Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

31 julho 2014

...isso, isso!!
E muito e muitas!!!
bahhhhhh
(e agora vou, que hoje já chega.... estou cansada e cheia de fome! )



...estou   de - rre - a - da!!!!!

Irra, que o dia hoje foi duro, também só me apetece tirar os spatos e ir para ao pé de água, mar preferência...
Dias loucos, mas que ao menos não nos deixam pensar nem parar, ou queríamos que não deixassem, enfim... há coisas que nem na maior confusão deixam de nos invadir e tomar de assalto, mas têm pouco tempo para se deixarem ficar .
Mas ao fim de um dia como hoje concluo que os homens são mesmo uns cachopos, e que devem pensar que toda a gente tem de ser mãe deles, eles fazem merd@ e estão à espera que, como somos mulheres, lhes perdoemos ou sejamos flexíveis, quando percebem que não é assim, e que há quem não ceda... espantam-se. Depois somos umas cabras... até já estou habituada, para outros é foleira e estrábica e mais não sei o quê, além de cabra, estes até são meigos... siga! É a vida. 
De seguida toca a meter baixas fraudulentas, psiquiátricas quiçá (onde é que eu já vi/ouvi isto??)... Não querem fazer um determinado serviço, porque olha não apetece, querem escolher o que mais lhes convém, fazem birra, ninguém cede e então... bom, então, como muito bons portugueses que enchem a boca para dizer mal   deste, daquele e dos políticos, e da corrupção, e da desonestidade, e de serem roubados...  queixam-se do país, de nada funcionar, etc etc... mas é isto que fazem naquilo que está ao alcance de cada um!  metem baixa fraudulenta... e pagamos todos. E é transversal - desde as pessoas mais eruditas e cultas  à empregada de limpeza. É tudo igual... as pessoas não têm auto-critica? E vergonha na cara já agora, também não? E continuarão a dizer mal de tudo... enfim. 
Como se pudessem falar, como se não contribuíssem para a miséria de que se queixam...
Estou cansada!!! 
Muito e de tudo, não se consegue mudar o mundo nem as pessoas... eu sei, mas no que está ao meu alcance eu tento, pelo menos tento. 
(é por isso que me canso e ando exausta de tudo, principalmente das pessoas, principalmente dos homens... mas eles se aqui vêm é que vão gostar da foto, já sei.)



Será que ainda sabes ao que eu cheiro?
Eu ainda sei ao que tu sabes.
(Com esta frase às voltas na cabeça... Talvez durma agora... Depois de me livrar dela)
Até os beijos selvagens são coisa que me agrada, 
que sinto falta e que nunca precisaram de ser regados, só desregrados.  
Renovam-se, não precisam de estufas, precisam é de vida de desejo, de tesão, de vontade, 
e isso rega tudo, são as chuvas do dia a dia que os mantêm, 
porque querem continuar a existir, a viver, a ser. 
Gosto de coisas selvagens, meio selvagens, vá... pronto
(e havia quem volta e meia me chamasse fera, 
só podia ser daí porque de resto fiquei tão domesticada que dá para dar vergonha...)

Boa Noite, selvagem ou não.


"- Andamos a regar flores de plástico, é isso que fazemos. Temos coisas que não servem para nada. É tudo plástico. E nós regamos essas flores e esperamos que cheirem a coisas boas. Mas é plástico. Temos coisas, em vez de tentarmos ser felizes, substituímos a vida por plástico, a felicidade por plástico e o próprio plástico por plástico. Trabalhamos para regar uma vida destas."

Afonso Cruz

[...plástico, sim talvez... leio isto e pergunto-me qual é, ou foi, o meu plástico. O que andei eu a regar a pensar que era verdadeiro e afinal era plástico, era falso, não era nada. Será que então a minha felicidade era plástico também?... Não, não era, a felicidade não se falsifica, ou se sente realmente, ou não se sente, e eu senti. O que sentimos por verdadeiro é verdadeiro para nós, mas para outros poderá ser plástico. Se calhar é isso. Vejo muita coisa que me parece plástico, que me dizem plástico, mas será? Só quem realmente o sente saberá. Se não se enganar a si mesmo. E quem andar a regar flores de plástico e o sabe, porque o faz? Sabemos que o plástico não cresce, não vive, e se cheira é manipulado para isso, para cheirar a determinada coisa que parece bem, mas para quê? É mais seguro regar flores de plástico porque não morrem, porque na verdade tanto faz que se reguem ou não, porque serão sempre plástico, não passam a flores verdadeiras, selvagens no campo ou de estufa cheias de cuidados. Por muitos cuidados que se tenha com o plástico. 
Eu gosto de flores selvagens das que nascem sem se pedir, sem nada fazermos, mas que notamos quando passamos porque são bonitas, porque são reais, porque lutam para se manter. porque têm e representam vida. Gosto de flores do campo, não gosto de estufas e de demasiados cuidados, gosto do que é espontâneo, genuíno e cresce sem pedir licença, gosto do que surpreende e desafia a vida. Gosto dessa força, mesmo que seja frágil e incerta contra a força certa do plástico, que nunca muda e nada oferece. Só se vê, só parece, só serve para se ver e nada mais. Andamos a regar vidas para que se veja, para que nos vejam?? sempre na máxima beleza imutável, e entretanto deixamos passar a vida que é selvagem e sempre muda, sempre cresce, sempre luta, e às vezes morre, mas pelo menos viveu. Pelo menos viveu-se um dia. O plástico serve para os outros verem o que achamos perfeito e gostaríamos de ter, tanto que até regamos para nos enganarmos de que dali algo pode crescer. E entretanto morremos aos poucos porque não somos de plástico.]

