Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

14 fevereiro 2014


Eu já sabia o que ia fazer hoje. 
Ia enviar-me fotografada a retalhos... um ombro, a linha do pescoço, a curva da anca, a sobrancelha, aquela curva que segue o contorno onde as costas mudam de nome, as pernas e a boca em beijo... Ia mandar-lhe de quando em quando, pelo telemóvel, pedaços de mim, a preto e branco - sempre a nostalgia melancólica do preto e branco - ia sorrir enquanto o fazia, ia imaginar o momento quando chegasse ao destino e fosse aberto. Ia salpicar o dia assim, de coisas que esperava que gostasses... e que te fizesse esse sorriso lindo e malandro. 
Não fiz, não foi este ano, mas farei ao que for meu próximo namorado. Enviar-me-ei em retalhos fotográficos, a conta gotas, durante o dia, para me dar-lhe inteira ao fim do dia quando lhe cair nos braços à espera que a vontade de me abraçar cada bocadinho daqueles de mim seja tão grande, tão boa e tão doce como aquela que sinto agora por quem nada sente. 
Bem sei que sou tonta, que se calhar não arranjarei um tonto que goste destas tontices, que ache tontices parvas, que diga que não liga ao dia - e eu também não ligo, mas às vezes dá-me desculpa para fazer umas tontices mais tontas (este dia, ou aniversários, ou datas que me marcam por alguma razão, ou só porque me apetece, pronto)... Porque a vontade de abraçar, e querer ser abraçada em cada pormenor, em cada riso e sorriso, ao fim do dia, isso - felizmente, ou não tão felizmente - tenho-a todos os dias. É essa a minha prenda de enamorada todos os dias, o dia do bêbado do cúpido só me dá asas para coisas mais parvas e que não se encontram em lojas.
Dou por mim a pensar, a projectar o fim do dia... quando, finalmente sozinhos, enroscados um no outro em frente à lareira íamos murmurar parvoíces e rir enquanto nos contássemos a tontice do dia na primeira pessoa de cada um. Onde estava quando viu a primeira foto, o que pensou, o que pensei... enfim aquelas coisas parvas que me fazem estar a sorrir feita estúpida agora, antes de fechar a janela do blogger e voltar à vida e à casa vazia, à lareira sem calor junto, aos meus dias e à minha realidade. 
Enfim... um dia a vida acontece. Acontece-me. Um dia. 

P.S. - os telemóveis são um potente aliado do namoro desavergonhado, desde fotos a trocar, a mensagens a trocar para lá de malandras e nos limites da decência de cada um (e cada um tem os seus, e nós tinhamo-los parecidos)...revela-se uma grande invenção se bem aproveitada... foi o que também conclui quando me lembrei de fazer isto... aproveitem!
P.S. 2 - curiosamente nunca penso ou imagino que alguém me pudesse fazer a mim uma tontice deste género, ou doutro, uma brincadeira qualquer... e nunca ninguém (mentira, acho que uma percebeu pelo embrulho brincadeira do meu dia de anos...) percebeu que prendas não me fazem nascer o sorriso de dentro que só me sai pelos olhos. Sou esquisita, ou exigente demais, se calhar.
...eu acho que isto é MESMO assim...
...é lindo, mesmo...
se for assim.


"Houve um ano em que entendi o que é olhares para alguém todos os dias e pensares “eu era capaz de olhar para estes olhos todos os dias da minha vida”. E, ao pensá-lo, isso te preencher de tal forma que a única coisa que te importa é fazer por isso,(...)"

