apaixonar-me.
afogar-me de paixão na boca que me incendeia,
arder com a poesia dos sentidos
sussurrada quente ao ouvido,
que, devagarinho, nos rosna o prazer
e com pressa nos morde o desejo
O beijo que nos engole,
o toque que nos arrepia,
a invasão que se recebe como abrigo,
a intrusão que se consente ser casa,
que se quer urgente,
que se pede com os olhos, com as mãos,
com as unhas cravadas na pele.
A vontade faminta que nos desperta todas as camadas de ser, de sentir,
que nos engole em bruto e nos deixa a pingar a essência finamente lapidada
do amar amar quem se ama com paixão.
[apaixonar-me, era bom poder pedir... quero uma paixão se faz favor! Quente, doce, bem humorada, sem cerimónias, que me desalente e me dê a mão.
Era bom poder pedir... e despedir também. Despedir uma paixão, despedir-se sem paixão, despedir-se, e com o adeus ir tudo, mergulhar tudo numa escuridão onde o oxigénio não respira, e nós, logo de seguida, enchamos o peito vazio de ar puro. Era bom poder pedir, era bom... mas aos bocadinhos o ar puro vai-nos chegando, e a paixão - quem sabe - há-de chegar de repente e fechar atrás de si, com estrondo, a porta do passado.]