Eva me chamaste
Fizeste das minhas costas o teu piano
Dos teus desenhos as minhas curvas
Da minha boca a tua maçã
Dos meus olhos o teu mar
Do meu mundo os teus braços
(...)
Fizeste das minhas costas o teu piano
Dos teus desenhos as minhas curvas
Da minha boca a tua maçã
Dos meus olhos o teu mar
Do meu mundo os teus braços
(...)
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12 maio 2014
"- Tens medo de fazer amor comigo?
- Tenho - respondeu ele.
- Por eu ser preta?
- Tu não és preta.
- Aqui, sou.
- Não, não é por seres preta que tenho medo.
- Tens medo que eu esteja doente...
- Sei prevenir-me.
- É porquê, então?
- Tenho medo de não regressar. Não regressar de ti."
Mia Couto, in Venenos de Deus, Remédios do Diabo
[há sítios de onde não se regressa, como alguém dizia...
...quando são pessoas que são o nosso sítio - o melhor, e mais nosso, sítio - acho que é o mesmo, ou pior...
...belo excerto de fim de tarde, eu é que tenho de mudar definitivamente de sítio, regressando, ou não. ]
07 maio 2014
Amo-o como se pode amar a vida, suponho, com tudo de bom e de mau, de desespero e de doce, num jogo de luz e de sombras de que me escondo e a que me exponho. Amo-o a instantes, e a toda a hora. Amo-o quando em segundos os seus olhos me dizem das saudades que sentiu, do que ainda não parece ter desaparecido de dentro de si, do que guarda de mim. Amo-o na maneira como o seu olhar dissipa a névoa da dúvida em mim, até se enevoar de novo longe dos seus olhos. Amo-o quando fala com o rapaz do bar que o reconhece com genuína simpatia no sorriso rasgado, que me rasga do mundo e me faz mergulhar em si, no seu gesto brincalhão e palavra pronta para quem não conhece, mas que o dá a conhecer a quem quiser ver. Nesses pequenos instantes vê-se a imensidão de si que amo, como na conversa com o empregado de mesa dum jantar não combinado, em que a vontade era de encostar-me o olhar e o resto, e ele a querer conversa, e o sorriso que lhe dirigia a fazer-me querê-lo com urgência. Amo-o quando ao longe o vejo lidar com as pessoas, os seus trejeitos, como se mexe, como fala, como se ri ou sorri, como sei de longe se lhe estão a dar tanga e se está a devolvê-la ao remetente. Amo-o quando se encosta a mim, e entre nós não cabe o espaço das palavras que se dizem ao ouvido, quando já os corpos conversam mudos, com a sua cara colada à minha, num roçar onde cabem todos os beijos proibidos. Amo-o quando chama mágicas às minhas mãos, e por a sua pele as querer ao ponto de dizer temê-las, ainda que minta. Amo-o quando a mão que me põe na cintura me faz tê-lo todo, dar-me toda, basta fechar os olhos, e aquele toque toca-me por inteiro, leva-me inteira. Amo-o quando a conversa resvala para coisas que o fragilizam, e parece um bebé meio perdido a quem dão a traquinice por ponto de fuga. Amo-o quando percebo que disse alguma coisa que o tocou e revela aquele certo sorriso que me toca. Amo-o quando me chama pelo nome, porque todo o chamamento é uma vontade de presença, amo-o ainda mais quando repete o meu nome vezes seguidas quando a minha presença já é conjugada no presente. Amo-o até quando não gosto de si, quando me assaltam coisas que fez, que me fez, ou que deixou de fazer, sabendo o quanto me magoam e perseguem. Até aí, debaixo disso tudo, ri-se triunfante o Amor que sinto e lhe quero entregar a instantes e a toda hora. Amo-o por esse Amor que fez nascer, esse Amor que faz pouco de mim, e faz-me o muito que posso ser. Amo-o como se podem amar momentos encaixilhados que nos fazem sorrir cá dentro a cada passagem, momentos cristalizados, bem guardados até quando não os vemos, quando não sabemos do seu paradeiro, e no meio da correria do dia a dia, nos surpreendem no meio duma frase dita ou ouvida, e que fazem quem somos sempre e a toda hora, até quando não sabemos o que somos. Amo-o quando me chama egocêntrica, entre sorrisos cúmplices, por dizer que estar consigo, não é estar com outra pessoa, é estar comigo, com uma parte de mim debaixo doutra pele, por isso só consigo ser inteira consigo, tem uma parte minha que me falta, ou um qualquer componente activo necessário à minha reacção fundamental de viver bem, preciso desse reagente químico-afectivo que traz consigo como segredo bem guardado, para acordar o que trago em mim, vivendo, sentindo vida em mim. Amo-o como as mães amam os filhos quando partem e quando regressam, nunca as tendo deixado enquanto sentiam o coração apertado pela ausência de quem é parte de si. Amo-o quando me afundo no seu pescoço, no seu calor, no seu cheiro como as crias quando se sentem protegidas e sem saberem do mundo que as espera lá fora, na inocência do que é vital. Amo-o quando mergulho nesse buraco negro com o seu nome inscrito e o seu sorriso gravado, como se ama a queda livre num olhar sem chão, e a vida que a vida pode ter, e de que não me consigo despedir. Amo-o quando me diz que cheiro a Amor, porque sempre me cheirou que fosse dos que sabem o aroma do Amor, ao que sabe o Amor, ao que soa o Amor, como um conjunto de sentidos que se sentem sem sentido, a não ser o de amar.