Escrito pelo Menino (bem sei que ando a abusar, sempre a roubar o moço, mas que fazer, quem o manda escrever estas coisas?) e a lembrar-me - a sentir, a reviver - que já me disseram exactamente isto, mas nunca fizeram isso... 
...por isso...
...Só me ocorre dizer asneiras... porra!! $%&@#?&%@#$
...ahhhhh... e mais uma coisinha: QUEM RAIO ANDAR A EMBEBEDAR O MEU CUPIDO HÁ ANOS PARE COM ESSA MERDA SEFAXAVOR!!!, DESINTOXIQUEM O GAJO À FORÇA , AFINEM-LHE A PONTARIA E DÊEM-LHE UNS ÓCULOS, QUE EU 'TOU FARTA DESTA MERDA, SIM??
Agradecida. 
Fico à espera. Sentada para não me cansar, já sei... bahhhhhh

12 fevereiro 2014


"(...) E houve um ano em que entendi que podes levar as pessoas onde quiseres mas não lhes podes pôr amor dentro. Que há, mais que um cansaço, uma atitude existencial por dentro que não consegues tirar com mais mimos ou mais spas que lhe atires contra. Houve um ano em que entendi que há cansaços que não são desculpa para nada e são desculpa para tudo. Houve um ano em que entendi que há cansaços que, no alfabeto de alguém, são anagramas para falta de amor.

Houve um ano em que compreendi pela negativa que o resultado pode ser ortogonal ao esforço. Por mais que faças, não consegues que entendam ou apreciem porque o fazes, ou, mesmo que entendam isso, não interessa nada, porque não te correspondem, acham que não precisam de te corresponder.

Houve um ano em que entendi que as palavras não significam nada. Quem há quem diga amor e ache que isso quer dizer conforto, ou estabilidade, ou acomodamento. Houve um ano em que entendi que um bilhete de avião para ir a Londres on Valentine’s Day ter com alguém não significa nada senão uma oportunidade de passear, e que é possível chegar ao fim do dia cansada e a querer dormir porque no dia seguinte te vais querer levantar cedo para ir às compras. (...)"


Coisas do Menino...

Quanto a mim, houve um ano em que percebi o que é ter-me enganado tantos anos acerca do que é ser amada, porque nunca fui. Um ano em que o dia de S. Valentim me lembra que todos se empolgam por assinalar um dia com grandes coisas, que eu só queria comemorar todos os dias com pequenas coisas, mas que nem vontade para isso agora tenho. Não quero nada. E que, na verdade, é o que tenho: nada. 
É o ano em que recuo à minha adolescência para me lembrar dum beijo a meio dumas escadas enquanto chovia, para depois correr de mão dada e sorriso aberto até ao abrigo mais próximo e aí, acabar  a seco, o beijo molhado e prolongado e colado como todos os primeiros beijos devem ser. Lembro-me dessa paixão que me queimou e me doeu e me matou e me refez, sem nunca se calhar me ter completamente refeito, e que não me deu nada - nem de perto-, do que o amor que dei e senti nos últimos anos, que era Amor, mas era um Amor apaixonado muito doce, muito bom e muito completo, que me fazia sentir inteira e completa.  Lembro-me duma surpresa que fiz, dumas fotografias que tirei para à distância dizer que estava aqui, e que era ainda tua, como sempre. Lembro-me de saber que tudo isso deitaste ao lixo, sem complacência. Lembro-me de pensar há algum tempo que tolice iria eu fazer este ano para te pôr um sorriso nos lábios, que apesar de tudo, quero sempre provocar e regalar-me só a imaginá-lo. Lembro-me como sou triste na minha estupidez tão alegre... lembro-me que tudo é, invariavelmente, um desperdício de vontade e tempo. E que desisti. Lembro-me que desisti e tenho de mo relembrar de tempos a tempos. Desisti.
Lembro-me este ano - principalmente este ano - que tudo acaba e que os dias não são nada. E que não gosto deste dia que aí vem de S. Valentim, lembra-me que as minhas paixões acabam mal e que o Amor não é para mim. 

09 fevereiro 2014

Sabedoria de filme de Domingo (muito) chuvoso à tarde: 
"nunca saberás o que é o amor se não te renderes completamente a ele."
...e esta da banda sonora ficou-me no ouvido...
mais esta (a última do filme):


...can't...

Boa noite...

