Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

06 outubro 2013


...pequenas grandes revoluções... 
Quando as paixões são grandes
E os dias pequenos.
Ou as paixões são pequenas e os dias tornam-se grandes...

05 outubro 2013

...estou preguiçosa.
Não me apetece coisa nenhuma...
...coisa nenhuma que possa fazer.
...porque apetecia-me ir para a cama e enroscar-me, prender com os meus pés outras pernas, sentir pele com pele, riso com riso, beijo com beijo, carinho com carinho, ternura com ternura: amor com amor. 
Apetecia-me sentir beijos nos ombros entre risos de conversas parvas, mimo por todo o lado, um corpo encostado ao meu - e nisso sentir, não o outro, mas nós.
Estou tão preguiçosa, que nem escrever me apetece.

Boa Noite

04 outubro 2013

Hoje arranjo eu o pequeno almoço e tu arranjas-me a mim... Combinado?
Bom Dia!

03 outubro 2013

Gosto!!
Gosto muito!!
Perfeito para acompanhar o anúncio seguinte:
"dá-se coração para adopção."
Coração simples que gosta de coisas simples, como flores silvestres, sem exuberâncias ou grandes exigências, como beijos dados na espontaneidade do querer, como abraços sem aviso, e gargalhadas sem autorizações. Coisas simples, coisas boas, por nos fazerem sentir bem connosco e com o mundo.
Está em mau estado (provavelmente péssimo, mesmo, ainda ninguém conseguiu aferir o real estado do bicho), rasgado, partido, seco, só indicado para seres muito doces e pacientes, que com a persistência do carinho, muito cuidado e ainda mais amor o consigam remendar aos poucos. 
É um coração que dizem grande, e quando restabelecido, se dá inteiro sem reservas de propriedade da dona (que obviamente, e não se engana aqui ninguém, não bate bem da bola...). Quando em bom estado aguenta muito bem o sentimentfitness ( o cardiofitness aguenta menos bem, avisam-se os interessados que é preguiçosa), a alternância de arrebatamento e paixão, com a calma e paz do mimo, do carinho doce, e do silêncio partilhado sem solidão. 
Já lhe chamaram anjo-demónio, e já a apelidaram de Eva porque cheira a tentação na pureza da concepção de todas as origens (acho eu, mas posso estar enganada, pode ser só porque soa bem, sabe-se lá...). Dizem que conjuga bem a dicotomia doce/salgado. Dizem , não há provas - que aqui não se engana ninguém.
Avisa-se que está ainda ocupado, aliás ainda transborda outro ser por todos os lados,
 mas cansado e com vontade de ser bem tratado e mimado.
Promete-se processo sem grandes burocracias mas bastante demorado...

Bom Dia!!

E agora a B mandou-me esta foto, que é perfeita para este post, e então vou acrescentá-la aqui.... um coração feito de duas metades de maçãs de especies diferentes que encaixam dolorosamente na perfeição:
Este sim, verdadeiramente perfeito e exemplificativo, para acompanhar o anúncio:
"dá-se coração para adopção"


02 outubro 2013


Dói-me qualquer sentimento que desconheço; 
falta-me qualquer argumento não sei sobre o quê; 
não tenho vontade nos nervos. 
Estou triste abaixo da consciência.

Bernardo Soares


[a modos que é mais ou menos isto... ou muito isto.]
Boa Noite
" Irei directo a casa dela, tocarei à campainha e entrarei. Aqui estou, aceita-me ou mata-me à punhalada. Apunhala o coração, apunhala o cérebro, apunhala os pulmões, os rins, as vísceras, os olhos, os ouvidos... Se um só órgão ficar vivo estás condenada - condenada a ser minha, minha para sempre neste mundo e no seguinte e em todos os mundos futuros. Sou um bandido do amor, um escalpador, um assassino. Sou insaciável."
Henry Miller, in Sexus

[ o punhal dos dias, do mundo, da realidade que corta, já me apunhalou tudo o que de mim conheço. nada ficou intacto, a não ser, talvez, este amor selvagem. ainda assim nada te condenou a ser meu, é uma pena que não cumpres por falta do crime de amar-me, neste, ou em qualquer mundo - nem no nosso, parece-me agora tantas vezes.]

E é quando se vê uma coisa destas que percebemos o quão emocionalmente nas lonas estamos. Uma coisa assim lamechas e coiso e tal, que noutra altura não nos diria nada, e até era capaz de suscitar um comentário trocista sobre o tom delico-doce da coisa...e agora dá-nos uma vontade imensa de que alguém se apaixone assim por nós, daquela forma ridícula à prova do ridículo (todas as cartas de amor são ridículas já dizia o outro, mas todos gostam de as receber e de se sentir com vontade de as escrever sem se sentirem ridículos),  ou que quando nos apetece fazer estas, ou outras coisas do género - que nos fazem sentir bem, e que nos fazem usar aquele sorriso parvo na cara tempos sem fim depois, sem sequer se saber bem a razão de tal -, as possamos fazer e não nos sintamos tremendamente estúpidas, e desperdiçadas, desprezadas ou apenas mal-amadas, na falta de eco destes gestos e na falta do sentir avassalador que os faz fazer.