Amo-o como acho que se pode amar um homem. Amo-o sem nunca lho ter dito, dizendo-o de todas as formas silenciosas que penso que o amor deve ser dito, e re-dito em instantes e a toda a hora, enquanto espero que um dia lho possa dizer com todas as letras sem que isso o faça sentir o fogo das suas represas de dentro. Quando o puder ouvir sem medo de nada senão de que o Amor se cale, porque é preciso esse medo para amar, é preciso esse medo para ser Amor.
Amo-o a instantes e a toda hora.
Amo-o todos os dias como se só houvesse amanhãs consigo.
[escrito há tempos, lido há tempos, tempos passaram sem qualquer resposta, comentário, não era preciso, atitudes era o que era preciso, e a atitude quando chegou foi apenas uma despedida, um aceno de adeus, porque não se sabe fazer mais nada além de despedidas e desistências. Um dia vou voltar a amar assim e vou dizê-lo de todas as maneiras e vou escrevê-lo, e não vou ter vazio por resposta, vou ter Amor por resposta, em atitudes e palavras e mimo e tudo o que eu entrego a quem amo. Um dia... entretanto faltam-me amanhãs...]
20/4/2012, republicado, mas escrito muito tempo antes, horas depois de o ver descer a rua sem olhar para trás, como nunca olha, nem olhou.
[no fundo era disto que falavam os meus ovos mexidos, só se ama assim quando conseguimos entrar no mapa interior de alguém, e é assim que ninguém me conhece, ninguém me ama, ninguém me ama conhecendo-me por dentro do avesso que me fez e faz.
no fundo era isto. e só.
...um dia a vida acontece (-me).]
20/4/2012, republicado, mas escrito muito tempo antes, horas depois de o ver descer a rua sem olhar para trás, como nunca olha, nem olhou.
[no fundo era disto que falavam os meus ovos mexidos, só se ama assim quando conseguimos entrar no mapa interior de alguém, e é assim que ninguém me conhece, ninguém me ama, ninguém me ama conhecendo-me por dentro do avesso que me fez e faz.
no fundo era isto. e só.
...um dia a vida acontece (-me).]
11 abril 2014
- "Sevilha jantar e passear pela zona velha, sentar numa esplanada a ouvir guitarra cigana, os cheiros, as cores, as laranjeiras, os espectáculos de rua das escolas de dança, é lindíssimo." - caramba isto é a sua cara... e é a minha cara. é por isso que me apaixonava se já não estivesse, percebe?
- e consigo consigo ter isso.
às vezes parece que consigo entrar dentro de si sabia?
- não consegue, já conseguiu, está cá dentro, acho que isso que sente é só o reconhecer-se...
- e sentir a sua sensibilidade, uma energia tipo electricidade
igual à minha.
[Novembro de 2013, incrível, surreal se calhar... incompreensível de certeza. conversas nossas, coisas lindas. ainda bem que escritas para reler quando se quer...]
...afinal é noite de baú, de músicas e conversas, tudo do baú...
Boa Noite
- e consigo consigo ter isso.
às vezes parece que consigo entrar dentro de si sabia?
- não consegue, já conseguiu, está cá dentro, acho que isso que sente é só o reconhecer-se...
