver nada está na mesma, mas nada foi consciente e fruto duma qualquer decisão; é uma verdade que nos vai conquistando como quem invade o quintal do vizinho: pela calada e de mansinho. Estas miudezas de coragem parecem aterrorizar mais do que o terror de viver sem vida nenhuma. O cair uma e outra vez na desilusão. Não ter outro remédio senão levantarmo-nos para mais umas chapadas: é uma questão de tempo, e cada vez que nos levantamos sabemos que voltaremos a cair, e levantamo-nos para continuar a circular o labirinto, sem nunca perceber que o labirinto somos nós.]
    Parece que hoje há sol...vamos dar um passeio??
    Levas-me no bolso?
    Eu não peso, não faço barulho e ainda te aqueço...
    Leva-me, anda, quero ir no teu bolso, já que não te caibo no coração.
    Bom Dia!

    11 abril 2013

    - Ahhhhh...'tás muito gira hoje!!!!!
    - Sim!!! fui ao cabeleireiro, virei as pontas para fora,  vês??? 
    Sempre que vou ao cabeleireiro a minha auto-estima supera-se, vês pelo meu sorriso parvo??
    ahahahhaha
    Bom Dia!

    10 abril 2013

    Vi isto e pensei que era aqui que me apetecia - um dia destes, um fim de semana destes - tomar o pequeno almoço ao meio dia: com a luz a iluminar tudo, com a vida a sentir-se além da flor da pele, mas também à flor da pele, ali à mão de semear, de colher numa festa que se encontra por acaso na pele do outro, pelo peso da ternura nas pestanas que nos faz baixar os olhos e abrir um sorriso desabrido, pelo mel que se traz no olhar para ser colhido por quem se olha... depois percebi -caiu-me como um raio que fulmina e arrasa tudo a cinzas - que há coisas que já nem pertencem à categoria de sonhos, mas só à de miragens, piscamos os olhos duas vezes, atentamos melhor, e vemos que não está lá nada, nem vale a pena caminhar nessa direcção, não está lá nada, nós não estamos, nem nunca estaremos lá. Ainda que um dia possa ir precisamente a este sítio, sentar-me até nesta mesa, nunca o que eu vi quando vi esta fotografia, nunca isso deixará de ser uma miragem, e das que doem. 
    Ainda que um dia eu vá, nunca chegarei onde queria ir. 
    O destino às vezes não é um lugar, 
    é uma memória que fabricámos num futuro que não existe.
    Às vezes o destino é uma miragem.
    ..e cada vez menos.

    05 abril 2013


    Quantas vezes te esperei neste lugar
    quantas vezes pensei que não chegavas
    quantas vezes senti a rebentar
    o coração se ao longe te avistava.
    Quantas vezes depois de teres chegado
    nos colámos no beijo que tardava
    quantas vezes trementes e calados
    nos entregámos logo sem palavras.

    Quantas vezes te quis e te inventei
    quantas vezes morri e já não sei.

    Torquato da Luz
    Os sonhos numa mão, o passado na outra, os dois olhos no futuro.
    Com o caminho vamos deixando pesos para trás - uns largam primeiro os sonhos, outros, para manterem as mãos livres para agarrar os sonhos, vão largando pedaços de passado que atrasam e prendem; fica só o que se aprendeu, para usar no caminho, para escolher o que melhor chega aos sonhos, 
    mesmo que estes nunca cheguem à vida.
    E a nossa vida pareça nunca chegar.
    Bom Dia

    03 abril 2013



    (...)
    Ah, meu amigo
    Que límpida paixão
    Que divina vontade
    Fervor feito de lava
    Fogo sobre a tua fronte
    Tanto amor
    E não te deram nada.
    (...)

    Hilda Hilst, Poemas aos Homens do Nosso Tempo

    [Quantas vezes tudo se resume a nada, 
    e os nadas a tudo? 
    Quantas vezes queima o fogo 
    e quantas acalenta? 
    Quantas vezes corta o gelo 
    e quantas nos refresca? 
    Quantas vezes nos consumimos em fogo,
    e quantas nos alimentamos de silêncio?


    Quantas vezes me silencias do teu amor 
    e quantas mo sussurras? 
    Quantas vezes me foges 
    e quantas te entregas? 

    Quantas vezes nos repetimos
    e quantas vezes nos voltaremos a repetir?
    Quantas repetições fazem os nadas, que fazem o tudo,
    diluir-se no tudo chegar a nada?]
    Gato...
     se ocê fô o mê gato,  não tá bom não, tá mêmo bótimo...
     senão descola da minha sola,  né?...



    "A tua beleza aumenta quando estamos sós, 
    e tão fundo, intimamente, 
    a tua voz segue o mais secreto bailar do meu sonho 
    que momentos há em que eu suponho seres um milagre criado só para mim".

