Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

26 dezembro 2010


"- Já não me amas, bem sei..."
Era tão bom se uma birrinha com direito a beicinho e tudo resolvesse isso, isto, mas não, nada resolve. Nem o "já", nem o não ser já, ou alguma vez ter sido, na verdade o "nunca", basicamente.
E eu era gaja para fazer birrinha para resolver uma coisa assim, que não se resolve, se ao menos resolvesse...
Escrevo para não fazer asneiras, e para dizer o que queria, mas não digo. Apetecia-me falar consigo, é verdade, mas não me apetecia ouvir o que oiço sempre, o sempre, o agora, sempre adiado para nunca ou quase nunca. O nunca, aquele lá no fim da lista enorme de coisas a fazer, e que se querem feitas. E isto cansa, cansa e magoa, e chega a um ponto em que nos exigimos mais, mais para nós. Temos de merecer mais, ou nunca teremos mais do que o fim da lista, o nunca, sempre adiado, ainda que apregoado de vez em quando em doces palavras que semeiam sorrisos no coração que já não se quer sentir. E que me fazem crer que, por vezes, os gestos, algumas palavras, por traduzirem o que vem de dentro, se sobrepõem aos actos, aos factos que não se alteram e que não vemos, quando queríamos ver.
Não lhe ligo, não lhe falo, não lhe escrevo, porque seria desilusão que iria escrever, que iria aparecer por entre as letras desnudas, e não quero, já chega, não tem culpa de eu me sentir assim, nem de não sentir em si o suficiente para encurtar a lista que vem antes de mim. Tenho pena, queria-o muito, queria acreditar que também me queria, que o que sinto encontrava espelho em si, mas não o sinto assim, e não mo mostra assim. Diz-me que não me quer ver assim triste, mas não me muda a tristeza.

22 dezembro 2010


Hoje descobri, apercebi-me, que há partes de mim que não são minhas, que me habitam por empréstimo. Partes que eu gosto que me fazem rir, querer viver e querer sentir, que me parecem tão minhas, mas que apenas sinto quando estás por perto de mim. Não perto aqui, mas perto cá dentro, perto em mim, quando me aqueces sem saber, quando me fazes sorrir e enlouquecer sem o sonhar sequer, quando me tens e nem me tocas.
Dou por mim a pensar que vou sentir falta destas coisas tão minhas apenas por empréstimo.
Vais levá-las contigo e eu, assim, devolvo-me a ti, em parte, por partes.
As minhas que são tuas, que deixarão de ser minhas, quando deixar de ser tua.

19 dezembro 2010


apetecia-me falar consigo
apetecia-me que aqui estivesse
a dar-me mimo e calor
chego à infeliz conclusão que não quero mais ninguém
que ainda não consigo querer mais ninguém
que só sinto amor e raiva e ódio por si
por mais ninguém
é estranho mas não há nada a fazer
não sei o que mais posso fazer
quero que me abrace
quero muito e não está aqui
e eu não sei o que anda a fazer
só sinto que não me quer, é a única certeza que tenho
e que eu o quero
muito
demais
sinto o seu cheiro e dos beijos fugidos
quero-o aqui e não está
não está ca ninguém
e se estivesse
nao estava, sem saber

12 dezembro 2010



Esta música não me deixa ficar quieta, tenho mesmo que me mexer... a música é uma coisa extraordinária, muda-nos o estado de espirito, obriga-nos a mexer, a sorrir, a saltar às vezes. É contagiante, para o bem e para o mal...

08 dezembro 2010



O cheiro foi-se. Qual perdigueiro, bem o procuro por entre os meandros da tua presença passada, mas já foste, e levaste-te contigo, deixaste-me com pouco de ti por pouco tempo. Foi-se com a água, foi-se no ar que passa e o tempo arrasta, e de repente o meu nariz já não te tem debaixo. Já foste, nunca sei se voltas, quando voltas, como chegarás, como partirás, porque sempre partes e partes-me a cada vez que depois, qual perdigueiro, persigo o teu cheiro quando ele já não está.

30 novembro 2010

-esses olhos mostram um coração gigante...
-hummmm ainda bem.. espaçoso, é? optimo assim cabe lá muita gente...ehehheh... tipo coração T7 ou T8....
-#$@&%#@

26 novembro 2010

-Já alguém a convidou para dançar esta música??
-Não...
[e isso também não mudou, meu cabeça de abobora, mas tenho a certeza que já fez o convite a alguém... &%#@%&#@]

28 outubro 2010



- A Eva beija como se gostasse...
... como se gostasse tudo num beijo.
[é nestas alturas que eu dou graças a deus pelos copos a mais que fazem dizer estas coisas...]

24 outubro 2010



"You, you still have all the answers
and you, you still have them too
and we, we live half in the day time
and we, we live half at night
(...)"

21 outubro 2010


À musica faltar-lhe-ia o tacto
À imagem, a terceira, quarta e quinta dimensão
Ao toque faltaria a essência do cheiro
Ao cheiro faltaria textura
O brilho dum olhar não chegaria
Todas as palavras do mundo não conseguiriam descrever
Que às vezes o mundo pode caber numa cabeça de alfinete
E outras em que não há lugar no mundo onde a cabeça de alfinete caiba
Apenas a memória abarca tudo
Recordações com cheiro, tacto, paladar e banda sonora
Com emoções como linha que tudo liga
Que a tudo dá sentido
E que um alfinete prende

18 outubro 2010



There was a boy
A very strange enchanted boy
They say he wandered very far, very far
Over land and sea
A little shy
And sad of eye
But very wise
Was he

And then one day
A magic day he passed my way
And while we spoke of many things, fools and kings
This he said to me
“The greatest thing
You’ll ever learn
Is just to love
And be loved
In return”


We can talk in circles
Going round in a million ways
And never understand

17 outubro 2010



What a lovely way to burn...


Maybe thtat's the reason...

Quando nos ligam a dizer que precisam de nos dizer uma coisa, e dizem que tomaram uma decisão, que dizem definitiva, parece que algo não encaixa, soa-nos a estranho pela maneira que nos é contado, mas o que é certo é que o dizem, e dizem-no definitivo, mas pedem espaço e tempo, não nos querem ver nem falar. Assim é.
Horas depois essa decisão definitiva torna-se, não só não definitiva, como contrária. Nem por um momento se pensa na pessoa a quem se transmitiu a suposta decisão, nem por um momento se pensa que se lhe foi transmitida em determinados moldes, era porque afinal alguma coisa tocava a essa outra vida. Não, nada, não teve, nem tem importância alguma. E isto sabe-se quando, vários dias depois, se pergunta como está tudo, porque nos apartaram da vida, nos excluiram dela e do que nela corre, a resposta é não tenho nada para dizer, não vou dizer nada agora. Consistente de facto, obviamente a pergunta é uma intrusão, mas mais à frente na conversa, afinal fica-se a saber que a decisão definitiva, com a qual deveria ter a ver porque foi transmitida e pedido afastamento, foi mudada, mas aí, já sem nada a dizer ou anunciar com pompa e circunstância.
Realmente eu não devo ser deste mundo, porque não percebo esta gente que me rodeia, não percebo como podem achar tão pouco das outras pessoas que lhes querem bem e que nunca as desconsideraram assim. Talvez não se apercebam, mas se pensarem, apercebem-se de como as pessoas são tão egoistas, tão à volta do seu umbigo, que se esquecem que existe o resto do mundo, e algumas pessoas em cujo mundo entram, mas só quando lhes dá jeito, porque elas se dão, sem pompa ou circunstância.

14 outubro 2010

Gostava de acreditar quando diz que precisa de mim, para dormir, para se sentir em paz, para conversar, para dar um aolá, mas não consigo, não acho que precise de mim para nada. Mas percebo algumas coisas, a necessidade quando satisfeita cria uma habituação cómoda, trocam-se necessidades e a vida vai passando sem necessidade premente de nada. Este tipo de troca deve ser prática, e cria uma dependência funcional donde não há vantagem em desintoxicar, porque tudo está bem. As pessoas precisam-se mutuamente para as coisas mais prosaicas, e então dá jeito ter ali à mão quem está ao pé. E assim podem-se levar vidas desligadas mas dependentes, porque é chato deixar de ter à mão quem nos dá jeito, quem nos dá um jeito às necessidades. De facto eu prezo a minha liberdade e a minha independência e o não precisar de ninguém para fazer o que quero, é que eu preciso dos outros para ser quem sou, para viver bem, para partilhar, mas não para trocar, não, eu dou assim tu dás assado, tu fazes-me isto porque eu te fiz aquilo.
Por isso as mulheres aparentemente fortes, independentes, com necessidade sim da sua liberdade e do seu espaço, e que não precisam de homem para fazer o que lhes apetece são encaradas com desconfiança, porque a ligação com base na necessidade, numa certa subjugação, não existe, ou aparenta não existir, o que cria uma imensa insegurança. Hoje em dia as mulheres já não são dependentes do homem, nem financeiramente nem em qualquer outro aspecto (nem mesmo para mudar lampâdas, que aquilo não tem instruções mas é bastante intuitivo), e a única razão porque deveriam estar juntos era não porque são dependentes um do outro, mas porque querem e gostam de estar juntos. Têm prazer nisso, porque estão muito melhor do que com qualquer outra pessoa, ou até mesmo sozinhos, mas em que não servem apenas para preencher a solidão.
Ele não precisa de mim, e eu não preciso dele para adormecer, não preciso dele para comer, não preciso dele para sair, mas preciso dele, muito, para fazer tudo isto muito melhor, para me sentir muito melhor, mais completa, preciso dele para fazer a vida valer a pena, porque essa no fim não se troca.

