Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

30 julho 2013

 
Apetecia-me fazer festinhas assim...ficava tempos sem tempo só a dedilhar a pele de quem se quer perto. Mas hoje só estrelas por companhia, muitas e tão brilhantes.
Boa noite.

29 julho 2013

Quero fugir e acordar aqui... ou em qualquer lado com esta paz, este sossego.
Quero descanso, mas já percebi que para se ficar descansado temos de nos sentir bem, temos de estar bem, não basta não fazer nada para descansar.
Precisava duns dias, mesmo que poucos, cheios de quem eu quero, sem tempo, sem horários, sem obrigações: assim eu descansava, ficava como nova!!
Bom Dia!!

Boa Noite

28 julho 2013


Imagino que sim... Eu escrevo muita coisa, ainda que não precisamente cartas... Mas não recebo nem cartas nem coisa nenhuma. Não tenho apaixonados... Bahhhhh
Bom dia.

27 julho 2013


"Então tu pensas que há muitos casais como nós por esse mundo? Os nossos mimos, a nossa intimidade, as nossas carícias são só nossas; no nosso amor não há cansaços, não há fastios, meu pequenito adorado! Como o meu desequilibrado e inconstante coração d'artista se prendeu a ti! Como um raminho de hera que criou raízes e que se agarra cada vez mais. Vim para os teus braços chicoteada pela vida e quando às vezes deito a cabeça no teu peito, passa nos meus olhos, como uma visão de horror, a minha solidão tamanha no meio de tanta gente! A minha imensa solidão de dantes que me pôs frio na alma. Eu era um pequenino inverno que tremia sempre; era como essa roseira que temos na varanda do Castelo que está quase sempre cheia de botões mas que nunca dá rosas! Na vida, agora há só tu e eu, mais ninguém. De mim não sei que mais te dizer: como bem mas durmo mal; falta-me todas as manhãs o primeiro olhar duns lindos olhos claros que são todo o meu bem." 

Florbela Espanca, in "Correspondência (1921)

[talvez penses que há muito por aí do que encontro só quando estou contigo: eu não, por isso ainda te penso, ainda sei o que é ter e o que é não ter o que quero. Eu quero sem saber o que queria, antes de o encontrar, há coisas que se descobrem assim, na surpresa do não procurar nada e tropeçarmos no reconhecimento do que gostamos, do que queremos, do que precisamos, sem nunca o ter sonhado. Para mim é raro, tudo o que sinto é raro e rico, sei da solidão e sei da paz da companhia que nos faz mais nós. O nós em que consigo ser eu inteira. E é por isto que continua sempre, e todos os dias, a faltar-me de manhã o primeiro olhar onde me vejo realmente eu.]

26 julho 2013


"-Se os homens se agarram pelo estômago, como dizem, estou tramada...
- Não te preocupes, agarra-los por outro lado qualquer...
- Por onde? Os que eu vejo que podem ser agarrados não têm ponta por onde se lhes pegue..."

Bahhhhhhhh


25 julho 2013


Queres saber quem eu sou? 

Eu sou o que te olha e espia para te recolher e depois guardar num lugar que é só meu. Para isso serve o papel. O resto não precisas de saber. Nem convém. Só te ia distrair, podes crer. Eu sou o que mergulha as mãos na tua vida para sentir a minha a voltar.



Pedro Paixão, in Muito, meu amor

[uma das coisas que eu acho que quem ama faz, é isto: observar o outro sem ele saber, absorver-lhe os gestos e a vida à distância do olhar. E é nesse olhar sorridente que aparece esse amor, essa ternura, esse querer e gostar. Esses momentos que emolduramos na memória e a que recorremos sempre que a vida parece fugir-nos um pouco. Quer seja num filho, ou no homem que chamamos nosso. Nisso não há diferença.]