30 julho 2014

A sério, não vale a pena, é escusado andar há dias a pôr a tirar, a mostrar e a ocultar. De manhã vê-se tudo e mais alguma coisa, à tarde desaparece, a sério é tão óbvio que chega a ser ridículo, mas pronto. Descansa o espírito, já deu para ver a fatiota toda gira - e por acaso até é, o que é raro eu achar, mesmo que eu não vestisse um padrão que dá tanto nas vistas era giro e ficava bem, porque a criatura é bem posta - a boa disposição e felicidade patente, até deu para ver alguma oleosidade... tsss tsss, aquele brilhozinho não engana (vá a parte do oleosa é a parte que deveria servir para perceber que não somos assim tão piores... mas ao menos somos auto-críticas, coisa que falha a muito boa gente...).... até deu para ficar saber em comentário quem é que tirou a foto e por isso é que não aparece, claro, havia que esclarecer, não se fossem pensar coisas... deu para ver tudo, é escusado andar a pôr e tirar, se bem que sempre mostra a que horas certo despertador deve funcionar.... desaparece tudo...ehehhehe tanta criancice de parte a parte, as proibições e o fazer o contrario e acharem-se todos muito espertos, um pensa que é obedecido e outro pensa que é tão esperto que não é descoberto... enfim pelo menos tem piada a situação... não fosse tudo tão estupidamente triste e postiço e falso e ser tudo uma brincadeira em que todos sofrem e outros ainda aprendem tudo errado com o que vêem... manipulação e acharem-se sempre mais espertos... Mas passemos à frente que esta história cada vez é menos minha com este tipo de jogos e situações ridiculas. Valha-me perceber isso.
... o que uma palavrinha muda...
Um homem ouve "temos que falar" e foge de todas as maneiras que conseguir e encontrar....
acrescentamos uma palavrinha à frase, 
de preferência antes - é que assim suponho que nem devem chegar a ouvir o resto... - e deve dar um resultado extraordinário, suponho que sim... tenho aliás quase a certeza absoluta, até apostava um strip de conversa...eheheheh
Só me andam a dar ideias, um dia destes experimento.
E esta é gira, e faz o meu género.
"despe-te, temos que falar, e se não te despires tu, dispo-te eu".. 
ehehhehe estou a imaginar, tem piada
Bom Dia!!



Começo a chorar
do que não finjo
porque me enamorei
de caminhos
por onde não fui
e regressei
sem ter nunca partido
para o norte aceso
no arremesso da esperança

Nessas noites
em que de sombra
me disfarcei
e incitei os objectos
na procura de outra cor
encorajei-me
a um luar sem pausa
e vencendo o tempo que se fez tarde
disse: o meu corpo começa aqui
e apontei para nada
porque me havia convertido ao sonho
de ser igual
aos que não são nunca iguais

Faltou-me viver onde estava
mas ensinei-me
a não estar completamente onde estive
e a cidade dormindo em mim
não me viu entrar
na cidade que em mim despertava

Houve lágrimas que não matei
porque me fiz
de gestos que não prometi
e na noite abrindo-se
como toalha generosa
servi-me do meu desassossego
e assim me acrescentei
aos que sendo toda a gente
não foram nunca como toda a gente

Mia Couto

E por hoje acho que já chega de dia... deitar e dormir seria bom, melhor seria encostar-me e sentir o mimo que me falta, enrolar as pernas noutras e puxar um braço para eu agarrar. Melhor seria, mas dormir sem sonhar e não sonhar acordada se calhar era melhor... "porque me enamorei de caminhos por onde não fui e regressei sem ter nunca partido"... ainda não, ainda não regressei. os sonhos que o sonho sonha não deixam.

Boa Noite

29 julho 2014

Ahhhh... Menino depois não queres que eu às vezes tenha vontade de te bater por escreveres assim e dizeres estas coisas... 
...caramba, é mesmo, mesmo, isto.
É tanto assim!! e ainda aqui falta tanto do que é...
que estranheza esta coisa de quanto mais tempo passa mais se percebe que não passa.
Nada passa.
Não dizem que o tempo cura tudo, que o tempo volta a pôr tudo no lugar, como dizia alguém?
o meu tempo deve andar perdido, não deve saber o lugar das coisas para as pôr no lugar... deve ser isso.


...ora aqui está um bom uso para os pares de patins que me deste!!
Bom motivo para brincadeira, e rir ia ser uma certeza... com o jeitinho que tenho para patins...
(apesar de coleccionar pares... ui)

28 julho 2014

E mais uma vez aqui estou, sentada no degrau da varanda, olho para o lado e lembro-me duma noite em que aqui estavas ao meu lado e eu chateada com alguma coisa a tentar manter alguma distância e tu a aligeirar, a brincar quase a medo, tocas-me sem querer e sabes sempre que noto bem que me tocas e me desmontas, sabes, mas ainda assim lembro-me de estares aqui ao meu lado meio a medo. Não me quero lembrar destas coisas que me fazem sorrir e que me despedaçam ao mesmo tempo por saber que são só minhas, são só memórias minhas. Guardo coisas pequenas, coisas que senti, olhares, toques a medo e às vezes de raspão. A escrever isto estou-me a lembrar de tantos momentos, coisas que me foram boas e ficaram. As coisas que eu gostava. O que me fazia rir e sorrir, e quando me sentei aqui não era isto que pensava, era que é domingo à noite e amanhã começa uma semana nova, mas não sei em quê. Por que é que as pessoas estão sempre a chamar de novas coisas que se repetem sempre? Todas as semanas há uma semana. Nova porquê? Que tem de novo que a anterior não tivesse? O que mudou? Nada, ou eu não vejo. Infelizmente, porque precisava mesmo de algo novo nesta semana nova. Na verdade precisava duma vida nova, mas a vida também é coisa que se vai repetindo todos os dias sem grande cerimónia, e no entanto todos os dias é diferente, tem coisas diferentes. É nessas coisas diferentes que me ponho a pensar, no que vou fazer amanhã, no que queria fazer esta semana, e depois percebo que  por muito que pense já sei que amanhã me vai custar cada osso a sair da cama porque, por diferentes coisas que a semana possa ter, a vida é a mesma e não é esta que eu queria. E penso nisto e deito-me para trás e logo me lembro de quando aqui ficámos os dois deitados a olhar lá para fora, a conversar, a rir e a namorar. Percebo então que nada muda, que tudo está na mesma, mas que tudo mudou. Não estás, nem estarás mais, aqui. Mas a vida não é nova e não é de certeza a que eu quero. E amanhã é segunda. Mais uma. Dizem que é nova.