    Sophia de Mello Breyner

    [...se ao menos eu acreditasse em milagres e te supusesse só meu... 
    tudo o resto é a mais milagrosa das verdades, ainda que amargamente doce... ]

    O que eu já me ri com esta notícia!!! É assim mesmo!! És cá dos meus, diz o que há para dizer, sem espinhas, e se houver, que as engulam!!
    Com garra, com espinha e com raça - gosto deste homem! mesmo que às vezes um bocadinho arrogante além da minha conta, perdoo-lhe pelo resto todo.
    E tão lindinho que ele continua!! 
    Por que raio os homens com a idade ganham charme e as mulheres rugas ou cu, ou os dois?? 
    Ahhhh Mourinho que não apanhavas chuva no meu quintal, não!!!
    Bom Dia!!

    02 abril 2013


    Gosto das palavras frágeis como gosto de ti
    e a verdade é que também é frágil a minha forma de gostar-te.
    Tudo o que me chega de ti, palavras, beijos, luzes, injustiças,
    traz essa fragilidade das dunas que lembram o teu corpo
    e esse código antigo decerto herdado da primavera,
    antes mesmo de haver um tempo de celebração das flores.

    Por vezes gostava de ser tu. Ser frágil e usar anéis
    com as pedras raras da esperança, as insondáveis pedras
    dos dias que hão-de vir. Mas vivo o exílio destes dias repetidos
    sobre a efemeridade da pele, vogando como cisnes moribundos
    em busca de uma última revelação, talvez a melodia tão pura
    que possa transformar em pão não só as nossas rosas
    mas também a própria liberdade.

    E é por isso que amo
    as palavras frágeis, essas palavras nuas que me ofereces
    e que são, assim, de tão frágeis, a minha imensa força
    e o meu fatal deslumbramento.
    Joaquim Pessoa
    [gosto de palavras nuas - frágeis ou não - são puras, sem subterfúgios. Podem magoar, e podem curar todos os males. as tuas costumam ter esses efeitos: magoam, magoam muito, porque são cruas, porque mas ofereces nuas sujeitas às intempéries da vida que me vais dando, mas depois, depois, também me sabes entregar palavras nuas cheias de carinho, de ternura, de mimo - e muitas vezes entregas-mas em silêncio, não são menos despidas por isso, nem mais cruas, são apenas a tua maneira de me falar muitas vezes de doçura, e eu gosto; como também gosto quando são palavras de corpo inteiro que guardo e velo dias a fio, para que, quando me serves nua a crueldade da vida, as possa ter intactas: para me lembrar delas e ouvi-las, e sabê-las de novo, e outra vez. Nuas, sempre nuas, porque é assim que vimos ao mundo, é assim que todos somos debaixo das nossas máscaras, é o que somos, é o que é, não vale pena enfeitar vestindo, porque um dia temos de nos despir, um dia temos de nos encontrar e ver ao espelho - nús perante a nossa verdade.]

    ...bem preciso!!!
    Dum balde!!
    Bom Dia!!

    01 abril 2013

    Um dia destes abro a porta assim...
    está de chuva, gabardine é o indicado, né??
    Pois....

    ...Há pessoas que ficam tão contentinhas, tão contentinhas,
    que só lhes falta sair um espectáculo de pirotecnia pelo cuzinho...
    ffffhhhhhh pummm fhhhhhh pummmmm
    tudo muito "inho", claro... tanto alardezinho que dão a tudo...
    ...que felicidadezinha boa... com foguetinhos pelo cú acima e tudo... quer dizer abaixo, abaixo...
    (pronto, era só isto, eu sei que sou má, é por isso que a minha vida é o que é, paciência...
    ...sempre me rio sozinha....
     a emissão retoma dentro de momentos...)
    [photo by Gregor Larymont]

    Ora um destes é que vinha mesmo, mesmo, a calhar...
    o dia melhorava logo... pelo menos as vistinhas melhoravam exponencialmente....
    Aiiiiiiiiiiiiiiii....


    Acordei a meio da noite e só pensava "onde está o meu descanso?", onde raio deixei eu o descanso, a tranquilidade, o bem-estar? O sentir-me bem?, parece que os descalcei para entrar nesta sagrada casa de doidos em que vagueio, donde ainda não saí, e donde sei que não vou sair pela mesma porta; não vou voltar a apanhar os meus sapatos antigos à entrada - vou sair por outra porta, ou por uma janela, ou pelo telhado, descalça. Resta saber que chão terei de pisar de pés nús, olhos no chão e coração desfeito. Sairei desta casa mais completa e mais vazia, a saber mais de amor e de desamor, cheia de um amor maior e esmagada por um desamor ainda maior e mais pesado. Não saio igual, mas não saio mais à frente na vida, apenas com mais tempo nos olhos, na pele e na desesperança. Terei de voltar a encontrar uns sapatos que me sirvam, que sejam o meu número, que sejam confortáveis, que me deixem caminhar sem magoar demasiado os pés, para levantar os olhos do chão e deixar de pensar com o coração, que precisa de descanso.