Boa Noite

Já não sei escrever, se alguma vez soube. Sabia-me bem, pelo menos, e só isso me interessava. Era uma necessidade que satisfazia facilmente, e me libertava de muita coisa, e me explicava tantas outras. Derretiam-se-me os nós. Desfazia-me em palavras, e o gelo que me forrava pingava letras frescas - ou a ferver tantas vezes. Transformava-se a dureza do gelo na limpidez maleável e refrescante - ou na rispidez asfixiante da raiva momentânea -, nas palavras que me pingavam na tela branca. Tantas vezes a minha única companhia: uma tela branca à minha frente, à espera de me falar para que lhe segrede a minha alma.
Esvaziei-me de palavras quando me queria esvaziar do que me faz escrevê-las. Foi dar ao mesmo afinal. Silêncio. Mas até o silêncio tem muitas famílas e muitas espécies, este meu silêncio não é vazio, em nada, mas é tão embrulhado em mim que me prende as palavras, torna-me prisão de mim mesma deixar este silêncio em liberdade muda, às voltas dentro de mim, a torcer-me devagar a alma até asfixiar o coração. Cada vez mais, deixar-me sair de mim não faz sentido, por mais sentido que seja. saio de mim e não encontro onde me poisar, não tenho porto para o meu querer, nem abrigo para o meu sentir. Não tenho uma pessoa para mim e para ouvir o silêncio que me grita por dentro sem arranjar razão para sair. Não vale a pena. às vezes parece que já nada vale a pena, então poisamos a pena e escrevemos com o silêncio. 
Isto não se faz, 
isto não se faz, 
isto não se faz!!!... 
é que uma pessoa depois de ver uma coisa destas já não se recompõe enquanto não comer uma coisinha assim, ou parecido, vá...

ou torcido...

...sei.
Boa Noite

24 julho 2013

ahahahhahaha
...Bom conselho!!
(vamos tentar animar as coisas por aqui, que isto está muito negro!!)


[boa caixa de sugestões...]

Estou triste hoje, há dias em que as comparações são mais fáceis; estou estranha, e não gosto do que penso, do que sinto, do que a memória me serve com requintes de malvadez. Não gosto. E não gosto de me lembrar da noite em que achei que o próximo ano me ia correr bem, quando pensei que o passei da melhor maneira que podia, ao colo cheio de mimo de quem queria, de quem, quero, de quem continuo a querer infelizmente. Lembro-me claramente de ter pensado que havia coisas que faziam sentido, tanto, que seria um sinal de que algumas coisas correriam bem, não faria sentido doutro modo. Era tudo tão sentido. Depois, depois, a vida real entrou-me veias adentro pelos olhos, li coisas que me perfuraram mais que mil agulhas na alma, envenenaram-me até ao tutano. Ainda na véspera do colo, desse dia/noite que seria difícil saber-me melhor, foram ditas coisas que me derrubaram, que me enganaram, que me mataram. Toda a minha verdade única caiu em mil mentiras que me matam todos os dias. Todos os dias. Hoje matam mais. Hoje são mais fácil as comparações, e mais uma vez, não sou nada, nada importo, em nada existo em certas pessoas.

23 julho 2013

Cada uma delas, em algum momento do dia, é verdade.

Boa Noite

... melhor que mandar é fazer e pronto!!
eheheheh

...dedicado à anónima(o) que não sabe escrever português decentemente 
e que pensa que diz coisas inteligentes, que diz que me acha isto e aquilo, 
e não sei o quê das sobras, e mais não sei o quê (maior parte já apago sem ler até ao fim)...
...mas que não me desampara a loja de maneira nenhuma...
querida(o)... estimo que te fod@s, mas longe daqui, sim??
(mal fodida(o) já deu para perceber que és, mas ao menos que seja ao longe e em silêncio, 
o resto do mundo, ou eu pelo menos, agradecia encarecidamente...)



...hummmmmm??????

Eu chamo a isto... o "porque sim".
Se houver mais "porques" é de desconfiar, pelo menos eu desconfio logo...
Há coisas, que para serem puras, genuínas, verdadeiras, são só porque são, não se sabe porquê...