- e sentir a sua sensibilidade, uma energia tipo electricidade
igual à minha.
[Novembro de 2013, incrível, surreal se calhar... incompreensível de certeza. conversas nossas, coisas lindas. ainda bem que escritas para reler quando se quer...]
...afinal é noite de baú, de músicas e conversas, tudo do baú...
Boa Noite
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Flashes,
Meu amor...
16 setembro 2013
Primeiro foram as mãos que me disseram
que ali havia gente de verdade
depois fugi-te pelo corpo acima
medi-te na boca a intensidade
senti que ali dentro havia um tigre
naquele repouso havia movimento
olhei-te e no sol havia pedras
parámos ambos como se parasse o tempo
parámos ambos como se parasse o tempo
é tão difícil encontrar pessoas assim bonitas
é tão difícil encontrar pessoas assim bonitas
atrevi-me a mergulhar nos teus cabelos
respirando o espanto que me deras
ali havia força havia fogo
havia a memória que aprenderas
senti no corpo todo um arrepio
senti nas veias um fogo esquecido
percebemos num minuto a vida toda
sem nada te dizer ficaste ali comigo
sem nada te dizer ficaste ali comigo
é tão difícil encontrar pessoas assim bonitas
é tão difícil encontrar pessoas assim bonitas
falavas de projectos e futuro
de coisas banais frivolidades
mas quando me sorriste parou tudo
problemas do mundo enormidades
senti que um rio parava e o nevoeiro
vestia nos teus dedos capa e espada
queria tanto que um olhar bastasse
e não fosse no fundo preciso
queria tanto que um olhar bastasse
e não fosse preciso dizer nada
é tão difícil encontrar pessoas assim bonitas
é tão difícil encontrar pessoas assim pessoas
Pedro Barroso
[é tão difícil, é tão difícil mesmo, e é tão fácil perdê-las.
e é por isso. é por isso.
é só por isso.
é por isso tudo que nada.]
12 setembro 2013
"Comecei a amar-te no dia em que te abandonei.
Foram as palavras dele quando, dez anos depois, a encontrou por mero acaso no café. Ela sorriu, disse-lhe “olá, amo-te” mas os lábios só disseram “olá, está tudo bem?”. Ficaram horas a conversar, até que ele, nestas coisas era sempre ele a perder a vergonha por mais vergonha que tivesse naquilo que tinha feito (como é que fui deixar-te? como fui tão imbecil ao ponto de não perceber que estava em ti tudo o que queria?), lhe disse com toda a naturalidade do mundo que queria levá-la para a cama. Ela primeiro pensou em esbofeteá-lo e depois amá-lo a tarde toda e a noite toda, de seguida pensou em fugir dali e depois amá-lo a tarde toda e a noite toda, e finalmente resolveu não dizer nada e, lentamente, a esconder as lágrimas por dentro dos olhos, abandonou-o da mesma maneira que ele a abandonara uma década antes. Não era uma vingança nem sequer um castigo – apenas percebeu que estava tão perdida dentro do que sentia que tinha de ir para longe dali para ir para dentro de si. Pensou que provavelmente foi isso o que lhe aconteceu naquele dia longínquo em que a deixara, sozinha e esparramada de dor, no chão, para nunca mais voltar.
De tudo o que amo és tu o que mais me apaixona.
Foram as palavras dela, poucos minutos depois, quando ele, teimoso, a seguiu até ao fundo da rua em hora de ponta. Estavam frente a frente, toda a gente a passar sem perceber que ali se decidia o futuro do mundo. Ele disse: “casei-me com outra para te poder amar em paz”. Ela disse: “casei-me com outro para que houvesse um ruído que te calasse em mim”. Na verdade nem um nem outro disseram nada disso porque nem um nem outro eram poetas. Mas o que as palavras de um (“amo-te como um louco”) e as palavras de outro (“amo-te como uma louca”) disseram foi isso mesmo. A rua parou, então, diante do abraço deles. Não há memória de alguém, algum dia, ter considerado que aquele abraço foi um abraço de traição entre duas pessoas casadas. Toda a gente percebeu, logo ali, que a única traição seria não abraçar aquele abraço, por mais que houvesse documentos que comprovassem o contrário. Nunca casaram nem nunca se divorciaram. Não queriam perder tempo com papéis desnecessários. Os únicos papeis que assinaram, todos os dias, foram os dos poemas que, religiosamente, deixavam nos mais recônditos e secretos lugares da casa um para o outro. Não eram grandes obras e terminavam, sem qualquer variação possível, sempre da mesma forma: “amo-te”. Nunca receberam qualquer elogio da crítica literária, o que os deixava particularmente irritados. Souberam, anos mais tarde, que toda a sociedade os havia renegado. Chamavam-lhes, mesmo, os fugitivos. Eles, nesse ponto, concordaram em absoluto. Ambos sabiam que haviam fugido durante dez anos. E tinha sido tempo demasiado.
