Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)
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18 dezembro 2015

Sinto falta das declarações de amor à vida, 
que são declarações de amor ao amor.
Que são declarações não declaradas
Gosto das silenciosas,
Que têm por língua os sentidos 
que as palavras mais sentidas não sabem dizer.
São declarações que se sentem
Que se ouvem
Que se declaram
Que amam

Boa noite

14 dezembro 2015


Camas que se desfazem toda a noite
Chão do amor  que se fez
Que se desfez em sons, em cheiros,
em toques que desfazem a pele
e mancham o tempo de prazer.
Bocas de comer beijos que querem engolir almas 
Camas desfeitas o dia inteiro
Com chilreio de beijos e gargalhadas tontas de paixão
O veneno da memória
que adoece os dias e corre nas veias 
Indo e vindo do coração.

25 novembro 2015


Sou o resultado combinado
Do que não combina
Sou inteira de razão
e toda coração
Sou de cansaços vários
E a que nunca se cansa
Sou adepta da lógica geométrica
E seguidora da surrealista intuição
Sou o meu querer
E o não querer querê-lo
Sou o que digo calada
E o que calo gritando
Sou o que fui
E fui o que sou
Uma combinação
Do que falta combinar
O meio caminho entre dois opostos
Que não se sabem contrariar

...

Boa noite

18 novembro 2015

Dos silêncios com mel
Dos olhares que se declaram
Dos beijos que entregam alma
Das almas que se tocam na pele
Do sossego que se agita
Sem perturbar a paz
Profanar divino
De ser deus e deusa 
Dum nós
Que nunca professámos
Fiel a ti
Fiel a mim
Infieis que somos 
De nós
A nós


Boa noite

16 novembro 2015

[foto @projetoamoramora]

escrevo-te
pelo corpo sinto um arrepio de vertigem que me enche o coração de ausência pavor e saudade
teu rosto é semelhante à noite
a espantosa noite de teu rosto!
(...)

Al Berto

O meu rosto não é de sol, é todo feito de noite,
do negro do céu que se afunda nos meus olhos,
das estrelas que furam a escuridão
quando poisam nos amores de cada dia,
no sorriso que me ilumina o rosto
quando a doçura desperta
é triste só se o quiserem ver triste
é frio só se não se souberem agasalhar na ternura
melancólica duma noite
onde pode haver paz e explosão
no mesmo instante,
na mesma noite
no mesmo olhar
no mesmo sorriso.
num só toque

26 outubro 2015

. . . -te

Olho e encaixa:
Ler-te
Ver-te
Ter-te
Dar-te
Ato-te
Amo-te
...
Mas a primeira que leio 
Que a minha boca diz
Para dentro 
da alma que já nao ouve,
não é nenhuma destas é
Sou-te
Que a razão, abananada,
logo abana pela raiz desfeita
E o tempo, 
presente mas incerto, 
corrige e duvida entre
Fui-te
Era-te
Sem saber do passado
Se perfeito
Se imperfeito.

23 outubro 2015


"Todo o meu corpo está a arder quando chamo o teu nome e tu estás nua dentro dessas sílabas. 
É então que mais quero fazer amor, para confirmar que os teus braços fazem parte de uma luz antiga que despe o meu olhar."

Joaquim Pessoa


Despido o olhar 
Fica a alma nua
  Presença completa
  Na falta de ausências
A pele abre cada poro
ao amor
Bebe-o
Incorpora-o 
É-o
São-se
Fundem-se
 num amor
Despido deles
Que só eles são
Medida única
Indivisa desmedida

20 outubro 2015



meio comédia,
meio tragédia

alegria toda,
dor inteira.

transbordante do que sinto sem conter,
trancando dentro, contido, tudo por sentir

Palavras escritas
guardam o que recusaram dizer

Olhos que se fecham para ver aberta a cor da alma
De quem só respira de peito aberto

Olhar que devora tudo
Olhares que me entregam toda

Dúvidas que me consomem
Da certeza consumida.


Bom Dia

17 outubro 2015

(Foto @wildfiresss)

Corre uma brisa cinzenta e pesada.
Há qualquer coisa de nada que dança no ar
Que se atabalhoa
Por desabar.
A rua vazia,
Eus por preencher,
Dias por fazer,
Tempo por desfazer.
À espera que chova
Sem esperar chuva.

[...mais um sábado de ronha preguiçosa...]

07 outubro 2015



O corpo, sei-lhe o traçado de olhos fechados.
Os beijos, sei-os de cor.
A pele, terreno mapeado com a ponta dos dedos.
Os sentidos, tão sentidos que dão o norte
Que a razão perde,
Para a alma encontrar
O seu lugar.
Como a primeira vez, 
Sempre.
Perco-me nesses caminhos;
Nesses caminhos me encontro.
Sempre.
Para nunca me levarem a destino algum
Nunca.