Gestos que não se têm
Palavras que não se dizem
Um beijo para que não nos inclinamos
O abraço que não damos
Sentimentos que esquecemos de sentir
Distâncias que lembramos de alongar
Tudo fora do lugar
Tudo guardado, fechado, escondido
Negado,
Tão negado que se torna imenso no existir
Fingindo não ser
Pesa-nos o ser
Sonhando não querer
...com quem as conversas inevitavelmente resvalam para a parvoeira, divertida umas vezes, atrevida outras, de picardias de parte a parte e muitos risos à mistura. Conversas salpicadas tantas vezes de mimo e envolvidas em saudades que se procuram esquecer ou substituir por presenças ausentes, mas faladas.
E depois desliga-se, liga-se o modo lúcido e vemo-nos caídos de novo no mesmo remoínho que não controlamos, onde não sabemos como ou onde entrámos, e não sabemos como sair. E apesar de tudo isto, voltamos a dormir bem, finalmente o sono novamente restabelecedor e o espírito mais leve, embora sempre desconfiado do que espreita na próxima curva do tempo. E tem-se medo de tudo outra vez, de saber que se vai passar, algures num futuro perto, tudo outra vez. O vazio, o escuro, o silêncio, o peso dos dias e da vida nos olhos a quererem-se fechar.

12 outubro 2010

-Está a ver para que serve uma cerveja? Para impedir coisas rápidas demais.
-É. Tipo limitador de velocidade...

10 outubro 2010

>>Ja te disseram hoje que es linda e maravilhosa? :)
>> Beijos
Não, mas soube bem. A intenção soube muito bem.

- Não, neste caso é só mesmo bem-me-quer, mal-me-quer.
-ahahah.. esta miúda tem piada, tem cada uma! Tonta.
A minha cabeça
Um emaranhado de nós
Nós cegos
Nós apertados
Nós deslaçados
Do desfeito nós

Traz-me a alma numa casca de noz
A memória da sua voz
Esmaga-me o eu entre pesadas mós
E desfaz-me em coloridos pós
Dum só nós
Cujos nós não quis apertar

09 outubro 2010



Hoje só dou música, estou assim, pronto!
Beautiful



Here we are, finally together
holding close, never release this feeling, this moment, my dream is now
I'm loving you,
cause you're beautiful, something in your eyes tells me I have found
love that never dies
I don't have to dream
reality is beautiful in you
I never felt more true
there you are
finally the answer
take my hand
never release the sweetness, the magic, and hapiness I've found in you
...

08 outubro 2010

...and in my heart.
Gosto quando as minhas costas fazem de piano para as suas músicas cantadas em silêncio pela minha pele, que como que encantada as prende, não saem. Encontram o caminho certeiro rumo ao coração, e lá se alojam, sem qualquer autorização da dona.
- As coisas melhores de tocar sabe o que são?
- Não!!.....
- A sua pele e as patinhas dos gatinhos bebés...
[lembrei-me quando vi a foto, já não me lembrava disto, e acho que havia outra hipotese de que não me lembro, bolas!!]- é isso o focinho dos cavalos. Não sei porquê na altura a coisa soou melhor.... :)

Will you still love me tomorrow


Já agora, e hoje e nos outros dias?...

07 outubro 2010

-Whaaaaaat??? O que é que foi??? Está a olhar para mim porquê?
-Porque gosto. Não posso?
-(#%#/&%) Pode.
- Pare de se rir com essa cara de parvo, já percebi que ela era gira, pronto, escusa de inventar, é que eu estou de costas mas sei que se está a rir engraçadinho.
- eheh...como é que sabe essas coisas?

06 outubro 2010

Apetecia-me falar consigo.
Sim, consigo, este post é para si, não sei quando ou se me vem ler, mas suponho que de vez em quando me espreite para tentar perceber como estou. Não sei o que entende do que aqui vê, que deve ler em diagonal, que o tempo é pouco, eu sei, sempre foi (e eu escrevo para xuxu, não é?). Mas não se preocupe, é aqui que ponho tudo o que de mais sombrio me assombra, o que mais me entristece, é onde me refugio do dia a dia que tem de ser, ou tentar ser, normal. É preciso, para conseguir algum equilíbrio minímo, para me ir levantando todos os dias, mesmo quando as noites não são dormidas como devem. Se lê alguma coisa do que aqui vai há-de perceber que me tento agarrar ao que posso, tento racionalizar-me das minhas razões e não das suas, porque não consigo encaixar as suas na minha visão do mundo, e então obrigo-me a olhar para tudo, para o que foi e o que se passou, pelos olhos dos sentidos, do que há, do que se vê, do que se ouve, e tento calar tudo o resto que me grita coisas que sinto mas que são incompreensíveis à razão.
Não sei o que tudo isto foi para si, sei o que foi para mim e o que senti, o que senti até de si, em si, do que parece tantas vezes ter sentido quando revivo na memória tanta coisa boa que foi, mas tento apagar essas sensações, esse pressentir o que sentia, porque não encaixa no fim que deu à história Tenho de perceber o fim para o processar, e para isso não posso acreditar senão no que se vê e ouve, e esquecer os sentidos que sentem mais, mas que nunca justificariam a história assim, mas precisamente ao contrário. Não foi o que aconteceu, não foi o que ouvi e o que me deu a ver. Tudo isto para lhe dizer que estou melhor do que pareço, que não se preocupe, que se preocupe consigo e com o fazer as pazes com a vida, com a sua vida, para que possa aproveita-la o melhor que pode e escolheu. Eu continuarei por aqui, a equilibrar as ideias e os sentires e a conversar consigo, sem falar e sem si.

05 outubro 2010

-Está-me a encher de mimo, sabia?
-...Não, não sabia... :) nem sei como é que se faz isso pelo telefone...mas tenho de aprender que isso parece-me uma coisa útil...
[podia-me ter explicado como é que consegui fazer isso :), lembro-me tão bem de ouvir esta frase, que a oiço ainda, e sei perfeitamente onde eu estava e onde ele estava quando a disse]
-Incrível.
-O quê?
-Como foi preciso chegar a esta idade para ver que há na realidade coisas, que dantes pensava que só em sonhos.
-E só, só em sonhos é que são possíveis, na realidade não. Na sua e na minha, não.

04 outubro 2010


- Pare lá com isso e fale comigo agora.
- Mas eu não estou a fazer nada...
- Está está, pare de olhar para o monitor e fale comigo.
- ahahahah, como é que sabe?
- Porque sei, não discuta comigo.

03 outubro 2010

O tempo passa? Não passa
no abismo do coração.
Lá dentro, perdura a graça
do amor, florindo em canção.

O tempo nos aproxima
cada vez mais, nos reduz
a um só verso e uma rima
de mãos e olhos, na luz.

Não há tempo consumido
nem tempo a economizar.
O tempo é todo vestido
de amor e tempo de amar.

O meu tempo e o teu, amada,
transcendem qualquer medida.
Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida.

São mitos de calendário
tanto o ontem como o agora,
e o teu aniversário
é um nascer toda a hora.

E nosso amor, que brotou
do tempo, não tem idade,
pois só quem ama
escutou o apelo da eternidade.


Carlos Drummond de Andrade, in 'Amar se Aprende Amando'
Ninguém pode dizer que gosta, que nos quer, e ao mesmo tempo dizer-nos que é impossível, que não pode ser. São duas afirmações demasiado antagónicas. Não me querem perder, mas não me querem na realidade para nada. Não me querem perder, mas não me querem, não lutam para não me perder. Deixam-me fugir, não esboçam sequer uma ligeira vontade de não me deixar ir, deixam apenas a leve impressão de que preferiam que não fossemos, mas não se mexem, não saem do lugar, e depois insinuam que sofrem muito. Talvez. Mas então devem gostar.
Eu é que sofro e não gosto, e não posso fazer nada, não sei lutar contra moínhos de vento instalados em cabeças, que na verdade não posso mudar, nem quero, porque fazem parte dele, dessa estranha maneira de ser, e é essa maneira estranha que eu gosto, que me prende e me afasta, que me afastou. Não o quereria mudar e não se obriga ninguém a ver os verdadeiros moínhos de vento.

02 outubro 2010


-Então e ele era giro?
-Não, não era nada de jeito...
-Ahhh então foi por isso que não lhe deu o numero!!
-Foi, claro, foi por isso foi, mas ele tinha um rabinho muito jeitoso...
-A mim nunca me disse isso!!... eu não tenho um rabinho jeitoso???
[ihihih apanhado, tão bem apanhado :)]


Change your heart
Look around you
Change your heart
It will astound you
I need your lovin'
Like the sunshine

Everybody's gotta learn sometime

(...)

[eu já aprendia já...]

30 setembro 2010


- Há coisas que um homem não controla mesmo!!
- É, é, não há nada que um par de estalos não controle, quer apostar?