07 fevereiro 2014

fico só, sabendo
que todos os objectos têm a
forma do teu corpo, e
todos os sons se reconduzem
à tua voz. não deambulo
pela casa – excessiva de ti – fujo-lhe
na ausência de movimento e
no desejo de ficar absolutamente
só. lembro-me de como não gostas
de me ver chorar.

valter hugo mãe

Boa Noite
...hum hum...
...e de que maneira!!!

06 fevereiro 2014


Iupiiii!!!! Ye ye ye!!!!
Consegui!!!
Lá lá lá...
(as vezes não sou tao burra como pareço... Estou contente eh eh)
... Já tenho signo!!
Sou Sagitário, está visto!!
Só pode!!

...com raiva, sim.
Talvez...
Nunca experimentei.
Talvez experimente um dia destes, 
com raiva de ti, mas não contigo...
(sim, irritou-me, deu-me raiva, nunca é comigo. nada.)

Boa Noite


04 fevereiro 2014

"(...) Aqui, a olhar para ti, os teus ombros, os teus pés, as tuas mãos.
A ti que te amo porque me olhas nos olhos e és da minha altura. A ti que te amo porque quando damos as mãos é como iguais e a tua mão busca a minha tantas vezes como procuro a tua. A ti que te amo por milhares de razões minúsculas que somadas são maiores que o mundo. 
A ti, que sei que te amo por este facto tão simples que é saber que me apetece ser velho ao teu lado.
E quando te olho adormecida és ao mesmo tempo tudo o que és, princesa e loba, demónio e anjo, senhora dos meus castelos, guerreira indomável e sempre menina em meus braços.
(Murmuro em silêncio palavras antigas que nunca me ouviste, e falo a coisas antigas dos meus braços à tua volta, meu coração atado ao teu, amar-te, honrar-te, proteger-te do mal.) 
É aqui, a olhar para ti, que percebo que a minha respiração se acertou pela tua.
E dou por mim a pensar que nunca ergueria por ti um Taj Mahal. O meu amor, não quero que o recordem, mas sim que o sintas e que o saibas. Noite a noite, dia a dia, beijo a beijo, mão na mão."

Perfeito para dizer o que penso, o que sinto, o que gostaria de saber dizer assim. Como amo e como gostava que me amassem.

Boa Noite

03 fevereiro 2014

...porque hoje precisava muito de me sentir perto dum qualquer amor que me fizesse sentir bem, protegida, amparada, volto às papoilas da minha infância, e à mão que procurava para agarrar a minha, uma mão forte, quente, cheia de ternura e protecção. Não eram mãos bonitas - de tão esquisita sou com as mãos -, mas eram umas mãos que me faziam sentir bem, mãos que tantas vezes espreitei, de soslaio, noutras mãos que me faziam lembrar essas, que me levavam no tempo até elas, mas também essas já cá não estão, e toda a segurança, a protecção, o sentir que às vezes há mãos que se podem procurar para nos agarrar e não nos deixar cair, tudo isso acabou. Alguém me devia ter avisado que eu devia ter crescido antes disto. Procuro nessas mãos da memória a memória duma segurança que não tenho, e que preciso tanto. E colo, esse colo que me ampara e repara de todos os males, porque os faz num passe de magia desaparecer de mim enquanto semeia de dentro um sorriso que já não sei sorrir.
Tenho saudades, saudades de tudo, de tanta coisa que é o meu tudo, de tantas pessoas que me são e que me faltam... tenho saudades de estender a mão e procurar uma mão como a minha filha procura a minha quando caminhamos lado a lado, e mesmo sem qualquer perigo aparente, ela procura a minha mão, e encontra-a, e segura-a. 
Eu também quero estender a minha mão, mas ninguém ma segura.
Alguém me devia ter avisado que eu devia ter crescido quando as papoilas morreram naquele canteiro.