01 outubro 2013


Há quem se habitue à escuridão. Há quem viva só na noite, onde as sombras se esfumam de luz delicada, onde os fantasmas habitam o seu hábito em silêncio e discrição. De tanta noite os olhos se habituam e se lançam ao céu, onde descobrimos o brilho inebriante das estrelas, e nos apaixonamos pelo luar fresco que nos banha a pele. apaixonados, enredados, estrelados, esquecemo-nos da escuridão fria, esquecemo-nos que há outras luzes mais fortes que fazem maiores as sombras que perseguimos. Esquecemo-nos que precisamos do calor na alma dessa luz na pele. Esquecemo-nos, ou fugimos de saber, que a noite cresce e amadurece para amanhecer, que as estrelas que salpicam o céu, e apaixonam o olhar, têm de dar lugar à estrela maior, e a um azul mais manso. Há pessoas que não querem amanhecer.
E está tão escuro aqui.
Sinto frio.

o teu rosto à minha espera, o teu rosto
a sorrir para os meus olhos, existe um
trovão de céu sobre a montanha.

as tuas mãos são finas e claras, vês-me
sorrir, brisas incendeiam o mundo,
respiro a luz sobre as folhas da olaia.

entro nos corredores de outubro para
encontrar um abraço nos teus olhos,
este dia será sempre hoje na memória.

hoje compreendo os rios. a idade das
rochas diz-me palavras profundas,
hoje tenho o teu rosto dentro de mim.

José Luís Peixoto



[tantos dias que são hoje na memória, tantos dias que amanhã serão hoje na memória, memórias que se alimentam de memórias, de sorrisos que puxam sorrisos, hoje, amanhã e depois; filhos de sorrisos que se sorriram em dias que já não são dias, são eternidades dentro da prisão dos dias sem ti, em que livremente te penso, te sinto e te gosto. Tenho todos os dias o teu rosto dentro de mim, as tuas mãos pelo avesso da minha pele, o teu olhar dento do meu sorriso de memórias, de hoje, de amanhã, ou de depois. ainda espero o amanhã que será hoje, ou o hoje que seja esse amanhã. E espero contigo dentro, por dentro de ti sem saberes. Infiltrei-me no meu sangue que pulsa e vive, e onde me corres desvairado. o meu caminho de ti são as memórias que vivo todos os dias na liberdade de gostar de quem não consigo, nem creio querer, deixar de gostar. E gostar é tanto - mas tanto - querer gostar e continuar a querer gostar. 
E como deixar de gostar do amanhã que queremos amanhecer?
E eu amanheço com os lábios já num beijo que te espera. 
amanheces? amanhecemos?]

30 setembro 2013



"Não existe nenhum disfarce que possa esconder
o amor durante muito tempo onde ele existe,
ou simulá-lo onde ele não existe."

 La Rochefoucauld 


[acredito nisto. é, para mim, uma verdade, mas será??...será mesmo assim para toda a gente???]
[adoro esta fotografia...]
Boa Noite
Mais um dia, mais uma voltinha...
Gosto do carro...muito!!
O macacão que ela veste também podia ser engraçado, mas parece que já veio com o fecho avariado, 
a qualidade hoje em dia escasseia, essa é que é essa....
eheheheh
Bom Dia!!

29 setembro 2013


É nos teus olhos que o mundo inteiro cabe,
mesmo quando as suas voltas me levam para longe de ti;
e se outras voltas me fazem ver nos teus
os meus olhos, não é porque o mundo parou, mas
porque esse breve olhar nos fez imaginar que
só nós é que o fazemos andar.

Nuno Júdice


[estou sem palavras, afogada no mar delas que em turbilhão me arrastam nem sei para onde. há coisas que nunca pensei vir a passar na vida, não sei como lidar com elas. só queria que as palavras todas, fora e dentro de mim, se calassem, me largassem, me deixassem a minha vida comigo. estou cansada, e quanto mais cansada, pior trilho o caminho, pior faço e nem sei o que faço, só que não gosto de não saber o que fazer, ou como fazer. às vezes parece que está tudo feito, e mal feito, e sou eu que faço mal. há coisas que não sei fazer, não sei esconder-me quando devo, nem fingir, mentir, quando devia.]

Boa Noite

28 setembro 2013

...e pronto, vamos lá então!!!
Mais um dia de lóóóócura...

(...)
- Tinhas sido muito mais feliz se tivesses ficado com ela.
-Não, eu estou feliz aqui e agora, assim.

Boa Noite

27 setembro 2013



(...) não despertes o que não podes calar.
José Tolentino de Mendonça

...too late... 
mas é um bom conselho.
Há coisas que depois de acordarem nunca voltam a adormecer em nós da mesma maneira. 
Mudam-nos, ou melhor, apuram-nos: trazem-nos mais à tona de nós, ficamos diferentes porque ficamos mais iguais a nós mesmos. 
Mudam-nos, fazendo-nos regressar a nós - e há regressos de que não se regressa. 
Nada volta ao mesmo. Há algo que não mais conseguimos calar em nós depois desse grito ser rasgado de dentro para fora da pele. 
Há amores que, se despertam, não se calam.
Não acordes o que não podes amar.
...too late...
eu sei....
Boa Noite

"Vejo tudo claro e nitidamente, e o que vejo significa desolação e morte, morte perpétua. Há trinta anos que carrego a Cruz ignominiosa, servindo mas não acreditando, trabalhando mas não recebendo salário, descansando mas não conhecendo a paz. Porque hei-de acreditar que tudo mudará subitamente só por a ter, só por amar e ser amado?
Nada mudará, a não ser eu."
Henry Miller, in Sexus

[e isso muda tudo, tudo o que se vê, se sente e se vive.]

26 setembro 2013

....poisssssss....
é só tangas...

T@nga-me... no meio da rua.
Em qualquer lado.


Falhamos, a cada dia em que não vivemos ao máximo todo o nosso potencial, matamos Shakespeare, Dante, Homero, Cristo que habita em cada um de nós. Cada dia que vivemos em conflito com a mulher que já não amamos, destruímos a nossa capacidade de amar e de ter a mulher que merecemos.


Henry Miller