-Pois, pois, 'tá bem, claro...
-Não me irrite senão eu paro o carro e vou-lhe aí espetar um beijo.
-Tá bem.
[mas não foi só um]

29 setembro 2010

Nunca percebi quando me dizia que dava pouco, nunca senti as coisas assim. Dava-me o que eu precisava sempre que podia, como poderia eu pedir mais? O que me dava não era pouco, o que não quer dizer que não me soubesse sempre a pouco. Porque sabia, sempre, e queria sempre tanto mais. Quando estávamos juntos dava-ma até o que eu não imaginava precisar, fazia-me sentir completa, só estando, só poisando o seu olhar no meu, conversando com o meu, alimentando o meu, dando-me a vida que me via dentro sem perceber. Como poderia achar que me dava pouco, se me deu tanta coisa nova em mim que eu não sabia ter? se me descobriu tão bem? se me deixou vê-lo aos poucos, e adivinhá-lo um pouco, deixando-me devagarinho, pé ante pé, entrar no seu mundo. Disse-me que eu lhe dava tanto nunca pedindo nada em troca, mas como pedir quando se vê que dão tão bem sempre que podem?
Eu é que lhe queria dar mais, eu é que tinha vontade de o mimar sempre que podia, surpreender sempre que via oportunidade, eu é que por nada deste mundo trocava a tarefa de lhe tirar o peso da voz e do olhar, e não descansava enquanto não o fizesse, mas de uma forma muito egoísta, não o fazia por ele, sempre o fiz por mim, pela alegria que sentia em senti-lo melhor, em fazê-lo rir mesmo quando fechava a cara e alma, e depois se esquecia. Ainda hoje me apetece fazê-lo, não o posso imaginar com a voz que às vezes lhe ouvia, com a falta de ânimo que o consumia às vezes, ou só o cansaço. A minha felicidade era trocar-lhe os humores e as voltas, espicaçando-o e regateando uma gargalhada que teimava em aparecer, mas que não era mais teimosa que eu. Nunca foi.
Lembro-me de lhe dizer que um dia ia sentir mais a minha falta que eu a dele, que ia sentir falta do telefone a tocar ao fim do dia, ou da companhia nas viagens, ou das mensagens inesperadamente ridículas, em que lhe dizia de todas as maneiras que me lembrasse que me lembrava dele, ou só para fazê-lo sorrir a meio do trabalho, ou para lhe puxar as orelhas que mais tarde ia trincar com carinho. Talvez me fizesse mais presente por a presença dele me fazer tanta falta, e a sua ausência me encolher a alma e me escurecer a vida, mas logo a sua presença levava arrastada todo o tipo de ausências que lhe sentia, abarcava-me a vida e devolvia-ma muito mais luminosa, mais doce, mais bonita, ou pelo menos, assim a sentia. Sempre.
Não, de certeza que não sente mais a minha falta que eu a dele. Nunca.

-Eu não quero um carro topo de gama ou uma casa enorme, ou.. ou... eu queria o melhor beijo do mundo todos os dias. [também eu]

27 setembro 2010

Stupid girl


Eu bem gostava de perceber, talvez assim me sentisse completamente conformada. Mas não percebo, por muito que tente, não percebo. Não percebo as coisas como mas dizem, só percebo assumindo que não se gosta, porque no meu mundinho, a coisa mais estúpida que pode existir são duas pessoas que se gostam, que estão bem juntas, que se sentem para lá de bem uma com a outra, que falam quando se olham nos olhos, que falam nas músicas e nos silêncios, e que por uma razão que se diz racional, se separam, e ficam os dois mal, para lá de mal, muito dificil, dizem. Dificil devia ser fazer uma coisa destas, dificil deveria ser ficar junto, se as duas pessoas juntas não estão bem, não o contrário, mas isto sou eu, que sou estúpida. Mas pelos vistos não é dificil, é fácil, é apenas conformarmo-nos que nem sempre podemos ter o queremos, mesmo que seja uma coisa rara, mesmo que seja uma realidade que até se pensava dificil de existir, mas não, deve ser fácil, porque fácil é deita-la pela janela fora, como a beata dum cigarro que já se fumou, e temos de nos conformar que acabou. E anda-se para a frente a fazer de conta que não se viu nada, que não se sentiu nada, que não se perdeu nada. E quem consegue fazer isto é porque não perdeu mesmo nada, eu é que sou estúpida.

26 setembro 2010

Há dias em que me apetece mandar tudo à merda. Hoje é o dia. Apetece-me atirar para os braços do primeiro que se me atravessar à frente, que já se atravessou, e que já mandei passear, não me apetecem aqueles braços. Por muito que gostasse de ser doutra maneira, não sou, não sou capaz. Agora volta a insistir, sem perceber que não quero o que ele quer, que na verdade não quero nada. Quero ficar sozinha, quero dormir e esquecer. Esquecer-me que existi sem saber como ou porquê, esquecer-me porque não quero tomar café com quem insiste em se me atravessar à frente, sem perceber que não me diz nada, que quero ficar no meu canto e fazer de mulherzinha fraquinha a quem tudo derruba e tira vontade, a quem tudo faz desmanchar sem saber refazer, e hoje, sem saber até disfarçar. Detesto essas mulherzinhas.
Senta-te aqui ao meu lado, onde tantas vezes estiveste e seca-me esta tristeza que não descansa, senta-te como tantas vezes fizeste e deixa-me encostar a ti, beber-te o olhar e sentir-te o mimo de que não me canso. Senta-te aqui onde estou, onde ainda estás sem saberes, onde não consigo deixar de sentir-te, de ver-te, de querer-te. As recordações invadem-me o corpo sem saber que pontes queimar e que pontes passar, mas ganham-me sempre. Aqui sentada ao lado de ti, sem ti.

A kiss to build a dream on

Tempo, dizem que o tempo cura tudo, mas o tempo não cura nada, o tempo não faz passar, o tempo passa por nós e não nos leva o que se sente, apenas nos faz mastigar o que vivemos, faz-nos recordar e reviver, até que essa vida se torne mais distante, mais arrumada em nós, num sítio mais dificilmente alcançável, mais fundo, onde é mais dificl tocar-nos, mas não apaga, dá-nos apenas uma perspectiva diferente, dá-nos o olhar para trás e acomoda-nos vagarosamente na realidade presente. Obriga-nos a isso, a conformarmo-nos com o que não foi. O tempo reorganiza-nos o espaço interior e dá-nos espaço para nos protegermos até de nós, dos pensamentos, imagens, sons, conversas, momentos que não voltarão. Mas quem uma vez nos habitou bem o coração, jamais de lá sai porque o tempo passa, fica sempre. Um grande amor só deixa de o ser com outro grande amor. E esse pode acontecer, quando a nossa alma se reorganizar e acomodar, quando conseguir conformar-se com a realidade cada vez mais distante do que recordamos ainda e sempre com um sorriso especial. Se não houver um novo grande amor, qualquer coisa, um olhar, um gesto, uma palavra, um passo em falso faz reacender aquele que ainda nos habita, arrumadinho e calado, por muito tímido que seja esse reacender. O tempo não é a cura, mas tem de passar para que outro amor seja possível, sendo possível que nunca aconteça.

25 setembro 2010

Depois do jantar de amigos, não sei quantos copos de vinho e algumas gargalhadas, aqui volto para despejar o que já não comporto, não me importa que não me comporte, queria agora fechar-me do mundo e fechar-me no nosso. Queria essa sua boca para mim, e puxa-lo e chegar-me a si e ficar-me, queria essas mãos onde a imaginação não chega, queria deitar-me, chegar-me, encaixar-me e deixa-lo desenhar-me as costas, os ombros e as curvas que encontrasse, queria olha-lo no fundo desses olhos sem fim e encontrar-me lá, intacta, cheia de amor, ternura e carinho para lhe dar, e que não aprendi a dar a mais ninguém assim. Queria esquecer a cabeça e toda a razão que me sobrevive, queria esquecer-me de mim e deixar-me morrer em si, porque é a melhor maneira de viver a vida que trago ainda dentro. Queria sabe-lo meu e sua, e aproveitar a vida que todos os dias começa, mas que só sinto começar a viver nos seus braços, no seu mimo, no seu beijo carregado de ternura ou desejo, nos seus braços que me endoidecem, protegem, e abarcam os sonhos que tenho medo de sonhar. A realidade pode ser tão melhor que os sonhos sonhados, como renegar o que é óbvio? Como não ver o que se sente? como não sentir o que se nos crava na alma mais que na pele? Como deixa-lo quando já me deixou?... sem norte, sem vida, sem vontade, sem o seu abraço, sem a sua voz meiga e gargalhada desconcertante? Como viver, morrendo a cada dia o que nos faz acordar? O que nos faz esperar algo da vida, o que lhe dê sentido? A vida só tem sentido se a sentirmos, e sentimo-la mais quando se nos escapa. Quando nos escapou o sonho por entre as frestas crueis da realidade. Como agora. Como roubar a vida ainda não vivida que nos escapou? Como compensar o que não se teve, se o tivemos na mão? Como justificar um dia, quando os olhos se nos fecharem de cansaço que a vida que tivemos nos braços, não vivemos, não a sentimos ou aproveitámos como podíamos, como é dever de quem alguma vez a encontra? Há tantas obrigações, mas a quem daremos contas, quando um dia tivermos de justificar a obrigação de viver a nossa vida e passarmos ao lado? A quem?

22 setembro 2010

Ando à procura do que dizer, do que estou a sentir e não encontro, não por falta de sentir, mas por falta de horizonte para o sentir que trago. Falta-me direcção, falta-me vontade de acordar, falta-me razão de ser, falta-me querer outra coisa, falta-me. Quando deixará de me faltar, estando tão aqui como sempre? Deixará de me faltar quando não o encontrar aqui, nas músicas, nas coisas, nos sonhos, nos pensamentos, nos meus sorrisos fugidos de mim, nos suspiros da memória, quando, enfim, já não o encontrar em mim. Quando o tempo me convencer de que nunca saiu de onde está, que nunca saiu de si, que nunca estive em si, como está em mim.