Ando cheia de vontade de sítios assim, cheios de barulhos de paz, de sossego que nos reconcilia, do descanso que ilumina o olhar e enche a alma. 
Um bom livro, uma limonada, e a pessoa certa para nos encostarmos e darmos a mão, entre as páginas do livro, ou para o interromper e roubar tempo ao tempo, ou entre os cantares dos pássaros, ou entre dois olhares que se trocam e se tocam. 
(se houver água perto é perfeito, e no nosso país há tantos recantos assim para descobrir...)
Ando a precisar tanto disto, de paz, de mim e do sossego que me chega do nós que não parece querer existir nunca.

Bom Dia!

22 julho 2013


Tu tens um medo:
Acabar.

Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.



Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.



Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.

Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.
Cecília Meireles 


[A eternidade, em cada um, sente-se quando se deixa de ter medo do tempo:  quando não tivermos medo de acabar, de nos morrermos, renascemos. Quando não tivermos medo do depois ele chega. O amanhã chega sempre, porque este dia morre e nasce outro, temos de tentar que um qualquer amanhã seja o nosso depois, para renascer. Ou continuaremos a morrer na mesma, todos os dias, sem saber, e sem nada de novo nascer.]


Docinho... 
para sobremesa, 
ou aperitivo, 
ou entre refeições, 
ou só porque apetece, 
ou só porque sim, que é a melhor razão de todas...

A lua comeu estrelas e é por isso que engordou, 
ficou enorme e brilha mais no céu.
Vamos pendurar umas estrelas e fazer um céu de qualquer sítio.
Não é difícil, basta enfiar umas estrelas na algibeira. 
Há pessoas que andam sempre com estrelas na algibeira, 
que as mergulham no olhar, 
que as espalham com as ponta dos dedos em carícias, 
é descobri-las.
Não é fácil, mas a lua comeu estrelas.
Boa Noite.


...hummm 'tá bem.
Então e quando desistem de nós?

21 julho 2013


Isto é que era um acordar bom de sorna... Acompanhado de um bocadinho de ronha...
Bom dia 

"Ela não falava alto senão com os olhos. Mas esses eu ouvia-os até me doer a cabeça."
Vergilio Ferreira, in Aparição

[eu não, há alturas em que só não falo alto com os olhos. Muitas vezes dizem o contrario do que eu me convenço que quero dizer. Eles sabem sempre o que eu realmente quero e dizem-no, mesmo que eu não.]

20 julho 2013

E agora fazer qualquer coisa para trincar, depois, fumar um cigarro no frio que já se sente à janela. 
Voltar para dentro, abrir o livro e encher um copo de Porto: boa companhia para quem não a tem.
Tenho de começar, ou de voltar, a ser racional - também eu, pois. 
Procurar seguir a razão cheia de racionais razões, e não seguir arrastada pela razão de sentir sem razão alguma, senão essa: sentir: muito e desenfreadamente: estupidamente. 
Se temos de decidir racionalmente, que seja... estou destreinada, mas talvez seja só mais uma razão para perceber que deixar-me viver para sentir coisas sem razão é só coisa de gente romanticamente sonhadora. Coisas de livros e filmes. Como aqueles amores, e o que fazem sentir e fazer. 
São só coisas da grande tela e romances que se fecham no fim da última página.
 A vida não é assim porque temos de decidir racionalmente, e tudo o resto tem mais razão. 
(só me pergunto: se assim não fosse não poderia ser melhor? e saltarem histórias da tela para os dias)
E agora cozinha!!


... Está muito bem feito...
Mas ainda não cheguei à ultima fase, ainda é no caos que vou vivendo.
À volta, destroços: meus, de pessoas próximas que têm cada vez menos delas próprias, e muitos destroços de relações: minhas e não só. As pessoas juntam-se pelas razões mais razoáveis e racionais, mas não são essas que aguentam as dificuldades maiores, só o gostar sem razão tem esse poder mágico. 
Bom dia


When the night comes
And you lay your weary head to rest
No more trials, no tests
When the night comes
When the night comes
You dont have to be afraid
Of any choice you made
When the night comes

Dont be afraid
Youre only dreaming…

When the night comes
The headlines read
Whatevers in your dreams
When the night comes

When the night comes
And you lay by the one you love
The one who knows you and the things you do
When the night comes


Dont be afraid

19 julho 2013

Boa noite

Vamos, pois vamos... mas para onde??
ahhhh...já sei dar uma volta ao bilhar grande!!