27 julho 2014


"Mostraste-me que havia outra vida, bem menos complicada mas mais rica, mostraste-me que pensar não é sempre melhor que não pensar, e muitas vezes é muito menos útil que sentir.Levaste-me para dentro de ti, entraste comigo dentro de mim. E o teu lugar fez-se o meu lugar. Fizeste um lugar nosso – e eu não sabia que podia haver lugares assim.
Depois sentaste-te, deste-me a mão, ficámos longamente em silêncio. Não porque se esgotassem as palavras, mas porque as palavras não são tudo – há coisas que só se ouvem nos silêncios.
E eu nem sabia como era importante tudo o que mostraste, nem sabia que iria não saber viver sem isso. (Ou não querer. Saber sabemos sempre. O amor, esse, é feito é de vontade.)"

" o amor, esse, é feito é de vontade." vontade de amar o outro, ser amado por ele e amar esse amor que se tem e quer. mas há quem ame e ame o amor que sente mas não seja amado, e quanto a isso não há vontade que sirva. Por muito que se queira, ou por muito que não se queira ver isso.

"Tu não sabes ser jardim, só sabes ser jardineiro." 
Frase duma amiga devia eu ter quinze dezasseis anos. E tenho pensado muito nisto. E no porquê disto. Concluo que como me parece que nunca irão realmente gostar de mim preciso que as pessoas precisem de mim, porque assim penso que mais dificilmente me deixarão ir. Mas não é verdade. Realmente as pessoas não gostam de mim, mas das minhas faculdades, do meu tratar delas, mimá-las, arrumá-las um pouco e à bagagem que lhes pesa. Consertá-las, fazê-las crescer enquanto pessoas, se calhar. Depois disto não precisam mais de mim, e então batem asas de mim, uns porque já viram o que tinham a ver, e dizem que aprenderam tanto comigo (obrigada, a sério, é mesmo o que uma mulher apaixonada precisava de ouvir), outros porque ganharam a segurança que não tinham, mas todos facilmente me substituem e vão lá à vidinha deles. Como sanguessugas. E eu, eu só escolho jardins para cuidar e para me dar que realmente goste, e depois fico sem nada, deixo só um jardim arranjadinho para alguém a seguir a mim usufruir. Mas em cada canteiro deixo um pedaço de mim que me falta quando me expulsam. E eu já devia saber tudo isto antes de o pensar e aqui escrever, porque há tanto tempo já que digo que gostar não é precisar, é precisamente o contrário, é não precisar do outro para nada, mas ainda assim querê-lo, porque nos sentimos o melhor que somos e podemos ser com ele. Porque nos sentimos a partilharmo-nos de igual para igual. Sem utilidade nenhuma. A utilidade é subserviente, o amor é tudo e basta-se a si mesmo. O jardim existe sem jardineiro, o jardineiro não existe sem jardim.
...sim, que estou farta de ajudar com as malas dos outros, fossem quantas fossem, muito pesados ou pouco, difíceis de abrir ou não, nunca desisti de ajudar com as malas de quem eu gostava. Aliviar o peso, arrumar a vida passada para ajudar a arrumar a de agora. 
Curiosamente nunca se incomodaram com as minhas, se eram muitas ou poucas, se me pesavam muito ou pouco, acho que nem queriam dar conta delas... é mais cómodo.


Dia mais atribulado do que gostaria, mas a noite compensou, e hoje espero que o santinho do bom sono e dos sonhos melhores me assista. Estou mole e cansada e amanhã talvez seja dia de pôr areia num livro, um bikini no corpo e sol na pele num sítio qualquer com pouca fauna e muito descanso. À minha varanda só falta a areia, se não contarmos com a que substitui os miolos em certas alturas. E uma eventual molhadela de patas em água salgada... Logo se verá, não gosto de muitos planos.
Boa noite... Assim o espero...

26 julho 2014

... Não vou tão longe se dominasse os meus próprios pensamentos, quereres e sentires já me sentiria contente, não preciso do mundo todo, só do meu. Se ao menos esse estivesse em ordem e em paz, talvez este café fosse diferente... E eu? Seria a mesma? 
(Porque será que eu tenho tantas perguntas?... Olha mais uma...)
... e isto era mesmo o que me apetecia. Na minha varanda, numa esplanada, um sitio com sol e pouca gente. A segunda caneca não se tem, mas paciência.... se conseguir hoje um bocadinho para isto já é bom. Tenho uma lista enorme de livros para ler que ontem cresceu um bocado depois da promoção de 50% da fnac...eheheh ao menos alguma coisa me alegre nesta vida!!
Agora banho que a ronha prolongou-se um nadita... 
Bom Dia!


Errado.
A indiferença é que mata e dá vontade de matar. Quando se gosta realmente mostra-se. Mostra-se de maneira que se sinta. Às vezes basta um sorriso sentido, mesmo que sem jeito.

25 julho 2014


"perdoa minha falta de calma em querer, não só te olhar tranquilamente, mas querer apalpar tua falta de serenidade. Eu não sei só te olhar sem te consumir.
Eu insisto em não sorrir ao lembrar de você, mas é inevitável. Meu riso, por ti, tem um balanço com gosto de brisa no mar; e se torna mais frequente e nítido quando vejo o teu nervosismo ao falar comigo.

Menino, deixa eu tentar te ensinar o quão tangente é essa coisa estranha chamada sentir.

Eu só quero teu desassossego bagunçando a minha paz."

Carol Souza, Voraz.

[sim, perdoem a minha falta de calma se não te sei olhar sem te querer consumir, e isso consumir-me a serenidade e os quereres. vejo-te sair do carro, fixo-me no teu pescoço passando pela boca de que fujo, e penso no nervosismo que ainda me derruba quando te vejo e não te posso consumir à la carte e bel-prazer. é tão estranha esta tangente pesada que sinto por ti do sentir da pele e do sentir por dentro da pele. é que sinto tudo ao mesmo tempo, tudo igual, tudo junto. É um querer cheio de quereres diferentes, é uma serenidade que dá e uma inquietação que me dá, que sempre me deste. E agora quero separar tudo e ficar imune. Agora quero saber sentir por fora sem sentir por dentro.]
...isso!!
Eu, fruto proibido.
Proibida.
Só para quem arrisca multas sem pestanejar, 
só porque o fruto vale a pena, e não é por ser proibido.
É só porque sim.
Porque sim é sempre a melhor razão nestas coisas.