Sim, quero.
Foram as palavras dele quando ela, no registo civil como tinha de ser, lhe perguntou se queria nunca casar com ele."
Pedro Chagas Freitas
[Há coisas neste texto que tenho quase por certas irem acontecer num futuro mais curto que a década.
A primeira frase vai-te estar por dentro da boca ainda antes de dar tempo de apodrecer a despedida que dela sair. Só o fim não será este, porque a poesia da vida não se vive, a mediocridade da vidinha morna se alimenta da cobardia, e porque não, não queres. E porque não quereres te vai matar em mim.
Perguntaram-me "é falta de coragem ou é falta de amor?", e eu só pensei para mim: há diferença? haverá diferença?
O contrário do Amor não é o ódio, talvez nem mesmo a indiferença: é o medo. Porque o medo só tem medo do Amor, é o único que o extermina implacavelmente, sem misericórdia ou instinto de sobrevivência. Quando há Amor não há medo que o submerja; quando há medo, o Amor fugiu ou nunca compareceu. É por isso que o mais cobarde dos medrosos é um herói que não percebe, nem quer perceber ou saber, os perigos quando corre por Amor. O morno deixa de o aquecer para o queimar por dentro.
É falta de Amor.
E essa falta matar-me-á a tua falta.
E, no entanto, "De tudo o que amo és tu o que mais me apaixona. " .
Depois a minha falta vai nascer em ti.
E tu finalmente vais perceber.]
14 agosto 2013
«Estar nu, nada tem a ver com a pele. A verdadeira nudez é deixar que alguém nos morda os pensamentos; nos veja além da carne e nos leia como um livro. Os homens são fortes por fora, fazem-se fortes por fora, aparentam ser fortes por fora, mas resguardam a sua fragilidade interior, incapazes que são de assumirem o que sentem. Os homens têm medo das mulheres que os lêem, porque assim elas sabem mais deles que eles próprios. E como pode um homem fazer-se forte, quando uma mulher o despiu por dentro?»
João Morgado
[... era por isto que me dizias que tinhas medo de mim?? seria?... nãaaa]
31 outubro 2012
Seria tão fácil, estenderes-me a mão, alcançares-me. Falares-me, dizeres-me uma e outra vez o que for que sentes, se sentes. Tranquilizares-me os medos, apaziguares-me as ânsias, acalmar-me as inseguranças agudizadas pelo tempo que te escapa das mãos através dos dias e das noites que passas longe. Seria tão fácil, se o quisesses, se não quisesses a distância a que me queres manter. Se não quisesses tão desoladamente deixares-me do lado de fora da redoma em que te queres trancar, em que queres tecer essa manta de passados sem futuro, para depois a trancares numa gaveta no fundo de ti, que só abrirás para te aquecer a vontade de doçura, de ternura, que quiseste perder, afastar, arrumar e trancar, dizendo que era o que tinha de ser, que o frio é a tua casa, que é o que tem de ser. Não é por ter já repetido vezes sem conta que te quero, que te sinto a falta, que o meu sítio no mundo é o teu colo, que o meu lugar é o teu olhar e que o meu tempo és tu, que deixo de o repetir, que deixarei de o dizer. E nunca guardarei cosido ao meu silêncio tudo isto e outro tanto que fosse preciso para te deixar melhor, para que não me duvides e do quanto te tenho dentro, o quanto de mim és tu, e sem o que não sei viver, mesmo trancada. Seria tão fácil, mas mais fácil é o silêncio e as tuas mãos trancadas com o bilhete premiado por levantar dentro (ainda te lembras de dizer que te tinha saído a sorte grande??).
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Meu amor...