'Bora, vamos??


Um dia gostava de ter uma parede cheia de fotografias, só de momentos felizes, não fotografias onde estou bem, ou onde os outros estão bonitos - não, fotografias onde há felicidade e não onde parece tudo perfeito e lindo e feliz. 
Fotografias bonitas por serem retratos de coisas que me foram felizes. 
Bonitas por dentro do momento que ficou no papel.
Para me lembrar, para melhor recordar cada momento, para fazer um mapa da vida e cada marco uma coisa feliz. Pode não ser fotogénica, mas tem de ser bonita de sentir e fazer sorrir com retroactivos.
Bom Dia!!

18 julho 2013


Afogar-se
às vezes é morrer
em líquidas palavras
que nunca dizemos.

Silvia Chueire



[é raro afogar-me no que não digo, às vezes acontece é que as lágrimas se me prendem na garganta e calam-me as palavras. se me permito abrir a boca sai-me o choro e não o que haveria a dizer, por isso afogo-me no choro que não chega a nascer e que mata o som de qualquer palavra que quisesse dizer, se conseguisse. é preciso muita mágoa, e muito tempo, para isto me acontecer; mas acontece, raramente, mas acontece. calo-me e afogo-me em silêncios vários, de compassos de espera, em que espero por mim. não gosto de partilhar lágrimas com quem mas provoca, posso partilhá-las com quem gosto e gosta de mim, mesmo que me magoe, mesmo que me entristeça e a tristeza me faça lamber lágrimas; mas com quem conscientemente me quer magoar, não. não dou esse troféu, por norma, a ninguém, só quando já não sou eu, mas uns restos do que normalmente seria.]
Alguém tem que me possa dispensar??
Estou precisada, mas do bom, ok??
...Senão o mau humor agrava-se...
Bom Dia!!

Boa Noite

17 julho 2013

Hoje a mariquinhas sou eu!!
Não me chateiem, mão me mostrem nada, não me digam nada...
Gastei as palavras todas no caminho de não as dizer, nem querer dizer.
 Gastei os olhos a chorar pelo que não quero ver e a fechar os olhos ao que há para ver.
Gastei-me  de alma a ouvir o que não quero, nem mereço ouvir.
Quero distância de mim, sou um perigo auto imposto, uma dor auto infligida.
Dizem que a minha auto estima está nas lonas, é verdade, ando há muitos anos a deixar que me arrasem de todas as maneiras e feitios. 
Estou cada vez mais perto do abismo dos erros conhecidos, ou seja, estou a poucos passos de seguir uma burrice conhecida, mas às vezes a necessidade de sentir que gostam de nós é avassaladora. 
Às vezes precisamos que nos façam sentir bem.
 Às vezes precisamos de sentir que gostam, não apenas porque nós gostamos, mas porque não conseguem deixar de nos querer e nos gostar: mesmo assim, sem nós gostarmos. 
Às vezes precisamos de ver no outro o olhar raso de admiração, de gostar sentido e de vontade de se dar a nós, e sentir o nosso olhar só de embevecimento, desse gostar que nos preenche o vazio, e não o contrário. 
Às vezes queremos sentir que recebemos, sem ser apenas em retribuição. 
Às vezes precisamos mesmo que gostem de nós. 
Eu hoje preciso. 
A minha auto-estima precisa.
Disso, e de educar o corpo, porque não sei fazer isso: fazê-lo obedecer à cabeça, criar-lhe vontades na razão. 
Não sei fazer isso. Ainda. 
Mas, às vezes, há coisas que se aprendem, e eu tenho tempo, se esperarem um pouco pode ser que aprenda.
Entretanto, hoje, não me chateiem, não me mostrem nada, não me digam nada.

