Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

29 fevereiro 2012

- Quantas vezes é que queres repetir isto??
-Quantas tu quiseres e puderes, e eu aguentar...

[era mesmo de passar noites em claro, directas de muita conversa, brincadeira e mimo, que se estava a falar...]

25 fevereiro 2012

Estou na sala, os livros à minha frente, e a luz que me entra pelas janelas pinta o ambiente duma cor linda, que me leva sempre até às saudades de ti. Das paredes alaranjadas de final de tarde, da melancolia do dia que se começa a despedir. Sempre as despedidas. As despedidas que não sei despedir, as vontades que não consigo apagar em mim, calar de ti. Apetecia-me que esta pausa que faço fosse para me ir enroscar em ti uns minutos partilhando luz e calor, um lanche a meias, e regresso aos afazeres depois. Esta é a única maneira que tenho de o fazer, pelos ecrãs das máquinas, e não me chega, que eu não sou máquina e não funciona em zeros e uns. Falta-me colo, mimo, pele. Tu perto. O teu pescoço para me pendurar. Mas por muito que queira fico sempre pendurada na solidão de ti.
[E não, está visto que a telepatia não funciona. Nada.]

24 fevereiro 2012

Ahhhhhh...era tão bom ficar na ronha. Quentinha. Aconchegada.
O mundo é muito injusto, só vos digo.
Fechei o livro agora mesmo, depois dele se fechar para mim numa passagem que me levou aquela noite, em que pela única vez estive contigo e não senti nada. Naquele momento em que o corpo foi vencido pelo espírito e não me deixou acabar a frase que eu não queria dizer, não me deixou fazer o que não queria fazer, venceu-me, deixando-me vencer afinal. Uma onda estranhamente fria percorreu-me a cara e foi morrer à força que me faltou, que me apagou o corpo, eu agarrei-me a ti e deixei-me ir, deixei-me mergulhar naquela escuridão confortável sem dar conta, sabendo que estava bem nos teus braços. Não sei quanto tempo submergi, quanto tempo me libertei dos sentidos, da realidade de tudo, não sentia nada e era bom. Foi o que senti quando, sem saber como, comecei a lentamente entrar na realidade desfocada de uma cara que me chamava, sem saber onde estava, quem eu era, ou quem me chamava. Quando a nitidez da visão me ofereceu o teu rosto, tão perto de mim, só me lembro de sorrir, e de pensar que estava bem, estava tão bem sem sentir nada, sem pensar no teu ou no meu futuro, sem pensar que sentia ou o que queria. Estava bem, mergulhada naquele vazio confortável, donde saí para os teus olhos e me pendurei no teu pescoço, e na tua preocupação por mim. Eu estava tão bem!!... e agora apetecia-me isso, deixar-me cair nos teus braços e esquecer-me da minha existência, confiar-me a ti, e fechar os olhos ao mundo, enquanto velasses por mim e pudesse acordar no teu olhar.

23 fevereiro 2012

Não faço ideia por onde andas, ou a fazer o quê, o que te passa pela cabeça, se te lembras, se não te lembras. Se me procuras nas multidões, ou só nos recantos das memórias, se as tiveres e se as procurares, que nem isso sei. Não sei nada. Enquanto não sei nada penso muito, porque acho que tu também não sabes nada. Não de mim, de ti. E então sinto raiva, muitas vezes ódio, por não perceber nada, por nada fazer sentido. Por não querer sentir e não querer perceber nada, mas cá dentro alguma coisa não me deixar não querer nada, e sentir tudo. E então o caminho torna-se mais longo, o horizonte mais longe, a solidão mais escura, a vida mais fria. E não saber, não saber a que dia, a que horas, o meu horizonte me entrará de rompante ouvidos dentro e me levará com ele, avassalador, para um sítio onde ainda estás menos, onde te riscas definitivamente de mim, mas onde já sei o que pensas. Como agora, sinto que sei, mas ainda não me notificaste. Dizem que tenho pouca esperança. É verdade, não tenho, já não acredito em nada, em ninguém, muito menos no pouco a que me poderia agarrar para acreditar. Os sonhos não se agarram, as palavras, poucas, a que me poderia agarrar são tão fáceis de enganar como eu no teu colo, e os gestos jogam em todas as equipas, não têm dono, nem intenção. E eu não sei, não sei nada da falta que não sentes, ou do que sentes falta.
Ai ai.... hummmm
Gosto tanto de pescoços!!!
(sim sim devo ser vampira e está na moda...pois)
Try not to jump to conclusions, ok?? eheheh
[é como nos contratos, têm de ler as letrinhas pequeninas...]

18 fevereiro 2012


Luz de fim de tarde, o sol no horizonte em cores quentes, a brisa a ondular os cabelos, um cigarro e isto nos phones. Tudo bem enroladinho numa manta e a cabeça cheia de coisas sem lugar para arrumar, tudo baralhado e um sorriso teimoso que surpreende entre passas do cigarro. E não se entende eu não me entender, eu não entender nada, e achar que isso é entender tudo o que não pode ser entendido. E entretanto o sol esconde-se, como é que uma coisa tão grande, tão boa, tão quente se esconde atrás do horizonte tão depressa??

13 fevereiro 2012

Açucar do café de sábado, que ontem tomei-o ao sol na minha esplanada privada, com os phones nos ouvidos, também é muito bom, mas não somos presenteados com estas coisas, que vão já migrar para o ecrã do meu pc: "Uma noite faço o teu chão tremer".... e agora acrescento eu, e espero que eu seja o epicentro...

12 fevereiro 2012

Um sítio calmo. O frio a abanar lá fora, cá dentro o calor a dançar dentro da lareira mesmo ao meu lado. O chocolate quente que se come em vez de se beber a arrefecer à espera para me aquecer. Ainda há coisas boas, mesmo para gozar sozinho..

07 fevereiro 2012

Sugar lips...
E hoje o dia amanheceu-me assim com a primavera na boca a calar o frio, com a recordação do teu olhar quente a mergulhar-me por baixo da pele, donde ainda não saíste, onde ainda te sinto e quero. O coração bate melhor, mas falha vários batimentos à ideia da tua falta, tiras-me o compasso de vida que às vezes ainda sinto no peito, desatinas-me o coração, desconcertas-me a vida que a alma ainda vai descobrindo de vez em vez. Os tons suaves pelo caminho, num misto de saudade, melancolia e um doce sabor a sonho entre os lábios. E os sonhos, com toda a força que possam ter, que possam beber de nós, com que possam ser sonhados, são frágeis como a primavera que deixaste esquecida na minha boca.

04 fevereiro 2012

Estou cansada. Não do corpo, não das horas, não do tempo lá fora que agita o que não mexe. Estou cansada da luz e da escuridão, nem na penumbra me sinto mais, nem na sombra me refugio da luz. Estou cansada de me ver ao espelho, de ver sempre o mesmo, de nada me dizer, apenas uma imagem a duas dimensões onde eu não caibo. Duas faces duma moeda que não é minha, onde só uma vê a luz do dia a outra é enterrada na superficie fria onde me poisam de castigo, virada para a parede. Estou cansada de ver o vazio do espelho antes do mundo, e depois à noite de me despedir do mundo. Estou cansada de nada encher, do frio que não aquece, do vazio que não preenche, estou cansada de me ver e de me ter, se nem me tenho, se nem me sei. Não sei por onde ando nem por onde me perdi, se me perdi, nem se me quero encontrar para lá das duas dimensões onde não caibo. Onde não estou.