22 maio 2012
Este post é para ti
Não preciso falar muito porque sei que entendes, sempre nos entendemos nos silêncios, nas pequenas coisas, e nas grandes que suportam os pilares de quem somos. Custa-me muito tudo o que estou e vou fazer, mas é porque sempre me disseste que seria o melhor. O melhor para ti e por isso para nós. Afasto-me, recolho-me, deixo-te o espaço deserto que precisas para que o atravesses e chegues aonde queres. Estou deste lado como sempre, ao teu lado ainda, ainda que não me vejas, contigo na tua ausência para que chegues com a tua presença e possamos repetir todas as brincadeiras, sorrisos, beijos, gargalhadas, festas, mimos, olhares sem fundo e toda uma vida em que sempre encaixámos sem a ter. Fico à espera do teu calor, das tuas mãos, da tua pele colada à minha, do teu carinho e de te poder encher de mimo, de beijos e do amor que me deixares.
Enquanto na memória ficam gravados estes nossos momentos para reviver e sorrir sem saber, cá dentro aperta e desespera a vontade dum abraço assim, de reencontro, de felicidade, de vontade de chegar e ficar.
beijo
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Meu amor...
26 março 2012
Às vezes fazes-me sentir assim... pequenina, com totós, a precisar de beijinhos quando esfola os joelhos, porque tropeça e cai quando corre para ti. Fazes-me querer colo e mimo, e coisas doces e sorrisos de criança, e a inocência de não se ser adulto, de ainda não termos crescido para os problemas, de a vida ainda não nos ter estragado, de ainda sermos puros de alma e de sorriso, e de gargalhada, e de joelhos esfolados de correr para ti, para o teu colo, que está tão longe, e os meus joelhos tão esfolados...
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Beijos,
Meu amor...,
Tonta...
25 fevereiro 2012
Estou na sala, os livros à minha frente, e a luz que me entra pelas janelas pinta o ambiente duma cor linda, que me leva sempre até às saudades de ti. Das paredes alaranjadas de final de tarde, da melancolia do dia que se começa a despedir. Sempre as despedidas. As despedidas que não sei despedir, as vontades que não consigo apagar em mim, calar de ti. Apetecia-me que esta pausa que faço fosse para me ir enroscar em ti uns minutos partilhando luz e calor, um lanche a meias, e regresso aos afazeres depois. Esta é a única maneira que tenho de o fazer, pelos ecrãs das máquinas, e não me chega, que eu não sou máquina e não funciona em zeros e uns. Falta-me colo, mimo, pele. Tu perto. O teu pescoço para me pendurar. Mas por muito que queira fico sempre pendurada na solidão de ti.
[E não, está visto que a telepatia não funciona. Nada.]
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Meu amor...
23 fevereiro 2012
Não faço ideia por onde andas, ou a fazer o quê, o que te passa pela cabeça, se te lembras, se não te lembras. Se me procuras nas multidões, ou só nos recantos das memórias, se as tiveres e se as procurares, que nem isso sei. Não sei nada. Enquanto não sei nada penso muito, porque acho que tu também não sabes nada. Não de mim, de ti. E então sinto raiva, muitas vezes ódio, por não perceber nada, por nada fazer sentido. Por não querer sentir e não querer perceber nada, mas cá dentro alguma coisa não me deixar não querer nada, e sentir tudo. E então o caminho torna-se mais longo, o horizonte mais longe, a solidão mais escura, a vida mais fria. E não saber, não saber a que dia, a que horas, o meu horizonte me entrará de rompante ouvidos dentro e me levará com ele, avassalador, para um sítio onde ainda estás menos, onde te riscas definitivamente de mim, mas onde já sei o que pensas. Como agora, sinto que sei, mas ainda não me notificaste. Dizem que tenho pouca esperança. É verdade, não tenho, já não acredito em nada, em ninguém, muito menos no pouco a que me poderia agarrar para acreditar. Os sonhos não se agarram, as palavras, poucas, a que me poderia agarrar são tão fáceis de enganar como eu no teu colo, e os gestos jogam em todas as equipas, não têm dono, nem intenção. E eu não sei, não sei nada da falta que não sentes, ou do que sentes falta.
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Meu amor...