Já percebi.
Tenho de o resolver.
Aqui o problema é mesmo só meu.
Boa Noite

15 julho 2013


(...)
Uma relação sem ciúme é uma ralação. Uma tremenda seca. Alguém que é capaz de se entregar a outro sem temer, nem por um segundo, que esse outro não o retribua só a si é alguém que não ama; é alguém, isso sim, que grama. Que grama estar acompanhado, que grama saber que tem alguém ao lado, que grama o conforto de uma relação. Mas quem grama não ama. Gramar é o exacto oposto de amar. Amar é ser do amor. Ser só do amor. Ser aquilo que o amor é. Ser aquilo que o amor manda. Ser amor. Ser só amor. Amar não pode ser gramar porque gramar suporta. E amar importa. E importa-se. Importa-se com tudo que possa criar obstáculo ao amar. Ao só amar. Quem ama não grama. E acima de tudo não grama quem grama. Quem ama não é gramável. Nem sequer é amável. Quem ama ama. Simplesmente isso: quem ama ama. E está-se nas tintas para quem não o grama.

Quero defender o ciúme. Defendê-lo até à exaustão. Defender o ciúme que não se deixa pisar pelo politicamente correcto, o ciúme que não se esconde na capa de um sorriso, o ciúme que se mostra com orgulho em toda a sua pujança, o ciúme que não se apaga só porque leu numa revista no consultório dentário que ter ciúmes não se faz. Mas faz-se. Ter ciúmes faz-se. E faz-te. Faz de ti mais amor, mais realidade, mais verdade. Ter ciúme é ser inseguro. E só quem é inseguro oferece segurança. Quem é inseguro sabe que acaba, sabe que um dia acorda e não consegue acordar, sabe que um dia quer e já não pode (até com “f”), sabe que um dia sonha ir e já não dá para ir. Quem é inseguro sabe que o que existe vai deixar de existir. E existe. Quem é inseguro existe. Existe em pleno. Existe no que é. E luta pelo que é e quer manter como é. Quem é inseguro ama com urgência. E só se ama com urgência. Só se ama como se numa ambulância, como se no último respiro, como se no último afago. Só se ama com urgência. Só se ama como se acabasse no segundo seguinte. E por isso o segundo, este, exactamente este, é o segundo final. E amar só é, só tem de ser, uma sequência de segundos finais, uma interminável (mesmo que terminável) sucessão de segundos finais entre quem se ama. Amar é inseguro, amar é ciúme, amar é urgente. Amar – quando é amar - é-te tudo. E é tudo. (...) 

Pedro Chagas Freitas


[não entendo as pessoas que dizem que não têm ciúme, não entendo a falta de medo de que alguém veja na pessoa de quem gostam o mesmo que eles viram, e que não tenham insegurança nenhuma no poder perder o que supostamente gostam. não entendo, mas isto sou eu que sou estúpida, e que gosto das pessoas e acho que facilmente outras pessoas podem gostar...]

Não, obrigado.
Eu apanho o próximo.

Boa Noite.

14 julho 2013

Na ronha na cama há já não sei quanto tempo, entre pequenos sonos soltos e curtos pensamentos lúcidos. Às vezes já sabemos tudo e continuamos sem saber nada, sem querer saber o que sabemos sem querer. E depois tanta coisa para que não tenho resposta... Porque é que há sorrisos que não se transformam em vontades que só nascem por dentro do sorriso de sorrir por dentro? Porque é que pessoas que admiramos, onde reconhecemos qualidades boas, não nos fazem sentir o melhor que podemos ser? Porque é que não trazem nas mãos o nosso olhar mais puro, mais nosso, mais nós? A gargalhada mais fresca, o gesto mais límpido de querer, o desejo mais naturalmente avassalador, a ternura mais indomável? Talvez a vida seja para ser vivida à defesa, afinal, talvez não seja suposto estar com quem nos despe de nós, quem nos vê a alma de dentro para fora. Um despir que é nudez profunda e confortavelmente natural, e não falta do que nos vista, despindo-nos do que realmente somos. Se calhar a vida é escondermo-nos, fugirmos dela fazendo de conta que a vivemos como se corrêssemos atrás. Estou cansada desta vida sem vida, mas cada vez mais habituada ao cansaço de não viver.
Vou deixar a ronha e correr atras do dia que nunca sai do sítio. Nem eu, por muito que corra.
Bom dia!