23 setembro 2015



"... e ele dizia-me 
se tu fores um poema de amor
eu apaixono-me por ti 
e eu desaparecia
 boca fora para dentro dele"

Valter Hugo Mãe

..como se a alma despisse a pele
e mergulhasse
sem palavras
no abismo
dum amor
só poesia.

12 agosto 2015


Toca-me como se fosse tua
Toca-me como se te fizesses meu
Toca-me como se me conhecesses
Toca-me como se me quisesses todos os dias desde sempre
Toca-me como se fosse tua rainha e tua serva
Toca-me como se fosses meu senhor e meu escravo
Toca-me como se nada mais importasse
Toca-me como se os teus dedos fossem só alma
Olha, 
olha-me, como se nunca me pudesses tocar.
Toco-te?


11 agosto 2015

(Foto @zeosor)

Há memórias poisadas, 
espalhadas pelos sítios onde ando. 
Levantam-se como poeiras à minha passagem 
para me aterrorizar de felicidades passadas 
à espera de poisar.

31 julho 2015





Nao sei de mim
Não sei de ti

Perdi-me no tempo
Do espaço que nos separa

Encontro-te no espaço
Do tempo que nos junta

Sei que onde tu começas
Eu não acabo

Sei que quando tu começas
Eu não sei acabar.


[só pode ser a lua que me faz fazer estas coisas, porque sei de mim e do resto, mas estes compassos de espera para ir banhar-me de luar fazem as palavras brincar aos pensamentos e os pensamentos às palavras, e numa varanda com a companhia dum cigarro aparecem-me estas coisas... Não liguem, ando com a alma na lua a passar férias...em noites de lua assim dizem-se muitos disparates, alguns, dos melhores que se podem dizer e ouvir...]

13 julho 2015


apaixonar-me.
afogar-me de paixão na boca que me incendeia,
arder com a poesia dos sentidos
sussurrada quente ao ouvido,
que, devagarinho, nos rosna o prazer 
e com pressa nos morde o desejo 

O beijo que nos engole, 
o toque que nos arrepia, 
a invasão que se recebe como abrigo,
a intrusão que se consente ser casa,
que se quer urgente, 
que se pede com os olhos, com as mãos, 
com as unhas cravadas na pele.

A vontade faminta que nos desperta todas as camadas de ser, de sentir, 
que nos engole em bruto e nos deixa a pingar a essência finamente lapidada 
do amar amar quem se ama com paixão.

[apaixonar-me, era bom poder pedir... quero uma paixão se faz favor! Quente, doce, bem humorada, sem cerimónias, que me desalente e me dê a mão.
Era bom poder pedir... e despedir também. Despedir uma paixão, despedir-se sem paixão, despedir-se, e com o adeus ir tudo, mergulhar tudo numa escuridão onde o oxigénio não respira, e nós, logo de seguida, enchamos o peito vazio de ar puro. Era bom poder pedir, era bom... mas aos bocadinhos o ar puro vai-nos chegando, e a paixão -  quem sabe - há-de chegar de repente e fechar atrás de si, com estrondo, a porta do passado.] 

12 julho 2015


Escorres-me pela pele
Em memórias líquidas
O tempo as tornará sal
Que alguma língua,
Sedenta de mim, 
Lamberá
Esquecendo que o sal
se torna sede sem fim
E a minha pele,
Com sede, água fresca.

03 junho 2015


Só dentro dos teus braços me coube inteira, 
corpo de ponta a ponta, alma por todos os poros.
Eu, e todos os meus recantos,
dentro de mim,
dentro de ti.

Boa Noite

01 junho 2015

Escuridão é ausência de luz.
As sombras são fruto da luz.
Os nossos medos habitam-nos as sombras,
Porque ter medo implica arriscar
Só arrisca quem tem a perder.
As sombras conhecem a luz.
Não são escuridão.
Só tem medo do escuro quem conheceu a luz.
Só tem medo da luz quem habituou os olhos à escuridão.

24 maio 2015

Ver a cidade acender (*)
A veracidade acesa,
Que apaga a noite em mim
Tudo de ti em mim acendendo.
E as luzes no horizonte 
De mim são poucas,
São direcção sem norte,
Sinais sem vida
Existências à sorte.
Imagens de ti
Velam várias mortes,
E são tudo o que sinto
Acender vida em mim.
Com as mãos escrevo
E apago pensamentos.
Com as mãos 
Acendo  um cigarro
Que me te apaga.

(*) da música que tocava na altura e que serviu de mote

27 dezembro 2014




Se me tocassem agora
Não iriam além de aflorar a armadura
Nem mesmo tu
Que me tocaste despida de pele
Que me desfloraste a alma
Me desarmarias
Armaram-me armadilha
Ao desamor devir.
Desamaram-me demais
Desarmar-me agora só amar-me
Demais

[há sempre tempo para mais um cigarro que fala o silêncio e eu escrevo]