07 fevereiro 2012
E hoje o dia amanheceu-me assim com a primavera na boca a calar o frio, com a recordação do teu olhar quente a mergulhar-me por baixo da pele, donde ainda não saíste, onde ainda te sinto e quero. O coração bate melhor, mas falha vários batimentos à ideia da tua falta, tiras-me o compasso de vida que às vezes ainda sinto no peito, desatinas-me o coração, desconcertas-me a vida que a alma ainda vai descobrindo de vez em vez. Os tons suaves pelo caminho, num misto de saudade, melancolia e um doce sabor a sonho entre os lábios. E os sonhos, com toda a força que possam ter, que possam beber de nós, com que possam ser sonhados, são frágeis como a primavera que deixaste esquecida na minha boca.
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Meu amor...
08 agosto 2011
Não sei que fazes,
não sei que fazes ou por onde fazes,
sei que não me vês, não me falas, não me sabes.
Aí com os pés enfiados na água refrescas as ideias, em que eu não estou, nem nas novas, nem nas velhas.
E ontem o teu nome na minha boca, tantas, mas tantas vezes. Depois refresco as ideias e penso, sei, que eu não estou na tua, e não sei porque não te afasto duma vez, não te tiro de dentro duma vez. De alguma maneira, não importa como.
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Meu amor...
05 julho 2011
Some things fall apartMoby (where you end)
Some things makes you hold
Some things that you find
Are beyond your control
I love you and you're beautiful
You write your own songs
What if the right part of leaving
Turned out to be wrong
If I could kiss you now
Oh, I'd kiss you now again and again
'Til I don't know where I began
And where you end
(...)
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Meu amor...,
Música
25 janeiro 2011
Dizes que nada dura a vida inteira, que as coisas mudam, que as pessoas mudam, que tudo muda, e reconheço-o, tudo muda. Mudam as estações do ano que se repetem, muda o dia para a noite, muda a vida que tantas vezes nos emudece, mas que sempre continua a cada dia, depois de cada noite.
Nem sempre mudar é deitar fora o que mudámos, é apenas aconchegá-lo de maneira diferente. Esta maçã que me deste com o nome, emudeceu-me pela tentação de viver, e eu mudei, mas sou eu. Tu destapaste a Eva em mim, pela tentação de ser eu, apenas eu, um eu que não via mas que tu viste. Mudei-me e continuei-me eu, contigo em mim.
As pessoas mudam, os sentimentos alteram-se, transformam-se, desenvolvem-se noutros, crescem, mas nunca esquecem a infância que os viu nascer, ficam sempre em nós se houver vontade de os manter, se se continuar a achar que vale a pena, doutra maneira deixamo-los morrer.
A paixão deixa de morder da mesma maneira, deixa de queimar, mas aquece e muito, os dias, as noites, leva vazios e traz sons, troca memórias por sorrisos, e vontade de estar em vontade de continuar. Sempre. Continuar a mudar momentos em sorrisos, paixão que não acaba em cada dia que começa. De maneira diferente.
Há coisas que duram uma vida inteira. Na minha, eu. Tu em mim. As pessoas que gostámos, em nós. Mudas, eu mudo, mas pode-se ir mudando de mãos dadas num só olhar, ou apenas mudar, mas sem nunca conseguir mudar a mudança que nos mudou já, e que dura uma vida inteira.
Nem sempre mudar é deitar fora o que mudámos, é apenas aconchegá-lo de maneira diferente. Esta maçã que me deste com o nome, emudeceu-me pela tentação de viver, e eu mudei, mas sou eu. Tu destapaste a Eva em mim, pela tentação de ser eu, apenas eu, um eu que não via mas que tu viste. Mudei-me e continuei-me eu, contigo em mim.
As pessoas mudam, os sentimentos alteram-se, transformam-se, desenvolvem-se noutros, crescem, mas nunca esquecem a infância que os viu nascer, ficam sempre em nós se houver vontade de os manter, se se continuar a achar que vale a pena, doutra maneira deixamo-los morrer.
A paixão deixa de morder da mesma maneira, deixa de queimar, mas aquece e muito, os dias, as noites, leva vazios e traz sons, troca memórias por sorrisos, e vontade de estar em vontade de continuar. Sempre. Continuar a mudar momentos em sorrisos, paixão que não acaba em cada dia que começa. De maneira diferente.
Há coisas que duram uma vida inteira. Na minha, eu. Tu em mim. As pessoas que gostámos, em nós. Mudas, eu mudo, mas pode-se ir mudando de mãos dadas num só olhar, ou apenas mudar, mas sem nunca conseguir mudar a mudança que nos mudou já, e que dura uma vida inteira.