13 julho 2013

...amanhã nada mais que ressaca.

"De repente o amor acabou. Cigarros acesos e copos com uísque sobre a mesa. As palavras eram desnecessárias, a tua embriaguez e o meu estado de torpor dispensavam qualquer outro gesto, nada era mais claro do que o desejo de ir embora. Não era o começo de uma nova história, mas todas as fases atropeladas do nosso caso antigo. Uma garrafa, um cinzeiro e desejos calados ao nosso redor. O amor era veneno, era tortura a cada tragada. O amor naquela noite era insensatez, era passar horas em claro esperando amanhecer, por não saber como sair, não ter para onde ir… Era não aceitar o fim que estava ali escancarado. Nossas mãos estavam distantes e não queriam se entrelaçar; os pensamentos também. Acabou, acabou! O amor em todas as suas substâncias se foi, só para não nos deixar dormir. Era tormento encarar o tic-tac do relógio, e o barulho do meu salto era pesadelo… Era querer acordar da realidade e ao mesmo tempo querer encará-la. Era paradoxo. Nosso amor se dissolveu no conteúdo etílico, virou fumaça nas nossas bocas.
As únicas coisas que podíamos compartilhar naquele momento eram a mesa de centro e a solidão, tão certa quanto as vinte bitucas que contei enquanto o tempo passava. Um copo se quebra para mexer no silêncio quase intacto. Eu tento juntar os cacos e me corto. Meu dedo sangra. Você se levanta e, sem nada a dizer, prepara outro drink, enquanto eu faço um curativo. O amor corta, e não há o que fazer a não ser esperar a próxima dose. O amor se estilhaça no chão e deixa seu líquido impregnado no tapete que ninguém quer trocar. A nódoa permanecerá ali, os vidros despedaçados também, e eu não vou querer tocar em nada, vou pedir para alguém limpar, dedetizar tudo, tirar o teu amor da minha sala de estar, pensei. Eu queria me retirar dali, mas estava em minha casa. Como me livrar da tua presença? Seria indelicadeza da minha parte te expulsar. Eu desejava te deixar ir quando ninguém acordasse, pois eu sei que passaríamos a noite com os olhos abertos, como se já tivéssemos previamente pactuado isso entre nós; era parte do nosso tácito acordo. Já era quase dia, faltava apenas uma palavra e a coragem de te botar para fora. Adeus era suficiente.
Subo as escadas, vou ao meu quarto… o amor não estava lá. Nem no banheiro, nem no corredor. Desço até a cozinha, vou até a área de serviço, mas não, o amor não habitava mais nenhum cômodo da minha casa, nem mesmo se escondia. Só havia vestígios nos nossos copos e na minha sala. Ele não queria ficar. Precisava, definitivamente, migrar dali. Mas você continuava no mesmo lugar, deitado no meu sofá, fedendo à tabaco, com a cara inchada e os olhos vermelhos. Seis horas da manhã, já bebemos demais, já nos intoxicamos, ficamos silentes por muito tempo. Ninguém morreu de overdose, porque amor não mata. Um dia apenas deixa de surtir efeito, de tanto que insistimos. Resta-nos a procura por outras drogas, outros vícios, porque sabemos que o nosso sentimento era plenamente substituível, que era droga barata. Então, você calçou os sapatos e nos despedimos com um último brinde, um último trago, a última dose de sentimento que não se ressente. Hoje estamos embriagados, completamente empanturrados de amor amargo. E amanhã, nada mais do que ressaca."

[ressaca e amargura e mais outro dia para o mesmo? parece que sim...]

12 julho 2013

Olá Bonitonas!
Olá Bonitões!
ehehhehehe
Bom Dia!