21 setembro 2010

O amor não se repete

Sentimos sempre diferente, o amor não se repete. Tem razão. Não se repete porque não há duas pessoas iguais, e o que sentimos é também diferente. Quem gosta é uma só pessoa, mas nunca gosta da mesma maneira, porque na verdade o sentimento é nosso mas é parte do outro, são bocadinhos que roubamos ao outro e guardamos em nós. Eu roubei tanto de si que guardo mais de si do que mim, aliás, não sei já qual a parte de mim que é minha, e qual a parte de mim que não sou eu. Mas sei que há partes de mim que só conheci porque o conheci, e que agora valorizo tanto. Olho-me dentro e vejo o quão incompleta teria ficado, desconhecida de mim, sem si. Nada mais houvesse e saberia que não escolheria nunca uma vida mais pobre por um caminho mais fácil, menos doloroso, mas que me mostrou cores, cheiros, emoções e uma vontade de me dar que não conhecia, de que nem me sabia capaz. Gosto mais de mim agora pelo bocado de si que me ficou dentro e que agora é meu, que agora também sou eu. Está em mim mas sinto-lhe a falta. Tanto.

18 setembro 2010

Não sei que pense mas pergunto-me o que pensará, se pensará. Estou numa confusão só, donde não estou a conseguir sair, perco-me em labirintos de pensamentos, fórmulas para tentar perceber o que não vejo, ao mesmo tempo que me tento convencer que nada há para pensar, nada há para ver, senão o que está à frente dos olhos: nada. Muitas vezes o caminho mais curto, mais direito é o mais certo, andar em círculos labirinticos passa o tempo mas não o resolve. E tempo é coisa que já passou o suficiente para se ver alguma coisa, ou há ou não há. Quando muito tem que se pensar é porque a falha é no sentir, tão simples quanto isso. Quando se sente mesmo, sabe-se, olha-se para dentro e as respostas estão lá para as vermos e assumirmos, nem que apenas para nós mesmos. Ainda que muitas vezes seja preciso coragem para ver para dentro e assumir o que se vê, porque não é cómodo, dói sabermo-nos no estado em que nos vemos quando para isso temos coragem. É tão mais fácil não nos virarmos do avesso, olhar só para fora e apenas o de fora interessar, apenas o mundo dos outros nos reger, como que nos desresponsabilizando de nós próprios, e deixando-nos caminhar pelos dias sem viver, sobrevivendo uma vida que não é nossa.

02 setembro 2010

Não, não percebes, eu sei.
Não percebes o que digo, não percebes o que se conjugou para dar o que deu.
Se calhar nem sabes o que deu.
O que me deu.
O que eu sinto por dentro.
Não chegas lá.
Porque não sentes e porque não se explica,
Não se explica o labirinto em que me perco,
Em que me abandono de mim, para te encontrar
E me encontro sem me entender.
Não percebes as saudades que ainda são depois de terem sido.
Não percebes as saudades que já são antes de o serem. E tanto.
Não percebes como se tentam matar saudades atrasadas.
E ao mesmo tempo as já antecipadas
Só se pode entender por dentro, sentindo.
E tu nunca vais entender, e vais fugir-me.
Por isso a ansiedade de ti
Por isso a vontade de nós
Deste nós que nunca me chega
E a que nunca chegas

29 agosto 2010

Para que o quero?
Quero-o para fintar o destino, para me provar empiricamente que felicidade é ter mais e melhores momentos felizes que fazem suportar tão melhor os maus e os assim assim que nos invadem os dias.
Quero-o para falar e para ouvir, e para os silêncios cheios de tudo.
Quero-o para o fazer rir e gargalhar, e sentir a alma nova de cada vez que o faço.
Quero-o para me desvendar com esse seu olhar de que não consigo fugir, onde me perco, sem o conseguir ler por dentro, mas sem me cansar de tentar.
Quero-o para me aquecer os pés e o resto à noite, para me enroscar e me chamar de jiboia, para adormecer e acorda-lo com um beijo que não sente, mas que me faz sorrir.
Quero-o para partilhar conversas à lareira ou o sol na varanda, para sentir o silêncio da lua no seu calor, ou só para o sentir.
Quero-o para sermos nós. Para nós podermos ser um nó cego para os outros, mas apenas certo e muito apertado para nós.
Quero-o para tudo e para todos os nadas.
Quero-o para fintar o destino e ganhar uma vida que não se arrepende de viver, de querer, de sentir.
Chega??

26 agosto 2010


I’ll be your mirror
Reflect what you are, in case you don’t know
I’ll be the wind, the rain and the sunset
The light on your door to show that you’re home
When you think the night has seen your mind
That inside you’re twisted and unkind
Let me stand to show that you are blind
Please put down your hands
cause I see you
I find it hard to believe you don’t know
The beauty that you are
But if you don’t let me be your eyes
A hand in your darkness, so you won’t be afraid
When you think the night has seen your mind
That inside you’re twisted and unkind
Let me stand to show that you are blind
Please put down your hands
cause I see you
I’ll be your mirror
- The Velvet Underground

24 agosto 2010

Sinto-te a falta, pois sinto, mas sinto mais a da esperança.
Só não sei o que queria esperar, se te olhar e não ver nada, se que me olhasses e visses tudo. Tudo o que não vês, ou não queres ver.
Vens amanhã ou depois, ditas que racionalizemos a mente que nos mente a cada fuga do pensamento, a cada curva da memória, mas apenas porque não queres racionalizar-te doutra razão, que mais razão não é, do que sentir sem qualquer razão. Sentir. Só e tanto.
Tenho esperança de não o ver nos teus olhos a dançar e a convidar os meus para um tango mudo que não podemos dançar. A razão não te toca o sentir, ou o sentir não te muda a razão, e são precisos dois sentires sem razão para fazer essa música. Para dançar esse tango, que convidas e recusas.

19 agosto 2010

Sinto-te a falta, quanto mais tento contorna-la menos a esqueço e mais a sinto.
Que raio me fizeste?
Porque raio o fizeste?
Já não te pensava tanto, já me racionalizava mais, já me habituava a não te ter no hábito.
E agora não sei que faça, que me faça que te faça.
Toda eu te reclamo sem conseguir contraria-lo.
Toda eu te recordo sem ter de muito remexer na memória.
Toda eu te sonho sem conseguir dormir.
Toda eu me engano sem te conseguir acertar.

18 agosto 2010

Não sabia que vinhas antes de ir outra vez, apanhaste-me de surpresa no meio do meu plano de te perder e de me perder de ti. Ligaste-me foste ter comigo, não percebo porquê, nunca percebo, porque dizes que estavas a ver se me resistias. Seria mais fácil não ir ter comigo, não te parece? Porque depois esses teus olhos desenterram dos meus, por muito fundo que o queira esconder, o que te querem dizer, dizem sempre sem eu querer. Dizes que não sabes onde, ou como, te perdes nos meus olhos, estes que dizes que fazem o meu nome ser menos meu do aquele que me deste, Eva, e chamas-me Eva vezes sem conta, dizes que é a doçura cruzada com a diabrura que me encontras no olhar onde dizes perder-te, mas donde sempre consegues encontrar a saída e fugir de mim.

16 agosto 2010

E quando uma pessoa está farta, farta de tudo, muda a casa (neste caso o blog), muda o cabelo, muda a roupa, e espera. Espera que isso mude o resto. Tipo por osmose e de fora para dentro. Coisa de mulher que nunca consegui entender a lógica, mas que faço sempre que estou farta. E agora estou. Se vai mudar alguma coisa não sei, isso logo se vê.

14 agosto 2010

As provas...

Já não o via há tanto tempo, nem ouvia falar nele, esbarrei com ele na Web, e a paixão antiga reacendeu-se. É perfeito: mais de 40 anos (já não deve dizer muitas baboseiras), tem o olhar mais terno e a voz doce, é um senhor que é um espectáculo, sabe cozinhar, entrega-me cartas de amor, gosta de viajar, dá uma boa assistência técnica, apimentada de um sentido de humor e surpresas das mais variadas, e nem precisa de boxers sexys... ai ai...atrevidote ele... ahhhhh e esqueci-me é italiano, o que preenche aquele imaginário sonhado há muito de me acordarem com palavras doces sussurradas em italiano... pronto agora a parvoeira acabou e eu voltei a crescer...o que é uma pena!!!

13 agosto 2010

Não vi estrelas, nem tão pouco me lembrei de pedir desejos tão cheia estava a minha noite de lua e de gargalhadas sonoras de alma e do resto, tão bem que esta lua me faz, tão bem que me sinto, e não, não foi do vinho branco fresquinho de que bebi quase toda a garrfa, nem da sapateira que estava boa, nem das ameijoas para que me guardei. A conversa, o riso sorrido, o sorriso rido escancarado, o calor de uns olhos que entendo e que me entendem ou querem entender sem recriminações, fazem compôr tanta coisa! A amizade é dos melhores amores que se têm. Desejo-te a ti o dobro do que alguma vez desejaria para mim.
Tu és a lua que ilumina a minha noite escura e tantas vezes o desenho do sorriso que tenho e partilho a essa luz, mesmo que reinando o sol.
Esta coisa estranha que se me entranhou desde que nos tropeçámos na vida e em desgostos de tempos tão próximos, resultou nesta coisa de alma que não explico e nem tão pouco arrependo, mais desgostos de amor viessem para tropeçar e cair nesse Amor maior que é esta amizade de que não abro mão ou coração.
E agora vou dormir que sou muito obediente e tu não me deixaste ir ter com o Zé!! O Zezinho que parecia cheio de vontade de conversa...e disse que desde há sete anos eu estou na mesma, senão para melhor!! Realmente isto não se vê nada por fora do caos que vai em cada um. Ainda bem!