....isto sim, era um bom encontro matinal, para começar bem o dia.
Isto sim podia ser vida!!...Em vez desta dor de cabeça que me assiste e este sono que não descola... se ao menos eu dormisse, se não me obrigassem a ver horas de sonhos, ou pesadelos ou o raio, durante a noite era capaz de ajudar. É que sonhar a noite toda com uma festa, mostrarem-nos fotografias fofinhas no telemóvel de fins de semana românticos, e em nada disto sermos parte da história é gajo para chatear.... e pronto acorda-se com uma dor forte na cabeça que ainda não me largou. Andamos a tentar não pensar durante o dia, a enterrar pensamentos e sensações, e a porra do subconsciente espeta-nos tudo em forma de filme, e nem nos podemos levantar da cadeira e pirarmo-nos sem ver o fim.... bahhhhh
Filme era este, assim, ou um cruzar no corredor, ou qualquer coisa boa e que já agora envolvesse a minha pessoa sem ser como espectador... isso sim era coisa para me agradar.....
Bom Dia

24 julho 2014

...é por isso que pode mudar a qualquer momento.
E hoje, afinal, vai ser um dia bom!!
24 de Julho vai passar a ser uma data boa, se tudo correr bem, e vai correr!
Vão acontecer coisas boas que me vão fazer sorrir e repescar-me do meio da confusão desta vida em que já não me sei, em que me perdi de mim e da vida que queria, quando encontrei o que afinal queria na e da vida.
Baralha quando a vida nos mostra e dá a provar o que queremos dela 
e depois nos nega o doce como a uma criança gulosa e traquina.




Lavar a memória não compensa... nunca fica limpa.
o beijo compra palavras... há beijos que compram todas as palavras de amor, mas dizem-nas melhor.
vem buscar a tua ausência... ela está a mais, vem e expulsa-a daqui.
Abraça os que amas antes que passem... 
...as pessoas não duram sempre, as que amas duram sempre pouco, 
muito pouco para todos os abraços que têm o seu nome, que nunca passa.

Boa Noite


23 julho 2014

Outra vez este hospital. Outra porta. Não se sente o mesmo cheiro. Estranha vida que me volta por voltas a pôr aqui, logo nestes dias em que ando a sentir tão presentes pessoas já ausentes. E não se consegue não pensar, não repensar a fragilidade da normalidade da vida. Qualquer coisa a qualquer altura nos pode alterar tudo. Tirar tudo como o conhecemos, ou simplesmente tirar tudo. E sempre se aguenta tudo.
...isto agora caía bem...
caía-me tão bem!!
Estou a precisar dum abraço de corpo inteiro todo de alma...
Mesmo.


"Antes de ti eu estava cheia de certezas. Plena das minhas convicções.
Antes de ti eu gostei. Mas não amei. Gostei até muito, mas não amei.

E depois de ti? Depois de ti não existe. Quando se aprende a amar não se esquece e não se troca só por um gostar. Ou por um gostar muito. Fica-se eternamente ligado."

Rita Leston 

[...sim, fica-se eternamente ligado. Ligações que não conseguimos cortar, coisas a que não sabemos dar nome, ou não queremos nomear, talvez seja difícil conjugar o verbo em voz alta e consciente. Mas deve ser isso, se não se conseguem cortar deve ser amor, o resto, o que se corta, é companhia, com sorte poderá até  chamar-se uma espécie de gostar, mas não amar.]




22 julho 2014

... hoje o dia acordou-me estranha. Fiquei uns dez minutos a olhar para a porta aberta do meu quarto, ainda dentro da cama meio coberta meio descoberta, entre o levantar e o ficar, a perder-me naquela luz da manhã e a pensar em quem não mais sairá por aquela porta, ou voltará a entrar. É uma sensação estranha, deixa-me meio desmoronada e completamente indefesa, sem forças que me levantem da cama nem vontade que me obrigue a fazer alguma coisa. Começo a tentar pensar no que tenho para fazer no dia, pensar no que vou vestir, no caminho com sol até ao trabalho, na música que acompanha a paisagem, nas coisas boas que gosto e me vão mimando um pouco. 
Penso em trabalho e dou por mim a pensar em ti, em que me fazes falta, fazem-me falta as nossas discussões, o dizeres-me que tenho o sangue muito quente ainda, que sou muito nova, que tenho de ter calma e diplomacia (diplomacia, eu??? não sei fazer isso e acho que não preciso de aprender...sou teimosa), que não se faz tudo duma vez. Sinto falta de me chatear contigo, de te dizer o que penso mas a última palavra ser tua, a decisão ser tua, e a responsabilidade partilhada, o esforço partilhado. Sempre. 
Sinto-me sozinha. Que solidão excruciante, que sensação de vulnerabilidade, fraqueza, fragilidade. Onde estou eu? onde ando que não me tenho nem me acordo? 
Sinto-me tão sozinha, nunca pensei que viesses a fazer-me tanta falta, mas fazes. Sinto falta de me sentir protegida e foste, juntamente com o meu irmão, das únicas pessoas que me protegeu (pergunto-me porquê, será que pensam que não preciso, que não quero?), mais por amor ao sangue do que por amor a mim, mas sentia-me protegida, se fizesse asneira tu amparavas e disfarçavas, protegias-me além do teu reconhecido egoísmo, mesmo que fosse depois duma discussão e entre olhares enviesados de parte a parte. Sempre me soubeste frontal e sincera, e como dizias "nariz empinado", mas protegias-me e eu agora queria isso, que me protegessem, que me amparassem, que me ajudassem a levantar, que me protegessem duma vida que não estou a saber viver e que me livrassem de mim. 

[quando vi há pouco esta foto apeteceu-me que fosse verdade, que se eu esperar aqui quietinha e bem comportada alguém vai chegar com ajuda. Posso descansar porque vai haver ajuda. alguém me vai ajudar, alguém me vai dar a mão e ajudar-me a levantar. ]

21 julho 2014

hummm. certo.... correspondido como... por correspondência?
será isso que querem dizer?
deve ser, é que até essa correspondência é dificil quanto mais outra... 
.... qual saúde, qual quê...
 o pessoal andaria todo doente e moribundo se dependesse dessa coisa do amor correspondido...