Bom Dia

01 fevereiro 2014


"Não é preciso mais desculpas. Há que encarar os factos. Chega o dia em que o amor acaba. Finito. The end. E essa sim, é a verdadeira razão para o término das relações. Não é por surgir alguém mais interessante, por irmos viver para outra cidade a km de distância, nem tão pouco por querermos estar sozinhos nesta nova etapa da vida. Todas estas desculpas que damos a nós próprios - estejamos nós em que papel estivermos na relação que agora finda - são apenas uma, ou várias, das muitas desculpas para a verdadeira realidade - a morte do amor. Talvez porque o amor seja um saldo que se esgote, talvez porque as relações necessitem de um esforço mútuo contínuo, talvez porque as pessoas por quem nos apaixonamos - ou a imagem que construímos delas - acabam um dia por morrer. E com elas, o amor. 
Não ocorre de um dia para o outro, não. Também ninguém se apaixona de um momento para o outro. O desejo sim, nem sempre; a mim excitam-me as pessoas inteligentes, por isso talvez goste de pessoas caladas. E com óculos, mas isso talvez seja por querer que me vejam melhor. Também o amor quando morre vai desfalecendo, um sufoco imperceptível, sou eu que não quero perceber os sinais - já não me olha nos olhos quando diz que me ama, agora já nem diz, o sexo tornou-se numa actividade mecânica, marcada pelo compasso do relógio à espera que algo aconteça como que por milagre, a cumplicidade deixa de existir nos pequenos gestos, há quanto tempo não me deixas escrito um bilhete dentro da minha pasta?
O amor morre. Não tenhamos medo, não arranjemos mais desculpas para o nosso fracasso, o excesso de trabalho, o nascimento dos filhos, a boazona do decote pronunciado, o colega carente e mal fodido.
Foram precisos... dez? dez anos para meter na cabeça que o amor acaba. Finalmente posso terminar aquele dia de Setembro (ou foi Agosto?) - talvez antes até, eu estava de manga curta, sem mangas, sem roupa, sem ti, o meu mundo tinha acabado e eu tinha tido o meu primeiro grande desgosto de amor. Hoje, volto a casa, a outra casa, nunca conhecerás esta casa. Deito-me na cama, sei que me deixaste de amar. Apago a luz e sei que já nada disso me importa."


Pergunto-me como se recuperam dez anos que se demoram a perceber o que não quisemos perceber logo, mas estava já percebido. Há tempo demais na constatação das coisas mais óbvias - aliás acho que, quando doem, quanto mais óbvias mais se demora, para tentar adiar o que na verdade já foi. Tentar ver um futuro  diferente no que já é passado. Só o recomeço se adia, mais nada.

31 janeiro 2014

Às vezes apetecia-me começar o dia a dizer isto.
E acabar a dizer o mesmo.
Ainda que calada.

Bom Dia

29 janeiro 2014

...chegaste?
... ou estás de partida?

Boa Noite

...está mesmo um frio do caraças!!
...se ao menos não tivesse tanta preguiça de ir buscar lenha...
Tenho mesmo de arranjar um lenhador....
que só as meias, para aquecer, não chegam...
ehehheheh



Espero-te
Mas conto apenas até dois
Receio o depois
Dizer três
E não chegares
Perder-te de vez.

José Gabriel Duarte

Boa Noite

28 janeiro 2014


(...) o meu sorriso tem o tamanho do medo de te perder,
porque o ar que respiras junto de mim é como um vento
a corrigir a rota do navio. Se partires, não me abraces –

o teu perfume preso à minha roupa é um lento veneno
nos dias sem ninguém – longe de ti, o corpo não faz
senão enumerar as próprias feridas (como a falésia conta
as embarcações perdidas nos gritos do mar); e o rosto
espia os espelhos à espera de que a dor desapareça.
Se me abraçares, não partas.

Maria do Rosário Pedreira

[... o sorriso que chamas meu, só obedece ao teu chamar, não é meu: é teu. Começa e acaba em ti. Esse sorriso que dizes gostar, e que nunca ninguém mais viu, é teu, já te disse. É o meu espelho de ti. E, sim, é do "tamanho do medo de te perder", porque o sorriso não sou eu: és tu. Não é meu: é teu, como eu. Não sei se já te disse.]