04 janeiro 2011
Pode ser este ??
??
Quem fez ao sapo o leito carmesim
De rosas desfolhadas à noitinha?
E quem vestiu de monja a andorinha,
E perfumou as sombras do jardim?
Quem cinzelou estrelas no jasmim?
Quem deu esses cabelos de rainha
Ao girassol? Quem fez o mar? E a minha
Alma a sangrar? Quem me criou a mim?
Quem fez os homens e deu vida aos lobos?
Santa Teresa em místicos arroubos?
Os monstros? E os profetas? E o luar?
Quem nos deu asas para andar de rastos?
Quem nos deu olhos para ver os astros
- Sem nos dar braços para os alcançar?!...
Florbela Espanca
Quem fez ao sapo o leito carmesim
De rosas desfolhadas à noitinha?
E quem vestiu de monja a andorinha,
E perfumou as sombras do jardim?
Quem cinzelou estrelas no jasmim?
Quem deu esses cabelos de rainha
Ao girassol? Quem fez o mar? E a minha
Alma a sangrar? Quem me criou a mim?
Quem fez os homens e deu vida aos lobos?
Santa Teresa em místicos arroubos?
Os monstros? E os profetas? E o luar?
Quem nos deu asas para andar de rastos?
Quem nos deu olhos para ver os astros
- Sem nos dar braços para os alcançar?!...
Florbela Espanca
26 dezembro 2010
Escrevo para não fazer asneiras, e para dizer o que queria, mas não digo. Apetecia-me falar consigo, é verdade, mas não me apetecia ouvir o que oiço sempre, o sempre, o agora, sempre adiado para nunca ou quase nunca. O nunca, aquele lá no fim da lista enorme de coisas a fazer, e que se querem feitas. E isto cansa, cansa e magoa, e chega a um ponto em que nos exigimos mais, mais para nós. Temos de merecer mais, ou nunca teremos mais do que o fim da lista, o nunca, sempre adiado, ainda que apregoado de vez em quando em doces palavras que semeiam sorrisos no coração que já não se quer sentir. E que me fazem crer que, por vezes, os gestos, algumas palavras, por traduzirem o que vem de dentro, se sobrepõem aos actos, aos factos que não se alteram e que não vemos, quando queríamos ver.
Não lhe ligo, não lhe falo, não lhe escrevo, porque seria desilusão que iria escrever, que iria aparecer por entre as letras desnudas, e não quero, já chega, não tem culpa de eu me sentir assim, nem de não sentir em si o suficiente para encurtar a lista que vem antes de mim. Tenho pena, queria-o muito, queria acreditar que também me queria, que o que sinto encontrava espelho em si, mas não o sinto assim, e não mo mostra assim. Diz-me que não me quer ver assim triste, mas não me muda a tristeza.
Não lhe ligo, não lhe falo, não lhe escrevo, porque seria desilusão que iria escrever, que iria aparecer por entre as letras desnudas, e não quero, já chega, não tem culpa de eu me sentir assim, nem de não sentir em si o suficiente para encurtar a lista que vem antes de mim. Tenho pena, queria-o muito, queria acreditar que também me queria, que o que sinto encontrava espelho em si, mas não o sinto assim, e não mo mostra assim. Diz-me que não me quer ver assim triste, mas não me muda a tristeza.
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Meu amor...
19 dezembro 2010
apetecia-me falar consigo
apetecia-me que aqui estivesse
a dar-me mimo e calor
chego à infeliz conclusão que não quero mais ninguém
que ainda não consigo querer mais ninguém
que só sinto amor e raiva e ódio por si
por mais ninguém
é estranho mas não há nada a fazer
não sei o que mais posso fazer
quero que me abrace
quero muito e não está aqui
e eu não sei o que anda a fazer
só sinto que não me quer, é a única certeza que tenho
e que eu o quero
muito
demais
sinto o seu cheiro e dos beijos fugidos
quero-o aqui e não está
não está ca ninguém
e se estivesse
nao estava, sem saber
06 outubro 2010
Apetecia-me falar consigo.