E agora deparei-me com isto, e ficava tão bem a acompanhar o post de ontem na varanda... e depois percebi que também ficaria bem no post anterior, porque o silêncio pode ser uma música: uma música em silêncio, em que só falam as almas, e falam baixinho ao ouvido do silêncio sem o perturbarem. 
Há coisas que só fazem sentido partilhar com quem amamos até à loucura. 
Aliás, há coisas que por muito que tentemos partilhar se não amarmos até à loucura não são realmente partilhadas, se calhar porque se tenta, e tentar não é espontâneo, não te sai sem saberes que sai, não te leva sem saberes que já te levou irremediavelmente, e é daí que se calhar vem a loucura: a não explicação, a ilógica do que não implica esforço é que é recompensado com essa magia. essa loucura.
Poucos loucos destes, tão poucos...


Não fui ver. Por um lado tive pena, por outro não tive nenhuma.
Tive pena porque gosto, não tive porque é uma banda especial para mim, não digo das minhas bandas preferidas porque há já demasiadas pessoas a dizê-lo, e porque não sei se será das minhas preferidas, não tenho muito dessas coisas eleitas "preferidas", tenho coisas que gosto, outras que gosto muito e outras que me tocam duma forma funda e me fazem de alguma maneira identificar de tal forma que passam a ser um bocadinho de mim. Como a música dos Portishead a partir do momento que alguém me disse - e que tanto me surpreendeu -, que eu era do género da música deles, que era a minha cara, que era o meu ritmo. E eu fui à procura, porque não conhecia, mas era verdade, e eu sorri com isso - com esse intuir-me, esse ver-me, esse saber-me antes de me conhecer -, como com tantas outras pequenas coisas, que me tocam e se tornam especiais por me tocarem, ou tocam-me porque são especiais, não sei nem me interessa... eu troco um bocado as coisas. E ontem percebi que realmente ainda bem que não fui, porque há coisas especiais que sabem a pouco, e sempre um pouco amargas, quando não são feitas como deveriam, com quem se deveriam, ou serão sempre metades amputadas de qualquer coisa, qualquer coisa de fundamental que lhes tira tanto do sentido, e do serem especiais, tornam-se banais e estragam-se. Há espectáculos que só são um espectáculo quando a companhia nos faz gozar o espectáculo em pleno, e a companhia que era para ir comigo (antes da sua agenda impenetrável o tornar impossível) por muito boa que seja, que é, e que eu adoro, ia-me deixar na mais profunda solidão quando me lembrasse daquela noite em que no chão, em frente a um prato com um mil folhas partilhado e dois copos de vinho, tentei comemorar uma coisa boa, mesmo que dessa maneira pobre, e no chão, e à luz de velas (que não são lamparinas nem coelhinhos atrevidos) e senti uma mão agarrar-me pela cintura num abraço sentado que se dançou à música dos Portishead, peito com peito, cara com cara, respiração com respiração, num abraço quente e apertado e dos mais ricos que me lembro. Para mim foi uma noite boa, feliz, não haveria maneira melhor de comemorar, que mais me tocasse do que aquela, vinda do nada e sem programação, na mais espontânea e verdadeira vontade de estar, de partilhar, de comemorar. E era esta a banda sonora. Esta que é a minha cara, e tem o meu ritmo, e que alguém foi ouvir ao lado de quem escolheu. Que não fui eu. Felizes dos que foram com quem escolheram. Se eu fosse não ficaria feliz, mas amputada. Não iria com a minha escolha para esta banda. Ainda bem que não fui. 

[e esta música é das poucas deles que consigo identificar de facto, o resto só identifico o ritmo, a languidez, a sensação quente, a lassidão que se arrasta sem pressa mas com alguma pressão, e não foi esta que foi dançada sentados no chão, disso lembro-me. Tenho pena de não me lembrar qual a música ou as músicas -penso que foram musicas, mas não sei -, estava demasiado abraçada para me lembrar da música que nos acompanhava, mais do que nós acompanhávamos a música, ou assim me pareceu... eu troco um bocado as coisas, é o que é... para compensar a minha falta de jeito em trocar de pessoas, deve ser isso...]
Hoje a noite está silenciosa, aqui fora não passam carros nem se vê ninguém na rua, e sabe-me bem - ouvir o silêncio. O céu forrou-se de nuvens, aconchegado, devia estar com frio e puxou os cobertores. Não nos deixa ver as estrelas porque tem frio, mas elas estão lá, por mais cobertores com que se cubram, há coisas que não deixam de ser. Mesmo que o céu não seja o mesmo todas as noites, mesmo que algumas estrelas se apaguem, o céu estrelado está lá. Mesmo que com medo do frio. Deixem passar o frio, as mantas sumirem-se e vão ver. Está tudo lá, o essencial está.

Coisa mais bonita
é quando a vida faz declaração de amor
e o amor faz declaração de vida.

[Yawk]
Daqui

...é, é mesmo... deve ser...
um dia, um dia...
Até lá,
Boa noite

20 julho 2014

Interrompo a leitura porque os pensamentos se me atrapalham, poiso o livro e vejo-te passar à frente dos meus olhos.  Não vi os teus porque nunca me vês, se calhar nunca me viste, como é que então eu sempre achei que te vi tão bem?
"She would never look at me the way she looked at him."
(Do filme Proposta indecente)

E ele deixou-a ir. Não a perdeu porque nunca chegou a ser dele. 

[e esta frase trouxe-me logo outra que li, há muito tempo já, mas que como tantas outras que li no mesmo sítio, não consegui esquecer nem nada se esforçaram ou fizeram para que pudesse esquecer, e que dizia qualquer coisa como "gostava de ver aquele teu olhar naquela fotografia mas a olhar para mim" e outra "ou se ama ou não se ama e ponto final". 
Quem ama e quer ser amado preocupa-se com os olhares. Quem não aceita menos do que ser amado deixa quem não o ama ir. ]

Boa noite

18 julho 2014



"Aqui, deste lado da barricada, eu amo-te sem te ver. Aqui, deste lado da barricada, eu amo-te sem te tocar. Vou-te amando porque preciso. Vou-te amando porque quero. Vou-te amando porque faz sentido. Sinto-te dispersa pelo ar. Sinto-te a dares-me vida. És tudo o que acontece à minha volta. És a certeza de um metro quadrado de paz neste caos que me rodeia. És o sorriso que me escapa nos dias cinzentos que se multiplicam. Deste lado da barricada espero-te a todas as horas. Deste lado da barricada tento arranjar forças para largar tudo e fugir até ti. Deste lado da barricada só faltas tu. Nestes dias cinzentos, neste mundo triste que me rodeia, nesta falta de amor que se mistura no ar, tu és o sorriso que me faz querer continuar. És tu. És sempre tu. "