11 agosto 2010

E hoje apetecia-me uma sapateira recheada para jantar, regada com um branquinho bem fresquinho, saboreada com uma conversa de olhares a acompanhar as palavras que riem e fazem rir a dois. O pôr do sol e o cheiro de mar, só como toque final.
Caía bem.
E eu também.

09 agosto 2010

Não sou capaz de lhe ouvir aquele tom de voz. Esqueço-me de tudo, posso estar no fundo do poço, mas tenho de fazer tudo para lhe arrancar uma gargalhada, uma mudança no tom pesado de voz, que quero leve e mais alegre, enquanto não lhe trouxer a boa disposição à tona não me deixo cair. Quando ele por fim parece melhor, eu fico melhor, até desligar o telefone.

24 julho 2010

Não me apetece escrever, não quero pensar e pagava para não sentir.
Apetecia-me ler, ler alguma coisa que me escrevesse, que dissesse que pensa, que não consegue não sentir, que não se quer sem mim. Nada. Nada hoje, nada amanhã e depois se verá.
Eu já mudava de vida, já.

18 julho 2010

Apetecia-me, apetecia-me manda-lo passear, é verdade. Estou num daqueles estados de espirito que me deviam assolar mais vezes e eu conseguiria duma vez por todas despegar-me, ganhar raiva constante e consistente, disciplinar a mente e pôr a razão de volta ao comando das operações. Perceber que não gostar não é uma esperança, que gostar é um estado de estupidificação que tem de ser domado. Perceber que se não se é gostado, também isso não muda por muito que se faça, ou queira não ver, ou se vejam coisas onde não as há. Não gostar é não gostar. É não estar, é não pensar, é não querer.
Estou cansada, cansada de gostar demais, sempre demais de quem gosta de menos e magoa mais. Estou farta de parecer um semaforo intermitente, em que não se sabe se se vai ou se se fica. Estou farta das mesmas faltas sempre, sabendo que magoa muito, pouco ou nada. Tudo é indiferente, a tudo se passa por cima, e no fim estou lá sempre, feita parva, de cara fechada, que sempre tem o dom de abrir, mas nunca de curar as feridas que se enfiam para dentro e raramente saram.
Olhou para o lado, finalmente adormecera. Nunca o havia visto dormir, nunca quisera adormecer com a certeza de acordar sem ele, preferia sentir a perda despedindo-se, do que adormecer sobre ela e acordar perdida da despedida. Estava cansado, tinha chegado tarde, quase dez horas, trincaram qualquer coisa e saíram. Ela pegou nas chaves do carro e adiantou-se para o volante. Começou a abanar a cabeça, não queria, queria ele conduzir, não gostava de ser conduzido. Teimoso que nem uma mula, insistiu, já ela sentada. Ela, mula, disse que ou entrava, ou ficava, e então era escusado ela ir. Tentou não esboçar um sorriso, e ela fingiu que não viu o sorriso que fingiu não sair, que eram sempre os de que mais gostava de lhe arrancar, e das gargalhadas que às vezes surpreendiam o ruído das conversas parvas que tantas vezes tinham, e que lhe inundavam depois as memórias.
Nunca percebera aquela mania de querer conduzir, como se se agarrasse à sensação de dirigir, conduzir alguma coisa na sua vida, teimando em não ver, não perceber, que ele apenas se levava aonde os outros escolhiam ir, atestava o carro, via a pressão dos pneus, o óleo, assegurava toda a logística, e depois sentava-se ao volante e tinha a sensação que conduzia alguma coisa, quando apenas se transportava a um destino, quase nunca o dele. Por isso obrigara-o a inverter o sentido, ele escolhera o destino ela conduziria. E acabou por adormecer, afinal confiava nela. Nunca se adormece sem confiança, mesmo com o cansaço a pesar nos olhos, e a noite avançada na escuridão, onde agora estavam mergulhados, a caminho de um destino dele. Nunca percebera porque aquele homem não conseguia dizer que não, não conseguia falhar aos outros, como se isso fosse falhar a ele próprio, como não conseguir chegar a tudo e a todos fosse sempre uma falha dele, sem perceber que exigir demais é falha de quem exige. Para ele a falha era dele, e desdobrava-se. Sempre. Para não sentir que falhava. Falhar aos outros era falhar-se.
O céu estava limpo, lindo, com a lua crescente a beijar o horizonte de quando em vez, e a aparecer rendilhada quando se escondia meia envergonhada, atrás das árvores mais altas enamoradas dela. E de novo olhou para ele, agora, velando-lhe o sono e o caminho, revia o enorme homem que era, que sempre vira, que sempre sentira, e um sorriso iluminou a escuridão da viagem, como a lua iluminava a noite. Fez-lhe um carinho, uma festa no cabelo já grisalho. Quando o conhecera ainda assim não era, mas gostava assim, gostava assim ou doutra maneira, gostava dele, e apeteceu-lhe dar-lhe mimo, sem que ele soubesse, sem mesmo que ele sentisse, e pousou a sua mão sobre a dele, ele mexeu-se mas não acordou, como que se sorriu, deveria sonhar, e ela também, sonhava sempre, quase sempre acordada. Tinha uma cabeça que raramente parava, e não que fizesse por isso, só não conseguia calá-la, pará-la, controla-la, sempre a pensar, sempre a sonhar, sempre a tentar não sonhar, sempre a escrever no pensamento tanta coisa que o papel nunca conheceria. Tinha fases assim, e agora andava assim há muito tempo. Sentira-se desabrochar sob o olhar dele, não conseguindo perceber, distinguir, se o desabrochar tinha nascido da sua contemplação, se apenas aconteceu ele estar lá para ver. Mas estava diferente, sabia-o. Assustava-a não saber se para melhor, se para pior...
Finalmente a viagem acaba, ela leva-o ao destino que ele escolheu. Pára o carro. Olha-o. Dorme ainda. Dá-lhe um beijo mansinho, recosta o banco e fecha os olhos.
Ele acorda, dá-lhe um beijo pequenino na testa, e ela acorda.
- Então, chegámos e tu adormeceste?
- Era para ser acordada por ti.- diz ensonada, no meio de um sorriso. Ele abana a cabeça.
- Porque não me acordaste quando chegámos?
- Para não te acordar amor...

15 julho 2010

Tu não és aquela lua pendurada no céu
Tu és aquela lua cheia que nos surpreende o caminho
Que enche o céu quando aparece,
Que nos faz sorrir,
A que nem as nuvens escondem a luz
Não és aquela que quando não está pendurada no céu
Me faz sentir viver na escuridão,
És a mão que me afaga os cabelos quando entro nela,
O olhar que compreende o que não se pode entender,
O sorriso que me defende de mim.
És a que no sal das lágrimas que me escorrem da alma
Encontras sempre algo doce que as seque
És a menina que nunca amarga
És tanto do que gostaria ser
Mas não o sendo
Gosto de te saber sempre pendurada na minha alma.

13 julho 2010

Duas vidas num olhar
Dois olhares à boca da alma
Dois risos numa só boca
Dois sorrisos num momento quieto
Dois desejos num beijo inquieto
Momentos de um amor caídos na eternidade.
Um amor com duas vidas.
Duas vidas que não cabem numa.
O mundo fecha-se com a porta. Leva os sonhos e a sensação de felicidade tão enganadora como o que se sente sentir sem sentir, o que se pensa sem pensar, o que se sabe sem saber. A certeza de sermos nossos, de não conseguir ficar sem ele. O dia seguinte desperta numas poucas horas que tudo mudam, tornando a certeza certa do seu contrário. Nunca seremos nossos, e eu não sei se voltarei a ser minha.

12 julho 2010

Uma pessoa fica tão, mas tão desconsolada com algumas respostas, ou com a falta delas... Não ouvimos o que queremos e isso sabe a comida sem sal, ou sobremesas sem açucar, não se passa fome, mas não sabe a nada... fazem-me isto tantas vezes!! Os homens são uns desconsolados... e isso só me dá vontade de desconsolar também, será que sentiam a diferença? A diferença da meia indiferença?

08 julho 2010

Armei-me em durona,
Daquelas para que se olha e nunca se vê
Tal é a altura do muro que constroem à sua volta
Muros robustos levantados com o tempo
Onde se põem as pedras do caminho
E de argamassa usam-se as mágoas mastigadas
Que cuspidas juntam a solidez das pedras
Muros feitos à prova de tempestades,
Terramotos e à dureza da vida.
Surpreendentemente não resistiram
à leveza duma suave brisa,
morna, com cheiro doce
Não derrubou o muro
Não funciona à força
Esgueira-se por entre os espaços
que não sabia existirem
Entranha-se
E de repente vejo-me presa
duma brisa fechada entre muros.

07 julho 2010

Tenho medo,
Medo e saudades.
Saudades e medo de ter para sempre saudades.
Medo do hoje e do amanhã
Do viver hoje sem o amanhã,
Sem o amanhã de todos os dias.
É viver de noite sem lua pendurada no céu
Nem estrelas a lembrarem pirilampos
que nos acendem um sorriso.
Uma e outra vez,
Tão perto, que os poderia agarrar e levar para casa
Se eles sorrissem também.