Sim, consigo, este post é para si, não sei quando ou se me vem ler, mas suponho que de vez em quando me espreite para tentar perceber como estou. Não sei o que entende do que aqui vê, que deve ler em diagonal, que o tempo é pouco, eu sei, sempre foi (e eu escrevo para xuxu, não é?). Mas não se preocupe, é aqui que ponho tudo o que de mais sombrio me assombra, o que mais me entristece, é onde me refugio do dia a dia que tem de ser, ou tentar ser, normal. É preciso, para conseguir algum equilíbrio minímo, para me ir levantando todos os dias, mesmo quando as noites não são dormidas como devem. Se lê alguma coisa do que aqui vai há-de perceber que me tento agarrar ao que posso, tento racionalizar-me das minhas razões e não das suas, porque não consigo encaixar as suas na minha visão do mundo, e então obrigo-me a olhar para tudo, para o que foi e o que se passou, pelos olhos dos sentidos, do que há, do que se vê, do que se ouve, e tento calar tudo o resto que me grita coisas que sinto mas que são incompreensíveis à razão.
Não sei o que tudo isto foi para si, sei o que foi para mim e o que senti, o que senti até de si, em si, do que parece tantas vezes ter sentido quando revivo na memória tanta coisa boa que foi, mas tento apagar essas sensações, esse pressentir o que sentia, porque não encaixa no fim que deu à história Tenho de perceber o fim para o processar, e para isso não posso acreditar senão no que se vê e ouve, e esquecer os sentidos que sentem mais, mas que nunca justificariam a história assim, mas precisamente ao contrário. Não foi o que aconteceu, não foi o que ouvi e o que me deu a ver. Tudo isto para lhe dizer que estou melhor do que pareço, que não se preocupe, que se preocupe consigo e com o fazer as pazes com a vida, com a sua vida, para que possa aproveita-la o melhor que pode e escolheu. Eu continuarei por aqui, a equilibrar as ideias e os sentires e a conversar consigo, sem falar e sem si.
Sim, consigo, este post é para si, não sei quando ou se me vem ler, mas suponho que de vez em quando me espreite para tentar perceber como estou. Não sei o que entende do que aqui vê, que deve ler em diagonal, que o tempo é pouco, eu sei, sempre foi (e eu escrevo para xuxu, não é?). Mas não se preocupe, é aqui que ponho tudo o que de mais sombrio me assombra, o que mais me entristece, é onde me refugio do dia a dia que tem de ser, ou tentar ser, normal. É preciso, para conseguir algum equilíbrio minímo, para me ir levantando todos os dias, mesmo quando as noites não são dormidas como devem. Se lê alguma coisa do que aqui vai há-de perceber que me tento agarrar ao que posso, tento racionalizar-me das minhas razões e não das suas, porque não consigo encaixar as suas na minha visão do mundo, e então obrigo-me a olhar para tudo, para o que foi e o que se passou, pelos olhos dos sentidos, do que há, do que se vê, do que se ouve, e tento calar tudo o resto que me grita coisas que sinto mas que são incompreensíveis à razão.
Não sei o que tudo isto foi para si, sei o que foi para mim e o que senti, o que senti até de si, em si, do que parece tantas vezes ter sentido quando revivo na memória tanta coisa boa que foi, mas tento apagar essas sensações, esse pressentir o que sentia, porque não encaixa no fim que deu à história Tenho de perceber o fim para o processar, e para isso não posso acreditar senão no que se vê e ouve, e esquecer os sentidos que sentem mais, mas que nunca justificariam a história assim, mas precisamente ao contrário. Não foi o que aconteceu, não foi o que ouvi e o que me deu a ver. Tudo isto para lhe dizer que estou melhor do que pareço, que não se preocupe, que se preocupe consigo e com o fazer as pazes com a vida, com a sua vida, para que possa aproveita-la o melhor que pode e escolheu. Eu continuarei por aqui, a equilibrar as ideias e os sentires e a conversar consigo, sem falar e sem si.
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Meu amor...
26 setembro 2010
Senta-te aqui ao meu lado, onde tantas vezes estiveste e seca-me esta tristeza que não descansa, senta-te como tantas vezes fizeste e deixa-me encostar a ti, beber-te o olhar e sentir-te o mimo de que não me canso. Senta-te aqui onde estou, onde ainda estás sem saberes, onde não consigo deixar de sentir-te, de ver-te, de querer-te. As recordações invadem-me o corpo sem saber que pontes queimar e que pontes passar, mas ganham-me sempre. Aqui sentada ao lado de ti, sem ti.
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