[Às vezes parece, parece que amar-te é quase uma necessidade, como uma espécie de instinto selvagem da felicidade, as garras das ganas de viver. Ninguém sobrevive incólume a um Amor que nos faz feliz por dentro e por fora, que cria um ninho num mundo aparte. Depois disto, a sobrevivência passa a morte, e o instinto de sobrevivência é continuar a amar aquele Amor, como se fosse o sol que permite a vida, mesmo a vida mais básica e quotidiana. Sem isso é como se não houvesse nada, nem dia nem noite, nem passado nem futuro, e o presente perdido sem saber onde ir. Amando assim, volta-se àquele ninho, mesmo quando já não há um mundo aparte - o mundo que casou este amor.]
vá.... se insistires muito eu vou dar uma voltinha contigo...
de mota e de cabelos ao veeeeeeeentoooo
eu deixo-te conduzir, vá, é que eu sou uma mocinha muito séria,
 e não quero que tu me agarres para não cair... 
...agarro-me tá bem??
[ora vamos lá avacalhar isto um bocadinho, mas só um bocadinho, que temos de nos rir e o dia está feio...]
ahahahhaha
sim espanca-me lá um bocadinho se souberes como!!
(só conhecia a versão "kissed", mas pronto, modernidades... prefiro a antiga (como em tantas coisas não sou deste tempo), sem dúvida, e aí, sim, ele tem toda - todinha - a razão!!!
Bom Dia

Uma cama que não nos quer, que nos devolve a um sofá conhecido vizinho duma janela por onde entram os candeeiros da rua que fica lá fora. Uma loira numa janela, carros que passam e eu que aqui fico atrás de um cigarro a pensar-me para quê. As sombras na parede, quadrados de luz numa parede vazia. Um sofá vazio cheio de almofadas. Lugares vazios onde só se ocupava um lugar e não era falta de espaço, era espaço a mais entre vontades que se tocavam. Que se tocaram já não sei em que tempo. Tempo que agora tenho nas mãos vazias. E que não se quer esgotar de me esgotar. 
Boa noite.

17 julho 2014

Ahahahah... Muito boa!!
(E aqueles que pensam que controlam alguma coisa, 
que andam a brincar às proibições e tal,
 mas que nunca se impõem em atitudes, 
que nunca deixam de mentir aos outros e a si mesmos, 
que só conseguem ser homens numa coisa?? 
e quando deixar de haver essa nem sei que nome terão as criaturas...)
Bom dia!




"Por vezes parece que Platão tinha razão, que há quem nos suplemente de forma ideal, como se de um arquétipo de gente se tratasse. Ao contrário de Platão, ou talvez concordando com ele de uma forma que nem ele previu, esta pessoa arquetípica é alguém que não se procura, só se encontra. Platão reduziu isto à “busca de uma alma gémea”, sobresimplificando, dando-lhe um carácter de odisseia e de procura que na verdade a coisa não tem. É o próprio Platão que explica, sem querer, a verdade, na alegoria da caverna. Antes de encontrar, não sabes o que procuras. Depois de a achar, não sabes nem como viveste tanto ano antes disso, nem consegues sequer explicar a alguém o que encontraste e como é diferente. As palavras saem-te da boca mas não tens a certeza que ninguém te entenda.

Se tiveres sorte, encontrarás quem te faz sentir que voltaste a casa – a uma casa que nem sabias que tinhas. O melhor amor é feito de momentos “eureka”, e amar assim é uma sucessão de descobertas científicas, de “afinal a vida é isto e ninguém me tinha dito?”. Dás por ti a descobrir coisas em que nunca tinhas pensado, a descobrir ângulos diferentes para ver coisas que achavas que conhecias.
(...)

Penso por vezes (não o pensamos todos?) “porque dei tantas voltas para chegar onde estou?”, “porque passei tanto tempo a fazer coisas distintas destas, das que me fazem feliz?”; e depois lembro-me que Ulisses levou dez anos, depois de Tróia, a voltar a casa, a voltar a Penélope. 
(...)

As nossas vidas são, como a Odisseia, uma história sobre o voltar a casa, cheia de aventuras mais ou menos dignas, de enganos, de tentações e de tempo aparentemente perdido. E por vezes lamentamos, há quem lamente, esse tempo que se passou a fazer outras coisas – há quem ache que o destino é um lugar onde se pode chegar mais cedo, onde se pode chegar antes da hora marcada.

Mas não pode.

Provavelmente faz falta passar por uma Circe, por um voluntariado nas mãos de alguém que não é quem procuras, embora te saiba bem.

Provavelmente há que passar por uma Calypso, pela prisão, pelo ser subjugado e controlado, por te fazerem sentir impotente e sem saída, pela esquizofrenia de quem te quer mas não te ama, apenas te quer controlar.
(...)

A casa de Ulisses é Penélope, e evolui e cresce e muda, dia a dia, até ela ser a casa que ele encontra quando volta a casa, quando procurando quatro paredes encontra dois braços, melhores e mais seus do que alguma vez esperara, braços e uma mulher inteira que ele nem sabia que existia, uma mulher das que não se procuram, só se encontram.

Estava escrito."

Escrito pelo Menino para mim, só pode, é que se não foi passa a ser. 
Esta ideia de que as coisas têm de acontecer como acontecem é coisa que me diz muito, mesmo que às vezes me irrite muito o percurso, me magoe muito tudo, olho para trás e sinto que para estar onde estou tinha de estar a olhar precisamente para este passado; talvez por isso tenha sempre compreendido tanta coisa incompreensível, talvez por isso não tenha a tentação de querer mudar o passado ou arrepender-me dele, mas sim de saber que cheguei onde cheguei porque vim pelo caminho que vim. Isso dá-me talvez a noção de para onde quero ir, onde quero ir agora, mesmo que lá atrás não o tenha feito, ou tenha feito doutra maneira, ou tenha percebido que aquele não era o caminho, se não o tivesse feito não saberia. 
O passado é passado para podermos ter futuro. 
O passado é para aprender, não é para impedir o futuro que quisemos ter no passado e não tivemos, ou estaríamos noutro ponto de vida, é para pegar no ponto em que estamos e fazermos o que percebemos que já devíamos ter feito e não fizemos, ou para não fazer mais o que percebemos que não queremos.
O futuro é sempre voltar a (nossa) casa. Está escrito.