Vim fumar o ultimo cigarro à varanda, está frio, sento-me cá dentro, queixo nos joelhos em frente à porta aberta para o ar da noite. Regresso a muitos anos atrás, quando em casa dos meus pais, no meu quarto, noite dentro abria a janela para o fumo do cigarro escondido escapar. Volto a esse tempo por momentos e penso que somos feitos de cicatrizes, somos uma manta retalhada de cicatrizes, umas feitas a sorrir de felicidade, outras de dor que se chorou, algumas que ainda choram baixinho, outras que fazem ainda sorrir. Cicatrizes são prova de que algo foi além da superfície. Penso nisto enquanto vejo o fumo indeciso na sua direcção incerta, e passo os dedos pela cicatriz que deixaste no soalho, mesmo ao pé donde estou sentada. Penso que muitas vezes irei fazer o mesmo gesto, umas vezes a sorrir, outras a chorar por dentro, mas a cicatriz fica para o futuro: no soalho e na alma que se vai costurando no tempo. Hoje não sorrio. Mas a cicatriz permanece, amanha é outro dia, ela está lá para poder olhá-la, para senti-la nos dedos. Para ser real. Ficou marcada, e eu gosto de pensar que é assim, que o nosso mapa é feito do que marca, e que isso nos faz, e nos dá uma direcção que o fumo do cigarro que agora acabo não tem, nem sabe.

10 julho 2013


Estou mais perto de ti porque te amo.
Os meus beijos nascem já na tua boca.
Não poderei escrever teu nome com palavras.
Tu estás em toda a parte e enlouqueces-me.

Canto os teus olhos mas não sei do teu rosto.
Quero a tua boca aberta em minha boca.
E amo-te como se nunca te tivesse amado
porque tu estás em mim mas ausente de mim.

Nesta noite sei apenas dos teus gestos
e procuro o teu corpo para além dos meus dedos.
Trago as mãos distantes do teu peito.

Sim, tu estás em toda a parte. Em toda a parte.
Tão por dentro de mim. Tão ausente de mim.
E eu estou perto de ti porque te amo.

Joaquim Pessoa, in 'Os Olhos de Isa'


[porque não há nada a acrescentar. porque parece falar por mim, porque traz em letras o que guardo em sons, imagens, sons sorrisos e tanta saudade. porque diz tudo. porque tu estás em mim mas ausente de mim, e eu estou sempre perto do amor que te tenho, de ti.]
...quero-me ir embora!!!!!
...sem mapa nem destino...
...preciso do longe e do depois de amanhã, que teima em não chegar...



"Dizem que o tempo do pleno verão já se anuncia, é possível. Não sei. Que as rosas já ali estão, no fundo do parque. Que às vezes não são vistas por ninguém durante o tempo da sua vida e que ficam assim ali no seu perfume esquartejadas durante alguns dias e que depois se deixam cair. Nunca vistas por esta mulher solitária que esquece. Nunca vistas por mim, morrem.

Estou num amor entre viver e morrer. É através desta ausência do teu sentimento que reencontro a tua qualidade, essa, precisamente, de me agradares. Penso que apenas me interessa que a vida não te deixe, outra coisa não, o desenvolvimento da tua vida deixa-me indiferente, não pode ensinar-me nada sobre ti, só pode tornar-me a morte mais próxima, mais admissível, sim, desejável. É assim que permaneces face a mim, na doçura, numa provocação constante, inocente, impenetrável.

E tu não sabes."

Marguerite Duras


[há rosas que nunca são vistas em toda a sua vida, e há rosas que são vistas mas que se finge que não se viram. Olha-se para o lado e continua-se a vida como se não houvesse rosas, como se não as cheirássemos mesmo quando lhes viramos a cara.]
..era, não era??
pois... não há!!
Nem doce, nem roubo, nem aperto em lado nenhum!

Bom Dia!

08 julho 2013

... a modos que isto hoje está assim...

"Mas eu não te ensinei nada! Ninguém nos ensina nada, talvez, minha amiga. Só se consegue aprender o que nos não interessa. Porque o mais, o que é do nosso fundo destino, somo-lo: se alguém no-lo ensinou, não demos conta disso. Ensinar então é só confirmar."
Vergilio Ferreira, in Aparição.