...ia já para aqui.
Dois ou três dias...
Vinha como nova.
mais nova, vá...
... e com menos um livro na fila dos "para ler".
Maravilha, era mesmo isto.
...houvesse verba!!

Boa Noite

27 janeiro 2014

"O silêncio é uma outra maneira da palavra viver, 
porque há coisas que não podem ser ditas de outra maneira"

Mia Couto

[Há silêncios que são vida, silêncios cheios de vida. Silêncios que dizem coisas que as palavras não sabem dizer, coisas que se sentem sem palavras, que nos deixam sem palavras. Depois há coisas que dão sentido à vida, que, se se vivem, não se conseguem silenciar. Aí, quando alguém se remete ao silêncio é porque não as vive, não as sente, estão-lhe silenciadas, mudas por dentro do que não existe, trancadas no vácuo de coisa nenhuma. É um silêncio sem vida, é o silêncio que pode até ser falado de todas as maneiras, não dizendo nada, é só vazio, como a vida que não nos fala, como quando não sentimos, não precisamos da voz do outro. A sua ausência não nos fala, e nós nada dizemos. Deixamos vazio o vazio, e silencioso o silêncio que não pode ser dito doutra maneira, senão com a ausência (até das palavras).]

Boa Noite 

25 janeiro 2014


... Quando acordo e sem aviso te espreito a espreitares-me desavisado. E aviso-me que te gosto cada vez mais, fecho os olhos ao sono com um sorriso meu de ti.
Bom Dia!

23 janeiro 2014

[Foto de Bartosz Tylinski]

Nunca um olhar me seduziu tanto quanto o dela. Dois continentes da mais pura sensualidade, do mais terno acolhimento, da mais devassa cumplicidade. Há duas semanas que não saio de casa: só a ideia de deixá-la sozinha é um sacrilégio. Trocá-la por quê? Pela porra do emprego? Pela companhia dos amigos, essa corja de mal-amados? Pela vidinha, a expediência lamacenta das obrigações e dos compromissos? Deixo-me ficar. A ideia de estar a faltar ao trabalho, de cortar ligações com as pessoas, de responder mal a quem me telefone, de, enfim, deitar tudo a perder, erotiza ainda mais os nossos jogos de amor.

J.P. Simões, O vírus da vida

[o que eu gosto deste homem.... e agora ainda gosto mais, danadinho... sabe o que importa e o que não interessa (exageros literários aparte, obviamente...).
A ser-se louco - ou mesmo doido varrido -, que se seja pelas melhores razões. E ele é-o, ou parece.]

22 janeiro 2014

"Eu acho que não amamos apenas alguma coisa porque ela é bela, 
mas que ela é bela porque nós a amamos."

Robert Musil

[há coisas que só consigo entender assim, e entendendo assim, não entendo nada...]
Boa Noite

21 janeiro 2014

tenho os olhos feitos à medida da tua cara
e só tenho olhos para ti
quando não estás sou invisível e quase invisual
a visão não me serve de nada
vejo mas sem cor e é pior que a preto e branco
é desfocado
é esbatido
e sem chama
e sem cheiro
contigo cheira bem
sabe bem.

João Negreiros

[sabe muito bem, por pouco que seja, nada cheira tão bem, nada que eu conheça é tão bom.
É pouco, mas é tudo.
Quando o pouco é tudo, o tudo não é pouco, mas com pouco sente-se tudo.
Por pouco temos tudo, falta pouco. E no entanto falta tudo.
Faltas-me.]