( e isto, ironicamente, estamos fartinhos de saber, demais, até à exaustão. depois lembro-me duma frase de há não muito tempo "aquele abraço fez-me sentir em casa, regressado a casa".... giro, muito giro, ser não fosse tão tragicamente ridículo eu me lembrar disso. mas sei que tem de ser para eu chegar onde vou chegar. um dia. um dia a vida encontra-me, entretanto vai acontecendo-me.) 

16 julho 2014

"Sentia-se bastante desorientado com a situação quase irremediável a que levara as suas aventuras. E, contudo, nada o teria embaraçado mais do que o triunfo."
Stendhal, in Vermelho e Negro.

E esta? Pois, quando se acha que se quer alguma coisa, sem se saber sequer bem porquê, e se anda desorientado, às vezes o pior que nos pode acontecer é conseguirmos o que supostamente queremos. Como diz o outro: "cuidado com o que desejas porque podes consegui-lo". Convém saber realmente o que se deseja, ou o triunfo torna-se na pior derrota.

15 julho 2014

Há friezas que cortam como facas e são usadas precisamente para ferir.
Realmente, anjos e demônios. E o sabor da corrente, e o vento que muda. 

Intimidad

Soñamos juntos
juntos despertamos
el tiempo hace o deshace
mientras tanto

no le importan tu sueño
ni mi sueño
somos torpes
o demasiado cautos

pensamos que no cae
esa gaviota
creemos que es eterno
este conjuro
que la batalla es nuestra
o de ninguno

juntos vivimos
sucumbimos juntos
pero esa destrucción
es una broma
un detalle una ráfaga

un vestigio
y un abrirse y cerrarse
el paraíso

ya nuestra intimidades tan inmensa
que la muerte la esconde
en su vacío

quiero que me relates
el duelo que te callas

por mi parte te ofrezco
mi última confianza

estás sola
estoy solo
pero a veces
puede la soledad
ser
una llama.

Mario Benedetti

[hoje as palavras não me saem, ou eu não quero que saiam. quero trancá-las por baixo do sonho que deixaste do lado de fora da porta que trancaste à saída. a solidão conjunta pode ser uma chama que inflama, pode, nem sabia, mas pode, só que há pessoas para quem dura um fósforo e outras para quem é o lento queimar duma vela teimosa. como a saudade. a saudade ditosa, ditadora das noites, que aumenta quando devia ir morrendo ao longo dos dias, quando a intimidade se devia ir apagando, quando a memória amarelece e o toque já não se toca, quando os cheiros nos fogem debaixo do nosso nariz, quando já ninguém ouve golfinhos antes de eu adormecer, quando já não tenho uma almofada que tem um coração dentro. O meu.]

Boa Noite, a minha varanda espera pelo meu ultimo cigarro.



Um beijo

Foste o beijo melhor da minha vida,
ou talvez o pior...Glória e tormento,
contigo à luz subi do firmamento,
contigo fui pela infernal descida!

Morreste, e o meu desejo não te olvida:
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,
e do teu gosto amargo me alimento,
e rolo-te na boca malferida.

Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,
batismo e extrema-unção, naquele instante
por que, feliz, eu não morri contigo?

Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,
beijo divino! e anseio delirante,
na perpétua saudade de um minuto...

Olavo Bilac

[beijo: a forma mais perfeita do silêncio falar. haverá beijos mudos? ou mentirosos? em todas as línguas se mente, talvrz também nesta haja quem sabe mentir não pronunciando uma única palavra, basta não sentir. ]

14 julho 2014


A lua a despertar atrás do telhado, a empoleirar-se numa chaminé a olhar para mim... E eu para ela...

(...)
Bastava-nos ficar. E não bastava
o mar a querer doer em cada ideia.
Já não bastava olhar. Urgente: amar.
E ficar. E fazermos uma teia.

Respirar. Respirar. Até que o mar
pudesse ser amor em maré cheia.
E bastava. Bastava respirar
a tua pele molhada de sereia.

Bastava, sim, encher o peito de ar.

Fazer amor contigo sobre a areia.

Joaquim Pessoa.


[... e hoje apetecia-me mar. apetecia-me saber a mar. ]
Isto hoje só assim... Dentro de água...
O mocinho é um bónus!!... Mas se não coubéssemos os dois ele tinha de saltar... Eheheh

Bom Dia!

Sento-me no degrau da varanda enrolada na manta que ontem me enrolou, trago um Porto de que ontem bebi mais de três copos, acendo um cigarro e penso que perdi conta aos que ontem durante toda a noite acendi. Sento-me e penso que dizem que o tempo cura tudo, que volta a pôr tudo no lugar, e eu cada vez mais acho que o tempo não cura nada, e a pôr no lugar não é nunca no lugar antigo porque o que o tempo faz é mudar tudo de lugar. O lugar antigo, depois do tempo correr por ele, corre com ele, deixa de existir, porque uma coisa não fazemos, não podemos fazer, é apagar o tempo que passou, que nos mudou e que mudou tudo de sítio. E o tempo em cima do tempo que correu é corre traz-nos sempre à tona, faz-nos sempre emergir quando nós nos queremos submergir nos dias, na vida, em que não nos somos verdadeiramente. E fá-lo à força se o queremos contrariar, quanto mais o contrariarmos maior a violência com que nos força. O que o tempo também faz é ensinar, mas não é por ensinar que todos aprendem. Tanto não aprendem que tentam voltar a lugares que o tempo apagou em nós. Não há maneira de apagar o tempo, de parar o tempo, não há maneira de negar o que o tempo trouxe, só há aprender com tudo o que fizemos e nos mudou com o tempo. O tempo não cura nada e encontra-nos sempre. Só nos surpreendemos com isso quando não queremos aprender o que ele nos ensinou. E eu aqui pergunto-me o que é que ele me ensinou. O que eu sei. Sei-te. E tu?

13 julho 2014

...realmente!!
Olha, toma e embrulha, porque na verdade é mesmo isto, 
se uma pessoa faz mas não quer, não serve, não dá. 