[ acho exactamente isto. Há coisas que não se aprendem, nem se compreendem, porque nos explicam, nos dizem. Nós apenas ouvimos e reconhecemos o que na verdade já sabíamos. Reconhecemo-nos e vemos verdades que já eram verdade, e que nós no fundo já sabíamos, mas só as reconhecemos se, e quando, no-las dizem. Como que acordamos para o que tínhamos guardado, escondido nas sombras mais cómodas de nós.]

06 julho 2013

ui uiiiii

Ui ui...
muito haveria a dizer sobre isto...
mas não me apetece.
Tenho mais que fazer agora...

Jantar ao ar livre. O ar quase não corre, parece que não se respira. Janta-se de bikini, paciência (a companhia não se importa, acho que até agradece...). E não é marisco, nem lá perto, nem ameijoas (que adoro), nem conquilhas, nem porr@ nenhuma dessas. Para sobremesa e para melhorar e disposição e piorar a causa: um gelado novo para experimentar. Que se fod@!! Já não tenho grande merd@ a perder mesmo!! (pardon my exquisite french)
(Data prevista para o meu desencalhanço = data prevista para o regresso de D. Sebastião à gloriosa pátria, camuflado por uma manhã de nevoeiro - para ele ter tempo de se arrepender e bater em  retirada rapidamente e sem ser detectado...)

Neurastenias

Que neura senhores.... Acho que o grande erro foi vestir o bikini em frente ao espelho... Erro crasso. Tenho realmente de arranjar alguém urgentemente que me faça voltar a gostar de mim, que goste de mim ( muito) e me faça sentir bem. Também é certo que eu tenho de querer e deixar. Mas estou farta de andar sempre mal, sempre de rastos, sempre a fazer comparações e a dar razoes a quem só devia ter a razão de gostar ou não gostar de mim. Mais nada. Estou neura, já disse?

Querido... mudei o header

(acho que já ouvi/vi isto em qualquer lado... deve ter sido a ursa...)
Está-se tão bem cá fora a fumar um cigarro e a ouvir música... "sweet love of mine... You know a million tears are gonna fall..." - sweet love hangover...
 Um dia destes habituo-me mesmo a ser só. Acho que aí deixamos de nos sentir sozinhos... Ou deixamos de sentir simplesmente.

05 julho 2013

... e agora tenho de voltar à base 
sem conseguir voltar ao antes.
O antes perdi-o e não ganhei nenhum depois.

love and rockets



A ouvir isto no quente da varanda.
Gosto. Mas apetece-me dizer mal, muito mal da vida.

Boa Noite

Tsssss Tssssss....

É por isso que nunca me acontece nada de bom... vejo alguém postar uma foto de uma falésia, e ,muito profundamente, legenda a coisa com um:
 "parte de mim"
...aiiiiiiiiiiiii.... 
e eu só me apetece perguntar: 
"....é calhau??"
.... e só parte??  será pedra nos rins?? 
mas é capaz de ser muito grande... se bem que às vezes isso podia explicar algumas coisas...
tssss tssssss....
Xôôô sarcasmo inbejoso...
 és tão má Eva, a vida nunca te vai sorrir, vai-te é continuar a castigar....pahhhh, mas pronto, já te riste sozinha com a profundidade da alma, ou do calhau, alheio...
( e, como os jogadores de futebol, já falo de mim na terceira pessoa - se bem que, pronto, aqui não sou eu, é meu alter-ego, vá...)

miudagens

Ehhhh pááá´...apetecia!!!!

Estou aqui... ...em sonhos!!
Aqui está um calor que não se pode...
Bom Dia!!

justiças platónicas...

Será??...
Não me parece.
Boa Noite


Hoje acordei com a dor das árvores;
estou de pé e o meu tronco sustém
o vazio e a solidão dos ramos
côncavos de espera,
impacientes de ternura.
(...)

Lília Tavares


[dizem sempre que as árvores morrem de pé. nunca dizem que morrem sempre de secura ou de veneno, em agonia altiva até ao fim; ou apenas apunhaladas para lhes esquartejarem a altivez aparente de não sentirem o que sentem.]