Bom Dia

19 janeiro 2014

"O mundo fantasmal é o mundo que não foi completamente conquistado. É o mundo do passado, nunca o do futuro. Avançar agarrado ao passado é como arrastar uma corrente e uma bola de ferro. O prisioneiro não é aquele que cometeu um crime, mas sim o que se agarra ao seu crime e não deixa de o reviver. Somos todos culpados de um crime, do grande crime de não viver a vida na sua totalidade. Mas também somos todos potencialmente livres. Podemos deixar de pensar naquilo que não fizemos e fazer o que quer que se encontre ao nosso alcance."

Henry Miller, in Sexus

18 janeiro 2014

E aqui estou eu, a dar-me meia hora, a fumar um cigarro sentada à beira da janela, a espreitar entre as gotas de água que se ficaram no vidro e a ouvir música dum cd que tem 1-11-2010 escrito pela tua mão. E penso no que estarás a fazer, no que pensas, se ouves música de algum cd que tem alguma coisa escrita pela minha mão, e tanta coisa que não escrevi, nem escrevo, mas que sempre te quis dizer nas musicas que te entreguei. Sento-me aqui e penso, mesmo que não queira pensar. Penso que estás sempre aqui quando não estás, e lembro-me que a última coisa que me disseste foi que querias mandar tudo e todos à merda. E eu obediente. Fui. Aqui estou.
"As flores delicadas são as primeiras a perecer numa tempestade; o gigante é prostrado por um disparo de funda. Por cada altura que se conquista ameaçam-nos perigos novos e mais desconcertantes. O cobarde fica muitas vezes soterrado debaixo do próprio muro contra o qual se encolheu, tolhido de medo e angústia.
(...)
É inútil pensar em segurança, pois não existe. O homem que procura segurança, até mesmo no espírito, é como um indivíduo que seria capaz de amputar os próprios membros para os substituir por artificiais, que não lhe causariam dores nem problemas"

Henry Miller, in Sexus

[...para evitar problemas e dores, ou pensando que o evita, há quem se queira amputar de partes de si mesmo, amputar-se da vida, como se essa amputação não infligisse a maior dor, e não seja, de todos, o maior problema.]

15 janeiro 2014

...deves pensar que se eu pudesse fazer essas coisas, estava aqui não?

"Falar é apenas um pretexto para outras formas de comunicação mais subtis. Quando estas são inoperantes, a fala morre. 

Se duas pessoas estão empenhadas em comunicar uma com a outra, não tem importância absolutamente nenhuma que a conversa se torne desconcertante.

(...)

 Se falamos com alguém que sabe ouvir, esse alguém compreende-nos perfeitamente, mesmo que as palavras não façam sentido."

Henry Miller, in Sexus

13 janeiro 2014


Sabes ainda meu nome?
Fome. De mim na tua vida.

Hilda Hilst

Boa Noite

[obrigada à B pela foto.... :) ]

12 janeiro 2014

"Há dias em que o regresso à vida é penoso e deprimente. Abandonamos o reino do sono contra vontade. Não aconteceu nada, assalta-nos apenas a percepção de que a realidade mais profunda e mais genuína pertence ao mundo do inconsciente."

Henry Miller, in Sexus

[...directamente da ronha preguiçosa e cheia de vontade de fechar os olhos e sonhar, porque o sono foi esquivo e pouco repousante, e nem sonhar me deixou. Talvez agora. E sonhos bons, daqueles de que não apetece acordar.]

11 janeiro 2014

... é preciso dizer mais alguma coisa??
não, pois não??
é sempre assim, e não é só comigo, pois não?
isso e haver dias em que nada - mas nada mesmo - nos fica bem...
%&%%$#%?#$%$&


... Uma espécie de cardiofitness, mas em bom mesmo! E agora ia que nem ginjas com a preguiça gozada na ronha... Bem apetecia...
Bom dia.

09 janeiro 2014


"... teu coração insiste, não desiste..."
(ouvido a meio duma conversa. acho que é verdade. mesmo que esteja pendurado num prego que me está cravado da pele até à alma. nem assim muda, infelizmente.)
“Suffering has been stronger than all other teaching,
and has taught me to understand what your heart used to be. 
I have been bent and broken, 
but - I hope - into a better shape.”