..hum hum
a minha deve ser daquela arte moderna que ninguém entende, só o autor e mesmo assim... por muito que explique o significado escondido, obscuro, e profundo, a reacção natural de alguém normal é cara de parvo. muito parvo mesmo.
Que é a minha todos os dias da minha vida quando penso nela, na vida.


...dispensava os balões.
...e a bicicleta, vá.
o resto queria tudo.
Bom Dia!

É engraçado estar agora aqui a ver o dia entrar com pezinhos de lã pela janela, com esta luz cinzenta que vi tantas vezes neste mesmo sofá, enroscada em alguém, ou só encostada, ou só sentada neste mesmo sítio, mas a conversar com alguém ao mesmo tempo que deixava as mãos passear pela pele, a minha ou a dele, se é que na altura não eram, para mim, uma mesma pele. E agora também aqui estou, a fumar o último cigarro ao fim de horas de filmes, e afinal dantes também eram filmes; filmes que fazia na minha cabeça com realização a cargo da alma, essa que não sei onde pára, perdeu-se da pele na pele que agora é uma só, e onde não passeiam mãos e não há conversa. Só eu e o dia a nascer ao fim de uma noite só. Só uma coisa nunca muda, continuo a ir sozinha para a cama dormir, ou tentar.
Bom dia.
III
Colada à tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
Colada à tua boca, mas descomedida
Árdua
Construtor de ilusões examino-te sôfrega
Como se fosses morrer colado à minha boca.
Como se fosse nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do amanhecer.
(...)

Hilda Hilst

Boa Noite, de lua sôfrega...


12 julho 2014


... Enorme, brilhante, linda! 
Não dá para ignorar,
 é obrigatório parar e registar...
Antes tudo fosse assim, lindo, parar-se e olhar como se fosse diferente para nós. 
Como se houvesse uma lua para cada um.
E esta é minha.
ahhhhhh.... ronha abençoada!!
a ronha é sempre uma coisa boa, 
mas uma ronha com a pessoa certa é uma coisa abensonhada* de boa.... 
falta-me essa, e quero.
Bom Dia


*palavra bem criada por Mia Couto.


“Que o espelho reflicta em meu rosto um doce sorriso 
E que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada
 porque metade de mim é o que penso 
mas a outra metade é vulcão.” 

Oswaldo Montenegro

[...há que arrefecer...]
Boa Noite

11 julho 2014

Ahahaha 
Ora porra e não é que é verdade?...
Adão, filho, onde andas? 
Vamos fazer a coisa como deve ser, anda cá!! 
Paraíso, me "aguardjee"

Só uma coisa destas para me fazer rir hoje... Inventam cada uma!!

outra cama
outra mulher
mais cortinas
outro banheiro
outra cozinha

outros olhos
outro cabelo
outros
pés e dedos.

todos à procura.
a busca eterna.

você fica na cama
ela se veste para o trabalho
e você se pergunta o que aconteceu
à última
e à outra antes dela…

é tudo tão confortável —
esse fazer amor
esse dormir juntos
a suave delicadeza…

após ela sair você se levanta e usa
o banheiro dela,
é tudo tão intimidante e estranho.
você retorna para a cama e
dorme mais uma hora.

quando você vai embora é com tristeza
mas você a verá novamente
quer funcione, quer não.
(...)


Charles Bukowski

10 julho 2014

...pois.
efeitos colaterais.
Antes sarcástica que má, maquiavélica e manipuladora,
 mas há quem goste desse género.
Enfim cada um com a sua.

"Tenho medo de viajar (...) Não de andar de avião ou de qualquer outro meio de transporte, mas de encontrar o que não conheço, ou, pior, o que deixou de ser o que era e se modificou.",
Pedro Paixão, "A Cidade Depois"


Olha eu não, e cada vez menos... 
quero viajar da minha vida, sair, encontrar o que não conheço, 
modificar o que conheço e não quero mais conhecer... 
enfim tirar férias de mim e desta vida estranha que me vive.
... Bolas que está enorme e brilhante.
Boa noite para banho de luar num qualquer chão duma qualquer sala que não provoque medo. 
Vou acabar o meu cigarro debaixo desta lua, sem medos. Afinal às vezes o medo é só um hábito.
Boa noite.

"(...) também tenho saudades tuas. estás bem? "
 e pronto, bastou isto. 

às vezes parece que o peso duma pena faz desabar uma falésia.
disseram-me de ferro, mas a parecer frágil
e eu sou só o que pareço

09 julho 2014



"é sempre
uma história de amor:

a árvore
que se afeiçoa ao pássaro

o sol
que se liga à água

os olhos
que se prendem ao mar"


gil t. sousa

[os fins de dia, o cair do entardecer no horizonte, o peso do dia (ou da noite?) a descer aos ombros, o olhar dos nossos olhos a poisar de novo em nós, a alma que alua antes da lua.
coisas que combinam com este poema, coisas que este poema me traz devagarinho, arrancando dos dedos as palavras que estas linhas me traçam, em que me emaranham os sentidos que sentem além dos sentidos... 
simplicidade no sentir o que se vê,
simplicidade no ver o que se sente. 
claramente.
de olhos fechados, como de olhos abertos
como a cor alaranjada do calor que se sente mas nem sempre se vê. ]

" (...) amo-te companheira e amo-te puta, conselheira e estrela porno, amiga e confidente e conjurada, enquanto te olho nos olhos e se me abre um sorriso de querer ser velho contigo, mas logo quando te viras só quero é apalpar-te o cu."
Só mesmo Menino para dizer isto, e dizê-lo assim.

Aliás, andamos a roubar coisas ao moço desde sei lá que tempos (desde que lhe descobri o blog e acho que foi logo ao inicio), aqui o tasco começa a ser apenas uma sucursal daquela morada... mas que fazer? há coisas que ele diz que eu gosto de ler, e que gostava de ouvir... e o que uma pessoa gostava de ouvir também a define, tanto como aquilo que diz ou -  mais ainda - que gostava de dizer, e tantas vezes tem de calar. Por isso tantas vezes nos definimos tanto pelos sonhos que temos, que desejamos como pelo que fazemos nos dias que nos fazem a vida, querer uma coisa é ser um pouco essa coisa. Eu devo gostar que quando me viro alguém (aquele determinado e certo, tão cert, alguém) tenha vontade de me apalpar o cú. Mas que isso seja também uma faceta de querer envelhecer comigo, e já agora com o meu cú...