06 julho 2010

Sinto-me perdida, quero assentar e não consigo, falta-me a voz dele ao fim do dia, a luz dos olhos dele a incendiarem qualquer coisa em mim, a fazerem nascer coisas que eu já não sentia há muito e que nunca tinha deixado sair para a luz do dia até o ver, até ele cravar a sua mão nas minhas costas naquele fim de tarde, e colarmo-nos num beijo que não consigo esquecer, e que parece em mim não querer acabar... acabando comigo aos poucos todos os dias.

05 julho 2010

Eu também quero tirar férias, mas para isso acho que preciso de mandar o coração de férias primeiro, ele vai, eu fico. Depois dele tirar férias, descansar e esquecer pode ser que eu consiga descansar.
Há quem não precise destes truques estranhos, como se se tirasse férias de sentir, férias dos cheiros que se cheiram sem entrarem pelo nariz, dos toques que não tocam mas arrepiam a espinha, dos olhos que não se vêem mas que não conseguimos fechar em nós. Este emaranhado de sentidos sem sentir como desemaranha-los...
Só não percebo se são saudades, porque essas apaziguam-se na chegada, e isto que tenho não tem paz, não me dá paz. Sinto-me sempre como se me faltasse alguma coisa, o que deixa sempre aquele travo amargo de ânsia faminta não sei bem de quê, sedenta do que não sei se há. Assim me sinto hoje... Talvez com fome de tempo e sede de afecto.

04 julho 2010

Este cheiro que me abraça, este cheiro salgado que se impregna na alma por todos os poros, que nos beija e nos abandona a esta inquietude calma. Este mar que não pára, como um coração enorme que não pára de pulsar, forte na sua convicção de ser, que se mostra a cada onda que rebenta e recolhe a si, para a devolver uma e outra vez. Sempre a mesma, sempre outra. Esta força em que me apetece mergulhar, ouvir o seu silêncio calar o meu, deixar-me abandonar das minhas memórias, sentires e razões. Deixar-me à deriva do seu ondular, embalar-me na sua música, adormecer de mim e acordar outra.

03 julho 2010

devagar, o tempo transforma tudo em tempo. o ódio transforma-se em tempo, o amor transforma-se em tempo, a dor transforma-se em tempo. os assuntos que julgámos mais profundos, mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis, transformam-se devagar em tempo. por si só, o tempo não é nada. a idade de nada é nada. a eternidade não existe. no entanto, a eternidade existe. os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos. os instantes do teu sorriso eram eternos. os instantes do teu corpo de luz eram eternos. foste eterna até ao fim.

José Luís Peixoto, in "A Casa, A Escuridão"

22 junho 2010

E depois de dias e dias perdido, sem vislumbre de saída, caminho seguro por onde seguir, ou fio de ariadne para regressar, sentou-se. Percebeu que o labirinto em que se movia não existia, que ele era o labirinto em que se perdia. Em que se perdeu.

17 junho 2010

"Não sinto nada mais ou menos, ou eu gosto ou não gosto. Não sei sentir em doses homeopáticas. Preciso e gosto de intensidade, mesmo que ela seja ilusória e se não for assim, prefiro que não seja. Não me apetece viver histórias medíocres, paixões não correspondidas e pessoas água com açúcar. Não sei brincar e ser café com leite. Só quero na minha vida gente que transpire adrenalina de alguma forma, que tenha coragem suficiente para me dizer o que sente antes, durante e depois, ou que invente boas estórias, caso não possa vivê-las. Porque eu acho sempre muitas coisas - porque tenho uma mente fértil e delirante - e porque posso achar errado - e ter que me desculpar - e detesto pedir desculpas embora o faça sem dificuldade se me provarem que eu estraguei tudo achando o que não devia. Quero grandes histórias e estórias; quero o amor e o ódio; quero o mais, o demais ou o nada. Não me importa o que é verdade ou o que é mentira, mas tem que me convencer, extrair o máximo do meu prazer e fazer-me crer que é para sempre quando eu digo convicto que "nada é para sempre." Gabriel Garcia Marquez

14 junho 2010

Estou aqui há não sei quanto tempo à volta das nossas cartas, a reler, na verdade, a ver se alguma coisa que me tapa um bocadinho este vazio que me enche e transborda, alguma coisa que me console e aconchegue, qualquer coisa que me tenhas escrito que me encha um bocadinho o espirito.. mas nada... só fico pior quando vejo, quando constato o tanto que digo, de todas as maneiras e feitios, e que o que obtenho, são respostas tão pragmaticamente dirigidas, coisas ocas de substracto que me apazigue o que não sei que trago dentro. E é triste que seja assim. As únicas linhas que me falam, que me dizem alguma coisa, alguma coisa de ti para mim, do que vês, do que sentes, foram as que me enviaste antes de voar para meio do Atlântico, altura em que já não separavas bem as aguas, e eu de ti... de resto nada, é filho unico, e provavelmente, órfão. Solitário.
E não não sou injusta, sei que não gostas de escrever, mas sei que só quando estou ao pé de ti é que sinto qualquer coisa que não calas, só aí pressinto coisas que não dizes, mas essas a distância apaga, faz das recordações meras miragens muito, mas muito, enganadoras, mentirosas, sem palavras mentidas.
Só o estar à procura de alguma coisa que me ampute deste vazio, é já tão sintomático da distância que se impõe, da escuridão que se entranha, do silêncio que logo se instala, do frio que estala, que me estala. E isso diz muito, diz o que a balança diria, se lhe perguntassemos. Shhhhhhh

12 junho 2010

Eva com a maçã,
diabrete,
sereia,
malvada,
diabo,
fera,
selvagem,
miúda,
bruxinha,
beleza estonteante,
jibóia,
criatura deliciosa,
serpente demoníaca,
princesa...
Ahhh... sim, e biscoito
Alguém tem livro de instruções para seres que chamam a uma mulher estas pérolas???
É que eu fico baralhada!!! Muito.
Não sei se goste, se não goste. Mas rio-me, lá isso rio. E as respostas que arranjo também me fazem rir... às vezes só a mim. :)

10 junho 2010

Espero que o jantar tenha corrido bem.
Espero que faças boa viagem.
Espero que aproveites estes dias para descansar.
Espero que não te esqueças de mim, que tenhas algumas saudades, mesmo que poucas.
Espero que venhas segunda feira e não tragas muitas novidades.
Espero que, se as trouxeres, me digas.
Espero que saibas a falta que me fazes.
Espero que me leias antes de ir.
Espero por ti.

08 junho 2010

Não gosto que me trate como uma desgraçadinha. Então acha que estou sozinha e abandonada?? Pois bem, não, não estou abandonada. Estou como escolhi estar. Como decidi estar, não deixo as decisões da minha vida em mãos alheias. Sozinha sim, abandonada, não. Posso não ter muita saída, posso não ser muito atirada, posso não ser nada de especial, mas se quisesse mesmo e qualquer coisa servisse, se calhar arranjava companhia. Ou não, mas de facto vendo a coisa dessa perspectiva dá para perceber muita coisa. Obrigadinha, faltava-me esta. Eu oiço cada uma!! Mais nenhuma perola?

04 junho 2010

É estranho como as palavras, que deveriam ter um significado comum a todos, ser um código de entendimento, são também tantas vezes apenas desentendimento. As pessoas dizem uma coisa, a outra ouve uma coisa diferente... Depois surgem desentendimentos mais profundos porque as palavras também pautam as vidas, mas silêncios há que gritam mais que o seu próprio vazio. Há desentendimentos por palavras a mais, a menos, mal ouvidas ou apenas caladas. Mas isso eu entendo, o que eu não consigo entender é como é que palavras como gostar, adorar, amar, podem ter tantos entendimentos diferentes e tão, mas tão, desentendidos. Porque gostar é querer bem, é querer ver o outro feliz, é querer saborear-lhe o sorriso e senti-lo nosso. Gostar não pode ser gosto agora mas daqui a pouco já não sei, não pode ser gosto de ti mas se te magoar, paciencia! Não pode ser adoro-te, mas não mudo a minha vida. Não pode ser, como mudei a minha vida agora parece que já não te amo. Não pode ser gostar, adorar, amar e falharem outras tantas palavrinhas como respeito, como consideração, como compreensão. Depois chega ao ponto em que as palavras são armas de arremesso, quando os sentimentos que recheiam o seu significado apodrecem, e de repente alguém que se amou serve de alvo fácil à pedrada, sabendo precisamente quais as pedras usar para mais estragos causar, para mais dor provocar, para mais derrubar o outro, e todas as recordações boas que este possa querer guardar. E aí, palavras para quê?

02 junho 2010

Não sei como,
Não sei porquê,
Nem donde nasceu,
Mas aquele olhar assaltou-me
Analfabeta para o ler,
Senti-o aconchegante,
Duma doçura quente
Apeteceu-me entrar nele
Fazê-lo a nossa casa,
O meu lar.
Deitar-me nos seus sonhos,
Embalar-me nas suas músicas,
Encostar os meus medos,
Beber toda a sua ternura
Comer o seu desejo
Descansar a realidade,
Adormecendo na sua luz.
Mergulhar na escuridão
Lançando-me no abismo...
Será tudo isto este olhar?
Ou será apenas
O vazio
A reflectir o meu?
(??)