Charles Dickens, Great Expectations

Boa Noite

31 dezembro 2013

...e vamos virar o tempo de pernas para o ar. 
O fim de um ano é o começo de outro. 
Um fim será sempre um começo, um não é sempre dizer um sim ao seu contrário. 
Dizem que amanhã temos um ano novo, e que por mudar o ano, as coisas mudam, como se virar o ano, ou uma esquina, nos mudasse a direcção, a vida, o querer, o que somos. Dizem que o ano é novo, é diferente, mas eu vejo tudo igual; a vida não vira porque o ano virou, a vida vira quando tem de virar, e nós temos de virar com ela, só isso. Se não quisermos virar quando ela já mudou, então podem passar os anos, e o tempo que se se quiser, que nada mudará, a não ser termos perdido mais e mais tempo, ou anos, sejam eles novinhos em folha ou gastos prontos a descartar. 
O ano amanhã será tão novo como hoje, se não fizeres do amanhã um dia diferente de hoje. 
Mudar um algarismo não traz nada de novo ou diferente: é só estar a contar, e ou se conta com vontade de chegar a algum lado, alguma meta, algum objectivo, ou andamos só a contar carneirinhos para adormecer... 

...pois...
Bom Dia

30 dezembro 2013

... bom pensamento perto de virar mais um ano...
e para ti, o que é o teu "tigre"?

Boa Noite

28 dezembro 2013


........Uiiiiii........
Boa Noite


"Tens de saber. Tens de me saber. Tens de saber que sou teu e que és minha. Por mais que a vida passe, por mais que cases com outro ou que vivas com outro ou que te entregues a outro. Sou teu e tu és minha. Queiras ou não. És a mulher da minha vida. Literalmente a mulher da minha vida. Tudo o que sei que vivi foi vivido contigo dentro: mesmo dentro. Não ao lado, não comigo: em mim. Dentro de mim. Como um músculo, um osso. Tens de saber. Tens de saber que não adianta fugires. Tens de saber que não há forma de fugir ao que nos somos: ao que nós somos."

Pedro Chagas Freitas, in "Ou é tudo ou não vale nada"

[devias saber. não há forma de fugir ao que é. não há alternativa ao querer. não há maneira de nos apagarmos no outro e voltar ao antes, ao não sermos realmente nós. depois não há forma. devias saber. nós precisamos de nós para ser. tens de saber. mas tens de querer saber.]

Boa Noite

25 dezembro 2013

...uma coisa é certinha, certinha, 2014 vai ser um ano de boas leituras: 
Dostoievski, Marguerite Yourcenar, Stendhal, Alice Munro, Tolstoi, Flaubert, e mais alguns... há uma altura em que já não se lê qualquer coisa, só se lê o que se acha que é bom, o que se quer ler. 
Se calhar como em tudo na vida... mas há coisas que por muito que se queiram, não podemos comprar nem pedir que nos ofereçam... e já não estamos para menos do que queremos. Seria perder tempo... Em leituras 2014 tem tudo para ser um óptimo ano... ao menos isso!!

...dizem que é Natal, que hoje é dia de Natal.
E eu estou aqui na indecisão de voltar para a ronha, na cama ainda quentinha, ou acender a lareira e ficar a ouvir os estalidos da madeira e ver as chamas que chamam por mim. 
A minha preguiça em acender a lareira e a vontade de não me lembrar sozinha e cansada fazem-me pender para a ronha, e mais um passar pelas brasas, de olhos fechados e alma adormecida. 
De olhos fechados, e no meio do sono, esquecemo-nos que também a cama está vazia. 
Que tudo está vazio enquanto outras pessoas se dizem tão azafamadas e num dia feliz, no meio de conversas à lareira e comida todo o dia... Eu não. Sou uma triste, é o que é. 
Uma triste desinfeliz, mas prefiro assumir a verdade das coisas. Estou sozinha, sim, e não estou feliz, não, para quê disfarçar? Para os outros? Mas só se disfarça para aqueles que não nos são próximos, suponho... ou então, se se disfarça para toda a gente estamos tão isolados que já nem próximos temos. Disfarçar para quê, quem me conhece sabe como ando, e quem não me conhece eu quero lá saber o que pensa!!! 
Estou sozinha, na ronha, e só comi umas torradas, conversa aqui nem tenho com quem... cada um tem o que merece, né? Assim seja, que constato, mas não me queixo.