01 junho 2010

I don't believe in an interventionist God
But I know, darling, that you do
But if I did I would kneel down and ask Him
Not to intervene when it came to you
Not to touch a hair on your head
To leave you as you are
And if He felt
He had to direct you
Then direct you into my arms

Into my arms,
O Lord
Into my arms,
O Lord
Into my arms,
O Lord
Into my arms

And I don't believe in the existence of angels
But looking at you I wonder if that's true
But if I did I would summon them together
And ask them to watch over you
To each burn a candle for you
To make bright and clear your path
And to walk, like Christ, in grace and love
And guide you into my arms

Into my arms,
O Lord
Into my arms,
O Lord
Into my arms,
O Lord
Into my arms

And I believe in Love
And I know that you do too
And I believe in some kind of path
That we can walk down, me and you
So keep your candle burning
And make her journey bright and pure
That she will keep returning
Always and evermore

Into my arms,
O Lord
Into my arms,
O Lord
Into my arms,
O Lord
Into my arms

31 maio 2010

"Mais triste do que amar um homem que não nos quer, é amar um cobarde que nos quer, mas não luta para nos ter." ...Infelizmente verdade... encontrada por acaso, e como que encaixou exactamente no espacinho certo para esta conclusão, como uma peça dum puzzle imaginário, que por vezes não queremos ver, porque não gostamos da imagem das peças que o puzzle vai juntando...

30 maio 2010

Entraram no pequeno hotel encaixado algures nas ruelas do centro da cidade a rir, pararam em frente à porta e olharam um para o outro, um olhar que não via, sentia, um olhar que sabia encontrar o fundo do outro mesmo à beira de si mesmo. Nasceu-lhes um sorriso nos lábios como se os dois tivessem pensado o mesmo, tivessem acabado não a frase, mas o pensamento do outro, e o ponto final fosse esse sorriso. O luar deixava ver o brilho nos olhos dele, sempre semicerrados, sempre semisorridentes e sempre cheios de ternura que as mãos se encarregavam de comprovar a cada toque, que os lábios faziam sentir na pele. Abraçaram-se, ela em bicos dos pés, os saltos faltam às sapatilhas e a altura falta ao beijo que lhe dá, meia a rir. Beijo feito, abraço desfeito, ele abre a porta do hotel. Hotel pequeno, de charme, como ele dizia, recepção à meia luz, o numero do quarto. Com a chave do 15 na mão, subiram as escadas. Ela à frente, ele atrevido atrás. Ele era sempre assim, atrevido, malandro e a faze-la rir e resmungar ao mesmo tempo. Chegaram. Abriu a porta e entraram. Ela tirou o casaco, ele foi à recepção tratar do esquecido pequeno almoço na cama do dia seguinte. Enquanto isso ela acendeu as velas com um sorriso malandro, tinha-as comprado há pouco sem ele dar conta, numa das barraquinhas por que tinham passado. Acendeu-as e espalhou-as pelo chão ao lado da cama, em cima da cabeceira da cama, nas mesinhas, o ambiente ficou aconchegante, nem luz a mais, nem a menos. Ocorria-lhe agora que ele já lhe dissera como ela ficava bonita à meia luz, com as sombras a passearem-lhe no rosto, e olhava para ela para decorar, para fotografar na memória, o momento. E nunca lhe disse, nunca lhe respondeu que não precisava, que o seu rosto e o resto eram dele, não precisava da memória, tinha o original sempre, bastava querer. Nunca lhe disse, mas estavam ali, e voltou a sorrir. Abriu a janela, com a noite amena ouviam-se os sons da movida, das gentes que passavam a caminho de algum lado, ou vindos de algum bar. A lua ao fundo, repleta, a inundar o canto do quarto, dava ares de noite de verão, embora não fosse. Acende um cigarro e conta as estrelas para entreter os pensamentos. Algo nela tremia, mas tremia sempre, algo ansiava, mas sempre fora assim desde que se entregou a um sentimento que não conseguiu conter, contrariar, anular em si, descobriu-lhe vida própria, que lhe fazia tremer as pernas e qualquer coisa dentro do peito. E estava assim, quando ouve a porta a abrir, ele a entrar e cortar a luz do luar, lindo, dela, com silhueta de Deus grego ( e ri-se a pensar isto), e muito malandro, a rir, a denunciar o reconhecimento do território ligeiramente modificado. Abraça-a pela cintura, puxa-a para si, e ela, meia envergonhada nem sabe bem de quê, aninha-se nele e naquele seu cheiro quente que a inebria desde os dias em que o cheirava ao longe e começava a rezar sozinha que era doida... Ficam assim algum tempo, em silêncio quebrado só pelos beijos que trocam. Ela olha para ele e pergunta-se se ele saberá, se ele sabe como é bom tê-lo, como é bom senti-lo, como é bom estar ali, como é bom o que sente. Só assim, só no silêncio da paixão, sem ser preciso palavras, mas sem atrapalharem quando aparecem. Olha outra vez para ele e ele observava-a, e responde ao ar interrogativo dela dizendo-lhe que a adora, e que ela é linda com as sombras desenhadas pela luz das velas a dançarem-lhe no rosto. Que quer olhar para ela para a guardar na memória.

25 maio 2010

Quanto mais perto me sinto, mais o afastamento custa, quanto mais apertado o nó, mais custa a desapertar. Custa-me sempre o raiar deste afastamento, doi-me cada vez mais vê-lo afastar-se de mim, levar-me uma parte de mim que me faz feliz, que me põe os olhos a sorrir e a felicidade a morar-me na alma, por me sentir perto, por o sentir meu. Mas a cada desapertar do nó, de cada vez que sinto a alma desalojada, preciso de mais força para perceber a distância que se impõe, para aguentar o anoitecer do nosso calor que chega com o amanhecer do sol que desponta num novo dia que não apetece.

23 maio 2010

Nunca me senti assim... nunca me senti tão completa, tão viva, tão feliz e ao mesmo tempo tão infeliz, tão sem esperança de poder, de conseguir viver plenamente o que sinto... e isto parece-me tão cruel... como é possivel que sinta e veja coisas que me são vedadas? que eu não posso viver condignamente?... e começa a ser tão pouco, a saber-me a tão pouco o tanto que tenho e sinto... na verdade nunca estive assim... mas começa a não chegar, começo a sentir-me aprisionada nos movimentos, no tamanho dos sonhos, preciso de mais espaço para poder dar mais passos, de viver mais, de usufruir mais esta coisa fantástica que encontrei em mim e que bebo dele, este gostar tão lindo, tão incondicional, tão natural e tão forte... ele diz que tenho uns olhos lindos, mas não percebe, não vê, que só são lindos desde que começou a olhar para eles, que é ele que os faz lindos, e eu sinto isso, sinto o meu olhar tão diferente quando olho para ele, sinto o meu olhar feliz, completo, como se nada me faltasse, como se ele me bastasse para pôr a felicidade nos meus olhos, e eu não a vejo, mas sinto-a e sinto que ele a vê no meu olhar. Mas eu não consigo desvendar o seu olhar... não consigo ver além do carinho e da ternura que bebo deles, não consigo ver os seus sonhos, se os sonha, se me sonha, se os meus olhos vão no seu olhar quando se despede, quando se afasta de mim, ficando sempre em mim e em tudo em que o meu olhar poisa...

20 maio 2010

Há sítios estranhos que descubro em mim... recantos que não conhecia... e que se apagam quando me venho embora... como ossos que não sabemos que temos até mergulharmos o pé em água gelada e pela dor descobrir peças que não conhecíamos... com ele é assim... como descubro outras em mim, que se esquecem que são, que existem, quando não tenho os seus olhos nos meus, a sua voz no meu pensamento, as suas mão nos meus sonhos... Há partes de mim que não existem, ou que não sabem que existem, quando o deixo... e depois vem a mágoa, a dor, a razão e a realidade arranhar-me a alma e rasgar-me os sonhos... e sinto que morro um pouco... Penso o que pensará... penso o que sentirá... sinto que saber me acordaria, me ajudaria a desembrulhar o novelo em que me fechei, em que me despedi da minha vida e das realidades banais, sem ter ainda chegado a lugar algum... como se tivesse partido numa viagem sem destino que o destino me arranjou, e não saiba onde, nem como, nem quando chegarei a um porto que me acolha... sabendo que quem partiu não existe mais... não sei como chegarei ao fim do caminho... em que me tornarei? quem serei?... se afinal esta sou eu? como andamos tão escondidos de nós? tão fugidos de nós? porque temos tanto medo de nos descobrir? de nos magoarmos? se tudo faz parte?... de nós? até a cobardia... Penso em todos os caminhos que não vi... todos os recantos que não encontrei em mim... todas as gavetas fechadas que tranquei para a tentação não me assolar a curiosidade.... e afinal... mesmo trancadas, pessoas há que não precisam de chave... são a chave! e todos os medos, todos os pesadelos, todos os fantasmas lhe fogem à passagem, tomando conta da metade de mim que não é minha, sendo minha por ser dele, roubando-me os pensamentos, alimentando-me a alma e matando-me a razão... e abandonando-me ao desprezo da realidade que me mata a cada dia. Quantas chaves não terei visto? Quantas gavetas por abrir? E quando e como fechar esta? e com ela toda a luz que me inunda ? que me aquece e me cega?