24 dezembro 2013

21 dezembro 2013

...é só de quem não o quer... 
...desperdício?
...quem sabe?

20 dezembro 2013


"Sua vida é a sua vida.
Não deixe que ela seja esmagada na fria submissão.
Esteja atento.
Existem outros caminhos.
E em algum lugar, ainda existe luz.
Pode não ser muita luz, mas ela vence a escuridão.
Esteja atento.
Os deuses vão lhe oferecer oportunidades.
Conheça-as.
Agarre- as.
Você não pode vencer a morte, mas você pode vencer a morte durante a vida, às vezes.
E quanto mais você aprender a fazer isso, mais luz vai existir.
Sua vida é a sua vida.
Conheça-a enquanto ela ainda é sua.
Você é maravilhoso, os deuses esperam para se deliciar em você."

Charles Bukowski

[Nem parece Bukowski. É positivo, mas é dele. Incrivelmente... pelos vistos até os mais cépticos têm momentos bons, momentos de acreditar, de ter esperança. Há coisas boas para toda a gente. É aproveitar, ou desperdiça-se a única vida que se tem e todas as que poderiam fazer sentido com a nossa.]
...Pronto Pai Natal... eu sei que não me portei muito bem este ano...
mas eu prometo que com um destes no sapatinho 
(ou bota - desde que não seja de elástico-, ou debaixo da árvore, ou em cima, ou o que quiseres e onde...) 
eu prometo que ainda me vou portar pior, e depois nunca mais me dás nada, 
riscas-me da lista... ok????
Combinados?
Agradecida!
Fico à espera...


J.L. Pio Abreu, in Quem nos faz como somos.

19 dezembro 2013

Não ando com vontade de escrever. Estou farta. Não de escrever, que sempre gostei e é o meu sistema de purga; estou farta é do que escrevo, do que penso, do que sinto há tanto tempo, sem ter tempo de sequer respirar esse sentimento. Tempo, não, condições. Não me deixam respirar, sinto-me confinada a um espaço exíguo, onde tantas vezes só pareço caber eu e o que sinto, e é pouco, e é talvez por isso que não respire, nem cresça. Falta alguém que sinta comigo e que tenha vontade de crescer comigo. Estou farta. Farta disto, de pensar sempre isto, escrever isto e sentir sempre isto, como se o tempo não passasse. Como se o tempo tivesse parado nesse espaço exíguo onde me encaixo e sobrevivo há anos. E agora lembro-me: hoje tive um sonho estranho. Estava na praia, o dia estava cinzento e frio, de repente o mar foge, recua muito, tanto que quase deixo de ver a beira mar. Percebi que se esperava um maremoto, olhei o horizonte e vi uma espécie de neblina por cima do mar, meio desfocado. Percebi que tinha razão e tinha pouco tempo para me salvar, dei por mim a pensar: salvar-te? E tu queres? E dei por mim a ter a certeza que pelo menos é minha obrigação tentar, comecei a correr, a subir por onde pudesse, apanho um carro velho- muito velho - e arranquei, dei graças a deus por não ter a criança comigo porque não saberia se a conseguiria salvar - e a ela eu tinha de salvar, sempre e de qualquer maneira. A mim, para mim, bastava-me saber que tentei. Acelerei sempre até que cheguei ao ponto mais alto: um farol, antigo pelo aspecto. Tentei abrir a porta pesada e não consegui. Desespero. Acordo. Não sei se me salvei.