12 maio 2010

Dum lado o silêncio do outro não sei o que é, mas vai saindo. Como é que as palavras conjugam tão pouco com os actos? o que fala a verdade? será que há uma verdade? qual será a minha? qual será a dele? será que nestas coisas há verdades, ou só o que aparenta ser a realidade? será que o que eu sinto é apenas a aparência de um sentimento? pode ser... mas então o que é a realidade? que vida é esta que nos inebria pelas aparências? que nos dá o luar mais bonito e corta-nos no comprimento dos braços para o alcançar!! se o alcançassemos veríamos a sua beleza, apercebíamo-nos dela sequer que fosse? sou uma estupida chapada e não aprendo nada, a não ser a desaprender... a desconstruir... sinto-me sem forças... não consigo sequer chorar o que a minha alma grita, berra e esperneia... às vezes... muitas... sinto-me uma fraude, uma fachada ôca... desmoronada por dentro... sem estrutura... e a aparentar a maior solidez... estou um caos e vou piorar... tudo é dificil, e sinto-me tão sozinha que já não sei se estou só, se sou só. Irremediavelmente só. Se calhar não é uma fase, é o meu caminho. Às vezes a solidão é disfarçada... não parece que estou só... mas logo depois parece que nunca deixei de o ser... É tudo tão complicado.... como raio se resolve uma pessoa? como é que eu me resolvo? quero quebrar este enigma da maneira de eu ser... de querer tudo e se calhar não querer nada... querer só querer alguma coisa... alguma coisa que me faça caminhar, acordar, viver e sentir. Estou tão farta disto, da vida estupida de todos os dias, e dos dias que não são todos e são diferentes, e deviam esses sim, ser todos... mas e depois? deixavam de ser bons? apetece-me fugir e ir para um sitio onde não tenha de existir, onde não tenha de pensar, onde não tenha de resolver nada, e onde não tenha de me ver, nem me ouvir... E onde gostem de mim por eu não ser nada... sendo, talvez assim, alguma coisa.

11 maio 2010

Os dias passam
As noites sucedem-se
E tu não passas
Ninguém te sucede...
Sinto o tempo passar-me
E não te levar de mim
Sinto o vazio a completar-me
E tu a não desapareceres de mim
Sinto o fim a aproximar-se
E em mim não encontro o fim de ti
Sinto o medo a apoderar-se dos meus dias
E a inundar-me as noites mal adormecidas
Sinto a razão a gritar-me
E o teu olhar a calá-la em mim
Sinto o coração a segredar-me que sentes
E a tua razão a emudecer-nos aos dois...
É urgente outra voz em mim...
Que me cale o canto de sereia
E que de enxurrada varra de mim as tuas canções

09 maio 2010

segmento de recta

Há muitas teorias para as relações, aliás o mais fácil é mesmo teorizar, porque na verdade, acho que as que correm bem devem ter tanto de aleatório e de bom, como ganhar o euromilhões. Mas dei por mim a pensar que construir uma relação não é muito diferente dum segmento de recta, sendo que os dois pontos extremos representam, cada um, o nosso eu. Assim, a relação consiste em unir estes dois extremos, estes dois individuos, e este caminho pode ser feito de muitas e variadas maneiras, pode-se começar num extremo e percorrer todo o caminho até ao outro ponto. Aqui só um é que trabalha, e o outro espera que tudo corra bem. Só. Depois temos a hipotese de os dois iniciarem o caminho em direcção ao outro e encontrarem-se algures no meio. Isto é bom. E é bonito. Os dois fazem um esforço, os dois procuram encontrar-se, e fazer a sua parte do caminho. O que me parece mesmo muito utópico é achar que se encontram no meio. Há sempre um que anda mais que o outro, há sempre um que faz mais pelos dois, há sempre um que quer mais, e há sempre um que acaba por se cansar mais. A unica grande diferença para o segmento de recta é que nunca é feito pelo caminho mais curto, nunca é uma recta. Nem perto disso.

03 maio 2010

Há coisas improváveis... não há? Mas pelos vistos possiveis e de uma beleza surpreendente... As minhas flores preferidas não são as rosas, nem mesmo as orquideas que até gosto bastante, nem as tulipas que são raras, são mesmo as margaridas ou os malmequeres que é o mais parecido que cresce lá no quintal... mas quando faço bem-me-quer, mal-me-quer calha-me sempre o mal-me quer!! mas eu continuo a fazer... porque há coisas improváveis...

01 maio 2010

Quantas letras?
Quantas palavras abarca?
Quantas cumplicidades o sustentam?
Quantas conversas labirinticas o fazem?
Quantos reflexos para nos vermos espelha?
Quantas tolas partilhas fazem o seu quotidiano?
Quantas saudades o fazem desesperar?
Quantas ansiedades nascem das ausências?
Quantas recordações o despertam contrariado?
Quantos olhares o definem?
Quantas gargalhadas vivem nele?
Quantos sorrisos o fazem respirar?
Quantos mimos fazem o seu calor?
Quantos rosnares quentes aquecem os silêncios?
Quantos beijos de paixão carregados de ternura o alimentam?
Quantas vontades emergem sob esta lua selvagem?
E quantas luas passarão até esgotar este luar?
Em quanto tempo este sentimento se dissolverá apenas em letras
Não havendo palavras que o digam?
Ou dicionários que o expliquem...

30 abril 2010

Não queria estar com ele, estava muito triste, muito estranha, e não devia estar com ele com aquele estado de espirito, mas ligou-me, e acabou por me perguntar onde estava e foi ter comigo, e saiu de lá da maneira que eu não queria. Triste como eu. Não sei o que pensou, ou o que viu nos meus olhos, quando a certa altura pediu que olhasse para ele, e eu a olhar e a rezar que ele não visse nada do que me ia dentro. Disse que tinha posto os pés no chão, viu alguma coisa que o fez pôr os pés no chão... não sei o quê. Depois disto foi-se embora, ia-se embora sem um beijo sequer, abriu a porta do carro e eu disse-lhe que os CDs que estavam na porta eram para ele, pegou neles agradeceu e deu-me um beijo na cara. Foi-se embora. Fiquei. Fiquei a olhar para a paisagem e apeteceu-me que todas aquelas arvores me levassem, que me arrancassem todo o oxigénio do peito, que me espalhassem por todos os ramos, de todas as arvores que via naquela imensidão, que me espalhassem de tal forma que me esvaziassem de mim, que me levassem de mim e eu deixasse de ser eu. Que em nenhum bocadinho delas me reconhecessem, que eu deixasse de ser, de existir, como sou, que a alma se dividisse e subdividisse de tal forma que me tornaria irreconhecivel até para mim, tornando-me para sempre irreconhecivel. Não quero sensibilidades, não quero vontades, não quero ideais ou sonhos, amputem-me isto tudo e nascerei novamente sem ser eu, podendo assim ter esperança de um dia não ter de pedir para que a alma das arvores seja a minha, espalhada e irreconhecivel.

18 abril 2010

"The brick walls are not there to keep us out. The brick walls are there to give us a chance to show how badly we want something. Because the brick walls are there to stop the people who don’t want it badly enough" Randy Pausch

15 abril 2010

E agora? Sabe-se sempre como começa, mas nunca sabemos onde nos leva... só o tempo nos leva pela mão e nos mostra...

23 março 2010

E se a atravessarmos e depois a queimarmos? Se a atravessarmos e depois chegarmos è conclusão que se calhar não a devíamos ter atravessado? Na verdade acho que todas as pontes atravessadas deviam, ou são de qualquer forma, sempre queimadas. Não se consegue apagar a vida tentando percorrer o mesmo caminho em sentido inverso. Um passo dado, vivido é uma distância percorrida que em nós jamais é apagada. Podemos até voltar ao mesmo sítio, mas nunca apagando o caminho, sempre aprendendo com ele. Na vida nunca se percorre o mesmo caminho duas vezes, porque se o repetimos já não retiramos dele o que já retirámos, já não olharemos as coisas com os mesmos olhos, já não nos surpreenderemos com a paisagem, com os sons, com os cheiros, como da primeira vez. Atentaremos agora a outras coisas, não melhores, não piores, outras, outras que não vimos da última vez que percorremos esse mesmo trilho, por isso verdadeiramente nunca um caminho se repete, porque cada passo dado é um passo vivido, que passa a ser parte de nós, não pode ser apagado de nós, tal como a amarga palavra dita nunca poderá ser recolhida depois de dita. Poderá ser perdoada, mas não negada.

02 março 2010

É o medo necessário para evitar ficar só, mas acompanhada. A pior companhia que nos podem oferecer é aquela que nos abandona à solidão. Antes o medo. E a esperança, ainda que ténue, ainda que intermitente, ainda que fraca, ainda que desesperante, mas é uma janela aberta para o mundo. Mundo de possibilidades. De nos magoarmos, mas de sentirmos. De adorarmos e sentirmos. De adorarmos e fugirmos à solidão. De adorarmos e sentirmo-nos adoradas, completas, de alguém. De alguém em nós e de nós em alguém... irremediavelmente.

01 março 2010

Há pessoas que dizem adoro-te como dizem gosto de ti, como dizem gosto de morangos, depois há pessoas que dizem que têm saudades sem se lembrar se as tiveram ou não. Há pessoas que não dizem nada e têm, têm muitas saudades caladas, depois há outras que de vez em quando, no meio do ruído surdo das conversas banais sussurram "gostava de estar aí", assim, sem nada o pedir, sem nada o antever. E esses sussurros roubados ao ruído instalam-se no nosso silêncio, na nossa alma como uma música que não se cala nunca, como um canto encantado que toma a nossa existência e torna-se senhor do brilho dos nossos olhos e do sorriso que nos surpreende as feições. São sempre as coisas mais raras que mais nos tocam, porque essas guardamo-las bem no fundo de nós, como que escondendo os nossos pequenos tesouros, protegendo-os para momentos, em que por vontade própria saltam da alma que os guarda... e me assaltam para sempre o espirito.